01/09/2014

Sugestões de Leitura de 2014: Julho - Agosto

Sabe o que a gente deve fazer quando tá com vontade de ler um livro, mas tem receio de lê-lo porque falaram que é chato ou ruim?

A gente vai lá e lê o livro mesmo assim.

"Chato" ou "ruim" não é uma verdade absoluta, é só opinião. E você pode ter a sua, e tudo bem se ela for diferente da de todo mundo.

Seguem as leituras dos dois últimos meses, sem ordem.

▼▼▼▼▼


Wild Cards: Apostas mortais
V.A. - Leya - 2014 (1987) - 400p.

Terceiro dos 22 volumes da série (acho de bom tom que a Leya continue traduzindo todos, agora). Dei uma ideia geral da história no relatório passado, bem como o motivo do exagero no tamanho do nome de George R.R. Martin nas capas (*barulhinho de caixa registradora*). Neste volume, a história avança alguns meses desde o desfecho do último; e, ao contrário dos outros (que chegavam a abranger até décadas da história), este aqui engloba apenas um dia, com cada capítulo narrando os acontecimentos hora a hora. É o 40º Dia da Carta Selvagem, data que celebra a propagação do xenovírus que matou, deformou ou deu superpoderes à população das redondezas de Nova York. Tanto curingas quanto ases estão se reunindo ao redor do Túmulo do Jetboy para as celebrações costumeiras, mas algo está errado: alguns dos ases mais famosos e queridos do mundo estão desaparecendo ou sendo assassinados (não foi fácil me despedir de alguns...), e tudo indica que o alvo principal dos ataques seja o takisiano que há 40 anos tenta reparar o que seu povo fez à Terra: o Dr. Tachyon. Os personagens e diferentes eventos vão se entrelaçando nos capítulos, resultando no livro com maior ação, até agora. Agora corre com o próximo, Leya. Precisando de tradutor, estamos aqui.


EntreMundos
Neil Gaiman & Michael Reaves - Rocco Jovens Leitores - 2014 (2007) - 246p.

Imagine que um dia você se perde na própria cidade (eu consigo imaginar isso bastante bem), e acaba indo parar em uma Terra paralela. E aí imagine que você descobre, depois de muitos sufocos, que a sua Terra é apenas uma dentre inúmeras Terras semelhantes entre si, e que existem várias versões de você espalhadas entre elas - e que essas versões podem ser tão semelhantes e diferentes de você quanto se possa imaginar. E depois imagine que existem forças da Magia e da Ciência lutando entre elas pelo domínio de todas essas Terras, e que apenas você e todas as suas versões paralelas são capazes de impedi-las, e que, para isso, todos vocês devem ser treinados em uma base especial que fica em algum lugar entre todas essas Terras. Pois foi o que aconteceu com o jovem Joey Harker, e não foram descobertas muito fáceis de assimilar. A ideia estava na gaveta desde 1995, quando os autores tinham a intenção de lançar a história como uma minissérie para a TV, mas os executivos da época acharam a história muito complicada, então Gaiman e Reaves decidiram transformar o EntreMundos em uma trilogia literária. Esse foi o primeiro volume, e mal posso esperar pelos próximos!


O Salmão da Dúvida
Douglas Adams - Arqueiro - 2014 (2002) - 304p.

Até já ouvi falar de muita gente que leu O Guia do Mochileiro das Galáxias e não gostou - entendo, é uma história bem louca. Mas não dá pra negar que Douglas Adams tinha um jeito de escrever tão divertido que transformava até a frase mais simples num motivo pra dar risada. O Salmão da Dúvida, ao contrário do que todos inicialmente gostaríamos que fosse, não é uma continuação do Guia, mas um lançamento póstumo, editado no ano seguinte à morte do autor, que compila pequenos tesouros encontrados no HD de seu computador. As 300 páginas reúnem artigos que Adams escreveu para revistas e jornais sobre os mais variados assuntos, introduções que escreveu para livros de outros autores, entrevistas, divagações sobre a vida e os assuntos de seu interesse (animais, tecnologia, ficção-científica, música), além de um conto protagonizado pelo meu personagem favorito do Guia, Zaphod Beeblebrox, e dez capítulos do livro que ele escrevia, pouco antes de falecer, e que dá nome a este livro (uma história louquíssima, aliás, e pena que nunca saberemos o final). Porém, não deixa de ser aquele tipo de livro perigoso, porque é bastante pessoal e, com ele, todos acabamos aprendendo coisas sobre a vida e as opiniões de um autor de ficção; então digo que é perigoso porque o cara que você curte por causa dos livros que escreveu talvez não seja um cara que você curtiria se o conhecesse como pessoa. Adams foi um cara inteligente, convicto em suas paixões, preocupado com a natureza; porém, não consigo deixar de vê-lo, agora, como um tanto quanto arrogante. E, sim, falo isso justamente pela sua entrevista ao American Atheist Press (mas não somente, houve outros momentos), pois não posso deixar de me sentir ofendida sempre que alguém justifica seu ateísmo com o seu próprio "alto grau de instrução", como se cristãos ou pessoas de outras religiões fossem semianalfabetos e todo ateu fosse automaticamente doutor em física quântica. Mas não é relevante discutir isso aqui, então termino dizendo que, independente do que eu acho sobre Douglas Adams, ele foi o escritor genial e divertido que foi, e esse livro traz mais um pouco do seu estilo. Gostei particularmente do que ele escreveu sobre os Beatles, e considerei um presente a breve menção a Graham Chapman, que foi seu amigo e é o meu Python favorito.


