28/12/2017

Adeus, 2017. Adeus, HCtZ.



Eu não sei se tenho como definir o que foi 2017 pra mim. A primeira impressão é de que foi tudo horrível, mas aconteceu tanta coisa legal, também, que tenho que ficar me lembrando de não ignorá-las.

Fiquei bastante doente (o fato de ninguém validar a doença não a anula - até a piora, na verdade) e me deixei abater por muito tempo, até cansar e querer me cuidar. A retrospectiva do ano passado fala sobre o que desencadeou a coisa toda. Não bastasse isso por si só já ter sido bastante difícil de lidar, afastei vários amigos próximos durante o processo. Reconheço que é chato aguentar gente deprimida; toda a reclamação, negatividade, isolamento... A gente acaba levando isso pra um lado pessoal. Entretanto, ver amigos queridos se afastando de mim foi muito doloroso e intensificou o problema. Eu já estava lidando com uma rejeição imbecil que destruiu a minha autoestima, e aí alguns acharam que era melhor desistir de mim. Uau. Eu sei que ninguém que parou de me seguir ou falar comigo vai chegar a ler isso aqui (a reclamação, inclusive, era que o que eu escrevia sobre isso as "ofendia"), mas aprendi uma lição dolorosa em meio a tudo isso: As pessoas só se sensibilizam com a depressão quando é a de estranhos. Estranhos conseguem se unir em um esforço coletivo para ajudar alguém que sofre e essa é uma das coisas mais bonitas da humanidade. Porém, quando é o amiguinho, colega de trabalho, parente, vizinho, a gente é "tóxico, reclamão, bad vibes". Gosto de lembrar que o teu amigo deprimido não quer dinheiro, só quer 5 minutos de atenção solidária. Ouvir 5 minutos de reclamação não vai destruir a tua vida, e você não precisa nem dar conselho ou ajudar. É só oferecer um abraço e dizer que espera que a pessoa fique bem. Tenho certeza de que dá pra fazer isso entre os vídeos de receitas e os likes nos nudes.

Mesmo assim, eu tive amigos que foram sensacionais nessa fase, amigos de longa data que não desistiram de mim no meu pior e a quem serei sempre grata por isso, mesmo consciente de não ter sido boa o suficiente pra eles. Esses amigos não pediram de mim o que eu não podia dar e isso foi essencial na minha recuperação: recebi amor, compreensão, companhia e respeito, que é só o que a gente quer numa amizade. Eu sei que não dei o meu melhor em retorno (até porque todo mundo está passando por seus próprios problemas). Também reconheço que eu mesma afastei alguns que tentaram se aproximar, e não foi por ser uma pessoa horrível, mas só pra proteger a minha saúde mental e evitar machucá-los por não conseguir fazer o que queriam de mim. Espero que de alguma forma isso tenha feito sentido pra eles. Estou sempre disposta a conversar, se o outro lado estiver disposto a ouvir.

Mas indo à parte em que tudo fica bem.

Pra evitar ficar com a mente desocupada nas minhas folgas, estudei pra caramba. Estudei tudo o que sempre quis estudar (graças aos cursos gratuitos que hoje estão disponíveis pela internet) e me dediquei muito para tirar o maior aproveitamento e satisfação possíveis. Estudei paleobiologia dos dinossauros, comportamento e bem-estar animal, botânica. Continuei estudando as línguas que já havia aprendido e comecei a dar uma olhada em outras. Também estou sempre estudando para aperfeiçoar meu trabalho, portanto este ano consegui ampliar minha área para revisão de texto, o que me trouxe muito mais serviço e muito mais satisfação pessoal e profissional.

Pude ir duas vezes para Curitiba, o que é um recorde. Em uma delas foi para assistir ao Maroon 5 ao vivo e foi superdivertido, já que adoro viajar e ir a shows, mas acabou ficando difícil fazer qualquer uma das duas coisas do jeito que tudo está agora. É algo que torço pra que eu possa fazer mais.

