31/12/2011

O ano que foi

Esse post já estava todo escrito há um tempo, mas decidi vir aqui e reescrevê-lo, de última hora. Tava longo, chato e reclamão. Ele vai continuar reclamão, mas um pouco mais resumido, ha.


2011 foi um ano de certas mudanças, como é inevitável, mas exatamente a mesma coisa de todo ano, em essência. O diferente é que meu avô veio morar com a gente; o igual é que eu fui pra SP (tradição de ano ímpar), mesmo sem show, por conta de uma promessa que eu havia feito. Os 'acontecimentos marcantes', por assim dizer, não foram exatamente os melhores, mas aconteceu coisa boa também, como a mudança de emprego que eu já comentei anteriormente por aqui.

Diferentemente dos anos anteriores, não vou traçar metas para o ano que vem. As minhas metas não costumam ser alcançadas, e olha que eu nunca fui de traçar planos impossíveis ou improváveis. Mesmo tendo todas as ferramentas na mão, alguma coisa acontece e arranca tudo de mim. Então, pro ano que vem, vou 'deixar a vida me levar'. É como um desafio pra vida, saber se ela pode me dar surpresas boas, também. Pretendo continuar trabalhando, isso é óbvio, e ver no que isso vai dar.



Quero aproveitar o meu espaço e dizer mais uma coisa. Eu sei que é triste como a gente volta e meia se vê obrigado a aguentar gente ruim pra manter uma 'amizade' que julgamos indispensável. Mas vou dizer pra vocês: nós não somos obrigados. E, se eu puder dar um conselho aos meus leitores: afastem-se dessas amizades que fazem mais mal do que bem. Eu nunca tive muita facilidade pra fazer amigos, e por isso eu sempre me vi envolvida com gente maldosa só pra não me sentir sozinha. Garanto pra vocês que se sentir sozinha é muito melhor do que se sentir usada. Por isso, quero agradecer às pessoas que saíram da minha vida, este ano. Elas nunca vão saber o alívio que me deram por perceber isso e saber que eu posso viver sem elas, afinal de contas.

Um beijo com carinho a todos os amigos distantes que me acompanharam por mais um ano! E um 2012 melhor pra todos nós.

-Manu

28/12/2011

Relatório de Leitura de 2011

Copiei descaradamente a ideia do Alexandre, assim como eu também copiei descaradamente a ideia dele sobre as músicas que mais ouvi no ano. Ele tem ideias boas, fazer o quê.

Fui lá no SKOOB (que é "books" ao contrário, me senti gênia quando percebi) conferir o que li este ano e me surpreendi com a lista de 41 livros. Quarenta e um livros, o que é vida?

Aí tava aqui pensando, faço top 10? Listo todos? Faço nada e deixo a preguiça me levar? Então resolvi fazer de qualquer jeito e fica assim.


Bom, 24 deles foram da Agatha Christie. Os livros da Agatha não são muito extensos e são bem gostosos de ler, então li cerca de um por semana. Preciso explicar meu método de leitura. Nós temos uma verdadeira biblioteca, aqui em casa:


Tem livro por tudo, como dá pra perceber. Chamo de 'biblioteca' só pela quantidade de livros (que eu não faço ideia de qual seja), mas já trabalhei em biblioteca e sei que a visão dessa bagunça seria o equivalente ao inferno pra qualquer bibliotecário.

Enfim, voltando ao meu método. Meu objetivo de vida é ler cada um desses livros (o que é meio impossível porque outros vão chegando constantemente), então pra não perder tempo pensando por onde começo, resolvi começar a lê-los pela ordem em que estão enfileirados. Os da Agatha Christie são os primeiros (lááá em cima, naquela primeira foto), e só interrompi a ordem para ler algumas prioridades que foram chegando aqui em casa.

Agatha foi gênia, não tem como negar. Às vezes a gente acha a história óbvia ou clichê demais e daí a mulher vai e te dá um fim inesperado daqueles e frustra todas as suas teorias. De todos os que li (ou reli) esse ano, quero dar destaque ao "A Casa Torta", de um final realmente surpreendente e triste.


 

Sinopse - A Casa Torta - Agatha Christie

O octogenário Aristide Leonides, dono de grande fortuna, é envenenado em sua mansão, onde vivia com toda a família — sua esposa, cinqüenta anos mais jovem, dois filhos, duas noras, três netos e uma cunhada. Qualquer um poderia tê-lo matado. O único motivo evidente é a fortuna deixada como herança. Mas parece pouco provável que alguém se dispusesse a sujar as mãos por causa do testamento de um velho em idade já tão avançada. Charles Hayward não tem como não se envolver na história: Sir Arthur Hayward, seu pai, é o comissário-assistente da Scotland Yard responsável pelo caso; e Sophia, com quem pretende se casar, é uma das netas da vítima. Portanto, Charles tem seus motivos para tentar solucionar o mistério.



Depois, vieram os novos amores da minha vida, As Crônicas de Gelo e Fogo: "A Guerra dos Tronos", "A Fúria dos Reis" e "A Tormenta de Espadas". Não vou dar uma de legalzona e mentir, eu realmente soube sobre os livros por causa da série Game of Thrones. Os livros foram escritos bem antes mas eu nunca tinha ouvido falar sobre eles, e até acredito que eles nem haviam sido lançados no Brasil antes da série. Não há diferença gritante entre o primeiro livro e a primeira temporada da série, além das diferenças na aparência física de alguns personagens e, mais notavelmente, suas idades. Os três livros são gigantes (o terceiro, principalmente, com quase 900 páginas), mas os devorei em tempo recorde. Muito, muito difícil de largar, George R.R. Martin prende a gente na leitura de um jeito que te deixaria perder o emprego por atraso, fácil.



E já que estamos falando em séries, outros dois livros que li foram inspirados pela série Supernatural (Sobrenatural), que até já usei como fonte de alguns posts aqui no blog: "O Diário de John Winchester" e "Supernatural: O livro dos monstros, espíritos, demônios e ghouls", ambos de Alex Irvine. Já adianto pra vocês que os dois são muito parecidos, então os interessados não precisam necessariamente ler os dois. O primeiro é narrado em primeira pessoa (no caso, por John Winchester - é o famoso diário do pai de Dean e Sam, que tanto os ajudou no começo das caçadas). O segundo já é um guia sobre todas as criaturas que eles já enfrentaram: suas origens nas lendas urbanas e mitologias de várias raças, com ilustrações e histórias reais. São muito interessantes!

