12/12/2017

Meus álbuns favoritos de 2017

Como todo ano, não priorizei muito os lançamentos. Ouvi bastante do que foi lançado em outros anos (inclusive várias coisas legais do ano passado, que só fui conhecer esse ano), então essa lista não vai ter muita coisa.

Perdemos uma boa quantidade de artistas queridos. Dentre os que eu mais admirava, se foram Chuck Berry, Chris Cornell, Chester Bennington, Tom Petty e Fats Domino. Algumas bandas resolveram dar um tempo ou terminar de vez, e algumas retomaram as atividades. Não cheguei a conhecer nenhuma nova, mas espero que venha muita coisa boa pela frente.

Estes são alguns dos lançamentos de 2017 que mais gostei de ouvir, sem ordem:



The Spark
Enter Shikari
alternative rock, electronic rock

Embora alguns dos fãs mais antigos não estejam contentes com este álbum (porque está definitivamente longe do som que os tornou característicos, lá no começo), fiquei bastante satisfeita com ele porque, ao contrário de umas e outras bandas que resolveram se aventurar em outros estilos (*tosse*Linkin Park*tosse*), as letras continuam exatamente como eu esperava que fossem, vindas daquela cabeça maravilhosamente inteligente do Rou Reynolds - agora, com um corte de cabelo sensacional. Falta ódio, sim, porque o Rou é outro cara, agora. E, como fã e sincera admiradora, torço pra que ele siga por esse novo caminho pessoal. The Spark também tem a vantagem, pra mim, de ter sido o único lançamento de uma banda favorita que eu gostei. Esse é o meu vídeo favorito:








Safe in Sound
Lower Than Atlantis
hard rock

Conheci a banda este ano, por recomendação do Spotify com base no que eu gosto de ouvir, e não me decepcionei. Além de serem do estilo que eu realmente gosto de ouvir no dia a dia, a temática geral do álbum é bem pertinente pra mim (sabem, aquela bad usual sobre depressão, rejeição e problemas comuns da vida; é sempre bom ter companhia de quem entende). Safe In Sound foi bem recebido pela crítica britânica, apesar de algumas torcidas de nariz pelo som aparentemente mais pop do que seus trabalhos anteriores.








Wired
Mallory Knox
alternative rock

Outra recomendação do Spotify que também gostei bastante, tanto que logo ouvi tudo o que há deles por lá. O álbum foi bem recebido de todos os lados e aparentemente lida com composições bem pessoais de um dos membros da banda. Também não tenho muito o que falar sobre eles, então fiquem com este vídeo, que fala sobre depressão:










Red Pill Blues
Maroon 5
pop, R&B

Eu não tinha gostado muito quando o ouvi da primeira vez, mas acabei me acostumando quanto mais ouvia e agora mudei de opinião. Aprovando ou não a despedida da banda das origens no rock e essa transição definitiva para o pop dançante, o fato é que tudo aqui gruda pra caramba e isso funciona, né? Fiquei sabendo há uns dias que esse álbum gerou uma controvérsia danada a respeito de várias coisas (começando pelo título, que aparentemente remete a algo ofensivo, embora a banda tenha negado), mas deixei tudo isso passar porque preguiça de briga. Costumo não gostar completamente dos vídeos da banda por causa da hipersexualização usual, mas desse aqui eu gosto bastante:







You Are We
While She Sleeps
metalcore

Um estilo que voltei a ouvir, do ano passado pra cá, e esse álbum foi o que mais gostei dentre os lançamentos do gênero este ano. Ainda não conheço o suficiente dessas bandas todas para falar sobre elas, mas You Are We foi super aclamado por toda a crítica e o público. Não sei qual é a do título do álbum (tô bem preguiçosa com as resenhas esse ano, hein?), mas gostei da capa. A música com o Oli Sykes, vocalista do Bring Me The Horizon, é uma das mais legais.








Ladies and Gentlemen: Barenaked Ladies & The Persuasions
Barenaked Ladies & The Persuasions
alternative rock, acoustic rock

O Barenaked Ladies emplacou alguns sucessos nos anos 1990, sucessos estes que regravaram neste álbum com o grupo a capella The Persuasions. Foi o primeiro lançamento do ano do qual realmente gostei, quando o ouvi, já achando que esse ano não traria nada de que eu fosse gostar muito. O BL mesmo chegou a lançar um álbum de inéditas, meses depois, mas gostei muito mais deste aqui. É uma coisa deliciosa de se ouvir!








