01/11/2017

Desafio de Leitura 2017: Quinto relatório

Não avancei quase nada do desafio (me distraio demais com outras leituras interessantes), mas faltam poucos itens. Será que consigo até o próximo e último relatório?

Ainda estou lendo o e-book com todos os romances de Machado de Assis. Agora faltam apenas três para terminá-lo, então acho que ele entra a tempo de acabar o ano e o desafio,

Vou manter o formato de relatórios bimestrais até o fim do ano. Ano que vem, vai ser diferente.



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Ficção:


A Profecia das Sombras
Rick Riordan - Intrínseca - 2017 - 334p.

Segundo volume da série As Provações de Apolo, mais uma saga divertida do autor, em que o egocêntrico deus está sendo punido ao ser obrigado a passar um tempo indefinido como um adolescente mequetrefe na Terra enquanto tenta resolver um problema gigantesco com os seus oráculos. Embora tenha a ajuda de alguns semideuses, Apolo está abandonado pelos outros deuses, então está aprendendo duramente sobre companheirismo, lealdade e amizade vindos de gente "inferior" a ele. O narcisismo de Apolo é a característica mais carismática do personagem, e os personagens que o acompanham nessa história (alguns antigos, de outros livros, e alguns novos) dão o tom diversificado próprio das obras do autor. Como curiosidade, este volume é a respeito do Oráculo de Trofônio, sobre o qual já postei por aqui. E, também, já dá uma dica sobre uma provável próxima saga do autor, que aparentemente poderá envolver uma mitologia africana. Espero que sim!

✔ item do desafio: Um livro cujo protagonista seja LGBT






O Martelo de Thor
Rick Riordan - Intrínseca - 2016 - 400p.

Segundo volume de mais uma série de Rick Riordan, da qual estou gostando muito mais do que imaginava que gostaria. Com a temática da mitologia nórdica, essa saga acompanha Magnus Chase em suas missões pós-vida como guerreiro de Odin. Aqui, Magnus e seus amigos devem recuperar um certo objeto que um certo deus se recusa a admitir ter perdido. Como já disse em várias ocasiões, o que mais gosto nos livros do autor, além da temática mitológica e dos seus protagonistas terrivelmente sarcásticos (Magnus Chase sendo o maior de todos!), é toda a diversidade que ele explora tão bem com seus muitos personagens. Por ser uma narrativa que aproxima conceitos fantásticos de um cenário real, acredito que seja o ideal para introduzir conceitos de diversidade social aos jovens leitores. Os personagens dessa saga incluem heróis que são um morador de rua, uma muçulmana, um surdo, uma pessoa de gênero fluido, e todo tipo de discussão sobre diversas culturas e seus valores. Tudo isso torna a obra de Rick Riordan uma forte recomendação minha para leitores de qualquer idade, pois só tem coisas boas para nos dar.




Hotel Valhala: Guia dos mundos nórdicos
Rick Riordan - Intrínseca - 2017 - 160p.





Este é um livro de acompanhamento da saga Magnus Chase e os Deuses de Asgard, assim como todas as outras têm os seus guias de personagens e mitologia. Este aqui tem forma de um guia disponibilizado aos recém-chegados a Valhala que, aqui, é um hotel. É escrito pelo gerente, Hunding, e contém fichas dos principais deuses e criaturas, além de algumas entrevistas e... uma batalha de rap. Divertido, como sempre.










O Vento Pela Fechadura
Stephen King - Suma de Letras - 2013 (2012) - 283p.

Depois da ressaca de Torre Negra ano passado, acabei deixando pra ler este depois e esqueci completamente dele até uns dias atrás, haha. Esta é uma história de A Torre Negra, embora não faça parte da história principal, sendo ambientado entre o quarto e quinto livros. Enquanto esperam que uma terrível borrasca passe, na viagem entre um destino e outro, os protagonistas procuram abrigo e Roland lhes conta "uma história dentro de uma história". O pistoleiro narra a Eddie, Susannah e Jake (e Oi) sobre uma de suas primeiras missões como pistoleiro, quando ainda era pouco mais do que um garoto, em uma fazenda que havia sido atacada por uma terrível criatura. A única testemunha sobrevivente era um menino que Roland precisava defender até que encontrassem o responsável pelo massacre. Para ganhar a confiança e aproximar-se do garoto, o pistoleiro lhe contou uma história que sua mãe lhe contava, quando ainda era viva e ele mesmo era pequeno. Essa história, por sua vez, era sobre um garoto que havia perdido o pai recentemente e que, ao conhecer um homem muito estranho, partiu numa missão perigosa a fim de salvar sua mãe do seu terrível novo padrasto. O livro todo é bastante envolvente e o li rapidinho, ao contrário dos demais da série, na época. King diz, em nota, que não é necessário ter lido A Torre Negra para acompanhar essa história (e que é até uma boa maneira de se ambientar no Mundo Médio e suas estranhezas), mas acho que a leitura talvez seja mais divertida pra quem já conhece as peculiaridades desse mundo.