Ano passado eu devorei a coleção Percy Jackson e os Olimpianos que, apesar de já ter acabado, ainda rende inspiração pro autor, Rick Riordan. Ele começou outras duas sagas, chamadas "As Crônicas dos Kane" (inspiradas na Mitologia Egípcia) e "Heróis do Olimpo" (que é paralela à história de Percy Jackson, já que se passa nos mesmos lugares e segue a mesma temática, apenas com personagens diferentes. Também já começa a apresentar a Mitologia Romana). Eu amo tudo relacionado à Mitologia, especialmente Grega (como vocês com certeza sabem), então considero a leitura destes livros essencial pra quem também gosta mas acha difícil de entender. Riordan escreve de um jeito bastante engraçado e apresenta os deuses e criaturas de maneira bem relacionável com o que a gente conhece. São livros cheios de ação e de leitura muito fácil. Li o primeiro dos Kane ("A Pirâmide Vermelha", ainda estou lendo o segundo, "O Trono de Fogo") e o único (até agora no Brasil) dos Heróis do Olimpo, "O Herói Perdido".





Coisa que aconteceu muito comigo, este semestre, foi passar tempo à toa na escola, entre uma aula e outra. Felizmente, descobri uma mini-biblioteca lá com vários livros (todos em inglês), que foram meus companheiros nas horas de ócio. São todos bem fininhos, por serem adaptados dos originais clássicos para facilitar a leitura de quem está aprendendo inglês. De todos, gostaria de destacar "The Call of the Wild" ("O Chamado da Floresta", em português), de Jack London. Foi provavelmente a coisa mais triste que li, este ano. É uma história sobre um cachorro doméstico que foi roubado e contrabandeado para trabalhar como puxador de trenó, na época da corrida do ouro, nos Estados Unidos. O livro é narrado sob o ponto de vista do cão, Buck, e nos mostra a sua luta em lidar com a nova realidade e o instinto selvagem até então adormecido. Acreditem, não tem nada a ver com aqueles filmes da Sessão da Tarde.

Vou fechar com um dos últimos que li, e pelo qual fiquei apaixonada: "Os Três Mosqueteiros", clássico de Alexandre Dumas, Pai. Apesar de conhecer a história toda de tanto que assisti aos filmes mais antigos (o novo foi ótimo, apesar de ter pouco a ver com a história original), é com vergonha que admito que só fui ler o livro mesmo agora. É antigo (de 1844), tem uma linguagem às vezes um pouco complicada, mas... que livro! Ação, romance, mistério, uma vilã com todos os requisitos básicos e específicos para o cargo, e longe dos clichês do gênero. Leitura indispensável!





Segue a lista completa:

  1. A Pirâmide Vermelha, Rick Riordan
  2. A Mansão Hollow, Agatha Christie
  3. Poirot Perde Uma Cliente, Agatha Christie
  4. Os Relógios, Agatha Christie
  5. Um Crime Adormecido, Agatha Christie
  6. Os Filhos de Húrin, J.R.R. Tolkien
  7. A Mão Misteriosa, Agatha Christie
  8. Uma Dose Mortal, Agatha Christie
  9. Um Corpo na Biblioteca, Agatha Christie
  10. Solipsist, Henry Rollins
  11. O Segredo de Chimneys, Agatha Christie
  12. Help!: A lenda de um beatlemaníaco, Sérgio Pereira Couto
  13. A Casa Torta, Agatha Christie
  14. O Diário de John Winchester, Alex Irvine
  15. Beatlemania, Ricardo Pugialli
  16. Cem Gramas de Centeio, Agatha Christie
  17. A Aventura do Pudim de Natal, Agatha Christie
  18. Encontro com a Morte, Agatha Christie
  19. A Mina de Ouro, Agatha Christie
  20. Morte nas Nuvens, Agatha Christie
  21. As Mais Belas Lendas da Mitologia, Émile Genest et al.
  22. O Pequeno Livro dos Beatles, Hervé Bourhis
  23. Treze À Mesa, Agatha Christie
  24. A Guerra dos Tronos, George R.R. Martin
  25. O Herói Perdido, Rick Riordan
  26. O Natal de Poirot, Agatha Christie
  27. A Fúria dos Reis, George R.R. Martin
  28. Um Destino Ignorado, Agatha Christie
  29. Supernatural: O livro dos monstros, espíritos, demônios e ghouls, Alex Irvine
  30. Assassinato do Campo de Golfe, Agatha Christie
  31. Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie
  32. O Mistério do Trem Azul, Agatha Christie
  33. Portal do Destino, Agatha Christie
  34. Morte na Mesopotâmia, Agatha Christie
  35. A Tormenta de Espadas, George R.R. Martin
  36. O Caso do Hotel Bertram, Agatha Christie
  37. The Big Sleep, Raymond Chandler
  38. Tragédia em Três Atos, Agatha Christie
  39. The Call of the Wild, Jack London
  40. The Adventures of Huckleberry Finn, Mark Twain
  41. Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas, Pai
Ufa.

25/12/2011

Os Álbuns de 2011 * HCtZ Top 10 (+1)

(Esse título tá parecendo uma equação matemática bizarra)

(Chique me referir à minha escolha pessoal com o nome do blog, quem vê pensa que isso aqui é trabalho de uma equipe...)

2011 na música. Morreu um monte de gente, um monte (um monte!) de banda acabou, teve Rock in Rio e um monte de festivais legais no país, um monte das minhas bandas favoritas veio fazer show no Brasil e não fui ver nenhuma, e esse foi o meu resumo crítico do ano.

Pra variar, não ouvi quase nada do que foi lançado este ano. E, assim como sempre acontece, acabei ignorando os lançamentos de alguns artistas que já curti mais no passado, aos quais não dou muita importância agora.

Os meus 10 favoritos de 2011 são estes. "Cadê o *álbum tal da banda tal*?!?!". Pois é, não ouvi.


Noel Gallagher's High Flying Birds
Noel Gallagher's High Flying Birds
Rock/Britpop

Não é porque é do Noel. Juro. Tava todo mundo esperando por esse bendito álbum desde sabe Zeus quando, o homem tava ameaçando há anos - mas posso dizer com certeza que estávamos esperando desde o fim do Oasis, em 2009. Aí o álbum saiu e muita gente ficou doida por ele (tipo eu), enquanto outras disseram que se decepcionaram. Alguns órfãos de Oasis não coseguiram superar sua morte, mas esse álbum segue a linha das músicas que o Noel cantou no último álbum da banda (Waiting For The Rapture e Falling Down, principalmente). Eu, particularmente, amei todas as coisas diferentes que apareceram por aqui (os metais, pirações e vídeos conceituais). É um álbum muito criativo e o Noel conseguiu mostrar o monte de coisas que ele sabe fazer.




