12/10/2014

Das coisas que emprestei, perdi ou joguei fora

(tema retirado de uma lista de propostas)

Minha memória não é nada excepcional. Esqueço coisas que não deveria, mas, em compensação, lembro constantemente de coisas que deveriam continuar bem esquecidinhas.

Uma coisa que emprestei e que nunca mais verei na vida (e que não tenho maneira nenhuma de conseguir de volta) são dois cadernos com algumas histórias de ficção que eu tinha começado a escrever. Isso deve ter sido por volta de 1999 ou 2000. Eu tinha uma amiga cuja família costumávamos visitar, e a gente vivia se emprestando coisas (desde roupas da Barbie até uns gibis da Turma da Mônica). Ela era mais velha do que eu, mas tinha uns problemas que eu não entendia direito na época. Um dia, minha mãe disse que faríamos uma última visita, mas que, depois, não íamos mais visitá-la. Eu estava com uns cadernos de desenho dela, e ela estava com os meus onde eu escrevia minhas histórias. Devolvi os dela e pedi os meus de volta, mas ela disse que ainda não tinha terminado de ler e, como eu não podia dizer que não ia mais voltar, eles acabaram ficando lá. Infelizmente, só tenho uma vaga ideia de quais eram as histórias que estavam lá, então não tenho como reescrevê-las. Eu não tenho mais imaginação pra escrever ficção, o que lamento grandemente.

O dia que eu for uma escritora famosa,
essa porcaria vai custar uma fortuna!
Da mesma forma, lamento muito ter jogado fora todos os meus cadernos de contos e histórias que escrevi. Só fiquei com um (o da foto), que era o mais recente, na época, e que já era o que eu gostava menos. Acabei me desfazendo de tudo porque tinha a constante sensação de que ninguém levava essas minhas criações a sério e, sendo adolescente e arrumando as coisas para a mudança de cidade, não pensei muito e joguei tudo fora. Grande cagada, se me perdoam a expressão.

Outra coisa que emprestei e não pude ter de volta foi um livro muito querido pra mim: As Viagens de Marco Polo, adaptado por Carlos Heitor Cony e Lenira Alcure. O li nas férias de julho do último ano da faculdade, e fiquei tão impressionada que acabei me interessando muitíssimo pela Criptozoologia (o estudo dos animais lendários, mitológicos, hipotéticos, ou com raros avistamentos). Como alguns de vocês já devem estar rindo da minha imbecilidade, explico: o meu ramo favorito da Biologia sempre foi a Zoologia, e os relatos de Marco Polo são repletos de fascínio pelas criaturas que ele havia visto pela primeira vez (sendo um italiano viajando pela Ásia, a vista de certos animais exóticos era motivo de grande espanto para ele), então as descrições que ele deu para vários deles era realmente fantástica. Essa edição em questão tem notas de rodapé que nos esclarecem que animais ele estava
Ediouro, 2005
tentando descrever. Grande parte deles já está extinta, agora. Quando voltei às aulas, comentei sobre o livro com a minha professora de Zoologia, que ficou muito curiosa, e então acabei emprestando o livro a ela. Mas a mulher era uma pessoa superocupada, como seria de se esperar, então o ano acabou e acabei não vendo meu livro mais. No ano seguinte, precisei ir buscar uns papeis na faculdade e topei com ela. Ela lembrou que estava com o livro e disse que ainda não tinha lido, então acabei deixando que ela ficasse com ele. Afinal, eu o tinha comprado em um supermercado por R$9,90, e poderia comprar outro. Só que, claro, com a sorte que eu tenho, já não havia mais exemplares do livro lá nem em lugar nenhum; pela internet, uma edição nova custa em torno dos R$45, e os exemplares usados não estão muito mais baratos do que isso. Existem edições mais antigas e baratas, mas eu não sei se elas também têm as notas de rodapé, que são realmente preciosas. Enfim, até poderia comprar o mais caro, mas acabo investindo meu dinheirinho em livros que ainda não li...

Bom, tem outras coisas. Tem aquele meu caderno de Geografia, da 5ª série, que emprestei pra uma colega copiar e ela simplesmente o perdeu (ou disse que perdeu, sei lá; o bullying era pesado comigo naquela época, só não tinha esse nome...). Precisei contar a verdade pra professora, porque ela recolhia os cadernos pra corrigir e isso valia nota. Óbvio que me estrepei bonito na farofa e ela só me deu 5,0, que era a média, porque sabia que eu era boa aluna e pelo menos assim não reprovaria de ano. Mas ficar com 5,0 num boletim cheio de 9,0 foi muito decepcionante, mesmo que meus pais já soubessem do porquê.

Simo não aprova coleguinha que sacaneia coleguinha


E teve aquele chaveiro tosco de guitarra que eu levava pendurado na bolsa da faculdade, e um dia caiu em algum lugar no caminho entre a minha casa e a Universidade. Eu trabalhava no guarda-volumes da biblioteca, na época, e, um dia, ao guardar o fichário de uma moça, notei meu chaveiro pendurado nele. Eu sabia que era o meu porque eu tinha feito um "M" a caneta nele. Perguntei a ela onde tinha achado o chaveiro, pois era meu e o tinha perdido, e ela contou qual foi o ponto do trecho. Ao ir embora, ela pegou seu fichário e se despediu: "Tchau, moça, obrigada pelo chaveiro!". Não sei como eu deveria reagir a isso.

Enfim, são livros e CDs e fotos e dinheiro... Talvez o pior de tudo isso seja que eu ainda empresto minhas coisas. Com a maior boa vontade do mundo, porque sou naturalmente solícita e odeio deixar as pessoas na mão. Pena que nem sempre a recíproca seja verdadeira...

E vocês, o que emprestaram ou perderam e nunca mais viram, ou se arrependeram de jogar fora?

Um comentário:

  1. Então, eu nem gosto de pensar no que emprestei e nunca voltou porque fico com raiva, rs... Já emprestei tanta coisa boooooa, bacaaaaana, e olha, que raiva que dá né? Fiquei de cara com a guria do chaveiro, kkkkkk!

    Enfim, beijo Manu, amo sempre seus posts, li o do Sandman também, amei, rs...

    Te aaamo, cara-gêmea!

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