17/06/2017

As curiosas origens de 4 famosos jogos de tabuleiro

Adaptado do artigo original do Mental Floss.



Jogos de tabuleiro são uma forma de entretenimento criada pelos egípcios há 5 mil anos e nunca saíram de moda, mesmo que atualmente tenham sido adaptados em vídeo games ou jogos para o celular. Aqui vão as origens de alguns dos sucessos mundiais favoritos:


Monopoly / Banco Imobiliário

Tabuleiro de 1906 | Wikimedia

Embora seja considerado um jogo que glorifica o capitalismo (tendo sido banido de países como a China e a antiga União Soviética), este clássico foi inventado para representar justamente a ideia oposta. A americana Elizabeth Magie era ativista contra o pagamento de impostos imobiliários, no fim do século 19. Segundo ela e outros simpatizantes, deveria haver apenas um imposto de propriedade, diminuindo assim a diferença de riqueza entre os senhorios e os inquilinos. Para demonstrar de uma maneira fácil como as coisas aconteciam na época, Lizzie patenteou, em 1904, um jogo chamado The Landlord's Game ("O jogo do senhorio"), cujo objetivo era acumular o máximo de propriedades possível e aumentar os aluguéis a tal ponto que o vencedor terminaria o jogo extremamente rico e os demais jogadores encarariam a falência. Ao tentar vender os direitos do jogo para produção, os empresários acharam que era político demais e o rejeitaram. Ainda assim, as pessoas gostavam tanto de jogá-lo que faziam seus próprios tabuleiros customizados e o jogo foi evoluindo, com mudanças das regras, até chegar ao que hoje conhecemos como Monopoly. A essas alturas, a ideia do Monopoly era mais atrativa e acabou conseguindo a patente de produção em 1934. Lizzie Magie concordou vender os direitos autorais por 500 dólares, desde que lançassem também o tabuleiro original do jogo dela, The Landlord's Game. Concordaram, mas foi um fracasso de vendas. O Monopoly monopolizou (ba dum tss) o mercado.



Jogo da Vida

Tabuleiro original | Wikimedia


Em 1860, um jovem chamado Milton Bradley uniu sua vontade de inventar um jogo de tabuleiro com a cultura local da protestante Nova Inglaterra que ditava que jogos eram uma "distração pecaminosa". Para tanto, Bradley criou The Checkered Game of Life, que se tratava de uma demonstração moral das várias maneiras como a vida pode prosseguir. Nele, os jogadores ganhavam ou perdiam pontos ao avançar no tabuleiro com piões numerados chamados "teetotum" (dados eram proibidos na época e lugar, pois jogos eram ilícitos), cujas casas podiam ser positivas (Honestidade, Honra, Coragem) ou negativas (Pobreza, Crime, e até um infame Suicídio). Ganhava quem alcançasse 100 pontos, o que lhe concedia o final "Velhice Feliz". Como temia que seu jogo não fosse ser aceito no lugar conservador onde morava, Milton Bradley levou-o para Nova York, onde o jogo fez sucesso e vendeu 40 mil tabuleiros no primeiro ano. Depois de algum tempo de obscuridade, o jogo voltou a fazer sucesso em 1959, quando a Milton Bradley Company relançou o jogo com o nome Game of Life.



Clue / Detetive

Caixa de 1956 | Wikimedia

As histórias de detetives faziam muito sucesso na Grã-Bretanha no início do século 20. Tanto estavam no gosto do público que o casal Anthony e Elva Pratt criaram um jogo de tabuleiro ambientado em uma mansão rural típica das histórias de assassinato. Depois de revisarem alguns dos elementos originais do projeto (por exemplo, mudar o nome original do jogo, Murder, para Cluedo, e substituir a "sala de armas" por uma extensão da sala de jantar), o jogo começou a ser comercializado em 1945. Embora tenha feito muito sucesso em terras britânicas, foi bastante difícil vender o jogo na América, pois, na época, era proibido comercializar qualquer jogo relacionado a assassinatos. Mesmo assim, os empresários gostaram tanto dele que acabaram se convencendo a abrir uma exceção, lançando-o com o nome americano Clue, em 1949. 