Hard Times and Nursery Rhymes
Social Distortion
Punk Rock/Rockabilly

Sete anos depois do meu favorito e até então o último de inéditas, Sex, Love & Rock'n'Roll, a banda de Mike Ness chega com essa coisa linda. Pela capa e pelo videoclipe/curta-metragem que fizeram para a música Machine Gun Blues, dá pra ter uma ideia do ambiente em que se passa a temática do álbum: década de 1930, possivelmente a época que envolve todas as coisas favoritas de Ness. E as baladas estão tristes, como devem ser.



Suck It and See
Arctic Monkeys
Indie Rock/Garage Rock

Nossos garotos cresceram. Se antigamente Alex Turner se apresentava com aquele cabelo estilo John Lennon 1965 e espinhas no rosto, hoje a banda adotou um visual mais rocker e menos indie. Uma vez eu comentei aqui que os álbuns dos Monkeys eram sempre diferentes dos anteriores, e aconteceu de novo. A princípio não me animei muito com os vídeos psicodélicos demais, mas a primeira impressão passou ao ouvir o álbum todo... e ao ver o vídeo da faixa-título, que não é psicodélico. :P




England Keep My Bones
Frank Turner
Folk Rock

Esse álbum foi difícil pra mim. Frank é sempre ótimo, pra quem gosta do estilo, e eu estava realmente gostando deste álbum, até chegar em uma determinada música que mexeu com certas opiniões pessoais que não gosto de discutir. Decidi nesse dia que estava eternamente decepcionada com Frank Turner, até prestar mais atenção na lindíssima If Ever I Stray e entrar em parafuso. Mas resolvi meu problema com ele: é só pular a faixa ofensora e fim.

'cause love is free and life is cheap
as long as I've got me a place to sleep
some clothes on my back and some food to eat
I won't ask for anything more.


Elsie
The Horrible Crowes
Blues/Soul/Rock Acústico

Esse é um projeto paralelo do vocalista e guitarrista do The Gaslight Anthem, Brian Fallon; um dueto com o amigo de longa data, o inglês Ian Perkins. Há quem diga que o material não é muito diferente do último álbum do Gaslight, mas li o próprio Brian dizer que a banda está gravando o próximo álbum e que ele vai soar mais como o material mais antigo. Então me levo a crer que o Horrible Crowes é onde ele vai aproveitar sua inspiração mais voltada ao soul e ao blues (direção que o Gaslight estava quereeeendo tomar). Esse álbum é lindo, e esse Brian Fallon é um dos caras que tem um pedaço do meu coração (o maldito).




Resolutions
Dave Hause
Folk Rock

Adoro a voz do Dave. Se não me engano, esse foi o primeiro álbum solo do vocalista do The Loved Ones, e eu acho muito legal conhecer as outras direções que essa galera resolveu tomar com suas carreiras solo. As letras do Dave são lindas (queria poder usar outra palavra, mas essa é a que melhor define), todas elas dão uma animada nos corações machucados. Acho que esse ano eu tô achando tudo lindo. Mas parece que tá tudo lindo, mesmo.

c'mon kid, c'mon
it's one foot and then the other
everybody needs a hand, sometimes
everybody needs a brother.

Covering Ground
Chuck Ragan
Folk Rock

Estou vendo um padrão nesse meu Top 10. Chuck Ragan foi um cara que eu gostei assim que ouvi pela primeira vez, aquela coisa que não dá pra explicar. Assim como o Frank Turner e o Dave Hause (e tantos outros), o Chuck é vocalista de uma banda de punk rock que resolveu fazer um projeto solo mais voltado ao Folk e ao Country - música típica americana. Eu sinceramente ando adorando todos esses projetos desses caras, os álbuns têm saído (ADIVINHEM A PALAVRA!) - lindos.





Lioness: Hidden Treasures
Amy Winehouse
Soul/Jazz

Fazia um mês que eu decidi que adorava a Amy quando a mulher decidiu deixar a gente. Eu havia comentado com alguém que ela tinha tudo pra ser minha musa, visto que cantava justamente o que eu curtia ouvir, então eu pensei: "e por que não pode ser?". A gente tem aquela mania de se deixar levar por comentários de mau gosto sobre as pessoas e automaticamente bloquear qualquer interesse que poderíamos ter por elas. Amy era uma pessoa linda apesar de todos os seus problemas (problemas, aliás, que eram DELA) e sem dúvida ainda tinha muito para mostrar.





Vacation
Bomb The Music Industry!
Skacore

Adoro o caos dessa banda, ainda mais porque vem acompanhado de umas letras ótimas que sempre me fazem rir (mesmo que a intenção não seja essa) e às quais me relaciono quase completamente. Acho que chamamos isso de "rir da própria desgraça". É bom.




All the people I love the best
Are growing increasingly impatient with the person I am
And the people I hardly know would never understand.


Get Nice!
Zebrahead
Pop Punk/Rapcore

O Zebrahead é definitivamente a única banda que eu ouço nesse estilo, e ainda assim eu gosto tanto deles que chega a doer ("chega dói", como dizem por aqui). Neste álbum eles se mantêm divertidos como sempre, mas as músicas vêm ganhando um certo peso, ultimamente; até solo de guitarra tem nesse aí.






Knife Man
Andrew Jackson Jihad
Folk Punk

Eu não podia deixar esse álbum de fora. Mas também não pude eliminar nada da lista pra poder incluí-lo, então esse é o "+1" do título da postagem. Conheci essa banda com esse álbum e achei muito divertido ('divertido' como o BTMI!, ou seja, aquela coisa de rir da própria desgraça). As letras são tão fáceis de relacionar com algum momento da nossa vida que a gente tem que rir por perceber como tem gente como a gente nesse mundo.



you can hope it gets better and you can follow your dreams
but hope is for presidents and dreams are for people who are sleeping.

