20/03/2011

Como é morrer?

Há uns anos li um artigo muito interessante no site da revista New Scientist e pensei em um dia traduzi-lo e publicar em algum lugar (na época acho que eu ainda usava o Fotolog) para compartilhar com outras pessoas; mas então fiquei com preguiça, salvei o link nos favoritos e deixei. Então essa semana me lembrei dele e resolvi deixar a preguiça de lado... E descobri que já não podia mais ler o artigo (o site decidiu disponibilizar o conteúdo apenas para assinante$).

Mas porém contudo todavia, a Manu aqui sabe ser determinada, quando quer; e achei o artigo transcrito em outro site. Portanto, sem mais delongas, aqui vai uma tradução/adaptação/resumão para vocês. Afinal, que atire o primeiro exemplar de rocha sedimentar quem nunca se perguntou como seria passar dessa pra melhor.

quem não obedece a placa, descobre antes.



Embora existam várias maneiras de se bater as botas, a causa da morte é sempre a mesma: falta de oxigênio no cérebro. Seja por afogamento, ataque cardíaco ou sufocamento, a morte ocorre porque estes fatores bloqueiam o envio de oxigênio ao neurônios, fazendo-os parar de funcionar (lembrando que neurônios não são células ligadas apenas ao pensamento, mas a todo o funcionamento do sistema nervoso). Quando isso acontece, a pessoa perde a consciência em aproximadamente 10 segundos, embora a morte em si possa levar mais tempo, dependendo do que a provocou.

Se estiverem curiosos sobre os detalhes, segue o que eu retirei do artigo:

  • Afogamento:


Embora o cinema nos tenha feito até chegar a acreditar que morrer afogado tenha um "que" de romance e beleza, não tem nada realmente especial em se morrer desta maneira - exceto pelo fato de ser uma morte extremamente rápida. A pior parte do afogamento, porém, é o pânico: quando a pessoa percebe que não vai conseguir alcançar a superfície a tempo de inalar mais ar, começa a se debater, engolindo muita água. Esta água que entra nos pulmões bloqueia a troca de gases necessária para a respiração - é por isso que, mesmo que a pessoa tenha prendido a respiração e ainda tenha ar nos pulmões, acaba se afogando. A sensação de "respirar água" é dolorida, algo entre uma sensação de ardência e rasgadura da via respiratória, mas não dura mais do que aproximadamente 20 segundos (é óbvio que este tempo depende das habilidades da pessoa em saber nadar e também da temperatura da água). Então, vem a sensação de calmaria - o que indica o início da perda de consciência.

  • Ataque cardíaco:


Citando novamente Hollywood, as representações de ataques cardíacos no cinema são bem dramatizadas: a dor repentina e o aperto no peito, e daí o colapso imediato. Mas, na verdade, a coisa acontece com muito mais simplicidade - tão simples, que muitas pessoas morrem justamente por acharem que foi só uma "indisposição". A dor no peito acontece, é o músculo do coração se esforçando pra conseguir mais oxigênio. Mas acontece de formas variadas: ou é constante, ou fica indo e vindo. Essa dor se espalha pela mandíbula, garganta, costas e braços; e então vêm os outros sintomas, como a dificuldade de respiração, enjoo e suor frio. Por não serem sintomas muito específicos, muitas pessoas demoram em procurar ajuda médica por acreditarem que pode se tratar de qualquer outra coisa: indigestão, gases ou dores musculares devido ao cansaço; e essa demora acaba resultando em morte. Todos estes sintomas levam à arritmia do coração (batimentos descompassados). Em 10 segundos a vítima perde a consciência e, em poucos minutos, morre. (Como nota pessoal: vocês sabem, meu pai já teve dois ataques. Se desconfiarem dos sintomas, procurem ajuda médica sem demora. Alguns minutos fazem toda a diferença)

  • Hemorragia:


Ou o que chamamos de "sangrar até a morte". O tempo que se leva para morrer, neste caso, depende muito do tamanho e do local da ferida. Se a ferida atingir a artéria aorta (a principal, que leva o sangue do coração para o resto do corpo), não passa de alguns segundos. Logicamente, quanto menor a ferida e menos "importante" o local atingido, mais demora. Um adulto possui em média 5 litros de sangue. Quando perde cerca de 750ml, apresenta alguns poucos sintomas, como fraqueza. Se perder 1,5 litro, além da fraqueza ele também sente muita sede, ansiedade e a respiração se torna ofegante. De 2 litros pra cima, a pessoa apresenta muita confusão e então fica inconsciente. Os sobreviventes dessas hemorragias graves relataram diferentes sensações neste período antes da inconsciência, variando entre raiva e total calmaria. Em tempo, uma única ferida na artéria femoral (que passa pelas coxas) mata muito mais rápido e dói bem menos do que fraturas generalizadas em consequência de um acidente de trânsito, por exemplo.

  • Queimadura:


Talvez a mais dolorosa de todas, pois as queimaduras atingem os nervos que temos na pele, que são os mais sensíveis de todo o corpo. Segundo especialistas e pessoas que já sofreram queimaduras graves, as chamadas de terceiro grau (mais graves, que atingem os músculos e até os ossos) doem menos que as de segundo grau, visto que destroem todos os nervos, não dando espaço para a sensação de dor. Em casos de queimaduras provocadas por incêndios, muitas pessoas alegam não sentir dor na hora por causa da descarga de adrenalina - liberada pelo nervosismo em querer sair do local ou tentar salvar alguém. Porém, a dor aparece assim que a adrenalina se dispersa, e ainda é um desafio médico lidar com ela. Entretanto, vítimas de incêndios raramente morrem devido à queimaduras, mas sim por causa dos gases tóxicos que são inalados. O fogo consome oxigênio e libera monóxido de carbono, que é um veneno para o nosso organismo. Uma vez inalado em quantidade, a vítima sente forte dor de cabeça e sonolência, causando por fim a inconsciência.

