Pular para o conteúdo principal

Diamantes e ferrugem


Não acredito
Lá vem o seu fantasma de novo
Mas isso não é incomum
É só que é lua cheia
E aconteceu de você ligar

E aqui me sento
Com a mão no telefone
Escutando uma voz que conheço
Há um par de anos luz
Indo direto para uma queda

Se me lembro bem dos seus olhos
Eram mais azuis do que ovos de pintarroxo
Você dizia que minha poesia era ruim
De onde você está ligando?
Uma cabine no centro-oeste

Dez anos atrás
Eu te comprei umas abotoaduras
Você me trouxe algo
Ambos sabemos o que as memórias podem trazer
Trazem diamantes e ferrugem

Bem, você estourou na cena
Já uma lenda
O fenômeno desarrumado
O vagabundo original
E você se perdeu nos meus braços

E neles ficou
Temporariamente perdido no mar
A musa inspiradora foi sua de graça
Sim, a garota na concha
Te manteria ileso

Agora eu vejo você em pé
Com folhas marrons ao redor
E neve em seu cabelo
Agora você está sorrindo na janela
Daquele hotel podre
Na Washington Square
Nossa respiração sai como nuvens brancas
Que se misturam e flutuam no ar
Falando estritamente para mim
Poderíamos ter morrido naquele momento, naquele lugar

Agora você me diz
Que não é nostálgico
Então me dê outra palavra para isso
Você é tão bom com as palavras
E em deixar as coisas vagas

Porque eu preciso de um pouco desta imprecisão agora
Tudo voltou muito claramente
Sim, eu te amei, meu bem
E se você me oferece diamantes e ferrugem
Eu já paguei.


Diamonds and Rust
Joan Baez
Diamonds and Rust (1975)


Baez nunca escondeu ter composto esta canção pensando em seu relacionamento com Bob Dylan, dez anos antes.  Na época, ela disse para Dylan que a inspiração havia sido seu ex-marido, o que não batia com a letra. É considerada uma de suas melhores composições, e já recebeu versões de diversos artistas, dentre eles a banda de heavy metal Judas Priest.

Postagens mais visitadas deste blog

O Dia dos Namorados e a visão de romance por uma assexual arromântica

Vejo que isso vem mudando lentamente, mas, como regra geral, todo mundo é naturalmente criado e tratado como heterossexual (e, consequentemente, heterorromântico). Eu, claro, cresci com essa absoluta certeza e não questionei isso até meados dos meus 20 anos. Até então, achei que eu só era mais "devagar" pra certas coisas, mesmo. Mas vamos ter que voltar um pouco e compartilhar informação demais.
Como expliquei na página de educação e visibilidade, o fato das orientações sexual e romântica serem coisas separadas e muitas vezes não serem correspondentes é o que mais confunde quem demora a "sair do armário". Eu mesma ainda me vejo questionando ambas, embora esteja convencida de que estou, ao menos, em algum espectro de ambas (confira a página mencionada). Não posso falar por todos os assexuais arromânticos porque, obviamente, cada pessoa é diferente da outra e as coisas são diferentes pra todo mundo. Então vou falar por mim.
Embora só tenha percebido isso recentement…

... e ainda mais livros interativos!

2014 está sendo um ano muuuito esquisito... Não sei se tá todo mundo com essa impressão, ou se eu só estou prestando atenção nas coisas esquisitas, mesmo.
De qualquer forma, comentei em alguma postagem anterior sobre a necessidade da terapia que não vou fazer, e como esses livros interativos que tanto estão na moda andam me ajudando a aguentar toda a esquisitice desse ano.
Depois de Destrua Este Diário, que não vou terminar, e Termine Este Livro, que já terminei, peguei outros dois lançamentos: Listografia, de Lisa Nola, e 1 Página de Cada Vez, de Adam J. Kurtz.


O Listografia eu havia visto pelo Pinterest e achei a proposta atrativa pra mim: listar a vida de acordo com os mais variados tópicos. Os temas vão desde coisas simples, como os lugares em que você já morou, o nome de todos os animais de estimação que você já teve, seus programas de TV favoritos, as cidades que você conhece, até assuntos mais reflexivos, como as coisas sobre você que quase ninguém sabe, seus maiores atos de b…

As curiosas origens de 4 famosos jogos de tabuleiro

Adaptado do artigo original do Mental Floss.



Jogos de tabuleiro são uma forma de entretenimento criada pelos egípcios há 5 mil anos e nunca saíram de moda, mesmo que atualmente tenham sido adaptados em vídeo games ou jogos para o celular. Aqui vão as origens de alguns dos sucessos mundiais favoritos:

Monopoly / Banco Imobiliário

Embora seja considerado um jogo que glorifica o capitalismo (tendo sido banido de países como a China e a antiga União Soviética), este clássico foi inventado para representar justamente a ideia oposta. A americana Elizabeth Magie era ativista contra o pagamento de impostos imobiliários, no fim do século 19. Segundo ela e outros simpatizantes, deveria haver apenas um imposto de propriedade, diminuindo assim a diferença de riqueza entre os senhorios e os inquilinos. Para demonstrar de uma maneira fácil como as coisas aconteciam na época, Lizzie patenteou, em 1904, um jogo chamado The Landlord's Game ("O jogo do senhorio"), cujo objetivo era acumula…