28/09/2014

Sobre terapia e livros interativos

Há alguns anos, uma amiga sofreu um caso de roubo de identidade na Internet. Foi algo que a perturbou bastante, e ela acabou se afastando da vida online por um ano. Como mantínhamos contato principalmente pela Internet, ficamos quase esse tempo todo sem contato (salvo por alguns escassos e-mails aqui e ali). Quando se sentiu segura o suficiente para voltar a frequentar as redes sociais, ela me contou que aquele ano afastada tinha sido muito bom, comentou sobre estar fazendo terapia e começou a pregar maravilhas sobre a decisão. "Todo mundo deveria fazer terapia. Você também!".

"Não sei. Terapia, pra mim, é pagar alguém pra fingir que é meu amigo."

Confesso que comentei com um tanto de maldade. E só me lembro da resposta até hoje porque ainda tenho o mesmo pensamento a respeito de terapia. Hoje, entendo a necessidade - e até faria, se tivesse condições. E até não vejo mais problema em pagar alguém pra fingir ser meu amigo, afinal, nossos amigos não têm obrigação moral nenhuma de ouvir os nossos mimimis. Terapeutas são qualificados para ouvir mimimis, oferecer apoio moral, e te livrar do fardo. E como mimimis DEVEM ser desabafados, todo mundo sai ganhando, e não tem amizade perdida.

Entretanto... Não, obrigada. Meu método favorito de terapia sempre foi escrever. Sempre tive diário, ou blog, e não houve caderno escolar cujas últimas páginas escapassem dos rabiscos "terapêuticos". Esse ano tem sido bastante esquisito e uma terapia viria bem a calhar, mas estou me virando bastante bem com livros interativos.

Já comentei que, embora adore ler, não consigo escrever ficção. Quero ser muito detalhista e deixo tudo muito chato; não sei dar nomes aos personagens, eles nunca têm laços familiares ou amigos, e acabo desistindo das minhas boas ideias de roteiro por causa dessas chatices. Mas sempre me dei bem com propostas de redação, porque tudo o que eu preciso na vida é aquele chutinho na bunda, sabem? O tranco! Dali pra frente, me viro.

Tendo tudo isso em mente, dois livros interativos têm acompanhado meu segundo semestre de 2014, ambos de Keri Smith: Destrua Este Diário e Termine Este Livro. Vou comentar sobre como tem sido.



A princípio, não havia me interessado por Destrua Este Diário - nem sabia direito de que se tratava. Mas, aí, uma colega do trabalho ganhou um e me mostrou, achei as propostas bacanas, e acabei comprando um pra dar de presente pra minha irmã. Achei ideal pra desestressar (coisa que ela estava precisando bastante...), e peguei um pra mim também.


Bom, ela destruiu o dela sem dó nem piedade, o que provou que meu presente foi um bom presente, afinal. Eu, entretanto, não consegui. Realizei algumas das propostas, mas algumas são muito... "destruidoras" pra mim. Além disso, algumas das tarefas envolvem certo talento artístico, que não tenho MESMO. Estou ciente de que a premissa do livro é justamente abrir mão dessa necessidade de perfeição que todos temos, e "esculhambar" - afinal, arte é isso aí. Mas meu perfeccionismo chiou na minha cabecinha, acabei não fazendo nem metade das propostas, e não acredito que um dia eu vá terminá-lo. Às vezes o pego e rabisco um pouquinho, pra me distrair, mas folheio o livro todo e já sei exatamente o que não vou fazer (desculpe, Keri Smith, não consegui). Algumas propostas são bem bacanas, porém, e caprichei nelas como pude. Outras envolvem materiais que não tenho disponíveis, e que não vou adquirir só pra cumprir essas metas. Enfim, pra quem não liga muito pra pequenos vandalismos, esse livro é uma diversão só. Vejo pela minha irmã, que chegou a filmar o dia quando ela jogou o livro lá do quinto andar do prédio onde ela trabalha. Pelo que soube, todos os colegas de trabalho dela ajudaram um pouco na destruição do coitado. Presente mais do que bem aproveitado.


Em compensação, o Termine Este Livro já era um que eu cobiçava há um tempo (cogitei comprá-lo em inglês, mesmo, até que foi finalmente lançado por aqui), e acabei ganhando de presente da minha irmã! Só de dar uma folheada vi que iria curtir muito, porque envolve bastante pesquisa e escrita, que são coisas que amo fazer. A "história" é a seguinte: pra todos os efeitos, um dia, ao voltar pra casa, a autora encontrou folhas soltas de um livro sobre um banco de praça. Ao juntá-las, descobriu que o tal livro se chamava Manual de Instruções, era bem misterioso e continha muitas instruções estranhas. Ela, então, resolveu publicar o tal livro "incompleto" para que outras pessoas no mundo todo a ajudassem a completá-lo. Porém, devido à natureza estranha das instruções, ela achou melhor que nós passássemos por um treinamento antes de tentarmos terminar o livro. Então, Termine Este Livro é dividido em quatro partes: a primeira é o "Treinamento de Espionagem", onde aprendemos, entre outras coisas, a nos comunicar em códigos e a utilizar disfarces (coisa que aprendi muitíssimo bem, vide foto à esquerda). A próxima parte é "Métodos de Documentação e Observação", onde aprendemos a, obviamente, documentar nossas observações, a coletar materiais, e a utilizar mais nossos outros sentidos, além da visão, para a "observação".

Entre os exercícios dessa parte do livro estava escolher um objeto de preferência e escrever um pequeno conto de uma página sobre ele. Quis trapacear, porque tenho mais de um objeto preferido, e acabei escrevendo um conto de 46 páginas. Foi meu momento favorito do livro, pois tive aquela sensação fantástica de conseguir escrever uma ficção e terminá-la! Os objetos escolhidos foram meus action toys, então meu conto (que se chama "De Plástico") é um crossover entre Doctor Who/Star Trek/X-Men/O Senhor dos Anéis/O Quarteto Fantástico/Vingadores/Star Wars. Não sei como, mas consegui fazer tudo isso fazer sentido, e garanto que a cena da luta entre Gandalf e Loki ficou bem... interessante. Não sei se posso publicá-la aqui no blog, entretanto, por causa das paradas de direitos autorais dos personagens (se bem que não vou vender a história, então não vou ter lucro com ela. Como ficam as fanfics, afinal?). [UPDATE: O conto na íntegra pode ser lido aqui!]

vai uma palhinha da primeira página ;)

A parte seguinte é "Procedimentos de Exame de Artefatos", onde somos autorizados a olhar o Manual de Instruções, que é a quarta e última parte do livro, e tentar adivinhar qual é o objetivo dele. Chegando lá, começam as instruções estranhas (que não detalharei para manter a curiosidade de vocês ;), e logo vemos que vamos utilizar tudo o que treinamos até então.

