27/07/2014

Esta postagem vai ser uma m... só

Quem somos nós para julgar os cãezinhos que comem cocô, nós, que comemos vômito de abelha?

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Por que alguns animais comem cocô?

threewordphrase.com
Para nós não faz sentido, já que as fezes são o "lixo" que o nosso organismo bota pra fora, mas não funciona do mesmo jeito para alguns animais. Cães, coelhos, roedores e gorilas costumam comer as próprias fezes para complementar a nutrição. Coelhos, por exemplo, comem muitas plantas, e as fibras não são apropriadamente digeridas por seu organismo. Portanto, para eles, comer as próprias fezes seria uma maneira de aproveitar melhor os nutrientes da alimentação (é mais ou menos como os ruminantes, que "vomitam" o que comem para poder comer de novo). No caso dos cães, é por causa das vitaminas: as bactérias do intestino deles produzem vitaminas essenciais que eles não conseguem de nenhuma outra maneira a não ser depois que o que eles comeram já foi processado e evacuado. Cães têm o olfato muito diferente do nosso, e não sentem o cheiro de cocô como nós, mas sim de um alimento gostosinho e bastante nutritivo. E é bastante normal eles preferirem cocô de gato, se tiverem acesso: as fezes do gato são ainda mais nutritivas, com muito mais proteínas. No caso de fêmeas que comem as fezes dos filhotes, é devido ao instinto de apagar os rastros para despistar predadores.

Que fique o exemplo para todos nós, quando a nutricionista diz para mastigarmos bem antes de engolir. Se vocês não querem comer cocô, melhor mastigar direito da primeira vez e aproveitar ao máximo todos os nutrientes do alimento!

☺ Bônus nojentinho para a alegria de todos ☺

Todo mundo aqui já comeu cocô! Porque é impossível não comer um pouquinho. Deixa eu explicar isso direito: É que os nossos banheiros estão tomados por coliformes fecais, que são como pedacinhos microscópicos das fezes. Ficam pelas torneiras, pelas toalhas, pelas escovas de dentes, debaixo das unhas. E se a gente encosta nessas coisas e leva a mão à boca... já entenderam. Lugares sem saneamento básico têm o suprimento de água contaminado por coliformes, então os habitantes deste lugar que não filtram ou fervem sua água eventualmente ingerem o cocô dos outros. E tem gente que REALMENTE come cocô - sofrem de um distúrbio chamado coprofagia, e muito provavelmente devem ser tratadas.


Por que o cocô é marrom?

Por causa da química nervosa que garante o bom funcionamento do nosso corpinho: a cor marrom é devida à estercobilina, pigmento proveniente da bile da vesícula metabolizada pelas bactérias do intestino. Sem ela, nossos cocozinhos seriam cinza ou mais claros. Bom, não parece muito importante que as coisas tenham cores, mas, na verdade, observar a coloração das fezes pode ser fundamental para descobrir determinados problemas de saúde: se o cocô não tá marrom, a bile não tá mandando o pigmento; se a bile não tá mandando o pigmento, é porque tem algo errado com a sua vesícula - desde pedrinhas até um câncer.

Então, cocô marrom = corpinho 100%. Não tá marrom? Vamos entender:

- Tá vermelho? Ou é porque você comeu beterraba (o que é bom, continue), ou é sinal de sangramento do intestino. Se for algum sangramento em outro órgão, como o estômago, aí ele sai mais escuro, quase preto, e vai ter um cheiro bem pior do que o normal.

- Tá amarelo? É sinal de que você está eliminando gordura junto com as fezes; o que, embora pareça uma maneira muito conveniente e simples de emagrecer, é completamente errado e bastante ruim.

- Tá verde? É sinal de infecção bacteriana, e infecções bacterianas não são legais.

Mas, claro, nem sempre o diagnóstico é esse. Existem alguns problemas crônicos de saúde que provocam essas colorações rotineiramente, ou, na maior parte dos casos, depende realmente do que a pessoa comeu. Em caso de dúvida, procure um médico.

☺ Bônus nojentinhos para a alegria de todos ☺

- Sabem quando a gente acha que saiu um grão inteiro de milho ali? É só o revestimento. Ele é feito quase 100% de celulose, uma fibra muito dura que o nosso organismo não consegue digerir, então a gente processa o que tem dentro mas a capinha sai inteira.

- Cocôs são fedidos porque contêm um composto rico em enxofre, presente das gracinhas das bactérias que moram no nosso intestino e processam tudo para nós - entre outros compostos de nomes complicados e odores peculiares.

