20/08/2014

Os álbuns favoritos da coleção


Não tenho muitos CDs (algo em torno de 130), ou, ao menos, não tantos quanto eu gostaria de ter. Vendi alguns há uns anos, na vã tentativa de juntar dinheiro pra poder ir ao show de Paul McCartney, em 2010 (vocês lembram). Muitos dos que restam já não ouço mais, e gostaria de passá-los pra frente, se soubesse a quem dar (anunciei no Facebook há um tempão, mas ninguém se interessou. Não sei por que o povo fica tão desconfiado quando a gente oferece as coisas de graça). E alguns ficam abandonados por algum tempo, mas depois os redescubro e os ouço bastante por mais um período. 

A verdade é que raramente compro CDs agora, em tempos de Spotify. Ainda invisto nos meus artistas favoritos, mas a maior parte deles não é lançada por aqui, e comprar os CDs internacionais tem saído pesado pro pobre brasileiro, que deve pagar altas taxas e impostos de importação.

Ok. A intenção dessa postagem é mostrar os meus 10 álbuns favoritos dessa coleção. Por "favoritos" entenda-se os mais ouvidos nos últimos meses. Essa coisa de "favorito" é muito subjetiva e depende grandemente de humor e fase da vida. Como já falei de alguns álbuns em postagens antigas (Flaming Pie, de Paul McCartney; London Calling, do The Clash;  Little Things That Make Me So Happy, acústico de Noel Gallagher e Gem Archer; The Who Live at Leeds, obviamente do The Who; Somewhere in the Between, do Streetlight Manifesto), vou procurar não repeti-los agora.


Abbey Road
The Beatles - Parlophone - 1969 - 16 faixas (+hidden track)

Eu sei que falei mil vezes sobre o Abbey Road por aqui, mas nunca o suficiente pra enfatizar o quanto o amo; não sei se porque ele é super sombrio (talvez por ter sido o último que eles gravaram, já todo mundo brigado e querendo ver a caveira um do outro) ou mais variado em estilo. Apesar de começar com uma das músicas que menos gosto da banda (Come Together, ME JULGUEM), o que segue é uma sequência de maravilhas: Something, belíssima composição de George Harrison, a bizarra Maxwell's Silver Hammer, a romântica Oh! Darling... Mais pra frente, a sinistríssima I Want You (She's So Heavy); e cada música continua a anterior, até dar na sublime sequência Golden Slumbers + Carry That Weight + The End, e aí quando você tá lá segurando a emoção, vem a faixa escondida Her Majesty, tirando sarro da rainha. Nada inesperado, uma banda com John Lennon nela não poderia terminar de modo diferente.

Favorita: Golden Slumbers + Carry That Weight + The End, porque elas não funcionam do mesmo jeito quando separadas, e porque o tio Macca toca assim nos shows e é lindo.






One Night Only
Bee Gees - Warner - 1998 - 24 faixas

Se alguém me dissesse há 10 anos (diabos, há 2 dois anos) que um dia eu seria tão fã de Bee Gees, eu teria uma síncope de tanto rir. Acho que ninguém da minha geração se imagina gostando de Bee Gees, porque o primeiro contato que todo mundo tem com eles é pela fase disco, que é realmente embaraçosa nos nossos dias modernos. Mas, um dia, por alguma inspiração divina, resolvi botar pra tocar no Spotify, e fiquei muitíssimo surpresa ao descobrir que nem só de discoteca viveram os irmãos Gibb (vejam bem, faço parte daquela massiva parte da população que associava o nome deles a Stayin' Alive e Night Fever). Ouvi I Started a Joke, How Can You Mend a Broken Heart, To Love Somebody, e me deliciei ao descobrir as músicas dor-de-cotovelo que eu tanto amo ouvir (até admito que How Deep is Your Love é uma das minhas músicas favoritas)! Os três tinham uma harmonia incomparável. Logo já estava no YouTube procurando vídeos das músicas românticas, e comprar o CD da turnê One Night Only foi questão de dias. E assistir a eles é sempre uma experiência gostosa - eles passavam as apresentações inteiras sorrindo, e os vídeos são divertidos (especialmente os ridículos, haha). Esse álbum não tem todas as músicas do show, mas tem as que eu gosto mais. Lamento imensamente saber que nunca poderei assistir a um show deles, sendo o Barry o único membro ainda vivo (apesar de ainda estar se apresentando), mas ver os vídeos me consola.

Favorita: Lonely Days, por ser impossível de ouvi-la parado.




