10/03/2017

Indo à igreja com a Sinéad


foto por Donal Moloney ©




I don't wanna love the way I loved beforeNão quero amar como amei antes
I don't wanna love that way no moreNão quero mais amar daquele jeito
What have I been writing love songs for?Pra que estive escrevendo canções de amor?
I don't want to write them anymoreNão quero mais escrevê-las
I don't wanna sing from where I sang beforeNão quero cantar de onde cantei antes
I don't wanna sing that way no moreNão quero mais cantar daquele jeito
What've I've been singing love songs for?Pra que estive cantando canções de amor?
I don't wanna sing them anymore,Não quero mais cantá-las
I don't wanna be that girl no moreNão quero mais ser aquela garota
I don't wanna cry no moreNão quero mais chorar
I don't wanna die no moreNão quero mais morrer
So cut me down from this here treeEntão me tire desta árvore
Cut the rope from off of meCorte essa corda de mim
Sit me on the floor,Me sente no chão
I'm the only one I should adoreEu sou a única que eu deveria adorar
Oh, take me to church,Oh, me leve à igreja
I've done so many bad things it hurtsFiz tantas coisas ruins, que dói
Yeah, take me to churchSim, me leve à igreja
But not the ones that hurtMas não àquelas que machucam
Cause that ain't the truthPorque essa não é a verdade
And that's not what it's worthE não é o que vale a pena
I'm gonna sing songs of loving and forgivingVou cantar canções sobre amar e perdoar
Songs of eating and of drinking,Canções sobre comer e beber
Songs of living, songs of calling in the nightCanções de viver, de telefonar à noite
Cause songs are like a bolt of lightPorque canções são como um raio de luz
And love's the only love you should inviteE o amor é o único amor que se deve convidar
Songs of long and spiteful failsCanções de fracassos longos e maldosos
Songs that don't let you sit stillCanções que não vão te deixar parado
Songs that mend your broken bonesCanções que consertam ossos partidos
And that don't leave you aloneE que não te deixam sozinho
So get me down from this here tree,Então me tire desta árvore
Take the rope from off of meCorte essa corda de mim
Sit me on the floor,Me sente no chão
I'm the only one I should adore!Eu sou a única que eu deveria adorar!
Oh, take me to church,Oh, me leve à igreja
I've done so many bad things it hurtsFiz tantas coisas ruins, que dói
Yeah take me to church,Sim, me leve à igreja
But not the ones that hurtMas não àquelas que machucam
Cause that ain't the truthPorque essa não é a verdade
And that's not what it's worthE não é o que vale a pena
Yeah, take me to churchÉ, me leve à igreja.


Até quem acha que não conhece a Sinéad O'Connor, a conhece. Sinéad gravou a versão mais famosa de Nothing Compares 2 U, que estourou no mundo todo e a tornou superfamosa nos anos 1990. [já postei aqui, inclusive]

Sinéad é ainda famosa, infelizmente, pela apresentação polêmica no programa de TV Saturday Night Live que acabou com a sua carreira por um bom tempo. Cantando War, de Bob Marley, Sinéad quis trocar a denúncia de racismo da letra original por uma denúncia ao abuso sexual de menores cometido por membros da Igreja Católica e, para tanto, durante a apresentação, ao vivo, rasgou uma fotografia do Papa. Como a ideia não tinha sido discutida com a produção do programa, o ato radical pegou a todos de surpresa (não houve aplausos, nem vaias) e a reação posterior do público trouxe todo tipo de problema ao programa e, principalmente, a ela. [Os responsáveis pelo programa conseguiram consertar o estrago logo na semana seguinte. Ela, não.]

Antes de um período longo de rejeição do público e eventual ostracismo, Sinéad tentou levar a público a discussão sobre abuso de mulheres e crianças, causas (entre muitas outras) de que se tornou figura ativa e vem discutindo até hoje, embora sempre cercada de polêmica. Ela, mesma, veio de um lar bastante desestruturado e sofria agressões e abusos de sua própria mãe, que faleceu num acidente de carro poucos anos antes da cantora fazer sucesso.