O Livro das Coisas Perdidas
John Connolly - Bertrand Brasil - 2012 (2006) - 364p.


Gostaria de encorajar os visitantes deste relatório a conhecerem John Connolly, possivelmente um dos melhores escritores que temos por aí hoje. Eu já havia lido seu livro de contos, Noturnos, e ficado encantada por ter gostado muito de todos eles, o que é meio raro em livros de contos, e agora este, maravilhoso de muitas maneiras. Embora pareça ser mais um livro juvenil, O Livro das Coisas Perdidas vai muito além de sua aparência e tema. Ambientado em Londres, durante a Segunda Guerra, temos David, um menino que perdeu a mãe doente e que está tendo problemas em aceitar a vida nova com a madrasta e seu novo irmãozinho, em uma casa que não é a dele. O escape de David são os livros, que ele devora avidamente, mas logo David começa a desenvolver alguns distúrbios que afetam sua saúde, e o menino começa a ouvir os livros falando com ele de suas prateleiras. Seus colapsos pioram à medida que as vozes se tornam mais insistentes, até o dia em que David ouve sua falecida mãe chamando por ajuda. Decidido a segui-la, David acaba indo parar em um mundo estranho em que conhece amigos e perigos terríveis. Não posso entrar em muitos detalhes a partir daqui, por risco de dar spoilers e também por poder me empolgar e contar demais, mas, além de ser repleta de fantasia e aventura, a história também vem cheia de violência (certos momentos causam até estranheza e bastante desconforto, para um livro aparentemente "bonitinho") e bastante tristeza. Apesar disso, é uma história muito, muito bonita, com um final bastante emocionante, mesmo que previsível. A história toda dá margem a muita reflexão e, qualquer que seja a sua interpretação dos eventos, não deixará de ser tocante. Coloco-o como favorito por ter sido tão bem escrito e me emocionado como Sete Minutos Depois da Meia-Noite, no mesmo estilo. Recomendo enfaticamente!





Antologia Poética
Gregório de Matos - Nova Fronteira - 2012 - 88p.


Meu Kindle está com a missão de abrigar romances clássicos e antologias poéticas de vários autores consagrados para que eu seja menos ignorante a respeito de tantas coisas que eu deveria saber sobre literatura. Gregório de Matos é um dos poetas clássicos (do Brasil colônia, no século XVII) de quem nunca mais li nada fora da escola. Esta antologia reúne seus três estilos de poesia: a sacra, a lírica e a satírica, sendo esta a sua mais abundante e que lhe rendeu o apelido Boca do Inferno, já que falava acidamente (e, por vezes, eroticamente) sobre autoridades e figuras importantes das altas classes baianas. O homem incomodou tanta gente que acabou sendo eventualmente deportado para Angola. Não encontrei nada favorito por aqui, mas foi certamente uma leitura interessante.









Melhores Poemas
Ferreira Gullar - Global - 2006 - 296p.




Já Gullar foi um poeta contemporâneo, de posição política conhecida e muito preocupado com as questões sociais brasileiras. Um de seus poemas mais famosos é Não Há Vagas ("O preço do feijão não cabe no poema..."), que sempre víamos nos livros de português, mas o maranhense foi autor de inúmeros poemas bastante conhecidos. Dia desses, postei nas redes uma imagem de A Bomba Suja, poema inusitado sobre a diarreia, que, apesar de causar estranheza de temática, é de fato uma coisa triste. Meus favoritos são Cantiga Para Não Morrer, Traduzir-se e Detrás do Rosto. 








Toda Poesia
Paulo Leminski - Companhia das Letras - 2013 - 424p.

"Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além"


É até vergonhoso que eu não tenha procurado antes ler mais da obra de Leminski, justamente por ele ter sido meu conterrâneo e colega de profissão. O curitibano falava seis línguas e era prolífico em várias artes, inclusive na música. Alguns de seus poemas se tornaram canções conhecidas, interpretadas por artistas como Caetano e Gilberto. Este livro é uma obra póstuma e reúne material que não havia sido publicado anteriormente em livro. Seu estilo poético (mais visual do que textual) não me atrai, particularmente, mas ainda assim achei coisas de que gostei bastante.








Antologia Poética
Olavo Bilac - L&PM - 1997 - 96p.



Bilac foi um poeta do período do parnasianismo e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras; também tradutor e autor infantil, e quem compôs a letra do Hino à Bandeira. Era conhecido por Príncipe dos Poetas e marcou a história do nosso país por um acontecimento bastante inusitado: foi o primeiro a sofrer um acidente de carro no Brasil, ao bater em uma árvore. Esta antologia poética traz cerca de 30 dos seus poemas mais conhecidos e importantes, e, como em todo livro do tipo, também há um ensaio de um estudioso da obra a fim de explicar ao leitor a importância e inspiração do autor em seu trabalho. Um de seus poemas mais conhecidos é Língua Portuguesa, mas o meu favorito é O Pássaro Cativo.






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Não ficção:


Preconceito Linguístico
Marcos Bagno - Parábola Editorial - 2015 - 352p.

Emprestado por uma amiga que é formada em Letras, este livro é mais indicado aos profissionais que trabalham com o ensino da língua portuguesa, mas serve de lição de moral para qualquer estudioso dos fenômenos linguísticos, ao mesmo tempo em que é um manifesto contra a discriminação que todos temos, em maior ou menor grau, a respeito de quem fala diferente de nós. O autor, que é linguista e publicou diversos livros sobre o tema, tem opiniões muito fortes sobre a nossa chamada norma culta, muitas vezes confundida com a norma padrão (que seria o que chamamos de "português correto"), e faz duras críticas a famosos gramáticos e suas obras que visam ensinar o "bom português". De postura política obviamente esquerdista, Bagno defende que todo falante de português fala "bom português" e dá vários exemplos e estudos comparativos para defender seu ponto de vista. É uma leitura que pretende derrubar muitos preconceitos e conhecimentos comuns sobre a linguagem, mas que, infelizmente (sob meu ponto de vista um tanto conservador a respeito de gramática), ataca sem piedade todos que respeitam o português culto, visto pelo autor como uma praga elitista. Concordo com seus argumentos sobre a mutação histórica da língua e que, realmente, o preconceito linguístico nada mais seja do que preconceito social e que isso deva ser sempre discutido em aulas de português. Também concordo que se perde tempo demais estudando gramática de nomenclaturas inúteis e aplaudo sua ideia de que deveríamos reformar os planos de aula da língua para a sua aquisição, interpretação e uso; porém, como profissional de revisão de texto, a norma padrão é o meu ganha-pão, e acredito que, apesar de admirar todas as variedades de português faladas no Brasil, devemos ter uma estrutura textual padrão que seja compreendida por todos os brasileiros (sublinhei o "textual" para que não pareça que sou contra as variações linguísticas faladas Brasil afora). Enfim, uma leitura provocativa.




A Vida Secreta das Árvores
Peter Wohlleben - Sextante - 2017 (2015) - 224p.

Este foi uma recomendação do professor Daniel Chamovitz, que ministrou o excelente curso de botânica que fiz há pouco tempo pelo Coursera. Se com o curso eu já havia desenvolvido todo um novo respeito pelas plantas, com esse livro maravilhoso eu agora praticamente venero árvores e as acho as coisas mais sensacionais desse mundão lindo. O autor deste bestseller é engenheiro florestal e trabalha há mais de 20 anos numa mata de reflorestamento na Alemanha. Como ele explicou, engenheiros florestais são como fazendeiros de árvores - ou seja, a preocupação deles com o bem-estar dos seres que criam não é por eles, mas porque precisam produzir produtos da melhor qualidade para melhor aproveitamento humano. Então, ele também conta como mudou de opinião a respeito desses seres admiráveis e, assim, divide com a gente tudo o que ele aprendeu sobre sua vida em comunidade. Tendemos a ver árvores como objetos, em vez de seres vivos, porque seu metabolismo é muito lento para os nossos sentidos animais. Nós vivemos algumas dezenas de anos, enquanto árvores vivem centenas (algumas, até milhares), então, apesar de geralmente não percebermos o seu desenvolvimento, essas criaturas travam batalhas poderosíssimas todos os minutos do dia para sobreviver. O autor também explica de que maneiras as árvores nas ruas e praças são diferentes das árvores de florestas (e como as de reflorestamento são diferentes das de mata nativa) - o que determina isso é a comunidade, que é surpreendentemente indispensável para a vida de uma árvore, e conta, numa linguagem para qualquer leigo entender, como tudo isso acontece e por que é importante saber. Foi uma das minhas leituras favoritas do ano e a recomendo enfaticamente.




