01/05/2010

Estou falando sobre o Grande Homem-Macaco!

Tinha muita, muita vontade mesmo de fazer esse post, mas tava meio perdida ainda. É tanta coisa pra falar e, do jeito que eu sou empolgada, a coisa ia ficar gigante e meu querido post seria largado no vácuo eterno. Mas então essa semana o Rafhael, muito convenientemente, postou sobre o assunto no Musicólatras Anônimos e eu vou aproveitar o gancho aqui. Quem estiver interessado, está convidadíssimo a conferir o artigo dele, ficou bem resumido e abrange todo o essencial. :)

"Manu só fala de Ska, Ska, Ska e eu ainda não sei que diabos é isso!"

Sério? 
Bronca 1: Vai morrer. Já postei tanto Reel Big Fish e Streetlight Manifesto aqui, se você ainda não sabe o que é, faz favor de ir arder no Tártaro u.u
Bronca 2: É lógico que você sabe, só não lembra. Lembra do Skank, na época da Saideira? E dos Paralamas do Sucesso, lá pros tempos de Loirinha Bombril? Pois é, bem vindos ao maravilhoso mundo do Ska, o gênero abandonado desde os anos 90.

Eu queria explicar o nascimento, a popularização, as razões envolvidas, toda essas coisas ligadas à ele, mas vou ser breve e, pelo menos hoje, vou explicar só uma coisa: as divisões.

Calma, não são tantas assim. O Ska foi dividido em 3 eras, que diferem em época e em estilos musicais envolvidos. Colocando toda minha astúcia em prática, eu vou exemplificar as 3 eras com a mesma música (Monkey Man), que foi muito convenientemente regravada por bandas das três eras \o/ Assim podemos ver na prática em como elas diferem uma da outra:



First Wave, ou o Ska Jamaicano:

Siim, pra quem não foi lá ler o post do Rafhael, o Ska surgiu na Jamaica no fim dos anos 50. Deixa a história pra outro dia, mas o som do Ska tradicional deu origem, anos mais tarde, ao Rocksteady, e este ao Reggae. Vulgarmente falando, o Ska é avô do Reggae, o que não significa necessariamente que os fãs do primeiro tenham que gostar do segundo (nota pessoal). Essa primeira era do Ska não tem nada a ver com o Rock, inclusive. Seu som consistia basicamente em um grupo de metais (saxofone, trompete e trombone) tomando a dianteira, piano/teclado acompanhando o baixo, bateria com o ritmo que era típico das marchas jamaicanas. A guitarra é tocada de uma forma dedilhada, fazendo um som cuja descrição acabou dando origem ao nome do estilo; algo como "skat! skat! skat!". Importante lembrar que, apesar de desempenharem um papel fundamental nas bandas que os possuiam, os metais não estavam presentes em todas as bandas, como no caso abaixo.

Vamos ouvir como era isso? Aqui vai a versão original de Monkey Man, de 1969, pela banda jamaicana Toots & The Maytals:




2nd Wave, ou Ska 2-tone:

A segunda era começou assim que o Ska invadiu a Inglaterra, no final dos anos 70. Opa, mas tinha outra coisa acontecendo na Inglaterra no fim da década de 70, alguém se lembra? Exatamente, o movimento Punk. Então, não pensem que o Ska escapou da influência poderosa que o Punk teve nessa época. A segunda era marcou uma drástica mudança em todas as características do Ska: o ritmo se tornou mais agressivo, e as letras deixaram de ser puramente festivas e adotaram temáticas semelhantes às do Punk Rock: se tornaram politizadas e, acima de qualquer outra coisa na época, prezavam a igualdade racial. A Inglaterra enfrentava uma época de racismo violento e os jovens ansiavam por se fazer ouvir. Assim surgiu o 2-tone, "dois tons", simbolizado pelo quadriculado branco e preto, ou a "união das raças". Assim, as bandas de ska passaram a ter também integrantes brancos e negros. 