- O cocô dos vegetarianos fede menos que o de quem come carne.

- O cocô dos passarinhos é branco porque não é exatamente "cocô" como nós conhecemos: aves não tem o sistema digestivo igual ao dos mamíferos, então fazem cocô e xixi tudo por um lugar só (a cloaca), mistureba que resulta em ácido úrico, que não se mistura bem com água e, enfim, todos sabemos como é difícil de tirar das roupas.


Por que papel-higiênico é branco?

O principal motivo é comercial: É porque a cor branca sugere limpeza (pelo mesmo motivo que a maioria dos objetos do banheiro também são dessa cor) e, portanto, vende mais do que os coloridos. Outra vantagem é que a cor natural de qualquer papel é bege ou amarronzada, e, convenhamos, como é que a gente vai saber se tá realmente limpinho se limpando com um papel praticamente da cor da "sujeira"? E o segundo motivo é que o processo que deixa o papel branquinho remove completamente a lignina, molécula que é responsável pelo amarelamento dos papéis em geral, o que aumenta o tempo útil do produto. A remoção da lignina deixa o papel bem macio, e a maciez aqui é um fator importante, já que esfregamos papel numa das áreas mais sensíveis do corpo várias vezes por dia. Antigamente até existiam papéis-higiênicos coloridos (lembram daquele cor-de-rosa, TERRIVELMENTE áspero?), mas a pigmentação realmente deixava o uso do papel bem desconfortável, causando irritação. Além dos impactos ambientais causados pela pigmentação do papel-higiênico (apesar de o processo de descoloração não ser muito melhor, nesse sentido), a versão colorida provavelmente seria mais cara que a branca, então não seria exatamente uma campeã de vendas, pelo preço ou pela comodidade.

☺ Curiosidades (ok, essas não são tão nojentas) ☺

- O papel-higiênico só começou a ser usado do lado de cá do mundo a partir do começo do século 20 (na China, já era usado desde o século 6). O que o povo usava antes disso depende muito da situação financeira do povo em questão, mas variava entre pedaços de tecidos, folhas, conchas, esponjas, sabugos de milho (!!) ou só água, mesmo.

- Aproximadamente 10 milhões de árvores são usadas por ano na fabricação de papel-higiênico. Nos Estados Unidos, o consumo do produto é 50% maior do que nos demais países ocidentais, pelo simples fato de que os norte-americanos são extremamente relutantes em adotar o uso de bidês.

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Fontes:
- http://www.todayifoundout.com/index.php/2013/07/toilet-paper-wasnt-commonly-used-in-the-united-states-until-the-early-20th-century/

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Eu tinha umas músicas nojentas pra colocar aqui também, mas deixa pra lá...

18/07/2014

Cover: "Please Mr. Postman"

Não há dúvida de que o carteiro é a visita mais esperada, a ausência mais sentida, e a pessoa mais xingada quando certos imprevistos acontecem. Mas digamos que isso tudo está na cartilha, já que o amigão foi homenageado em várias versões deste clássico:



Please Mr. Postman foi composta numa colaboração entre vários compositores (Brian Holland, Freddie Gorman, Georgia Dobbins, Robert Bateman, William Garrett), que transformaram o que foi originalmente composto como um blues em uma balada pop. Foi o primeiro hit da Motown a alcançar o número 1 das paradas da Billboard, tanto na ocasião do lançamento da original quanto do lançamento da versão mais famosa. A letra fala sobre uma moça que está à espera de notícias do namorado, que está na guerra, e todos os dias interpela o carteiro para que ele confira se não tem uma carta para ela em sua bolsa. Originalmente gravada pelo grupo vocal feminino The Marvelettes (no vídeo acima) em 1961, contou com o colega de gravadora Marvin Gaye na bateria. Esta versão foi a que apareceu na trilha sonora do filme Caminhos Perigosos (1973), de Martin Scorcese.


Dois anos depois, o ascendente grupo The Beatles gravou uma versão da música em seu  segundo álbum, With The Beatles (1963). A música já fazia parte do seu repertório ao vivo desde o ano anterior, e seus primeiros trabalhos incluíram versões de vários sucessos americanos. Apesar disso, John Lennon talvez tenha deixado escapar seu sotaque britânico pela primeira vez em estúdio (por se inspirarem nos ídolos americanos do rock, gostavam de tentar o sotaque deles), no verso "deliva de letta, de soona de betta!".