  • Álbuns de que gostei, de modo geral, mas não tive faixas favoritas:


Who Built the Moon?, Noel Gallagher's High Flying Birds (psychedelic rock). É com certa tristeza que deixo o tio Noel, uma das minhas pessoas favoritas do mundo, nessa segunda parte da lista. Queria ter amado o álbum novo, mas, embora tenha gostado, não amei. O psicodélico nunca foi um estilo de que gostei muito, e, embora o Noel já venha se afundando no estilo há anos, aqui ele mergulhou de vez. Não há dúvida de que é um bom álbum, mas não vou ouvi-lo tanto quanto gostaria.



Everyday is Christmas, Sia (pop). Amo, adoro, idolatro a Sia, vocês já sabem. Este álbum só está aqui fora dos favoritos porque é temático de Natal e, bom, por mais que goste, não vou ouvir tanto assim. Mas tá superlegal.



A Black Mile to the Surface, Manchester Orchestra (indie rock). Gosto muito do Manchester Orchestra, mas tudo o que eles fazem é um tanto melancólico demais. Não que eu não adore músicas melancólicas, mas não é sempre que estou no clima pra ouvir. Os vídeos são sempre maravilhosos.



Selective Hearing, Our Last Night (post-hardcore). Apesar de ser um EP, listei-o aqui porque a banda é uma descoberta recente da qual gosto bastante. Os conheci pelas ótimas versões que fazem de sucessos pop, mas as músicas próprias também são muito boas.






Como previsto na postagem do ano passado, ouvi do álbum solo do Liam Gallagher e não gostei (aquela previsível vibe indie que não tenho mais saco de ouvir). Outros artistas favoritos lançaram álbuns (Rancid, Hot Water Music, Anti-Flag, Stone Sour, etc...), mas não me chamaram muito a atenção. Vários outros favoritos lançaram coletâneas, então não há o que falar sobre esses álbuns. Conheci outros tantos artistas, mas ainda não tenho opinião formada sobre o que ouvi deles, apesar de ter gostado.

Não sei o que já tem anunciado pro ano que vem, mas já considero certo que vou acabar gostando muito de descobertas de anos passados que perdi. Vamos ver!

08/12/2017

Como Ser Feliz (Ou, no Mínimo, Menos Triste)



Comprei este livro ano passado, quando as coisas na cabecinha começaram a ficar feias o suficiente pra eu admitir que precisava de ajuda. Bom, eu provavelmente deveria experimentar ajuda profissional, mas, na impossibilidade, recorri a vários placebos. Eu já havia comentado sobre ele aqui em outra postagem, mas achei legal falar novamente, agora que finalmente o levei mais a sério.

O que me chamou atenção nele, logo de cara, foi a proposta de não pretender "curar" quem o lê com frases motivacionais e pensamento positivo. O autor, que não é psicólogo, mas só um cara que passou por um momento bastante ruim, é bastante honesto desde o começo sobre o que funciona pra ele e por que ele acha válido compartilhar o que aprendeu com outras pessoas que passam pelo mesmo.


Pontuado por trechos da literatura de psicologia e experiências do autor, o livro vem com vários exercícios para que o leitor analise os aspectos do dia a dia que o deixam deprimido e sugere o que fazer a respeito de cada situação. Grande parte das sugestões é baseada em mindfulness, o que não é dito aqui, mas que reconheci por ser uma técnica que venho usando diariamente para lidar com a ansiedade. Para os que não viram ou não lembram de me ver falar a respeito, mindfulness é a ação de estar consciente do que se faz naquele momento e completamente envolvido nisso. É um conceito simples, embora difícil de aplicar quando já estamos tão acostumados a ser multi-tarefas.

Você não tem um prazo para completar o livro. Como eu disse, o tenho há mais de um ano e ainda não o terminei (alguns exercícios exigem que eu passe um tempo com amigos/fora de casa, o que é bem difícil acontecer por razões que vão além de mim). Por isso, no decorrer das páginas existem exercícios repetidos, com intenção de comparar como você se sentia quando começou, enquanto o preenche, e quando o termina.

Um dos exercícios pede para que você pense em algo que te preocupa no momento e, em seguida, pense em dois cenários: qual é o pior que pode acontecer, e qual o melhor. Infelizmente, o que me preocupava quando o respondi aconteceu, e exatamente como eu descrevi no pior cenário. Não sei se choro pela desgraça ou se rio orgulhosamente do meu poder intuitivo.