O que adianto sobre o Manual de Instruções, que é justamente o que pode ser um empecilho pra bastante gente, é que o cumprimento das tais instruções demandam que tenhamos muito contato com a natureza - o que é uma ideia excelente e apoio a causa 100% -, e não é todo mundo que tem como passar horas (ou dias, dependendo da tarefa) em uma área dessas. Eu moro no interior, o que deveria tornar essa parte fácil, mas não é muito; Rio Verde não é uma cidade segura para que alguém possa passar horas sozinho em uma praça (já que não temos parques, que seriam ideais). A sorte é que temos um quintal bom o suficiente aqui em casa, onde posso coletar materiais e observar animais - nem sempre tanto quanto seria o mais divertido, mas tá dando pro gasto. Então, pra que o livro seja plenamente aproveitado, sugiro que vocês tenham acesso a uma área segura de natureza.

porque sair catando coisa do chão é uma delícia


O que mais estou gostando neste livro é que ele não é só um passatempo para distrair a cabeça: ele nos faz pesquisar, escrever, desenhar (não artisticamente, o que é um alívio!), e exercitar muito nossa massa cinzenta. O considero uma experiência edificante em vários aspectos, e o recomendo grandemente.





Essa é uma das minhas terapias. Qual é a terapia de vocês?

p.s.: Se alguém conhecer algum outro livro que se assemelhe a estes (interativo de qualquer forma), por favor, indiquem! :D

24/09/2014

Meus canais favoritos no YouTube

Houve uma época em que eu, usuária recente da Internet, morria de preguiça do YouTube. Preferia baixar meus vídeos favoritos do que abrir o site pra assisti-los sempre que quisesse! Hoje, não entendo essa antipatia toda. Talvez fosse porque minha conexão era realmente devagar e eu nunca tive paciência de esperar nada carregar. Sei lá. Mas a antipatia passou, eventualmente me inscrevi por lá, favoritei centenas de vídeos, mandei alguns, acesso diariamente, e dependi bastante dele até para preparar aulas.

Com isso, colecionei algumas inscrições favoritas. Gostaria de compartilhar algumas com vocês:


Os vídeos são bem curtinhos, cada um com uma lista temática de 10 itens. Sem narrador, apenas música de fundo, boas imagens e curiosidades inusitadas muito interessantes. Utilíssimo para muitas das aulas que já dei, inclusive.

10 inventores mortos por suas próprias invenções:



Fui parar nesse canal procurando por outra coisa, e acabei descobrindo um dos mais divertidos. Eles pegam filmes ou clipes musicais, tiram o som original, e fazem uma dublagem do que PARECE que as pessoas estão falando ou cantando, por leitura labial. É hilário! Acho que eles ganharam muitos seguidores depois do famoso vídeo que fizeram com The Walking Dead, que até rendeu uma música engraçadíssima "cantada" pelo Governador (que obviamente decorei).

The Walking (and Talking) Dead:

 labibidabibidum, labibidabibido ♫


Até já o indiquei anteriormente, mas mando aqui de novo: é um canal de audiobooks, em inglês, bastante útil pra quem quer experimentar ler obras nessa língua: um narrador vai lendo a história em inglês, enquanto o texto passa na tela pra você acompanhar. E, se quiser, ainda dá pra colocar as legendas em português, então dá pra se divertir e aprender ao mesmo tempo. É um vídeo pra cada capítulo do livro, então não fica cansativo e dá pra ir lendo por partes. As obras lá são todas clássicas, e tem muita coisa, inclusive uma playlist infantil.

Prefácio de Frankenstein:


4. list25

Parecido com o Alltime10s, só que aqui as listas têm 25 itens, e, infelizmente não têm legendas para acompanhar, apenas o narrador. Porém, eles disponibilizam os scripts dos vídeos, então também aproveitei muito vídeo daqui pra usar em aulas. As curiosidades deles também são bem interessantes, e os vídeos também são curtos o suficiente.

25 celebridades que já moraram nas ruas:



Acho que todo mundo já conhece, mas deixo a dica pra quem ainda não viu: os tutoriais de ciência e DIY aqui são super fáceis de fazer, os materiais são simples e acessíveis, e a gente aprende a fazer muita coisa bacana. Entre outras coisas, aprendi aqui a fazer essa torta de caneca super preguiçosa e gostosa.

Torta de caneca em 3 minutos:



Gosto muitíssimo do site, e não é diferente com o canal no YouTube. Os vídeos apresentam listas de curiosidades bastante diferentes e interessantes, e são bastante divertidos. Um dos vloggers é John Green, autor de várias obras famosas da atualidade, entre elas A Culpa é das Estrelas (o que descobri bem tarde na vida, já que ainda não li nada dele e não sabia que esse John Green era o mesmo John Green do Mental Floss. Enfim, haha). O ponto negativo para nós é que a maioria dos vídeos não têm legendas, e todos falam rápido demais pra pobres mortais falantes de outras línguas acompanharem 100%. Mas mesmo assim vale a pena assistir, os vídeos são muito legais, e a sala onde fazem as filmagens é um sonho nerd *o*

29 museus estranhos:



A melhor fonte para curtas de animação! Eles postam MUITA coisa, inclusive making of de algumas animações, pra quem estuda ou trabalha com isso. Tem todo tipo de animação aqui, das famosas às mais obscuras; divertidas, tristes, trágicas, futuristas, fofas, aterrorizantes, sem-noção. Também peguei muita coisa daqui pra usar em aulas.

This Way Up:

 adoro esse, haha


Outro cujos vídeos são em forma de lista, mas o assunto aqui é sempre entretenimento. A classificação é feita de acordo com votação no site deles, ou por rankings oficiais, de acordo com o assunto. Desde as "10 melhores canções" de determinado artista até curiosidades sobre a origem de algum personagem dos quadrinhos, apesar de não ter legendas, dá pra entender tranquilamente, e aproveitar pra assistir uns trechos de filmes, programas de TV, ou clipes de músicas. Eles postam com muita frequência, e é sempre uma alegria ver as atualizações.

As 10 máscaras icônicas dos filmes de terror:





E aí, quais são os seus canais favoritos?

