Pular para o conteúdo principal

O Show no Telhado

30 de janeiro de 1969.

Os Beatles se reuniam uma última vez para se apresentar publicamente como uma banda.


A essas alturas, as coisas já estavam bem feias pra eles. Brigavam o tempo todo até chegar ao ponto de, pior do que brigar, não se falarem mais. John Lennon havia irritado a todos com sua ideia fixa de insistir em levar Yoko Ono ao estúdio para dar palpite no trabalho deles. Eles já não concordavam em nada e o andamento criativo da banda desacelerou até parar.

Numa tentativa vã de reerguer o ânimo dos Fab Four, o diretor Michael Lindsay-Hogg tem a "brilhante" ideia de filmar todo o processo de composição e gravação do então último álbum da banda, Let It Be, tranformando a filmagem num documentário. Resumindo a história toda, a coisa ficou tão ruim que o lançamento de Let It Be ocorreu apenas no ano seguinte, quando a banda já estava oficialmente acabada. O documentário de maneira geral retrata todas as brigas, estresse e desinteresse entre os quatro + Yoko Ono.

A parte final do filme contaria com uma "última apresentação ao vivo dos Beatles", que já não faziam turnês desde 1965 - eles estavam frustrados por causa do escândalo da beatlemania que não os permitia sequer ouvir o que estavam tocando, e também porque o seu som em estúdio estava ficando meio complexo de reproduzirem ao vivo. A apresentação ocorreria ali no telhado do estúdio mesmo, a Apple, em Londres; e ninguém além deles sabia que isso ocorreria - de forma que pegou a todos de surpresa.

Olhando a apresentação, mal dá para acreditar que eles estavam discutindo tanto até o minuto em que pisaram lá, que John e Paul estavam a ponto de querer matar um ao outro e que George e Ringo quase desistiram de participar. Você pode conferir o show completo aqui:




(o que eu acho mais engraçado é esse povo aparecendo do nada e parando com cara de WTF)


O setlist foi:

  • Get Back
  • Don't Let Me Down
  • I've Got A Feeling
  • One After 909
  • Dig A Pony
  • Get Back (de novo :D)

Infelizmente a apresentação não pode ser maior - como foi um evento-surpresa em horário comercial (foi por volta da hora do almoço), a polícia precisou intervir e interromper o show por causa do "barulho" (como dá pra ver na última música). Antes de ir embora, John diz ao microfone:

"Gostaria de dizer um 'obrigado' a todos em nome do grupo, e espero que tenhamos passado no teste de audição!"


"Enquanto tocavam, triunfando graças a seus instintos incomparáveis, John e Paul trocando sorrisos a cada bom momento ou deslize, a verdade sobre eles ficou clara: os Beatles eram uma família com uma história em comum, com uma linguagem particular que nenhum deles jamais esqueceria."
[Rolling Stone #36, set/09]

Postagens mais visitadas deste blog

O Dia dos Namorados e a visão de romance por uma assexual arromântica

Vejo que isso vem mudando lentamente, mas, como regra geral, todo mundo é naturalmente criado e tratado como heterossexual (e, consequentemente, heterorromântico). Eu, claro, cresci com essa absoluta certeza e não questionei isso até meados dos meus 20 anos. Até então, achei que eu só era mais "devagar" pra certas coisas, mesmo. Mas vamos ter que voltar um pouco e compartilhar informação demais.
Como expliquei na página de educação e visibilidade, o fato das orientações sexual e romântica serem coisas separadas e muitas vezes não serem correspondentes é o que mais confunde quem demora a "sair do armário". Eu mesma ainda me vejo questionando ambas, embora esteja convencida de que estou, ao menos, em algum espectro de ambas (confira a página mencionada). Não posso falar por todos os assexuais arromânticos porque, obviamente, cada pessoa é diferente da outra e as coisas são diferentes pra todo mundo. Então vou falar por mim.
Embora só tenha percebido isso recentement…

... e ainda mais livros interativos!

2014 está sendo um ano muuuito esquisito... Não sei se tá todo mundo com essa impressão, ou se eu só estou prestando atenção nas coisas esquisitas, mesmo.
De qualquer forma, comentei em alguma postagem anterior sobre a necessidade da terapia que não vou fazer, e como esses livros interativos que tanto estão na moda andam me ajudando a aguentar toda a esquisitice desse ano.
Depois de Destrua Este Diário, que não vou terminar, e Termine Este Livro, que já terminei, peguei outros dois lançamentos: Listografia, de Lisa Nola, e 1 Página de Cada Vez, de Adam J. Kurtz.


O Listografia eu havia visto pelo Pinterest e achei a proposta atrativa pra mim: listar a vida de acordo com os mais variados tópicos. Os temas vão desde coisas simples, como os lugares em que você já morou, o nome de todos os animais de estimação que você já teve, seus programas de TV favoritos, as cidades que você conhece, até assuntos mais reflexivos, como as coisas sobre você que quase ninguém sabe, seus maiores atos de b…

As curiosas origens de 4 famosos jogos de tabuleiro

Adaptado do artigo original do Mental Floss.



Jogos de tabuleiro são uma forma de entretenimento criada pelos egípcios há 5 mil anos e nunca saíram de moda, mesmo que atualmente tenham sido adaptados em vídeo games ou jogos para o celular. Aqui vão as origens de alguns dos sucessos mundiais favoritos:

Monopoly / Banco Imobiliário

Embora seja considerado um jogo que glorifica o capitalismo (tendo sido banido de países como a China e a antiga União Soviética), este clássico foi inventado para representar justamente a ideia oposta. A americana Elizabeth Magie era ativista contra o pagamento de impostos imobiliários, no fim do século 19. Segundo ela e outros simpatizantes, deveria haver apenas um imposto de propriedade, diminuindo assim a diferença de riqueza entre os senhorios e os inquilinos. Para demonstrar de uma maneira fácil como as coisas aconteciam na época, Lizzie patenteou, em 1904, um jogo chamado The Landlord's Game ("O jogo do senhorio"), cujo objetivo era acumula…