Enfim, seguem algumas imagens do livro:



Este foi um dos exercícios que torci o nariz pra fazer, por mais bobo que pareça. Acabei escolhendo o One More Light, que o Linkin Park lançou este ano. Como já comentei algumas vezes, me decepcionei bastante com o que já foi a minha banda favorita de todos os tempos e deixei de ouvir seus lançamentos, mas achei que deveria dar uma chance pro álbum, até pelo que aconteceu com o Chester e pra checar se meu desgosto não era só um preconceito teimoso do tipo "não ouvi e não gostei". No fim das contas, fiquei feliz em ter feito isso, porque aí vi que meu desgosto era embasado: não gostei, mesmo. Por mais que eu esteja ouvindo outros artistas que seguem mais ou menos esse estilo que eles tenham adotado, não é algo que eu gostaria de ouvir vindo deles. Achei tudo preguiçoso, sem inspiração e sem graça. Nem as letras são boas como poderiam ser. Mas não estamos aqui para falar disso, então sigamos.




Este exercício consiste em escrever um e-mail para si mesmo, mas como se você estivesse no futuro (tipo aquele que postei por aqui, no meu aniversário). A letra não está muito legível porque teve algumas emoções envolvidas na escrita. Pensei em transcrever por aqui, mas talvez seja pessoal demais pra deixar escancarado. Se der pra ler, tudo bem; se não der, tudo bem.


Essa é a mensagem final do livro, que achei bastante pertinente. Conforme sempre esclarecido, a intenção do livro (ou de qualquer ajuda, nesse sentido), não é curar ninguém da depressão, mas dar as ferramentas para que quem o lê consiga lidar com os pensamentos negativos o melhor possível. No fim das contas, a ideia geral é que não devemos nos esforçar para ser felizes, mas não reprimir a tristeza quando ela vem. A tristeza é um sentimento tão válido quanto a felicidade, ou qualquer outro. O que não podemos fazer é nos apegarmos a qualquer um deles - todos vêm e vão, como deve ser.



Não dá pra mostrar tudo (até dá, mas...). Já indiquei o livro para alguns amigos, e quero deixar aqui a recomendação para quem quer que apareça e ache que precise dele. Vale a pena.

01/11/2017

Desafio de Leitura 2017: Quinto relatório

Não avancei quase nada do desafio (me distraio demais com outras leituras interessantes), mas faltam poucos itens. Será que consigo até o próximo e último relatório?

Ainda estou lendo o e-book com todos os romances de Machado de Assis. Agora faltam apenas três para terminá-lo, então acho que ele entra a tempo de acabar o ano e o desafio,

Vou manter o formato de relatórios bimestrais até o fim do ano. Ano que vem, vai ser diferente.



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Ficção:


A Profecia das Sombras
Rick Riordan - Intrínseca - 2017 - 334p.

Segundo volume da série As Provações de Apolo, mais uma saga divertida do autor, em que o egocêntrico deus está sendo punido ao ser obrigado a passar um tempo indefinido como um adolescente mequetrefe na Terra enquanto tenta resolver um problema gigantesco com os seus oráculos. Embora tenha a ajuda de alguns semideuses, Apolo está abandonado pelos outros deuses, então está aprendendo duramente sobre companheirismo, lealdade e amizade vindos de gente "inferior" a ele. O narcisismo de Apolo é a característica mais carismática do personagem, e os personagens que o acompanham nessa história (alguns antigos, de outros livros, e alguns novos) dão o tom diversificado próprio das obras do autor. Como curiosidade, este volume é a respeito do Oráculo de Trofônio, sobre o qual já postei por aqui. E, também, já dá uma dica sobre uma provável próxima saga do autor, que aparentemente poderá envolver uma mitologia africana. Espero que sim!

✔ item do desafio: Um livro cujo protagonista seja LGBT






O Martelo de Thor
Rick Riordan - Intrínseca - 2016 - 400p.

