29/11/2014

... e ainda mais livros interativos!

2014 está sendo um ano muuuito esquisito... Não sei se tá todo mundo com essa impressão, ou se eu só estou prestando atenção nas coisas esquisitas, mesmo.

De qualquer forma, comentei em alguma postagem anterior sobre a necessidade da terapia que não vou fazer, e como esses livros interativos que tanto estão na moda andam me ajudando a aguentar toda a esquisitice desse ano.

Depois de Destrua Este Diário, que não vou terminar, e Termine Este Livro, que já terminei, peguei outros dois lançamentos: Listografia, de Lisa Nola, e 1 Página de Cada Vez, de Adam J. Kurtz.



O Listografia eu havia visto pelo Pinterest e achei a proposta atrativa pra mim: listar a vida de acordo com os mais variados tópicos. Os temas vão desde coisas simples, como os lugares em que você já morou, o nome de todos os animais de estimação que você já teve, seus programas de TV favoritos, as cidades que você conhece, até assuntos mais reflexivos, como as coisas sobre você que quase ninguém sabe, seus maiores atos de bondade, o que você tentaria salvar se sua casa pegasse fogo, as coisas pelas quais você gostaria de ser lembrado... São 65 listas ao todo, ele é todo ilustrado, e, no final, há páginas com linhas para que você crie outras listas. Achei que fosse aquele tipo de livro que você acaba em algumas horas e pronto, mas já o tenho há semanas e todo dia me lembro de algum item e aumento alguma das listas. É muito bacana e tenho me divertido com ele. Sei que a autora lançou vários livros da série Listografia, e os demais são temáticos. Tô só esperando vir pro Brasil os de Literatura, Música e Cinema!

essa lista está seriamente incompleta

ostentando o pseudo-poliglotismo
Já o 1 Página de Cada Vez eu estava namorando platonicamente há vários meses, até que finalmente o consegui. A Amazon lindíssima fez uma promoção muito legal do kit com o livro mais um marcador de páginas, um lápis personalizado e uma caixinha de lápis de cor por R$13! O livro é bem grosso e funciona como um diário: todo dia você faz uma página dele, de acordo com as instruções. Não precisa ser em ordem (eu, ao menos, abro aleatoriamente e faço o que vier), e confesso que é difícil fazer só uma por dia. Algumas, entretanto, exigem tanta reflexão que as guardo para dias mais propícios. Gosto muito dele porque não exige talentos artísticos, como os da Keri Smith (que teoricamente não os exigem, mas são chatos de fazer se você não sabe desenhar), e te dá vazão a um monte de pensamentos que você não sabe onde mais escrever. Como um diário, mesmo, mas um que "conversa" com você. Algumas das páginas não têm regras, e nelas você pode fazer o que bem entender. É divertido e te faz pensar em um monte de coisas - emails que você não tem coragem de mandar, playlists para todas as ocasiões, histórias tristes e engraçadas, conselhos recebidos e dados, e também alguns rabiscos. Uma gracinha.


E vocês, também já se renderam aos livros interativos? Conhecem ou já ouviram falar de algum outro do gênero que possam me indicar? :D

26/11/2014

O primeiro emprego

(tema retirado de uma lista de propostas)



Meu primeiro emprego talvez não seja considerado um emprego de verdade. Pra poder receber meia-bolsa na faculdade, precisei trabalhar lá em troca dela. Eu não recebia dinheiro pelo trabalho, mas um desconto nas mensalidades. O trabalho, entretanto, era tão desgastante quanto qualquer emprego, mas reconheço o quão importante ele foi em vários aspectos da minha vida.

Comecei trabalhando na biblioteca, onde vários outros alunos trabalhavam. As funções eram rotativas, mas, como todos perceberam que eu fazia as tarefas mais chatas sem escândalo, acabei ficando permanentemente nelas, por um ano e meio: organizando as fichas dos alunos por ordem alfabética todos os dias, e cuidando do guarda-volumes.

Não parece muito complicado cuidar de um guarda-volumes - e talvez não seja, mesmo -, mas eu levava minha função muito a sério, então estraguei um pouco minha saúde por conta dele. Meu turno era de 6 horas (das 7h às 13h), e eram seis horas em que eu não deixava meu posto nem para beber água ou ir ao banheiro, muito menos comer (não podia comer fora da cozinha). A responsabilidade era grande demais, e, embora outros monitores deixassem o posto o tempo todo, era meu primeiro "emprego" e eu não queria começar desobedecendo regras claras.

O espaço era grandinho, por causa da quantidade de alunos da Universidade toda que frequentava a biblioteca, especialmente em época de provas, então havia dias em que eu não podia nem sentar - enquanto 10 chegavam, 10 iam embora, e eu tinha que entregar e recolher tudo rapidinho. Se eu demorasse um pouco pra atender alguém, ele próprio guardava o material, e eu não teria como saber onde - ou pior, entrava com o material, o que era terminantemente proibido. Se alguém entrasse com bolsa, mochila ou capacete, eu tinha que ir atrás e pedir delicadamente que a pessoa deixasse as coisas lá, e é claro que eu ouvia muitos protestos com todo tipo de palavras coloridas. E, enquanto eu estava lá dentro pedindo pras pessoas deixarem as coisas no guarda-volumes, outras tantas chegavam e... enfim, dá pra imaginar a correria.

Seria legal que os outros monitores me ajudassem, nessas horas, mas não acontecia. Todo mundo odiava o guarda-volumes, e eles próprios estavam bastante ocupados no balcão cuidando dos empréstimos e devoluções. Trabalhei um pouco nessa parte, também, mas acabei ficando no outro balcão. Também queria ter tido oportunidade de catalogar os livros e arrumá-los nas estantes, mas não podia sair do guarda-volumes...

