14/02/2014

Top 3: Cachorradas incríveis

Cães são naturalmente incríveis. Mas esses aqui conseguiram ser mais.


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Sargento Stubby

fonte: Wikipedia

Esse pit bull simpático foi encontrado abandonado no campus da Universidade de Yale em Connecticut, EUA, em 1917. Um grupo de soldados estava fazendo treinamento lá, e o cão se juntou a eles e logo ganhou o apreço do Cabo Robert Conroy. Quando o grupo precisou ir embora, Conroy levou o cachorro consigo, escondido. Lógico que logo descobriram o cão no navio, mas o deixaram ficar, porque... ora, porque ele era disciplinado e todos o adoravam por ser simpático e fofo.

Bom, resumindo, Stubby foi à guerra! E não qualquer guerra: passou 18 meses em uma trincheira na França, em plena Primeira Guerra Mundial. Participou de 17 batalhas e 4 ofensivas. A certa altura, foi ferido por uma granada, mas o exército o colocou na retaguarda até que ele se recuperasse, e logo ele voltou às trincheiras. Stubby era útil porque, além de levantar o moral dos soldados, farejava de longe os ataques com gás (latindo para que os soldados colocassem suas máscaras), localizava soldados feridos onde os outros não conseguiam explorar, avisava quanto à detonação de artilharia antes que os soldados pudessem ouvi-las, e até surpreendeu e capturou um espião alemão com muitas mordidas.

Por todos esses feitos, Stubby não tinha o título de "sargento" como um gracejo: ele foi REALMENTE condecorado. Recebeu 11 medalhas, e até ganhou uma roupinha para que pudesse exibir todas elas.

Quando a guerra acabou, Conroy levou Sargento Stubby para casa, onde virou celebridade e participou de muitos desfiles.


Smoky

Fonte: Wikipedia | copyright @ Yank Magazine

A yorkshire terrier Smoky não foi uma oficial do exército como o Sargento Stubby, mas participou da guerra (neste caso, a Segunda) mesmo assim.  Smoky foi encontrada por um soldado americano em uma floresta em Nova Guiné, já adulta. Inicialmente, os soldados acharam que ela pertencia aos japoneses, mas logo viram que ela não respondia a comandos em japonês, e nem em inglês. Não muito depois, Smoky foi vendida ao Cabo William Wynne (o outro soldado precisava de dinheiro para poder voltar a uma partida de poker...).

Pelos próximos dois anos, Smoky acompanhou Wynne em todas as batalhas pelo Pacífico, morava com ele em sua tenda, e ele dividia com ela sua comida. Como ela não era um cão oficial do exército, não tinha direito à ração especial dos outros cães, e nem auxílio veterinário. Mas ela nunca precisou, pois nunca se machucou ou ficou doente. E a falta de título não a impediu de ganhar 8 medalhas de combate: ela sobreviveu a 150 ataques aéreos, a um tufão, e a um salto de paraquedas com um equipamento desenvolvido especialmente para ela (a foto histórica pode ser vista aqui). Alguns soldados dizem que ela também salvou suas vidas, ao avisar sobre os disparos antes que eles pudessem ouvi-los. Enquanto isso, ela foi treinada e ajudou o exército com inúmeras tarefas.

Depois da guerra, Wynne e Smoky voltaram pra casa e a cadelinha virou sensação nacional, aparecendo em diversos programas de TV e exibindo os truques que sabia.


São Guinefort

Fonte: What Remains Now

Não é como no caso da antiga religião egípcia em que os deuses tinham cabeças ou outros membros de animais.

Era um santo cachorro, mesmo.

Guinefort foi o cão de um cavaleiro francês, no século 13. Diz a história que este cavaleiro precisou ir a uma batalha, e deixou seu filho, um bebê, aos cuidados do fiel Guinefort. Quando retornou, o bebê não estava em lugar algum, e o cão estava com a boca toda ensanguentada. O pai, desesperado, achou que o cachorro havia comido seu filho, e então o sacrificou. Mais tarde, ouviu o choro do bebê, e descobriu que ele estava escondido debaixo de seus lençóis, ao lado de uma serpente morta. Guinefort havia matado a serpente e protegido a criança.
 
Sentido por ter abatido seu fiel cão, o enterrou e fez uma espécie de altar para ele. Com o passar do tempo e o contar da história, surgiu uma crença local de que aconteciam milagres naquele túmulo, o que automaticamente "canonizou" Guinefort. Mães de todos os lugares levavam seus filhos doentes para que fossem curados. Mas, como infelizmente acontece com tudo o que vira fanatismo, algumas mães ficaram bem extremas e acabavam sacrificando seus filhos em oferenda ao "santo".

Esses rituais aconteceram todos os anos até serem finalmente encerrados em 1930, quando a Igreja Católica conseguiu definitivamente desoficializar o status de santo de Guinefort.