Segundo volume de mais uma série de Rick Riordan, da qual estou gostando muito mais do que imaginava que gostaria. Com a temática da mitologia nórdica, essa saga acompanha Magnus Chase em suas missões pós-vida como guerreiro de Odin. Aqui, Magnus e seus amigos devem recuperar um certo objeto que um certo deus se recusa a admitir ter perdido. Como já disse em várias ocasiões, o que mais gosto nos livros do autor, além da temática mitológica e dos seus protagonistas terrivelmente sarcásticos (Magnus Chase sendo o maior de todos!), é toda a diversidade que ele explora tão bem com seus muitos personagens. Por ser uma narrativa que aproxima conceitos fantásticos de um cenário real, acredito que seja o ideal para introduzir conceitos de diversidade social aos jovens leitores. Os personagens dessa saga incluem heróis que são um morador de rua, uma muçulmana, um surdo, uma pessoa de gênero fluido, e todo tipo de discussão sobre diversas culturas e seus valores. Tudo isso torna a obra de Rick Riordan uma forte recomendação minha para leitores de qualquer idade, pois só tem coisas boas para nos dar.




Hotel Valhala: Guia dos mundos nórdicos
Rick Riordan - Intrínseca - 2017 - 160p.





Este é um livro de acompanhamento da saga Magnus Chase e os Deuses de Asgard, assim como todas as outras têm os seus guias de personagens e mitologia. Este aqui tem forma de um guia disponibilizado aos recém-chegados a Valhala que, aqui, é um hotel. É escrito pelo gerente, Hunding, e contém fichas dos principais deuses e criaturas, além de algumas entrevistas e... uma batalha de rap. Divertido, como sempre.










O Vento Pela Fechadura
Stephen King - Suma de Letras - 2013 (2012) - 283p.

Depois da ressaca de Torre Negra ano passado, acabei deixando pra ler este depois e esqueci completamente dele até uns dias atrás, haha. Esta é uma história de A Torre Negra, embora não faça parte da história principal, sendo ambientado entre o quarto e quinto livros. Enquanto esperam que uma terrível borrasca passe, na viagem entre um destino e outro, os protagonistas procuram abrigo e Roland lhes conta "uma história dentro de uma história". O pistoleiro narra a Eddie, Susannah e Jake (e Oi) sobre uma de suas primeiras missões como pistoleiro, quando ainda era pouco mais do que um garoto, em uma fazenda que havia sido atacada por uma terrível criatura. A única testemunha sobrevivente era um menino que Roland precisava defender até que encontrassem o responsável pelo massacre. Para ganhar a confiança e aproximar-se do garoto, o pistoleiro lhe contou uma história que sua mãe lhe contava, quando ainda era viva e ele mesmo era pequeno. Essa história, por sua vez, era sobre um garoto que havia perdido o pai recentemente e que, ao conhecer um homem muito estranho, partiu numa missão perigosa a fim de salvar sua mãe do seu terrível novo padrasto. O livro todo é bastante envolvente e o li rapidinho, ao contrário dos demais da série, na época. King diz, em nota, que não é necessário ter lido A Torre Negra para acompanhar essa história (e que é até uma boa maneira de se ambientar no Mundo Médio e suas estranhezas), mas acho que a leitura talvez seja mais divertida pra quem já conhece as peculiaridades desse mundo.




O Livro das Coisas Perdidas
John Connolly - Bertrand Brasil - 2012 (2006) - 364p.


Gostaria de encorajar os visitantes deste relatório a conhecerem John Connolly, possivelmente um dos melhores escritores que temos por aí hoje. Eu já havia lido seu livro de contos, Noturnos, e ficado encantada por ter gostado muito de todos eles, o que é meio raro em livros de contos, e agora este, maravilhoso de muitas maneiras. Embora pareça ser mais um livro juvenil, O Livro das Coisas Perdidas vai muito além de sua aparência e tema. Ambientado em Londres, durante a Segunda Guerra, temos David, um menino que perdeu a mãe doente e que está tendo problemas em aceitar a vida nova com a madrasta e seu novo irmãozinho, em uma casa que não é a dele. O escape de David são os livros, que ele devora avidamente, mas logo David começa a desenvolver alguns distúrbios que afetam sua saúde, e o menino começa a ouvir os livros falando com ele de suas prateleiras. Seus colapsos pioram à medida que as vozes se tornam mais insistentes, até o dia em que David ouve sua falecida mãe chamando por ajuda. Decidido a segui-la, David acaba indo parar em um mundo estranho em que conhece amigos e perigos terríveis. Não posso entrar em muitos detalhes a partir daqui, por risco de dar spoilers e também por poder me empolgar e contar demais, mas, além de ser repleta de fantasia e aventura, a história também vem cheia de violência (certos momentos causam até estranheza e bastante desconforto, para um livro aparentemente "bonitinho") e bastante tristeza. Apesar disso, é uma história muito, muito bonita, com um final bastante emocionante, mesmo que previsível. A história toda dá margem a muita reflexão e, qualquer que seja a sua interpretação dos eventos, não deixará de ser tocante. Coloco-o como favorito por ter sido tão bem escrito e me emocionado como Sete Minutos Depois da Meia-Noite, no mesmo estilo. Recomendo enfaticamente!





