29/03/2014

Cover: "Blue Moon"

Conheci e amei essa música na época em que ainda assistia novela (!). Sua versão mais famosa foi tema de abertura de O Beijo do Vampiro, de 2002. De lá pra cá conheci outras tantas versões, mais antigas e mais novas, e gosto muito de várias delas. Mas desconfio de que a favorita ainda é a doo-wop (porque doo-wop é amor, registrem a informação).

Destacarei algumas dentre as dezenas de versões.

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Blue Moon foi escrita por Richard Rodgers e Lorenz Hart em 1934, e originalmente lançada em 1935 por Glen Gray & The Casa Loma Orchestra. Foi uma balada de sucesso, cuja letra (alterada da original, que não foi bem sucedida) soa como alguém que faz preces à lua para encontrar o verdadeiro amor.

Blue Moon
You saw me standing alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own

Blue Moon
You knew just what I was there for
You heard me saying a prayer for
The one I really could care for

And then there suddenly appeared before me
The only one my arms would ever hold
I heard somebody whisper "please, adore me"
And when I looked, the moon had turned to gold!

Oh, Blue Moon
Now I'm no longer alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own.


A versão de Mel Tormé, de 1949, talvez seja a que comumente acreditam ser a original. É, com certeza, a que inspirou a maioria das versões posteriores.


No jazz, temos Billie Holiday (aquela linda) em seu estilo vocal peculiar na  versão de 1952; e Ella Fitzgerald (aquela outra linda), com sua voz maravilhosa, na versão de 1956.


Elvis Presley soltou a sua versão em seu primeiro álbum, de 1956, introduzindo a canção ao rock and roll, e servindo de inspiração para a versão de Chris Isaak (1994) e de várias outras bandas do estilo.



Em 1961, Frank Sinatra lança sua famosa e animada versão jazz.



Também em 1961, The Marcels lançam sua deliciosa versão em doo-wop (foi esta que serviu de tema à referida novela).



A banda country The Mavericks e a versão de 1995, que ficou famosa ao aparecer no filme Apolo 13.



E, finalmente, a versão de 2011 da Beady Eye ("Oasis Sem o Noel", como carinhosamente a chamo), lançada em publicidade da nova camiseta do time de futebol britânico Manchester City.

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Cabô.

13/03/2014

Cucos são babacas.



Este singelo relógio não é um singelo relógio: é um pedacinho do inferno que a minha mãe insiste em manter funcionando. A cada hora é acionado um dispositivo que imita o canto de algum pássaro (provavelmente de cuco, embora eu não tenha certeza). Em seguida, vêm as badaladas correspondentes à hora (não nas horas exatas, vejam bem. O botão de ajustar as horas não funciona, então, por algum motivo, o dispositivo é acionado a cada hora +27 minutos). E ainda depois disso, como se toda essa barulheira já não fosse suficiente, começa a tocar 10s de alguma música clássica (varia de hora pra hora). Como essa peça interessante fica no escritório, dá pra ouvir da casa inteira, e não há filme que seja assistido sem interrupção.

Enfim, um dia o destino agirá sobre ele, como agiu com o rádio-relógio que eu também desprezava. Tá avisada, mãe.


Então, vim falar de cucos.

Cucos não são passarinhos legais. 
(Não é à toa que alguns lugares os chamam de "anus". Dá pra fazer muitos trocadilhos.)

São encontrados basicamente no mundo todo, exceto na Antártica, e a maioria de nós conhece seu nome ou seu canto por causa dos famosos relógios cuco, que contêm uma réplica do pássaro que é ejetada de hora em hora, nos agraciando os ouvidos com seu canto peculiar (alguns ainda têm as badaladas e a música clássica também) (de quem foi essa ideia genial?). Já estão usando essas coisas desde o século 17, e parece que isso nunca vai sair de moda.

Então, voltando aos cucos de verdade. Os cucos são aves parasitas. E como são as aves parasitas, vocês me perguntam?

Foto por Chris Romeiks. Fonte: Wikipedia


Cucos são preguiçosos, então eles não fazem nem o próprio ninho. Mamãe cuco bota os ovinhos nos ninhos de outros pássaros e vai embora. SIM, EMBORA. Os donos do ninho não percebem que tem um ovo diferente por lá, então a mamãe desavisada acaba chocando o ovo de cuco junto com seus próprios.

Como a gestação do cuco é menor, ele invariavelmente nasce antes dos outros. Bom, um cuco é um pássaro grande (algumas espécies chegam a medir mais de 60 cm!), então, normalmente, ele ocupa um bom espaço do ninho. Então, depois que ele nasce, sabem o que ele faz? ELE CHUTA OS OUTROS OVOS PRA FORA DO NINHO (e sabem o que ele faz com os filhotes que chegam a nascer antes de ele chutar os ovos pra fora? CHUTA ELES PRA FORA TAMBÉM!).