22/09/2014

Uma breve declaração de amor ao Streetlight Manifesto

Em agosto de 2012, o Streetlight Manifesto abriu a pré-venda para seu novo álbum, The Hands That Thieve, pela loja independente RISC Store. Como sempre, havia várias opções de aquisição: apenas o CD, o CD + o CD com as versões acústicas gravadas pelo Toh Kay, ou um bundle CD + pôster + camiseta, ou então o vinil. Enfim, tudo muito lindo e pelos preços simbólicos de sempre. Bom, por causa do alto preço do dólar, na época, e as taxas de IOF que me matam na farofa, acabei comprando só o CD, mesmo, e aguardei ansiosamente pelo lançamento, como todos os outros.

Porém,

numa treta eterna com a então gravadora, Victory, a banda não recebeu os CDs para entregar as pré-vendas. A Victory vinha aprontando com eles havia algum tempo (por exemplo, proibindo-os de postar seus vídeos no YouTube), e não entendi muito bem por que, mas entendi que a gravadora os proibiu de vender os CDs pela loja independente (os CDs foram lançados e estavam sendo vendidos por preços exorbitantes em algumas lojas especializadas). De toda forma, todos que compramos o álbum na pré-venda recebemos um longo e-mail explicando, como puderam, o porquê do que aconteceu, mas que o álbum seria eventualmente liberado para nós no ano seguinte, até abril.

E abril chegou e os CDs, novamente, não puderam ser entregues.

Recebemos novamente um e-mail por parte da banda, pedindo desculpas e explicando que aquela era uma batalha perdida. Eles, então, nos autorizaram a conseguir esse álbum por "qualquer meio que quiséssemos". Óbvio que a maioria já havia baixado os mp3 há muito tempo, mas agora tínhamos o aval da banda, que é sempre desejado.

Um tempinho depois, após confirmação de que nossos sonhos estavam destruídos, a banda anunciou que estava deixando a gravadora, mas que isso geraria uma multa por quebra de contrato bastante pesada (além dos processos todos). Quem ainda não havia pedido o reembolso poderia optar por deixar o dinheiro como doação para ajudá-los com isso, e como eram só 10 dólares, deixei e fiz meu papel de fã e ajudei.

Este ano, a banda entrou em contato com quem resolveu deixar o dinheiro como doação para agradecer, dizer que estava dando tudo lentamente certo, e que nós seríamos recompensados com um presente pela dedicação, espera, fidelidade, e apoio nas horas difíceis - seria apenas uma lembrança, que eles esperavam ser tão boa quanto o CD que esperávamos receber mas não poderíamos, mas ainda era segredo.

Meses depois, revelaram o que nós receberíamos. Nas palavras deles: "uma embalagem de CD em formato digipack, um CD em branco para que vocês gravem nele o que bem entenderem, e um encarte com fotografias e 10 poemas. A embalagem não tem código de barra, nada escrito na capa ou no CD, não tem logos com um cachorro malvado [símbolo da gravadora], nada. É só um CD em branco com um livrinho de fotos e poemas". Então, o que eles estavam fazendo, basicamente, era nos dando o que compramos - só que sem a capa original e sem as músicas, por determinação legal dos processos e cláusulas contratuais do escambau, tudo muito dentro da lei e satisfatório pra todo mundo.



escrevi os nomes à mão, como deveria ser feito



Recebi o meu esses dias. É realmente o que todos sabíamos que era: a embalagem completa - capa (com arte diferente), o CD em branco (onde já gravei o álbum), e o encarte com as fotos que eles fizeram durante as turnês e as letras das músicas. Não há o nome da banda, nem do álbum, em lugar nenhum, nem logos ou qualquer outra coisa. Nos informaram de que aquilo era um presente e, portanto, uma edição limitadíssima, que só quem doou o reembolso recebeu.

[quanto ao álbum, já falei aqui]

Vejam, o meu amor pela banda vem de anos, por motivos que já contei aqui em diversas ocasiões. Mas eu acredito que, mais do que a música, o que ganha o respeito e o amor dos fãs e aqueles que deram força (e dinheiro, claro!) para que o sucesso viesse é a maneira como o artista ou a banda os retribui. Enquanto eu vejo bandas e artistas cobrando pequenas fortunas por um lugar melhor no show, me lembro do The Clash se recusando a tocar quando souberam que isso estava acontecendo, e só subindo ao palco quando souberam que o dinheiro seria doado a instituições de caridade. Enquanto eu vejo bandas e artistas cobrando outras pequenas fortunas pelo "privilégio" de ter uma foto tirada (sem contato físico) com o fã que, além de pagar, esperou horas em uma fila e teve que passar por um sorteio, me lembro novamente do The Clash deixando fãs entrarem pela janela do camarim. Enquanto eu vejo bandas e artistas cobrando a mais por shows "exclusivos" para poucas pessoas, me lembro de Joe Strummer tocando seu violão na porta da estação de rádio para fãs na calçada porque chegou atrasado a uma entrevista (pois resolveu ir até o estúdio a pé) e teria de esperar mais algumas horas até o próximo horário livre. E enquanto eu vejo bandas lançando álbuns exclusivos que "não são pra qualquer um" por quantias fabulosas, me lembro do Streetlight Manifesto nos retribuindo (do próprio bolso!) da melhor maneira que puderam por uma doação de 10 dólares, como agradecimento pela nossa fidelidade.

Copyright © MCK-Photography


Embora eu saiba que muitos dos atos ali descritos não dependam mais do artista do que dependem da gravadora ou produtora ou organização dos shows, o artista tem SEMPRE a opção de ser contra. Citei bastante o The Clash, mas sei que existem outros, e serão sempre esses que terão o meu respeito e o meu dinheiro. O Streetlight Manifesto está longe de ter a quantidade de fãs que as bandas e artistas populares têm, mas o consenso geral entre nós sempre foi que eles nunca decepcionam. Nos referimos à música - que nos diverte e nos faz pensar, mas hoje sabemos que esse pequeno ato de respeito apertou ainda mais os nossos laços.

Minha declaração de amor acabou não sendo breve, mas foi necessária. E continuo firme na esperança de que outras tantas bandas de que gosto não se tornem no que outras tantas bandas de que já gostei se tornaram.



If Only For Memories
and I believe that every broken bone was meant to be,
and when it heals it will be stronger than it was before.

uma música importante

16/09/2014

Tutorial para um truque de cartas superfácil + curiosidades

freerangestock.com


Existem vários tipos de baralhos pelo mundo, com as mais diversas e controversas origens. O baralho que costumamos usar aqui no Brasil para os jogos de cartas e truques de mágica é conhecido por baralho francês. Ele é composto por 13 cartas para cada um dos 4 naipes (copas , ouros , paus e espadas ), que incluem um ás (geralmente simbolizado com o naipe em tamanho maior), as cartas numeradas de 2 a 10 (simbolizadas com os respectivos naipes na quantidade numérica condizente à carta), e três cartas figuradas. Estas representam um valete (simbolizado pela letra J, de Jack, em inglês), uma dama (simbolizada pela letra Q, de Queen, em inglês), e um rei (simbolizado pela letra K, de King, em inglês). O valor de cada carta figurada depende do jogo. Alguns baralhos incluem curingas, que só são usados em alguns jogos. Todas as cartas têm desenhos reversos, de modo que pessoas que jogam de frente uma para a outra possam ver claramente a carta jogada (pra evitar confusão entre as cartas 6 e 9, por exemplo).