E aí, em 1974, a dupla The Carpenters grava a versão mais famosa da canção, dando a ela novamente o primeiro lugar nas paradas, com o vídeo gravado na Disney. A versão lhes rendeu um disco de ouro.

 

Existem ainda outras versões de alguns outros artistas. Como você conheceu a música?

12/07/2014

"Assiste a 22 séries (you're a freaking god!)"

Quarta parte das indicações das séries que ando assistindo. Terminei algumas das postagens anteriores, outras estão se arrastando... Coloco aqui as que comecei desde então, não foram muitas (estou me contendo).

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Atlantis


Produzida pela BBC, dos mesmos produtores de Merlin (que já citei em alguma daquelas postagens pra trás), com intenção de preencher o buraco na programação e no coração dos órfãos. Jason sai em uma missão ao mar para descobrir o paradeiro de seu pai, mas sofre um acidente e vai parar em Atlantis, há muuuuito tempo no passado... Lá, conhece o herói Hércules (interpretado por Mark Addy, que foi o rei Robert Baratheon em Game of Thrones), que não lembra nada o que a Mitologia pintou dele: Hércules, na verdade, é bem bonachão e um tanto quanto covarde. E também conhece o jovem Pitágoras, que mais tarde se tornaria o grande matemático que todos já estudamos. Envolvido nos mistérios do local e se tornando o novo herói de Atlantis, Jason se depara com várias criaturas e personagens da mitologia grega (Medusa entre elas, uma de suas melhores amigas, inclusive). As histórias dos episódios não têm muito a ver com as versões da Mitologia que conhecemos, e é uma verdadeira bagunça histórica; mas a série é muito divertida! Esta primeira temporada foi bem "programa de domingo à tarde", mas, conhecendo a BBC, tô vendo que isso vai virar uma tragédia grega (trocadilho não intencional - talvez um pouco) logo, logo.



Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D.


Quem acompanha os quadrinhos ou os filmes da Marvel já está bem familiarizado com a S.H.I.E.L.D., organização de espiões com alta tecnologia que monitora atividades sobrenaturais e mantém a ordem em um mundo habitado por super-heróis e frequentemente visitado por alienígenas. O cabeça aqui é o Agente Coulson, queridinho dos filmes (especialmente depois de Os Vingadores), que comanda uma equipe de agentes de todos os níveis e especialidades: Agente Ward, espião habilidoso e fluente em 6 línguas; Agente May, a "motorista do ônibus" e pau pra toda obra; Agentes Fitz e Simmons, os dois jovens cientistas que discutem o tempo todo; e Skye, a hacker que foi não muito voluntariamente recrutada. A série acompanha os filmes, aproveitando um gancho ou outro, e inclusive alguns dos personagens mais famosos. É cheia de ação e também muito divertida, como é característica da Marvel.



Star Trek: Deep Space Nine


Ainda bem que Star Trek é uma coisa infinita, assim não corro o risco de passar algum dia da minha vida sem . Fiquei muitíssimo órfã quando terminei A Nova Geração (e todos os filmes), mas dei uma chance ao DS9 e não me arrependi: já comecei a amar nos primeiros episódios. Diferentemente das séries anteriores, DS9 não se passa a bordo da Enterprise, mas sim na estação espacial que dá nome à série. Pela falta de viagens e explorações espaciais a que estávamos acostumados, os episódios aqui trazem as mais variadas situações inusitadas dentro da própria estação, com vários alienígenas novos e muitos primeiros contatos, graças à presença da fenda espacial próxima à estação. O tema recorrente da série é a guerra entre os terríveis Cardassianos e os pacíficos Bajorianos, cuja paz é essencial à Federação, que pretende agregar também essas raças. Nos apegamos rapidamente aos personagens principais (o elenco principal, como característico da série, conta com todo tipo de raça do universo); e a parte cômica da série fica com o ferengi Quark, que cuida do bar da estação e é um contrabandista completamente sem-noção.




Under The Dome


Podia jurar que já tinha falado dela antes, mas vi que só falei sobre o livro. O enredo principal é o mesmo do livro que deu origem à serie (por favor, vejam no link que deixei ali), mas as semelhanças ficam apenas na misteriosa redoma que apareceu um dia, de repente, sobre a cidadezinha de Chester's Mill. Confesso que estava bem mais animada com a série antes de ter lido o livro - não que tenha perdido a graça, até porque são duas histórias bastante diferentes, mas porque o livro foi sensacional e eu gostaria muito que a série tivesse a ver com ele. Ao começar a segunda temporada, já tinha me esquecido quase tudo o que aconteceu na primeira, e os personagens se relacionam de maneira completamente diferente, então tô muito confusa agora, haha. Mas vou continuar acompanhando, porque quero saber que desfecho foi escolhido para a série.