  • Decapitação:


Apesar de ser uma coisa horrível, a morte por decapitação talvez seja a mais rápida e indolor forma de se morrer... Desde que o carrasco seja hábil, a lâmina esteja afiada e que a vítima fique parada. Quando as guilhotinas foram adotadas pelo governo da França como forma de execução no século XVIII, pareceu ser um meio mais humano de se executar seus condenados, visto que a morte era instantânea. Porém, não é bem assim. Estudos revelam que o cérebro continua a funcionar por um breve espaço de tempo mesmo que a medula espinhal seja danificada, até consumir o que resta de oxigênio nele - em média de 7 segundos, em humanos. Existem relatos de olhos que piscam e bocas que se mexem até 30 segundos após a decapitação, mas isso poderia ser o que é conhecido como espasmo muscular pós-morte. Alguns casos históricos de decapitações malsucedidas existem, mas vou poupá-los disso, por enquanto.

  • Eletrocussão: (sim, eu também achava que era com "ç")


Em eletrocussões acidentais, geralmente envolvendo correntes domésticas de baixa voltagem, a morte é causada por arritmia cardíaca, após a inconsciência. Choques provocados por alta voltagem causam inconsciência instantânea - as cadeiras elétricas foram desenvolvidas, portanto, para causar uma morte indolor, visto que o choque chegaria diretamente ao cérebro e ao coração. Porém, nunca se pôde provar se é assim mesmo que acontece. Na década de 1950, notou-se que os prisioneiros executados por cadeira elétrica literalmente pegavam fogo durante a execução; devido à esponja sintética molhada colocada em sua cabeça, que seria um condutor da eletricidade diretamente para o cérebro, mas na verdade se provou bastante ineficiente. Em 2005 o problema ainda não havia sido solucionado, e as queimaduras onde eram colocados os eletrodos continuaram aparecendo; mas defensores do método de execução alegavam que elas eram provocadas após da morte do prisioneiro, segundo eles, instantânea. Atualmente, estudiosos alegam que a morte por eletrocussão em cadeira elétrica não é devido a um choque direto no cérebro, visto que a caixa craniana não deixa passar qualquer tipo de corrente elétrica - a morte, portanto, é causada por um superaquecimento do cérebro, ou mesmo por sufocamento, já que o choque de alta voltagem bloqueia os músculos, tornando a respiração impossível. De qualquer forma, terrível maneira de se morrer.

  • Queda de uma grande altura:


A sensação de se cair de tal altura é descrevida como se o tempo desacelerasse. Quando uma pessoa cai de uma altura de mais de 145 metros (o equivalente a um prédio de 40 andares), ela alcança uma velocidade de aproximadamente 200km/h. Sua queda, portanto, resulta em morte praticamente instantânea, especialmente se a pessoa cair de cabeça (o que é bastante comum, visto que a cabeça é a parte mais pesada do corpo). A morte por queda também pode ser causada pela perfuração dos pulmões (por costelas quebradas), arrebentamento das veias e até mesmo a explosão do coração, isso tudo dependendo da superfície onde a pessoa cair. Alguns sobreviventes de quedas de lugares altos não morreram porque tentaram se concentrar em cair "em pé". Embora isso resulte em pernas, quadris e mesmo a coluna com múltiplas fraturas, ainda é a melhor maneira de se proteger os órgãos vitais. Escaladores profissionais que já passaram pela situação dizem que a melhor maneira de lidar com uma queda é tentar se focar em cair em um local macio, ficar relaxado, dobrar as pernas e se preparar para rolar, quando atingir o chão.

  • Enforcamento:


Enforcamento por suicídio ou por execução segue o mesmo padrão: a corda ao redor do pescoço obstrui a passagem de ar para o cérebro, causando inconsciência e decorrente morte. A morte, porém, não é instantânea, e existem muitos casos de ressuscitações bem sucedidas até 15 minutos após a inconsciência. No entanto, nem sempre as vítimas realmente chegavam a ficar inconscientes, sufocando por muito tempo. Então os métodos de execução por enforcamento mudaram, de forma que a queda resultaria na fratura das vértebras do pescoço. Mas este método também se tornou ineficiente em muitos casos, visto que muitas vezes a corda se rompia com o peso da vítima, tornando o "evento" bastante embaraçoso para o carrasco.

  • Injeção letal:


Foi uma alternativa "mais humana" de execução para substituir a cadeira elétrica. Trata-se de uma sequência de três drogas que são injetadas na vítima: a primeira é um tipo de anestesia, que amorteceria todo o corpo da pessoa. Em seguida, um paralizante que faria a pessoa parar de respirar e, por último, cloreto de potássio, que interromperia os batimentos cardíacos quase instantaneamente. Tais doses seriam administradas em excesso, para que fossem letais e a morte fosse rápida. No entanto, existem casos de testemunhas que alegam que, muitas vezes, as vítimas da injeção letal têm convulsões e até mesmo tentam se sentar durante o processo, provando que nem sempre as doses aministradas são suficientes. A execução por injeção letal ainda está sendo estudada.

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Estas foram algumas das mortes, explicadas praticamente passo-a-passo. Para ler o artigo completo (em inglês), cliquem.

(Agoniados?)