05/01/2014

Mais algumas curiosidades biológicas inúteis

Brinks, todo conhecimento é útil! :)

Como estou devendo um "post biológico" há bastante tempo, vou juntar em um só várias coisinhas interessantes.

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1. Como as moscas conseguem pousar no teto e ficar lá sem cair?

A noção popular acreditava que, ao chegar perto do teto, a mosca dava uma "cambalhota" e se agarrava à superfície. Isso se provou errado quando, em 1958, uma revista científica filmou o pouso das moscas. A verdade é que elas se aproximam do teto em posição normal de voo e, quando querem pousar, esticam as pernas pra cima e as grudam na superfície, um par de cada vez. Mas como elas ficam paradas lá sem que a força da gravidade as derrube? Novamente, cientistas acreditavam que tinha algo a ver com os pelinhos de suas patas. Não estavam totalmente errados: em 2006, descobriu-se que esses pelinhos secretam uma substância bastante grudenta, que as mantêm presas à superfície, mas nem tanto que as impeça de saírem quando precisarem. Entretanto, as moscas não têm controle sobre a secreção desta substância, então também as secretam quando pousam "do lado certo". Como o processo de se desgrudar da superfície exige muito esforço delas, ao pousarem "do lado certo", nunca o fazem com todas as patas. Essa substância grudenta é a responsável pela enorme quantidade de doenças que as moscas podem transmitir: pousando em tudo, um pouco de tudo se agarra a elas. 

2. As traças comem mesmo nossas roupas?

Bom, boa e má notícias: a boa é que as traças não comem roupas. Na real, traças não comem nada, porque, pasmem, elas nem têm boca! Tudo o que as traças fazem é se acasalar, botar ovos, e morrer. A má notícia é que quem come as nossas roupas são as larvas, e elas têm um apetite voraz. Elas extraem as proteínas da queratina, presente em todos os tecidos naturais (lã, seda, algodão, peles, penas etc.). E, se o tecido for sintético, tipo poliéster, aí que elas fazem mais estrago: vão cortando caminho até acharem comida. De tudo o que comem, grande parte das fibras são aproveitadas para a formação do casulo (aquele cinza que a gente vê andando na parede atrás de quadros, às vezes), e aí, depois da metamorfose, elas se transformam em traças propriamente ditas, com asas e sem bocas. Mas se livrar das larvas não é fácil: os ovos aguentam temperaturas de -8°C até 50°C. Então como evitar que as traças botem ovos em suas roupas? Não as guarde úmidas (recém-tiradas do varal), ou sujas (especialmente suadas): traças precisam de umidade para se alimentar, então as mamães botam os ovos nos locais propícios. 

3. Quase todo mundo só respira por uma narina de cada vez.

E elas se alternam em ciclos de mais ou menos quatro horas, e a gente nem percebe (lógico, isso não acontece com todos - se restringe a 85% da população - e não considera casos de constipação ou de quem tem desvio de septo). Isso acontece graças a um tecido erétil dentro do nariz que se estica e bloqueia um orifício de cada vez, e foi primeiro notado por um cientista alemão em 1895. Mais interessante ainda: uma pesquisa de 1988 provou que respirar com mais frequência por uma narina ou outra provoca grandes mudanças no nosso corpo. Por exemplo, respirar mais frequentemente pela narina direita aumenta o nível de glucose no sangue (chegou a ser especulado que respirar muitos anos apenas pela narina direita seria uma das causas da diabetes!). Um outro estudo, de 1993, também mostrou que respirando pela narina direita aproveita-se muito mais oxigênio. Já um diferente estudo, de 1994, mostrou que respirar com mais frequência por uma narina ou outra também opera mudanças no cérebro: respirar mais pelo lado esquerdo ativa mais o lado esquerdo do cérebro (o responsável pela lógica), e respirar pelo lado direito ativa o lado direito do órgão (responsável pela criatividade). Diz-se que forçar a respiração por um lado ou outro por algum tempo pode realmente afetar os hemisférios do cérebro brevemente. Para forçar a respiração por uma narina ou outra, não precisa apertar o nariz: basta deitar-se de lado, que o tecido erétil age sozinho. É também por isso que mudamos constantemente de posição ao dormirmos.

4. Basicamente tudo o que chamamos de vegetais são frutas.

Maçãs são frutas, ok. Bananas são frutas, ok. Tomates também são frutas, isso vocês já sabem. E pepinos também. Sim, pepinos, pimentões, milho, berinjela, é tudo fruta. Do ponto de vista botânico, fruta é tudo o que faz parte da planta que carrega suas sementes. Portanto, tudo o que tiver sementes é fruta. Isso inclui as próprias sementes: feijões, ervilhas, grãos em geral, e castanhas (inclusive, a fruta é a castanha-de-caju, não o caju!). Mas então, o que é vegetal? Vegetal é todo o resto que não tem ou não é semente: raízes (cenouras e rabanetes), folhas (alface, acelga, espinafre), caules (gengibre e aipo) e até botões de flor (couve-flor e brócolis). E a pergunta inevitável: então por que a gente aprendeu errado, e por que os supermercados e feiras separam tudo errado? Culpa da culinária antiga: costumava-se separar tudo por gosto, assim as frutas seriam geralmente doces ou cítricas, e o restante seria vegetal. 

5. Ratos não gostam de queijo.


O olfato dos ratos é muito forte, então, na verdade, o cheiro de qualquer queijo é realmente repulsivo para eles (apesar de que, se estiverem com muita fome, eles comem de tudo - tipo roupas, caixas de papelão, revistas velhas...). Ratos preferem comer frutas, grãos e doces. Algumas espécies até comem insetos e outros animais pequenos. Tudo o que eles costumavam comer antes que o homem inventasse o queijo, há 10 mil anos. Como surgiu este mito, porém, não se sabe. Alguns dizem que, antigamente, os comerciantes de grãos e queijos armazenavam tudo no mesmo recinto. Sabendo que ratos atacariam os grãos, estes eram bem guardados contra as pragas. Já os queijos, nem tanto: precisavam ficar descobertos, respirando. Com fome, os ratos comem qualquer coisa; então, na dificuldade de conseguir os grãos, eles atacavam os queijos, mesmo. Outra teoria remonta à mitologia grega. O deus Apolo era associado aos ratos (que existiam aos montes em seus templos), e também foi quem ensinou os homens a fazer queijo. Vai saber.



Espero que eu tenho ensinado algo hoje, haha.