De qualquer forma, apesar de toda a tensão do posto, a bibliotecária me comunicou pessoalmente, quando saí, que a época em que fiquei lá foi a que registrou menos roubos de livros. Também perdi boa parte do medo que eu tinha de conversar com estranhos, e fiz vários amigos entre os alunos de outros cursos. Depois, fui transferida para outro setor da Universidade. O trabalho era beeeem diferente, mas também cheio de responsabilidades.

Esse foi o meu primeiro e emocionante emprego. Foi onde consegui esse pulso aberto (de tanto carregar peso dos outros), mas também foi onde aprendi a ser menos fechada, e o que ajudou muito a pagar pela minha formação acadêmica.

Querem me contar sobre o primeiro emprego de vocês?

16/11/2014

Quem aí estava com saudade das Curiosidades Biológicas Inúteis?

Embora seja como eu sempre digo: NENHUM tipo de conhecimento é inútil. Se não serve pra te garantir um emprego, que sirva ao menos pra entreter os colegas naquela reunião da turma de 1999.

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foto: The Unwasted Life
O estômago pode mesmo arrebentar se comermos muito de uma vez?

Embora raro, sim! E, como seria de se esperar, as pessoas que chegaram a tal ponto não sobreviveram. Quando um estômago sofre uma ruptura, as milhões de bactérias que moram lá dentro (aquelas que ajudam a gente na digestão) ficam soltas pela cavidade abdominal, causando uma grande e incômoda inflamação. Se não houver tratamento com poderosos antibióticos a tempo e se não houver reconstrução estomacal, o sujeito não sobrevive. Bom, a pessoa certamente sentiria algo esquisito antes disso acontecer, então por que não, simplesmente, vomitar antes que o pior aconteça? Segundo um estudo, a pessoa que tem hábitos alimentares tão desestruturados a ponto disso não tem os reflexos funcionando como deveriam, então o corpo não percebe até que seja tarde. Além disso, os músculos do estômago, a esse ponto, estão tão distendidos que não têm força suficiente para provocar um vômito. Há vários casos documentados de pessoas que morreram de rupturas no estômago, desde 1941. Os casos foram mais comuns em mulheres, e muitos deles ocorreram em mulheres que sofriam de bulimia. Isso acontece porque o estômago do bulímico já é mais frágil, e não precisa mais do que uma refeição de tamanho normal para provocar uma ruptura. Entretanto, houve casos de gente que morreu após ingerir quilos de comida e litros de bebida em uma única refeição (uma delas faleceu após ingerir bicarbonato de sódio depois de uma refeição pesada - o gás foi a gota d'água pro estômago da coitada...).

Outras curiosidades:

  • Nem sempre a ruptura estomacal tem a ver com comer demais. Há casos de pessoas que foram submetidas a cirurgias de redução de estômago e que tiveram ferimentos no órgão causados pelo deslocamento do anel implantado.

  • Houve o caso de uma mulher que faleceu após comer demais, mas o estômago dela não se rompeu. Ele, na verdade, inflou tanto que comprimiu seus pulmões, causando-lhe asfixia.

Fonte: TIFO


Por que os pássaros não caem dos galhos quando dormem?

Imaginem a força que um passarinho tem pra conseguir dormir agarrado a um galho sem cair (a gente não consegue nem segurar um livro quando cai no sono)! Tal força é graças a dois tendões extras que algumas aves têm: quando elas esticam as pernas para pousar e os tornozelos se dobram, os tendões entram em ação, fechando os pés em garras. Percebemos isso em aves de rapina, quando caçam, e nos passarinhos, quando dormem. Entretanto, nem todos os pássaros têm essa vantagem do tendão, que são aqueles que dormem no chão. O mecanismo de defesa desses aí é dormir com um olho aberto: metade do cérebro continua acordada para fazer a vigília. Se dormirem em bandos (como os patos), as aves se posicionam em fileiras e as das pontas dormem com um olho aberto para proteger as outras. Se perceberem que não há perigo, aí elas "desligam" tudo e dormem sossegadinhas.

Outra curiosidade:

  • Golfinhos e baleias também dormem com um olho aberto, em alerta caso apareçam tubarões. Eles alternam qual olho fica aberto por aproximadamente oito horas, e a parte do cérebro que está acordada também é responsável por levá-los à superfície para respirar enquanto ainda estão dormindo!

Fonte: TIFO


Por que os abutres não ficam doentes comendo carniça?

Além de não passarem mal com a carniça, eles também são imunes a carcaças infectadas com botulismo, raiva, cólera, antraz e várias outras doenças fatais. Tudo isso porque seu estômago é altamente ácido: 1000 vezes mais ácido do que o estômago humano, para comparação. A coisa é tão ácida que chega a ser capaz de dissolver alguns metais! Sendo assim, nenhuma bactéria é capaz de sobreviver em tal ambiente, impedindo que qualquer doença ou mal estar acometa a ave. E, mesmo que fosse possível, abutres e urubus ainda têm o que os cientistas chamam de "o mais forte sistema imunológico de todos os vertebrados". Isso se explica pelo fato de que eles estiveram sempre cercados por doenças e matéria em decomposição, o que determinou quais ancestrais sobreviveriam para perpetuar a espécie. Não dá pra competir com a evolução! Porém, nem só de carne podre vivem os carequinhas: estudos comprovaram que cerca de 70% da dieta dessas aves é constituída de ossos. Na verdade, elas até preferem osso à carne, porque tem muito mais nutrientes e que duram muito mais tempo. Em defesa dos bichos, mais um ponto: abutres e urubus são aves associadas a doenças, o que é completamente errado. A presença dessas aves significa que doenças serão provavelmente erradicadas do local, já que elas comem as carcaças infectadas e seu ácido gástrico poderosíssimo elimina as bactérias malignas. A ausência dessas aves, entretanto, significa que outros animais comerão as carcaças infectadas, e aí, se esses animais não morrerem, é porque são portadores e, portanto, disseminadores das doenças. Para ilustrar, temos a Índia, que sofreu uma baixa gigantesca das aves (dos 80 milhões de abutres que sobrevoavam o país nos anos 1980, apenas algumas centenas restam agora). Essa baixa levou a uma superpopulação dos animais que competiam com elas pelas carcaças: lobos e ratos, que são portadores da raiva. Esses animais contaminaram o suprimento de água e muita gente morreu. O motivo da baixa dos abutres foi o diclofenaco, antiinflamatório comumente injetado no gado, mas tóxico para as aves que eventualmente o comeriam depois. Ao perceber o estrago, a Índia substituiu a droga por outra não tóxica para os abutres.