Me aprofundei nos estudos e prática de yoga e meditação, duas coisas que têm me ajudado muitíssimo em todos os aspectos da vida. Considero a melhor decisão que tomei por mim em toda a minha vida adulta; por isso tento mostrar um pouco e, quem sabe, convencer alguém a tentar, também.

Tenho procurado não ficar com vontade de nada, se eu tenho como resolver, então mudei o visual algumas vezes durante o ano. Primeiro fiz o sidecut (raspei uma lateral do cabelo) e fiquei com ele quase o ano todo. Aí resolvi finalmente testar uma vontade antiga e cortei o cabelo bem curtinho, como está agora (doei 5 palmos de juba pro Hospital do Câncer). Não imaginei que fosse gostar tanto; tô achando uma delícia não ter que lidar com tudo aquilo de cabelo nesse calor goiano.

Fiz duas tatuagens novas (muito simples, mas muito significativas) e reformei duas das mais antigas. Aos poucos, vou perdendo o medo de me tatuar tanto em lugares aparentes. Quem sabe ano que vem finalmente tatuo o braço, hã?

Finalmente, perdi uma batalha de uma década contra os dentistas e cedi para o aparelho. Sempre fui contra a ideia de alterar algo em mim pela estética de ser parecida com todo mundo, mas foi uma questão de necessidade, mesmo. Precisei extrair os quatro sisos e aceitar que precisava fazer o melhor pela minha qualidade de vida. O começo foi sofrido mas já estou bem acostumada e animada pelo resultado final.

Fechei o ano fazendo um trabalho voluntário, na véspera de Natal, e foi maravilhoso porque pude melhorar o Natal de algumas pessoas e o meu, também. Pretendo me engajar mais na experiência, pois só faz bem pra todo mundo.

Um monte de coisas deu errado, mas o que me consola é que nenhuma dessas coisas deu errado por culpa minha, pois não dependiam só de mim. Apesar de frustrada, não me entristeci por elas e o foco fica nos planejamentos de 2018, que prometem umas mudanças grandes e espero que boas, também.





E aqui me despeço desse espaço que me acolheu por tanto tempo.

Foram nove anos de pesquisa e dedicação ao que eu achava ser uma boa maneira de divulgar coisas interessantes. Infelizmente, blogs não são mais os meios escolhidos para isso, e meu coitado ficou irrelevante. Eu tinha planos de transformá-lo em um vlog, pra que as visitas voltassem ou pelo menos meus amigos tivessem mais interesse pelo que eu tenho a dizer, mas já aceitei a ideia como desperdício de tempo e recursos. No final, a ideia é ter um lugar a menos onde falar sozinha, e, por motivos de trabalho, não posso descontar essa frustração saindo do Facebook.

O que está aqui vai ficar aqui. Ainda não sei o que vou fazer a respeito dos próximos desafios de leitura, que adoro fazer. Talvez comece a publicar as resenhas no Skoob, que é onde os leitores estão.

Obrigada pela companhia durante os anos. Sou grata pelas amizades que fiz através do HCtZ. Todos estão no Facebook, então não perderemos contato. Aos que toparem com isso agora, façam bom proveito do arquivo. Tá tudo separadinho por tags, e tem a barra de pesquisa.

Vivam um 2018 mais gentil.

Ósculos e amplexos,
Emmanuella.

26/12/2017

Desafio de Leitura 2017: Último relatório

Foi um ano em que, infelizmente, li poucas HQs. Não ter mais uma boa banca de revistas na cidade me tirou esse prazer. Obrigada, Rio Verde. 🖕


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Ficção:


Os Portões
John Connolly - Bertrand Brasil - 2013 (2009) - 304p.

