28/10/2014

Tudo acontece comigo



Se eu marco um jogo de golfe, pode apostar que vai chover
Tento dar uma festa, e o vizinho de cima reclama
Acho que vou passar a vida toda pegando resfriados e perdendo trens
Tudo acontece comigo

Nada passa por mim
Já tive sarampo e caxumba
E toda vez que jogo um ás, meu parceiro é quem ganha ganha
Acho que sou só um tolo que nunca olha antes de pular
Tudo acontece comigo

A princípio, meu coração achou que você acabaria com esse meu pé frio
Que o amor faria um truque pra acabar com esse desespero
Mas agora não consigo enganar essa cabeça que pensa por mim
Hipotequei todos os meus castelos nas nuvens

Enviei telegramas e telefonei e mandei correio aéreo especial também
Sua resposta foi adeus e teve até taxa de entrega a cobrar
Eu me apaixonei só uma vez, e tinha que ser logo por você
Tudo acontece comigo!


Everything Happens to Me
Chet Baker
(Chet Baker Sings) It Could Happen to You (1958)


♫♫♫♫♫


Esse hino dos azarados foi escrito em 1940 por Tom Adair e Matt Dennis e gravado mais notavelmente em 1957 por Frank Sinatra. Outras versões contam com Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Thelonious Monk, Charlie Parker, e vários outros grandes nomes do jazz. Escolhi a versão do Chet porque, oras, é o Chet.


23/10/2014

Brasil (não esse, o outro)

É isso mesmo, brasileiros da minha pátria: o mundo já era agraciado com um Brasil antes de Pedro Álvares Cabral tropeçar em nossas terras tupiniquins.

Há ainda uma discussão a respeito da veracidade do outro Brasil, porém. Porque, vejam bem, o outro Brasil é uma ilha... fantasma.

Tão vendo, ali à esquerda? | Extraído do mapa de Abraham Ortelius, 1572 | Wikipedia

Essa ilha minúscula do Oceano Atlântico, a oeste da Irlanda, também é conhecida por Hy-Brasil, Hy-Breasal, O'Brasil e outras variações. Acredita-se que o nome tenha origem irlandesa: Uí Breasail, que significa "terra do clã de Breasal". Breasal, segundo o folclore da história Celta, foi o Rei do Mundo. Dizia-se que a ilha era "o Paraíso", habitada por belas mulheres e onde tudo era perfeito. Entretanto, apesar da incrível semelhança, a origem desse nome não é compartilhada com a do nosso país: todos aprendemos que o nosso Brasil veio do pau-brasil, que vem de "brasa", etc etc.

A primeira documentação da ilha Brasil é em uma carta náutica de 1325, com o nome Bracile (o cartógrafo era italiano). A partir de então, outras tantas cartas (vejam na página da Wikipedia, ao fim da postagem) localizam a ilha com pequenas variações do nome e da localização - ela aparentemente "viajava" pela costa da Irlanda. O curioso, porém, é que, apesar de estar presente em várias cartas náuticas dos séculos XIV e XV, quase ninguém conseguiu encontrá-la pessoalmente! Muitas expedições foram enviadas para lá, mas a maior parte voltou sem sucesso.

Houve um homem, entretanto, Capitão John Nisbet, que disse ter visto a ilha em 1674, enquanto viajava da França para a Irlanda. Os relatos dizem que o barco foi envolto por uma névoa e, quando esta passou, se viram presos nas rochas da ilha. Ele e sua tripulação desceram e descobriram que a ilha era habitada por coelhos pretos enormes e "um feiticeiro que vivia sozinho em um castelo". Eles teriam voltado com prata e ouro que foram dados pelo tal feiticeiro. Não sabemos até onde consideram esse relato digno de confiança, mas foi a primeira descrição que conseguiram do lugar.