Outras curiosidades:

  • Acredita-se que abutres e urubus sejam carecas para que possam inserir a cabeça nas carcaças sem ficar com coisinhas grudadas nas penas.

  • Um estudo conduzido no Texas demonstrou que 30 abutres reduziram uma carcaça humana a ossos em menos de 5 horas.

Fonte: TIFO


Foto: Life Martini
Por que o nariz escorre quando está frio?

Num dia normal, nosso nariz produz um quarto de litro de muco, mas a gente engole a maior parte disso sem perceber (de nada). Quando esfria, porém, essa produção aumenta bastante, e aí a maior parte acaba escorrendo pra fora em vez de pra dentro. É porque os vasinhos sanguíneos do nosso nariz se dilatam no frio, fazendo circular mais sangue ali pra manter aquela área aquecida pra que a gente mande oxigênio quentinho pro pulmão. Só que o efeito colateral é que essa circulação maior de sangue na área estimula as glândulas responsáveis pela produção de muco, então a coisa fica meio descontrolada. Isso tudo para quando você volta a um ambiente mais aquecido, aí seu nariz não precisa esquentar o ar por você.

Outras curiosidades:

  • O nariz escorre quando estamos gripados como forma de defesa: com tudo aquilo de catarro, seu nariz está tentando impedir que você respire MAIS germes!

  • O nariz escorre quando estamos chorando porque os dutos lacrimais escorrem para nossas vias nasais, então aquele sopão delícia de catarro e lágrimas precisa sair por algum lugar.

Fonte: TIFO


Foto: Collective Evolution
Por que a quimioterapia faz os cabelos caírem?

Pra responder a isso, temos que entender como o câncer funciona: resumidamente, o câncer é causado por uma disfunção na reprodução das células que, por algum motivo, se multiplicaram demais e produziram tecido inútil (que são os tumores) em alguma parte do corpo. A quimioterapia tenta combater essas células descontroladas, então os químicos destroem tudo o que está se reproduzindo demais, interrompendo a mitose (divisão/multiplicação das células) [Biologia é a única matéria onde DIVIDIR e MULTIPLICAR significam a mesma coisa :P]. Só que esses químicos não sabem diferenciar as boas multiplicações das más, então as células que se reproduzem normalmente bastante rápido, como as capilares, acabam levando bomba por tabela. E não só elas, mas as do estômago (estamos falando tanto de estômago, hoje!), as dos lábios e as da medula óssea também. Por causa disso, os cabelos e pelos caem, e a imunidade também, já que a quimioterapia também prejudica a produção dos glóbulos brancos do sangue. Mas as células capilares saudáveis se regeneram rapidinho assim que o tratamento quimioterápico é interrompido.

Outras curiosidades:

  • Existem 200 tipos de câncer, porque existem 200 tipos de células em nosso corpo, e TODAS têm potencial de desenvolver a anomalia.

  • Nossas células têm prazo de validade, portanto se dividem um número limitado de vezes e aí cometem apoptose (conhecida vulgarmente como "suicídio celular"). Há um cálculo com o qual se é possível determinar quantos anos a pessoa pode viver, teoricamente (dado que ela não sofra doenças ou acidentes), baseado na quantidade de células do recém-nascido e considerando quantas células estas células podem produzir e quanto tempo elas levam para morrer. A média é de 120 anos (só pra botar uma polêmica, é exatamente o que a Bíblia diz em Gênesis 6:3: "O Senhor então disse: 'Meu espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será de cento e vinte anos'.". Interessante, hein?).

Fonte: TIFO

12/11/2014

As últimas 10 músicas favoritas

Vou listar periodicamente minhas últimas 10 (re)descobertas favoritas por aqui - talvez nem tanto na esperança de que outras pessoas curtam alguma coisa, mas pra poder voltar aqui depois de uns meses e comparar as coisas. Meu gosto tem sido o mesmo há alguns anos, só vou variando na bizarrice da vez...


Come And Get Your Love, Redbone


'Cause you're fine
And you're mine, and you look so divine

Come and get your love!

Da trilha sonora impecável de Guardiões da Galáxia, essa era uma das únicas que eu ainda não conhecia, e ficou muito tempo na minha cabeça. E, ao procurar no YouTube, descobri que o Redbone é uma banda composta por nativo-americanos, o que tornou tudo muito mais legal!

Virgin, Manchester Orchestra


We built this house with our hands
And our time and our blood.
We built this up in one day
To fall downward and rust.

Essa eu ouvi em uma rádio do Spotify e, apesar de já curtir outras da banda, ainda não conhecia essa. Curti porque é sinistra. E o vídeo consegue ser ainda MAIS sinistro.

Everything to Me, Shane Filan



'Cause I don't need the sunlight shining on my face
And I don't need perfection to have the perfect day
I just want to see you happy, a smile on your face
Nothing else matters, 'cause you're everything to me.