TERMINADA:

Arrested Development



Com o fim de How I Met Your Mother, precisei começar outra comédia pra preencher aqueles 20 minutinhos de folga, e fui parar nessa família de ex-ricos que não sabem fazer nada na vida a não ser um monte de mal-entendidos. O pai, o bem-sucedido empresário do ramo imobiliário George Bluth Sr., foi preso por desvios fiscais (que no fim era o menor dos crimes que havia cometido), e então sua esposa, os quatro filhos (e um genro) e os dois netos se viram sem dinheiro, e sem nenhum talento rentável que pudesse manter a família e seus altos custos de vida, até porque a maior parte deles não é muito inteligente. O único filho que realmente tentou fazer algo a respeito foi Michael Bluth, mas com muito custo e muita frustração. A série foi cancelada em 2006 e voltou para uma temporada de encerramento oficial no ano passado.

01/07/2014

Relatório Bimestral de Leitura de 2014: Maio - Junho

Meus "relatórios de leitura" dificilmente são resenhas. Sinto muito se é o que você está procurando, mas o que ofereço com essas postagens não é um texto bem escrito sobre o que o autor quis transmitir, o impacto da obra na sociedade ou mesmo no entretenimento, ou quantas estrelinhas eu acho que o livro merece. Não me acho capacitada para tanto, deixo isso para os críticos.

O que vocês encontram na minha tag "leitura" é uma lista das coisas que li, gostei, e indico aos amigos e eventuais leitores que tropeçam nessa página. A essas alturas vocês já perceberam que eu amo tudo (algumas coisas mais, outras um não tanto), e me recuso a ser aquela pessoa que sente prazer em fazer os outros terem vergonha de gostar do que gostam, ou em impedir que venham a gostar de alguma coisa só porque eu disse que "não pode gostar disso, gostar disso é idiota". Detesto que me imponham o que eu posso ou não gostar de ler, então não faço isso a outros. Prefiro que vocês se sintam curiosos a respeito de algumas coisas, e aí decidam se vale a pena ou não tentar.

E, também, procurem manter a mente aberta. A gente acaba perdendo muita coisa legal quando impõe um limite na leitura. Todo mundo tem direito de não gostar de livros grossos ou antigos ou best-sellers ou infantojuvenis, mas, por favor, antes de declarar o ódio, EXPERIMENTEM.


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Wild Cards: O começo de tudo
V.A. - Leya - 2013 (1986) - 480p.
Wild Cards: Ases nas alturas
V.A. - Leya - 2013 (1987) - 400p.


Conforme citado no relatório passado, o primeiro livro da coleção foi lido no último bimestre; mas resolvi colocá-lo neste relatório, junto da continuação, pra falar tudo de uma vez (o terceiro está aqui na fila de espera).  Ok, o primeiro contato que tive com a história foi com a HQ "Cartas Selvagens", que posteriormente descobri ter surgido após os livros. O nome de George R.R. Martin aparece grandão assim na capa porque ele foi o editor e escreveu alguns dos capítulos e, de todos os autores envolvidos, ele é atualmente o mais famoso (por conta d'As Crônicas de Gelo e Fogo). Parece que a coleção toda tem 22 livros, que são uma colaboração de vários escritores (cada um escreveu um punhado de capítulos, distribuídos por toda a obra). Enfim, a história: um xenovírus, desenvolvido por cientistas do planeta Takis, tem a função de melhorar a genética da pessoa infectada, acentuando suas melhores habilidades, e foi criado com intenções políticas para auxiliar o planeta, que está em guerra. Porém, incertos de como o organismo dos nativos reagiria ao vírus, foi decidido que ele deveria ser testado em uma raça geneticamente semelhante - exatamente, nós, pobre humanos do planeta Terra. E foi assim que, logo após a Segunda Guerra Mundial, a humanidade foi surpreendida por um ataque invisível, que veio com uma bomba como tantas que o mundo já havia visto nos últimos anos. Porém, um dos cientistas de Takis era contra o experimento, e veio à Terra para evitar que o vírus fosse disseminado entre nós. Sua nave acabou caindo e ele foi rendido pelas autoridades americanas. Doutor Tachyon contou a história e um herói de guerra foi enviado para impedir que a bomba fosse lançada, mas os esforços de Jetboy não foram o suficiente, e o pior aconteceu. O vírus foi apelidado de "carta selvagem", pois era impossível dizer que tipo de mutação a pessoa atingida desenvolveria. A grande maioria desenvolveu mutações inúteis ou grotescas, que as deformavam e as fizeram se excluir (ou serem excluídas) da sociedade, e essas foram chamadas de curingas. Alguns tantos, porém, desenvolveram algum tipo de "superpoder", e esses foram chamados de ases. E há os que não foram infectados, que são realmente uma minoria, e estes são os limpos. Ainda assim, mais da metade da população atingida não sobreviveu ao contato com o vírus. O mais legal nessa história toda é que cada capítulo, a princípio, acompanha um personagem infectado diferente, mostrando as fases de sua mutação e o que a pessoa decidiu fazer com ela; e depois vão todos se juntando em um enredo comum. Ao fim do primeiro livro, já se passaram mais de 20 anos desde a infecção, e até lá já tem curinga contra curinga e ases contra o mundo e o Governo usando todo mundo em favor próprio. O segundo livro desenrola-se ao redor de um alienígena que se infiltrou na humanidade disfarçado de curinga. Se você não curte ficção-científica, pode ser bem interessante pra quem gosta de ler sobre distopia e questões sociais. Mas falei demais; poderia ter resumido tudo a: Manu ama mutantes, e Manu ama esses livros.



