Pular para o conteúdo principal

"Eu Ouço Gente Morta": Jeff Buckley

Cedo demais. É só no que consigo pensar sempre que lembro que Jeff Buckley morreu, tão tragicamente, aos 30 anos.

Jeff era filho de Tim Buckley, que foi um cantor americano de folk bastante conhecido nos anos 60. O fardo de ser filho de Tim , apesar de não ter sido criado por ele (seus pais se separaram logo, de modo que Jeff cresceu com a convivência de seu padrasto), o incomodava um pouco - especialmente no começo, quando ele aspirava a carreira musical, mas não queria fazer fama pelo nome do pai que mal conhecia (até então, ele nem usava o nome da família). E esse começo na carreira não foi fácil: Jeff estudou Música e ficou pulando de estado em estado e de emprego em emprego e se apresentando em hotéis e bares cantando covers diversos; até finalmente cair nas mãos do destino primeiro empresário de seu já falecido pai, Herb Cohen, que o ajudou a gravar umas demos. Ironicamente, sua primeira performance em público foi em um concerto em tributo a Tim Buckley, no qual cantou várias canções do pai. A apresentação não apenas alavancou sua própria carreira, como também serviu para que Jeff fizesse 'as pazes' com o pai, dizendo que havia sido "uma maneira de compensar o funeral a que nunca compareci e as coisas que nunca pude dizer".

Com isso, Jeff gravou seu primeiro disco, Grace, que foi o único que lançou em vida. O álbum conta com músicas de autoria própria, em sua maioria. Tanto o álbum quanto o próprio cantor e compositor aparecem até hoje em variadas listas de "os melhores... de todos os tempos". O segundo álbum de Jeff Buckley, Sketches For My Sweetheart The Drunk, foi lançado postumamente.

E foi numa noite de 1997 que o impensável ocorreu. A banda de Jeff estava a caminho de Memphis para encontrá-lo e começarem a trabalhar com algum material novo. Jeff resolveu, enquanto isso, ir nadar, com roupa e tudo, num canalzinho do rio Mississippi, coisa que ele fazia com frequência. Seu roadie, que estava com ele, se afastou por alguns momentos para arrumar um equipamento e, quando voltou, viu que Jeff havia sumido. A procura por ele foi incansável, mas infrutífera. O corpo de Jeff Buckley só foi aparecer seis dias depois, às margens do Rio Mississippi. A autópsia comprovou que não foi encontrado álcool ou qualquer outra droga em seu organismo, e que seu afogamento foi realmente um trágico acidente.



Talvez a característica mais marcante da obra de Jeff Buckley seja sua voz. Jeff tinha arranjos vocais muito variados e incomuns para seu estilo musical, vagamente classificado como 'rock alternativo'. Alcançava notas altas com muita naturalidade e as segurava por bastante tempo, porém sem o uso do falsetto (a não ser por Corpus Christi Carol, que é cantada toda em falsetto). Além da guitarra, Jeff tocou diversos outros instrumentos em estúdio. De modo geral, as composições de Jeff Buckley formam uma bela obra, de execuções sempre emocionantes; e ainda hoje recebe diversas premiações.

Sua canção mais famosa é sua adaptação de um clássico de Leonard Cohen, Hallelujah, que já postei aqui anteriormente. Fiquem com algumas de suas canções próprias:

Lover, You Should've Come Over:

Too young to hold on, but much too old to just break free and run

Yard of Blonde Girls:



Just Like A Woman, cover (lindo!) de Bob Dylan:


E sua versão de Corpus Christi Carol, com o falsetto:


Postagens mais visitadas deste blog

O Dia dos Namorados e a visão de romance por uma assexual arromântica

Vejo que isso vem mudando lentamente, mas, como regra geral, todo mundo é naturalmente criado e tratado como heterossexual (e, consequentemente, heterorromântico). Eu, claro, cresci com essa absoluta certeza e não questionei isso até meados dos meus 20 anos. Até então, achei que eu só era mais "devagar" pra certas coisas, mesmo. Mas vamos ter que voltar um pouco e compartilhar informação demais.
Como expliquei na página de educação e visibilidade, o fato das orientações sexual e romântica serem coisas separadas e muitas vezes não serem correspondentes é o que mais confunde quem demora a "sair do armário". Eu mesma ainda me vejo questionando ambas, embora esteja convencida de que estou, ao menos, em algum espectro de ambas (confira a página mencionada). Não posso falar por todos os assexuais arromânticos porque, obviamente, cada pessoa é diferente da outra e as coisas são diferentes pra todo mundo. Então vou falar por mim.
Embora só tenha percebido isso recentement…

... e ainda mais livros interativos!

2014 está sendo um ano muuuito esquisito... Não sei se tá todo mundo com essa impressão, ou se eu só estou prestando atenção nas coisas esquisitas, mesmo.
De qualquer forma, comentei em alguma postagem anterior sobre a necessidade da terapia que não vou fazer, e como esses livros interativos que tanto estão na moda andam me ajudando a aguentar toda a esquisitice desse ano.
Depois de Destrua Este Diário, que não vou terminar, e Termine Este Livro, que já terminei, peguei outros dois lançamentos: Listografia, de Lisa Nola, e 1 Página de Cada Vez, de Adam J. Kurtz.


O Listografia eu havia visto pelo Pinterest e achei a proposta atrativa pra mim: listar a vida de acordo com os mais variados tópicos. Os temas vão desde coisas simples, como os lugares em que você já morou, o nome de todos os animais de estimação que você já teve, seus programas de TV favoritos, as cidades que você conhece, até assuntos mais reflexivos, como as coisas sobre você que quase ninguém sabe, seus maiores atos de b…

As curiosas origens de 4 famosos jogos de tabuleiro

Adaptado do artigo original do Mental Floss.



Jogos de tabuleiro são uma forma de entretenimento criada pelos egípcios há 5 mil anos e nunca saíram de moda, mesmo que atualmente tenham sido adaptados em vídeo games ou jogos para o celular. Aqui vão as origens de alguns dos sucessos mundiais favoritos:

Monopoly / Banco Imobiliário

Embora seja considerado um jogo que glorifica o capitalismo (tendo sido banido de países como a China e a antiga União Soviética), este clássico foi inventado para representar justamente a ideia oposta. A americana Elizabeth Magie era ativista contra o pagamento de impostos imobiliários, no fim do século 19. Segundo ela e outros simpatizantes, deveria haver apenas um imposto de propriedade, diminuindo assim a diferença de riqueza entre os senhorios e os inquilinos. Para demonstrar de uma maneira fácil como as coisas aconteciam na época, Lizzie patenteou, em 1904, um jogo chamado The Landlord's Game ("O jogo do senhorio"), cujo objetivo era acumula…