O último avistamento da ilha foi supostamente em 1872, quando Roderick O’Flaherty diz ter conversado com o feiticeiro da ilha, Morogh O’Ley. De qualquer forma, a última documentação sobre a ilha é do mesmo ano, quando o escritor T.J. Westropp e vários companheiros (inclusive sua mãe) relataram que viram a ilha "aparecer e desaparecer". E, depois disso, nunca mais.

Acredita-se que Brasil esteja sempre envolta em névoa, exceto por um dia a cada sete anos, quando pode ser vista, mas não alcançada. Alguns a relacionam a outras terras perdidas das lendas, como o continente de Atlântida. Não obstante, com a evolução da exploração marítima no Oceano Atlântico, os relatos de avistamentos de Brasil foram escasseando até finalmente cessarem.

Mas, e vocês? Que Brasil parece mais interessante? :D

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FONTES: Wikipedia | Irish Central | Dicionário do Mundo Misterioso, de Gilberto Schroereder (Record: Nova Era, 2002)

17/10/2014

Os DVDs de shows favoritos da coleção

Esse é o Noel. O ganhei no Natal do ano em que o Oasis entrou na minha vida. Ele tem até uma Union Jack :3


Fiz uma postagem listando meus CDs favoritos, há um tempinho, e acabei me decidindo a falar sobre os DVDs, também - só que eu tenho poucos deles, então os favoritos meio que têm relação um com o outro. Já não compro DVDs de apresentações há muito tempo, porque tem sido mais prático assisti-las pelo YouTube...

Enfim, esses são os meus DVDs de shows favoritos. Como aconteceu na postagem dos álbuns, não quer dizer que estas sejam minhas apresentações favoritas de todos os tempos, mas são as favoritas dentre o que tenho na coleção.

(Nota: não postarei os que já apareceram em outras postagens, como o Paul Is Live, de Paul McCartney, ou o You're All In This Together, do Reel Big Fish - tenho certeza de que já falei de outros, mas já não me lembro exatamente quais...).




Concert For George
V.A. - The Royal Albert Hall - 2002 - 2 discos (2h26m e 2h20m)

Comecei mentindo, já que eu já havia falado sobre esse DVD também, mas ele me é muito querido e não poderia deixá-lo de fora dessa postagem. O Concert For George foi um tributo realizado por vários músicos que eram amigos de George Harrison na ocasião do primeiro aniversário de sua morte. Foi organizado pelo seu filho, Dhani, a esposa Olivia, e por Eric Clapton, realizando o antigo sonho de George de juntar todo mundo para um grande show. A primeira apresentação foi da Orquestra de Ravi Shankar, que era um de seus melhores amigos, e que o introduziu à música indiana que foi tão importante para George. Em seguida veio a hilária apresentação do Monty Python, com a introdução de Michael Palin que sempre me faz rir ("oh, mas eu nunca quis prestar homenagens a ninguém. Eu sempre quis ser... um lenhador!"). E, depois, entra a "banda do George", formada por Eric Clapton, Jeff Lynne, Tom Petty, Dhani, Billy Preston, Jools Holland e tantos outros, e com participação especial de Paul McCartney e Ringo Starr em algumas músicas. É tudo tão festivo e ao mesmo tempo muito triste, pois vemos claramente o pesar de todas aquelas pessoas mesmo um ano depois de George ter nos deixado. O primeiro disco é da apresentação completa, e o segundo disco seleciona alguns momentos da apresentação e os intercala com imagens dos bastidores e entrevistas. Os fundos da apresentação foram todos doados ao Material World Charitable Foundation, que George Harrison fundou em 1973 para financiar diversas formas de expressão artística, estimular o estudo de filosofias e visões alternativas de vida, e apoiar organizações beneficentes dedicadas àqueles que precisam de cuidados especiais. Enfim, uma coisa lindíssima e muito emocionante, que amo demais.