Outro livro divertido de um autor que descobri recentemente e que já é um favorito pessoal. John Connolly era um prolífico escritor policial na Irlanda, até que surpreendeu a todos quando lançou O Livro das Coisas Perdidas, fantasia voltada ao público jovem. Depois disso, não voltou mais para o estilo que o consagrou: escreveu Noturnos, coletânea de contos de terror, e Os Portões, uma divertida história que mistura ciência, o sobrenatural e bastante humor negro. Samuel é um garoto um pouco mal compreendido e considerado esquisito pelos professores, adultos da vizinhança e até pela mãe, recentemente abandonada pelo marido. E, é claro, é justamente ele quem testemunha um evento inacreditável: seus entediados vizinhos abriram, em um culto satânico casual, os portões do inferno, libertando vários demônios que vão preparar a Terra para a chegada do Grande Malevolente. Como esperado, ninguém acredita no que Samuel tenta contar, exceto alguns cientistas do CERN, que notaram um comportamento estranhíssimo no Acelerador de Partículas no mesmo momento do que o menino testemunhou. A narrativa deste livro é diferente da dos outros que li do autor, o que prova que Connolly é extremamente versátil em tudo o que decide escrever. Os Portões vem com várias notas de rodapé que servem para explicar alguns conceitos científicos que podem ser complicados para os leitores mais jovens, mas num humor típico britânico estilo Douglas Adams. Meu personagem favorito do livro é o demônio Nurd, o Flagelo de Cinco Deidades. Todas as passagens com ele são hilárias! 




A Vida do Livreiro A.J. Fikry
Gabrielle Zevin - Paralela - 2014 - 186p.

Eu já tinha visto o livro por aí mas não tive curiosidade de lê-lo porque achei que seria mais um daqueles sobre alguém que tem uma livraria e descobre algo misterioso nela que o leva a alguma aventura fantástica, em mais uma metáfora batida sobre como os livros são maravilhosos. Livros são maravilhosos, mas certos tipos de enredo cansam depois que lemos um punhado de histórias parecidas. Entretanto, minha mãe acabou adquirindo-o e, como é fininho, peguei pra lermos juntas. Me surpreendi porque não era nada do que eu esperava (nem mesmo algo que eu costume ler): é um drama, uma história completamente realista sobre a vida de A.J. Fikry, proprietário carrancudo da única livraria de uma pequena ilha na costa dos EUA. Viúvo recentemente, apesar de ainda jovem, A.J. começa essa história tratando horrivelmente a novata representante de uma editora que vai visitá-lo com o catálogo da temporada. No mesmo dia, A.J. tem seu maior tesouro, uma edição rara de Edgar Allan Poe, roubada de sua casa. E aí, pouco tempo depois, alguém deixa em sua loja um pacote surpresa que vai mudar a sua vida e a de muitas pessoas da ilha para sempre. Não posso falar muito além disso porque o mais legal da história é a surpresa, mas digo que, apesar de não ser um livro de ação ou aventura, tem muita reviravolta. Consegue ser bem triste, também, justamente por ser tão realista. Gostei muito de ser surpreendida por ele e acho que vocês podem gostar, também.




Os Três
Sarah Lotz - Arqueiro - 2014 - 400p.

