22/01/2014

O Desafio Musical de 10 Dias - num post só

Achei no Pinterest:


1.


2. não que vá acontecer.


3. sim, até hoje.


4. hue


5.


6. todos os dias, pelo menos 3 vezes antes de sair de casa.


7. não só a versão deles. Todas as do mundo.


8. mas não é segredo.


9. reclamava pra caramba, mas hoje até sinto falta das intermináveis tardes de domingo com os vinis de música italiana...


10.


14/01/2014

Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos!

Acho que todos já conhecem essa frase. Ela é um exemplo do que chamamos de palíndromo: palavra ou sentença que é idêntica quando lida inversamente (não conheciam? Tentem ler o título de trás pra frente!).

Eu adoro palíndromos. Tenho muito interesse em linguística, então tudo o que for curioso e que a envolva já me desperta a vontade de saber mais.

Existem muitos outros exemplos na língua portuguesa, como:

  • Roma me tem amor.
  • O míssil é belíssimo.
  • O teu drama é amar dueto.
  • A grama é amarga.
  • Morram após a sopa marrom.
  • Lá tem metal.


(confiram uma lista gigantesca aqui)


O artista americano "Weird Al" Yankovic, mundialmente conhecido pelas paródias cômicas de hits de sucesso que vem fazendo desde os anos 1970, tem uma canção interessante:

Bob (Poodle Hat, 2003) é uma composição própria de Yankovic. Tanto o título quanto toda a letra da música são compostos somente por palíndromos. Apesar da canção não ser paródia de uma música de sucesso, o estilo homenageia o de Bob Dylan, e o próprio vídeo é uma paródia do famoso vídeo de Dylan para a canção Subterranean Homesick Blues. Confiram a versão de Yankovic abaixo:



Weird Al Yankovic: Bob from ding dong on Vimeo.

Entre os muitos palíndromos que existem na língua inglesa, alguns dos que ele incluiu na letra estão:

  • Was it a car or a cat I saw?
  • Ah, Satan sees Natasha.
  • Won't lovers revolt, now?


A História diz que o inventor dos palíndromos foi o poeta grego chamado Sótades, por volta de 280 a.C. (antes de ganharem este nome, os palíndromos eram chamados de "versos sotádicos"). Só que, aparentemente, Sótades não foi necessariamente admirado por esta invenção. O poeta tinha tendência a escrever poemas realmente obscenos, e utilizava de seus palíndromos para envergonhar muita gente. Uma das pessoas que ele "homenageou" em seus versos foi o então rei Ptolomeu II, que era casado com a própria irmã. Sótades eternizou este evento em versos que diziam, basicamente, que Ptolomeu estava "enfiando coisas em buracos que não devia". Ele foi, obviamente, preso por isto, mas conseguiu de alguma forma fugir da prisão. Entretanto, foi novamente capturado, e aí sentenciado à morte: diz-se que ele foi confinado, vivo, em um caixão de chumbo, e então jogado no fundo do mar.

Ato idiota!

09/01/2014

Agora, se queremos falar de filhos de lares desestruturados, falemos do Minotauro



Acho importante lembrar a todos que os monstros das mitologias, em sua maioria, são na verdade as grandes vítimas. Falei anteriormente sobre a Medusa, e agora venho falar sobre o Minotauro.

Pra variar, Creta não estava sob os domínios de um rei muito legal. O rei da vez era Minos, um semideus filho de Zeus e da humana Europa, que foi criado pelo rei Astério. Minos não era o herdeiro do trono, mas enganou os irmãos a fim de conseguir o que queria: dizia ele que era favorecido pelos deuses, e que tudo o que ele pedia em suas preces era concedido. 

Para provar, um dia, enquanto fazia sacrifícios a Poseidon, pediu ao deus que o enviasse um belo touro das profundezas do mar, que seria sacrificado em sua homenagem logo em seguida. E Poseidon realmente lhe deu um magnífico touro, mas Minos foi espertão e logo enviou o touro aos seus estábulos particulares, sacrificando ao deus um touro qualquer. Não sei o que tinha na cabeça desse povo achando que podia enganar os deuses assim, então obviamente Poseidon ficou bastante furioso, e jogou a melhor maldição que conseguiu pensar na hora: ele determinou que a esposa de Minos, Pasifae, se apaixonaria perdidamente pelo touro!