Complete Clapton
Eric Clapton - Polydor - 2007 - 2 discos (36 faixas)

Eric Clapton é o meu melhor amigo. Meu sonho é poder encontrá-lo um dia só pra poder dar um abraço e agradecê-lo pela companhia nos momentos mais toscos da minha vida. Digo isso porque chega a ser sobrenatural como Clapton conseguiu estar presente nas minhas piores crises de coração partido (digamos que no momento EXATO em que o pobre órgão bombeador foi brutalmente partido), sem que o fato dele estar tocando dependesse de mim. Enfim, esse álbum tem algumas das suas músicas mais famosas e algumas das minhas favoritas (infelizmente, não todas), incluindo a super sexy versão acústica de Layla. E foi provavelmente o CD responsável por me viciar em Forever Man, só porque fiquei questionando o refrão todas as muitas vezes que a ouvi até decidir que a curtia (é que, sério, "won't you be my forever woman? I'll try to be your forever man" - TRY to be?!).

Favorita: Promises, porque é um tapinha que eu queria dar na cara de umas pessoas ;~






Handwritten
The Gaslight Anthem - Mercury - 2012 - 11 faixas

TGA é uma das minhas bandas favoritas e praticamente tudo o que eles lançam recebe o meu amor. The '59 Sound costumava ser meu álbum favorito, porém (cheguei a indicá-lo naquele nosso especial dos melhores álbuns da década), até que lançaram Handwritten e eu fui forçada a abrir espaço no pódio. Demorei muito até conseguir comprá-lo (aqueles probleminhas que mencionei no começo do post), mas depois que o consegui, ele raramente sai de dentro do stereo. Foi um caso raro de me identificar com quase todas as faixas, decorei todas, e algumas ficam dias na minha cabeça. Já abre com a empolgante "45", mais pra frente tem Here Comes My Man, com a letra sob o ponto de vista de uma mulher, depois tem Too Much Blood, que é o tipo de música que eu faria se soubesse fazer isso, e aí Biloxi Parish, que seria uma que eu dedicaria a alguém, se fosse o caso. Acho o álbum mais honesto deles, Brian Fallon tá de parabéns por essas letras.

Favorita: Keepsake, por ser tão pessoal do Brian e, portanto, tão triste. Chego a ouvi-la 4 ou 5 vezes seguidas.




Noel Gallagher's High Flying Birds
Noel Gallagher's High Flying Birds - Sour Mash - 2011 - 11 faixas

O tão aguardado álbum solo de Noel Gallagher após o fim do Oasis. Muitos dos fãs não curtiram o resultado, e eu fico sem saber se tenho o ouvido assim tão ruim pra música ou se o povo que é chato pra caramba, mesmo. Noel sempre foi o meu favorito dos Gallagher, e não há absolutamente nada que o Liam tenha feito até agora (musicalmente ou pessoalmente) que me faça mudar de ideia. A maior parte das composições do Oasis era do Noel, então esse álbum acaba lembrando vagamente o que a banda lançou no seu último álbum, Dig Out Your Soul. Tem uma pegada meio psicodélica, às vezes, que eu não necessariamente amo, mas perdoo. A música que eu esperava estar no álbum, cuja demo vazou anos antes e eu gostava muito - (I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine - acabou sendo uma das minhas menos favoritas do álbum. Mas, na verdade, minha única reclamação importante sobre esse álbum é que ele termina rápido demais. Agiliza aí com o próximo, Chief.

Favorita: AKA... Broken Arrow. Sempre digo que, se fosse possível, queria ter filhos com essa música.




The Masterplan
Oasis - Creation - 1998 - 14 faixas

Há um consenso entre os fãs da banda de que as melhores músicas que o Oasis fazia nunca iam para os álbuns (os famosos b-sides, lançados separadamente com os singles). The Masterplan é, então, uma compilação dos melhores b-sides lançados ate então. E é o meu álbum favorito do Oasis (embora às vezes eu diga que é o Heathen Chemistry, mas só porque ele foi o meu primeiro e acontece de ter a minha música favorita da banda) porque é uma tristeza só. Músicas como Half the World Away, Going Nowhere, Fade Away, Listen Up, Rockin' Chair e The Masterplan vêm me acompanhando nos melhores e piores momentos da vida há muitos anos, e é difícil não citar versos delas na minha cabeça ou nas páginas dos cadernos quando bate aquele momento de reflexão. E ainda tem um cover super competente de I Am The Walrus, dos Beatles, que sempre me faz pensar como diabos o Liam nunca erra essa e sempre erra muitas da própria banda, ao vivo.

Favorita: Acquiesce, só porque chega de depressão agora.