Enquanto lia este, fiquei tão empolgada com a história que achei até estranho não só não haver ainda um filme dele, como não haver nem menção a um. Pior que isso: não há página para ele na Wikipedia, e nem para a autora! É um tanto incrível, pois podia jurar que era um bestseller, e tem até recomendação de Stephen King na contra-capa, poxa. Enfim, a trama é a seguinte: quatro aviões caem no mesmo dia, quase ao mesmo tempo, em quatro lugares diferentes do planeta. De três deles, há apenas um sobrevivente - uma criança. Com o tempo, cada uma delas começa a demonstrar um comportamento estranho, diverso do que apresentavam antes do acidente, o que começou a levantar várias teorias a respeito das causas dos acidentes e do que aquelas crianças significavam - principalmente porque uma das vítimas dos acidentes, antes de morrer, conseguiu deixar uma mensagem gravada em seu celular pedindo para o que o pastor de sua igreja tivesse cuidado com "o menino". O mais interessante deste livro é a narrativa adotada pela autora, que é uma coleção de depoimentos que uma escritora recolheu para escrever um livro sobre o dia do acidente, que ficou conhecido como Quinta-Feira Negra. Como esses depoimentos foram dados depois de algum tempo do acidente, o tempo todo são dadas dicas sobre coisas horríveis que aconteceram com os envolvidos com as crianças ou outros passageiros dos voos, mas sem dizer exatamente como ou o que até que se chegue realmente a isso, o que manteve um suspense enorme durante boa parte da leitura (eu não sei vocês, mas eu adoro um suspense que prende a gente no livro). Sendo assim, não há protagonistas, mas muitos personagens (os mais diversos possíveis) com importância equivalente na história toda. Outro ponto que deixa a história interessante não é tanto o terror dos eventos, pois as crianças não chegam a fazer muito, diretamente, mas como o mundo todo foi tão afetado pelo evento que acabou desencadeando uma sequência de consequências horríveis. Não sei se o final agradou, de modo geral, mas a leitura certamente vale a pena pelo suspense muito bem construído e pelo desenrolar inteligente.

✔ item do desafio: Um livro cujo protagonista seja asiático




O Navio dos Mortos
Rick Riordan - Intrínseca - 2017 - 368p.

Último volume da série Magnus Chase e os Deuses de Asgard, pelo menos até o tio Rick resolver juntar todo mundo numa aventura só, como acho que deveria fazer (ele pelo menos tem largado várias dicas sobre isso nos livros). O último passo para evitar o Ragnarok é encontrar o navio de Loki e impedi-lo de zarpar pelos nove mundos com os exércitos de gigantes e mortos-vivos. Claro que a tarefa vai caber ao herói mais obtuso de Rick Riordan e seus estranhos e valorosos amigos. Não dá pra falar muito mais que isso pois pode dar spoilers dos livros passados, e já falei tudo o que queria sobre essa série, mas gosto de ressaltar que Magnus é possivelmente o protagonista mais divertido de todos do autor (pau a pau com Sadie Kane), o que deixa todo o caos engraçado em vários momentos. Ele tá sempre perdido, não é bom em nada (sem ser na cura, que é o seu poder herdado do pai), só dá fora e não consegue fazer nada sozinho. Gente como a gente. Pra ajudar, Magnus ainda tem a espada mais irritante dos nove mundos, e Alex Fierro veio definitivamente para confundir a mente simplória do rapaz. A amizade maravilhosa de Blitz e Hearth continua sendo a coisa mais bonita de tudo. E esse livro finalmente apresenta direito a história dos seus amigos do andar 19, então os conhecemos melhor, o que ficou faltando nos livros anteriores para podermos simpatizarmos mais com eles. Foi uma boa conclusão, mas ainda tem gancho pra muita coisa. Eita, tio Rick.

✔ item do desafio: Um livro publicado no mês passado




Obras Completas de Machado de Assis I: Romances Completos
Machado de Assis - 2015 (1872-1908) - 1949p.