A cantora irlandesa, agora com 51 anos, ainda usa o visual icônico de cabeça raspada, pois sempre quis destruir a imagem tradicional de como uma mulher deveria se parecer. Sua sexualidade sempre foi discutida, embora não seja problema de ninguém. Sinéad também sofre de transtorno bipolar, o que também vem sendo causa de polêmica nos últimos anos, com seus rompantes nas redes sociais de ameaças de suicídio (coisa que ela realmente tentou, anos atrás).

Embora pareça controverso, Sinéad O'Connor é católica e admite que é a sua fé que a mantém firme através das dificuldades. Tanto que, a despeito de não ser reconhecida pela Igreja Católica (que não admite mulheres padres), ela conseguiu uma ordenação sacerdotal da Igreja Ortodoxa. Segundo ela, "Deus salva a todos [...] e não julga ninguém", mas "Cristo vem sendo assassinado por mentirosos no Vaticano" e discursa contra a Igreja e religião sempre que pode.

Pois bem.

Em 2014, Sinéad lançou I'm Not Bossy, I'm The Boss [recomendado aqui no blog], em que aparece completamente diferente na capa e isso, também, trouxe uma leva de controvérsias que não a atingem. Minha música favorita do álbum é esta, Take Me To Church, cuja letra e tradução minha coloquei acima. O vídeo oficial é o que segue:




Agora, apresentados à vida e história da cantora, vocês podem entender melhor a carga de significado que essa música leva (vocês certamente notaram a referência ao seu vídeo mais famoso, logo no começo deste, bem como às suas músicas mais famosas, na letra). Por gostar tanto da Sinéad e por entender isso, essa música sempre me emociona porque, além de ser uma demonstração de desprendimento do passado, superação de dificuldades e aceitação de si própria ("I'm the only one I should adore!" - sai, peruca!), me inspira a querer ser como ela. Confiante, independente, fiel a si mesma e ao que acredita, relevante e absolutamente maravilhosa. Quero que mais mulheres também queiram ser como a Sinéad.

01/03/2017

Falando sobre música e musiquinhas (de novo)

(Tirei as perguntas daqui)





Que música sempre levanta seu astral?

The Bare Necessities/I Wanna Be Like You, temas de Mogli, cantados pelos caras do The Overtones. Sempre uma fofura de se ouvir!



O que você prefere, músicas populares ou relativamente desconhecidas?

Não é a partir disso que seleciono minhas preferências, atualmente. Prefiro o que acabar ouvindo e gostando muito. Ultimamente, tenho gostado até que de bastante coisa popular, mas acabo sempre me enfiando nos cantos escuros das músicas relativamente desconhecidas. Então, baseada nas curtidas que recebo quando as compartilho, imagino que ainda dou preferência às relativamente desconhecidas...


Qual foi a última música que você ouviu?

Não ouço nada há algumas horas e não lembro qual foi a última, então vou tocar algo aleatório aqui e ver o que sai.

Foi Gandhi Mate, Gandhi, do Enter Shikari, minha mais recente coisa favorita com esse estilo louco, essas letras inteligentes e esse carisma todo. Essa música, em especial, é sempre engraçada porque o Rou surta a uma certa altura e os caras param e pedem calma, haha.




Existe alguma música que sempre te faz chorar?

Sempre, não; algumas me pegam nos feels nas primeiras vezes, mas depois me acostumo com elas. A última por um bom tempo foi Dressed In Black, da Sia, porque eu me identifico com metade da letra, e a outra metade nunca existiu...



Você gosta de ir a shows? Por que ou por que não? Qual foi o último a que você foi?

Gosto, mas já não me desespero pra ir. É sempre complicado ir ver alguma banda ou artista que gosto porque eles vão fazer shows em outras cidades e isso implica numa despesa bem grande. Quando tenho os meios e companhia pra ir, vou; se não, nem choro mais por causa disso. O último a que fui (que eu gostasse) foi um do Bring Me The Horizon, março passado, em São Paulo. 


