Pular para o conteúdo principal

James Dean e a maldição do "Little Bastard"

Nada melhor pra comemorar este Halloween como uma história real perturbadora que virou lenda urbana.

James Dean, como todos sabem ou já ouviram falar, foi um ator e considerado um ícone cultural por causa do papel rebelde que interpretou no filme de 1955, Juventude Transviada (Rebel Without A Cause, lançado quase um mês depois de sua morte). Além da fama por este e outros papéis, e por também ser considerado um símbolo sexual, na época, a fama de James Dean também engloba a sua morte misteriosa, num acidente com o seu Porsche, o "Little Bastard".


O "Little Bastard", assim batizado por Dean, era um Porsche 550 Spyder, um modelo raríssimo. Era um dos únicos 90 fabricados no mundo. Dean o comprou enquanto filmava Rebel Without A Cause, pretendendo participar de uma corrida que aconteceria em Salinas. Na verdade, o Porsche era uma solução temporária, já que o carro que ele usaria para correr seria um Lotus Mk X, mas não seria entregue a tempo.

Assim sendo, James Dean contratou ninguém menos que George Barris para customizar o seu carro. Barris é conhecido por ter desenvolvido o design do Batmobile da série Batman que passou nos anos 60. A customização do Porsche consistiu na pintura do número 130 na frente, trás e lados, além das linhas vermelhas laterais e, claro, o nome do carro na traseira.

Entretanto, apesar de Dean estar muito satisfeito e animado com sua nova aquisição e a oportunidade de participar de uma corrida, seus amigos, inclusive George Barris, tentaram dissuadi-lo da decisão. Todos diziam que tinham uma "má impressão" sobre o carro e até sentiam algo "ruim" nele. Alec Guinness, também ator e amigo de Dean, disse que o carro era "sinistro" e que se Dean entrasse nele, em uma semana estaria morto.

A corrida estava marcada para o dia 1º de outubro de 1955. Iriam com ele como sua equipe o mecânico Rolf Wütherich, o dublê de motorista Bill Hickman, e o fotógrafo da revista Life, Stanford Rolf, que planejava fazer um especial fotográfico sobre a participação de James Dean em corridas.

Chegando lá um dia antes da corrida, a ideia original era estacionar o carro no comboio até o dia seguinte, mas de última hora Dean resolveu dar uma volta com o carro no trajeto para se familiarizar com ele. Seu mecânico foi com ele, enquanto os outros dois ficaram no comboio. Antes de irem, Hickman o advertiu para tomar cuidado com a velocidade, já que todos ali já haviam sido multados por excesso antes. Hickman também estava preocupado porque o Porsche era difícil de ver em alta velocidade, por ser baixo e prateado.

De qualquer forma, ao pôr-do-sol, um Ford Tudor cortou a frente do caminho de Dean, resultando numa batida violenta. Como era esperado, o motorista do Ford, um rapaz universitário, não havia visto o Porsche se aproximando. Dizem que o carro de Dean estava em altíssima velocidade, o que foi desmentido pela perícia. Nem Dean e nem Wütherich estavam usando o cinto de segurança, de forma que o mecânico foi arremessado para fora do carro, sofrendo poucas fraturas, enquanto Dean ficou preso nas ferragens. Wütherich disse que as últimas palavras de Dean foram: "Essa cara tem que parar... Ele vai ver a gente". James Dean foi socorrido, mas morreu no hospital.

George Barris, o cara que customizou o Porsche, comprou os restos do carro com a intenção de aproveitar algumas peças. E foi aí que a parte bizarra da lenda começou.

• Assim que o carro chegou à garagem de Barris, ele deslizou do trailer e caiu em cima de um mecânico, quebrando sua perna;

• Pouco depois disso, Barris vendeu o motor e a marcha a dois físicos que participavam de corridas como hobby. Um deles perdeu o controle do carro, batendo em uma árvore e morrendo. O outro capotou o carro enquanto fazia uma curva, causando sérios ferimentos. Ele disse que o carro simplesmente "o trancou lá dentro";

• Dois dos pneus que Barris vendeu estouraram ao mesmo tempo, tirando o carro onde eles estavam da estrada;

• Um rapaz que tentava roubar o volante do carro teve seu braço dilacerado por um pedaço de metal dentado;

• Um outro homem se machucou seriamente tentando roubar um dos bancos manchados de sangue do carro;

Percebendo o perigo, Barris então decidiu que o carro ficaria melhor guardado, mas o persuadiram a entregar o carro à uma exposição.