Só recentemente fui me inteirar dos projetos solo dos ex-membros do Westlife. Shane, que era o vocalista principal, lançou álbum no ano passado, e finalmente teve liberdade para gravar suas próprias composições. O álbum é basicamente acústico e varia entre o pop e o folk, e essa música é uma coisa muito fofa.

Down By The Water, The Decemberists


So knock me down, tear me up
But I would bear it all broken just to fill my cup
Down by the water and down by the old main drag

Nunca paro pra ouvir The Decemberists, mas essa é uma das duas músicas deles que gosto muito (junto a Don't Carry It All). Tem todo um jeitão R.E.M. que é muito gostoso de se ouvir.

Don't Bring Me Down, Electric Light Orchestra


You got me running, going out of my mind
You got me thinking that I'm wasting my time
Don't bring me down, no, no, no, no, no
I'll tell you once more before I get off the floor:
Don't bring me down.

Também nunca paro pra ouvir ELO, mas toda vez que toca é uma experiência gostosa. Acredito que todas as músicas fiquem na cabeça por um tempo. Tipo essa.

Too Cold To Hold, Fake Problems


See I've got this problem with talking to myself
And hardly ever to anyone else
It's not that I have nothing to share
I'm just not quite ready to reveal the faults I bare...
But I'm pretty sure that I'd prefer some company.

Ouço esse álbum desde que foi lançado (It's Great to Be Alive, de 2009), mas essa faixa nunca tinha sido uma favorita. Mas sempre chega aquele dia em que certas músicas repentinamente começam a fazer sentido... Sei lá, acho que a gente tem uma época pra tudo.

Tired of Being Alone, Al Green


I'm so tired of being alone
I'm so tired of on-my-own
Won't you help me girl
Just as soon as you can

Vou deixar que as tias na plateia falem por mim.

What About Now, Westlife


What about now?
Now that we're here
Now that we've come this far, just hold on.
There is nothing to fear
For I am right beside you
For all my life, I am yours.

Na verdade, um cover de Daughtry. Lindíssima ao vivo, mas vou colocar o vídeo oficial porque eles estão todos claramente morrendo de frio, haha. Lógico que todo mundo fala que a versão é ruim, porque o Daughtry é roquenrou e o Westlife foi uma boyband. Ímpios.

Carl Poppa, Bad Lip-Reading


They keep walking, walking my way
If they're talking, can't tell what they say
They keep falling over stuff in their way
Dead dudes walking can ruin your day.

Vou colocar essa aqui só pra dar risada (e ficar mais um mês na cabeça). Apresentei o Bad Lip-Reading entre as sugestões de canais do YouTube. Eles recentemente lançaram outros vídeos de The Walking Dead, e um deles conta com trecho de rap de Carl. Fez tanto sucesso que acabaram lançando a música completa, com direito a vídeo oficial e tudo. Ri tanto dessa letra que coloquei a música como despertador (embora acordar com LA JIGGY JAR JAR DOO! DUR DUR DUR DEE DUR! não seja exatamente ideal).

Song #3, Reel Big Fish


O caso dessa é como o da Too Cold to Hold. Esse álbum, Why Do They Rock So Hard?, foi o primeiro que ouvi do Reel Big Fish, há uns 6 anos, mas eu quase nunca ouvia essa faixa. Aí fui ouvir o álbum na íntegra esses dias e deixei essa tocar, e me vi curtindo muito! Não ando mais ouvindo tanto ska quanto antes, então sempre que ouço me animo instantaneamente.

07/11/2014

Faetonte, o primeiro adolescente sem noção

Se não fomos adolescentes irresponsáveis, com certeza tivemos amigos que foram. Ou ainda somos, ou ainda os temos. É impossível não conviver com adolescentes "aborrecentes" ao menos uma vez na vida.

Faetonte, entretanto, deve ter sido o adolescente inspirador das futuras gerações... Porque o tamanho da besteira que ele fez foi impressionante.


Stapleton Historical Collection/Heritage-Images


Faetonte sofria bullying pesado na escola. Os colegas tiravam sarro dele porque sua mãe dizia que ele era um semideus, filho de ninguém menos do que Hélio, o deus do Sol. Ninguém acreditava, óbvio, então Faetonte decidiu confrontar a mãe e pedir pra que ela provasse que ele era mesmo filho de um deus.

- Bom, - disse ela - eu jamais mentiria sobre isso. Mas você pode ir pessoalmente à Terra do Sol e perguntar ao seu pai se ele o reconhece.

E Faetonte foi. Às Índias, que eram próximas, e lá não teve dificuldade em encontrar o palácio de seu pai. Viu Hélio sentado em seu trono em toda a sua glória, e pediu:

- Não que eu duvide, ó glorioso Senhor do Sol, mas preciso de uma prova de que o senhor é o meu pai.

Hélio pediu para que ele se aproximasse, deu-lhe um abraço e disse:

- Meu filho, para que não sofras humilhações sobre a tua origem, peça-me qualquer coisa e eu lhe concederei!

Faetonte, como todo bom adolescente, não pensou muito:

- Eba! Então, eu quero dirigir o seu carro!

O carro do pai, claro, era a Carruagem do Sol. Todas as manhãs, Hélio dirigia a carruagem flamejante pelos céus, e voltava ao fim da tarde.

- Então... Pois é, você me pediu a única coisa que não dá. É uma tarefa difícil, e você ainda não tem a força adequada para ela. E também é muito jovem, e é um mortal! Não pode fazer o serviço de um deus! E também não é qualquer deus que pode fazer isso, só eu. Deixa eu explicar como a coisa funciona.