Qual foi a primeira banda ou artista que você foi realmente fã? Ainda gosta?

Backstreet Boys, que mulher da minha idade não? Não acompanho mais as novidades (já que eles voltaram), mas ainda sei tudo de cor e gosto bastante, sim. Até tentei ir ao show deles, há uns dois anos, mas não deu pra comprar ingresso :(


Discos, fitas, CDs, MP3. Qual destes acompanhou o seu crescimento? Quais as vantagens e desvantagens de cada?

Discos na infância, fitas e CDs (embora só mais tarde) na adolescência. Os discos não eram realmente de nada que eu gostasse; eram as coisas que meus pais ouviam. Aí comecei a gostar de rádio e gravava o que mais gostava em fitas. 

Discos são nostálgicos e eu ainda tenho alguns comigo, mas não os ouço porque não tenho mais onde tocá-los. Tocadores modernos são caríssimos e não acho que compense comprar um, se posso ouvir o que tenho aqui por streaming. Fitas quebravam um galho quando eu queria ter acesso às minhas músicas favoritas e eram bem baratas, mas eram frágeis ao rebobinar (quantas já embolei...). CDs são coisas que ainda tenho aos montes e ainda coleciono os dos meus artistas favoritos, porque adoro poder ter no que pegar e ler os encartes enquanto ouço as músicas - e são sempre minha preferência quando não quero ou posso usar o computador/celular. MP3 são uma maravilha e eu tinha milhares (que acabava eventualmente gravando em CDs...), tive um iPod que me acompanhou fielmente por muitos anos. Mas aí logo vieram os serviços de streaming e há anos não baixo nada em MP3.


Que bandas ou que tipos de música você ouve enquanto se exercita?

Acabo preferindo ouvir pop (não ouço de tudo no estilo porque tenho lá minhas antipatias generalizadas), porque tem uma batida ritmada que ajuda com o tédio dos exercícios repetitivos. Eu coloco Lady Gaga, Sia, Maroon 5 ou até *NSYNC; às vezes coloco algo mais nervoso, às vezes coloco ska. Depende do meu humor, também.


Você gosta de música clássica?

Eu sou um tanto indiferente a música clássica, coisa que gostaria de mudar. Sei que é bom para promover a concentração durante o trabalho, mas acabo ouvindo música instrumental não-clássica, como folk.


Qual a melhor maneira de conhecer músicas novas?

Eu até postei algo do tipo por aqui há muito tempo, mas vou atualizar as dicas.

Pra quem utiliza serviços de streaming, como o Spotify, é bem fácil: ele mesmo já monta playlists de sugestões baseadas no que você ouve ou seu estado de espírito, apresenta artistas relacionados aos que você já conhece, sugere o que está bombando no momento, mostra os lançamentos... É uma infinidade de opções, só escolher e clicar. Se você não usa o serviço, há o jeito antigo: pergunte ou veja o que seus amigos de gostos semelhantes gostam, descubra as inspirações dos seus artistas favoritos, preste atenção em trilhas sonoras, ouça rádio (se gostar de música atual)... Tem tanto jeito; só fica preso na mesma coisa quem realmente não se interessa por mais.

28/02/2017

Desafio de Leitura 2017: Primeiro relatório

Eis as primeiras leituras do ano! Comecei devagar, mas já consegui eliminar alguns itens do novo desafio e estou empolgada para os próximos. Vamos lá:


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Ficção:



Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
J.K. Rowling & Jack Thorne - Rocco - 2016 - 343p.