• O que restou do carro ficou então guardado em uma garagem na cidade de Fresno. Até que, em março de 1959, a garagem pegou fogo e tudo o que tinha lá dentro foi incinerado. Tudo, menos os restos do carro de James Dean;

• Em uma exposição em Sacramento, no aniversário de morte de James Dean, os ferrolhos que prendiam o carro se soltaram, fazendo com que o carro saísse de sua plataforma e atropelasse um garoto de 15 anos, quebrando seu quadril;

• Na estrada, em um caminhão em direção a Salinas, o motorista perdeu o controle do veículo e teve que saltar para fora da cabina. Embora o salto não o tenha matado, o Porsche caiu de trás do caminhão, bem em cima do motorista, o matando.


E então, em 1960, decidiram que não era mais seguro levar o carro à exposições. Barris decidiu trancar o carro em uma caixa e enviá-lo por trem à Los Angeles. Quando o trem chegou, as trancas da caixa estavam intactas, mas o carro havia simplesmente desaparecido... E nunca mais foi visto, até hoje.



As opiniões públicas se dividem. Muitos acreditam que o carro era amaldiçoado. Mas outros acreditam que o próprio James Dean o era. Alguns dizem que o ator era um interessando pelas forças ocultas. A atriz Maila Nurmi, que estrelava filmes de terror, diz que ficou chateada por ele querer terminar a amizade entre eles e jogou sobre ele uma maldição. Se essa maldição realmente deu certo, então ela se estendeu além de James Dean. Os atores que estrelaram Rebel Without A Cause com ele, Natalie Wood, Sal Mineo e Nick Adams, a quem ele chamava "meus amigos mais verdadeiros", todos morreram de formas trágicas. Até mesmo seu mecânico, Rolf Wütherich, morreu em um acidente de carro, anos depois.

Coincidência? Maldição? Seja o que for... O Little Bastard continua desaparecido. Quem sabe se ele reaparecerá, um dia...

.

FONTES: 1 | 2 | 3

Postagens mais visitadas deste blog

O Dia dos Namorados e a visão de romance por uma assexual arromântica

Vejo que isso vem mudando lentamente, mas, como regra geral, todo mundo é naturalmente criado e tratado como heterossexual (e, consequentemente, heterorromântico). Eu, claro, cresci com essa absoluta certeza e não questionei isso até meados dos meus 20 anos. Até então, achei que eu só era mais "devagar" pra certas coisas, mesmo. Mas vamos ter que voltar um pouco e compartilhar informação demais.
Como expliquei na página de educação e visibilidade, o fato das orientações sexual e romântica serem coisas separadas e muitas vezes não serem correspondentes é o que mais confunde quem demora a "sair do armário". Eu mesma ainda me vejo questionando ambas, embora esteja convencida de que estou, ao menos, em algum espectro de ambas (confira a página mencionada). Não posso falar por todos os assexuais arromânticos porque, obviamente, cada pessoa é diferente da outra e as coisas são diferentes pra todo mundo. Então vou falar por mim.
Embora só tenha percebido isso recentement…

Algumas das bandeiras mais interessantes do mundo

As bandeiras dos países do mundo são mais do que uma demonstração de cores e padrões: cada detalhe - a escolha e predominância das cores, as faixas, os símbolos, as formas - carrega um significado histórico e/ou cultural que ensina muito sobre o país representado. Selecionei para essa postagem algumas das histórias mais interessantes.
(Não vou falar da nossa Auriverde porque todos nós já estamos carequinhas, certo?)



Reino Unido Union Flag ou Union Jack (azul, vermelho e branco)
Essa bandeira não é a da Inglaterra, como muitos pensam, mas representa os quatro países que formam o Reino Unido: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Esse desenho é usado desde 1801, quando a Grã-Bretanha se uniu à Irlanda do Norte, e é uma mistura das bandeiras desses países: a cruz vermelha de São Jorge (patrono da Inglaterra) sobre a cruz branca de São Patrício (padroeiro da Irlanda), por sua vez sobre a cruz de Santo André (padroeiro da Escócia). O País de Gales não está representado na …

As curiosas origens de 4 famosos jogos de tabuleiro

Adaptado do artigo original do Mental Floss.



Jogos de tabuleiro são uma forma de entretenimento criada pelos egípcios há 5 mil anos e nunca saíram de moda, mesmo que atualmente tenham sido adaptados em vídeo games ou jogos para o celular. Aqui vão as origens de alguns dos sucessos mundiais favoritos:

Monopoly / Banco Imobiliário

Embora seja considerado um jogo que glorifica o capitalismo (tendo sido banido de países como a China e a antiga União Soviética), este clássico foi inventado para representar justamente a ideia oposta. A americana Elizabeth Magie era ativista contra o pagamento de impostos imobiliários, no fim do século 19. Segundo ela e outros simpatizantes, deveria haver apenas um imposto de propriedade, diminuindo assim a diferença de riqueza entre os senhorios e os inquilinos. Para demonstrar de uma maneira fácil como as coisas aconteciam na época, Lizzie patenteou, em 1904, um jogo chamado The Landlord's Game ("O jogo do senhorio"), cujo objetivo era acumula…