Risk / War

As cartas de território de 1963 e as de 1980, com os mapas atualizados | Wikipedia

Sem se saber exatamente por quê, o mais famoso jogo de estratégia militar do mundo foi criado por um cineasta francês chamado Albert Lamorisse em 1957, com o nome La Conquête du Monde ("A conquista do mundo"). O jogo logo foi comprado pela Parker Brothers (atual Hasbro) e lançado na América como Risk: The Continental Game. O jogo foi reinventado várias vezes no decorrer dos anos, com alterações de mapas e objetivos. A primeira atualização, nos anos 1980, era ambientada em um castelo medieval e foi um grande fracasso de vendas. As demais tentativas, porém, foram bem sucedidas: uma edição especial dos 200 anos da era Napoleônica, uma edição futurista com territórios nos oceanos e na lua, as edições especiais de O Senhor dos Anéis, Transformers e Star Wars, e muitas outras, incluindo uma reedição do tabuleiro original, com as peças de madeira.


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Para conhecer as origens de outros jogos populares, confira o artigo original (em inglês).


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Já falei anteriormente sobre a origem do baralho e até ensinei um truque de cartas; já viram?

16/06/2017

TAG: Top 10 Literário


Uma TAG que montei a partir de propostas deste blog, cujo tema é livros.


10 coisas que instantaneamente me fazem NÃO querer ler um livro:

  1. "Primeiro volume da série..."
  2. Casais apaixonados na capa.
  3. Autores YouTubers.
  4. Romances eróticos.
  5. Sinopses vagas.
  6. Erros de digitação/ortografia logo na capa (já sei que a revisão foi porca e que vou me incomodar).
  7. "O segredo para..."
  8. Qualquer coisa sobre pessoas ou assuntos que não me interessem.
  9. Sensacionalismo.
  10. Reedições desnecessárias pelo triplo do preço.


10 capas favoritas:

A preguiça de procurar por outras venceu, então vou pegar as que já estão no arquivo do blog.














10 coisas que gostaria de ver mais em livros:

  1. Personagens assexuais, mesmo que não protagonistas.
  2. Personagens assexuais que não sejam a piada da história.
  3. Diversidade de protagonistas, cujas características "diferentes" não sejam ou influenciem o enredo central (sabem, tipo como se fossem pessoas normais, mesmo?) (isso foi um comentário sarcástico, em caso de dúvida).
  4. Não necessidade de romance nos enredos.
  5. Participação de animais que não acabem morrendo na história.
  6. Preocupação das editoras com a preparação do texto em igual proporção com a que têm quanto ao visual gráfico.
  7. Nome do tradutor em destaque.
  8. Universos fictícios mais completos e bem desenvolvidos, com história, geografia, cultura e linguagem próprias.
  9. Utopias. Distopias são legais, mas utopias podem ser igualmente interessantes.
  10. Juvenis (ou YA) mais inteligentes e menos condescendentes.


10 livros da minha lista de desejos:

    1. Na Língua dos Bichos, de Temple Grandin. Difícil de conseguir. Achei um pdf em inglês e vou ter que me virar com ele.
    2. Dear Future Historians, livro com as letras do Enter Shikari com os comentários do Rou Reynolds sobre cada uma. Tô babando nele desde que foi lançado, mas nada de vender por aqui.
    3. Peixe Grande, de Daniel Wallace. Estou maluca atrás dele desde que vi o filme de mesmo nome, mas também está dificílimo de encontrar. Também consegui um pdf em inglês, por enquanto.
    4. O restante das HQs de Saga, a partir do terceiro volume. Estou apaixonada pela história, mas os volumes ainda são muito caros e não curto ler pelo computador.
    5. Um dicionário de italiano, porque é o único mais "comum" que ainda não tenho e pretendo aprender, também; e um de grego, para começar a me adaptar.
    6. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, que folheei na casa dos meus tios e me encantou.
    7. Algum dicionário etimológico da Língua Portuguesa. Comprei um de português arcaico há um tempo por olho grande, porque me é inútil, apesar de interessante. Mas seria muito bom ter um atual.
    8. Ferengi Rules of Acquisition (Star Trek: Deep Space Nine), compilado pelos roteiristas da série, sobre a "bíblia" dessa desprezível raça alienígena que é tão divertida.
    9. Livros sobre revisão de texto, porque ainda há muito o que estudar.
    10. Qualquer outra coisa que esteja na minha lista da Amazon, hahah.