Doctor Who: Shada
Gareth Roberts - Suma das Letras (Objetiva) - 2014 (2012) - 325p.

Shada foi um dos muitos episódios da série que nunca chegaram a ser exibidos. Normalmente, tais episódios acabam sendo novelizados e lançados em formato de livro, e há dezenas deles, desde a era clássica. O roteiro deste foi originalmente escrito por Douglas Adams (famoso pel'O Guia do Mochileiro das Galáxias) em 1979, e novelizado bem mais tarde por Gareth Roberts, que é roteirista atual da série. Apesar de não ter sido exibido na TV, Shada foi um episódio muito mencionado no Who-ology (que consta do relatório de leitura do ano passado), e fiquei bastante contente em saber que o haviam trazido para o Português. A história é aquela loucura espaço-temporal típica de Doctor Who, com os eventuais companheiros terráqueos perdidos em confusão, um vilão canastrão, explicações que revolucionam todas as leis da Física, e uma reviravolta surpreendente sobre um dos personagens. O que não é ruim de jeito nenhum: é exatamente o que arrebanha novos fãs e agrada aos antigos. Skagra é um ser misterioso que decidiu dominar todo o Universo e escravizar todas as mentes dele em uma única Mente Universal, que seria a sua própria. Para isso, sequestrou os maiores cientistas do Universo para desenvolver a tecnologia que seria capaz de fazer tanto, e veio eventualmente parar aqui na Terra. O Doutor (aqui em sua quarta encarnação) estava por aqui com sua companheira (Romana II) para atender a um pedido de socorro do Professor Chronotis, um antiquíssimo Senhor do Tempo que está passando sua aposentadoria em Cambridge, a respeito de um livro que ele trouxe "sem querer" de Gallifrey. Seu aluno Chris Parsons e a jovem Clare Kneightley embarcam em toda a confusão que vem a seguir. Uma das personagens mais divertidas da história é a Nave de Skagra, com personalidade própria (e bastante perturbada). Não precisa ser familiarizado com a série pra ler esse livro, tudo aqui é bem apresentado: O Doutor, Romana, a TARDIS, Gallifrey, o vórtice. Recomendado para fãs e curiosos!




Doctor Who: Quando cair o verão e outras histórias
Amelia Williams (James Goss, Justin Richards) - Suma das Letras (Objetiva) - 2014 (2012-3) - 188p.

Tipo de livro pra fazer a alegria dos nerds, como fez a minha. Esse livro conta com três histórias curtas que de certa forma fizeram parte da sétima temporada de Doctor Who. Explico: comecemos pela autora fictícia, Amelia Williams, que é ninguém menos que a nossa Amy Pond. Terei que dar alguns leves spoilers aqui, então aconselho cuidado. Depois de acontecer o que aconteceu a ela e ao Rory, Amy se tornou escritora de livros juvenis. Aqui temos duas histórias dela: "Quando Cair o Verão", livro que foi brevemente mencionado no episódio "The Bells of Saint John", e que conta a história da garota Kate, que mudou-se com a mãe para um vilarejo onde coisas estranhíssimas começaram a acontecer. A outra história é um conto com a detetive Melody Malone (amplamente inspirada em River Song), "O Beijo do Anjo", livro que o Doutor está lendo no fatídico episódio "The Angels Take Manhattan". É muito divertida, e é com a criatura mais aterrorizante da nova era de Doctor Who! A última história é "O Demônio na Fumaça", um conto baseado no especial de Natal "The Snowmen", e é uma assustadora aventura com Madame Vastra, Jenny e Strax. O livro conta ainda com introdução e posfácio da "autora", com várias referências a outros personagens e episódios da série, tudo pra deixar a gente com ainda mais saudade. Uma delícia pra quem nunca se cansa de histórias novas.



