29/11/2011

10 years today



Há 10 anos, o câncer nos tirava essa pessoa linda que foi George Harrison. Não há mais nada que eu possa dizer sobre ele que eu já não tenha dito anteriormente. 

Deixo aqui, novamente, os meus agradecimentos ao querido Tio Jorge. Obrigada pela sua música e seu espírito iluminado, que tanto me acompanham nos mais variados momentos da vida.



Se não fosse por você
Eu não conseguiria achar a porta
Não conseguiria sequer ver o chão
Estaria triste e deprimido
Se não fosse por você.

Se não fosse por você
Eu ficaria a noite inteira acordado
Esperando até que a luz do dia
Entrasse no meu quarto
Mas isso não seria novidade
Se não fosse por você

Se não fosse por você
Meu céu cairia
E a chuva despencaria também
Sem o seu amor eu não estaria em lugar nenhum
Eu estaria perdido, se não fosse por você
E você sabe que é verdade

Se não fosse por você
Meu céu cairia
A chuva despencaria também
Sem o seu amor eu não estaria em lugar nenhum
Oh! O que eu faria
Se não fosse por você?

Se não fosse por você
O inverno não teria primavera
Eu não conseguiria ouvir o pintarroxo cantar
Eu simplesmente não faria ideia
E, de qualquer forma, nem soaria verdadeiro
Se não fosse por você.

If Not For You

Essa música é composição de Bob Dylan, lançada em 1970 no álbum New Morning. Um mês depois, George lançou sua versão no álbum All Things Must Pass. Os dois a tocaram, juntos, no ensaio do Concert For Bangladesh, em 1971, como vocês podem ver abaixo:


02/11/2011

"Se Eu Morrer Novo"

"Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, ouçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva —
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."







Fernando Pessoa