10 melhores livros que li no último ano:


  1. A Sexta Extinção, de Elizabeth Kolbert (resenha no próximo relatório)
  2. Um Teto Todo Seu, de Virginia Woolf
  3. Todos de O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, de Ramson Riggs
  4. Sete Minutos Depois da Meia-noite, de Patrick Ness
  5. Sobre a Escrita, de Stephen King
  6. Percy Jackson e os Deuses Gregos, de Rick Riordan
  7. Todos de O Único e Eterno Rei, de T.H. White
  8. As Piores Invenções da História, de Eric Chaline
  9. A Tradução Literária, de Paulo Henriques Britto
  10. Noturnos, de John Connolly


10 protagonistas favoritos:

Eu tenho alguns problemas para gostar plenamente de protagonistas, por mais que eu goste dos livros em que estão. Eles tendem a ser absurdos pra mim, ou ter alguma característica que me impedem de simpatizar com eles. Antagonistas são geralmente mais interessantes e eu acabo me identificando mais com personagens secundários. Mas os protagonistas que eu realmente gosto são:

  1. Jean Valjean, de Os Miseráveis
  2. Shadow Moon, de Deuses Americanos
  3. Kvothe, de O Nome do Vento
  4. Sadie Kane, de As Crônicas dos Kane
  5. Uhtred de Bebbanburg, de As Crônicas Saxônicas
  6. Charlie Trumper, de O Voo do Corvo
  7. Clarice Starling, de O Silêncio dos Inocentes
  8. Bernardo Soares, de Livro do Desassossego
  9. Guy Montag, de Fahrenheit 451
  10. O "viajante do tempo", de A Máquina do Tempo


10 adaptações favoritas para o cinema/TV:

  1. Harry Potter e a Pedra Filosofal
  2. O Silêncio dos Inocentes
  3. Sete Minutos Depois da Meia-Noite
  4. Grandes Esperanças
  5. A Menina que Roubava Livros
  6. Expresso do Amanhã/O Perfuraneve (que ficou melhor que a HQ, na minha opinião, haha)
  7. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa
  8. O Macbeth mais recente
  9. Assassinato no Expresso Oriente (espero que o novo seja tão legal quanto)
  10. O Frankenstein de Mary Shelley


10 motivos por que eu amo ler:

  1. Me dá realidades alternativas para viver.
  2. Me distrai.
  3. Me alivia.
  4. Me diverte.
  5. Me surpreende positivamente.
  6. Me mostra lugares que não verei pessoalmente.
  7. Me ensina de tudo.
  8. Me desperta afinidades.
  9. Me apresenta novas ideias, realidades e opiniões.
  10. Me faz eu não me sentir solitária quando estou sozinha.



* Foto real de uma das nossas estantes :)

15/06/2017

4 grupos de pessoas que a sociedade diz que pode zoar



Li este artigo há uns anos no Cracked e o compartilhei, na época. Hoje, a página deles postou o link para o artigo novamente e achei oportuno adaptá-lo por aqui para discutir sobre alguma coisas.

É decepcionante que em pleno 2017 de conscientização, empoderamento, manifestações, passeatas e textões sobre preconceito e tolerância, ainda haja casos em que se considera normal que se faça piada e desrespeite certos grupos de pessoas. Aos poucos, todos estão conseguindo seu lugar de respeito e muito tem mudado e sido conquistado, mas a humanidade ainda precisa melhorar no tratamento dado aos seguintes casos:


Celebridades com doenças mentais

É comum que se confunda o gosto que temos pelo entretenimento oferecido pela celebridade em questão com a necessidade que temos de lembrar que artistas também são pessoas como a gente, com famílias, problemas e questões de saúde. Era fácil rir de quadros "humorísticos" que debochavam da Amy Winehouse antes dela morrer com o que foi, basicamente, um suicídio - morte que levou artistas como Robin Williams e Chris Cornell, e tantos outros que nunca foram alvo de piadas por seus problemas. Grande parte dessa nossa atitude com tais celebridades é responsabilidade de como a mídia trata cada caso. Alguns artistas estão "loucos - veja os tweets mais bizarros!" enquanto outros estão "preocupando parentes e amigos, saiba como ajudar". Por que consideramos normal desrespeitarmos alguns e glorificarmos outros? Todos precisarão se matar para receber carinho dos fãs? Será que o carinho dos fãs e o respeito da mídia em vida não os ajudariam a melhorar antes que o pior acontecesse?