E como se isso já não fosse descaramento suficiente (invasão de propriedade e infanticídio), a dona do ninho não se dá conta de tudo isso e fica criando o filhote de cruz-credo até sua maturidade. Traz comidinha pra ele e dá na boca!

Sério? SÉRIO?! (Foto por Per Harald Olsen. Fonte: Wikipedia)

E aí, depois que eles crescem, continuam vagabundos. A maioria das espécies é sedentária, então nem migrar essas criaturas migram (salvo algumas. Uma delas chega a voar 4 mil km sem escala, vamos respeitar).

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É isso o que eu tinha pra falar sobre cucos.

05/03/2014

Coisas do dia-a-dia que todos nós estamos fazendo errado

via 9gag


Depois de ter visto a imagem acima no Facebook, me lembrei desta matéria que estava guardada aqui na barra de favoritos há um tempão, e agora finalmente a compartilho com vocês.

Descubram algumas coisas relativamente naturais que fazemos diariamente do jeito errado:

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Fazer cocô




Acho seguro dizer que, na grande maioria dos lugares onde vamos fazer o número 2, o fazemos em um vaso sanitário. A questão é que o vaso sanitário é uma invenção relativamente recente (especialmente quando comparada à história da humanidade, que vem fazendo caca desde sempre) - do século 19, quando começamos a ter encanamento dentro de casa. Porém, estudos confirmam que o uso do vaso sanitário é o principal causador de hemorroidas e de prisão de ventre - doenças que vêm piorando desde que inventaram os vasos sanitários mais modernos, que são um pouco mais altos que os antigos.

Mas, se não for assim, qual é o jeito certo?

Tenho certeza de que vocês já adivinharam. Em 2003, um estudo foi conduzido entre 28 pessoas que deveriam fazer suas necessidades em 3 posições: sentados em um vaso sanitário moderno, mais alto; sentados em um vaso antigo, mais baixo; e agachados. Os resultados apontaram que, quando agachados, o processo todo era mais rápido e mais fácil - o que faz sentido, já que a humanidade estava fazendo assim desde sempre (alguns países orientais ainda fazem assim, inclusive). Proctologistas defendem que o nosso sistema excretor não foi desenhado para funcionar sentado, o que obstrui o intestino.

Mas calma, não precisam sair arrancando os vasos de suas casas, e, por favor, não tentem ficar agachados em cima do vaso (aí vocês escorregam e batem a cabeça e a culpa é minha). Dá pra se virar colocando um apoio alto debaixo dos pés e se sentar bem inclinado para a frente. 


Tomar banho




Viver em sociedade nos ensinou que, se quisermos estar perto de outras pessoas, devemos tomar aqueles banhos caprichados. Pra isso, nos esfregamos com força usando esponjas com água quente, sabonetes cheirosos, e alguns até fazem isso mais de uma vez por dia.

Tudo errado.

Água quente, sabonetes abrasivos e esponjas ásperas destroem uma coisa chamada estrato córneo, ou camada de queratina. Essa camada de pele é constituída de células mortas que estão ali por um bom motivo: proteger a nossa pele contra doenças. "Mas que coisa porca, como é que eu vou me livrar dos microrganismos nocivos se não me esfregar?". A verdade é que o banho nunca nos livrou dos microrganismos: sabonetes simplesmente removem uma colônia de microrganismos de um lugar do corpo e o passam pra outro.

Estudos comparativos comprovaram que o número de colônias de microrganismos não é significativamente diferente entre pessoas que tomam apenas um banho por dia e pessoas que tomam vários. E, ainda que funcionem, cientistas recomendam que não se use sabonetes antissépticos diariamente, já que todo antibiótico "encoraja" os microrganismos a evoluírem e se tornarem imunes a ele.

Mas, se não for assim, qual é o jeito certo?

Não tem um número certo de banhos que devamos tomar por semana, mas o importante é não destruir o estrato córneo, ou dar um tempo para que ele se regenere. Para isso, seria necessário pular um dia de banho. Como vivemos em um país tropical onde ficar um dia sem tomar banho é impensável, a maneira de contornar a situação é procurar tomar banho com água fria ou morna, deixar de usar sabonete pelo menos uma vez por semana, e usar hidratante corporal.