Apresentação favorita: Difícil escolher entre tudo, mas vou colocar While My Guitar Gently Weeps. É interessante notar que, com Ringo na bateria, Paul no piano e Clapton na guitarra, é como reproduzir o dia em que a original foi gravada. E esse monte de gente competente no palco é lindo de se ver (e ouvir).




Back In The U.S.
Paul McCartney - turnê Driving USA - 2002 - 3h

Três horas de pura alegria. O show tem mais de 30 músicas, e o material extra inclui entrevistas, bastidores e imagens dispensáveis da Heather Mills (na época, recém-casada com Macca). Foi a primeira turnê dele em quase 10 anos, e a banda que o acompanhou então é a que está com ele até hoje (o que os coloca juntos em um palco por mais tempo do que os Beatles - sempre gosto de comparar isso). Me lembro de ter assistido a esse DVD muitas vezes, e ficar imaginando como seria ver tudo aquilo pessoalmente - os fogos em Live and Let Die, as brincadeiras com a plateia em Hey Jude, o telão com imagens dos Beatles em All My Loving, ele tocando ukelele em Something... especialmente quando perdi a vinda dele ao Brasil, em 2010. Felizmente, pude ver tudo isso no ano passado, realizando assim um sonho muito esperado (só foi uma pena não ter tido homenagem à Linda com My Love...)! Claro que a performance vocal do tio Macca no ano passado já não era a mesma desse DVD, de 2002, mas garanto que o vigor continua firme e forte.

Apresentação favorita: Não dá pra não ser All My Loving. É legal porque é bem no começo do show, então dá pra ver pela primeira vez a quantidade de gente de várias gerações cantando e curtindo juntas; e eu sempre rio da tia que aparece aos 0:23, e choro com o tio que aparece em 1:17.




Familiar to Millions
Oasis - Wembley Stadium - 2000 - 94 min.

Tenho todos os DVDs do Oasis, e essa apresentação não é necessariamente a minha favorita, mas foi uma das mais importantes para a banda (essa foi a turnê mais bem sucedida do Oasis; as duas noites em Wembley levaram 70 mil pessoas ao estádio, cada!), e o DVD é um dos mais especiais para mim. Me lembro de tê-lo pego emprestado na locadora assim que o Oasis havia se tornado importante demais na minha vidinha, e fiquei assistindo sentada no chão bem na frente da TV (o que era incomum, já que eu geralmente fico no sofá ou deixo tocando enquanto faço outras coisas), me emocionando com tudo. O Oasis marcou muitas novidades pra mim, e entre elas foi ter comprado meu primeiro DVD de show (caham, original ;x), que foi este. A apresentação gravada aqui foi a da primeira noite, mas, além de ser evidente pelas imagens, dizem que os shows de ambas as noites foram bastante eletrizantes. Liam estava especialmente desagradável e hiperativo, pois tinha sido deixado pela esposa apenas alguns dias antes dos shows, e o Noel já tava de saco tão cheio que deixou o irmão pra lá e deu seu show à parte. As músicas escolhidas para o set excluíram descaradamente qualquer uma de Be Here Now, que é um álbum que eles particularmente detestam, mas incluem um cover de Helter Skelter e Hey Hey My My (Into the Black), ambos muito bons. Os extras incluem minidocumentários e até um módulo que ensina a tocar Live Forever.

Apresentação favorita: Ia colocar Step Out, mas, devido ao próximo da lista, vou pôr Live Forever, por causa das 70 mil pessoas cantando junto, e porque o telão vai mostrando citações de John Lennon que vão formando o rosto dele. Essa obsessão do Liam por Lennon meio que enche o saco, mas a homenagem é muito legal.




International Magic
Noel Gallagher's High Flying Birds - Live At The O2 (2012)/Live At The Virgin Mobile Mod Club (2011)/Live At The NME Awards (2012) - 2 discos - 95min. e 28min.