Star Trek: The Visual Dictionary
Paul Ruditis - DK - 2013 - 96p.

Com o preço do dólar, as altas taxas de IOF, e as possíveis tributações fiscais, nunca mais pude comprar estas coisas legais pelo meu amado  Book Depository... Mas ainda bem que a linda da Livraria Cultura me quebra esse galho, grande parte das vezes Tava de olho neste aqui desde o ano passado, quando foi lançado. Tenho o Visual Dictionary de Doctor Who (comentado no relatório de 2012), e sei que a DK lançou um desses para outras nerdices também (tem de Star Wars, caso alguém esteja interessado!). Trata-se de um guia visual que abrange os principais personagens, alienígenas e tecnologias das 5 séries e 10 filmes da franquia Star Trek, com infográficos dos objetos e naves e muitas fotos com legendas e breves explicações sobre pessoas e eventos. Uma mão-na-roda para lembrar de detalhes sobre certas coisas sem precisar pesquisar entre as centenas de episódios. Só tá recheado de spoilers, né, então cuidado com algumas das entradas...




Momo e o Senhor do Tempo
Michael Ende - WMF Martins Fontes - 2012 (1973) - 264p.

Do mesmo autor de A História Sem Fim, que foi um dos meus filmes favoritos da infância. Conseguir comprar Momo foi uma verdadeira odisseia; o livro estava indisponível em todas as livrarias que eu conhecia, e não tinha nenhum exemplar em nenhum dos sebos, tampouco. Aí um dia achei uma livraria diferente, e enquanto olhava o acervo, encontrei Momo lá! É uma história bem fácil de acompanhar. Momo é uma menina cujo passado é completamente desconhecido; ela mora em uma caverna, e, apesar de terem-na  oferecido um lar, ela recusou veementemente. Então as pessoas das redondezas levam comida e coisas para ela poder ficar mais confortável. Todos gostam muito de Momo, pois ela ouvia a todos com a mesma atenção - adultos ou crianças, e, sem que ela fale uma palavra, todos encontram as soluções para os seus problemas. Um dia, estranhos homens cinzentos aparecem na cidade, fazendo uma oferta tentadora a cada uma das pessoas: economizar o máximo de tempo possível agora, para ser melhor aproveitado no futuro. O negócio funcionaria como um banco, mesmo: eles recolheriam as horas poupadas e as pessoas as receberiam de volta dali a alguns anos. Mas esses homens não eram bem o que diziam, e a cidade toda se tornou bem diferente e triste. Momo era a única que podia lidar com eles, e assim aconteceu, com a ajuda da tartaruga Cassiopeia e do próprio Senhor do Tempo. É uma gracinha e muito fácil de ler. 


Comédias para se Ler na Escola
Luis Fernando Verissimo - Objetiva - 2001 - 144p.

Releitura. Precisei ir à escola para resolver umas pendências, e ia ter que passar por um tempo longo de espera, lá. Gosto de sempre ter um livro comigo, nessas ocasiões, mas o que eu estava lendo era muito grande pra levar. Então fui buscar algo menor nas estantes da sala, em casa, e achei este bem apropriado, haha. Ando vergonhosamente afastada da literatura nacional, nos últimos anos, mas li muito Verissimo (pai e filho) enquanto estudante, e sempre gostei muito. Luis Fernando tem um jeito delicioso de escrever, suas crônicas sobre o dia a dia são divertidas e facilmente relacionáveis. Este volume reúne histórias bem curtinhas, com a intenção de despertar o prazer de ler nos jovens que ainda relutam. É de ler numa sentada só (tanto que o li inteiro e ainda precisei esperar por muuuitos minutos...)! Minhas favoritas são as que discutem a linguagem, como "Pá, pá, pá" e "Papos".


O Guia dos Curiosos
Marcelo Duarte - Companhia das Letras - 1995 - 536p.