Respirar



A essas alturas deve estar todo mundo já desanimado de viver ("Nem respirar eu respiro direito!"). Se alguém lhes pede para respirar fundo, reparem no movimento que vocês farão: vão levantar os ombros e inflar o peito - o que parece lógico, já que os pulmões ficam no peito, né? Mas os pulmões são apenas os órgãos que armazenam o oxigênio, e o músculo que a gente deve realmente utilizar para a respiração é o diafragma, que fica bem abaixo dos pulmões e acima da barriga. Bom, o problema de se respirar com o peito é que, assim, só preenchemos a parte superior dos pulmões, quando os vasos sanguíneos que realmente trabalham para aproveitar o oxigênio inspirado ficam na parte de baixo. Isso implica em oxigênio desperdiçado e em respiração mais rápida do que o correto, o que leva a dores de cabeça, fadiga, ansiedade, e até a crises de pânico. 

Mas, se não for assim, qual é o jeito certo?

É o que a gente chama de "respirar com a barriga". Apenas os bebês fazem isso certo, e a gente mesmo só faz direito quando tá dormindo. Ao respirar, tente inflar a barriga, e não o peito. Isso fortalece o diafragma e, consequentemente, melhora a respiração, o aproveitamento de oxigênio, e significa um melhor funcionamento geral do corpo e do cérebro.

Dormir




Não acontece com todo mundo, mas muitos de nós não conseguem dormir as tais 8 horas corridas. Muitos acordam, perdem o sono, e dormem de novo. Se isso é frequente, muitas dessas pessoas vão procurar um médico e terão remédios receitados para apagarem à noite. O que é um erro, porque são essas pessoas que estão "dormindo" certo.

Antes da lâmpada ser inventada, as pessoas que moravam em lugares onde as noites eram mais longas dormiam em segmentos: um sono direto de 4 a 5 horas, um despertar de mais ou menos uma hora quando eles faziam atividades noturnas diversas, e mais uma soneca de 4 a 5 horas. Com um interruptor à mão, nossa hora de dormir foi sendo jogada pra cada vez mais tarde, reduzindo uma noite de 11 horas pra uma noite de 8 (quando a pessoa tem tempo pra isso), mas ainda temos o "despertador" no cérebro, que nos provoca uma insônia desesperadora em tempos atuais. 

Mas, se não for assim, qual é o jeito certo?

O jeito é não se desesperar quando acordarmos no meio da noite. Lembrem-se que esses despertares são naturais, faça alguma atividade relaxante (tome um chá, leia, fume, se virem), e volte pra cama que o sono virá naturalmente.


Dar à luz


A posição padrão do parto é chamada de posição de litotomia: a mulher fica deitada de costas e suas pernas ficam bem erguidas. Há de convir que é bem desconfortável forçar um bebê pra fora quando ele está deitado dentro de você - tamanho esforço aumenta incrivelmente a dor do processo, além de causar danos físicos à mãe e ao bebê; então esta posição está em vias de ser banida por determinação da OMS.

Mas, se não for assim, qual é o jeito certo?

Segundo a OMS, não há posição certa para se dar à luz, então a mulher deve ter a liberdade de ficar na posição que lhe for mais confortável, além de também ter espaço para andar e dar umas voltas durante o trabalho de parto. Entretanto, é recomendável que o processo se dê como aquele de fazer cocô: de cócoras. A gravidade faz a maior parte do trabalho, e a posição dilata a pélvis em até 10% mais do que quando deitada.


Escovar os dentes



É mais ou menos como acontece no caso de tomar banho: nós aprendemos que se deve escovar os dentes após todas as refeições, mas cientistas comprovaram que o ato é errado e perigoso para a saúde bucal: uma refeição com alimentos ácidos amolece o esmalte dos dentes, portanto, escová-los logo após uma refeição dessas pode acabar por removê-lo totalmente, o que deixa os dentes expostos a cáries e todo o tipo de mal dentário.

Mas, se não for assim, qual é o jeito certo?

Já é sabido que passar o fio dental é mais saudável e menos agressivo do que escovar os dentes. Entretanto, não se deve deixar de escová-los: eles devem ser escovados, porém não após as refeições, mas antes. Assim, não prejudicamos o esmalte danificado pela alimentação, e damos tempo dele se recuperar até que possamos remover a sujeira entre os dentes. E mais: ao escovar, dê mais atenção às gengivas do que aos dentes propriamente ditos, e sempre use uma escova de cerdas macias.


Sentar


As cadeiras de espaldar reto foram inventadas há muito tempo, mas só eram usadas por pessoas importantes: como se fossem tronos, realmente. Até o século 19, o povão só podia se sentar em bancos ou banquinhos. E aí resolveram democratizar o uso das cadeiras, e nossa saúde nunca mais foi a mesma. Independentemente do que seus pais e professores diziam, nossa coluna não foi feita para que sentemos em ângulo de 90°. Estudos comprovam que forçar a postura neste ângulo por longos períodos aumenta os riscos de diabetes, doenças cardíacas e até câncer. Além disso, quando sentamos, os músculos das costas relaxam, então todo o suporte de nosso peso cai sob responsabilidade da nossa coluna, o que provoca aquelas dores nas costas que independem da postura "correta" ou "incorreta".

