27/07/2012

"Eu Ouço Gente Morta": Nina Simone

Se me fosse possível, daria todas as minhas aulas usando música. Aprendi inglês usando música e, por mim, enfiaria música em tudo o que faço no dia-a-dia (oh wait, eu faço isso). Mas, em se tratando das aulas, é complicado.

Por incrível que pareça, eu tenho certa dificuldade em usá-las em sala de aula. Muitos alunos não têm costume de ouvir música e não gostam das aulas com elas (eu sei!), então não uso muito. Mas, quando uso, procuro aproveitá-las não apenas para entretenimento da turma, mas também pra ensinar alguma coisa junto (não apenas "completando com as palavras que faltam", o que eles particularmente odeiam, haha).

Dia desses do semestre passado, uma turma estava aprendendo sobre o uso de "wish" nas sentenças, então levei uma música de Nina Simone. Antiga, desconhecida de todos ali, que nunca nem haviam ouvido falar sobre Nina. Usei a música não apenas pela letra, cheia de "I wish..." um monte de coisas, mas aproveitei pra contar um pouco sobre Nina Simone e sua música. A história dela resume características importantes da História dos Estados Unidos, e sua música surgiu lá, é parte da História igualmente. Bom, pelo menos eles ficaram muito interessados, então a música foi melhor aproveitada!


Nina Simone nasceu Eunice Kathleen Waymon, em uma grande família da Carolina do Norte. Desde pequena demonstrou um talento precoce no piano e no canto, se apresentando na igreja que a família frequentava. Seu sonho era se tornar pianista clássica, e pra isso tentou ingressar em um conceituadíssimo instituto musical da Filadélfia. Mas, apesar da recepção positiva nas avaliações, foi rejeitada por ser negra. Pra poder dar continuidade aos seus estudos e se tornar a artista clássica que sonhava ser, começou a tocar música popular em bares de jazz, e a partir de então Nina teve seu reconhecimento. Logo foi contratada por uma gravadora e, resumindo a história, fez um grande sucesso com suas interpretações de sucessos do jazz e rhythm & blues, no fim da década de 1950. Depois de 20 anos tocando, Nina se dedicou a causas em favor da igualdade social e racial nos Estados Unidos. Por ter enchido o saco do Governo Americano por causa de seus ideais, se viu obrigada a deixar o país, variando os refúgios até ir parar na França. E foi lá que, aos 70 anos, Nina acabou morrendo, enquanto dormia, em decorrência de um câncer de mama que tinha havia alguns anos. Dois dias antes de sua morte, a instituição musical que a havia rejeitado em sua juventude lhe deu um grau honorífico, em reconhecimento ao seu talento.



A lista de artistas que Nina Simone inspirou é gigantesca, e vai de Jeff Buckley a Kanye West; e inúmeros outros fizeram versões de suas canções.


Esta foi a música que usei na aula que citei, I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free:


Don't Let Me Be Misunderstood, uma de suas interpretações de maior sucesso:


E, pra animar, uma versão remixada da minha música favorita da Nina, Ain't Got No/I Got Life:




Só pra vocês notarem: alterei um pouco do esquema do blog - incluí um ~menu~ lá no cabeçalho, assim fica mais fácil vocês procurarem pelos assuntos de maior interesse (já que isso aqui não se prende a nada, haha).

21/07/2012

Por que todos os planetas do Sistema Solar têm nomes mitológicos?

Mitologia + Espaço = Manu feliz e post novo



Alguém aí já teve tempo sobrando e se pegou imaginando quem havia dado o nome de Terra ao nosso planeta (e quem nunca fez aquela piadinha velha e tosca sobre o nome do planeta dever ter sido Água)?

Se for o caso, então vou explicar aqui de maneira porca e resumida por que os planetas (e a maioria de seus respectivos satélites naturais) do nosso Sistema Solar têm os nomes que têm.


O espaço vem sendo observado desde que a humanidade é humanidade, e desde então os objetos que foram sendo descobertos no céu foram chamados de nomes diferentes, dependendo da cultura. Porém, quando Roma se tornou o Grande Império do mundo (lá por 27 A.C.), tudo teve que se moldar segundo os padrões romanos: foi quando os deuses gregos deram lugar aos deuses romanos, por exemplo. E foi nisso que os planetas que haviam sido observados até então receberam os nomes de acordo com a tradição romana.

Até então, 5 dos planetas do nosso Sistema Solar podiam ser observados a olho nu:




Mercúrio: recebeu o nome do deus romano dos viajantes, pois observaram que este planeta se movia com bastante rapidez no céu.








Vênus: recebeu o nome da deusa do amor e da beleza, por ser o planeta mais brilhante e o mais bonito dos corpos celestes.









Marte: recebeu o nome do deus da guerra, por ser "vermelho como sangue".









Júpiter: recebeu o nome do deus mais importante do panteão romano, por ser o maior de todos (os gregos chamavam o planeta de Zeus, equivalentemente).








Saturno: recebeu o nome romano do deus pai de Júpiter (equivalente ao grego Cronos), pois era o planeta mais distante que podia ser observado a olho nu. 24 dos seus 60 satélites possuem os nomes dos titãs e deuses relacionados ao deus que lhe deu nome (entre eles, Pandora e Jano, que já comentei aqui).