Outros álbuns que curti:

The Aquabats - High-Five Soup! (ska-eletrônico (!))
Random Hand - Seething Is Believing (skacore)
Casey Jones - I Hope We're Not The Last (straight edge hardcore)
Beady Eye - Different Gear, Still Speeding (britpop)
Roger Miret & The Disasters - Gotta Get Up Now (hardcore)
Agnostic Front - My Life My Way (hardcore)
Dropkick Murphys - Going Out In Style (celtic punk)
Big D & The Kids Table - For The Damned, The Dumb and The Delirious (ska)
The Kooks - Junk Of The Heart (indie rock)
Cobra Skulls - Agitations (punk rock)
White Wives - Happeners (garage punk)
Tom Waits - Bad As Me (rock)
The Mighty Mighty Bosstones - The Magic of Youth (ska)

  • EPs e outros:
The Gaslight Anthem - iTunes Sessions (EP de covers)
Bane - Curitiba 7:58PM
Against Me! - Total Clarity (demos de Searching For A Former Clarity)
Against Me! - Black Crosses (demos de White Crosses)
Alex Turner - Submarine (trilha sonora)
Gallows - Death Is Birth
We Are The Union - Graveyard Grins

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Artistas com álbuns a lançar em 2012 (aka os que eu provavelmente vou querer ouvir):

  • The Gaslight Anthem
  • Rancid
  • Bad Religion
  • Garbage
  • Bruce Springsteen
  • The Bouncing Souls
  • Live (sem o Ed?)
  • Linkin Park (mais por curiosidade, certeza que vou ouvir e xingar muito)
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E aí, povo? Quais foram os seus favoritos do ano?

22/12/2011

O Que Mais Ouvi em 2011

(De acordo com a Last.fm)

Meio furado, como sempre. Esse ano o software da Last.fm (scrobbler) parou de funcionar mais de uma vez, então perdi centenas de execuções na contagem. Ele também não envia mais os scrobbles do iPod. Fora os CDs que ouço no estéreo, mas ok, dá pra ter uma ideia do que prevaleceu esse ano.




Sem graaandes alterações... Destaque pra Bob Dylan e Against Me!, que entraram no ranking. Reel Big Fish caiu notavelmente, já que não ouvi mais desde outubro (sim, eu tenho esse problema).

As 10 faixas mais tocadas continuam sendo as favoritas de anos anteriores, embora em posições diferentes. Algumas do Noel Gallagher entrariam aí, se tivesse como contar todas as vezes que ouvi ao CD no meu som. Enfim, fiquem aí com a que eu mais ouvi em 2011. Próximo post será sobre os meus lançamentos favoritos do ano!

Ósculos e amplexos a todos, e Feliz Natal!!

17/12/2011

"The Song of Ice and Fire Personality Test"

A essas alturas acredito que a maioria de vocês já tenha ouvido falar n'As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. Os livros ganharam popularidade este ano (apesar do primeiro deles ter sido publicado em 1996), com a estreia da série Game Of Thrones. Comecei a assistir com a minha mãe e logo decidimos que precisávamos dos livros. Hoje somos ambas viciadas nessa trama de histórias complicadas e tragédia sem fim, e estamos aguardando ansiosamente pelo quarto livro (que está pra chegar em fevereiro, embora em outros países já tenha sido lançado até o quinto livro).

Enfim, vi o link pra esse teste pelo Tumblr e fui lá fazer.

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Your result for The Song of Ice and Fire Personality Test...

Bran Stark

 

You scored 220 Adaptability, 100 Humor, 350 Integrity and 150 Activity!






When I sleep I turn into a wolf. Do wolves dream?






You are Bran Stark





You have big dreams in life, and you get frustrated with those who think you are unable to achieve them. You love to explore and wish for more adventure in your life. You are generally introverted when it comes to interacting with others, though you have you have been known to have a few rather crazy outbursts. You love animals and feel connected to them. You have psychic tendencies and you know far more about life, and the world, than you let on. You are adventurous, perceptive, and resolute.






You also similar to Catelyn Stark and Robb Stark. Your polar opposite is Asha Greyjoy.
 
Take The Song of Ice and Fire Personality Test at HelloQuizzy


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Traduzindo porcamente, sou uma pessoa que tem sonhos e fico frustrada quando dizem que não posso alcançá-los. Isso é o que o resultado diz, embora eu saiba que quem me impede de realizar os meus sonhos sou eu mesma - começando por preferir não ter nenhum.

Também diz que eu sou normalmente introvertida com estranhos, embora tenha uns momentos malucos de vez em quando. Ah, isso é bem verdade. A eterna pagadora-de-micos voluntária (melhor de propósito do que sem querer, não é?).

Além disso, ali também diz que eu amo animais e tenho uma conexão com eles. Tenho tendências psíquicas e sei mais sobre a vida e o mundo do que eu deixo transparecer (sintam medo) (não, não vou ser oráculo de vocês) (não de graça, pelo menos) (brinks).

Pra finalizar, pelo jeito eu me identifico com a família Stark em geral (o que é bom) (embora minha mãe constantemente me chame de Lannister), e estou bem oposta da Asha Greyjoy (o que é ÓTIMO, visto que eu desejo a morte lenta de toda a família Greyjoy).

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Enfim, não imaginei que sairia logo com o Bran, mas o resultado até foi legal. Mesmo sendo um teste de personalidade de Internet, a gente sempre encontra associação, se quiser.






















Ainda que eu preferisse ser a Daenerys Targaryen, MAS

29/11/2011

10 years today



Há 10 anos, o câncer nos tirava essa pessoa linda que foi George Harrison. Não há mais nada que eu possa dizer sobre ele que eu já não tenha dito anteriormente. 

Deixo aqui, novamente, os meus agradecimentos ao querido Tio Jorge. Obrigada pela sua música e seu espírito iluminado, que tanto me acompanham nos mais variados momentos da vida.



Se não fosse por você
Eu não conseguiria achar a porta
Não conseguiria sequer ver o chão
Estaria triste e deprimido
Se não fosse por você.

Se não fosse por você
Eu ficaria a noite inteira acordado
Esperando até que a luz do dia
Entrasse no meu quarto
Mas isso não seria novidade
Se não fosse por você

Se não fosse por você
Meu céu cairia
E a chuva despencaria também
Sem o seu amor eu não estaria em lugar nenhum
Eu estaria perdido, se não fosse por você
E você sabe que é verdade

Se não fosse por você
Meu céu cairia
A chuva despencaria também
Sem o seu amor eu não estaria em lugar nenhum
Oh! O que eu faria
Se não fosse por você?

Se não fosse por você
O inverno não teria primavera
Eu não conseguiria ouvir o pintarroxo cantar
Eu simplesmente não faria ideia
E, de qualquer forma, nem soaria verdadeiro
Se não fosse por você.

If Not For You

Essa música é composição de Bob Dylan, lançada em 1970 no álbum New Morning. Um mês depois, George lançou sua versão no álbum All Things Must Pass. Os dois a tocaram, juntos, no ensaio do Concert For Bangladesh, em 1971, como vocês podem ver abaixo:


02/11/2011

"Se Eu Morrer Novo"

"Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, ouçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva —
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."







