30/07/2011

Ferro pra quem tá ferrado

No folclore de várias partes do mundo, há muitos séculos, é acreditado que o ferro em estado puro (ou seja, sem ter sido fundido) seria um amuleto poderoso contra bruxas, fadas (fadas não são legais, esqueça a Sininho), demônios e espíritos.



Nas áreas rurais da Europa, é muito comum que se enterrem facas debaixo da porta de entrada das casas, ou ter uma ferradura pendurada sobre/na porta, como forma de proteger o local contra essas visitas sobrenaturais.

Nas antigas Grécia e Roma, era proibido o uso de ferro na construção de templos, para que isso não afastasse os espíritos e deuses que eles quisessem atrair.



Os homens babilônios e assírios também usavam amuletos feitos de ferro como forma de aumentar a virilidade. As mulheres, por sua vez, se esfregavam em pó de ferro para atrair homens. Os antigos egípcios inseriam um amuleto de ferro em suas múmias, para que isso evocasse a proteção do Olho de Hórus. Em alguns lugares do Myanmar (Burma), os pescadores até hoje usam amuletos de ferro para se protegerem de ataques de crocodilos.





O fato de os cemitérios serem cercados de grades de ferro também tem a ver com o folclore. Isso seria para impedir de que as muitas almas que lá se encontram saiam de lá.

"Cemetery Gates" era minha música favorita do Pantera

Há, contudo, algumas contradições folclóricas nesta crença de que o ferro traz proteção contra forças malignas. Bruxas sempre foram conhecidas por usar caldeirões de ferro; e fantasmas, por arrastarem suas correntes.


Mas, por que o ferro?

É porque o ferro era considerado um metal sagrado pelos antigos babilônios, egípcios e astecas. Eles diziam que era um presente dos céus — provavelmente porque é o principal componente dos meteoritos. E era dos meteoritos que estes povos antigos retiravam o elemento e construíam seus amuletos, acompanhado de rituais e tudo o que a ocasião pedia.


Fontes: 1 e 2

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Vi uma menção sobre o assunto enquanto lia "Supernatural: O Livro dos Monstros, Espíritos, Demônios e Ghouls", de Alex Irvine; e achei muito interessante.

O cemitério de Rio Verde não tem grade, só muro. Posso ficar preocupada?

27/07/2011

Simon & Garfunkel » "I Am A Rock" [1965]




20/07/2011

Todo ano eu faço um desse, então...

Playlist favorita em aleatório. Poste as 15 primeiras músicas que tocarem e explique porque ela faz parte das suas favoritas.


Playlist do iPod, como sempre. Vou tentar não repetir artistas (não prometo) e nem as dos anos anteriores:


#1 The ClashComplete Control (punk rock)


A música que eles fizeram contra o próprio empresário. Não dá pra entender uma palavra do que o Joe Strummer canta, "YOU'RE MY GUITAR HERO!!" e o final super sing along "Total... C-O-N... CONTROL!". Adoro.

#2 Bob DylanI Want You (folk)


Vocês conhecem, é a original da "Tanto", do Skank. A letra é nonsense igual, mas o refrão é tão simples e sincero quanto poderia ser. E a guitarrinha é tão fofa que dá pra passar a vida ouvindo.

#3 The BeatlesThe Night Before (rock)


Assisti Help! tantas vezes que não consigo mais ouvir essa música sem visualizar toda a cena. E a música fica na minha cabeça direto.

#4 Joan BaezIf You Were A Carpenter (folk)


Não sei, o teclado dessa música é hipnótico. E eu nunca entendi direito a letra dessa música, mas gosto dela por algum motivo.

#5 Against Me!Ache With Me (acústico)


O White Crosses vai ficar eternamente na playlist favorita.

#6 Suicidal TendenciesInstitutionalized (crossover)


Essa letra é genial!

#7 Minor ThreatStraight Edge (hardcore)


Because I've got the edge, DEAL WITH IT!

#8 ZebraheadMental Health (pop punk, rapcore)

O Zebrahead é uma banda divertida e as músicas são bem grudentinhas e eu adoro.

#9 GallowsAbandon Ship (hardcore)


Adoro o instrumental, a letra, o vocal desesperado do Frank que tanto combina com a música.

#10 RancidRadio (punk rock)


When I've got the music, I've got a place to go! ♫ = ♥
A declaração de amor à música que nos acompanha em todos os momentos.

#11 Bad ReligionSorrow (punk rock)


Eu vivo dizendo que essa música devia ser imortalizada numa cápsula do tempo. Vai sempre ser atual e relevante. (e, se existisse um Hino do Mundo, deveria ser esse)

#12 The Adicts Falling In Love Again (punk rock)


Fazer o que, essa música me persegue. A letra, eu digo.