Demorei muito pra conseguir esse aí, até que finalmente o ganhei de presente! Ele compila algumas apresentações de Noel Gallagher com a banda que o acompanha na carreira solo pós-Oasis: o primeiro disco é um show na O2 Arena, e o segundo disco tem duas apresentações mais curtas em Toronto e na premiação da NME; ambos com trechos de bastidores e entrevistas. Eu acho muito legal ver o Noel liderando uma banda, pela primeira vez. Embora ele cantasse uma parte dos grandes sucessos do Oasis no palco, e já houvesse saído em turnê acústica sem o irmão diversas vezes, dá pra notar com o High Flying Birds o quanto ter uma banda só sua é diferente. Me lembro das primeiras apresentações da banda, quando ele ainda cantava e tocava olhando pro chão. Mas, já nessas apresentações que estão no DVD, o Gallagher mais velho já mostra confiança total, e muito mais simpatia e interação com o público do que sua banda de origem. Ele também ficou com a vantagem de poder tocar a maior parte das músicas do Oasis, porque são composições dele, o que sempre conquista o público - e acho o máximo ele abrir os shows com (It's Good) To Be Free. Mal vejo a hora de ele voltar ao Brasil, pra que eu possa ir ver um dos meus artistas favoritos ao vivo!

Apresentação favorita: Freaky Teeth, porque eu só havia ouvido a demo dela e essa foi a primeira vez que a ouvi pronta, e ela é MUITO LEGAL.




The Who & Special Guests Live At The Royal Albert Hall
The Who e outros - The Royal Albert Hall - 2000 - 145min.

Comprei esse quando ainda estava conhecendo o The Who, então queria vê-los ao vivo, tocando os maiores sucessos, e também a participação dos convidados especiais aqui, entre eles Noel Gallagher, Paul Weller, Kelly Jones, Eddie Vedder e Bryan Adams. Mas aí acabei descobrindo que esse foi um show beneficente para a fundação Teenage Cancer Trust (que ajuda pacientes de 13 a 24 anos com a doença), cujo um dos patronos é Roger Daltrey, vocalista do The Who. Todo ano, a banda e/ou vários outros artistas fazem um concerto beneficente para levantar fundos para a fundação, e esse do ano 2000 foi o primeiro. Como um show do The Who, é uma apresentação fantástica, pois estavam todos ainda bastante em forma e cheios de energia (o baterista deles na época era Zak Starkey, filho de Ringo Starr, que mais tarde se tornou baterista do Oasis). Como show beneficente, foi bastante emocionante, pois sabemos que todos aqueles artistas estão até hoje engajados na causa. O DVD também tem entrevistas e bastidores.

Apresentação favorita: Difícil esse não ser um dos momentos favoritos - 5:15 AM, com John Entwistle realizando o que dizem ter sido seu mais memorável solo de baixo.




The Concert In Central Park
Simon & Garfunkel - Central Park, NY - 1981 - 86min.

Esse também foi um show beneficente, mas para ajudar a levantar fundos para a grande reforma do Central Park e transformá-lo no grande ponto turístico que é hoje. A apresentação foi gratuita e reuniu cerca de 500 mil pessoas. A dupla, que é de Nova York e é um orgulho local desde os anos 1950, já não se apresentava junta há uma década, devido a desentendimentos pessoais que os fez partirem em carreiras solo, portanto essa apresentação marcou um breve e bem-sucedido retorno. A seleção de músicas incluiu sucessos de ambas carreiras solo, além dos sucessos da dupla, e alguns covers. Particularmente, acho o desempenho de ambos sensacional nesse show - sou fã da voz suave de Art Garfunkel; entretanto, eles mesmos não gostaram muito do resultado. Art acha que não cantou tão bem quanto poderia, e Paul Simon estava preocupado de que a reunião não desse certo (já que ambos teriam que aprender a tocar ou cantar as músicas do outro), e ainda estava se recuperando de uma lesão que o impedia de tocar por muito tempo. De qualquer forma, o show foi um sucesso de público e crítica, e é até hoje uma referência na carreira de ambos.