10/02/2014

Então você não gosta de ficção científica...

Jamais me esquecerei do dia em que estava conversando com uma aluna sobre o filme Gravidade. Ela disse que não o havia assistido, então expliquei sobre o que se tratava: astronautas que ficam à deriva no espaço. Ela então torce o nariz e diz: "Ah não, então nem vou assistir. Não gosto de filme sobre coisa que não existe". 



Tento até hoje me convencer de que ela não acha realmente que astronautas não existem, mas entendi a crítica. Apesar de ser um gênero em constante crescimento - especialmente nos últimos anos, agora que a tecnologia permite abusar dos efeitos especiais -, tanto os filmes como a literatura de ficção científica ainda são recebidos com certo desdém por grande parte do público. Muitos acham difícil acompanhar os diálogos cheios de termos técnicos da Física abundantes nos episódios de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração. Até mesmo em Doctor Who, em que as explicações dos fenômenos são completamente e propositadamente inventadas (não exigindo do público que pense demais). Dentre a literatura, a ficção científica sempre foi desmerecida, considerada um ato de "prostituição" pelos escritores e leitores eruditos.

Mas a verdade é que a ficção científica não é "sobre coisa que não existe". É sobre que coisas que não existem... AINDA. No último século, dezenas das invenções que hoje fazem parte do nosso dia-a-dia foram creditadas a filmes e livros do gênero. Quero lhes mostrar algumas delas:

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Submarino Nuclear




Como eu comentei em um post recente, Júlio Verne deu a solução aos engenheiros navais quanto a uma forma de energia eficiente para submarinos - que já estavam sendo desenvolvidos, mas ainda tinham este problema de funcionamento. Ao sugerir uma bateria elétrica em seu famoso Nautilus, de 20.000 Léguas Submarinas, Verne possibilitou a construção e sucesso do primeiro submarino do tipo, em 1958. Isso em 1870, uma época em que a simples eletricidade ainda era novidade.

Cápsula Espacial / Foguete



Um creditado também a Júlio Verne, o outro a H.G. Wells. Em Da Terra À Lua, de 1865, Verne não só criou um dispositivo tripulado capaz de chegar à Lua, como descreveu com incrível acurácia os efeitos da gravidade zero no corpo humano. As primeiras experiências em desenvolver algo do tipo ocorreram na década de 1950, e a primeira tripulada foi a que levou Yuri Gargarin, em 1961. Quanto ao foguete moderno, o inventor Robert Goddard patenteou os aperfeiçoamentos que fez nos modelos antigos na década de 1920 - ele foi ridicularizado na época, mas hoje é considerado um dos fundadores da ciência dos foguetes. Ele creditou suas ideias a H.G. Wells, pelo que escreveu em A Guerra dos Mundos, de 1897.

Projeção Holográfica



Mais uma que devemos a Verne. De sua obra de 1863, O Castelo dos Cárpatos, Verne esquematizou todo o processo de projeção holográfica, até a transmissão de áudio. A primeira experiência bem-sucedida com hologramas só ocorreu na década de 1940, sendo aperfeiçoada nos anos 1960 com o desenvolvimento da tecnologia a laser.

Telefone Celular


Martin Cooper, diretor de pesquisas da Motorola e inventor do celular, credita a invenção dos anos 1970 a Jornada nas Estrelas, de 1966, onde o Capitão Kirk e seus oficiais em missão usavam comunicadores portáteis para se comunicar uns com os outros. E o conceito não é apenas este: os comunicadores eram em modelo flip e com bluetooth.


Tablet


Já foram eram vistos na série original, mas foram aperfeiçoados e mais utilizados n'A Nova Geração de Jornada nas Estrelas, de 1987. Quando Steve Jobs anunciou o lançamento do iPad, em 2010, ele exibiu cenas de Star Trek para mostrar o que o aparelho era capaz de fazer.

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Outras tantas invenções, como o helicóptero moderno (novamente Julio Verne), o Google Glasses (novamente Jornada nas Estrelas), leitores de e-books (Douglas Adams, em O Guia do Mochileiro das Galáxias), e a própria Internet (vários), também são creditadas a concepções apresentadas em vários clássicos da ficção científica. O fato é que este tipo de entretenimento desperta a imaginação dos nossos verdadeiros cientistas e inventores, e os impulsiona a criar todas essas coisas para que todos possam usar. Atualmente, existem tantos outros projetos saindo das telas e das páginas e se tornando realidade. Nem todos são para o entretenimento: grande parte deles são ferramentas para a saúde e ciência (como o tricorder, também de Jornada nas Estrelas, que diagnostica doenças, aspectos ambientais dos lugares, e basicamente tudo).

Nossas mentes práticas precisam das mentes criativas. Não desmereçam a imaginação fértil de nossos escritores e roteiristas: a humanidade tem dependido muito dela.