29/08/2011

"Aquele que é levado para fora"

Em folclores de todo o mundo existem histórias dos mais variados espíritos vingativos (exatamente o que você pensou, espíritos de pessoas que buscam vingança pelos fatores que envolveram a sua morte). Os mais famosos mundialmente talvez sejam a Mulher de Branco e a Bloody Mary, que viraram assunto pra uma porção de filmes.

Mas hoje me lembrei de um em particular que resolvi apresentar a vocês. É uma lenda do folclore escandinavo que, embora não muito conhecido pelo mundo, bota bastante medo por lá.

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A literatura se refere a ele como Myling, embora seu nome no folclore local seja Utburd, "aquele que é levado para fora".

Na época em que esta lenda surgiu, era bastante comum que se abandonassem nas florestas bebês que fossem ilegítimos ou nascessem com alguma deformidade, ou mesmo quando a família não tinha condições de criá-lo. Segundo a lenda, os espíritos destas crianças vagariam pela terra até que encontrassem alguém que as proporcionasse um enterro decente. Algumas versões da lenda defendem que estes espíritos assombrariam o local de sua morte, e até perseguiriam a família responsável por seu abandono.

A parte assustadora da lenda é que estes espíritos nem sempre apresentam a forma de uma criança. Às vezes ele se manifesta como um grande cão negro, ou mesmo uma coruja branca. Às vezes ele se mantém invisível, embora seu choro possa ser ouvido a uma certa distância... E às vezes ele parece mesmo uma criança - uma criança de punhos cerrados e expressão de dor e ódio. De qualquer forma, qualquer que fosse a imagem escolhida, existem relatos de avistamentos de utburds tão grandes quanto um celeiro (!).

E, embora tudo o que estes espíritos queiram seja um "despacho" digno, o comportamento deles não é nada amigável. Dizem que sua sede de vingança não desaparece ou diminui nem mesmo quando todos da família já morreram. As lendas afirmam que olhar diretamente nos olhos de um utburd paralizaria qualquer mortal, e então eles pulariam nas costas da vítima, exigindo serem levados a um cemitério. Mas não para por aí. Durante o trajeto, o utburd vai crescendo e ficando mais pesado, chegando a um ponto onde carregá-lo nas costas se torna uma tarefa praticamente impossível, visto que a terra sob os pés da vítima começa a abrir e puxá-lo para baixo. Se a vítima não for capaz de chegar até o cemitério e cumprir sua missão involuntária, o utburd a mata violentamente.

Tudo bem, estamos no Brasil e provavelmente não encontraremos utburds pelo caminho (embora não devam faltar espíritos de crianças abandonadas por aí...). Mas existe um jeito de evitá-los. Água e ferro são repelentes naturais de fantasmas, então um mergulho no rio ou um bom e velho canivete de bolso serão suficientes para afastar um utburd, desde que se aja a tempo.

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Aliás, desculpem a falta de imagens, mas não há gravura de utburds pela internet (além de fotos de uma duvidosa banda de Black Metal que leva o mesmo nome...).