23/09/2012

"Eu Ouço Gente Morta": Jeff Buckley

Cedo demais. É só no que consigo pensar sempre que lembro que Jeff Buckley morreu, tão tragicamente, aos 30 anos.

Jeff era filho de Tim Buckley, que foi um cantor americano de folk bastante conhecido nos anos 60. O fardo de ser filho de Tim , apesar de não ter sido criado por ele (seus pais se separaram logo, de modo que Jeff cresceu com a convivência de seu padrasto), o incomodava um pouco - especialmente no começo, quando ele aspirava a carreira musical, mas não queria fazer fama pelo nome do pai que mal conhecia (até então, ele nem usava o nome da família). E esse começo na carreira não foi fácil: Jeff estudou Música e ficou pulando de estado em estado e de emprego em emprego e se apresentando em hotéis e bares cantando covers diversos; até finalmente cair nas mãos do destino primeiro empresário de seu já falecido pai, Herb Cohen, que o ajudou a gravar umas demos. Ironicamente, sua primeira performance em público foi em um concerto em tributo a Tim Buckley, no qual cantou várias canções do pai. A apresentação não apenas alavancou sua própria carreira, como também serviu para que Jeff fizesse 'as pazes' com o pai, dizendo que havia sido "uma maneira de compensar o funeral a que nunca compareci e as coisas que nunca pude dizer".

Com isso, Jeff gravou seu primeiro disco, Grace, que foi o único que lançou em vida. O álbum conta com músicas de autoria própria, em sua maioria. Tanto o álbum quanto o próprio cantor e compositor aparecem até hoje em variadas listas de "os melhores... de todos os tempos". O segundo álbum de Jeff Buckley, Sketches For My Sweetheart The Drunk, foi lançado postumamente.

E foi numa noite de 1997 que o impensável ocorreu. A banda de Jeff estava a caminho de Memphis para encontrá-lo e começarem a trabalhar com algum material novo. Jeff resolveu, enquanto isso, ir nadar, com roupa e tudo, num canalzinho do rio Mississippi, coisa que ele fazia com frequência. Seu roadie, que estava com ele, se afastou por alguns momentos para arrumar um equipamento e, quando voltou, viu que Jeff havia sumido. A procura por ele foi incansável, mas infrutífera. O corpo de Jeff Buckley só foi aparecer seis dias depois, às margens do Rio Mississippi. A autópsia comprovou que não foi encontrado álcool ou qualquer outra droga em seu organismo, e que seu afogamento foi realmente um trágico acidente.



Talvez a característica mais marcante da obra de Jeff Buckley seja sua voz. Jeff tinha arranjos vocais muito variados e incomuns para seu estilo musical, vagamente classificado como 'rock alternativo'. Alcançava notas altas com muita naturalidade e as segurava por bastante tempo, porém sem o uso do falsetto (a não ser por Corpus Christi Carol, que é cantada toda em falsetto). Além da guitarra, Jeff tocou diversos outros instrumentos em estúdio. De modo geral, as composições de Jeff Buckley formam uma bela obra, de execuções sempre emocionantes; e ainda hoje recebe diversas premiações.

Sua canção mais famosa é sua adaptação de um clássico de Leonard Cohen, Hallelujah, que já postei aqui anteriormente. Fiquem com algumas de suas canções próprias:

Lover, You Should've Come Over:

Too young to hold on, but much too old to just break free and run

Yard of Blonde Girls:



Just Like A Woman, cover (lindo!) de Bob Dylan:


E sua versão de Corpus Christi Carol, com o falsetto:


6 comentários:

  1. Muito legal, Manu. Dele mesmo, só conhecia Hallelujah, ainda assim sem ser intrepretada por ele (coisa que conferi imediatamente no seu link). Beijão, valeu!

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  2. Que pena... mas no céu tem mais um anjo cantando. E aqui na Terra, as "tralha" vão ficando...

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  3. Oops, depois que eu comentei que vi que Hallelujah não é dele. Bem, não importa, a interpretação dele é fantástica.

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  4. Dá uma saudade grande desses artistas quando eu vejo no que a musica atual se tornou...

    Eu ouvi Jeff quando Tiago Iorc fez um cover dele, já que é um dos seus cantores favoritos. Mas só tinha ouvido uma musca até então.

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  5. Sabe que eu não conhecia esse tchê? E super, super curti! Que delícia o som dele! *-*


    Beijo Manu, e valeu pela apresentação ao moço simpático!

    ;)

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