13/06/2014

As origens de algumas superstições comuns

Mas só algumas, porque são muitas que eu tô com preguiça.

(Vocês podem sempre pedir por uma Parte 2, porém)


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"Alguém morrerá se um guarda-chuva for aberto dentro de casa"



Isso provavelmente não chegou a acontecer, mas muita gente se machucou feio, no século 18, quando os guarda-chuvas se tornaram populares. Na época, como eram invenções recentes, o mecanismo de metal não funcionava direito, então era comum que os guarda-chuvas abrissem sozinhos - o que era particularmente perigoso, se isso acontecesse em um lugar fechado, com pessoas por perto, já que as pontas de metal ainda não tinham proteção. Os acessórios melhoraram, mas a recomendação passou pelas gerações.

"Passar por baixo de escadas dá azar"


Talvez a superstição mais antiga, já temida desde o Egito antigo, há 5 mil anos. Uma escada encostada contra uma parede formava um triângulo, forma considerada sagrada pelos egípcios antigos (vide as Pirâmides). Portanto, violar um triângulo ao atravessá-lo seria visto como heresia. Mais tarde, as religiões cristãs adotariam e adaptariam a antiga superstição, sob o argumento de que havia uma escada encostada contra a cruz em que Cristo foi morto, e que tal objeto era considerado um símbolo de traição, má-sorte e morte.

"Quebrar um espelho traz sete anos de azar"


Na Grécia antiga, já se acreditava que o destino das pessoas poderia ser revelado por métodos de adivinhação praticados com espelhos: mergulhava-se um em água e o consultante deveria ver seu reflexo então. Se estivesse distorcido, a pessoa certamente morreria; se estivesse limpo, tudo bem. No primeiro século d.C., era de crença em Roma que as condições de saúde de qualquer pessoa sofria mudanças significativas a cada 7 anos. Aproveitando-se da superstição grega (como foi comum na história e glória de Roma), dizia-se que olhar seu reflexo em um espelho quebrado, e ver sua própria imagem distorcida, indicaria que os próximos 7 anos seriam de saúde ruim. Posteriormente, nobres italianos espalharam a superstição entre seus criados, como forma de evitar que estes danificassem utensílios que eram tão caros, na época. 


"Bater três vezes na madeira afasta a má-sorte"


Outra superstição antiga, de origem celta, em que se acreditava que espíritos protetores habitavam árvores. Bater três vezes nelas atrairia a atenção desses seres e invocaria sua proteção. Com o passar das gerações e a mudança das religiões, a superstição foi adotada e adaptada às suas crenças, e permanece até hoje como costume. É até aceitável bater em objetos que nem são realmente de madeira.

"Cruzar os dedos atrai boa-sorte"



Tanto para atrair sorte para si mesmo ou a desejar para outros, este é outro símbolo antigo que foi adotado amplamente por cristãos, no século 14. Era como simular o formato da cruz com apenas uma mão. Foi usado como uma troca secreta de gestos entre cristãos quando o Cristianismo era proibido, para se reconhecerem. Até hoje, o gesto pode ser feito atrás das costas, para isentar a pessoa de "punição divina" quando esta conta uma mentira. Porém, o gesto é usado universalmente, independentemente de religião. Diz-se inclusive que, se for estritamente necessário passar por baixo de uma escada, cruzar os dedos ao fazer isso isentaria a pessoa da má-sorte.

"É sinal de sorte achar um trevo de quatro folhas"


Mais pela raridade da ocorrência, já que trevos com quatro folhas são anomalias genéticas da planta (que deve ter apenas três folhas). Porém, os celtas já tinham suas superstições com a planta, e diziam que os trevos possuiriam certas propriedades médicas excelentes. Ao redor do mundo, as superstições a respeito do trevo variam (cada folha representaria uma virtude - amor, fé, esperança e sorte; a sorte dobraria se você encontrasse um e o desse a alguém; Eva teria encontrado um ao ser expulsa do Paraíso e o levado consigo para lembrar-se de lá; etc).

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Quanto aos gatos pretos, a essas alturas acho que todos já ouviram falar que a crença do azar quanto a eles vem da associação que supostamente tinham com bruxas, na época da ignorância suprema da humanidade. Algumas culturas, porém, os consideram como talismãs de boa-sorte. A respeito das ferraduras, já comentei em um post mais antigo. Derrubar sal na mesa é considerado azar devido ao valor que o condimento tem em todo o mundo, e tem a ver apenas com economia.

Se eu chegar a fazer uma segunda parte, vou procurar pesquisar sobre algumas superstições brasileiras. Por que cargas d'água a mãe morre se eu deixar meu chinelo virado com a sola pra cima?!

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