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O Mês de Jano

Quando eu comecei a estudar as diferentes Mitologias da história do mundo, coisa que notei foi que os antigos tinham uma entidade divina pra absolutamente tudo. Os gregos tinham até um deus específico para os limites entre uma cidade e outra e achavam que ele aparecia na forma de uma pedra ou pedaço de pau qualquer. Adoro.

Mas hoje não vim falar de uma divindade grega, e sim romana. É sabido que os romanos adotaram muito da cultura grega, inclusive sua antiga religião. Grande parte dos deuses e personagens da mitologia grega tem um correspondente na mitologia romana, com leves mudanças de personalidade - normalmente, a manifestação romana de alguns deuses é mais bélica (adaptada pra guerra, digamos assim). Mas, com o tempo, surgiram novos deuses e personagens romanos, sem correspondência grega; como é o caso do deus que lhes apresentarei agora.



Jano (ou Janus, seu nome original) é o deus dos inícios e transições. Ele é representado como um homem de duas faces: ele seria capaz de ver passado e futuro, entradas e saídas, tudo ao mesmo tempo. Estas duas faces já receberam muitas representações diferentes: às vezes uma mais velha e outra mais jovem, ou então uma masculina e outra feminina, ou mesmo as duas exatamente iguais. Por vezes, o vemos simbolizado com uma chave, pois também era acreditado que Jano era o guardião do portão celestial.

Por ser o deus do 'início de tudo', em sentido concreto ou abstrato, acreditava-se que Jano presenciara o início do Universo e de todos os outros deuses. Por isso, caso alguém desejasse invocar algum deus, independente de qual fosse, era de praxe invocar Jano antes. Jano costumava ser cultuado a cada virada de ano, no início das plantações e das colheitas, antes das guerras, nos casamentos, nos funerais, e em tudo o que simbolizasse o começo de uma nova fase. Ele era considerado, no panteão romano, um deus tão importante quanto Júpiter (o equivalente romano de Zeus).

O deus tinha muitos templos em Roma. O mais importante deles tinha dois portões - um voltado ao leste (sol nascente) e outro voltado ao oeste (sol poente). Em época de guerra, os portões do templo ficavam sempre abertos, e os soldados deveriam marchar através do templo em seu caminho para as batalhas. Em época de paz, os portões eram fechados - dizem que isso só ocorreu uma vez, enquanto o Império Romano prevaleceu.

De modo geral, Jano era considerado um deus benevolente. É normalmente retratado com uma coroa e um cetro, pois os romanos o consideravam o 'rei da Época de Ouro' de Roma, por tudo que representou ao povo: creditam a ele o ensino ao cultivo da terra, o uso do dinheiro e a criação das Leis, além de ser o responsável pela transição do povo romano da barbárie para a civilização.

Algumas versões, porém, defendem que cada rosto do deus tinha personalidade oposta. Por isso,  acreditava-se que o deus confundia pessoas e ocasionalmente as levava à loucura e ao suicídio.

Jano contribuiu para a denominação do primeiro mês do ano: Janeiro (Ianuarius). O nome de Jano vem do latim 'ianua', que significa porta.

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Imagens:
1. The Delphian Society The World's Progress, Part III (Hammond: W. B. Conkey Company, 1913) 3:385
2. Fonte desconhecida.

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