Mas, se não for assim, qual é o jeito certo?

Embora alguns especialistas digam que devemos nos manter ativos enquanto sentados (usando bolas ou banquinhos de apoio para os pés), foram realizados estudos com pessoas sentadas em três posições diferentes: eretas (ângulo de 90°), relaxadas ("largadas" na cadeira), e reclinadas para trás (ângulo de 135°). As pessoas do último grupo demonstraram menor dano nas vértebras. Esta era, inclusive, a postura em que os antigos imperadores romanos se sentavam.

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Este post foi inspirado pelo original no Cracked. Confiram a fonte para acesso aos links dos estudos citados.

01/03/2014

Relatório Bimestral de Leitura de 2014: Janeiro-Fevereiro

Farei diferente este ano: vou soltar esse relatório a cada dois meses. Acho que só terá vantagens, assim; não me mato de escrever, não fica um post longo demais e cansativo pra vocês lerem, e as recomendações estão sempre mais ou menos frescas.

Já lhes apresento todos os livros que terminei de ler entre 1º de janeiro e 28 de fevereiro. Alguns são da supersafra do ano passado, que comprei e não tive tempo de ler então. Posto-os aqui não por ordem de leitura, mas (mais ou menos) por gênero.

E, gente, não é a quantidade de livros que você lê por ano ou por mês que importa. Não é nem o que você lê. O importante é ler, o que quer que seja. Eu achar um livro bom não o faz ser um livro bom, assim como os que eu não gostar não quer dizer que eles sejam ruins. Uma das coisas que eu mais admiro em alguém é a capacidade de ter uma opinião própria, independentemente do que todo o resto do mundo achou. Sejam esse tipo de pessoa. Leiam o que quiserem, mas leiam com vontade e leiam com atenção. O hábito de ler só faz bem, pra mente e pra alma.




A Casa do Penhasco
Agatha Christie - Record - 1987 (1931-2) - 211p.

Ah,os deliciosos mistérios da Agatha. Levei este pra ler durante uma looooonga viagem, mas durou apenas as 4 primeiras horas. Eu já conhecia a história inteira, porque assisti ao episódio da série Poirot meio recentemente, mas não fez mal, as reviravoltas são sempre legais. Uma jovem bastante vivaz está sofrendo sucessivas tentativas de assassinato em sua estranha casa de veraneio. O detetive Poirot, que estava de férias, não resiste à tentação de solucionar este mistério; porém, com as "células cinzentas" um tanto quanto enferrujadas pelos últimos anos de inatividade no ramo, algumas tragédias não puderam ser evitadas a tempo. O final, como sempre, derruba todas as nossas teorias e suspeitas.



David Copperfield
Charles Dickens - Hemus - 1981 (1850) - 149p.

Esta é uma versão adaptada, bem mais resumida do que a original, com mais de 600 páginas. Dá pra acompanhar perfeitamente, mas ainda fico com a sensação das coisas acontecendo rápido demais. Dizem que este é o romance mais autobiográfico de Dickens, e sobre isso digo que o homem deve ter tido uma infância, no mínimo, desgraçada. David Copperfield sofre basicamente tudo o que uma pessoa pode sofrer nesta vida, desde muito cedo. Não obstante, apesar de todas as perdas e tristezas e intempéries da vida, o rapaz encontra pessoas dispostas a lhe oferecer o que a vida lhe tirou. Triste, como Dickens sabia bem fazer, e muito bonito. Indico fortemente que assistam à minissérie da BBC (porque óbvio que a BBC já fez minissérie desse aqui também, qual foi a obra da literatura britânica que já lhe escapou?), que vocês encontram aqui.






Coisas Frágeis
Neil Gaiman - Conrad - 2010 (2006) - 205p.
Coisas Frágeis 2
Neil Gaiman - Conrad - 2010 (2006) - 166p.

Coletânea em duas partes de alguns contos do autor que não foram publicados previamente, ou que foram publicados em outros meios. Alguns deles têm a ver com obras suas (como o fantástico "O Monarca do Vale", que continua a história de Shadow, de Deuses Americanos); alguns são resultados de desafios propostos a ele (desafios do tipo escrever um conto como presente de aniversário para a filha, ou escrever algo que conte a hipotética história de uma imagem, ou ainda escrever algo de Sherlock Holmes em estilo Lovecraftiano). Alguns dos contos são bem bizarros, e por isso não recomendo começar a ler Neil Gaiman por Coisas Frágeis. Do primeiro livro, destaco "Golias", um conto genial que ele escreveu atendendo a um pedido para que tivesse a ver com o mundo de Matrix, quando o primeiro filme ainda estava em produção. O segundo livro tem mais contos, que são mais curtos (e mais estranhos), mas dentre eles destaco o perturbador "Quem Alimenta e Quem Come", e o curtinho e interessante "O Dia em que os Discos Voadores Chegaram".