Hélio, então, teve seu momento de pai e começou a dar um sermão interminável sobre o seu trabalho: que o início do trajeto era uma subida muito íngreme e os cavalos mal aguentavam subir; que o meio do trajeto era alto demais e dava muito medo olhar pra baixo; e que o final era uma descida muito perigosa e exigia muita habilidade de direção. Fora que o céu estava sempre girando e carregando estrelas pra lá e pra cá, atrapalhando a viagem dele.

- E é por isso que não dá. Se quer uma prova de que sou mesmo seu pai, olhe pra mim e veja como estou preocupado. Então, vai lá, escolhe qualquer outra coisa. Uma terra com riquezas, sei lá. O carro, não.

Mas Faetonte bateu o pé, fez uma birra danada e insistiu tanto, que Hélio acabou levando o filho para ver a carruagem.

E era uma baita caranga. Cada centímetro era de ouro, com fileiras de topázios e diamantes incrustados. Vendo a admiração do rapaz enquanto os cavalos eram arreados, Hélio cedeu e deixou Faetonte levar o carro, dessa vez. Umedeceu o seu rosto com um unguento que o protegesse do calor das chamas, e disse:

- Segure as rédeas com força. Os cavalos já conhecem o caminho, mas você precisa contê-los. Mantenha-se no curso, não se desvie nem para o norte e nem para o sul. É só seguir as marcas das rodas. Não suba muito, pra não incendiar as moradas celestes, e não desça demais, pra não incendiar a Terra. E não se atrase!


The Gioi Than Thoai

E lá foi Faetonte, todo feliz à direção do carro do pai.

E, como previsto, o pior aconteceu.

Ele começou bem, mas os cavalos logo perceberam que o peso da carruagem era diferente do usual, então começaram a se desviar do caminho. Faetonte percebeu que não sabia, afinal, como controlar os cavalos, e que também não tinha força pra isso. Ele logo se arrependeu do pedido e queria voltar, mas não conseguia, e ainda faltava muito caminho pela frente. Ao sair da estrada, os cavalos levaram a carruagem em meio à constelação de Escorpião, e se assustaram tanto que o rapaz acabou soltando as rédeas, fazendo os cavalos irem ainda mais longe entre as estrelas.

Como não fosse o bastante, em seguida os cavalos começaram a descer, e logo os cumes das montanhas começaram a se incendiar, e depois alguns campos, arruinando várias colheitas. Até terras congeladas se incendiaram. Quando teve coragem de olhar, grande parte do mundo estava em chamas, e o calor estava intolerável. O ar estava tomado pelas cinzas, e o céu estava preto com a fumaça (acredita-se que os desertos da região norte da África estão lá por causa desse incidente de Faetonte!). A terra em chamas chegou a abrir uma fenda que alcançou o Tártaro, onde até Hades e sua esposa Perséfone ficaram amedrontados.

Por fim, Gaia, deusa da Terra, não aguentou mais. Olhou pra cima e gritou para Zeus, o deus dos deuses:

- Pelo amor dos deuses, quer me matar? É isso que eu ganho em troca da minha abundância e das oferendas para os teus altares? É isso que ganha o Oceano? É isso que ganha o coitado do Atlas, que já nem suporta mais o peso de sua carga? Se nós perecermos, terra, água e céu cairão no Caos! Dá uma mãozinha, poxa!

Zeus, um cara muito legal, quando queria, chamou os outros deuses, inclusive Hélio, para conversar sobre a situação. Disse que, se não interviessem, tudo estaria perdido. Então, foi até a torre onde ele subia para espalhar nuvens sobre a Terra, e fez a coisa que sabia fazer melhor (não, não pular a cerca): lançou um enorme raio em Faetonte!

Jan van Eyck (1612-1668)


O rapaz, agora com o cabelo em chamas, caiu da carruagem, como uma estrela cadente. Foi parar lá no rio Eridano, onde acabou morrendo.

Depois disso, Faetonte foi transformado em uma estrela na constelação de Auriga, que significa "o cocheiro". Outras lendas dizem que ele foi transformado no deus da estrela que os gregos chamavam de Faetonte mesmo, que é provavelmente o planeta Saturno ou Júpiter. O nome "faetonte" significa "o brilhante".

Sem dúvida, Faetonte foi muito brilhante...



FONTES: Theoi | O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch (Ediouro, 2002)

01/11/2014

Sugestões de Leitura de 2014: Setembro - Outubro

Sou veementemente contra colocar classificação de nota em resenhas literárias. 

Claro, minha opinião é diferente quando se trata da resenha de um produto funcional, por exemplo, porque é através das notas que sabemos se aquele produto funciona ou não. Mas, se tratando de livros, a classificação de nota é irrelevante. A não ser que, digamos, o autor ou a editora tenha prometido que o livro te faria chorar, e você não chorou, então uma nota baixa justifica a meta não cumprida. Entretanto, a nota que você dá a um livro - em uma resenha na internet, na organização do Skoob, ou na sua própria cabeça - só é de interesse seu, pois reflete a sua reação a respeito do que leu. E, meus amigos, claro que somos todos seres únicos no Universo (como todo mundo), então achar que a nossa opinião sobre um livro deve ser tomada como consenso geral é presunção demais pro bem-estar da humanidade.

É óbvio que todos temos direito de sair dando nota pra tudo; muita gente lutou pela infame Liberdade de Expressão, e quem sou eu pra desencorajar o uso dela?, mas, pessoalmente, não imponho meu gosto a ninguém (mas adoro quando gostam do que eu gosto ). Por isso, não dou nota nas minhas resenhas. Eu acredito que, pelo texto, minhas reações já estejam explícitas. Como sempre digo, cabe a cada um experimentar e decidir se vai gostar ou não, e não quero ser responsável por criar expectativas a respeito de coisas que talvez alguém não goste, e muito menos desanimar alguém a respeito de algo que ela pudesse gostar muito.

