12/08/2010

Os Sons do Silêncio



Olá escuridão, minha velha amiga
Vim para conversar com você novamente,
Porque uma visão rastejante suavemente
Deixou sua semente enquanto eu dormia.
E a visão que foi plantada em minha cabeça
Ainda permanece
Dentro do som do silêncio.

Em sonhos agitados eu caminhava sozinho
Por ruas estreitas de pedras arredondadas
Debaixo do halo de um poste
Desdobrei minha gola pra me proteger do frio e da umidade,
Quando meus olhos foram feridos pelo brilho de uma luz de neon
Que arrombou a noite
E tocou o som do silêncio.

E naquela luz fria eu vi
Dez mil pessoas, talvez mais.
Pessoas falando sem dizer nada,
Pessoas ouvindo sem escutar nada,
Pessoas escrevendo músicas que vozes nunca compartilharam
E ninguém ousou
Perturbar o som do silêncio.

"Tolos" eu disse, "Vocês não sabem
Que o silêncio cresce como um câncer.
Ouçam minhas palavras e talvez eu os ensine,
Peguem meus braços e talvez eu os alcance."
Mas minhas palavras caíram como gotas de chuva, silenciosas
E ecoaram
Nos poços do silêncio.

E as pessoas se curvaram e rezaram
Ao deus de neon que eles fizeram.
E o sinal piscou o seu aviso
Nas palavras que formava.
E o sinal dizia, "As palavras dos profetas
Estão escritas nas paredes das passagens subterrâneas
E salas vazias
E sussurradas nos sons do silêncio."

The Sounds Of Silence
Simon & Garfunkel
@ Wednesday Morning, 3 A.M. (1964)



Eu pensei em fazer um post bem mais pessoal, já que fiquei uns dias sem postar e com certeza há muito a ser dito; mas como aparece gente de todo canto pra fuçar esta humilde coleção de nonsense a que chamo de blog, não sei se já me sinto tão à vontade pra falar da minha vida aqui. De qualquer forma, essa música resume exatamente tudo o que eu penso e sinto nesses últimos dias. Não se preocupe se as palavras não te dizem nada. Elas dirão, um dia. E talvez elas não digam a você a mesma coisa que dizem a mim, mas, na sua beleza lírica e melódica, com certeza lhe dirá algo que vai te tocar lá naquele cantinho que estava adormecido, te fará pensar em algumas coisas que foram deixadas de lado, e, esperançosamente, te farão ser um pouquinho melhor.

Não é querer enaltecer a composição de Paul Simon; apesar de ser obviamente uma linda canção, tanto em letra quanto em melodia, é uma música. E a música pode ser ouvida e pode ser escutada. Em dias em que estou, bom, como estou agora, prefiro escutá-las.

Ultimamente ando ouvindo muito Simon & Garfunkel. Há uns anos atrás eu ouviria e acharia chato. Mas eu ando sensível de um tempo pra cá, e isso não é exatamente bom, mas me faz parecer mais humana. Agradeço aos meus pais por terem me animado a dar uma chance a eles e conhecê-los. Passei a tarde de quarta assistindo ao The Concert in Central Park e foi simplesmente belo (já havia comprado um álbum mês passado). Fato curioso, quando comprei o álbum e fui ouvir, logo que começou essa música (The Sounds of Silence), me veio a lembrança imediata da infância. Quando eu tinha entre 10 e 11 anos, cantei no coral da igreja que frequentávamos, e o Pai Nosso que cantávamos era esta mesmíssima canção, apenas com a letra adaptada para a oração. E foi uma lembrança tão forte e tão bonita que comecei a chorar, e ainda me emociono quando a ouço. Então, pessoalmente, esta canção tem muitos significados... E vejam só, tão antiga, tão antes de mim.

Encorajo aqueles que amam a Música de forma especial a não apenas ouvir suas músicas favoritas... Quando sentirem aquela sensação de que nada está a seu favor e ninguém está do seu lado, escute as suas músicas favoritas. Ela te chama a atenção por algum motivo — entenda-o. Vale a pena.

Um comentário:

  1. Simon & Garfunkel são ótimos. Tive uma fase em que os ouvia direto. Essa música, em particular, é uma de minhas preferidas também. Ouça-a dentro do contexto do filme "A primeira noite de um homem", com o Dustin Hoffman (procure na seção de clássicos da locadora - hehehe).

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