Fernando Pessoa

29/10/2011

"A mulher dos túmulos"


Acho que todos já ouviram o nome Banshee. Quem não conhece a lenda, já ouviu a palavra ao menos como nome de um dos personagens dos mutantes X-Men (aquele do grito supersônico), ou mesmo a banda post-punk/new wave Siouxsie & The Banshees. Existe uma certa relação.

As Banshees são da família das fadas do folclore céltico (irlandês, escocês), embora algumas versões as categorizem como fantasmas e outras como demônios. Diz a lenda que esta criatura anuncia a morte de certas pessoas.


Segundo a história, a Banshee pode aparecer de várias formas, assim como também variam os seus métodos de aviso. Ela pode aparecer como uma entidade feiosa ou como uma mulher extraordinariamente bela, ou mesmo sob formas de variados animais associados à bruxaria (corvo, lebre ou doninha). Algumas versões dizem que a pessoa que vai morrer a vê chorando enquanto lava as roupas ensanguentadas da futura vítima em um rio, e outras dizem que ela fica debaixo da janela da futura vítima e solta um grito extremamente agonizante (descrito pela lenda como "um guincho agudo entre o lamento de uma mulher e o pio de uma coruja"). Dizem que o grito da Banshee é tão agudo que quebra todos os vidros das proximidades. Estas versões, aliás, defendem que a Banshee é raramente vista, mas sempre ouvida. A lenda também conta que o presságio da Banshee é infalível: não importa o quão boa esteja a saúde da vítima, após ouvir o grito, a morte é certa.


Nos primórdios da lenda, acreditava-se que as Banshees se manifestavam apenas para membros da família real (sendo o próprio Rei James I da Escócia, em 1437, uma vítima) ou de famílias importantes. Alguns dizem que certas famílias "herdam" uma Banshee e todos os seus membros estão destinados a ouvi-la antes da morte - alguns até batizam as suas Banshees com o nome de sua preferência. 

A primeira aparição relata de 1380, e a mais recente foi registrada em 1948. Mas antes de se preocuparem, lembrem-se: estatisticamente falando, as manifestações de Banshees são mais frequentes em famílias cujo sobrenome contenha Mac ou O'.



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Saiba mais sobre as Banshees (em inglês).

19/10/2011

Cruz invertida: você está fazendo isso errado

Só vou explicar uma coisinha que eu vejo bastante por aí e dou risadas internas por causa da ironia, mas achei melhor explicar pra não ficar feio pra cara de quem curte.

Acho que todo mundo já viu pelo menos uma vez uma foto de qualquer banda de Black Metal, tipo esta abaixo:


Pelo menos dois deles estão usando crucifixos invertidos (um até com Jesus e tudo, olha só que maneiro).

As bandas de Black/Death Metal (principalmente estas, embora artistas de vários gêneros façam o mesmo) são conhecidas por disseminarem a mensagem anti-Cristo pró-Tinhoso, e pra isso elas usam, além da música de qualidade duvidosa, as pinturas faciais tenebrosas, as roupas de couro com tantos spikes quanto couberem nelas e uma diversidades de símbolos malvadões, como pentagramas e o símbolo máximo do revolts, a cruz invertida.

Chocante! E o mais legal é que a galera que curte esse tipo de coisa sai tatuando o símbolo (tipo o vocalista do Deicide que o queimou na própria testa), ou usando em acessórios ou no avatar das suas redes sociais. Porque, né, todo mundo tem que saber que essa pessoa odeia o Cristianismo.

E teve uma pessoa que ostentou o mesmo símbolo tão publicamente que deixa qualquer banda de Black Metal Norueguês 666 From Hell Groarrr no chinelo. Só vou ali achar a foto, peraê...

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Achei!


O Papa João Paulo II! :D

Mas, espera. O Papa? Anticristo? :O

Não, meus capetinhas. É aqui que entram os 5 minutinhos de Google que eu sempre recomendo que vocês gastem. A cruz invertida não é um símbolo do Satanismo.

Primeiro de tudo, ela é chamada de Cruz de São Pedro. A história não é longa: Pedro foi um dos 12 apóstolos de Jesus e, como consequência disso, foi martirizado, como todos os outros nos anos seguidos à crucificação de Cristo (perseguir católicos já era moda há 2 mil anos, "moderninhos"). Foi setenciado a morrer pela crucificação, e seu último pedido foi para que fosse crucificado de cabeça para baixo, pois ele não se achava digno de morrer da mesma maneira que seu Mestre. Desde então, o símbolo da cruz invertida foi atribuído ao santo, e alguns cristãos o adotaram como símbolo de humildade.

(São Pedro foi o primeiro Papa, por isso o símbolo no trono do Papa João Paulo II.)

Não se sabe exatamente quando foi que começaram a usar o símbolo, erroneamente, como sinal de sympathy for the devil. A Igreja alega que pode ter sido devido a um problema de tradução da própria Bíblia, quando Jesus, em uma discussão, chama Pedro de "Satanás" (quando na verdade a palavra era Ha-Satan, que significa "adversário" - Marcos 8:33). A partir da má-interpretação, houveram várias teorias da conspiração defendendo que a Igreja Católica era, na verdade, Satanista.

De qualquer forma, o símbolo da cruz invertida por si só não mudou entre os católicos, embora a cruz-invertida-com-Cristo-e-tudo seja considerada desrespeitosa por alguns. Portanto, amigos do corpse-paint, façam melhor do que isso. Mostrem suas habilidades de pesquisa e mandem ver!

13/10/2011

Cover: \"Let's Do It (Let's Fall In Love)\"

Faz tempo que eu não posto sobre música; vamos de cover.

Let's Do It é uma composição popular de Cole Porter, de 1928. Originalmente cantada em musicais, com o tempo foi sendo gravada por diversos artistas, ganhando várias versões e com eventuais alterações na letra.

Dentre alguns dos artistas que gravaram versões da música, estão inclusive os brasileiros Chico Buarque e Elza Soares, no dueto "Façamos - Vamos Amar".

Vou postar a seguir duas versões da música, uma antiga e uma nova e de estilos bem diferentes. Acho legal ver como uma mesma canção pode ser interpretada de tantas maneiras!:




Jazz: Ella Fitzgerald gravou a música em 1956, para o álbum Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook.