Só digo isso porque sei que muita gente vai direto nas estrelinhas, sem realmente ler os prós e contras, e aceita isso como o fim da questão ("Credo, 1 estrela, nem vou perder meu tempo" ou "Uau, 5 estrelas, isso deve ser excelente!"). Não é assim que as coisas deveriam funcionar. Você não pode deixar ninguém decidir por você o que você vai amar, ou o que vai gastar o seu tempo.

Segue tudo o que li nos últimos dois meses, sem ordem:

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O Cavaleiro da Morte
Bernard Cornwell - Record - 2013 (2005) - 391p.
Os Senhores do Norte
Bernard Cornwell - Record - 2013 (2006) - 347p.
A Canção da Espada
Bernard Cornwell - Record - 2013 (2007) - 348p.


Que coleção maravilhosa, essa! Infelizmente, não tenho como comentar muito sobre esses volumes (que são o segundo, o terceiro e o quarto das Crônicas Saxônicas) sem dar spoilers pra quem ainda está no primeiro ou ainda não começou. Para uma ideia geral do enredo, por favor, confiram a resenha no relatório passado. Os volumes seguintes, que ocorrem logo após o desfecho do volume anterior, ainda nos acompanham pela nada fácil vida de Uhtred de Bebbanburg, que está sempre oscilando entre juramentos ao Rei Alfredo de Wessex e juramentos a algum senhor dinamarquês. Durante o caminho, Uhtred se vê dividido entre lealdades opostas enquanto tenta usar seu grande orgulho para reconquistar o que é seu por direito. Indo de lá pra cá, faz alguns amigos, muitos inimigos, e se apaixona algumas vezes. Ganha muitas batalhas, perde algumas outras, e perde muita gente importante em sua vida (dica amiga: não se apegue). Por ser uma ficção história, Cornwell fecha cada volume com uma nota histórica contando exatamente quais personagens realmente existiram e qual foi o seu papel na complicada história da formação e independência da atual Inglaterra, durante o século IX - cenário onde ocorrem as desventuras de Uhtred. Só sei que, de vez em quando, fico procurando fotos de como os lugares mencionados estão atualmente, e acho o máximo ver as ruínas e conseguir visualizar com muito mais realismo todas aquelas batalhas importantes. E, quando vejo estátuas de Alfredo e pinturas de Guthrum e iluminuras de Santo Edmundo (pobre Edmundo...), essas pessoas todas me parecem muito menos distantes e bem mais reais. Ficção histórica é uma delícia - a gente aprende e se apega! E, como eu disse lá no primeiro livro, se seu humor é sarcástico, prepare-se para rir bastante.




















Captain's Peril
William Shatner, Judith & Garfield Reeves-Stevens - Pocket Books - 2004 (2002) - 335p.
Captain's Blood
William Shatner, Judith & Garfield Reeves-Stevens - Pocket Books - 2005 (2003) - 333p.
Captain's Glory
William Shatner, Judith & Garfield Reeves-Stevens - Pocket Books - 2007 (2006) - 374p.

Que esse homem seja eternamente abençoado por ter dado continuidade à mitologia! Desde o fim de sua participação como o famoso capitão James T. Kirk no universo Star Trek/Jornada nas Estrelas, Shatner se dedicou a escrever - dentre os livros, vários sobre Star Trek e o personagem que lhe deu fama. Estes três livros em questão formam a trilogia Totality, que eu descobri por acaso e da maneira errada: comprei o segundo deles (Captain's Blood) em uma promoção no saudoso Book Depository sem saber que se tratava de parte de uma trilogia. E, de fato, só fui descobrir quando já estava na metade da leitura e percebi que havia muita informação estranha ali pra mim. Não há indicação nenhuma na capa, contracapa ou folha de rosto sobre isso (o que deveria ser obrigatório!), então acabei lendo tudo na ordem errada. Pra piorar, o primeiro volume está esgotado em basicamente toda fonte de livros que conheço, então tive que apelar pro PDF. Sobre o enredo: no primeiro livro, Kirk e o capitão Jean-Luc Picard estão na Bajor pós-Guerra do Dominion investigando a morte de um estudioso bajoriano. A história é intercalada por uma narrativa ou recordações de Kirk sobre uma complicada missão nos seus primeiros meses a bordo da Enterprise (aventura que supostamente precede a série clássica), onde ele entra em contato pela primeira vez com a ameaça alienígena chamada "The Totality".  Tal história não só serve de prelúdio aos próximos livros, como nos presenteia com os primeiros momentos do Capitão em sua famosa missão de 5 anos a bordo a nave, especialmente o complicado início da amizade com Spock. Também presenciamos uma interessante discussão entre Kirk e Picard sobre a tão desobedecida Primeira Diretriz (aquela da não-interferência...). O segundo livro, entretanto, menciona fatos de uma trilogia anterior de Shatner (que também só fui descobrir depois que o estrago já estava feito), a morte de um personagem muito importante - o que levou a uma movimentação da Federação para a sua investigação, e uma situação bastante complicada com relação aos Romulanos e  Remanos e a escolha do próximo Shinzon... A dica pra quem quer ler a trilogia é que seja familiarizado também com a Nova Geração, e especialmente com Deep Space Nine (não precisa ter assistido a Voyager, mas conhecer alguns personagens ajuda), e também ter assistido aos filmes até Nêmesis - porque Shatner misturou TODO MUNDO nessa história, e é legal justamente por isso! Não acredito que seja fundamental já ter passado por todas essas fases antes de ler, dá pra entender bem, mas é que tem spoiler a dar com o rodo aqui, então cuidado. (Infelizmente, não há versão em português.)