Curiosidades:

O ás de espadas é, geralmente, a carta mais estilizada do baralho por causa de uma lei passada pelo rei Jaime I da Escócia, no século XVI: exigia-se que o fabricante local colocasse uma insígnia nessa carta especificamente como prova de que os devidos impostos à Coroa haviam sido pagos. O costume de marcar a carta com uma insígnia ficou até hoje.

Alguns tentaram associar significados aos desenhos das cartas figuradas, como o Rei de Copas ser o único rei sem bigode. O fato é que ele originalmente tinha um, que foi perdido devido às cópias de má qualidade que foram sendo feitas com o tempo. Da mesma maneira, nenhum outro objeto presente nas cartas figuradas realmente tem significado simbólico, e serve apenas para retratar figuras da realeza e diferenciar uma da outra.

  Costuma-se associar as seguintes simbologias às figuras:

Rei de : Júlio César, e o machado simboliza as legiões romanas
Rei de : o rei bíblico Davi
Rei de : o rei Carlos Magno
Rei de : Alexandre, o Grande
Dama de : a personagem bíblica Raquel, esposa de Jacó
Dama de : a deusa grega Atena
Dama de : Judite, personagem bíblica esposa de Esaú
Dama de : a rainha Elizabeth I
Valete de : Heitor, príncipe de Troia
Valete de : Hogier, primo de Carlos Magno
Valete de : o comandante La Hire, da Guerra dos Cem Anos
Valete de : Sir Lancelot, da távola redonda do Rei Artur
Os curingas seriam os bobos-da-corte, presentes em todas as cortes medievais.


Quando foram desenhadas em Rouen, em 1516, as cartas figuradas apresentavam desenhos muito mais bonitos e detalhados. Por exemplo, os reis, damas e valetes eram originalmente retratados de costas, olhando por cima dos ombros, de forma que os rostos ficavam em perfil. Como as cópias inglesas eram feitas à mão, o desenho original foi se distorcendo e resultando em artes um tanto grosseiras.

► Segundo algumas histórias, os naipes teriam os seguintes significados:

Ouros (ou "diamantes", em algumas línguas): simboliza os comerciantes
Espadas: simboliza os militares
Copas: simboliza o clero
Paus: simboliza os camponeses

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Dizem que todos precisamos saber fazer pelo menos um truque com cartas. Tentei aprender muitos (e falhei miseravelmente em basicamente todos), mas um deles consegui aprender bastante bem, é bem fácil de executar e memorizar, e impossível de errar. É o que compartilho com vocês, nesse vídeo (humilhante) que gravei especialmente pro blog:

(desculpem o má dicção e as unhas não feitas, não se esqueçam de que sou eremita)


Fontes: Manual dos Curiosos, de Donaldo Buchwitz | Wikipedia | Wikipédia | Mismag822 - The Card Trick Teacher

11/09/2014

10 coisas que me despertam a curiosidade

Apresentando o layout novo! 

Sou muito curiosa a respeito de várias coisas, e gosto de estudá-las e me atualizar a respeito, sempre que posso. Entre elas:

  1. Línguas estrangeiras. Gostaria de ter oportunidade de continuar estudando as que comecei, e começar várias outras, mas não posso enquanto estiver morando aqui. Quase me arrependo de não ter feito Letras porque perdi a oportunidade de estudar Linguística, que também gosto muito.

  2. Zoologia e Comportamento Animal. Era a especialização que eu gostaria de ter feito, depois que me formei, mas também não tive oportunidade para tal. Fiz alguns cursos de curta duração sobre os dois, porém, e é o que ainda me apaixona na Biologia, além de Evolução.

  3. "Que fim levou...?". Me apego absurdamente a certos artistas favoritos, e como grande parte deles é de filmes ou programas muito antigos, estou sempre pesquisando sobre eles: que outras coisas fizeram, se ainda estão vivos, fotos recentes. Também gosto de pesquisar sobre artistas que atuam muito caracterizados, e adoro ver o quanto eles são normais (ou não!!) por baixo de toda a maquiagem e figurino.  

  4. Mitologias e lendas. AMO Mitologias, de que parte do mundo forem. Acho-as fascinantes, e importantes para determinar a cultura e História dos povos e países.

  5. História. Essencial para todo curioso! É a única maneira de se entender qualquer coisa - até a Ciência precisa da História. Fun fact: só tive um mês pra estudar para o vestibular, e usei ele todo para estudar História (em vez de me dedicar à Biologia :P).

  6. Lugares históricos. Como não viajo, sempre que leio sobre algum lugar importante ou interessante em qualquer lugar do mundo procuro pelas fotos imediatamente. Fiz um mural para elas no Pinterest e fico lá olhando e atiçando minhas lombrigas viajantes que não podem ser alimentadas.

  7. Ficção científica. Minha maneira favorita de aprender um pouco de Física sem ter que resgatar meus livros escolares. É frequentemente meu gênero de escolha para qualquer tipo de entretenimento, e sempre procuro ler/assistir a clássicos ou novidades do gênero.

  8. Astronomia. Nunca fui muito boa em Física, embora sinta vontade de estudar o assunto agora que não tenho outras obrigações escolares, porque sei que é fascinante. O Espaço me maravilha e eu gostaria muito de entender mais sobre ele. É uma paixão que herdei da minha mãe (que entende muito mais do que eu), e cresci folheando livros sobre o assunto que ela sempre teve.

  9. Filosofia. Embora não seja um assunto que eu me pegue pesquisando, sempre gosto muito quando tenho contato. Não estudei a disciplina na escola ou na faculdade (ela se tornou obrigatória logo depois que eu terminei ambos!).

  10. Os livros do nosso escritório. Estou sempre mencionando meu projeto de ler todos os livros da casa, e às vezes evoluo um tanto, mas como frequentemente adquirimos novos, o projeto fica cada vez mais complicado de cumprir. Não tem uma vez que eu pise no escritório e não fique lendo as lombadas dos livros com aquela coceirinha de furar a fila mais uma vez. De vez em quando faço isso.