Antologia Poética
Gregório de Matos - Nova Fronteira - 2012 - 88p.


Meu Kindle está com a missão de abrigar romances clássicos e antologias poéticas de vários autores consagrados para que eu seja menos ignorante a respeito de tantas coisas que eu deveria saber sobre literatura. Gregório de Matos é um dos poetas clássicos (do Brasil colônia, no século XVII) de quem nunca mais li nada fora da escola. Esta antologia reúne seus três estilos de poesia: a sacra, a lírica e a satírica, sendo esta a sua mais abundante e que lhe rendeu o apelido Boca do Inferno, já que falava acidamente (e, por vezes, eroticamente) sobre autoridades e figuras importantes das altas classes baianas. O homem incomodou tanta gente que acabou sendo eventualmente deportado para Angola. Não encontrei nada favorito por aqui, mas foi certamente uma leitura interessante.









Melhores Poemas
Ferreira Gullar - Global - 2006 - 296p.




Já Gullar foi um poeta contemporâneo, de posição política conhecida e muito preocupado com as questões sociais brasileiras. Um de seus poemas mais famosos é Não Há Vagas ("O preço do feijão não cabe no poema..."), que sempre víamos nos livros de português, mas o maranhense foi autor de inúmeros poemas bastante conhecidos. Dia desses, postei nas redes uma imagem de A Bomba Suja, poema inusitado sobre a diarreia, que, apesar de causar estranheza de temática, é de fato uma coisa triste. Meus favoritos são Cantiga Para Não Morrer, Traduzir-se e Detrás do Rosto. 








Toda Poesia
Paulo Leminski - Companhia das Letras - 2013 - 424p.

"Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além"


É até vergonhoso que eu não tenha procurado antes ler mais da obra de Leminski, justamente por ele ter sido meu conterrâneo e colega de profissão. O curitibano falava seis línguas e era prolífico em várias artes, inclusive na música. Alguns de seus poemas se tornaram canções conhecidas, interpretadas por artistas como Caetano e Gilberto. Este livro é uma obra póstuma e reúne material que não havia sido publicado anteriormente em livro. Seu estilo poético (mais visual do que textual) não me atrai, particularmente, mas ainda assim achei coisas de que gostei bastante.








Antologia Poética
Olavo Bilac - L&PM - 1997 - 96p.



Bilac foi um poeta do período do parnasianismo e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras; também tradutor e autor infantil, e quem compôs a letra do Hino à Bandeira. Era conhecido por Príncipe dos Poetas e marcou a história do nosso país por um acontecimento bastante inusitado: foi o primeiro a sofrer um acidente de carro no Brasil, ao bater em uma árvore. Esta antologia poética traz cerca de 30 dos seus poemas mais conhecidos e importantes, e, como em todo livro do tipo, também há um ensaio de um estudioso da obra a fim de explicar ao leitor a importância e inspiração do autor em seu trabalho. Um de seus poemas mais conhecidos é Língua Portuguesa, mas o meu favorito é O Pássaro Cativo.






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Não ficção:


Preconceito Linguístico
Marcos Bagno - Parábola Editorial - 2015 - 352p.