#13 Johnny CashA Thing Called Love (country)


Eu acho essa música engraçadinha, HAHAH *o*

#14 Reel Big FishHate You (ska punk)


RBF não precisa de muito motivo pra estar aqui, mas essa música devia ser minha. :D

#15 Oasis Sunday Morning Call (DEPRESSÃO)


And in your head, do you feel what you're not supposed to feel?
And you take what you want, but you won't get it for free
You need more time, 'cause your thoughts and words won't last forever more
And I'm not sure if it'll ever work out right...
But it's ok... It's alright ♪

A letra, a voz do Noel, o coral da depressão, o solo de guitarra, o vídeo.

13/07/2011

Os Reis do Rock!

(Fiz esse post pro Musicólatras, aproveito e divulgo por aqui também)

No dia 13 de julho comemora-se o Dia Mundial do Rock. Eu, particularmente, comemoro o dia prestando homenagem aos caras que fizeram isso acontecer (não os que participaram do festival que deu origem à data), mas aos pioneiros, os jovens dos anos 1950 que ousaram na música popular, misturando country com o rhythm & blues, e criaram o estilo mais controverso, amado, criticado, morto e ressuscitado da História da Música: o Rock'n'Roll.

Quando falamos em "rock" e em "anos 50", a primeira pessoa que nos vem em mente é o eterno rei, Elvis Presley. Mas Presley teve seus colegas e antecessores, que são tão dignos de homenagem quanto ele. Vou apresentar aqui alguns deles, para aqueles que não conhecem; e que os roqueiros das novas gerações aprendam a respeitá-los, como as grandes lendas que são!


• Bill Haley



Junto com seus cometas, foram a primeira banda de membros brancos a espalhar o rock'n'roll pelos Estados Unidos e o resto do mundo, ainda em 1952. O Bill Haley & His Comets só parou em 1981, com a morte do seu frontman. Emplacaram muitos hits, sendo o maior deles a Rock Around The Clock:



Carl Perkins



O nome dele talvez não traga muitas lembranças aos leigos, mas suas canções foram incansavelmente regravadas por outros artistas. Um exemplo disso é seu clássico, Blue Suede Shoes, mais conhecido na voz de Elvis Presley.


Elvis Presley



Difícil falar de Elvis em um parágrafo, mas o Rei foi um dos mais populares no gênero, desde sua época até os dias de hoje. Se tornou um ícone em vários níveis, tanto por seu visual, quanto por sua voz versátil e sua performance ousada para a época.


Little Richard



Little Richard foi o primeiro a misturar outros estilos da música negra americana ao rock'n'roll, como o soul e o funk. Fez sucesso por sua maneira de tocar o piano e influenciou as seguintes gerações de roqueiros com o seu vocal gritado. E está alive & rocking até hoje!


Chuck Berry



Outro que influenciou as futuras gerações, com seus solos de guitarra e temática em torno da juventude. Chuck foi preso muitas vezes por diversos motivos, mas entre uma prisão e outra, foi aprimorando o rock'n'roll e continua firme até hoje.


Fats Domino



Além de também ter sido influência no rock, Domino é exemplo em outros campos. Em 2005, quando o furacão Katrina arrasou New Orleans, nos EUA, todos acreditaram que Fats havia morrido, pois morava lá. A população estava de luto, mas não sabiam que ele e sua família haviam sido resgatadas. Desde então, Fats lançou um álbum e realizou concertos em prol das vítimas do furacão.


Gene Vincent



Gene queria era ser marinheiro. Até tentou, e estava indo bem, apesar de uma ou outra confusãozinha. Mas usou seu primeiro salário para comprar uma motocicleta, e acabou se acidentando. O acidente quase lhe tirou uma perna, mas a amputação não foi necessária, apesar de ter ficado com sequelas e uma dor extenuante que lhe acompanhou pelo resto da vida - além de ter destruído o sonho de servir na Marinha. E então, Gene encontrou seus Blue Caps e se tornou mais uma lenda do rock.


Eddie Cochran



Dizem que Eddie imitava Elvis, o que até podia ser visualmente verdade, mas Cochran era multiinstrumentalista e experimentou técnicas de gravação que eram incomuns na época, como overdubbing e multitracking. Faleceu muito jovem, aos 21 anos, devido a um acidente de carro; mas suas canções também foram incansavelmente regravadas por inúmeros artistas, do classic rock ao punk rock.