Apresentação favorita: Bridge Over Troubled Water. Lógico. Esperavam que eu escolhesse qualquer outra? Tá perfeita, tá linda, tá tudo de bom.





At The Apollo
Arctic Monkeys - Manchester Apollo - 2007 - 90min.

Minha história com esse DVD é revoltante. Há muitos anos, depois de muito esforço, finalmente consegui achá-lo para download no Orkut. Na época eu ainda não sabia mexer com torrent, então a solução foi baixar em 11 partes pelo Rapidshare. Depois de quase uma semana de espera (além da conexão lenta, o Rapidshare tinha um tempo de espera entre um download e outro), estava eu com as 11 partes no computador, para descompactar e poder finalmente assistir. No processo de descompactação, o WinRar avisou que uma das partes estava corrompida, e cancelou tudo. Com uma das partes corrompidas, não dá pra aproveitar nadica de nada de troço. Fiquei chateada e desisti da coisa. E então, no dia seguinte (juro que foi LITERALMENTE NO DIA SEGUINTE) eu estava zanzando pela Americanas lá no shopping e voilà, o DVD estava bem na vitrine. Eu não quis comprar pela internet porque ia sair bem caro (eu ainda não estava trabalhando), e também não estava barato na loja, mas acabei levando porque foi uma coincidência muito bizarra. E é por isso, crianças, que o crime não compensa. Enfim, o show: esse DVD foi produzido em forma de filme - as câmeras ficam o tempo todo no palco, em vários ângulos, de forma que o público fica quase completamente excluído da apresentação, tanto em imagem quanto em som. É uma superprodução e foi até premiado, mas é como disse um dos críticos que não curtiu tanto assim: foi demais pra uma banda que tinha começado há pouco tempo e ainda não tinha toda aquela experiência com gravações ao vivo. Em 2007 eles ainda eram meio moleques (longe dos sex symbols que aparentemente viraram agora), e Alex Turner não era exatamente muito bom ao vivo, mas o que chamou a atenção de todo mundo e me fez gostar ainda mais da banda, na época, foi a performance absolutamente empolgante e impecável do baterista Matt Helders.

Apresentação favorita: Brianstorm, porque é tudo rapidinho.






Então, esses são alguns dos que gosto mais na minha coleção. Como eu disse, não tenho tantos shows em cópia física - a maioria eu vejo online ou queimei em CDs há muito tempo. Alguns deles eu gostaria muito de ter em DVD, mas, infelizmente, não disponho da TV o suficiente para que valesse a pena comprá-los. Se fosse falar sobre esses, seria uma postagem bastante diferente (ou, talvez, só maior). E vocês, quais são as apresentações que vocês fizeram questão de comprar pra ter na coleção?

12/10/2014

Das coisas que emprestei, perdi ou joguei fora

(tema retirado de uma lista de propostas)

Minha memória não é nada excepcional. Esqueço coisas que não deveria, mas, em compensação, lembro constantemente de coisas que deveriam continuar bem esquecidinhas.

Uma coisa que emprestei e que nunca mais verei na vida (e que não tenho maneira nenhuma de conseguir de volta) são dois cadernos com algumas histórias de ficção que eu tinha começado a escrever. Isso deve ter sido por volta de 1999 ou 2000. Eu tinha uma amiga cuja família costumávamos visitar, e a gente vivia se emprestando coisas (desde roupas da Barbie até uns gibis da Turma da Mônica). Ela era mais velha do que eu, mas tinha uns problemas que eu não entendia direito na época. Um dia, minha mãe disse que faríamos uma última visita, mas que, depois, não íamos mais visitá-la. Eu estava com uns cadernos de desenho dela, e ela estava com os meus onde eu escrevia minhas histórias. Devolvi os dela e pedi os meus de volta, mas ela disse que ainda não tinha terminado de ler e, como eu não podia dizer que não ia mais voltar, eles acabaram ficando lá. Infelizmente, só tenho uma vaga ideia de quais eram as histórias que estavam lá, então não tenho como reescrevê-las. Eu não tenho mais imaginação pra escrever ficção, o que lamento grandemente.