De lá pra cá, com o constante avanço da astronomia, outros tantos planetas e satélites foram sendo observados e, embora os nomes tivessem sido os mais diversos (desde os nomes de quem os descobriram até nomes em homenagem a reis ou personalidades importantes), foi decidido manter a tradição dos nomes romanos para os planetas, por questão de padrões.




Urano: apesar de ter sido descoberto em 1781, seu nome só foi decidido em 1850, depois de muita briga. Urano é o deus romano do céu. Os satélites de Urano fogem ao padrão e têm nomes de personagens da obra de Shakespeare.







Netuno: já se pressupunha sua existência, mas ele só foi completamente observado em 1848. Recebeu o nome do deus dos mares. Seus satélites foram nomeados de acordo aos deuses e seres mitológicos relacionados a ele.






E eu sei que ele foi chutado da panelinha, mas vou falar mesmo assim:


Plutão: foi descoberto em 1930 e as sugestões para o seu nome variaram entre uma grande quantidade de deuses que ainda não haviam sido homenageados. O nome do deus do Mundo Inferior, aparentemente, foi sugerido por uma garota de 11 anos, e foi o escolhido por combinar com as caraterísticas do planeta: o mais afastado dos outros, e sua capacidade de se tornar "invisível". A lua de Plutão se chama Caronte, que, na mitologia, é o barqueiro que leva as almas para o Mundo Inferior, onde serão julgadas.





Bom, fica faltando a Terra. Por que cargas d'água a Terra se chama Terra, e quem foi a mente brilhante por trás disso?!

E eu lhes digo, meus amigos, que ninguém faz ideia.



Ok, Terra (ou Gaia) também é uma deusa romana. Deusa da terra. Sério. Mas quem veio com a ideia, não se sabe. Só se sabe que este nome é tão antigo quanto o dos primeiros planetas descobertos, e só o que ficou foi o costume. Assim como a Lua, que vem da deusa romana Luna, que é a deusa da... bom, da lua. Há de se lembrar que "lua" não é o nome certo do corpo celeste em questão, e sim "satélite". Chamamos as luas dos outros de lua por associação à nossa mas, como vimos, cada uma delas tem seu próprio nome.




De qualquer forma, os nomes variam levemente de língua pra língua, e algumas culturas (indígenas, principalmente) ainda chamam por outros nomes completamente diferentes.

E é isso aí, espero que tenha sido útil ou interessante para alguém. Beijos e até o mês que vem (se eu continuar nesse ritmo...).

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13/07/2012

E já que me é dada a oportunidade...

Um excelente Dia do Rock pra quem curte o Rockabilly dos anos 50, o Psicodélico dos anos 60, o Punk dos anos 70, o Metal dos anos 80, o Alternativo dos anos 90, e o que quer que seja o que ele é agora depois dos anos 2000. Afinal, tudo é Rock'n'Roll, não interessa qual o nosso nome favorito. 

Vamos celebrar ouvindo nossos vinis, nossos K7, nossos CDs, nossos MP3 (legais ou não tão legais), ou abrir o YouTube. Afinal tudo é música e não importa de onde vem, já que ela chega sempre ao mesmo lugar.

Vamos respeitar quem veio antes e dar uma chance a quem está chegando agora. Afinal, o Rock sempre foi  novidade e tradição aliados, levando o antigo ao caminho do Mundo Novo através das gerações.

E um conselho amigo aos perdidos:

O Rock é mais do que a roupa que você veste. Você não é menos roqueiro se não tiver as camisetas das suas bandas favoritas, ou o corpo cheio de tatuagens. Não precisa nem saber tocar instrumentos. Se o Rock'n' Roll encontra aquele buraquinho na sua alma e o preenche, então você é roqueiro na medida em que precisa ser. Afinal, o Rock também tem tudo a ver com não dar a mínima pro que os outros acham de você.

Dito isso, divirtam-se, e divirtam-se sempre. Ouvindo o que quiserem.



01/07/2012

Cover: Peg O' My Heart

Última vez que eu postei cover foi em outubro!!



Peg O' My Heart é uma canção popular que foi composta por Alfred Bryan e Fred Fisher, e usada pela primeira vez em 1913, para um musical chamado Ziegfeld Follies. Desde então, muitos artistas fizeram suas versões para a canção, que também foi tema da série The Singing Detective (de 1986) e apareceu em um episódio da atual Downton Abbey.

Abaixo, apresento duas versões da música; uma antiga e uma recente, muito diferentes entre elas:


  • Essa versão é de Gene Vincent, datada dos anos 1950. Uma balada, a despeito do estilo Rockabilly de Gene (falei dele naquele post especial sobre os Reis do Rock - se lembram do rapaz que sonhava em ser marinheiro?).



  • Esta versão é da banda Dropkick Murphys, com participação especial de Bruce Springsteen, e saiu no último álbum da banda, Going Out in Style, do ano passado. Coisa interessante nesta banda é o estilo chamado Celtic Rock - ou seja, são essencialmente uma banda de rock, mas com elementos da música celta, como o mandolim e a gaita de fole, misturados. Ficou definitivamente uma versão muito divertida!


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Ósculos e amplexos, volto depois!