Trabalhadores de redes de lanchonetes e outras classes consideradas "fracassadas"

Isso não costumava ser motivo de piada aqui até a globalização e a galera huebr achar que tudo que acontece no EUA deveria acontecer aqui também (sim, grande exemplo de sociedade tolerante é os Estados Unidos!). Um evento recente foi a infame festinha escolar com o tema "Se nada der certo", onde os estudantes foram fantasiados de trabalhadores que morriam de medo de se tornarem. Nos EUA, aqui e na maioria dos lugares do mundo, um diploma universitário não significa mais muita coisa. Você pode ter se formado em uma Federal, feito intercâmbio e PhD na Europa, e nada disso sozinho vai garantir que você vá ganhar o salário dos sonhos. Trabalhar servindo comida pra outras pessoas, limpando a sujeira delas ou atendendo telefones não é menos digno do que qualquer outro tipo de trabalho. É só um trabalho. As pessoas são treinadas e pagas pra isso (ganham mais do que eu, prestando serviço em casa com o meu diploma de pós-graduação), e todo mundo precisa de dinheiro pra resolver seus próprios problemas.


Virgens

A ponto de ser considerado um termo ofensivo em qualquer briga, ser virgem na sociedade moderna é praticamente uma maldição. Já discuti muito sobre isso quando posto sobre assexualidade (que nem sempre tem a ver com virgindade - orientação sexual é inerente, comportamento sexual é escolha), mas ouvir isso ser tratado como algo ruim me irrita e entristece profundamente. Pessoas que escolhem ou não podem ter relações sexuais são tratadas como um fracasso humano, como se o nível mais importante do vídeo game da Vida fosse fazer sexo. Nossa sociedade está tão centralizada em sucesso sexual (o que quer que isso signifique) que nem cogita pensar que algumas pessoas não ligam pra isso ou não têm isso como prioridade - afinal, primeiro de tudo, apenas respirem fundo e tentem essa nova percepção: o que cada um faz ou deixa de fazer com as suas genitais não é problema de ninguém (claro, desde que não seja nada criminoso, por favor. Não sejam nojentos). Se a pessoa não quer ter relações com ninguém, ou se ela fez promessa, se ela tem medo, nojo ou trauma, É PROBLEMA DELA. Virgens não precisam de "ajuda", não são "retardados" ou "fracassados" de nenhuma forma. Na verdade, ninguém nem saberia quem é virgem e quem não é se não houvesse uma necessidade humana tão grande de se falar tanto sobre o assunto. Por experiência própria, virgens vão acabar mentindo quando forem questionados sobre isso e depois vão se sentir tão bosta que todo tipo de pensamento idiota vai infernizar a cabeça deles. Ninguém precisa disso.


Adultos que moram com os pais

Hoje em dia é mais comum sair mais tarde (ou nunca sair) de casa do que era até há alguns anos; mas o Brasil, mesmo, não tem em sua cultura a necessidade de sair da casa dos pais como acontece em outros países. Ainda assim, é raro que um adulto que ainda more com os pais por aqui que seja respeitado - se não for ridicularizado, tem sua decisão questionada sempre que a oportunidade surge. A verdade é que as pessoas que moram com os pais podem fazê-lo por diversos motivos que nem sempre podem ser justificados para qualquer um, especialmente porque, na maioria dos casos, os outros sempre virão com alguma opinião que julgam ser melhor do que a decisão tomada por elas. Os motivos podem envolver vantagem financeira, impossibilidade de mudança, dependência de alguma das partes, conveniência, ou pura e simples vontade de ficar. Não há nada que obrigue as pessoas a irem embora e elas não deveriam ir, se não querem e se a sua estadia está de comum acordo. É o tipo de decisão que só diz respeito a quem divide o teto, realmente. 

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O padrão aqui, como acredito ser o padrão para qualquer tipo de preconceito, é tentar controlar a vida das outras pessoas. Não há nada a respeito dos outros (seu trabalho, sua casa, sua vida sexual, seus hábitos alimentares, sua religião) que caiba a nós mudar. Devemos ajudar quando nos é pedido e permitido, mas, no mais, a vida dos outros não nos diz respeito. Piadas ou qualquer comentário depreciativo sobre o estilo de vida de alguém pode parecer inofensivo, mas são as pequenas coisas que se acumulam e se transformam em traumas difíceis de lidar. Debochar do sofrimento alheio é cruel, assim como o é debochar das escolhas e vidas de cada um. Não é que o humor esteja morto - é só que não precisamos que ninguém morra pra gente dar umas risadas.