Dicionário do Mundo Misterioso
Gilberto Schoereder - Record: Nova Era - 2002 - 376p.

Nos mesmos moldes da Enciclopédia do Sobrenatural, que recomendei em um relatório anterior. O autor compilou mais de 600 personagens, locais e acontecimentos de diversas partes do mundo e de diversas lendas, religiões e mitologias, analisados sob a perspectiva do esoterismo, do ocultismo, da paranormalidade e da ufologia. Apesar de ter a mesma premissa da enciclopédia que citei anteriormente, existem vários itens aqui que não estão lá, então conheci muitas coisas novas e curiosas. E, porque o autor é brasileiro, aqui tem muita coisa sobre o nosso país: fala muito sobre as nossas cidades perdidas, algumas lendas indígenas e nossos médiuns mais famosos.  Para os estudiosos do insólito, uma grande fonte de pesquisa. Para os curiosos de plantão, uma boa fonte de curiosidades.




Os Irmãos Sister
Patrick deWitt - Planeta - 2013 (2011) - 208p.

Estava eu na livraria da cidade, olhando tudo despreocupadamente, e este livro me chamou a atenção, porque estava na estante de best-sellers e eu NUNCA tinha ouvido falar sobre ele. Aí um vendedor apareceu (do nada, como é o costume dos vendedores) e disse que o estava lendo e gostando muito (como também deve ser costume dos vendedores). De qualquer forma, resolvi levar porque era uma "história cômica de velho oeste", e eu acho que nunca li uma história cômica de velho oeste. Ambientado nos Estados Unidos do ano 1851, em plena corrida do ouro, os irmãos Eli e Charlie Sister são contratados pelo Comodoro para dar sumiço num homem chamado Warm. O sobrenome dos irmãos é bastante conhecido e temido na região de Oregon City, e ambos fazem jus à fama. Charlie, o mais velho, é cruel e irresponsável; Eli, que é quem narra a história, é um cara que tenta ser legal, mas precisa acompanhar o irmão e, por isso, é temido igualmente. Devido a muitos imprevistos no meio do caminho (dentre eles, a apresentação de Eli a uma escova de dentes), os irmãos eventualmente chegam a São Francisco para encontrar o informante, Morris, que os levaria à sua vítima. Porém, Morris não estava lá para recebê-los, e logo os Sister descobriram que ele havia traído a todos: pois o que o Comodoro queria do homem chamado Warm era uma coisa fantástica. Bom, eu não escolheria a palavra "cômica" pra definir a leitura, porém. O livro é, sem dúvida, bastante divertido, mas também bastante violento e com momentos tristes. Mas há os momentos cômicos, e eu poderia achá-lo ainda mais engraçado se tantos animais não morressem desnecessariamente nessa história...

Book trailer:






Sandman: Os Caçadores de Sonhos
Neil Gaiman & Yoshitaka Amano - Panini Books - 2014 (1999) - 132p.

Depois que terminou de escrever os quadrinhos de Sandman, Gaiman teve mais tempo para se dedicar a outros projetos. Em meio a um deles, precisou ler muito sobre lendas japonesas, e encontrou uma história chamada "A Raposa, o Monge e o Mikado dos Sonhos", que lhe chamou a atenção por possuir elementos bastante semelhantes aos de Sandman. Algum tempo depois, Gaiman foi chamado para produzir um material comemorativo de 10 anos de Sandman, e resolveu transformar aquela fábula clássica da mitologia japonesa em uma história com o seu personagem mais famoso, alterando apenas umas coisinhas aqui e ali para que ficasse tudo muito bem associado. Convidou o artista japonês Yoshitaka Amano para ilustrá-la, que disse que preferia fazer as ilustrações para um livro ao invés de uma história em quadrinhos. Assim, foi lançado Os Caçadores de Sonhos. Essa fábula começa com uma aposta entre uma raposa e um texugo que tensionavam expulsar um monge de seu templo, mas logo se transforma em uma história de amor, tragédia, e um passeio pelo mundo dos sonhos.



Extraordinário
R.J. Palacio - Intrínseca - 2013 (2012) - 318p.

"Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil". Ganhei essa preciosidade como um presente de despedida de uma das minhas turmas. O li em dois dias (acho que foi um recorde), porque é uma leitura muito envolvente e fácil, e os capítulos são bem curtinhos. Extraordinário nos apresenta a August Pullman, um garoto divertido, inteligente, e com um gosto muito legal para filmes, músicas e livros - mas que, por um deslize infeliz da genética, nasceu com uma grave anomalia crânio-facial que tornou seu rosto bastante desproporcional. Através da narração sob o ponto de vista do próprio Auggie, e também de todas as pessoas mais envolvidas em sua complicada vida, acompanhamos a fase mais difícil da vida do menino: a inevitável entrada para uma escola de verdade. Até então, Auggie havia estudado em casa com a mãe - não tanto por causa de seu rosto, que não o traz necessidades especiais, mas porque ele passava frequentemente por cirurgias que o obrigariam a faltar muitas aulas. Agora, aos 10 anos, com cirurgias menos frequentes e coisas mais difíceis a aprender, chegou a hora de encarar uma escola. Óbvio que não era uma decisão simples a ser tomada: todos sabiam o quanto isso seria difícil para August. Apesar de ser um menino bastante divertido e aparentemente despreocupado com a própria aparência, ele tinha completa consciência de que todos ficavam desconfortáveis perto dele - e todos nós sabemos o quanto a escola pode ser o lugar mais cruel do mundo. Auggie não escapou das humilhações, das piadas, dos gritinhos de nojo, dos comentários maldosos. Ouviu coisas horríveis de pessoas que ele jamais esperaria, e passou por momentos realmente complicados. Mas Auggie também fez amigos, surpreendeu muita gente, e, eventualmente, foi surpreendido por muita gente. Entretanto, não vamos aprendendo apenas sobre August. Por ser contada do ponto de vista de vários personagens, conhecemos a história e as batalhas pessoais de todos os envolvidos: a irmã mais velha que o amava incondicionalmente e o defendia, mas que sempre que sentiu excluída pelos pais, que davam atenção especial ao irmão com dificuldades; o melhor amigo, que enfrentou coisas tão ruins quanto August, simplesmente por ser amigo dele - além de vir de uma família com dificuldades financeiras; entre outras pessoas mais ou menos envolvidas. Não sei exatamente qual foi a motivação da autora ao escrever este livro, mas é realmente um perfeito manifesto a favor da gentileza. Acho que deveria ser literatura recomendada nas escolas, por tratar o bullying em uma linguagem que toda criança entende. Espero que Extraordinário possa vir como uma força a favor do uso da gentileza por essa geração de filhos dos ativistas por aquela "Liberdade de Expressão" que tanto se confunde com rudeza...