Esse eu levei uns bons meses pra terminar, pois são todos os dez romances de Machadão em um volume digital só: Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena, Iaiá Garcia, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Casa Velha, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires. Não vou falar de todos (rá, se ferrou quem caiu aqui procurando resenha pronta pro trabalho da escola!), só destacar que a transição do romantismo para o realismo é muito visível, quando ele escreveu Memórias Póstumas logo depois de Iaiá Garcia. Se antes tínhamos um escritor de romances leves com protagonistas apaixonados e as dificuldades gerais do amor, nessa fase ganhamos um Machado muito mais afiado (eu não resisti, me desculpem, eu nem tentei resistir). Aqui entram o famoso cinismo do autor, os protagonistas complexos e o tom irônico que faz a gente dar umas risadinhas de deboche da natureza humana. Embora eu já tenha lido alguns livros dele antes, confesso que ainda não tinha lido a maioria, e escolho Quincas Borba como meu favorito atual. Ri, chorei, fiquei presa à história, o que nem sempre acontece com os romances dele. Da fase romântica, me surpreendi por ter gostado tanto de Helena, considerado seu pior livro (nem ele mesmo gostava). Embora eu normalmente não goste de romances, Helena me agradou por ter uma dose boa de suspense que me fez criar teorias durante a leitura (e errei, droga!). Como nota, ter relido Dom Casmurro depois de uns 15 anos me deu um embasamento melhor para entrar na afamada discussão sobre a traição de Capitu. Leitora prática que sou, caí no óbvio de concordar com a versão de Bentinho, que é quem narra a história. Precisei ser educada por uma leitora melhor para que eu pudesse ver que ele não é um narrador confiável. Bom, na verdade ainda reluto em inocentar a dona dos olhos de cigana oblíqua e dissimulada, afinal o fato de Bentinho ser um desequilibrado ciumento não exclui a possibilidade da traição ter realmente acontecido, mas... Machadão morreu com essa e deixou a gente aqui brigando à toa.

✔ item do desafio: Um livro que você deveria ter lido na escola, mas não leu



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Não ficção:


O Livro da Vida - 365 meditações diárias
J. Krishnamurti - Planeta - 2016 (1995) - 415p.

Aos que não o conhecem, Krishnamurti foi um filósofo indiano muito influente nos seus ensinamentos sobre a evolução da natureza humana que pretendia mudar radicalmente a sociedade com a sua maneira de pensar. Composto por trechos de palestras e entrevistas de Krishnamurti entre os anos de 1929 e 1986, este livro propõe dar uma reflexão diária com textos curtos para cada dia do ano. Compartilhei coisas maravilhosas dele várias vezes nas redes durante a leitura, mas, como comentei na resenha do Skoob, não gostei do formato como os ensinamentos foram distribuídos aqui. Acho que fragmentar as conversas para serem lidas em dias individuais deixa tudo um pouco incompleto, e ler tudo de uma vez para não perder o fio do pensamento acaba ficando repetitivo e quebra a proposta original. De resto, a quem gostou do que viu quando compartilhei, recomendo a leitura e a reflexão.




100 Gatos que Mudaram a Civilização
Sam Stall - Prumo - 2009 (2007) - 248p.

Neste livro de bolso, Sam Stall reúne as histórias reais de cem gatos que fizeram coisas incríveis na nossa história ou que influenciaram seus donos a fazerem coisas incríveis. Há gatos infames, gatos lendários que são homenageados e celebrados, gatos de personalidades famosas, e há gatos que são inacreditáveis. Todas as histórias estão divididas nas categorias Ciência e Natureza, História e Política, Arte e Literatura, Cultura Popular e Perfis Corajosos. Algumas delas são a de Nadjem, o primeiro gato da História de quem se sabe o nome; Oscar, que sobreviveu a três naufrágios (azarento ou o motivo dos naufrágios?); Ahmedabad, responsável por um enorme mal entendido político entre os EUA e o Paquistão; Blackie, que sabia falar; Lewis, que foi condenado à prisão perpétua, e muitíssimos outros casos curiosos. Muito gostoso de ler e bastante divertido; tenho certeza de que todos os que gostam dos bichos vão adorar este livro. (Tem a versão sobre cachorros, também!).






Psi-Q
Ben Ambridge - Sextante - 2016 (2014) - 288p.