Ok, esses são os meus dez itens. E quanto a vocês? O que lhes faz pensar "Hm, preciso saber mais sobre isso!"?

p.s.: itens extras incluem casos de serial killers e pesquisa de simbolismos.

06/09/2014

Procurando o que assistir na Netflix? Dicas de filmes aqui!

[UPDATE: Oi! Alguns destes filmes não estão mais no catálogo da Netflix :( Mas dei novas sugestões AQUI!]

É de consenso geral mundial que a gente perde mais tempo escolhendo coisas pra assistir na Netflix do que as assistindo realmente. Pensando nisso, na condição de usuária assídua, resolvi indicar um filme de cada gênero principal de lá para que alguém sofra menos na próxima hora livre.

E não há por que reclamar do catálogo do site. Quem disse que não tem coisa boa entre as coisas velhas?

(Vou procurar fugir dos óbvios por acreditar que todos já conheçam/tenham assistido, mas se aparecer algum por aqui é porque vale repensar caso alguém tenha achado que não valia a pena)

Clique nas imagens para assistir!

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► AÇÃO E AVENTURA

http://www.netflix.com/WiPlayer?movieid=60011609&trkid=7935153

Com roteiro de Chris Columbus (atualmente mais conhecido por ter dirigido os dois primeiros filmes da franquia Harry Potter), esse é um filme bastante divertido e empolgante!

CLÁSSICOS

http://www.netflix.com/WiPlayer?movieid=60000397&trkid=7935153

Até já o sugeri aqui há uns anos, mas recomendação persiste. Há uma versão mais recente (1998), com Christopher Reeve. A original de Hitchcock com os lindos Grace Kelly e James Stewart é cheio de suspense e também muito divertido.

► COMÉDIAS

http://www.netflix.com/WiPlayer?movieid=60029676&trkid=7935153

Apesar de não ser o meu favorito do Monty Python, ainda dou muita risada dele - e as músicas ficam por dias na minha cabeça (inclusive, só de pensar no filme já estou cantando Every Sperm is Sacred...). Quem ainda não conhece o estilo louco do Monty Python pode estranhar, mas, se gostar deste, corra atrás dos outros filmes!

► DRAMA

http://www.netflix.com/WiPlayer?movieid=60020811&trkid=7935153

Na verdade, assisti a esse filme há MUITOS anos, mas me lembro de ter me prendido muito. No decorrer da história, chegamos realmente a duvidar se Prot era mesmo um alienígena, como o psiquiatra tanto questionou, e o final deixa muito a pensar.

► FICÇÃO E FANTASIA

http://www.netflix.com/WiPlayer?movieid=70241755&trkid=7935153

Tem uma seleção muito boa de filmes do gênero por lá; mas indico este, mesmo sendo tão recente, porque, apesar de parecer ter um enredo batido, tem um roteiro inteligente, ótima atuação, excelentes efeitos especiais, e um final inesperado.

► POLICIAL

http://www.netflix.com/WiPlayer?movieid=70095139&trkid=7935153

Outro filme relativamente recente (cujo livro em que foi baseado li depois de ter assistido e também indiquei) e que sempre vou achar genial. Ao contrário do que se pode pensar por causa do final, não um filme pra "se assistir uma vez só" - ele fica ainda mais interessante já sabendo o fim.

► SUSPENSE

http://www.netflix.com/WiPlayer?movieid=60026150&trkid=7935153

Esse filme é MUITO louco. Louco no sentido de ser muito tenso e surpreendente. Suspense com S maiúsculo.

► TERROR

http://www.netflix.com/WiPlayer?movieid=795971&trkid=7852267

Netflix tá cheia de filmes toscos de terror, é fácil escolher um e se arrepender. Mas esse aqui é baseado em um dos meus livros favoritos de Stephen King, e tem uma história bem interessante e um desenrolar bem catastrófico. Vale ver.

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Não se esqueçam de que alguns filmes somem de lá sem aviso prévio, então, ao ficar com vontade, assistam o quanto antes!

E, pra quem ainda não tem conta lá, lembro que o site oferece o conteúdo completo de graça por 30 dias, e você pode cancelar facilmente a qualquer momento. Mas vale a pena pagar a assinatura (é baratinho!) e aproveitar ilimitadamente (pra quem vê séries, só tem vantagem!).

01/09/2014

Sugestões de Leitura de 2014: Julho - Agosto

Sabe o que a gente deve fazer quando tá com vontade de ler um livro, mas tem receio de lê-lo porque falaram que é chato ou ruim?

A gente vai lá e lê o livro mesmo assim.

"Chato" ou "ruim" não é uma verdade absoluta, é só opinião. E você pode ter a sua, e tudo bem se ela for diferente da de todo mundo.

Seguem as leituras dos dois últimos meses, sem ordem.

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Wild Cards: Apostas mortais
V.A. - Leya - 2014 (1987) - 400p.

Terceiro dos 22 volumes da série (acho de bom tom que a Leya continue traduzindo todos, agora). Dei uma ideia geral da história no relatório passado, bem como o motivo do exagero no tamanho do nome de George R.R. Martin nas capas (*barulhinho de caixa registradora*). Neste volume, a história avança alguns meses desde o desfecho do último; e, ao contrário dos outros (que chegavam a abranger até décadas da história), este aqui engloba apenas um dia, com cada capítulo narrando os acontecimentos hora a hora. É o 40º Dia da Carta Selvagem, data que celebra a propagação do xenovírus que matou, deformou ou deu superpoderes à população das redondezas de Nova York. Tanto curingas quanto ases estão se reunindo ao redor do Túmulo do Jetboy para as celebrações costumeiras, mas algo está errado: alguns dos ases mais famosos e queridos do mundo estão desaparecendo ou sendo assassinados (não foi fácil me despedir de alguns...), e tudo indica que o alvo principal dos ataques seja o takisiano que há 40 anos tenta reparar o que seu povo fez à Terra: o Dr. Tachyon. Os personagens e diferentes eventos vão se entrelaçando nos capítulos, resultando no livro com maior ação, até agora. Agora corre com o próximo, Leya. Precisando de tradutor, estamos aqui.


EntreMundos
Neil Gaiman & Michael Reaves - Rocco Jovens Leitores - 2014 (2007) - 246p.