Vi muita gente dizer que detestou essa sequência e confesso que isso me desanimou um pouco para a leitura - tanto que não tive pressa de conseguir o livro e ver logo o que a autora inventou para o futuro dos personagens principais de sua obra. Achei, no mínimo, justo que houvessem publicado a história, originalmente uma peça de teatro, em livro, já que apenas os fãs ingleses tinham tido a oportunidade de conhecê-la. E, aos que não gostaram dela porque o formato de narração é diferente, só digo isso: quanta preguiça de vocês. Não há nada de difícil na leitura de um roteiro. Rowling é tão boa escritora que até uma história só com diálogos é interessante do começo ao fim. Vinte anos depois dos eventos de Harry Potter e As Relíquias da Morte, vemos Harry, Rony, Hermione, Gina e Draco como coadjuvantes da história de seus filhos. Alvo, filho de Harry e Gina, sofre com a pressão de ser filho de quem é e se torna bastante difícil de lidar. Escórpio, filho de Draco, é, por sua vez, um garoto bom como poucos, mas carrega o fardo de ser um Malfoy e, além disso, é alvo de um grave boato que preocupa o mundo bruxo. Além de tudo isso, os garotos se envolvem numa missão arriscada: de posse de um vira-tempo, artefato agora ilegal, ambos voltam ao passado e tentam evitar a morte de um conhecido personagem... As implicações disso são terríveis, mas eles só vão saber disso depois. É claro que, por ser um roteiro, a história não tem a profundidade narrativa ou um desenvolvimento complexo dos personagens, como os livros anteriores, mas não deixa de ser uma leitura indispensável aos fãs da saga e uma importante continuação dos fatos, bem aproveitados para essa sequência. Não deixem de ler.

✓ item do desafio: Uma peça ou roteiro




O Fantasma da Ópera
Gaston Leroux - Germape - 1998 (1909) - 192p.

Esse demorou bastante pra sair no sorteio, mas finalmente foi! Clássico da literatura francesa, levemente baseado em fatos reais, O Fantasma da Ópera não é lá uma leitura muito fácil. Esta edição, inclusive, pode ter contribuído pra isso: nota-se a evidente economia de recursos com as margens estreitas, tipografia minúscula e uma péssima revisão que deixou escapar um monte de erros esdrúxulos de digitação e concordância, parágrafos repetidos e esses deslizes todos. Enfim, a história em si também não foi das minhas favoritas. Digo isso porque não estou em um bom momento para ler romances, que nunca foi meu gênero favorito, e histórias de amor, reais ou fictícias, têm me deixado bem irritada. Ainda assim, o personagem me deixou um tanto surpresa. Não posso dizer que tenha assistido a algum dos filmes baseados na história, então não sabia que ele era violento desse jeito, haha. Até conseguir sequestrar a estrela da ópera Christina Daeé, sua paixão platônica, o Fantasma machucou e matou um bom número de pessoas por chantagear os donos do teatro mas não conseguir o que queria. É, na verdade, mais uma história de ciúme e obsessão doentia do que uma história de amor, mas tem toda a questão do rapaz nobre que é noivo da moça e o tenso resgate que ele empreende. Essa parte mais emocionante só começa lá pelo final, depois de um monte de divagações de narração que me desanimaram um pouco de querer terminar o livro. Entretanto, confesso que senti uma empatia estranha pelo Fantasma, depois de conhecê-lo direito - apresentação que só é feita no epílogo, o que achei meio fora de lugar. Imagino que existam muitos entusiastas da obra, mas eu talvez a tenha lido num mau momento. 

✓ item do desafio: Um livro com mais de 100 anos




O Menino Que Desenhava Monstros
Keith Donohue - Darkside - 2016 (2014) - 256p.

Este foi um que achei que seria mais violento, já que vai ser adaptado para o cinema pelo diretor de Jogos Mortais, mas é uma história de terror lenta e sutil, mais como as versões antigas de contos de fadas com monstros que não são realmente o maior problema da história. Jack Peter é um garoto de dez anos com uma obsessão por desenhar monstros. Por ser autista, seus pais já estão acostumados à suas obsessões, mas logo descobrem que os monstros não estão apenas nos desenhos do garoto, mas cercando sua casa em uma pequena cidade costeira. Entre os momentos tensos vividos por essa família e o melhor amigo de Jack Peter, Nick, também acompanhamos a dificuldade dos pais em lidar com o autismo do filho, uma Síndrome de Asperger que intensificou-se após um evento bastante traumático, anos antes. Uma narrativa interessante, com elementos que desviam nossa mente para um caminho enganoso, e um final bastante inesperado.