Louca dos testes de psicologia que sou, logo soube que precisava ler este. Aqui, o autor analisa cientificamente 80 dos testes mais conhecidos e explica por que eles funcionam, ou por que são charlatanices. Alguns você pode fazer e entender os  próprios resultados, outros são demonstrados com experiências notáveis feitas por profissionais em determinados casos interessantes. Todos vêm apresentados com sua origem histórica, então é uma leitura muito interessante para quem gosta dessa área e tem curiosidade a respeito dos métodos avaliativos usados por profissionais. Como nota separada, não quero deixar de mencionar que fiquei um tanto decepcionada com o trabalho do tradutor e revisores do texto, que deixaram escapar muita coisa antes da publicação. Não digo apenas como alguém que tem a leitura treinada para procurar erros (o que me tirou completamente o prazer da leitura, é um saco!), mas porque tem alguns trechos que ficaram tão confusos que é necessário ler várias vezes para absorver o que o autor está tentando explicar, que já não é tão simples. Mas não deixem que isso desanime, ainda é uma leitura bastante recomendada!





itens cumpridos do desafio: 40/48
total do ano: 79 😱



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Pois é, não deu pra fechar o desafio. Porém, em quantidade, li mais do que o proposto (e mais do que nos anos anteriores!). Como continuo sorteando o que vou ler, às vezes coincide com os itens do desafio, e às vezes não. Eu sei que não é assim que se brinca de desafio, mas me deixem u.u Em compensação, consegui checar todos os itens que ficaram faltando do desafio do ano passado.

Variei mais entre livros físicos e livros digitais, entre autores homens e mulheres, e entre livros estrangeiros e nacionais.

Segue a lista completa de leituras do ano (cada resenha pode ser encontrada no arquivo, pela busca, pela tag DESAFIO DE LEITURA ou pelo diretório de resenhas):



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Um livro de memóriasSobre a Escrita
Um livro sobre uma maldição ou profeciaA Verdade é uma Caverna nas Montanhas Negras
Um livro com um dragãoMatrimônio do Céu e do Inferno
Um livro publicado no ano em que você nasceu
Um clássico moderno
Um livro que virou série de TVO Portador do Fogo
Um livro com mais de 500 páginasInsurgente
Um livro que foi traduzido para a sua línguaUm Teto Todo Seu
Releitura de um livro da sua infância
Um livro banidoPersépolis
Um história em quadrinhosO Perfuraneve
Um livro que você escolheu pela capa
Um livro ambientado em um lugar que você quer conhecerOrgulho e Preconceito/Persuasão
Um livro publicado independentementeBastidores
Um livro cujo protagonista seja LGBTA Profecia das Sombras
Um livro de poemasFolhas Caídas
Um livro com personagens não-humanosÁs na Manga
Um livro de um autor que tenha o seu primeiro nomeMeu Quintal é Maior do Que o Mundo
Um livro cujo título tenha uma cor
Um livro com uma heroína forteConvergente
Um livro ambientado no futuroDivergente
Um livro baseado em uma história realA Diferença Invisível
Um livro vencedor do PulitzerA Sexta Extinção
Um livro de um autor com as suas iniciais
Um livro cujo título tenha apenas uma palavraQuatro
Um livro publicado no mês passadoO Navio dos Mortos
Um livro com piratasFelizmente, O Leite
Uma peça ou roteiroHarry Potter e a Criança Amaldiçoada
Um livro escrito por alguém com menos de 30 anosWomen in Science
Um livro de capa roxaWelcome to Night Vale
Um livro que seja uma releituraA arte da dedução de Sherlock Holmes
Um livro cujo protagonista tenha menos de 16 anosO Menino que Desenhava Monstros
Um livro sobre a relação de irmãosRazão e Sensibilidade
Um livro ambientado fora da TerraGeorge e a Caça ao Tesouro Cósmico
Um livro que tenha água na capaDinossauros
Um livro sobre viagem no tempoBiblioteca de Almas
Um livro cujo protagonista seja asiáticoOs Três
Um livro que você descobriu pelo Skoob/GoodReadsSete Minutos Depois da Meia-Noite
Um livro sobre poderes sobrenaturaisContos Peculiares
O segundo livro de uma sérieCidade dos Etéreos
Um livro ambientado em uma cidade pequenaO Orfanato da Srta Peregrine Para Crianças Peculiares
Um livro cujo protagonista tenha sua idade
Um livro com ciborgues ou robôs
Um livro ambientado em um universo paraleloA Espada do Verão
ANO PASSADO: Um livro com mais de 100 anosO Fantasma da Ópera
ANO PASSADO: Um livro que você deveria ter lido na escola, mas não leuObras Completas de Machado de Assis, Volume I: Romances
ANO PASSADO: Um livro que recebeu críticas negativasLoney
ANO PASSADO: Um livro de um autor que você nunca leuO Livro do Ego