Dear Future Historians
Rou Reynolds - Faber Music - 2017 - 192p.

Estava desesperada para conseguir este livro desde que foi lançado, no começo do ano, mas só havia cópias limitadas que seriam vendidas pelo site de merchandising do Enter Shikari ou pela Amazon gringa. Eventualmente, algumas cópias apareceram no eBay e na Book Depository, mas há anos não compro mais nada de fora porque nunca mais chegou nada aqui em casa. Nesse clima de frustração, desisti de consegui-lo até que a Amazon daqui resolveu importá-lo, e aí finalmente consegui encostar meus dedinhos nesse lindo. Rou Reynolds é o vocalista e compositor do Enter Shikari, banda que já postei por aqui algumas vezes e várias vezes no Facebook. É uma das minhas favoritas, atualmente, não apenas por seu estilo original mas também porque as letras são inteligentes, e eu amo ouvir coisas inteligentes. Sendo assim, quando soube que o Rou havia lançado um livro com todas as letras com a história por trás de cada uma, soube também que seria algo interessante de se ter. E agora, depois de ter lido o homem falando de coisas como política e ciência de forma tão razoável e como quem realmente entende sobre o que fala, minha admiração por ele e pela banda só aumentou. A encadernação é muito bonita - capa dura com o miolo todo colorido e cheio de fotografias da banda em turnês. Se algum fã de Enter Shikari tropeçar nessa postagem, saiba que o livro vale o investimento.


✔ andamento do desafio: 37/48

23/10/2017

O Livro das Ideias Brilhantes (E o Que Fazer para Tê-las)



Por The Brothers McLeod, Editora Valentina (2015).


Este é um livro criado para você criar. São dicas de como aproveitar cada aspecto do seu dia a dia como fonte de inspiração para uma criação artística. Os autores dão vários exercícios para que você desenvolva as ideias: personagens para desenhar a partir de formas, enredos para desenvolver a partir de frases prontas, brincadeiras para jogar com palavras e ideias, formas para descobrir e pintar, quadrinhos para completar, e muito mais. A ideia é desenvolver várias habilidades criativas e ver com qual você se sente mais à vontade.

Comprei este livro há pouco mais de um ano, na esperança de me inspirar a começar (e principalmente terminar!) histórias que ficam pela minha cabeça mas nunca vão pro papel. Tenho uma dificuldade enorme em lidar com personagens, inclusive para nomeá-los. Sendo assim, a única coisa do livro que ainda me deixou um pouco frustrada foram as partes de criação de personagens, porque quase todos envolviam desenhá-los, que é uma habilidade que não tenho. Porém, os exercícios de escrita criativa são maravilhosos e renderam várias ideias malucas. Algumas delas:

  • Um homem que finge ser um ator quando é, na verdade, um paleobiólogo à procura de uma espécie sobrevivente de dinossauro na ilha de Reunião;
  • Um Autocrata, um Democrata, um Aventureiro e um Certinho trancados em uma sala, procurando por um lápis que os ajudaria a sair de lá;
  • Alguém que jogou uma melancia de um penhasco por um excelente motivo (mesmo que tenha enfurecido seu irmão gêmeo);
  • Uma versão de Cinderela em que ela não liga pra bailes ou príncipes, mas adoraria que a Fada Madrinha desse um jeito na sua madrasta e irmãs...;
  • Uma menina cujo passatempo favorito era sair rolando pelo chão;
  • Uma versão de Os Três Porquinhos em que eles não sabiam serem porcos e um Lobo que sabia exatamente o que fazer a respeito;
  • Alguém que não sabia como se livrar de um vidrinho com veneno;
  • Por que as borrachas dos lápis são sempre ruins ou duram tão pouco (alerta de spoiler: culpa do G.R.A.F.I.T.E., é claro);
  • Um homem que rouba um jipe e um cachorro e partem juntos com destino a Felicidade (não pra onde Leandro e Leonardo foram de avião, mas uma cidade mesmo. Uma cidade de felinos.);
  • Uma pessoa que vive dentro de um buraco de armadilha, na floresta, com os animais que caem lá.