Os Diários do Semideus
Rick Riordan - Intrinseca - 2013 (2012) - 288p.

Quase deixei passar esse, porque achei que era uma versão atualizada de Os Arquivos do Semideus, mas faria uma bela besteira. O Diários é um livro extra da série Os Heróis do Olimpo, e vem com quatro histórias paralelas ao enredo da série original: uma delas é com Luke e Thalia, num tempo anterior ao Acampamento, e conta como encontraram Annabeth e como cada um conseguiu suas armas (além de apresentar um novo personagem e sua triste história). Outra é com Percy e Annabeth, se passa logo depois do último livro da série de Percy Jackson & Os Olimpianos, e conta sobre quando Hermes, o deus dos ladrões, teve seu cajado roubado (ah, as ironias do destino...). É uma história engraçada, porque é o Percy quem narra, como era costumeiro nos livros da série dele, e tem o George e a Martha, então não preciso dizer mais nada. A terceira, e também bem engraçada, história é com a turma d'Os Heróis do Olimpo, ambientada ainda no começo da aventura, e conta sobre quando Leo conseguiu fazer com que Bufford, sua mesa autômata, fugisse num momento muitíssimo crítico. E a última é uma história que o filho de Rick Riordan, Haley, escreveu: se passa no mesmo universo das outras, mas foca em um dos semideuses que lutou ao lado de Cronos na série mais antiga. Rick apresenta seu filho, antes da história começar, e nos conta como Percy Jackson foi inspirado em e por Haley. A contribuição de seu filho faz jus à obra do pai: explica muitos aspectos que Rick ficou devendo nos livros anteriores (detalhes sobre a Névoa e algumas habilidades dos monstros), e é com certeza a história mais sinistra relacionada aos personagens que vocês lerão. Imperdível pra quem acompanha! E nota 10 pra linda encadernação!



Raiz-Forte: Verdades Amargas Que Você Não Pode Evitar
Lemony Snicket - Cia. das Letras - 2009 (2007) - 176p.

É como se fosse um Minutos de Sabedoria, só que a Sabedoria aqui fica por conta de Snicket, pseudônimo utilizado pelo autor das Desventuras em Série e todos os muitos livros que complementam a história. Quem já leu a série conhece bem o estilo dele, e talvez esse seja o motivo por que este livro aqui acaba só fazendo sentido pra quem já leu Desventuras - ou então é capaz de ficar meio perdido. Muito do que compõe este livro são trechos retirados dos livros da série, então pode não fazer muito sentido e parecer meio esquisito, até (não que vá fazer mais sentido conhecendo a história, nada nela faz sentido, haha). A introdução me rendeu boas risadas, mas entre meus trechos favoritos estão: "Há pessoas que passam pela vida com uma sombra pairando acima delas, especialmente se moram em um edifício com longos e amplos toldos." e "A boa educação determina que não se deve entrar no quarto de uma pessoa sem bater na porta, mas pode-se abrir uma exceção no caso de a pessoa ter morrido ou ter fingido que morreu."



Harry Potter: Film Wizardry
Brian Sibley - Collins Design - 2012 (2010) - 164p.

Coisa linda!! Eu estava de olho nesse livro desde a primeira edição, quando o vi em uma livraria em São Paulo, custando uma pequena fortuna.  Aí, ano passado, o Submarino passou a vender a edição revisada por um preço bacana e finalmente pude tê-lo. Em conteúdo textual, não é muito diferente do "... das Páginas Para a Tela" (sobre o qual comentei no post de 2012), apesar deste aqui ser bem menos detalhista que o outro, e não ter edição em português. O que maravilha nele é o design fantástico e todas as coisinhas extras que vêm com o livro: uma carta de Hogwarts, um Mapa do Maroto, um convite para o Baile de Inverno, catálogos das lojas do Beco Diagonal, alguns dos cartazes de regras da Professora Umbridge, panfleto da Copa Mundial de Quadribol, e outras coisas. Cada página é uma coisa linda de se ver. Vale muito a pena.







Avatar: Os relatórios confidenciais do mundo de Pandora
Maria Wilhelm & Dirk Mathison - Leya (Lua de Papel) - 2010 - 206p.