Rock: Em 1995, Joan Jett gravou uma versão da música com Greg Graffin (Bad Religion) para a trilha sonora do filme Tank Girl, mas por problemas com a gravadora a participação de Graffin teve que ser substituída por uma de Paul Westerberg (The Replacements). De qualquer forma, a original acabou sendo lançada mais tarde, que é esta que eu postei.

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Sonhei hoje que estava tentando decorar a letra pela segunda versão. Por algum motivo, no sonho eu sabia a letra de cor. Acordada, não consegui decorar nem o refrão ;(

09/10/2011

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Esses críticos com as ilusões que criaram sobre os artistas — é como idolatria, como aqueles garotos de Liverpool que só gostavam de nós quando estávamos em Liverpool — muitos deles nos abandonaram porque ficamos grandes em Manchester, certo? Eles achavam que tínhamos nos vendido. Então, os ingleses ficaram chateados porque ficamos grandes em... que diabos é isso? Só gostam das pessoas quando estão a caminho do topo, e, quando chegam lá, não têm nada a fazer além de derrubá-las. Não posso estar a caminho do topo novamente. O que querem são heróis mortos, como Sid Vicious e James Dean. Não estou interessado em ser um maldito herói morto... então deixa pra lá."

John Lennon

(em entrevista dada à revista Rolling Stone, em 5 de dezembro de 1980 - três dias antes de sua morte)



Feliz aniversário, John!

20/09/2011

Tântalo, o Melhor Anfitrião Ever

O Tártaro tá cheio de pessoas legais. Já vimos sobre Sísifo, o que está empurrando sua pedra morro acima até hoje; e agora conheceremos Tântalo, essa simpatia de pessoa.

Como é comum na Mitologia Grega, bem como em todas as outras, existem algumas versões variadas sobre esta história. Vou contar a mais comum e, ao meu ver, mais interessante.



Tântalo foi um rei. Rei de onde, depende da versão, mas era um cara muito poderoso e, como todos os caras poderosos, tinha contato com os deuses. Um dia, Tântalo decidiu que os deuses não podiam ser assim tão todo-poderosos, então resolveu fazer uma brincadeira divertida para testar a sabedoria deles. Ofereceu aos Doze Olimpianos um farto banquete, no qual ele serviria a carne do próprio filho, Pélope.

Oh sim, ele matou o filho, o cortou em pedaços e cozinhou sua carne para o almoço.

Os deuses, como era de se esperar, perceberam que tinha alguma coisa muito errada com aquele banquete, e resolveram não tocar na comida... Todos, menos a desavisada Deméter, que ainda estava tristemente distraída com o fato de que sua querida filha, Perséfone, havia sido há pouco sequestrada por Hades, o deus do Mundo Inferior, para ser sua esposa. Mas isso é outra história. O importante é que Deméter acabou comendo um pedaço de Pélope. Então, Zeus, como o grande líder que era, ordenou que Pélope voltasse à vida... e que Tântalo pagasse por seu infanticídio, sacrifício humano e canibalismo, tudo muito tabu na cultura grega.

Fazer Pélope voltar à vida foi fácil. Cloto, uma das três Moiras (as irmãs que controlam o destino de todas as vidas na Terra), juntou todos os seus pedaços e os cozinhou (de novo, HAHA) em um caldeirão sagrado. Só ficou faltando um pedaço do ombro, que foi o que a Deméter comeu, mas ele foi substituído por uma prótese de marfim feita pelo habilidoso deus Hefesto e pronto. (Aliás, diz a lenda que Pélope se tornou um rapaz tão bonito que o próprio deus dos mares, Posêidon, se apaixonou por ele.)

Agora, quanto a Tântalo... Os deuses gregos podem ter todas as suas características humanas tão negativas, como o espírito vingativo, a crueldade, o egoísmo e a inveja, mas como eram criativos! Tântalo foi enviado diretamente para o Tártaro (lá pertinho do Sísifo!) e sua punição foi ficar eternamente privado de qualquer tipo de alimentação. Mas não era só ficar trancado numa cela sem porta nem janela, não... Tântalo estava condenado a passar a eternidade em pé dentro de um lago com uma árvore frutífera (não há consenso sobre qual tipo) de galhos baixos sobre a cabeça. Sempre que tentava alcançar uma fruta, os galhos se afastavam de suas mãos. Se tentasse se abaixar para beber água, esta também se afastava do seu alcance. E, se ele tentasse algum truque sujo, havia uma pedra bem grande logo acima da sua cabeça, pronta pra cair e esmagá-lo assim que ele tentasse.



Outras versões da história acusam Tântalo de ter roubado e espalhado pelo mundo os segredos dos deuses, entre outras coisas igualmente honestas. Para conhecê-las, visite o Greek Myth Index (em inglês).

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Graças à Tântalo, a língua inglesa ganhou o verbo "to tantalize", que significa esperar ansiosamente por coisas que não podem ser realizadas.

05/09/2011

Sobre Punks e Skinheads

Fiquei sabendo ontem pela internet, e hoje cedo pelo jornal, sobre uma briga babaca entre "punks" e "skinheads" antes do show da banda Cock Sparrer, em São Paulo, neste fim de semana, que resultou em uma morte.

Prato cheio pra mídia sensacionalista, povão ouve falar e fica todo cheio de medinho: "Ai meu Deus, esses Punks são tão violentos mimimi Skinheads racistas nojentos socorro". Gente. Perae. Deixa eu explicar uma coisa.

Essa briga babaca entre Punks e Skinheads já data desde os anos 70. Pra vocês entenderem melhor porque isso acontece, vou dar uma aulinha de história bem rápida ("Ah, mas o que eu tenho a ver com isso?". Muito, se é um desses ignorantes que generalizam tudo o que veem na televisão).

Os Skinheads apareceram primeiro, lá pro final da década de 60, na Inglaterra. Originalmente, eles eram caras brancos que curtiam a música negra e gostavam de frequentar os mesmos lugares que seus amigos, imigrantes jamaicanos. Se orgulhavam da sua origem proletária, bebiam cerveja e adoravam futebol, e também gostavam de andar sempre bem vestidos, com o que podiam comprar. Os Punks surgiram na década seguinte, mas nos Estados Unidos. A intenção inicial do Movimento Punk era trazer de volta a atitude rocker dos anos 50, e nada mais do que isso. A década de 60 tinha se perdido em psicodelia e experimentação, então os Punks estavam lutando em trazer a simplicidade e descomplicação da música dos anos 50 de volta. Nesse meio tempo, desenvolveram toda uma identidade visual que se tornou característica, e a única intenção do visual chocante dos Punks era chamar a atenção.