Releitura desse exemplar super manuseado (por mim, minha irmã e o dono anterior). Apesar de ser a edição de 1995 e estar super desatualizada (parece que o autor vai atualizando a cada punhado de anos), sempre que a pego vou relembrando de curiosidades que já havia esquecido. São mais de 500 páginas divididas em 20 temas, entre eles Universo, Reino Animal, Invenções, História, Esportes, Arte e Música, Letras, Cinema e Televisão, e muitos outros. Acho que é o tipo de livro a que todos deveriam ter acesso - é muito mais divertido que procurar em enciclopédias, abrange inúmeros fatos, fornece assunto pra muita conversa e instiga a gente a pesquisar para saber mais detalhes. Por exemplo, sabiam que Thomas Edison, além da lâmpada, patenteou outras 1093 invenções? E que, quando garoto, ateou fogo sem querer num vagão de trem, e ficou parcialmente surdo de tanto que apanhou do chefe da estação?


Livro do Desassossego
Fernando Pessoa - Companhia de Bolso (Companhia das Letras) - 2006 (1982) - 560p.

Sempre achei uma grande redundância o nome daquela página no Facebook, "Fernando Pessoa da Depressão".  Basicamente tudo o que o homem escreveu é uma descrição exata da depressão: o desânimo, a tristeza, a sensação de inutilidade. Talvez seja por isso que sou tão apegada a ele, desde que tive o primeiro contato com sua obra, ainda estudante, em meus livros de Português (embora devesse ser meio preocupante eu me identificar tanto com todo aquele mau-humor de Lisbon Revisited aos 14 anos). Pessoa escreveu poemas sob três pseudônimos, de personalidades diferentes entre si (Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro), mas o Livro do Desassossego é diferente de tudo o que ele fez em dois aspectos: primeiro, é todo em prosa, o que era bem incomum para o autor; depois, foi contado em primeira pessoa sob um pseudônimo completamente novo e exclusivo desta obra apenas: Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros. Neste apanhado de fragmentos escrito ao longo dos anos e sem ordem contextual (não chegou nem a ser editado pelo autor - alguns trechos estão até incompletos -, e só foi lançado realmente quase 50  anos após a sua morte), o narrador descreve toda a desilusão de sua vida sem perspectivas ("Este livro é um gemido"). Soares morre de tédio de sua rotina, da humanidade, desdenha dos sentimentos humanos e tem consciência plena de sua solidão, isolamento e defeitos de personalidade. Clama que a felicidade só pode ser sentida pelas pessoas que ignoram como o mundo funciona, e sente certo prazer em se sentir tão miserável. Segundo Pessoa, Bernardo Soares só difere de si próprio na completa falta de empatia por outras pessoas. Postei trechos e citações desta maravilha pelas redes diversas vezes e enchi o saco de todo mundo, mas Fernandão sempre conversou comigo nas horas certas.


O Rei de Amarelo
Robert W. Chambers - Intrínseca - 2014 (1895) - 256p.

Houve um grande frisson quando a Intrínseca anunciou a publicação deste clássico, no começo do ano; em grande parte porque a obra aparentemente inspirou a badalada série True Detective. Digo "aparentemente" porque ainda não assisti à série e não sei até onde o livro tem influência no programa, só digo o que ouvi falar. De qualquer forma, me interessei por ele porque, afinal de contas, são contos clássicos de terror que inspiraram muitos autores do gênero de lá pra cá, de Lovecraft a King. Digamos que esse é um livro sobre um livro. Os contos aqui reunidos são sobre pessoas que leram O Rei de Amarelo, um livro tão perturbador que supostamente enlouquecia todos os que o leram, levando tais pessoas a cometer atos impensáveis. Claro, o "verdadeiro" livro não existe para nós, mas a lenda do terrível Rei de Amarelo tomou tamanha proporção no meio literário que muitos autores (o próprio Chambers entre eles) tentaram escrevê-lo, embora nenhum tenha conseguido atingir o nível perturbador que a lenda sugere. Ficamos todos apenas com a curiosidade sobre o personagem e sua trama: por que ele é tão terrível? Por que as pessoas enlouquecem? Mas, talvez seja justamente esse mistério que torne o mais enigmático dos personagens do terror tão fascinante. Esse livro é cheio de notas explicativas (mas são coisas que, em geral, não têm a ver com as histórias - estão lá mais como curiosidades), e nota-se que o autor teve bastante influência do misterioso Ambrose Bierce (que já indiquei anteriormente, duas vezes). Talvez ele não seja assustador para o público exigente do século 21, mas os primeiros contos são certamente perturbadores.


Macbeth
William Shakespeare - Martin Claret - 2007 (1605-6) - 144p.