Tem que admirar a criatividade das pessoas envolvidas na confecção deste livro. É um apanhado de relatórios de toda a geografia, fauna, flora e equipamentos terrestres presentes em Pandora, cenário de Avatar (conta também com um dicionário Na'Vi - Português). Esses relatórios supostamente foram divulgados por um ativista contra as ações da RDA de colonizar e subjugar os Na'Vi e explorar o meio-ambiente de Pandora, depois que a humanidade destruiu o planeta Terra. Os autores se uniram a cientistas para criar esses relatórios nos mínimos detalhes: os nomes científicos  de todos os animais e plantas do planeta, com suas características e funções, e tudo acompanhado de imagens coloridas. Mas é como ler um livro didático, então estejam avisados de que não é uma história romanceada de nada.





Federation: The First 150 Years
David A. Goodman - Titan Books - 2013 - 176p.

Trekker: se você se considera realmente trekker, corra atrás desse livro (se você for um trekker de situação financeira melhor que a minha, compre a edição com o aparelhinho eletrônico com uma gravação do George Takei/Sulu). Aqui o autor se faz de arquivista da Federação, no século 24, e escreve a história da Federação desde sua criação (quando os Vulcanos decidiram se comunicar com os Humanos aqui na Terra), passando pela criação das primeiras bases estelares e naves, sua evolução com os motores de dobra, a criação dos equipamentos de teletransporte, as primeiras guerras com os Klingons e Romulanos (bem como o fim delas e os tratados de paz), a gradual inclusão dos vários planetas que fazem parte da Federação, a fundação da Academia, a origem do famoso discurso de abertura ("Espaço: a Fronteira Final..."),  e muitos outros pontos importantes. Essas coisas e pessoas foram todas mencionadas nas séries e nos filmes, mas nunca tiveram a chance de ser realmente explicadas e apresentadas, então ficamos com a boa sensação de buraquinhos sendo tapados. Nesse livro, conhecemos os principais personagens envolvidos na história da Federação, através de cópias de documentos e a narração do historiador, e aprendemos um pouco mais sobre personagens que já conhecíamos tão bem. É lindamente ilustrado, todo colorido e plastificado, e um verdadeiro tesouro pros nerds com tempo sobrando pra aprender sobre História fictícia :P







O Caminho Jedi: Um manual para estudantes da Força
Daniel Wallace - Bertrand Brasil - 2013 (2010-11) - 159p.

Se seu tipo de "nerdice" rivaliza com Star Trek (grande besteira, digo eu), talvez você goste mais desta indicação: um Manual Jedi. O mais legal dele é que o design foi feito para parecer um livro bastante antigo: as bordas são "rasgadas", e em todas as páginas há anotações "à mão" de todos os Jedi que já o possuíram: desde o Mestre Yoda, passando pelo Conde Dookan, Qui-Gon Jinn, Obi-Wan Kenobi, Anakin Skywalker, entre outros, até chegar a Luke Skywalker. O conteúdo não é extenso, já que é teoricamente direcionado a aprendizes desde muito jovens, mas trata de todas as formas de usar a Força; todos os caminhos que os estudantes dela podem seguir (não só como Jedi, já que há outras ordens; ou não só como Guerreiros Jedi, já que há outros caminhos que um Jedi pode seguir); apresenta todos os tipos de armas além do sabre de luz, e ensina a montar o seu próprio; discorre sobre alguns animais que também apresentam a Força; introduz conceitos básicos sobre os Sith e o Lado Negro; fala sobre toda a Iniciação, a conduta, a postura e os uniformes; ensina todos os métodos de combate; entre muitas e muitas outras coisas.








Serial Killers: Anatomia do Mal (Histórias Reais, Assassinos Reais)
Harold Schechter - DarkSide - 2013 (2003) - 480p.

Antes de falar sobre o conteúdo, preciso dar os parabéns à DarkSide pela qualidade do material de seus livros. Este mesmo tem uma encadernação fantástica, é recheado de ilustrações (de bom gosto, agradeço por terem se abstido de colocar fotos de cadáveres), todo colorido, o que tornou um livro enorme e cansativo bem fácil de ler. A embalagem em que veio também foi sensacional: um saco preto lacrado pela fita amarela de "cena do crime", e, junto com o livro, ainda veio um saquinho vazio de evidências, um par de luvas pretas, e um rolo de fita amarela de "cena do crime". Quanto ao conteúdo: pesado. Já consta na contracapa que não é indicado a menores de 18 anos, mas na verdade não é indicado a ninguém que se impressione fortemente por histórias reais de monstros reais. Este é um dossiê completo de quase todos os principais serial killers da história, especialmente norte-americanos, que chocaram o mundo com sua brutalidade, perversidade, e, em muitos casos, genialidade. Fala de todos os casos onde o assassino jamais foi descoberto (Jack o Estripador, o Assassino do Zodíaco...), e também do que aconteceu aos que foram pegos. Além disso, também abrange um pouco do estudo psicológico que envolve tais comportamentos, fala sobre os profilers do FBI (os profissionais que traçam o perfil psicológico dos assassinos, a partir das evidências, para que a polícia saiba por onde começar a procurar), e fecha com dicas de entretenimento pra quem curte o assunto. É um livro interessantíssimo, mas recomendo ir lendo aos poucos. É muita informação, muitos nomes, e muita violência pra se ler antes de dormir.