Ah, Pasifae queria muito fazer coisas com aquele touro, mas como poderia? Para tanto, suplicou ajuda ao arquiteto Dédalo, que esquematizou a coisa toda: construiu uma vaca de madeira e cobriu-a com pele de vaca de verdade; Pasifae entrou lá, e aí Dédalo largou o trambolhão no pasto onde o touro costumava pastar. O plano deu certo, eles... acasalaram (por favor, não tentem imaginar isso).

Algum tempo depois... Parabéns, é um menino! Ou... um touro. Ou um menino com cabeça de touro. Outros até diziam que era um touro com cabeça de menino. Enfim, vem ao mundo nosso saudável Minotauro (que foi batizado de Astério, mas acho que Minos não curtiu muito a ideia do guri bizarro ter o nome do pai adotivo dele) (aliás, ele não deve ter curtido muita coisa nessa história).

Bom, só que ninguém sabia o que fazer com ele. O Oráculo de Delfos foi consultado, e então foi determinado que a criatura deveria ser mantida para sempre dentro de um labirinto do qual ela jamais encontraria a saída. Dédalo foi novamente chamado para construir tal lugar.

Mosaico datado do século I, do período do Império Romano
O rei Minos já tinha tido outros filhos com Pasifae, antes desse... evento. O mais velho, Androgeu,  estava em Atenas participando dos jogos. Como se saiu esplendidamente bem em várias modalidades, despertou a ira de alguém e foi assassinado. Não sabendo quem era o assassino de seu filho, Minos ordenou por justiça que, todo ano (curiosidade: um ano para eles seriam sete ou nove anos nossos, dependendo da versão), sete homens e mulheres de Atenas fossem enviados ao labirinto, desarmados, para serem devorados pelo Minotauro. A escolha era por sorteio. Essas pessoas também não teriam como fugir do labirinto, uma vez lá dentro, por causa das paradas loucas que Dédalo inventou pro próprio Minotauro não sair de lá. 

Por infelicidade da criatura e felicidade geral da nação, um dos escolhidos (alguns dizem que foi voluntário) da terceira leva de sacrifícios foi o herói de Atenas, Teseu. Chegando em Creta, Teseu conheceu Ariadne, uma das (MUITAS) filhas do rei, e a moça se apaixonou por ele. Ela não queria que ele fosse devorado, então conseguiu convencer Dédalo a contar a ela qual era a saída do labirinto. Conseguindo a informação, Ariadne deu a Teseu uma linha, que ele amarrou à entrada do labirinto, e pela qual encontraria o caminho de volta, se a seguisse. Quando chegou ao centro do labirinto, Teseu encontrou o Minotauro, e o matou com suas próprias mãos (algumas versões da lenda dizem que ele levou uma espada escondida, o que acho meio difícil, mas enfim). (um minuto de silêncio pelo Minotauro)

ilustração por Marco Baldi - http://marcobaldi.blogspot.com.br/

E o que foi do rei Minos, depois desse disparate? Dizem que saiu em perseguição de Dédalo (porque o esperto fugiu depois do deslize de ter contado que o labirinto tinha uma saída) na Sicília, e lá foi morto pela filha de um rei (ela lhe jogou água fervente na cabeça enquanto ele tomava banho - ai). Ele foi enterrado em Creta, em um sarcófago, com a simples inscrição: "O túmulo de Minos, filho de Zeus".

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Bom, a história continua, mas é outra história. A maioria dos monstros e bestas da Mitologia Grega foram, na verdade, frutos de alguma maldição - ou contra eles mesmos, merecendo ou não; ou contra alguém que deu origem a eles, como no caso do Minotauro. Minotauro nasceu híbrido, e não pertencia a lugar nenhum. Foi punido a viver sozinho em um lugar de onde jamais poderia sair, e forçado a comer pessoas inocentes (já que ele não dispunha de mais nada), e morto em um ato de heroísmo que foi dado como a única solução para o problema.

(sempre me intrigou o fato do Minotauro comer gente, já que touros são herbívoros...)