Imagine que um dia você se perde na própria cidade (eu consigo imaginar isso bastante bem), e acaba indo parar em uma Terra paralela. E aí imagine que você descobre, depois de muitos sufocos, que a sua Terra é apenas uma dentre inúmeras Terras semelhantes entre si, e que existem várias versões de você espalhadas entre elas - e que essas versões podem ser tão semelhantes e diferentes de você quanto se possa imaginar. E depois imagine que existem forças da Magia e da Ciência lutando entre elas pelo domínio de todas essas Terras, e que apenas você e todas as suas versões paralelas são capazes de impedi-las, e que, para isso, todos vocês devem ser treinados em uma base especial que fica em algum lugar entre todas essas Terras. Pois foi o que aconteceu com o jovem Joey Harker, e não foram descobertas muito fáceis de assimilar. A ideia estava na gaveta desde 1995, quando os autores tinham a intenção de lançar a história como uma minissérie para a TV, mas os executivos da época acharam a história muito complicada, então Gaiman e Reaves decidiram transformar o EntreMundos em uma trilogia literária. Esse foi o primeiro volume, e mal posso esperar pelos próximos!


O Salmão da Dúvida
Douglas Adams - Arqueiro - 2014 (2002) - 304p.

Até já ouvi falar de muita gente que leu O Guia do Mochileiro das Galáxias e não gostou - entendo, é uma história bem louca. Mas não dá pra negar que Douglas Adams tinha um jeito de escrever tão divertido que transformava até a frase mais simples num motivo pra dar risada. O Salmão da Dúvida, ao contrário do que todos inicialmente gostaríamos que fosse, não é uma continuação do Guia, mas um lançamento póstumo, editado no ano seguinte à morte do autor, que compila pequenos tesouros encontrados no HD de seu computador. As 300 páginas reúnem artigos que Adams escreveu para revistas e jornais sobre os mais variados assuntos, introduções que escreveu para livros de outros autores, entrevistas, divagações sobre a vida e os assuntos de seu interesse (animais, tecnologia, ficção-científica, música), além de um conto protagonizado pelo meu personagem favorito do Guia, Zaphod Beeblebrox, e dez capítulos do livro que ele escrevia, pouco antes de falecer, e que dá nome a este livro (uma história louquíssima, aliás, e pena que nunca saberemos o final). Porém, não deixa de ser aquele tipo de livro perigoso, porque é bastante pessoal e, com ele, todos acabamos aprendendo coisas sobre a vida e as opiniões de um autor de ficção; então digo que é perigoso porque o cara que você curte por causa dos livros que escreveu talvez não seja um cara que você curtiria se o conhecesse como pessoa. Adams foi um cara inteligente, convicto em suas paixões, preocupado com a natureza; porém, não consigo deixar de vê-lo, agora, como um tanto quanto arrogante. E, sim, falo isso justamente pela sua entrevista ao American Atheist Press (mas não somente, houve outros momentos), pois não posso deixar de me sentir ofendida sempre que alguém justifica seu ateísmo com o seu próprio "alto grau de instrução", como se cristãos ou pessoas de outras religiões fossem semianalfabetos e todo ateu fosse automaticamente doutor em física quântica. Mas não é relevante discutir isso aqui, então termino dizendo que, independente do que eu acho sobre Douglas Adams, ele foi o escritor genial e divertido que foi, e esse livro traz mais um pouco do seu estilo. Gostei particularmente do que ele escreveu sobre os Beatles, e considerei um presente a breve menção a Graham Chapman, que foi seu amigo e é o meu Python favorito.


Doctor Who: Shada
Gareth Roberts - Suma das Letras (Objetiva) - 2014 (2012) - 325p.

Shada foi um dos muitos episódios da série que nunca chegaram a ser exibidos. Normalmente, tais episódios acabam sendo novelizados e lançados em formato de livro, e há dezenas deles, desde a era clássica. O roteiro deste foi originalmente escrito por Douglas Adams (famoso pel'O Guia do Mochileiro das Galáxias) em 1979, e novelizado bem mais tarde por Gareth Roberts, que é roteirista atual da série. Apesar de não ter sido exibido na TV, Shada foi um episódio muito mencionado no Who-ology (que consta do relatório de leitura do ano passado), e fiquei bastante contente em saber que o haviam trazido para o Português. A história é aquela loucura espaço-temporal típica de Doctor Who, com os eventuais companheiros terráqueos perdidos em confusão, um vilão canastrão, explicações que revolucionam todas as leis da Física, e uma reviravolta surpreendente sobre um dos personagens. O que não é ruim de jeito nenhum: é exatamente o que arrebanha novos fãs e agrada aos antigos. Skagra é um ser misterioso que decidiu dominar todo o Universo e escravizar todas as mentes dele em uma única Mente Universal, que seria a sua própria. Para isso, sequestrou os maiores cientistas do Universo para desenvolver a tecnologia que seria capaz de fazer tanto, e veio eventualmente parar aqui na Terra. O Doutor (aqui em sua quarta encarnação) estava por aqui com sua companheira (Romana II) para atender a um pedido de socorro do Professor Chronotis, um antiquíssimo Senhor do Tempo que está passando sua aposentadoria em Cambridge, a respeito de um livro que ele trouxe "sem querer" de Gallifrey. Seu aluno Chris Parsons e a jovem Clare Kneightley embarcam em toda a confusão que vem a seguir. Uma das personagens mais divertidas da história é a Nave de Skagra, com personalidade própria (e bastante perturbada). Não precisa ser familiarizado com a série pra ler esse livro, tudo aqui é bem apresentado: O Doutor, Romana, a TARDIS, Gallifrey, o vórtice. Recomendado para fãs e curiosos!




Doctor Who: Quando cair o verão e outras histórias
Amelia Williams (James Goss, Justin Richards) - Suma das Letras (Objetiva) - 2014 (2012-3) - 188p.

Tipo de livro pra fazer a alegria dos nerds, como fez a minha. Esse livro conta com três histórias curtas que de certa forma fizeram parte da sétima temporada de Doctor Who. Explico: comecemos pela autora fictícia, Amelia Williams, que é ninguém menos que a nossa Amy Pond. Terei que dar alguns leves spoilers aqui, então aconselho cuidado. Depois de acontecer o que aconteceu a ela e ao Rory, Amy se tornou escritora de livros juvenis. Aqui temos duas histórias dela: "Quando Cair o Verão", livro que foi brevemente mencionado no episódio "The Bells of Saint John", e que conta a história da garota Kate, que mudou-se com a mãe para um vilarejo onde coisas estranhíssimas começaram a acontecer. A outra história é um conto com a detetive Melody Malone (amplamente inspirada em River Song), "O Beijo do Anjo", livro que o Doutor está lendo no fatídico episódio "The Angels Take Manhattan". É muito divertida, e é com a criatura mais aterrorizante da nova era de Doctor Who! A última história é "O Demônio na Fumaça", um conto baseado no especial de Natal "The Snowmen", e é uma assustadora aventura com Madame Vastra, Jenny e Strax. O livro conta ainda com introdução e posfácio da "autora", com várias referências a outros personagens e episódios da série, tudo pra deixar a gente com ainda mais saudade. Uma delícia pra quem nunca se cansa de histórias novas.