Jerry Lee Lewis



A vida de Lewis foi amplamente marcada por escândalos, desde sua criação musical, tocando músicas gospel em ritmo de rock'n'roll e sendo consequentemente expulso da escola por isso, até ter posteriormente se casado com uma prima de apenas 13 anos. Apesar disso, Lewis reinventou a maneira de tocar piano no rock'n'roll e tem até hoje uma das performances mais dinâmicas do gênero, pelo qual garantiu seu lugar no hall das lendas.



Buddy Holly



Responsável por influenciar alguns dos principais músicos da história, como os Beatles, os Rolling Stones, Bob Dylan e Eric Clapton, seu sucesso durou apenas um ano e meio. Holly morreu, aos 22 anos, na queda do avião que também levou outros músicos, no dia que ficou conhecido como "O Dia Que a Música Morreu". Holly também foi responsável, junto dos demais artistas que citei, por unir a música branca com a música negra.



Ritchie Valens



Esse filho de mexicanos, que foi o precursor do rock latino, só desfrutou de oito meses de sucesso. Valens morreu no mesmo acidente de avião que levou Buddy Holly, mas deixou de legado a inesquecível La Bamba:





That's why I go for that rock and roll music,
Any old way you choose it.
It's got a back beat, you can't blues it,
Any old time you use it.
It's gotta be rock and roll music,
If you wanna dance with me ♪

03/07/2011

Hefesto, o deus que certamente NÃO inspirou a frase "Fulano é um deus grego!"

Hefesto é um dos 12 deuses do Olimpo, na mitologia grega. Mas não era qualquer deus meia-boca, que só fica lá sentado no seu trono, se achando e tendo casos extra-conjugais (ouvi alguém dizer Zeus?). Não... Hefesto era o cara. O grandalhão era filho de Zeus e Hera, e deus da tecnologia, dos ferreiros, artesãos, escultores, do metal e da metalurgia, do fogo e dos vulcões. Ele era o ferreiro dos deuses, fazia todo tipo de aparato de guerra que lhe pediam; e seus símbolos são o martelo de ferreiro, uma bigorna e um par de tenazes (às vezes ele é simbolizado com um machado). Sim, Hefesto era muito másculo.

Entre seus maiores feitos, estão o capacete e as sandálias aladas de Hermes, o cinto de Afrodite, a armadura de Aquiles, a carruagem de Hélio (o deus Sol), o arco e flechas de Eros (o cupido), além dos tronos de todos os deuses do Olimpo. Hefesto também criou autômatos para ajudá-lo nas forjas, e também foi quem criou o presente dos deuses aos homens: a nossa velha amiga Pandora (bem como a sua lendária caixa)!

Porém, não bastava ser o cara. O pobre Hefesto não foi capaz de escapar da ira de sua própria mãe, Hera, e foi expulso do Olimpo.

"Mas... por quê?!", vocês me perguntam, incrédulos. Ora, a razão é bem simples. A deusa Hera, deusa das deusas, protetora das famílias e dos casamentos felizes, expulsou o próprio filho do Olimpo, ignorando tudo o que ele fez por ela e pelos outros, simplesmente porque...

... ele era MUITO feio.



(Sabem aquela comunidade do Orkut, "Minha Mãe Me Acha Bonito"? Não procurem por Hefesto lá)

Está para nascer o dia trazido por Hélio em que entenderemos o que se passa na cabeça da nossa complicada Hera. É bem sabido que Hefesto é um dos pouquíssimos filhos que Zeus teve com sua esposa, então era de se esperar que a deusa-mãe se sentisse um tanto quanto superprotetora em relação ao forte Hefesto, mas...

Enfim. Uma vez literalmente caído do Olimpo, Hefesto deixou de ser feio para se tornar eternamente feio e manco. Porém, nem o tombo de nove dias e nove noites fez com que Hefesto esquecesse da injustiça, então tratou logo de planejar uma vingança contra sua mãe. Forjou um belíssimo trono de ouro e o enviou de presente à Hera, no Olimpo. O que ele esqueceu de mencionar no cartão era que, uma vez que ela se sentasse nele, nunca mais conseguiria sair. Desesperados, os outros deuses imploraram para que Hefesto retornasse ao Olimpo e quebrasse a magia que prendia sua mãe... Mas ele recusou a generosa oferta, dizendo que "não tinha mãe" (não se preocupe, Hefesto, a gente te entende).

Então os deuses decidiram enviar Dioniso à presença do deus exilado. Dioniso era o deus do vinho e das orgias, e o único em quem Hefesto confiava. Essa confiança, porém, não impediu Dioniso de embriagar Hefesto e levá-lo de volta ao Olimpo, contra sua vontade, montado em um burro (cena indigna que foi imortalizada por inúmeros artistas). Uma vez lá, bom, fazer o quê? Hefesto soltou a mãe do trono encantado.