Contos Inacabados
J.R.R. Tolkien - Martins Fontes - 2002 (1980) - 585p.

Vejamos da seguinte forma: se o Apêndice de O Senhor dos Anéis compreende tudo o que não coube na história e em O Hobbit, e O Silmarillion compreende tudo o que não coube no Apêndice, Contos Inacabados compreende tudo o que não coube em O Silmarillion. Muitas das histórias aqui terminam abruptamente (como o título sugere), mas alguns são realmente trechos eliminados das obras anteriores, ou que foram reescritos. Segundo Christopher Tolkien, que editou também este livro, o pai não gostava de dar tantos detalhes às coisas, mas se via compelido a explicar todas as dúvidas de seus leitores; portanto, muito do que o filho reuniu aqui veio de cartas que seu pai enviou a leitores, mesclado com rascunhos (que datam de desde 1916), e devo dizer que devemos ser gratos a ele, que se empenhou em continuar a obra do pai com tanto afinco e capricho. O livro é ainda recheado de notas complementares que não cabem na narrativa. Os contos abrangem mais eventos sobre a trágica história dos filhos de Húrin (isso foi antes de Christopher eventualmente lançar o livro da história completa); as origens da amizade e lealdade entre os reinos de Gondor e Rohan; a história de Galadriel e seu marido Celeborn (não finalizada e reescrita muitas vezes); o destino de Isildur depois de tomar para si o Um Anel que tirou de Sauron ao derrotá-lo; como Gandalf se decidiu a ajudar os anões na busca por Erebor, na reconquista do próprio tesouro e na derrota de Smaug; a história de raças pouco mencionadas anteriormente, como os drúedain (os homens selvagens que os rohirrim encontram na floresta já perto de Minas Tirith em O Retorno do Rei), e dos próprios Istari, os magos (Gandalf, Saruman e Radagast. Sabiam que aquela não é a verdadeira aparência deles?); além de contos de Númenor, tão pouco mencionado nas obras anteriores.


A Cruzada das Trevas
Giulio Leoni - Planeta - 2009 (2006) - 400p.

Minha irmã me deu um vale-presente da livraria local, e resolvi usá-lo em algo completamente novo pra mim. Depois de muito escolher, optei por este, cuja sinopse me deixou bastante intrigada; afinal, Dante Alighieri bancando detetive de homicídios em Roma é inusitado o bastante pra mim. Na verdade, este é o terceiro e último livro de uma série do autor com o personagem - segundo a aba do livro, bastante bem sucedida no mundo todo (embora eu nunca tenha ouvido falar até então), mas a livraria em questão não tinha os dois volumes anteriores. De qualquer forma, A Cruzada das Trevas não exige que se tenha lido os livros anteriores para ser acompanhado, embora apareçam personagens sem maiores apresentações, que eu creio serem dos outros livros. Porém, enquanto ia lendo, fiquei sem saber se estava gostando ou não. Acontece muita coisa (muita coisa MESMO), e tudo parecia completamente avulso, tanto uma coisa da outra quanto do que dizia na sinopse; e as coisas só fazem sentido uma com a outra lá no finalzinho. Em compensação, o livro é cheio de ação e Dante é um protagonista muito interessante, e eu fiquei curiosa a respeito dos livros anteriores. Se ele passa por coisas como as que passou nesse e saiu inteiro, sou fã do cara.