👉 Fora do desafio:


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Uma Breve História do Mundo
Mindfulness: O diário
Hardcore Self Help: F**k Anxiety
Uma História Incomum Sobre Livros e Magia
A Mão do Homem Morto
O Assassinato de Agatha Christie
Cura Pela Meditação
A Essência do Budismo
A Vida Secreta das Árvores
Antologia Poética Drummond
Antologia Poética Gregório
Toda Poesia
Antologia Poética Bilac
O Martelo de Thor
Preconceito Linguístico
Dear Future Historians
Hotel Valhala
O Livro das Coisas Perdidas
Melhores Poemas Gullar
O Vento Pela Fechadura
O Livro da Vida
Os Portões
A vida do livreiro AJ Fikry
Yoga Para Nervosos
O Livro das Ideias Brilhantes
Como Ser Feliz
Psi-Q
100 Gatos Que Mudaram a Civilização

12/12/2017

Meus álbuns favoritos de 2017

Como todo ano, não priorizei muito os lançamentos. Ouvi bastante do que foi lançado em outros anos (inclusive várias coisas legais do ano passado, que só fui conhecer esse ano), então essa lista não vai ter muita coisa.

Perdemos uma boa quantidade de artistas queridos. Dentre os que eu mais admirava, se foram Chuck Berry, Chris Cornell, Chester Bennington, Tom Petty e Fats Domino. Algumas bandas resolveram dar um tempo ou terminar de vez, e algumas retomaram as atividades. Não cheguei a conhecer nenhuma nova, mas espero que venha muita coisa boa pela frente.

Estes são alguns dos lançamentos de 2017 que mais gostei de ouvir, sem ordem:



The Spark
Enter Shikari
alternative rock, electronic rock

Embora alguns dos fãs mais antigos não estejam contentes com este álbum (porque está definitivamente longe do som que os tornou característicos, lá no começo), fiquei bastante satisfeita com ele porque, ao contrário de umas e outras bandas que resolveram se aventurar em outros estilos (*tosse*Linkin Park*tosse*), as letras continuam exatamente como eu esperava que fossem, vindas daquela cabeça maravilhosamente inteligente do Rou Reynolds - agora, com um corte de cabelo sensacional. Falta ódio, sim, porque o Rou é outro cara, agora. E, como fã e sincera admiradora, torço pra que ele siga por esse novo caminho pessoal. The Spark também tem a vantagem, pra mim, de ter sido o único lançamento de uma banda favorita que eu gostei. Esse é o meu vídeo favorito:








Safe in Sound
Lower Than Atlantis
hard rock

Conheci a banda este ano, por recomendação do Spotify com base no que eu gosto de ouvir, e não me decepcionei. Além de serem do estilo que eu realmente gosto de ouvir no dia a dia, a temática geral do álbum é bem pertinente pra mim (sabem, aquela bad usual sobre depressão, rejeição e problemas comuns da vida; é sempre bom ter companhia de quem entende). Safe In Sound foi bem recebido pela crítica britânica, apesar de algumas torcidas de nariz pelo som aparentemente mais pop do que seus trabalhos anteriores.








