11/05/2011

Sísifo, o cara que enganou a Morte e "sifu"

Vocês são muito espertos e conseguiram empatar a minha enquete! Então escolhi falar do Sísifo antes porque... ah, porque adoro fazer trocadilhos infames com o nome dele, como bem veem. E porque ele era um espertinho, que nem vocês!

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Sísifo foi rei de Corinto, mas ser rei não significava que ele fosse um cara legal e justo. Entre algumas outras atitudes questionáveis, Sísifo dedurou um segredinho de Zeus (acho que já o chamei em algum outro post de "O Primeiro Grande Pulador de Cerca", não? Ele era, mesmo). O deus dos raios sequestrou uma ninfa do rio chamada Egina, filha do deus dos rios, Asopo. Sísifo por acaso sabia onde Egina estava e contou a Asopo. Zeus, obviamente, não gostou nada dessa intromissão e ordenou que o deus Tânatos (ou simplesmente "Morte") acompanhasse o dedo-duro Sísifo pessoalmente ao submundo, e que o acorrentasse no Tártaro.

O Tártaro, caso eu já não tenha mencionado, é o que equivaleria ao "inferno" cristão. É a região do submundo onde ficam as almas que pagam punições pelos atos que cometeram em vida: assassinos, adúlteros e espertinhos em geral, como nosso amigo Sísifo.

Mas Sísifo não era só um rei dedo-duro, ele era também um espertinho. Então enquanto estava lá acorrentado no Tártaro, fingiu interesse nas correntes e perguntou sobre elas à Tânatos. Deve ter sido algo como "Ei Tânatos, essas correntes que você me arrumou são bem descoladas. Como elas funcionam?". Aí o inocente Tânatos mostrou para Sísifo como elas funcionavam, e nisso o rei conseguiu escapar das correntes, aprisionar Tânatos e fugir do submundo.

Ora, como a Morte estava acorrentada e indefesa lá no submundo, ninguém mais na Terra morria. Como era de se esperar, Ares, que era o deus da guerra, ficou furioso. As pessoas não morriam em seus combates, que graça isso teria? Então Ares foi pessoalmente até o Tártaro libertar Tânatos de suas correntes.

Tânatos agora devia estar enfezado, e foi buscar Sísifo para que pudesse prendê-lo novamente. Portanto, antes de morrer, este ordenou à sua esposa que não o enterrasse e nem fizesse os costumeiros ritos funenários, mas que apenas largasse o seu corpo em praça pública. Assim feito, quando a alma de Sísifo chegou ao submundo, Hades ficou furioso porque os ritos funerários não haviam sido respeitados, e então mandou Sísifo de volta à terra para que punisse sua esposa pela falta de respeito ao deus dos mortos. (Outra versão da lenda diz que Sísifo persuadiu Perséfone, esposa de Hades, a voltar à terra para punir a esposa, já que o fato dela não ter realizado os ritos demonstrava a sua "falta de amor" — Claro, tudo isso foi estratégia do espertão do Sísifo para poder novamente escapar do submundo).

E lá vai Sísifo, outra vez fora do Tártaro, viver em paz na terra por mais 30 anos. Quando a galera lá de baixo percebeu que o espertão não ia voltar, Hermes (o deus mensageiro e que tinha acesso a todos os cantos do mundo, inclusive ao Olimpo e ao submundo) se encarregou de levá-lo de volta, e desta vez definitivamente ao Tártaro. E então sua punição foi decidida: ao invés de ficar lá acorrentado pela eternidade, seu castigo seria rolar uma enorme rocha roliça até o topo de um morro. Os deuses lhe garantiram que, se ele conseguisse chegar com essa rocha até no topo do morro, ele seria libertado. Só que os deuses eram vingativos, ah, vocês sabem disso. Quanto mais alto ele chegava, mais a pedra pesava e, quando ele estava quase chegando ao topo, ela saía rolando morro abaixo, de modo que ele teria que começar tudo de novo - pela eternidade.



Sísifo ficou conhecido então por duas características: sua esperteza em vida, e seu sofrimento em morte. É o símbolo do trabalho em vão e ganhou até um termo que designa uma tarefa que, por mais que seja executada, nunca dá resultado: um trabalho sisifiano.