As Línguas do Mundo
Charles Berlitz - Círculo do Livro - ? (1982) - 307p.

Minha mãe me deu de presente o livro mais legal do mundo! Bom, pra quem ama o assunto, ou o acha interessante e muito curioso. Não se trata de um livro de linguística, mas um livro de curiosidades sobre as principais línguas do mundo, e algumas das mais estranhas. Os capítulos são separados por temas (que variam desde o significado real de algumas palavras, suas origens, suas más-interpretações, até um guia de xingamentos e elogios em várias línguas, casos engraçados de má-tradução dos intérpretes da ONU, a linguagem dos animais, a possível forma de comunicação extraterrestre...), e os textos são divididos em parágrafos curtos que independem um do outro, tornando a leitura realmente fácil e fornecendo bastante informação sem cansar o leitor. Aprendi tanta coisa! Compartilhei muitas delas pela internet, enquanto o lia, e o consultei muitas vezes de lá pra cá. Um tesouro!




A Miscelânea Original de Schott
Ben Schott - Intrínseca - 2005 (2002-3) - 158p.

Um dos tiros no escuro mais interessantes que eu acertei! Comprei baratinho no supermercado, sem acesso a sinopse ou aba, mas fiquei bastante intrigada pela seleção completamente aleatória de citações na contracapa. E o livro é justamente isso: uma seleção completamente aleatória de trivialidades. Os assuntos são os mais variados: o índice lista curiosidades sobre a gestação de animais, códigos e leis de países remotos, os cães de personalidades históricas, um infográfico detalhado do Inferno de Dante, ensina a amarrar uma gravata borboleta, dá receitas de bebidas, lista os termos do xadrez, e dezenas de outros tópicos (fechando com curiosidades sobre o próprio livro: detalhes da fonte, do papel, do material do marcador!). É o tipo de livro para ler ao lado de um computador, porém, já que ele apenas lista alguns fatos, sem dar maiores detalhes. A linguagem é divertida, e a versão em português acrescentou curiosidades sobre o nosso país ao livro. Muito inspirador para este blog, e rende uma boa quantidade de cultura (in)útil para inserir em conversações.







Quarteto Fantástico: Zona de Guerra
Greg Cox - Mythos - 2006 (2005) - 307p.

Achei este num sebo em Goiânia, ano passado, enquanto escavava uns gibis, e levei porque ainda não era muito familiarizada com o Quarteto e queria uma boa história. Apesar de ter "boiado" um pouco no começo, conheci os heróis muito melhor, e me animei pra acompanhar mais HQs. Ao contrário do Weapon X, que eu citei na lista do ano passado, este aqui não veio de uma HQ, então é uma história exclusiva. Os heróis mais amados de Nova York defendem o mundo de um ataque conjunto entre o tirano Blaastar, e o monstro insetóide Aniquilador, ambos de um universo paralelo chamado Zona Negativa. Os dois inimigos se unem contra a Terra porque... bem, por que não?






Jornada nas Estrelas: A Nova Geração & X-Men - Planeta X
Michael Jan Friedman - Meia Sete - 1998 (1996) - 243p.

Ninguém me contou que isso existia; descobri por acaso e soube na hora que precisava disso na minha vida. Esta é uma história original, e não a novelização de algo já feito antes. Por algum motivo não muito bem explicado, uma equipe dos X-Men vai parar em uma base estelar no século 24, e a Enterprise foi chamada para buscá-los. Dá-se a entender que as duas equipes já se conheciam de alguma aventura prévia (ainda não imagino qual seja, não sei se é uma história já publicada ou se é apenas uma menção de algo ainda não lançado), e por isso os mutantes não causam tanto estranhamento na tripulação da nave. Enquanto isso, há um problema no planeta Xhaldia, onde, de repente, todos os habitantes que atingem a maioridade estão manifestando poderes considerados mutantes, e com isso causando um caos no planeta, já que não contam com a orientação que os X-Men, aqui na Terra, tiveram do Professor Xavier. Enquanto não se descobre uma maneira de enviá-los de volta para seu planeta na época certa, os mutantes se dispõem a ajudar com o problema no planeta Xhaldia. O mais interessante na história é o entrosamento entre os personagens: Picard completamente maravilhado com Tempestade, sua graça e espírito de liderança; Worf e Wolverine com seus treinamentos bárbaros no holodeck; La Forge estudando Norturno, tentando entender como funciona seu teleporte; Banshee arrasando corações entre a tripulação; entre outros casos. E o mais legal na minha cabeça foi em uma parte, quando o Capitão Picard e o Professor Xavier conversam, no holodeck. Quando o livro foi escrito, os filmes dos X-Men ainda não haviam sido filmados, mas não pude deixar de imaginar Patrick Stewart conversando consigo mesmo. Foi bizarro. Hahahaha.