O dia que eu for uma escritora famosa,
essa porcaria vai custar uma fortuna!
Da mesma forma, lamento muito ter jogado fora todos os meus cadernos de contos e histórias que escrevi. Só fiquei com um (o da foto), que era o mais recente, na época, e que já era o que eu gostava menos. Acabei me desfazendo de tudo porque tinha a constante sensação de que ninguém levava essas minhas criações a sério e, sendo adolescente e arrumando as coisas para a mudança de cidade, não pensei muito e joguei tudo fora. Grande cagada, se me perdoam a expressão.

Outra coisa que emprestei e não pude ter de volta foi um livro muito querido pra mim: As Viagens de Marco Polo, adaptado por Carlos Heitor Cony e Lenira Alcure. O li nas férias de julho do último ano da faculdade, e fiquei tão impressionada que acabei me interessando muitíssimo pela Criptozoologia (o estudo dos animais lendários, mitológicos, hipotéticos, ou com raros avistamentos). Como alguns de vocês já devem estar rindo da minha imbecilidade, explico: o meu ramo favorito da Biologia sempre foi a Zoologia, e os relatos de Marco Polo são repletos de fascínio pelas criaturas que ele havia visto pela primeira vez (sendo um italiano viajando pela Ásia, a vista de certos animais exóticos era motivo de grande espanto para ele), então as descrições que ele deu para vários deles era realmente fantástica. Essa edição em questão tem notas de rodapé que nos esclarecem que animais ele estava
Ediouro, 2005
tentando descrever. Grande parte deles já está extinta, agora. Quando voltei às aulas, comentei sobre o livro com a minha professora de Zoologia, que ficou muito curiosa, e então acabei emprestando o livro a ela. Mas a mulher era uma pessoa superocupada, como seria de se esperar, então o ano acabou e acabei não vendo meu livro mais. No ano seguinte, precisei ir buscar uns papeis na faculdade e topei com ela. Ela lembrou que estava com o livro e disse que ainda não tinha lido, então acabei deixando que ela ficasse com ele. Afinal, eu o tinha comprado em um supermercado por R$9,90, e poderia comprar outro. Só que, claro, com a sorte que eu tenho, já não havia mais exemplares do livro lá nem em lugar nenhum; pela internet, uma edição nova custa em torno dos R$45, e os exemplares usados não estão muito mais baratos do que isso. Existem edições mais antigas e baratas, mas eu não sei se elas também têm as notas de rodapé, que são realmente preciosas. Enfim, até poderia comprar o mais caro, mas acabo investindo meu dinheirinho em livros que ainda não li...

Bom, tem outras coisas. Tem aquele meu caderno de Geografia, da 5ª série, que emprestei pra uma colega copiar e ela simplesmente o perdeu (ou disse que perdeu, sei lá; o bullying era pesado comigo naquela época, só não tinha esse nome...). Precisei contar a verdade pra professora, porque ela recolhia os cadernos pra corrigir e isso valia nota. Óbvio que me estrepei bonito na farofa e ela só me deu 5,0, que era a média, porque sabia que eu era boa aluna e pelo menos assim não reprovaria de ano. Mas ficar com 5,0 num boletim cheio de 9,0 foi muito decepcionante, mesmo que meus pais já soubessem do porquê.

Simo não aprova coleguinha que sacaneia coleguinha


E teve aquele chaveiro tosco de guitarra que eu levava pendurado na bolsa da faculdade, e um dia caiu em algum lugar no caminho entre a minha casa e a Universidade. Eu trabalhava no guarda-volumes da biblioteca, na época, e, um dia, ao guardar o fichário de uma moça, notei meu chaveiro pendurado nele. Eu sabia que era o meu porque eu tinha feito um "M" a caneta nele. Perguntei a ela onde tinha achado o chaveiro, pois era meu e o tinha perdido, e ela contou qual foi o ponto do trecho. Ao ir embora, ela pegou seu fichário e se despediu: "Tchau, moça, obrigada pelo chaveiro!". Não sei como eu deveria reagir a isso.