Sempre tive curiosidade de ler Shakespeare, mas nunca foi prioridade de escolha na aquisição de livros, então acabei pegando este numa troca pelo Skoob.  Não sou uma boa leitora de poesia - não tenho hábito de ler esse tipo de narrativa, e estranho muito sempre que tento; me falta o ritmo certo para absorver bem cada verso, e às vezes tenho que ler o mesmo pedaço várias vezes pra entender direito. Mas, independente disso, Macbeth é uma tragédia que eu gostei mais do que achei que iria: conta a história de um general que, ao ouvir a profecia de três feiticeiras, e apoiado por sua esposa, Lady Macbeth, assassina o rei da Escócia para tornar-se rei em seu lugar. O poder que adquiriu o enlouquece e Macbeth torna-se um senhor perverso e implacável. Sua esposa também enlouquece, mas por causa do remorso pelos seus crimes. A obra recebeu inúmeras versões no teatro, na televisão e no cinema, interpretada por uma vasta gama de atores excelentes (entre eles, Sir Ian McKellen, Patrick Stewart e Kenneth Branagh), e renderá mais um filme, previsto para breve, com Michael Fassbender no papel principal.


O Último Reino
Bernard Cornwell - Record - 2013 (2005) - 362p.

Temos vários livros de Bernard Cornwell aqui em casa, que eu ainda não havia lido, e eu estava namorando uma outra coleção dele (o homem escreve DEMAIS) há um tempo, mas receosa de adquiri-la enquanto não lesse o que já tinha em casa. Aí fico sabendo que As Crônicas Saxônicas ia virar série da BBC e acabei deixando pra depois a coleção desejada e os que já tinham aqui e corri pro abraço dos vikings. Quem também correu pro abraço dos vikings foi Uhtred, nosso personagem principal e narrador, um senhorzinho inglês que perdeu tudo em uma das muitas batalhas contra os dinamarqueses pela conquista de novos territórios, no século IX, e, ao se tornar refém dos pagãos, descobriu amar o povo inimigo e cresceu entre eles como um verdadeiro dinamarquês. Só que nem tudo foi alegria na nova vida do jovem Uhtred, que logo se viu dividido entre a lealdade e o orgulho. O que é delicioso aqui é que, por ser um conhecido autor de romances medievais, Cornwell traz os resultados de suas pesquisas nos seus romances de ficção-histórica de uma forma tão natural - misturados aos diálogos, por exemplo - que você não se sente como se estivesse lendo um livro de História, ou se distraindo do enredo por causa das descrições das coisas, como acontece com muitos livros do gênero. Dá pra realmente imaginar como é ser um personagem daquela época, naquele lugar, porque é tudo muito real e crível. Pra não falar que é ainda uma leitura bastante divertida, pelo humor sarcástico do arrogante Uhtred e o comportamento tão despreocupadamente bárbaro dos dinamarqueses - não tem nada daquele humor taciturno que a gente imagina dos livros medievais. Dá pra dar muita risada, entre toda a barbárie e sangue. Se alguém receava começar, não receie mais!

▼▼▼▼▼

Algumas HQs:

Continuo acompanhando os que comecei recentemente, e reli muita coisa. De diferente, gostaria de recomendar:

Motoqueiro Fantasma: Estrada para a Danação. Das encadernações da luxo da Salvat, uma história de terror muito legal dos esforços do Motoqueiro para escapar das torturas do inferno, lidando com demônios e anjos e muita doideira. E na arte fantástica de Clayton Crain!

Surfista Prateado: Parábola. Um dia, o gigantesco Galactus resolve descer pra Terra, ficar paradão lá no meio da rua e dar um ultimato: ou todo mundo o adorava como um deus, ou ele acabaria com a bagaça toda. E aí vem o Surfista Prateado, que, apesar de ter sido originalmente criado por Galactus e vilão na maior parte das vezes, descobriu que afinal era um cara bem legal. A história tem uma moral inteligente e aborda assuntos sociais sempre pertinentes.

Capitã Marvel. Carol Danvers foi promovida de Ms. Marvel pra Capitã Marvel, título que passou por diversos heróis no decorrer dos anos. A história reflete sobre as origens e responsabilidades do título, e como os outros envolvidos encaram a nova Capitã. Vi muita crítica negativa de quem leu o primeiro volume, e eu mesma não estava curtindo tanto assim, no começo. Mas gostei muito do final, e o segundo volume foi bastante legal!

.

Agora estou lendo o segundo volume d'As Crônicas Saxônicas, e uma trilogia sobre a qual falarei no próximo relatório de leitura. E, como sempre, se vocês já leram algum desses ou ficaram interessados por algum, deixem um comentário pra me deixar feliz :)