Este tipo de exercício, inclusive, já soltou a minha imaginação uma vez, com outro livro (Termine Este Livro, de Keri Smith). Postei o que criei integralmente aqui no blog.

Seguem algumas imagens:

Como o Deadpool, adoramos quebrar a quarta parede.

Minha versão dos Três Porquinhos rendeu! Não deixo ampliar porque é surpresa ;)

Algumas revistas só servem pra recortar...

Erro 404: Habilidade artística não encontrada.

A Rainha Má não é obrigada.


Recomendo o livro para quem quer desenvolver as habilidades criativas, pensando em algum projeto mas precisando de uma ajudinha, ou só pra quem quiser brincar, mesmo. É um passatempo divertido e pode sair muita coisa legal daí, dada certa dedicação. Demorei para completar o meu por causa dos meses que perdi com aquela morte cerebral imbecil, mas já estou de pé e pronta pra soltar minha esquisitice no mundo. Quem vem?

22/10/2017

10 músicas para conhecer hoje

Aqui estão algumas musiquinhas legais que meu player escolheu aleatoriamente e que apresento para quem quiser conhecer e talvez atualizar a playlist. (A quem eu quero enganar? hahah) Como estou fazendo isso por aqui com alguma frequência nos últimos 8 anos, fica difícil não repetir. Mas tenho cerca de 2800 artistas na biblioteca da last.fm, então algo novo sempre aparece.



1. Idiot Wind, Bob Dylan



"Idiot wind, blowing every time you move your teeth
You’re an idiot, babe
It’s a wonder that you still know how to breathe."


🎵 Por que ouvir: Dylan gravou esta em 1975 e não explica muito sobre quem é o tal idiota que só fala besteira e mereceu esse sermão de quase 8 minutos; mas seu filho, Jakob, alega que é sobre a então esposa de Bob e sua mãe, Sara. Alguns vão além e dizem que é uma canção sobre seu próprio ego inflado. Bom, sobre quem quer que seja, adoro os clássicos de Dylan em que ele destrói pessoas com o seu sarcasmo (Like a Rolling Stone; Don't Think Twice, It's All Right; Positively 4th Street, só pra dizer algumas), então Idiot Wind tem um monte de boas broncas. 


2. We Hate it When Our Friends Become Successful, Reel Big Fish



"We hate it when our friends become successful
And if they're No Doubt, that makes it even worse."

🎵 Por que ouvir: Não postava RBF por aqui há muito tempo! Este é um cover de Morrissey, que gravou a original em 1992. A letra é todo um rancor pelo sucesso de amigos que tiram o seu brilho (como na parte em que ele diz que "deveria ser eu, todo mundo diz isso"). A menção ao No Doubt foi uma liberdade poética do Reel Big Fish, que brinca com essa rivalidade há anos, e as letras rancorosas sempre foram uma marca da banda. Acho divertido.


3. Hair, Lady Gaga



"I just wanna be myself, and I want you to love me for who I am
I just wanna be myself, and I want you to know
I am my hair."


🎵 Por que ouvir: (Primeiro, porque essa versão no piano é simplesmente maravilhosa.) Gaga diz que cresceu com os pais impedindo-a de se vestir como queria, impondo um código estrito de vestimenta, e que a única maneira que ela tinha de se expressar então era mudando seu cabelo. Quando lançou essa música, em 2011, quis passar uma mensagem de liberdade, autoidentificação e empoderamento, especialmente no que diz respeito a expressar sua individualidade através dos cabelos, o que ainda é um tabu em muitas partes da sociedade. E eu concordo.


4. Radiate, Enter Shikari



"So to keep us from falling apart
We'll write songs in the dark
And to stop us from fading away
We'll write for a better day."

🎵 Por que ouvir: Tenho falado muito do Shikari pra todo lado porque realmente adoro a banda e acho que tudo o que Rou faz é inteligente e digno de admiração. O estilo maluco de post-hardcore com música eletrônica pode ser demais pra alguns, mas essa letra em especial fala sobre o empobrecimento cultural que a censura causa. O vídeo é muito simples e deixa a ideia bem clara.