Emprestado por uma amiga que é formada em Letras, este livro é mais indicado aos profissionais que trabalham com o ensino da língua portuguesa, mas serve de lição de moral para qualquer estudioso dos fenômenos linguísticos, ao mesmo tempo em que é um manifesto contra a discriminação que todos temos, em maior ou menor grau, a respeito de quem fala diferente de nós. O autor, que é linguista e publicou diversos livros sobre o tema, tem opiniões muito fortes sobre a nossa chamada norma culta, muitas vezes confundida com a norma padrão (que seria o que chamamos de "português correto"), e faz duras críticas a famosos gramáticos e suas obras que visam ensinar o "bom português". De postura política obviamente esquerdista, Bagno defende que todo falante de português fala "bom português" e dá vários exemplos e estudos comparativos para defender seu ponto de vista. É uma leitura que pretende derrubar muitos preconceitos e conhecimentos comuns sobre a linguagem, mas que, infelizmente (sob meu ponto de vista um tanto conservador a respeito de gramática), ataca sem piedade todos que respeitam o português culto, visto pelo autor como uma praga elitista. Concordo com seus argumentos sobre a mutação histórica da língua e que, realmente, o preconceito linguístico nada mais seja do que preconceito social e que isso deva ser sempre discutido em aulas de português. Também concordo que se perde tempo demais estudando gramática de nomenclaturas inúteis e aplaudo sua ideia de que deveríamos reformar os planos de aula da língua para a sua aquisição, interpretação e uso; porém, como profissional de revisão de texto, a norma padrão é o meu ganha-pão, e acredito que, apesar de admirar todas as variedades de português faladas no Brasil, devemos ter uma estrutura textual padrão que seja compreendida por todos os brasileiros (sublinhei o "textual" para que não pareça que sou contra as variações linguísticas faladas Brasil afora). Enfim, uma leitura provocativa.




A Vida Secreta das Árvores
Peter Wohlleben - Sextante - 2017 (2015) - 224p.

Este foi uma recomendação do professor Daniel Chamovitz, que ministrou o excelente curso de botânica que fiz há pouco tempo pelo Coursera. Se com o curso eu já havia desenvolvido todo um novo respeito pelas plantas, com esse livro maravilhoso eu agora praticamente venero árvores e as acho as coisas mais sensacionais desse mundão lindo. O autor deste bestseller é engenheiro florestal e trabalha há mais de 20 anos numa mata de reflorestamento na Alemanha. Como ele explicou, engenheiros florestais são como fazendeiros de árvores - ou seja, a preocupação deles com o bem-estar dos seres que criam não é por eles, mas porque precisam produzir produtos da melhor qualidade para melhor aproveitamento humano. Então, ele também conta como mudou de opinião a respeito desses seres admiráveis e, assim, divide com a gente tudo o que ele aprendeu sobre sua vida em comunidade. Tendemos a ver árvores como objetos, em vez de seres vivos, porque seu metabolismo é muito lento para os nossos sentidos animais. Nós vivemos algumas dezenas de anos, enquanto árvores vivem centenas (algumas, até milhares), então, apesar de geralmente não percebermos o seu desenvolvimento, essas criaturas travam batalhas poderosíssimas todos os minutos do dia para sobreviver. O autor também explica de que maneiras as árvores nas ruas e praças são diferentes das árvores de florestas (e como as de reflorestamento são diferentes das de mata nativa) - o que determina isso é a comunidade, que é surpreendentemente indispensável para a vida de uma árvore, e conta, numa linguagem para qualquer leigo entender, como tudo isso acontece e por que é importante saber. Foi uma das minhas leituras favoritas do ano e a recomendo enfaticamente.




Dear Future Historians
Rou Reynolds - Faber Music - 2017 - 192p.

Estava desesperada para conseguir este livro desde que foi lançado, no começo do ano, mas só havia cópias limitadas que seriam vendidas pelo site de merchandising do Enter Shikari ou pela Amazon gringa. Eventualmente, algumas cópias apareceram no eBay e na Book Depository, mas há anos não compro mais nada de fora porque nunca mais chegou nada aqui em casa. Nesse clima de frustração, desisti de consegui-lo até que a Amazon daqui resolveu importá-lo, e aí finalmente consegui encostar meus dedinhos nesse lindo. Rou Reynolds é o vocalista e compositor do Enter Shikari, banda que já postei por aqui algumas vezes e várias vezes no Facebook. É uma das minhas favoritas, atualmente, não apenas por seu estilo original mas também porque as letras são inteligentes, e eu amo ouvir coisas inteligentes. Sendo assim, quando soube que o Rou havia lançado um livro com todas as letras com a história por trás de cada uma, soube também que seria algo interessante de se ter. E agora, depois de ter lido o homem falando de coisas como política e ciência de forma tão razoável e como quem realmente entende sobre o que fala, minha admiração por ele e pela banda só aumentou. A encadernação é muito bonita - capa dura com o miolo todo colorido e cheio de fotografias da banda em turnês. Se algum fã de Enter Shikari tropeçar nessa postagem, saiba que o livro vale o investimento.


✔ andamento do desafio: 37/48