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Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos!

Acho que todos já conhecem essa frase. Ela é um exemplo do que chamamos de palíndromo: palavra ou sentença que é idêntica quando lida inversamente (não conheciam? Tentem ler o título de trás pra frente!).

Eu adoro palíndromos. Tenho muito interesse em linguística, então tudo o que for curioso e que a envolva já me desperta a vontade de saber mais.

Existem muitos outros exemplos na língua portuguesa, como:

  • Roma me tem amor.
  • O míssil é belíssimo.
  • O teu drama é amar dueto.
  • A grama é amarga.
  • Morram após a sopa marrom.
  • Lá tem metal.


(confiram uma lista gigantesca aqui)


O artista americano "Weird Al" Yankovic, mundialmente conhecido pelas paródias cômicas de hits de sucesso que vem fazendo desde os anos 1970, tem uma canção interessante:

Bob (Poodle Hat, 2003) é uma composição própria de Yankovic. Tanto o título quanto toda a letra da música são compostos somente por palíndromos. Apesar da canção não ser paródia de uma música de sucesso, o estilo homenageia o de Bob Dylan, e o próprio vídeo é uma paródia do famoso vídeo de Dylan para a canção Subterranean Homesick Blues. Confiram a versão de Yankovic abaixo:



Weird Al Yankovic: Bob from ding dong on Vimeo.

Entre os muitos palíndromos que existem na língua inglesa, alguns dos que ele incluiu na letra estão:

  • Was it a car or a cat I saw?
  • Ah, Satan sees Natasha.
  • Won't lovers revolt, now?


A História diz que o inventor dos palíndromos foi o poeta grego chamado Sótades, por volta de 280 a.C. (antes de ganharem este nome, os palíndromos eram chamados de "versos sotádicos"). Só que, aparentemente, Sótades não foi necessariamente admirado por esta invenção. O poeta tinha tendência a escrever poemas realmente obscenos, e utilizava de seus palíndromos para envergonhar muita gente. Uma das pessoas que ele "homenageou" em seus versos foi o então rei Ptolomeu II, que era casado com a própria irmã. Sótades eternizou este evento em versos que diziam, basicamente, que Ptolomeu estava "enfiando coisas em buracos que não devia". Ele foi, obviamente, preso por isto, mas conseguiu de alguma forma fugir da prisão. Entretanto, foi novamente capturado, e aí sentenciado à morte: diz-se que ele foi confinado, vivo, em um caixão de chumbo, e então jogado no fundo do mar.

Ato idiota!

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