5. In Sickness & Health, Acres



"Love of my life, where did you go when you left?
I said that I'd let you fall
And this still hurts me more than you’ll know
My love, you are losing the person that loves you most."

🎵 Por que ouvir: Por nenhum motivo especial, além de eu ter ficado meio obcecada por essa música. Ouvi por recomendação do Spotify, já que tenho ouvido muita coisa do estilo, recentemente, e algo nela me fez querer ouvi-la muitas vezes. Não pela letra, que aparentemente trata de uma separação, mas pela música, em si. Acho que é uma coisa meio bonita, meio triste, mesmo que pesada, como as coisas do estilo costumam ser.


6. Vital Signs, Frank Turner


"And when I’m gone
The worlds revolve and life goes on
So mark no grave
Forget my name
If the song remains
And everybody’s got a drink and a smile
Well, that’s just fine by me."

🎵 Por que ouvir: Há muitos anos, quando ouvi o Frank Turner pela primeira vez (imaginem, quando ainda baixava músicas pelo Google Imagens) (POIS É!), logo de cara pensei em por que não o tinha conhecido antes. O estilo dele é um folk punk (geralmente acústico, mas com as letras afiadas) tipo o do Billy Bragg, que é algo que gosto muito de ouvir. Este foi o primeiro vídeo dele que assisti e a essência tá ali. Adoro ouvir Meu Inglês de Pernas Compridas Favorito™.


7. People Like Me, We Just Don't Play, Emarosa



"And so it's back to the old me
Killing you slowly and I'm fine"


🎵 Por que ouvir: Também só fui conhecer essa por recomendação do Spotify. Não sei muito sobre a banda, mas ouvi dizer que trocou de vocalista várias vezes. Gosto dessa música especialmente pelo vídeo, porque adoro vocalistas performáticos, hahah (ele mal usa o microfone no teatro todo, é uma coisa fantástica). Eu talvez seja emo, agora.


8. Time, Devil Sold His Soul


"Don't give up on it now
Just stay strong
There's a life to be led
And time will wait for no man."

🎵 Por que ouvir: Essa foi o YouTube que me recomendou e achei tudo lindíssimo desde a primeira ouvida. Tanto a música quanto o vídeo me emocionam sempre que ouço. Fui ouvir mais da banda em seguida e percebi que eles mudaram bastante de estilo depois que o vocalista foi trocado, e eu gosto mais de como ficou depois. Mas parece que a banda não existe mais, o que achei uma pena.


9. 8 Good Reasons, Sinéad O'Connor


"You know I'm not from this place
I'm from a different time, different space
And it's real uncomfortable
To be stuck somewhere you just don't belong."

🎵 Por que ouvir: Meu Deus, essa música. Só de falar sobre ela já me emociona. Eu tenho um carinho e uma admiração muito fortes pela Sinéad e sinto que vai chegar o dia em que vamos perdê-la pra mais ou menos as mesmas condições que levaram a Amy Winehouse, e esse vai ser um dia muito triste pra mim e muita gente. Essa música está no último álbum que ela lançou, em 2014, depois de bastante tempo sumida, e, assim como a Take Me to Church, é bastante pessoal ao conversar sobre o que a atormenta. Aqui, ela fala abertamente sobre como tudo ficou tão ruim de suportar e como ela gostaria de ter uma maneira de ir embora sem machucar ninguém, mas também sobre como ela tem "oito boas razões para perseverar" (em uma entrevista, ela disse que as tais oito razões são os olhos de seus filhos). No vídeo, ela está usando a batina de padre (como pode, já que foi ordenada, como expliquei na outra postagem) e parecendo feliz por estar sendo notada por outras pessoas. Como eu sempre digo, amo a Sinéad e vou defendê-la.


10. Lost Stars, Adam Levine



"Searching for meaning, but are we all lost stars
Trying to light up the dark?"


🎵 Por que ouvir: Ok, essa já é bem famosa mas não pude pular pra outra porque, ei, é o Adam Levine, sempre bom de ver e ouvir. Essa aqui foi trilha de um filme que não assisti (Mesmo Se Nada Der Certo, de 2013), e até indicada ao Oscar de Melhor Canção Original. Enfim, é lindo. Digo, linda. A música. É.