Star Trek: The Visual Dictionary
Paul Ruditis - DK - 2013 - 96p.

Com o preço do dólar, as altas taxas de IOF, e as possíveis tributações fiscais, nunca mais pude comprar estas coisas legais pelo meu amado  Book Depository... Mas ainda bem que a linda da Livraria Cultura me quebra esse galho, grande parte das vezes Tava de olho neste aqui desde o ano passado, quando foi lançado. Tenho o Visual Dictionary de Doctor Who (comentado no relatório de 2012), e sei que a DK lançou um desses para outras nerdices também (tem de Star Wars, caso alguém esteja interessado!). Trata-se de um guia visual que abrange os principais personagens, alienígenas e tecnologias das 5 séries e 10 filmes da franquia Star Trek, com infográficos dos objetos e naves e muitas fotos com legendas e breves explicações sobre pessoas e eventos. Uma mão-na-roda para lembrar de detalhes sobre certas coisas sem precisar pesquisar entre as centenas de episódios. Só tá recheado de spoilers, né, então cuidado com algumas das entradas...




Momo e o Senhor do Tempo
Michael Ende - WMF Martins Fontes - 2012 (1973) - 264p.

Do mesmo autor de A História Sem Fim, que foi um dos meus filmes favoritos da infância. Conseguir comprar Momo foi uma verdadeira odisseia; o livro estava indisponível em todas as livrarias que eu conhecia, e não tinha nenhum exemplar em nenhum dos sebos, tampouco. Aí um dia achei uma livraria diferente, e enquanto olhava o acervo, encontrei Momo lá! É uma história bem fácil de acompanhar. Momo é uma menina cujo passado é completamente desconhecido; ela mora em uma caverna, e, apesar de terem-na  oferecido um lar, ela recusou veementemente. Então as pessoas das redondezas levam comida e coisas para ela poder ficar mais confortável. Todos gostam muito de Momo, pois ela ouvia a todos com a mesma atenção - adultos ou crianças, e, sem que ela fale uma palavra, todos encontram as soluções para os seus problemas. Um dia, estranhos homens cinzentos aparecem na cidade, fazendo uma oferta tentadora a cada uma das pessoas: economizar o máximo de tempo possível agora, para ser melhor aproveitado no futuro. O negócio funcionaria como um banco, mesmo: eles recolheriam as horas poupadas e as pessoas as receberiam de volta dali a alguns anos. Mas esses homens não eram bem o que diziam, e a cidade toda se tornou bem diferente e triste. Momo era a única que podia lidar com eles, e assim aconteceu, com a ajuda da tartaruga Cassiopeia e do próprio Senhor do Tempo. É uma gracinha e muito fácil de ler. 


Comédias para se Ler na Escola
Luis Fernando Verissimo - Objetiva - 2001 - 144p.

Releitura. Precisei ir à escola para resolver umas pendências, e ia ter que passar por um tempo longo de espera, lá. Gosto de sempre ter um livro comigo, nessas ocasiões, mas o que eu estava lendo era muito grande pra levar. Então fui buscar algo menor nas estantes da sala, em casa, e achei este bem apropriado, haha. Ando vergonhosamente afastada da literatura nacional, nos últimos anos, mas li muito Verissimo (pai e filho) enquanto estudante, e sempre gostei muito. Luis Fernando tem um jeito delicioso de escrever, suas crônicas sobre o dia a dia são divertidas e facilmente relacionáveis. Este volume reúne histórias bem curtinhas, com a intenção de despertar o prazer de ler nos jovens que ainda relutam. É de ler numa sentada só (tanto que o li inteiro e ainda precisei esperar por muuuitos minutos...)! Minhas favoritas são as que discutem a linguagem, como "Pá, pá, pá" e "Papos".


O Guia dos Curiosos
Marcelo Duarte - Companhia das Letras - 1995 - 536p.

Releitura desse exemplar super manuseado (por mim, minha irmã e o dono anterior). Apesar de ser a edição de 1995 e estar super desatualizada (parece que o autor vai atualizando a cada punhado de anos), sempre que a pego vou relembrando de curiosidades que já havia esquecido. São mais de 500 páginas divididas em 20 temas, entre eles Universo, Reino Animal, Invenções, História, Esportes, Arte e Música, Letras, Cinema e Televisão, e muitos outros. Acho que é o tipo de livro a que todos deveriam ter acesso - é muito mais divertido que procurar em enciclopédias, abrange inúmeros fatos, fornece assunto pra muita conversa e instiga a gente a pesquisar para saber mais detalhes. Por exemplo, sabiam que Thomas Edison, além da lâmpada, patenteou outras 1093 invenções? E que, quando garoto, ateou fogo sem querer num vagão de trem, e ficou parcialmente surdo de tanto que apanhou do chefe da estação?


Livro do Desassossego
Fernando Pessoa - Companhia de Bolso (Companhia das Letras) - 2006 (1982) - 560p.

Sempre achei uma grande redundância o nome daquela página no Facebook, "Fernando Pessoa da Depressão".  Basicamente tudo o que o homem escreveu é uma descrição exata da depressão: o desânimo, a tristeza, a sensação de inutilidade. Talvez seja por isso que sou tão apegada a ele, desde que tive o primeiro contato com sua obra, ainda estudante, em meus livros de Português (embora devesse ser meio preocupante eu me identificar tanto com todo aquele mau-humor de Lisbon Revisited aos 14 anos). Pessoa escreveu poemas sob três pseudônimos, de personalidades diferentes entre si (Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro), mas o Livro do Desassossego é diferente de tudo o que ele fez em dois aspectos: primeiro, é todo em prosa, o que era bem incomum para o autor; depois, foi contado em primeira pessoa sob um pseudônimo completamente novo e exclusivo desta obra apenas: Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros. Neste apanhado de fragmentos escrito ao longo dos anos e sem ordem contextual (não chegou nem a ser editado pelo autor - alguns trechos estão até incompletos -, e só foi lançado realmente quase 50  anos após a sua morte), o narrador descreve toda a desilusão de sua vida sem perspectivas ("Este livro é um gemido"). Soares morre de tédio de sua rotina, da humanidade, desdenha dos sentimentos humanos e tem consciência plena de sua solidão, isolamento e defeitos de personalidade. Clama que a felicidade só pode ser sentida pelas pessoas que ignoram como o mundo funciona, e sente certo prazer em se sentir tão miserável. Segundo Pessoa, Bernardo Soares só difere de si próprio na completa falta de empatia por outras pessoas. Postei trechos e citações desta maravilha pelas redes diversas vezes e enchi o saco de todo mundo, mas Fernandão sempre conversou comigo nas horas certas.