Quando Você a Viu Pela Última Vez?
Lemony Snicket - Seguinte - 2013 - 265p.

Segundo livro da coleção Só as Perguntas Erradas, do mesmo autor das Desventuras em Série. Falei sobre o primeiro deles no relatório do ano passado. Snicket (pseudônimo de Daniel Handler) é o personagem principal dessa série, e nos conta de sua infância e adolescência, quando ele próprio era membro da sociedade secreta mais secreta do mundo da Literatura (quem leu tudo sabe do que eu estou falando). Em Só as Perguntas Erradas, ele e sua misteriosa e bizarra tutora vão parar em um vilarejo quase fantasma, Manchado-pelo-mar, e se veem às voltas de vários mistérios para resolver. Esse livro conta uma aventura diferente no mesmo vilarejo, mas não deixa de ser uma continuação do anterior. Gosto muitíssimo do estilo do autor, que disfarça seus livros de "histórias infantojuvenis", e ainda assim nos surpreende com a sabedoria adulta escondida por trás da sua narrativa tão peculiar. E, pra quem já leu as Desventuras, ler essa coleção aqui vai matar um pouquinho da saudade de alguns personagens que aparecem lá.


O Mundo de Sofia
Jostein Gaarder - Companhia das Letras - 1995 (1991) - 547p.

Eu provavelmente deveria ter vergonha de admitir que levei quase 15 anos pra tirar esse livro da prateleira e finalmente lê-lo. O motivo da demora não tem a ver com a grossura do livro ou o conteúdo - como disse em algum relatório anterior, adoro Filosofia (se soa estranho, talvez seja porque nunca fui obrigada a estudar isso - a matéria nunca fez parte da grade de nenhuma escola que estudei, e nem da faculdade); é só que talvez não fosse a hora de certa de fazer isso. Enfim, achei que a "história da filosofia" aqui fosse se dar por meio de metáforas discretas no dia-a-dia da personagem principal, mas esclareço a quem também protelou a leitura: é aula descarada. Um dia, assim do nada, Sofia começa a receber por correspondência um curso completo de Filosofia de um completo estranho. Além disso, também começa a receber cartões-postais de outro desconhecido, endereçados a uma garota que ela não conhece. Logo os mistérios se entrelaçam e dão numa reviravolta realmente inesperada, o que resultou num estilo de narrativa que eu nunca havia experimentado, até então. Lembro a vocês que as partes em que Sofia lê as páginas do curso são completamente didáticas, embora bem resumidas, mas acho um tanto complicado pra quem tem dificuldade com o assunto, ou não tem interesse, e por isso não sei se ele chega a despertar o interesse dos adolescentes pela temática. Menos importante (e estritamente como opinião minha, que vocês podem ignorar completamente), a personagem principal não me despertou especial simpatia: talvez seja por causa da idade dela e eu esteja meio impaciente com adolescentes ultimamente (longa história), mas acho o seu comportamento na maior parte das vezes bastante irritante e inconsequente. De qualquer forma, a leitura valeu pelas aulas de Filosofia que nunca tive, e tudo o que ela envolve: Ciência, História, Literatura e Religião. Não é um livro, por assim dizer, fácil de entender, mas aprende-se muito com tudo o que tem aqui, e por isso recomendo dar uma chance.


O Livro dos Fenômenos Estranhos
Charles Berlitz - Best Seller (Nova Cultural) - ? (1988) - 322p.

"Mais de 200 histórias misteriosas e inexplicáveis que desafiam a imaginação". Combustível típico para este blog! De fato, algumas das histórias reais contadas no livro já apareceram em posts por aqui: como os casos dos azarados Henry Ziegland, atingido pela mesma bala duas vezes, e Roy Sullivan, o para-raios humano; ou o carro amaldiçoado de James Dean. Outras já são bem conhecidas pela Internet. Pesquisei mais sobre alguns dos casos e uns tantos já têm explicação, agora. Esse é um dos livros que fica lá nas prateleiras do escritório, em que eu vez em quando bato os olhos e resolvo furar a fila de espera. Berlitz foi um brilhante linguista (fluente em 25 idiomas!), e escreveu dezenas de livros sobre os mais variados assuntos. Um deles foi o sensacional Línguas do Mundo, sobre o qual falei anteriormente em outro relatório.


Fahrenheit 451
Ray Bradbury - Globo - 2009 (1953) - 256p.

