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Voltando àquela tarde...


roubado covardemente do ryotIRAS, como sempre.

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Era uma tarde qualquer de 1998 ou 1999, não me lembro mais. Emmanuella estava na biblioteca da escola procurando pelo próximo livro que iria devorar nas aulas de Literatura Brasileira. Como já tinha lidos todos ali indicados para sua faixa etária, foi se aventurar em outra estante, que já estava descobrindo há algum tempo. Olhou pra um livro cujo nome já estava lhe chamando a atenção há uns dias... Incidente em Antares, de Érico Veríssimo. Pegou-o pela trocentésima vez pra ler a sinopse e pela trocentésima vez uma Emmanuella de 11 ou 12 anos se perguntou: "Será que eu vou entender esse livro?". Mas dessa vez ela cometeu um ato ousado e resolveu emprestar este mesmo.

Chegando ao balcão da bibliotecária, a muito profissional mulher olha para Emmanuella, olha para o livro com pouco mais de 400 páginas e diz: "Você é masoquista, é?"

Ora, Emmanuella nunca tinha ouvido aquela palavra antes e não fazia ideia do que ela queria dizer, mas vinda de uma pessoa supostamente entendida em literatura, ela concorda com um risinho sem graça: "É, acho que sim".

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Muitos anos depois, Emmanuella parou pra pensar e finalmente teve certeza:

Ela é.

Ela é daquele tipo de pessoa que tanto gosta de sofrer que cria as situações de modo que acabem em dor. Quando as coisas estão indo muito bem, ela logo dá um jeito de fazer com que o final não seja o mais feliz.  Ela só procura a companhia de pessoas que lhe são indiferentes, só se apaixona pelos caras distantes - fisicamente ou em probabilidade de ter uma chance - e só alimenta os sonhos que não pode alcançar.

Por que ela faz isso? Nem ela sabe... Talvez seja o prazerzinho sádico de sentir a própria desgraça. Talvez seja a busca desesperada por atenção. Talvez seja pelo gostinho incomparável da autopiedade. A verdade é que isso é uma coisa que ela faz, inevitavelmente, e não gosta.

Ô, guriazinha complicada, essa.

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ah sim, apesar da primeira metade ser chata, o livro é ótimo! :)

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