✓ item do desafio: Um livro cujo protagonista tenha menos de 16 anos





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Não-ficção:



Sobre a Escrita
Stephen King - Suma de Letras - 2015 (2000) - 255p.

Essa maravilha de livro foi um empréstimo de uma amiga que me incentiva muito a colocar minhas ideias no papel e correr pro abraço da publicação. Quando comentei sobre a frustração de "já existir um livro sobre tudo", ela fez questão que eu lesse este livro e mudasse de ideia a respeito de mim, como escritora, e o que eu tenho a dizer. Por meio de memórias de sua infância e juventude, Stephen King (que dispensa apresentações) conta como descobriu que era escritor e nos leva a refletir sobre a própria vida e os sinais que recebemos de que somos contadores de histórias. Depois, começam as dicas técnicas de escrita, com muitos exemplos - fui lendo e fazendo anotações alucinadamente. Vale lembrar que as dicas dele são a respeito do estilo narrativo que ele usa e, portanto, considera melhor. Você pode discordar de algumas coisas e está tudo bem, afinal, ninguém mais é Stephen King além dele mesmo. E aí ele termina com uma reflexão sobre o acidente que quase lhe tirou a vida e mudou muita coisa em sua rotina e percepção (quem leu A Torre Negra já é familiarizado com a história). E ainda tem uma lista de recomendações de livros que ele considera de leitura essencial, vários dos quais já li ou tenho aqui para ler futuramente. Este livro certamente merece todo o status que ganhou; é uma leitura deliciosa e muito instrutiva, com os segredos e técnicas de um dos escritores mais celebrados da literatura contemporânea mundial - além de ser bastante interessante até para quem não tem ambição de ser escritor, mas é fã do autor.

✓ item do desafio: Um livro de memórias





Uma Breve História do Mundo
H.G. Wells - L&PM - 2013 (1922) - 384p.


Eu sinceramente não me lembro como fui chegar a este livro (já estava há bastante tempo aqui esperando pra ser lido), mas lembro que achei muito interessante que um conhecido autor de ficção científica (A Guerra dos Mundos, A Máquina do Tempo) tenha escrito um livro de não-ficção - e um tão ambicioso como este: um resumão da história do nosso planeta. Wells começa falando sobre o Universo, mas logo começa a abordar a história da humanidade desde o seu surgimento e evolução, passando por todas as principais descobertas, revoluções, povos antigos e seus costumes, o surgimento das religiões e questões políticas, conquistas e guerras, e termina com um relato da Primeira Grande Guerra, que havia acabado um pouco antes da publicação deste livro. É um livro de História com capítulos muito breves, embora bastante abrangentes e com detalhes muito interessantes sobre cada tema. O autor é bastante imparcial nas questões políticas e religiosas, mas também nos oferece uma visão pessoal sobre alguns assuntos discutidos - ele, inclusive, fecha o livro com uma mensagem de esperança para o futuro. Apesar de ser um livro bastante antigo, é interessante ver como pouco do que se sabe hoje sobre a Ciência e a História discutidas aqui mudou; continua sendo uma fonte válida e confiável de pesquisa.




O Livro do Ego: Liberte-se da ilusão
Osho - Best Seller - 2015 - 320p.