O Rei de Amarelo
Robert W. Chambers - Intrínseca - 2014 (1895) - 256p.

Houve um grande frisson quando a Intrínseca anunciou a publicação deste clássico, no começo do ano; em grande parte porque a obra aparentemente inspirou a badalada série True Detective. Digo "aparentemente" porque ainda não assisti à série e não sei até onde o livro tem influência no programa, só digo o que ouvi falar. De qualquer forma, me interessei por ele porque, afinal de contas, são contos clássicos de terror que inspiraram muitos autores do gênero de lá pra cá, de Lovecraft a King. Digamos que esse é um livro sobre um livro. Os contos aqui reunidos são sobre pessoas que leram O Rei de Amarelo, um livro tão perturbador que supostamente enlouquecia todos os que o leram, levando tais pessoas a cometer atos impensáveis. Claro, o "verdadeiro" livro não existe para nós, mas a lenda do terrível Rei de Amarelo tomou tamanha proporção no meio literário que muitos autores (o próprio Chambers entre eles) tentaram escrevê-lo, embora nenhum tenha conseguido atingir o nível perturbador que a lenda sugere. Ficamos todos apenas com a curiosidade sobre o personagem e sua trama: por que ele é tão terrível? Por que as pessoas enlouquecem? Mas, talvez seja justamente esse mistério que torne o mais enigmático dos personagens do terror tão fascinante. Esse livro é cheio de notas explicativas (mas são coisas que, em geral, não têm a ver com as histórias - estão lá mais como curiosidades), e nota-se que o autor teve bastante influência do misterioso Ambrose Bierce (que já indiquei anteriormente, duas vezes). Talvez ele não seja assustador para o público exigente do século 21, mas os primeiros contos são certamente perturbadores.


Macbeth
William Shakespeare - Martin Claret - 2007 (1605-6) - 144p.

Sempre tive curiosidade de ler Shakespeare, mas nunca foi prioridade de escolha na aquisição de livros, então acabei pegando este numa troca pelo Skoob.  Não sou uma boa leitora de poesia - não tenho hábito de ler esse tipo de narrativa, e estranho muito sempre que tento; me falta o ritmo certo para absorver bem cada verso, e às vezes tenho que ler o mesmo pedaço várias vezes pra entender direito. Mas, independente disso, Macbeth é uma tragédia que eu gostei mais do que achei que iria: conta a história de um general que, ao ouvir a profecia de três feiticeiras, e apoiado por sua esposa, Lady Macbeth, assassina o rei da Escócia para tornar-se rei em seu lugar. O poder que adquiriu o enlouquece e Macbeth torna-se um senhor perverso e implacável. Sua esposa também enlouquece, mas por causa do remorso pelos seus crimes. A obra recebeu inúmeras versões no teatro, na televisão e no cinema, interpretada por uma vasta gama de atores excelentes (entre eles, Sir Ian McKellen, Patrick Stewart e Kenneth Branagh), e renderá mais um filme, previsto para breve, com Michael Fassbender no papel principal.


O Último Reino
Bernard Cornwell - Record - 2013 (2005) - 362p.

Temos vários livros de Bernard Cornwell aqui em casa, que eu ainda não havia lido, e eu estava namorando uma outra coleção dele (o homem escreve DEMAIS) há um tempo, mas receosa de adquiri-la enquanto não lesse o que já tinha em casa. Aí fico sabendo que As Crônicas Saxônicas ia virar série da BBC e acabei deixando pra depois a coleção desejada e os que já tinham aqui e corri pro abraço dos vikings. Quem também correu pro abraço dos vikings foi Uhtred, nosso personagem principal e narrador, um senhorzinho inglês que perdeu tudo em uma das muitas batalhas contra os dinamarqueses pela conquista de novos territórios, no século IX, e, ao se tornar refém dos pagãos, descobriu amar o povo inimigo e cresceu entre eles como um verdadeiro dinamarquês. Só que nem tudo foi alegria na nova vida do jovem Uhtred, que logo se viu dividido entre a lealdade e o orgulho. O que é delicioso aqui é que, por ser um conhecido autor de romances medievais, Cornwell traz os resultados de suas pesquisas nos seus romances de ficção-histórica de uma forma tão natural - misturados aos diálogos, por exemplo - que você não se sente como se estivesse lendo um livro de História, ou se distraindo do enredo por causa das descrições das coisas, como acontece com muitos livros do gênero. Dá pra realmente imaginar como é ser um personagem daquela época, naquele lugar, porque é tudo muito real e crível. Pra não falar que é ainda uma leitura bastante divertida, pelo humor sarcástico do arrogante Uhtred e o comportamento tão despreocupadamente bárbaro dos dinamarqueses - não tem nada daquele humor taciturno que a gente imagina dos livros medievais. Dá pra dar muita risada, entre toda a barbárie e sangue. Se alguém receava começar, não receie mais!

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Algumas HQs:

Continuo acompanhando os que comecei recentemente, e reli muita coisa. De diferente, gostaria de recomendar:

Motoqueiro Fantasma: Estrada para a Danação. Das encadernações da luxo da Salvat, uma história de terror muito legal dos esforços do Motoqueiro para escapar das torturas do inferno, lidando com demônios e anjos e muita doideira. E na arte fantástica de Clayton Crain!

Surfista Prateado: Parábola. Um dia, o gigantesco Galactus resolve descer pra Terra, ficar paradão lá no meio da rua e dar um ultimato: ou todo mundo o adorava como um deus, ou ele acabaria com a bagaça toda. E aí vem o Surfista Prateado, que, apesar de ter sido originalmente criado por Galactus e vilão na maior parte das vezes, descobriu que afinal era um cara bem legal. A história tem uma moral inteligente e aborda assuntos sociais sempre pertinentes.

Capitã Marvel. Carol Danvers foi promovida de Ms. Marvel pra Capitã Marvel, título que passou por diversos heróis no decorrer dos anos. A história reflete sobre as origens e responsabilidades do título, e como os outros envolvidos encaram a nova Capitã. Vi muita crítica negativa de quem leu o primeiro volume, e eu mesma não estava curtindo tanto assim, no começo. Mas gostei muito do final, e o segundo volume foi bastante legal!

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Agora estou lendo o segundo volume d'As Crônicas Saxônicas, e uma trilogia sobre a qual falarei no próximo relatório de leitura. E, como sempre, se vocês já leram algum desses ou ficaram interessados por algum, deixem um comentário pra me deixar feliz :)