Fonte: Theoi.com

05/01/2014

Mais algumas curiosidades biológicas inúteis

Brinks, todo conhecimento é útil! :)

Como estou devendo um "post biológico" há bastante tempo, vou juntar em um só várias coisinhas interessantes.

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1. Como as moscas conseguem pousar no teto e ficar lá sem cair?

A noção popular acreditava que, ao chegar perto do teto, a mosca dava uma "cambalhota" e se agarrava à superfície. Isso se provou errado quando, em 1958, uma revista científica filmou o pouso das moscas. A verdade é que elas se aproximam do teto em posição normal de voo e, quando querem pousar, esticam as pernas pra cima e as grudam na superfície, um par de cada vez. Mas como elas ficam paradas lá sem que a força da gravidade as derrube? Novamente, cientistas acreditavam que tinha algo a ver com os pelinhos de suas patas. Não estavam totalmente errados: em 2006, descobriu-se que esses pelinhos secretam uma substância bastante grudenta, que as mantêm presas à superfície, mas nem tanto que as impeça de saírem quando precisarem. Entretanto, as moscas não têm controle sobre a secreção desta substância, então também as secretam quando pousam "do lado certo". Como o processo de se desgrudar da superfície exige muito esforço delas, ao pousarem "do lado certo", nunca o fazem com todas as patas. Essa substância grudenta é a responsável pela enorme quantidade de doenças que as moscas podem transmitir: pousando em tudo, um pouco de tudo se agarra a elas. 

2. As traças comem mesmo nossas roupas?

Bom, boa e má notícias: a boa é que as traças não comem roupas. Na real, traças não comem nada, porque, pasmem, elas nem têm boca! Tudo o que as traças fazem é se acasalar, botar ovos, e morrer. A má notícia é que quem come as nossas roupas são as larvas, e elas têm um apetite voraz. Elas extraem as proteínas da queratina, presente em todos os tecidos naturais (lã, seda, algodão, peles, penas etc.). E, se o tecido for sintético, tipo poliéster, aí que elas fazem mais estrago: vão cortando caminho até acharem comida. De tudo o que comem, grande parte das fibras são aproveitadas para a formação do casulo (aquele cinza que a gente vê andando na parede atrás de quadros, às vezes), e aí, depois da metamorfose, elas se transformam em traças propriamente ditas, com asas e sem bocas. Mas se livrar das larvas não é fácil: os ovos aguentam temperaturas de -8°C até 50°C. Então como evitar que as traças botem ovos em suas roupas? Não as guarde úmidas (recém-tiradas do varal), ou sujas (especialmente suadas): traças precisam de umidade para se alimentar, então as mamães botam os ovos nos locais propícios. 

3. Quase todo mundo só respira por uma narina de cada vez.

E elas se alternam em ciclos de mais ou menos quatro horas, e a gente nem percebe (lógico, isso não acontece com todos - se restringe a 85% da população - e não considera casos de constipação ou de quem tem desvio de septo). Isso acontece graças a um tecido erétil dentro do nariz que se estica e bloqueia um orifício de cada vez, e foi primeiro notado por um cientista alemão em 1895. Mais interessante ainda: uma pesquisa de 1988 provou que respirar com mais frequência por uma narina ou outra provoca grandes mudanças no nosso corpo. Por exemplo, respirar mais frequentemente pela narina direita aumenta o nível de glucose no sangue (chegou a ser especulado que respirar muitos anos apenas pela narina direita seria uma das causas da diabetes!). Um outro estudo, de 1993, também mostrou que respirando pela narina direita aproveita-se muito mais oxigênio. Já um diferente estudo, de 1994, mostrou que respirar com mais frequência por uma narina ou outra também opera mudanças no cérebro: respirar mais pelo lado esquerdo ativa mais o lado esquerdo do cérebro (o responsável pela lógica), e respirar pelo lado direito ativa o lado direito do órgão (responsável pela criatividade). Diz-se que forçar a respiração por um lado ou outro por algum tempo pode realmente afetar os hemisférios do cérebro brevemente. Para forçar a respiração por uma narina ou outra, não precisa apertar o nariz: basta deitar-se de lado, que o tecido erétil age sozinho. É também por isso que mudamos constantemente de posição ao dormirmos.