Enfim, são livros e CDs e fotos e dinheiro... Talvez o pior de tudo isso seja que eu ainda empresto minhas coisas. Com a maior boa vontade do mundo, porque sou naturalmente solícita e odeio deixar as pessoas na mão. Pena que nem sempre a recíproca seja verdadeira...

E vocês, o que emprestaram ou perderam e nunca mais viram, ou se arrependeram de jogar fora?

07/10/2014

O Homem de Areia

The Oddment Emporium

 

O Sandman (conhecido em Portugal como João Pestana) é uma criatura do folclore norte europeu que traria bons sonhos às pessoas ao salpicar areia mágica em seus olhos à noite. Porém, o personagem tem recebido uma imagem mais negativa e vilanesca do que originalmente pretendido.

A primeira obra escrita sobre o personagem data de 1816, um conto alemão chamado Der Sandmann. Nele, ao contrário da personalidade amável que lhe é atribuída, o Homem de Areia é descrito como uma criatura maligna que joga areia nos olhos das pessoas para que eles caiam, e assim ele os recolheria e os levaria "à lua, para alimentar seus filhos"; mas, na verdade, é apenas uma história que um dos personagens usava para assustar seus filhos, para que não fossem dormir tarde e assim ele pudesse executar em paz suas atividades clandestinas.

Hans Christian Andersen escreveu um conto sobre o Sandman em 1841, chamado Ole Lukøje. Esta versão é a que condiz com a tradição contada sobre o personagem, e narra os sonhos que um menino teve durante uma semana, induzidos pelo Homem de Areia.


Na cultura popular, o Sandman é mais conhecido pela obra-prima de Neil Gaiman: as histórias em quadrinhos de mesmo nome. Nelas, o personagem é associado a Morfeu, e é frequentemente chamado apenas de Sonho. É um dos sete irmãos Perpétuos, sendo os outros Destruição, Desespero, Delírio, Desejo, Destino, e Morte. (em inglês é mais legal, todos têm nomes começados em D :P) Uma versão para o cinema já vem sendo cogitada há muitos anos, mas agora parece que vai realmente acontecer, sob a direção de Joseph Gordon-Levitt. A Marvel possui um personagem chamado Homem-Areia, mas não tem a ver com o folclore. Ele é um cara que literalmente vira areia, e é um vilão do Homem-Aranha.

Além disso, o personagem folclórico já foi mencionado e teve participação em alguns filmes e animações, como o (quase) recente A Origem dos Guardiões (2012), sendo um dos personagens principais.

Na música, compartilho as seguintes:

Enter Sandman, do Metallica


O primeiro single do álbum autointitulado da banda, mais conhecido como Black Album (1991), e uma música bastante conhecida e bem-sucedida nas paradas. A letra tem a ver com os pesadelos de uma criança, dando ao Sandman uma postura mais assustadora do que simpática. O vídeo foi bastante premiado, na época, e a canção recebeu versões de diversos artistas.


Mr. Sandman, canção popular


Composta por Pat Ballard em 1954 e popularizada pelo grupo vocal The Chordettes no mesmo ano, o Sandman representado aqui recebe um apelo das pessoas apaixonadas para que sonhem com a pessoa amada. A canção alcançou a primeira posição das paradas da Billboard britânica na época, e tem sido trilha sonora de muitos filmes (especialmente de terror, como Halloween - o que eu acho que combina muito), inclusive de De Volta Para o Futuro, e de um episódio da série Grimm. Também recebeu diversas versões de vários artistas, e minha favorita é esta do Blind Guardian (por causa do vídeo assustador):




Blood Red Sandman, do Lordi


Do álbum The Monsterican Dream (2004). A banda finlandesa de Hard Rock tem o costume de lançar curtas de terror em cada vídeo que fazem para suas músicas, e esse é um bom exemplo. O Sandman desta música foi um personagem inventado pela banda, que queria ter usado Santa (Papai Noel) no lugar, ideia que foi vetada pela gravadora. Alguns dizem que ele é referência a Freddy Krueger, outros que a Jack o Estripador, por causa de algumas referências na letra.