Streetlight Lullabies
Toh Kay - Pentimento - 2011 - 10 faixas

Comentei em alguns dos posts mais antigos que o que era genial no Streetlight Manifesto (e não é opinião só minha, mas de todos os fãs) era que as letras são muito reflexivas e inteligentes, mesmo por trás de todo aquele instrumental caótico e delicioso que determina o estilo único da banda. Mas nem sempre as pessoas querem dar uma chance de experimentar a profundidade das letras, justamente por causa do estilo meio ska meio punk meio apocalíptico (tem mais "meios" do que deveria aqui). Então o vocalista e compositor Tomas Kalnoky resolveu ser mais uma vez genial e lançar algumas das músicas em formato acústico - só ele e um violão. E é um álbum incrível, porque aí você realmente percebe o quanto as letras do Streetlight Manifesto são tristes: reflexão sobre o propósito da vida, a contemplação da morte, mensagem ao amigo com depressão, homenagem a pessoas incompreendidas. Ter ouvido falar sobre essa banda foi uma das melhores coisas que me aconteceu. Eles nunca me desapontam.

Favorita: A Moment of Silence, que é minha favorita tanto na versão original quanto na acústica.



Our Live Album is Better Than Your Live Album
Reel Big Fish - Rock Ridge - 2006 - 2 discos (35 faixas) + DVD

Acho difícil esse não ser um dos álbuns favoritos de qualquer um que o tenha em sua coleção. É duplo, vem com o DVD com um dos shows completo, é impecável do começo ao fim, e é MUITO divertido. O tenho há anos e não consigo deixar de gargalhar das mesmas piadinhas entre as músicas, mesmo que já tenha decorado todas ("Close your eyes and feel the magic... I SAW YOUR EYES OPEN!"). Gosto do que eles fazem com a versão ao vivo de Where Have You Been?, incluindo na música que eles mais detestaram ter que fazer um lindo solo de trompete em ritmo de jazz. Também tem alguns daqueles covers que eles fazem e que a gente ama, como Take On Me e Boys Don't Cry, além de Unity, hino da Operation Ivy que eu adoro, e que conta com a participação de Ali Tabatabaee do Zebrahead no DVD.

Favorita: O ponto alto dos shows, a insubstituível S.R. em suas muitas versões. A original é bem curtinha, e em todo show eles brincam tocando-a em diversos ritmos diferentes (ska, punk, blues, disco, country, indie, rap, death metal, emo), e é sempre muito divertido.






Les Misérables: Highlights From the Motion Picture Soundtrack
VA - Universal - 2012 - 20 faixas

Tcharam, que surpresa! Eu disse recentemente que já havia quase decorado a trilha sonora, então seria óbvio imaginar que eu teria o CD dela. Infelizmente, não é a versão completa (foi o que deu pra comprar :(), mas ao menos tem as que eu gosto mais. Os arrepios já começam com Look Down, a primeira briguinha de Javert (Russell Crowe) e Jean Valjean (Hugh Jackman); mais pra frente vem I Dreamed a Dream, desabafo sofrido de Fantine, interpretada por Anne Hathaway e que arrancou as primeiras lágrimas do povo; mais além vem ABC Café/Red and Black, canção de esperança dos jovens revolucionários (que grudava na minha cabeça sempre que eu dava aulas sobre as cores em inglês...); e fecha com Epilogue, pra mim a mais emocionante de todas.

Favorita: Já foi citada em postagens anteriores, mas ressalto que On My Own, por motivos extremamente ridículos e pessoais.




Unbreakable Vol 1 - The Greatest Hits
Westife - BMG - 2002 - 19 faixas

A questão é a seguinte: eu ainda ouço as boy bands da minha época. E, embora o *NSync sempre tenha sido a minha favorita, recentemente descobri no Westlife a minha melhor fonte de músicas pra fingir que participo de um show de calouros (brinco disso desde sempre, mesmo que não saiba cantar nem pra salvar a minha vida) (pronto, confissões embaraçosas o suficiente por hoje). Hoje, já fora daquela fase adolescente em que encaramos nossos artistas favoritos como "maridos", percebo que o Westlife foi um grupo de excelente performance ao vivo, de harmonias vocais muito bonitas, e intérprete de ótimas versões de clássicos como Total Eclipse of the Heart, The Rose e More Than Words (não presentes neste álbum), além de um álbum todo de versões de Frank Sinatra. Essa compilação em questão não é a minha favorita absoluta deles (gosto mais da segunda, chamada apenas Greatest Hits, que é a que contém as minhas músicas favoritas do grupo - só que, infelizmente, não possuo uma cópia física dele), mas contém as primeiras músicas deles, que foram as que eu conheci quando adolescente, e que me trazem recordações da época e me dão uma certa saudade, entre elas If I Let You Go, Fool Again, e My Love.

Favorita: Love Takes Two, que descobri neste álbum, e que tem solo de guitarra, e que também me fez prestar atenção na voz linda de Mark Feehily.





Bom, como eu disse, esses são os favoritos da minha coleção. Não possuo todos os meus álbuns favoritos do mundo, infelizmente, e a lista seria diferente se eu considerasse o que gravei ou tenho no computador ou ouço no Spotify. Mas esses aqui são os que passam uns dias dentro do stereo enquanto fico namorando a capa e lendo os encartes.

Querem dividir os seus favoritos das coleções de vocês?