Não diria que seja um livro que eu teria escolhido pra ler, em circunstâncias normais... Entretanto, o ganhei de cortesia para o Kindle no início do ano e achei que seria uma leitura conveniente, já que, na época, eu estava sofrendo bastante com uma questão que reconheci ser um problema de ego ferido. Já conhecia o autor por fama e já li coisas avulsas de sua autoria aqui e ali, mas nunca tinha lido, de fato, um livro seu. Foi uma leitura rápida e, no começo, fiquei tão empolgada com tudo o que estava sendo dito que destaquei vários trechos oportunos do livro. Porém, apesar de ser uma leitura fácil, a absorção dos ensinamentos do guru não são tão fáceis assim - tanto que, da metade pro final, fiquei com uma sensação irritante de que eu não deveria estar lendo esse livro. Leiga que sou sobre o budismo e sua filosofia, não posso querer explicar aqui o que Osho tenta nos ensinar sobre o caminho da supressão do ego e o alcance da iluminação. O livro todo é uma coleção de respostas que ele deu a várias perguntas sobre o ego, o poder, a meditação, a iluminação e tantas outras coisas relacionadas, permeadas por parábolas e anedotas divertidas que ele julgou complementarem suas dicas. O meu problema com a questão toda é que, segundo ele, a mente é nossa maior inimiga e não devemos alimentá-la; devemos aceitar sua existência mas nunca deixá-la criar uma personalidade que suprima o nosso verdadeiro eu. Parece complexo - e é, se você não se abrir à ideia de que somos todos uma coisa só que habita vários corpos -, mas tudo faz muito sentido e nos faz querer fazer tudo o que ele sugere. Contudo, nota-se que o caminho para a iluminação é bastante solitário e, embora eu goste da ideia de solidão e não me sentir mal por ser sozinha, ainda assim vivemos em sociedade e, gostando ou não, precisamos das outras pessoas, sendo elas egocêntricas ou iluminadas. Acredito que seria uma coisa que só funcionaria se todos fossem capazes de se desprender de suas mentes e compreenderem o estado do "não existe eu". Se eu, sozinha, chegar finalmente a essa conclusão, teria uma vida miseravelmente solitária, cercada por pessoas que não entenderiam ou respeitariam isso. Tudo bem, não me sentiria mal por isso, mas minha mente (minha eterna inimiga) ainda consegue me convencer de que ela é indispensável. Definitivamente, não estou pronta pra isso. E, agora, fico pensando se deveria estar.

✓ item do desafio: Um livro de um autor que você nunca leu






Bastidores
Rafael Koff - independente - 2016 - 106p.



Este foi outro projeto do autor que apoiei pelo Catarse. São curiosidades sobre os bastidores de 100 filmes clássicos, todo ilustrado por ele. Mesmo estando sempre ligada nas curiosidades sobre cinema, ainda assim li coisas que não sabia sobre uma porção de filmes que adoro! Ficou um livro bem bacana e acho bem possível que ele acabe fazendo outros no estilo...

✓ item do desafio: Um livro publicado independentemente



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HQs:


O Perfuraneve, de Lob, Rochette & Legrand (Aleph, 2015 / 1982). Assisti ao filme (Expresso do Amanhã) e fiquei tão impressionada com a história que quis ler a HQ em que ele foi baseado assim que soube. Por ser um tijolão e ter uma certa reputação, é uma encadernação meio cara, mas nada que uma Black Friday da Amazon não tenha me resolvido. O roteiro do filme foi livremente baseado nessa distopia em que os últimos sobreviventes do mundo que foi tomado por outra Era do Gelo estão a bordo de um trem gigantesco que dá voltas intermináveis ao redor do planeta. Essas pessoas são divididas pelos vagões seguindo uma hierarquia injusta e cheia de preconceito em que os últimos vagões sofrem todo tipo de miséria. Então, acontece uma inevitável revolução e as coisas começam a ficar bem feias pra todo mundo, principalmente para os já desfavorecidos. São três histórias e as três são cheias de violência, personagens odiosos e tragédias. O tipo de leitura que você acaba e fica refletindo a respeito do pior da humanidade por um tempo. Há um anexo com notas sobre os autores, os prêmios que a HQ recebeu e a adaptação para o filme, com curiosidades.

✓ item do desafio: Um livro em quadrinhos



► Andamento do desafio: 7/48
► Fora do desafio: 1