Há um bom motivo para certos livros serem considerados clássicos. O motivo para este ser um deles é que ele é simplesmente SENSACIONAL. Explico: o cenário aqui é um mundo dominado por um governo totalitário que proibiu o acesso da população a livros, sob o pretexto de que a cultura faz as pessoas pensarem demais, e pessoas que pensam demais tendem a ser tristes. A intenção do tal governo superlegal era que as pessoas fossem felizes, fazendo o seu trabalho e depois indo pra casa curtir a família, sem se preocupar com estudos ou discussões sobre o que quer que fosse. O resultado foi uma população de pessoas apáticas - ninguém se incomodava em conhecer outras pessoas, ou sequer se importava com os outros; ninguém prestava atenção em coisas corriqueiras da natureza, nada chamava a atenção; a única diversão era assistir pelas televisões transmissões ao vivo de estranhos a quem todos se referiam como "família", que interpretavam um roteiro, fingindo ser parentes, e conversavam sobre coisas supérfluas; ou então passear a altíssimas velocidades em seus carros, o que era permitido. As pessoas não eram felizes, mas elas não percebiam isso. Os índices de assassinato e suicídio cresciam e ninguém se importava. E haviam os bombeiros, que, neste contexto, eram oficiais encarregados de queimar qualquer livro que encontrassem. Era comum receberem denúncias de pessoas que escondiam bibliotecas inteiras em casa, então eles eram autorizados a atear fogo na casa toda. Até que, um dia, ao ver que uma mulher preferiu queimar com sua casa a entregar sua biblioteca, o bombeiro Guy Montag acordou... E o que ele faz depois é surpreendente, para todos, e para ele mesmo. O que torna esse livro sensacional é que a história se passa num futuro não mencionado, mas, tendo sido escrito na década de 1950, esse futuro bem que poderia ser hoje; e é impressionante como muito do que foi narrado nessa história (mesmo que propositadamente exagerado) bate com o que passamos atualmente. Tais coisas eram fantásticas e impensáveis há 60 anos, e agora são tão corriqueiras. Adoro autores de visão! Não deixem de ler esse clássico; não só pela história, mas por tudo o que vai ser aprendido daqui.


A Menina Que Roubava Livros
Markus Zusak - Intrínseca - 2013 (2006) - 480p.

Não era um livro que eu estivesse particularmente interessada em procurar, mais porque eu já estava com coisas demais para ler (como sempre). Então fizeram o filme, vi o trailer, descobri do que a história se tratava, e fiquei com vontade de assistir. Mas aí tanta gente me indicou o livro, que acabei decidindo ler antes de ver. E, bom, não sei se vou conseguir falar sobre ele - a verdade é que eu começo a chorar só de lembrar. Vivendo na difícil época da Segunda Grande Guerra em plena Alemanha nazista, morando com uma família de criação em uma região bastante pobre, e suportando todo tipo de desgraça que uma criança de 10 anos jamais poderia imaginar, até que Liesel Meminger teve seus momentos de sorte. O primeiro foi estar sob a tutela do casal Hubermann, com a "mãe" rabugenta de boca suja e o maravilhoso "pai" acordeonista dono de um coração gigantesco. O segundo foi a fiel amizade de Rudy Steiner, o garoto que sonhava ser o melhor atleta do mundo. O terceiro foi ter a inesperada simpatia de alguém altamente improvável. E o último foi a convivência mais do que especial com o judeu no porão. Cada uma dessas pessoas foi responsável por alguns dos livros da pequena coleção de Liesel, que aprendeu a ler com seu pai de criação, e fez disso uma rotina obrigatória para si própria e tantos outros. A história é narrada pela Morte, de uma maneira bastante peculiar (e até divertida, em alguns pontos), e muito, muito triste. Porque a Morte, sim, é a personagem principal dessa história. Se não pelo enredo, recomendo a leitura pela visão in loco do que os próprios alemães sofreram durante a Guerra que os deixou estigmatizados por tantas gerações. Mas acreditem em mim (e em qualquer outra resenha) quando digo que esse é um livro maravilhoso, porque ele certamente o é. Garanto que não vão se arrepender de tentar.


Não posso deixar de mencionar o ótimo Guia do Tradutor: Melhores práticas, de Fábio M. Said, que tem sido de fundamental ajuda pra essa nova fase da minha vida. Me tirou algumas preocupações (e me deu várias novas!) e me ajudou a organizar alguns pontos. Espero que eu consiga manter a determinação e ser bem-sucedida em alguma coisa nessa vida, haha.