4. Basicamente tudo o que chamamos de vegetais são frutas.

Maçãs são frutas, ok. Bananas são frutas, ok. Tomates também são frutas, isso vocês já sabem. E pepinos também. Sim, pepinos, pimentões, milho, berinjela, é tudo fruta. Do ponto de vista botânico, fruta é tudo o que faz parte da planta que carrega suas sementes. Portanto, tudo o que tiver sementes é fruta. Isso inclui as próprias sementes: feijões, ervilhas, grãos em geral, e castanhas (inclusive, a fruta é a castanha-de-caju, não o caju!). Mas então, o que é vegetal? Vegetal é todo o resto que não tem ou não é semente: raízes (cenouras e rabanetes), folhas (alface, acelga, espinafre), caules (gengibre e aipo) e até botões de flor (couve-flor e brócolis). E a pergunta inevitável: então por que a gente aprendeu errado, e por que os supermercados e feiras separam tudo errado? Culpa da culinária antiga: costumava-se separar tudo por gosto, assim as frutas seriam geralmente doces ou cítricas, e o restante seria vegetal. 

5. Ratos não gostam de queijo.


O olfato dos ratos é muito forte, então, na verdade, o cheiro de qualquer queijo é realmente repulsivo para eles (apesar de que, se estiverem com muita fome, eles comem de tudo - tipo roupas, caixas de papelão, revistas velhas...). Ratos preferem comer frutas, grãos e doces. Algumas espécies até comem insetos e outros animais pequenos. Tudo o que eles costumavam comer antes que o homem inventasse o queijo, há 10 mil anos. Como surgiu este mito, porém, não se sabe. Alguns dizem que, antigamente, os comerciantes de grãos e queijos armazenavam tudo no mesmo recinto. Sabendo que ratos atacariam os grãos, estes eram bem guardados contra as pragas. Já os queijos, nem tanto: precisavam ficar descobertos, respirando. Com fome, os ratos comem qualquer coisa; então, na dificuldade de conseguir os grãos, eles atacavam os queijos, mesmo. Outra teoria remonta à mitologia grega. O deus Apolo era associado aos ratos (que existiam aos montes em seus templos), e também foi quem ensinou os homens a fazer queijo. Vai saber.



Espero que eu tenho ensinado algo hoje, haha.


03/01/2014

Qual era o problema dos reis da Birmânia com elefantes?


Estava eu aqui lendo "A Miscelânea Original de Schott" (um livro sobre tudo ao mesmo tempo e nada específico - tipo isso aqui), e uma das seções se chama "Mortes Curiosas de Reis da Birmânia" (a Birmânia é conhecida atualmente por Myanmar). Quase todas têm a ver com elefantes. Que diabos?

Primeiro tivemos Uzana de Bagan. Pelo que se sabe, Uzana não era muito chegado nos deveres do reino e preferia beber e caçar elefantes. Morreu em 1256, pisoteado por um (bem feito, aliás).

O próximo foi o príncipe regente Minrekyawswa. Tentei pesquisar sobre ele, mas é muito difícil encontrar informações, sem ser a de sua curiosa morte. Parece que ele estava tentando resolver uma guerra muito importante, quando morreu em 1417 esmagado pelo próprio elefante.

Depois teve Razadarit. O cara era excelente militar e deixou de legado um império que resistiu mais 118 anos depois de sua morte, mas dizem que era terrivelmente paranoico, provocando o suicídio de sua amante e condenando o próprio filho à morte (apesar disso, sua filha Shin Sawbu foi a primeira e única rainha da Birmânia, e dizem que a melhor regente da história do país). Também era chegado em caçar elefantes, e em 1423 acabou morrendo enrolado na corda que usava para laçá-los.

E aí veio Tabinshwehti. Foi um rei notável, que uniu muitos reinos e aumentou consideravelmente a fortuna do país (e é aclamado até hoje como um dos mais amados da história do país, sendo que seu espírito é um dos 37 adorados nos cultos de lá). Infelizmente, conquistou algumas inimizades, e foi enganado ao ser chamado para uma caçada a um elefante branco fora do país. Foi uma armadilha, é claro, e o rei foi decapitado por seus inimigos enquanto dormia, na manhã do seu aniversário de 34 anos, em 1550.


... karma?