E se vocês pensam que agora tudo volta ao normal, lembrem-se da máxima: "Nada nunca é tão ruim que não possa piorar".

por Hendrik van the Elder Balen*
Zeus era o dono do pedaço e tinha que tomar algumas decisões para manter a ordem no barraco. Logo, metade do Olimpo queria se casar com Afrodite, deusa do amor e a mais bonita das deusas; então Zeus decidiu que casaria a deusa com seu filho Hefesto, e não se fala mais nisso.

Casar, eles casaram, mas Afrodite não era lá muito apaixonada pelo seu marido, ahn, feio. Então não perdeu mais tempo e arrumou um caso com Ares, deus da guerra. Não demorou muito, Hefesto acabou descobrindo sobre a traição da esposa, graças ao deus do Sol, o fofoqueiro Hélio (aquele que tudo vê). Usando suas melhores habilidades, inventou uma engenhosa rede de correntes inquebrantáveis, tão pequenas que passariam por invisíveis. Então, durante um dos encontros furtivos dos amantes, Afrodite e Ares se viram presos em sua cama, na armadilha de Hefesto. O deus traído arrastou os dois, como estavam, até o Olimpo, na presença dos outros deuses, que riram às lágrimas da humilhação dos deuses peladões. O que aconteceu aos dois depois deste episódio não é muito claro. Hefesto exigiu que Ares, em troca de ser solto, pagasse a punição pelo adultério (ainda imagino qual seja). Quanto a Afrodite, foi devolvida a seu pai (o que é engraçado, já que Afrodite não tem exatamente um "pai", longa história). Mas a humilhação não a impediu de ter muitos amantes pelo resto da vida.

que situação, hein gente?


*ainda não sei quem é o menino da pintura. Hefesto e Afrodite não tiveram filhos.

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Fontes: os livros de sempre + Theoi Project

01/07/2011

"Superordem Xenarthra", ainda vou criar uma liga de super-herois com esse nome.

As preguiças-gigantes (também chamadas de Megatérios) são um grupo extinto da Superordem Xenarthra (a mesma das preguiças comuns, dos tatus e tamanduás). Elas eram literalmente gigantes e faziam parte da chamada megafauna pré-histórica (vejam bem, na pré-história existiam dezenas de espécies de animais gigantes, todas misteriosamente extintas).

Esses seres surgiram no Oligoceno (época em que se desenvolveram os primeiros mamíferos herbívoros - rinocerontes, cavalos, bovinos, porcos, cervos e etc), há cerca de 30 milhões de anos; e estão extintos há pelo menos 10 mil anos. Porém, dizem que existiam espécies viventes da preguiça-gigante em Cuba até meados de 1550. Apareceram na região da Patagônia, desenvolveram-se na América do Sul, e quando o istmo do Panamá se estabeleceu, migraram para o Norte e foram até o Canadá.

Como é de se adivinhar, a preguiça-gigante não tinha os hábitos das nossas preguiças atuais; ou seja, a nossa velha amiga não ficava pendurada em árvores. Porque, né, convenhamos: que tipo de árvore aguentaria um bicho de 5 toneladas e 6 metros de altura?

De qualquer forma, as centenas de fósseis encontrados em diversas partes da América começaram a ser estudadas em 1796. Existe um grande rumor de que existem espécimes sobreviventes vivendo bem dentro da Floresta Amazônica. Os nativos, que as chamam de mapinguari, as descrevem como seres gigantes, de pelo avermelhado, grandes garras e que, em pé, alcançariam até 2 metros de altura. Mas, na verdade, nenhum cientista até hoje conseguiu encontrar nenhuma prova de que tais animais existam. As amostras de pelos provaram ser de cutia, e as pegadas podiam ser "facilmente forjadas".


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Engraçado como o meu cérebro funciona. A secretária da escola onde trabalho passou boa parte da tarde dizendo que estava com muita, mas MUITA preguiça. "Muita, mas MUITA preguiça" sempre me lembra daquela música antiga do Ultraje a Rigor cujo refrão vai assim: "Eu tenho uma preguiça... giii-gan-teees-caaa... uô-ô, gigante pela própria natureza". Daí a menção à "preguiça gigantesca" me fez lembrar desse trabalho que eu apresentei no penúltimo período de faculdade, em Zoologia 4, sobre a Superordem Xenarthra, e por algum motivo pensei que seria legal postar sobre isso. Não precisam agradecer.