Sandmann, do OOMPH!


Single do álbum Monster (2008) da banda alemã, e o Sandman da letra é aquele do conto alemão, que rouba os olhos das crianças. O vídeo compara duas famílias durante a Grande Depressão dos anos 1920.

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Fonte: Wikipedia

02/10/2014

8 músicas para dedicar àquele amigo que está triste

Espero estar certa ao afirmar que todos nós deixamos nossa própria tristeza de lado quando sabemos que alguém que amamos está triste também, e fazemos o possível para que a pessoa se sinta melhor. Afinal, a felicidade de quem amamos é importante para a nossa própria, também. :)



Eu tô sempre com músicas na cabeça. É raro o dia em que não bata o olho em alguma palavra que não acione o gatilho para a letra de alguma música que eu achei que já tinha esquecido, ou que alguém não diga alguma coisa que me deixe com alguma música na cabeça.

Da mesma maneira, amigos tristes sempre me fazem querer dedicar uma música a eles. Infelizmente, é raro que eu o faça, pois sei que meus gostos musicais não batem com os deles, e aí nenhuma música que eu mandasse faria sentido. Mesmo assim, deixo aqui as minhas favoritas dentre aquelas que passam uma mensagem de carinho e amizade, e espero que vocês gostem de alguma delas e, quem sabe, a mandem para algum amigo que precise de um abraço.


Começando com as menos conhecidas até as mais clássicas:

Dave Hause - C'mon Kid


Vamos lá, garoto, vamos
É um pé depois do outro
Todo mundo precisa de uma mãozinha, às vezes
Todo mundo precisa de um irmão.
Vamos lá, garoto, vamos
Estou te estendendo a mão
Saia da cama, garoto, encare o mundo
E mostre o que você sabe fazer!


Streetlight Manifesto - A Better Place, A Better Time


Dane-se comprar flores para um túmulo
Prefiro te comprar uma passagem só de ida pra qualquer lugar
Encontre qualquer um, faça qualquer coisa
Comece de novo.


Savage Garden - Crash and Burn


Mais do que pela letra, indico pelo vídeo que, apesar de bizarro, vai mostrando mensagens importantes sobre a pessoa que sofre de depressão, e termina com o refrão "cantado" na linguagem de sinais e a frase (traduzida:) "Comunique-se. De qualquer maneira. De qualquer jeito."


Paul McCartney - Souvenir


Se me quiser, me diga agora
Se eu puder ser de alguma ajuda, me diga como
Me deixe te amar como um amigo
Tudo vai dar certo no final.


Gerry and The Pacemakers - You'll Never Walk Alone


Caminhe através do vento
E caminhe através da chuva
Mesmo que os seus sonhos sejam tirados de você e soprados pra longe
Continue andando
Com esperança no coração
E você nunca caminhará só.


Bill Withers - Lean On Me


É só me chamar, irmão
Quando precisar de uma mão
Todos nós precisamos de alguém em quem nos apoiar.


Carole King - You've Got A Friend


tradução no vídeo :)


Simon & Garfunkel - Bridge Over Troubled Water


tradução no vídeo também :)



(ok, se alguém me dedicasse Bridge..., aí que eu ia chorar mais)

Existem dezenas de músicas boas para a situação, essas são apenas algumas favoritas pessoais. Vocês podem me deixar feliz comentando com alguma que vocês conhecem e amam! :)