A banda que marcou a era foi a britânica The Specials, aqui tocando a sua versão de Monkey Man, em 1979:



3rd Wave:

A terceira e, até então, última era do Ska, aconteceu em meados dos anos 80, quando a coisa chegou nos Estados Unidos e daí pro resto do mundo. A partir de então, o Ska sofreu alterações consideráveis em sua sonoridade, visto que foi misturado a uma pancada de outros estilos musicais, gerando subdivisões como o Ska-Jazz, Ska-Punk e o Skacore (vulgarmente chamado pelos xiitas de "hardcore com cornetinha"). Embora algumas das bandas dessas subdivisões usem alguns elementos básicos do ska, em especial os metais, e a temática das letras seja a mais variada possível, a 3rd wave é altamente discriminada pelos xiitas do Ska, principalmente do tradicional. Eu acho isso uma grande bobagem, visto que a intenção inicial dos criadores fosse a união, e não a discórdia. E, como bem sabemos e eu me tomo por exemplo, a 3rd wave é a principal responsável pelos fãs mais recentes do gênero. Muitos de nós conhecemos o Ska pela 3rd wave, e a partir daí nos interessamos pelas eras anteriores.

Mas, deixando opinião pessoal de lado, vamos à banda americana que vocês nunca ouviram falar aqui no meu blog, Reel Big Fish, tocando a sua versão de Monkey Man, de 1999:


Esperem, adoro fazer notas de rodapé nos vídeos do RBF:
1. Cabelo do Dan: WIN
2. Tyler Jones: FAIL
3. Bigodinho do Aaron: EPIC FAIL


Existem ainda outras versões de Monkey Man; Toots mesmo a regravou com o No Doubt, tem pouco tempo, e a Amy Winehouse também a gravou; procurem no YouTube.

Ok, me matem, eu sei que disse que ia ser breve, mas se vocês tivessem noção do tanto que essa história rende, me agradeceriam por ter falado tão pouco. Espero que tenham curtido o post; a principal razão do Ska existir é justamente alegrar a quem ouve, o tipo de coisa feliz que todo mundo devia ouvir. Embora não seja um estilo da moda hoje em dia, e infelizmente poucas pessoas o conheçam ou mesmo gostem, ainda tenho esperanças de que a chama será acesa novamente. O The Specials está voltando aos poucos, tomara que tragam a onda de volta com eles. 

Em futuros posts falo mais sobre o assunto. Pick it up!


4 comentários:

  1. Hahah, acabei impedindo que falasse do assunto no MA né?

    Skacore (vulgarmente chamado pelos xiitas de "hardcore com cornetinha")

    AUHUAEHUAHEUHaeuh....ainda não tinha ouvido essa. Ri demais!!
    O ska 3rd Wave é o que sofre mais preconceito pq ele surgiu junto com o crescimento da indústria fonográfica. Daí é um estilo mais pop, mais comercial. O mesmo aconteceu com o punk (pop punk, hc melódico) e o próprio samba com o pagode (tudo bem, neste caso a indústria fonográfica sacaneou bonito auehaeh). Mais o fato de ser pop e/ou comercial, não quer dizer necessariamente que é ruim.

    Ficou foda seu post. =D
    O assunto ska rende demais, realmente só fazendo em partes. Soubese que era tão afim de falar do assunto, agente teria feito em parceria, em partes.

    Ah sim, percebeu que usamos as mesmas bandas para falar das 3 fases do ska? Não tem como, Toots, Specials e RBF cada uma simboliza fortemente as suas eras. =DD

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  2. Ah sim, esqueci. Valeu por citar meu artigo no MA. =)

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  3. Aprofundando um pouco mais o sucinto comentário acima, achei legal essa de mostrar as três ondas através da mesma música. Bem didático.
    No terceiro eu já estava chacoalhando os braços pra cima, pra baixo, prum lado e pro outro. Valeu!

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