Porém, logo o Punk foi para a Inglaterra, e foi aí que o movimento tomou outra direção. O que foi criado para trazer à tona a música que eles tanto gostavam se deparou com a triste realidade da Inglaterra, na década de 60: A política estava um caos, o povo não tinha dinheiro, muita gente passava fome e se via obrigada a roubar para sobreviver. A juventude não tinha futuro e estava largada na sarjeta. Então as músicas despreocupadas dos Ramones não se encaixavam com o que os jovens queriam ouvir, e foi nisso que os ingleses criaram os seus próprios Punks: surgiram bandas como o The Clash, cuspindo na cara das autoridades e falando tudo o que estava entalado na garganta daquelas pessoas. Não que essa super safra de bandas politizadas tenha ajudado em algo. Apanharam, foram presos, reprimidos, ou simplesmente ignorados, mas se uniram e deram uma nova estima à "geração sem futuro".

A essas alturas, o movimento Skinhead já andava meio fora de moda, mas alguns skins remanescentes gostaram dessa ideia do Punk e se uniram a eles. Mas alguns skins mais tradicionais desprezavam o Punk, e foi aí que a briga começou, sabem por quê?

Porque os Punks usavam as mesmas roupas que os Skinheads!

Percebem agora por que eu digo que essa briga é babaca? O desentendimento tradicional entre esses dois grupos de jovens nada tinha a ver com visão política ou ideológica, e nem mesmo por preferência musical. Eles brigavam porque os punks gostavam de usar alfinetes e rasgar as roupas que os skins tanto tinham orgulho de vestir!

Foi nesse contexto que surgiu, no fim dos anos 70, uma galera que percebeu que tanto Punks quanto Skinheads eram farinha do mesmo saco. Tava todo mundo pobre, sem emprego, passando fome e de saco cheio da política local. Skins e Punks se uniram e daí surgiu o Oi!, uma saudação bem normal entre os jovens da época e local, denominando uma comunidade amigável entre as duas tribos. Entre as bandas do estilo está o próprio Cock Sparrer.

Com isso, o movimento Skinhead ganhou uma nova força e voltou a chamar a atenção. Infelizmente, chamou a atenção para o lado errado também. Todos sabemos que, quando uma grande massa se envolve com política, a tendência é dar confusão, e foi isso o que aconteceu. Era época de eleições, e um certo candidato da National Front (a National Front era um partido de extrema-direita, o que a gente conhece por fascista) usou a imagem do jovem moderno para disseminar a sua visão política. Colocaram na cabeça da população que a Inglaterra deveria "se livrar" de todos os imigrantes para que voltasse a ser um "país limpo". Como era de se esperar, alguns jovens cabeças-de-bagre acharam a ideia bem legal e se subdividiram em um grupo chamado White Power ("Poder Branco"), que, gosto sempre de ressaltar, NÃO É SKINHEAD, visto que negaram a origem multirracial do movimento e foram banidos pelos demais. Embora tivessem grande repercussão, eram minoria absoluta; mas seu surgimento foi o suficiente para unir Punks e Skinheads tradicionais em um festival de música batizado "Rock Against Racism", que buscava convencer os jovens de que aquela visão sobre a sociedade estava errada. O festival contou com muitas bandas e teve repercussão mundial. Geralmente Punks não se envolvem com política, preferindo uma visão anárquica (que nada tem a ver com bagunça!), mas alguns tendem à Esquerda, que é mais liberal e igualitária, o que é compartilhado pela maior parte dos Skinheads.



Mas isso foram os anos 1970. Estamos em 2011. BEM LONGE DA INGLATERRA. E tem gente que ainda briga e chega ao ponto de se matar por motivos que não entendem! Galera que quer ser Punk ou Skinhead hoje em dia tem que fazer a lição de casa. A violência gratuita não é a atitude esperada, seja de que tribo for. Punks e Skins superaram suas diferenças há décadas, e é sabido que ambos os movimentos surgiram em prol da música. Sair espancando negros, orientais ou homossexuais nunca fez parte da cartilha. Se você é contra qualquer uma dessas pessoas, classifique-se como racista ou homofóbico, mas não aja em nome de pessoas que nada têm a ver com a sua visão doente sobre o mundo. Isso também vale pra Imprensa, mas essa não tem mais jeito. Estão há 40 anos generalizando os dois grupos e espalhando um monte de informações falsas sobre eles (graças, também, às pessoas que se autodenominam seguidoras de tais grupos e não entendem patavinas do que estão fazendo). Mas cabe a nós que lemos e ouvimos tantas barbaridades sabermos diferenciar a verdade do sensacionalismo.


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Blame the teachers, blame the school
Blame the parents, come on blame one and all
Blame the coppers, blame the drugs
Blame the system, but don't blame us!

Cock Sparrer | Don't Blame Us

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Embora sempre tenhamos notícia de Skinheads fazendo arruaça por aqui no Brasil, quero lembrar a todos que esses caras NÃO são Skinheads, embora gostem de achar que são. Eles são um grupo chamado Carecas, que são um braço do White Power aqui no Brasil (meio babaca ser White Power num país onde a mistura racial é gritante, mas...). Porém, embora nunca divulgado, temos no país um grande movimento SHARP ("Skinheads Contra o Preconceito Racial", em português), que é forte em toda a cultura ocidental. Lembro mais uma vez que a ramificação racista/fascista do "skinhead" é minoria absoluta no mundo, mas a parte que faz estrago sempre chama mais atenção, não é?

Visitem o blog da SHARP BR

p.s.: Se tiverem dúvidas e quiserem saber se devem ter medo ou não quando encontrarem um Skinhead na rua, eu ensino a diferenciar um Careca de um SHARP. Pra quem mora no interior, como eu, não tem que se preocupar porque provavelmente não vai encontrar um (eu nunca vi nenhum aqui).

29/08/2011

"Aquele que é levado para fora"

Em folclores de todo o mundo existem histórias dos mais variados espíritos vingativos (exatamente o que você pensou, espíritos de pessoas que buscam vingança pelos fatores que envolveram a sua morte). Os mais famosos mundialmente talvez sejam a Mulher de Branco e a Bloody Mary, que viraram assunto pra uma porção de filmes.

Mas hoje me lembrei de um em particular que resolvi apresentar a vocês. É uma lenda do folclore escandinavo que, embora não muito conhecido pelo mundo, bota bastante medo por lá.

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A literatura se refere a ele como Myling, embora seu nome no folclore local seja Utburd, "aquele que é levado para fora".