Sinal e Ruído
Neil Gaiman & Dave McKean - Conrad - 2011 (1989-90, 1992, 2000, 2007) - 96p.

Apesar de estar catalogado pelo ISBN como "história em quadrinhos", prefiro definir este aqui como graphic novel (que na verdade não deixa de ser HQ, mas é mais como se fosse um livro ilustrado em quadros legendados - nem sempre com balões e tal). É mais uma obra (já considerada clássica) da dupla Gaiman e McKean, introduzida por alguns trabalhos do ilustrador e uma curta fantástica de Gaiman chamada Vier Mauern. Sinal e Ruído é sobre um cineasta que, em meio ao processo de escrever um novo filme cujo tema é a virada do milênio no ano 999 e o medo do Juízo Final sentido pelos habitantes de um vilarejo, descobre que está com câncer e não tem muito tempo de vida. Tanto a narrativa quanto as ilustrações são um tanto sombrias, pois o cineasta reflete sobre a morte e, enquanto escreve sua obra, mescla seus sentimentos sobre seu fim e o fim do mundo ("o mundo está sempre acabando para alguém"). É um livro que começa causando um certo estranhamento, que logo é deixado de lado em favor da história principal.


(A Comédia Trágica ou A Tragédia Cômica de) Mr. Punch
Neil Gaiman & Dave McKean - Conrad - 2010 (1994) - 104p.

Como no caso de Sinal e Ruído, Mr. Punch também é uma graphic novel - belíssima, a propósito. Trata-se, como tantas histórias de Gaiman, das memórias de infância de um homem, que aos 8 anos foi passar uma temporada com os avós e teve o primeiro contato com um espetáculo de Punch & Judy (um show de fantoches muito popular na Europa há alguns séculos). A história do show e de sua vida se misturam em suas lembranças, e nenhuma das duas é muito feliz: violência, morte, abandono, doença, traição... como uma criança sobrevive num mundo onde crianças nunca são respeitadas, e como pode ser injusta a maneira como são tratadas pelos adultos. Sombria, como todas as histórias de Gaiman, mesmo as mais engraçadas; mas muito recomendada.




Quanto às HQs, entre tantas que li ou reli, cito as seguintes:

Novos X-Men: Planeta X, EXCELENTE, aliás; Wolverine: O Fim, muitas emoções, tipo, MUITAS; Supreendentes X-Men: Caixa Fantasma, uma história confusa com ilustrações lindíssimas; A Queda dos Mutantes, que foi relançada ano passado em 3 partes pela Panini mercenária custando uma fortuna cada volume; comprei a versão antiga completa em um volume no sebo por R$2,60 e me emocionei do mesmo jeito; A Origem da Fênix; Justiceiro & Wolverine, dois ignorantes em missão na África que acabam se topando e brigando um com o outro (vem também com a primeira história em que o Wolverine aparece - aquela contra o Hulk e aquele uniforme de gatinho, haha); Wolverine #1, em comemoração aos 30 anos do personagem, com uma história extra da Mística, aquela linda; Wolverine: Origem, que nunca me canso de ler porque é triste pra caramba; as primeiras edições de Novíssimos X-Men, que é sensacional!!

Mandarim vs. Homem de Ferro: O Confronto Final, pra conhecer direito o vilão e ver que todo mundo nesse universo da ficção perde a mão, incrível.

► Acompanhando Deadpool, e é sempre uma diversão.

Dias da Meia-Noite, de Gaiman, também excelente, que reúne alguns de seus primeiros trabalhos para a DC.

Cartas Selvagens, que procurei pra poder começar as ler os livros e adorei a história.

► Algumas edições atrasadas de Eu, Zumbi (que vai virar série, yay!!!).

Turma da Mônica: Laços, uma história belíssima pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, com as bênçãos de Mauricio de Sousa; reconhecida como uma das melhores HQs lançadas no ano passado.