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Dentre as HQs, destaco:

X-Men: A Era do Apocalipse 1, 2 e 3. Esse clássico da Marvel se passa em um universo alternativo (Marvel e seu multiverso...), onde os mutantes que conhecemos têm histórias um pouco diferentes, embora nem tanto assim do que seria provável. Nesta Terra paralela, a humanidade está sob o jugo de Apocalipse, o mutante mais antigo do mundo. Alguns dos X-Men estão, aqui, lutando ao seu lado, enquanto outros tentam combatê-lo. É aqui que conhecemos novos mutantes, como a Blink e o X-Man (codinome bastante original de Nate Grey, que nem era um X-Men :P). A coleção completa tem 6 volumes, mas estou com certa dificuldade ($) em adquirir os três últimos...

►  X-Men: Classic 1, 2, 3 e 4. Outro arco que não me canso de ler: a famosa edição de 1975, lançada lá fora como Giant-Size X-Men #1, que marca o retorno do título às bancas (depois de um quase cancelamento), e apresenta a nova formação do time de mutantes: Wolverine, Tempestade, Noturno, Colossus, Banshee, Solaris e Pássaro Trovejante. O Professor X precisa montar uma nova equipe para resgatar a equipe original, que estava presa numa situação delicada na ilha mutante (sim, o mutante em questão era a própria ilha) Krakoa. Assim sendo, ele usa o Cérebro para localizar mutantes ao redor do mundo, e vai pessoalmente a vários países convocar essa cambada toda. Óbvio que todo mundo se desentendeu e brigou bastante, no começo; alguns da equipe original não aceitaram os novos membros e foram embora; um dos novos não quis ficar e nunca mais apareceu, e outro deles morreu em uma das primeiras missões. De qualquer forma, foi com essa equipe que os X-Men consolidaram seu lugar de direito na história dos quadrinhos.


X-Men: Origins. Volume que compila as origens de Colossus, Dentes-de-Sabre, Jean Grey, Fera, Wolverine e Gambit; como descobriram seus poderes e o que faziam antes que o Professor X os fosse buscar para integrar os X-Men (com exceção óbvia do Dentes-de-Sabre). Além das histórias interessantes e algumas até comoventes, as artes são lindas.

Longshot Salva o Universo Marvel. Eu já conhecia o Longshot por participação em algumas histórias dos X-Men que já tinha lido, mas acho que nunca percebi o quanto o personagem é  divertido. Longshot é de um universo paralelo (na verdade, de um "entre-universos"), e não é exatamente um mutante - é um ex-escravo que sofreu alterações genéticas que lhe conferem psicometria (a habilidade de visualizar acontecimentos passados ao tocar em objetos) e a habilidade de alterar as probabilidades, resultando em uma sorte espetacular. Essa aventura conta com ele como personagem principal, e a participação de outros personagens da Marvel que também amamos, como o Doutor Estranho, os Vingadores, o Motoqueiro Fantasma, o Blade e o Deadpool (Longshot e Deadpool deviam dividir uma revista mensal vitalícia!).

Demolidor: A Queda de Murdock.  Da coleção da Salvat, que está chegando aqui na cidade em "suaves prestações" (beeeeem suaves). Amo o Demolidor, amo gente sofrida, haha. Essa história é considerada clássica do personagem, e não só pelos artistas envolvidos, mas pela desgraça que vira a vida de Matt Murdock aqui (como o título bem sugere) nas mãos do Rei do Crime. A coisa toda com o Demolidor é mais "real" do que acontece que outros super-heróis da Marvel (especialmente os X-Men). Os vilões aqui não têm poderes, e as vítimas são pessoas como eu e vocês, e, várias vezes, o próprio herói.

Do Inferno. Considerado um clássico cult de Alan Moore, Do Inferno apresenta uma história para a identidade de Jack o Estripador e seus motivos para os brutais assassinatos que cometeu em Whitechapel no fim do século XIX. Muitos dos personagens aqui são reais (como costuma acontecer nas obras de ficção baseadas no assunto), e a obra deu origem ao filme de mesmo nome estrelado por Johnny Depp. Tanto a obra quanto o anexo do autor no fim dos volumes tem uma aula de História sobre Londres, que é bem interessante.

Hellblazer Origens Vol. 1: Pecados Originais. FINALMENTE consegui começar Hellblazer e acompanhar John Constantine pelo jeito certo.  É realmente perturbador. Pra quem vai começar a acompanhar a série, não deixem de ler. Pode ser... enriquecedor.

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