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...and God save Ronald Biggs! ♪

Quem nunca tinha ouvido falar, provavelmente está cansando de ouvir agora, já que ele voltou a ser notícia.


(1963 - 1997 | guardian.co.uk)

Ronald Biggs, famoso pelo maior assalto da história da Inglaterra ("O Grande Assalto ao Trem"), em 1963: ele e mais 15 companheiros roubaram de um trem postal a quantia exorbitante de 2,6 milhões de libras (equivalente hoje em dia a 220 milhões de reais). No ano seguinte grande parte deles, inclusive ele próprio, foram processados e presos; mas, em 1965, Biggs conseguiu escapar da prisão - pulando o muro com uma escada de corda xD

Fugiu então para Paris, com mulher e filhos, adquirindo um passaporte falso e se submetendo a cirurgia plástica. Alguns anos depois, muda-se para a Austrália e começa a trabalhar como montador de cenários (já que ele era carpinteiro antes do assalto ao trem); mas logo foi reconhecido por um repórter, de modo que ele se mudou mais uma vez - não muito tempo depois, deixando para trás a família, Ronald Biggs veio para o Brasil, onde morou por 31 anos, no Rio de Janeiro.

Uma vez no Rio, Ronald logo foi descoberto por repórteres, e mais uma vez a Scotland Yard veio atrás dele. Mas para sua grande conveniência, nada aconteceu: na época, o Reino Unido e o Brasil não possuíam acordos sobre extradição - de modo que Ronald podia aproveitar com toda a tranquilidade o sol de Copacabana 8) Pra completar, sua namorada brasileira estava grávida*, e a Lei brasileira defende que não se pode expulsar do país o pai de uma criança brasileira. Biggs não podia trabalhar legalmente por ser um foragido da Scotland Yard, mas logo virou "celebridade" pelo Rio, então havia quem pagasse por camisetas com a sua cara ou por alguns minutos de bate-papo com ele.

*O filho? Michael "Mike" Biggs, que foi da Turma do Balão Mágico (direita)

Alguns anos depois, Biggs foi sequestrado por uma gangue - caçadores de recompensas - e levado à Barbados. Mas logo o plano foi descoberto e Biggs, muito esperto, se aproveitou da situação de "vítima" e de algumas brechas na lei e conseguiu ser mandado de volta ao Brasil.

Em 2001, já com 71 anos, Ronald Biggs declarou à imprensa que gostaria de voltar à Inglaterra, pois gostaria de "morrer em casa". Mesmo sabendo do que aconteceria caso voltasse, ele se entregou às autoridades voluntariamente, sendo preso no mesmo dia e ganhando uma pena de 55 anos. Da prisão até então, seu estado de saúde só foi piorando, tendo sofrido alguns ataques cardíacos e derrames (que lhe tiraram a fala e o impedem de caminhar sem dificuldade). Devido a esse fato, apelou-se uma absolvição ou redução de pena ou liberdade condicional, que foi negada várias vezes porque o réu "não se mostrava arrependido de seu crime".

Há alguns dias atrás, Biggs foi internado com pneumonia severa, conseguindo então ontem, dia 6 de agosto, sua absolvição. Amanhã Ronnie completa 80 anos de idade.

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Carreira Artística:
(sim, porque ele teve uma!)

Era aqui que eu queria chegar.

Embora tenha participado de algumas músicas na cena punk, darei destaque a uma em especial.

Enquanto morava aqui no Brasil, Ronnie Biggs recebeu uma visita de "fãs" ingleses. Eram eles Steve Jones e Paul Cook, respectivamente guitarrista e baterista da então recém-acabada banda Sex Pistols.


(Ronnie, com sua cópia de Never Mind The Bollocks, Paul e Steve. Bela sunga, Mr. Biggs! | Verão de 78, Copacabana)

De resultado desse encontro, temos "No One Is Innocent (A Punk Prayer by Ronald Biggs)", que foi o primeiro single do filme-documentário sobre os Sex Pistols, The Great Rock'n'Roll Swindle, de 1978: com Ronnie Biggs nos vocais!


A letra é no tom irônico peculiar da banda, mesmo sem Johnny Rotten. Percebemos em linhas como: "God save television/ keep the programs pure" ("Deus salve a televisão/ mantenham os programas puros"). O refrão:

Ronnie Biggs was doing time
Until he done a bunk
Now he says he's seen the light
And he sold his soul to Punk!

"Ronnie Biggs estava matando o tempo
Até fazer besteira
Agora ele disse que viu a luz
E vendeu sua alma ao Punk!"

A canção teve vários títulos, como forma de "provocar" a gravadora, que se recusava a lançá-la. por causa de certas citações ofensivas na letra. De qualquer forma, alcançou a 6ª posição nas paradas britânicas.

Curioso?



Além da gravação da música, ainda vemos os "ladrões ingleses" fazendo turismo no Rio de Janeiro e curtindo o carnaval carioca. Eita nóis.

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Fontes consultadas:
Wikipedia 1 e 2 | Guardian | SuperInteressante | Google Images

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