Na época em que esta lenda surgiu, era bastante comum que se abandonassem nas florestas bebês que fossem ilegítimos ou nascessem com alguma deformidade, ou mesmo quando a família não tinha condições de criá-lo. Segundo a lenda, os espíritos destas crianças vagariam pela terra até que encontrassem alguém que as proporcionasse um enterro decente. Algumas versões da lenda defendem que estes espíritos assombrariam o local de sua morte, e até perseguiriam a família responsável por seu abandono.

A parte assustadora da lenda é que estes espíritos nem sempre apresentam a forma de uma criança. Às vezes ele se manifesta como um grande cão negro, ou mesmo uma coruja branca. Às vezes ele se mantém invisível, embora seu choro possa ser ouvido a uma certa distância... E às vezes ele parece mesmo uma criança - uma criança de punhos cerrados e expressão de dor e ódio. De qualquer forma, qualquer que fosse a imagem escolhida, existem relatos de avistamentos de utburds tão grandes quanto um celeiro (!).

E, embora tudo o que estes espíritos queiram seja um "despacho" digno, o comportamento deles não é nada amigável. Dizem que sua sede de vingança não desaparece ou diminui nem mesmo quando todos da família já morreram. As lendas afirmam que olhar diretamente nos olhos de um utburd paralizaria qualquer mortal, e então eles pulariam nas costas da vítima, exigindo serem levados a um cemitério. Mas não para por aí. Durante o trajeto, o utburd vai crescendo e ficando mais pesado, chegando a um ponto onde carregá-lo nas costas se torna uma tarefa praticamente impossível, visto que a terra sob os pés da vítima começa a abrir e puxá-lo para baixo. Se a vítima não for capaz de chegar até o cemitério e cumprir sua missão involuntária, o utburd a mata violentamente.

Tudo bem, estamos no Brasil e provavelmente não encontraremos utburds pelo caminho (embora não devam faltar espíritos de crianças abandonadas por aí...). Mas existe um jeito de evitá-los. Água e ferro são repelentes naturais de fantasmas, então um mergulho no rio ou um bom e velho canivete de bolso serão suficientes para afastar um utburd, desde que se aja a tempo.

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Aliás, desculpem a falta de imagens, mas não há gravura de utburds pela internet (além de fotos de uma duvidosa banda de Black Metal que leva o mesmo nome...).

21/08/2011

TEMPO KD VC VEMK

Eu to com saudade de postar aqui, sério, acreditem!

O caso é que esse semestre chegou chegando. O que na verdade é bom demais, adoro estar ocupada o tempo inteiro (por mais que eu reclame :P)! Tenho aulas todos os dias da semana, nos três períodos, e meus fins de semana são dedicados à preparação de todo o material das aulas. Parece que vou ficar responsável por todas as aulas de Inglês Instrumental (além das tradicionais), e isso exige um tempo absurdo pra pesquisa, tradução e elaboração de atividades. Mas eu amo tudo isso e é isso que importa.



Ontem à noite foi o show do Streetlight Manifesto (aquele que tava prometendo vir pro Brasil há dois anos, aquele que eu vendi o ingresso do Rock In Rio pra poder ir), e perdi \o/ Se o gracinha do Reel Big Fish não tivesse feito aquele rolo de adiar o show, dava pra ter ido nesse também. Mas ok Aaron, eu sei que você não quis ter uma apendicite de propósito. Mas parece que eles voltarão no ano que vem, quem sabe até lá minha vida tá mais organizada pra isso.



E hoje é aniversário do mestre Joe Strummer! Ele faria 59 anos, se ainda desse a honra da sua muito saudosa presença nesta Terra. As homenagens pela internet estão lindas, adoro ver como as bandas atuais o amam e respeitam como o grande exemplo que foi.



E agora, aproveitar o restinho de domingo, que amanhã é eu em pé às 6h! :B

Ósculos e amplexos,

Manu

p.s.: Alguma sugestão sobre o próximo post, algo que vocês gostariam de ler/saber?

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Esqueci de falar (aqui, pelo menos). Consegui uma vez na vida acertar a mão numa customização e refiz a minha camiseta dos Sex Pistols, que sofreu uma eutanásia acidental enquanto eu tentava uma outra customização, hahah. Era assim:




E ficou assim:





A próxima será a do Social Distortion!

30/07/2011

Ferro pra quem tá ferrado

No folclore de várias partes do mundo, há muitos séculos, é acreditado que o ferro em estado puro (ou seja, sem ter sido fundido) seria um amuleto poderoso contra bruxas, fadas (fadas não são legais, esqueça a Sininho), demônios e espíritos.



Nas áreas rurais da Europa, é muito comum que se enterrem facas debaixo da porta de entrada das casas, ou ter uma ferradura pendurada sobre/na porta, como forma de proteger o local contra essas visitas sobrenaturais.

Nas antigas Grécia e Roma, era proibido o uso de ferro na construção de templos, para que isso não afastasse os espíritos e deuses que eles quisessem atrair.



Os homens babilônios e assírios também usavam amuletos feitos de ferro como forma de aumentar a virilidade. As mulheres, por sua vez, se esfregavam em pó de ferro para atrair homens. Os antigos egípcios inseriam um amuleto de ferro em suas múmias, para que isso evocasse a proteção do Olho de Hórus. Em alguns lugares do Myanmar (Burma), os pescadores até hoje usam amuletos de ferro para se protegerem de ataques de crocodilos.





O fato de os cemitérios serem cercados de grades de ferro também tem a ver com o folclore. Isso seria para impedir de que as muitas almas que lá se encontram saiam de lá.

"Cemetery Gates" era minha música favorita do Pantera

Há, contudo, algumas contradições folclóricas nesta crença de que o ferro traz proteção contra forças malignas. Bruxas sempre foram conhecidas por usar caldeirões de ferro; e fantasmas, por arrastarem suas correntes.


Mas, por que o ferro?

É porque o ferro era considerado um metal sagrado pelos antigos babilônios, egípcios e astecas. Eles diziam que era um presente dos céus — provavelmente porque é o principal componente dos meteoritos. E era dos meteoritos que estes povos antigos retiravam o elemento e construíam seus amuletos, acompanhado de rituais e tudo o que a ocasião pedia.


Fontes: 1 e 2

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Vi uma menção sobre o assunto enquanto lia "Supernatural: O Livro dos Monstros, Espíritos, Demônios e Ghouls", de Alex Irvine; e achei muito interessante.

O cemitério de Rio Verde não tem grade, só muro. Posso ficar preocupada?