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A difícil vida de uma lampreia...


Triste vida a da lampreia.
No começo, elas não se parecem nada com uma lampreia. E são tão diferentes que por muitos anos esses filhotes nem eram considerados da mesma espécie! Ficam na água doce, paradas, esperando comida, filtrando pra dentro da boca tudo o que passa pela frente... E assim ficam por sete anos.
Até que seu desenvolvimento chega ao fim e ela enfim se torna uma lampreia adulta. Uma lampreia que finalmente se parece com uma lampreia! Aí ela é livre pra nadar por aí. E se sente tão bem com toda essa liberdade, que vai embora pro mar. Mas, vendo que a "vida na cidade" não é assim tão fácil, muito sabiamente ela torna-se parasita; e então, por toda a sua curta vida adulta (que não dura mais de dois anos), ela fica grudada ao couro de peixes maiores, se alimentando.

Lampreias são interessantes, sabem, elas são longas (chegam até a um metro de comprimento) e têm uma boca circular cheia de estruturas espinhosas (promovendo aquele sorriso simpático da foto acima). Esses espinhos servem para que ela possa se fixar ao corpo de outros peixes e assim "raspá-los" para se alimentar. Elas ainda têm glândulas que secretam uma substância anticoagulante, que impede que a ferida do hospedeiro se feche antes que ela termine de se alimentar.

Até aí tudo bem, vida boa essa... Grudada nos outros e comendo à vontade! :)
Mas não é sempre assim.

Esse tipo de lampreia precisa se reproduzir em águas doces - "de volta à minha terra"!
Enquanto elas estão na parte boa da vida, chega um dia em que elas sentem uma queda brusca de temperatura - isso indica que chegou a hora de deixar de ociosidade e ir trabalhar.
Primeiro, a grande viagem ao rio, que dura dias, sem qualquer alimentação - porque ela sabe que não há tempo.
Chegando lá, encontra um companheiro e com ele começa a construir um ninho bem grande de pedras - para que caibam seguramente todas as centenas de milhares de ovos que ela vai depositar lá. Uma vez pronto, a fêmea então deposita seus ovos e, à medida em que vai fazendo isso, o macho os vai fertilizando. E, quando isso acaba, ambos morrem.

E é assim o triste fim da lampreia. Vocês não esperavam que, depois de todo esse trabalho e esforço, elas continuassem vivas e serelepes de volta ao mar, esperavam?

Os ovos estão seguros. Eles são pegajosos, então a correnteza não os leva embora. Depois de duas semanas, as larvas nascem. Aquelas larvas, que não se parecem nada com os pais. E ficam lá no rio, começando de novo o ciclo.

Mas tem outro tipo de lampreia, sabem. Uma que nunca sai da água doce. Acho que ela vê as colegas se ferrarem por quererem sair de casa e pensam: "Bom, melhor ficar por aqui mesmo". Só que elas não sobrevivem por muito tempo, porque não têm alimentação adequada e também não podem se reproduzir...

Pode parecer um post sem sentido, mas ao estudar as lampreias é impossível não pensar na própria vida. Ficamos onde pertencemos, no conforto do lar, onde tudo é conhecido e familiar, mas correndo o risco de não conseguirmos sobreviver à isso, ou arriscamos uma nova vida, enfrentamos o desconhecido, realizamos o que nos cabe e então encaramos o fim inevitável?

Se as lampreias tivessem ouvidos e um cérebro para que pudessem ouvir e refletir sobre uma música, ela provavelmente seria:

♪ Should I stay or should I go now?
If I go there will be trouble
And if I stay it will be double... ♪


Tô pensando nisso.

Como se não bastasse tanta desgraça na vida da coitada, agora nem acento no nome ela não tem mais. Horrível escrever "lampreia" sem acento :(

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