Wired
Mallory Knox
alternative rock

Outra recomendação do Spotify que também gostei bastante, tanto que logo ouvi tudo o que há deles por lá. O álbum foi bem recebido de todos os lados e aparentemente lida com composições bem pessoais de um dos membros da banda. Também não tenho muito o que falar sobre eles, então fiquem com este vídeo, que fala sobre depressão:










Red Pill Blues
Maroon 5
pop, R&B

Eu não tinha gostado muito quando o ouvi da primeira vez, mas acabei me acostumando quanto mais ouvia e agora mudei de opinião. Aprovando ou não a despedida da banda das origens no rock e essa transição definitiva para o pop dançante, o fato é que tudo aqui gruda pra caramba e isso funciona, né? Fiquei sabendo há uns dias que esse álbum gerou uma controvérsia danada a respeito de várias coisas (começando pelo título, que aparentemente remete a algo ofensivo, embora a banda tenha negado), mas deixei tudo isso passar porque preguiça de briga. Costumo não gostar completamente dos vídeos da banda por causa da hipersexualização usual, mas desse aqui eu gosto bastante:







You Are We
While She Sleeps
metalcore

Um estilo que voltei a ouvir, do ano passado pra cá, e esse álbum foi o que mais gostei dentre os lançamentos do gênero este ano. Ainda não conheço o suficiente dessas bandas todas para falar sobre elas, mas You Are We foi super aclamado por toda a crítica e o público. Não sei qual é a do título do álbum (tô bem preguiçosa com as resenhas esse ano, hein?), mas gostei da capa. A música com o Oli Sykes, vocalista do Bring Me The Horizon, é uma das mais legais.








Ladies and Gentlemen: Barenaked Ladies & The Persuasions
Barenaked Ladies & The Persuasions
alternative rock, acoustic rock

O Barenaked Ladies emplacou alguns sucessos nos anos 1990, sucessos estes que regravaram neste álbum com o grupo a capella The Persuasions. Foi o primeiro lançamento do ano do qual realmente gostei, quando o ouvi, já achando que esse ano não traria nada de que eu fosse gostar muito. O BL mesmo chegou a lançar um álbum de inéditas, meses depois, mas gostei muito mais deste aqui. É uma coisa deliciosa de se ouvir!








  • Álbuns de que gostei, de modo geral, mas não tive faixas favoritas:


Who Built the Moon?, Noel Gallagher's High Flying Birds (psychedelic rock). É com certa tristeza que deixo o tio Noel, uma das minhas pessoas favoritas do mundo, nessa segunda parte da lista. Queria ter amado o álbum novo, mas, embora tenha gostado, não amei. O psicodélico nunca foi um estilo de que gostei muito, e, embora o Noel já venha se afundando no estilo há anos, aqui ele mergulhou de vez. Não há dúvida de que é um bom álbum, mas não vou ouvi-lo tanto quanto gostaria.



Everyday is Christmas, Sia (pop). Amo, adoro, idolatro a Sia, vocês já sabem. Este álbum só está aqui fora dos favoritos porque é temático de Natal e, bom, por mais que goste, não vou ouvir tanto assim. Mas tá superlegal.



A Black Mile to the Surface, Manchester Orchestra (indie rock). Gosto muito do Manchester Orchestra, mas tudo o que eles fazem é um tanto melancólico demais. Não que eu não adore músicas melancólicas, mas não é sempre que estou no clima pra ouvir. Os vídeos são sempre maravilhosos.



Selective Hearing, Our Last Night (post-hardcore). Apesar de ser um EP, listei-o aqui porque a banda é uma descoberta recente da qual gosto bastante. Os conheci pelas ótimas versões que fazem de sucessos pop, mas as músicas próprias também são muito boas.






Como previsto na postagem do ano passado, ouvi do álbum solo do Liam Gallagher e não gostei (aquela previsível vibe indie que não tenho mais saco de ouvir). Outros artistas favoritos lançaram álbuns (Rancid, Hot Water Music, Anti-Flag, Stone Sour, etc...), mas não me chamaram muito a atenção. Vários outros favoritos lançaram coletâneas, então não há o que falar sobre esses álbuns. Conheci outros tantos artistas, mas ainda não tenho opinião formada sobre o que ouvi deles, apesar de ter gostado.

Não sei o que já tem anunciado pro ano que vem, mas já considero certo que vou acabar gostando muito de descobertas de anos passados que perdi. Vamos ver!