Book trailer:





Sangue, Ossos e Pedacinhos
Nick Arnold - Melhoramentos - 1997 (1996) - 159p.

Releitura (nunca me canso de lê-lo!). Se a gente usasse esse livro ao invés do Sobotta nos cursos de biológicas, as aulas de Anatomia seriam muito mais fáceis! Sangue, Ossos e Pedacinhos é um dos volumes da coleção Ciência Horrível, onde várias áreas da Ciência são explicadas de maneira ao mesmo tempo abrangente e muito simples, com toques de humor negro e ilustrações divertidas. Aqui, começamos aprendendo a montar nosso próprio monstro de Frankenstein e, para tanto, precisamos aprender como cada parte funciona e deve ser encaixada. Cada sistema do corpo humano é explicado com a ajuda de testes e curiosidades sobre alguns cientistas malucos que realmente existiram e suas loucas experiências.


















O Lobisomem do Pântano da Febre
R.L. Stine - Fundamento - 2007 (1993) - 88p.
Um Dia no Parque do Terror
R.L. Stine - Fundamento - 2006 (1994) - 96p.
Praia Fantasma
R.L. Stine - Fundamento - 2007 (1994) - 85p.
A Maldição da Tumba da Múmia
R.L. Stine - Fundamento - 2008 (1992) - 111p.

Eu estava esperando o Captain's Glory chegar e recém terminado o que estava lendo antes, então não quis começar algo muito longo ou complexo nesse meio-tempo. Nessas situações, recorro à estante da sala, à prateleira dos livros que lemos na infância e adolescência e que ainda estão lá. A coleção Goosebumps marcou a juventude de muita gente no mundo todo, e nós já tínhamos alguns livros destes em casa - até que minha mãe (!) sentiu vontade de ler outros e acabou comprando mais alguns no sebo. As histórias são bem simples e algumas são bem previsíveis, mas não podemos nos esquecer de que Goosebumps é uma série de "terror" para crianças. O mais legal é que não tem aquilo de, no fim, ser tudo um mal-entendido e ficar bem. De todos os que já li, o que gosto mais é o do Parque do Terror, que é o que tem mais ação e é mais divertido, mas o da Praia Fantasma também tem um desenrolar interessante.




Manual dos Curiosos, Donaldo Buchweitz, Ciranda Cultural, 150p., 2000.

Outro que desenterrei da estante da sala. Não necessariamente o recomendo, se comparado ao similar Guia dos Curiosos (mencionado no relatório passado). As curiosidades são diferentes das do outro livro, o que é um ponto a favor, mas a edição barata conta com muitos erros de redação (acredito que por falta de uma boa revisão). Mas fica a dica pra quem gosta de fatos curiosos listados por categorias.



Dentre as HQs, destaco:

Morte: Edição Definitiva. Finalmente uma encadernação única da divertida personagem de Neil Gaiman, a talvez a mais querida de todos os Perpétuos. Essa edição luxuosa reúne as principais histórias em que a Morte aparece: O Som de Suas Asas, sua primeira aparição, e Fachada (ambas publicadas em Sandman); além das duas minisséries em que ela é a personagem principal (O Alto Preço da Vida e O Grande Momento da Vida, que traz alguns personagens que conhecemos do universo Sandman), e algumas histórias curtinhas publicadas para os mais diversos fins (desde uma homenagem ao 11/9 até um panfleto de educação sexual). Os extras incluem uma vasta galeria de ilustrações da personagem pelos mais diversos artistas, fotos e informações sobre colecionáveis, e o roteiro de O Som de Suas Asas. Ao contrário do que se pode esperar de uma personagem que caracteriza a Morte, ela mesma não é sombria e deprimente, mas retratada como uma jovem divertida e simpática, cuja companhia é um conforto. Nas palavras do próprio Gaiman, ela é "quem eu gostaria de encontrar quando o momento chegasse". E, por incrível que pareça, a moral das histórias é uma celebração à Vida, e não narrativas mórbidas sobre um desejo de morte.




Monstro do Pântano: Batalha Pelo Verde. Eu sei que já sugeri Monstro do Pântano e a regra aqui é não repetir, mas é que, cara, eu amo o Monstro do Pântano! Essa história, então, que coisa boa. Alec Holland luta contra o cruel Semeador por seu direito de ser o Avatar do Verde e, para tanto, enfrenta também o Parlamento das Árvores e conhece a sinistra Dama Daninha. Uma das participações especiais mais legais aqui é a do Homem-Animal. Eu sei que é dura essa vida de recém-introduzida ao universo DC, e estou sujeita a me maravilhar com tudo, mas é que essas histórias me dão muita saudade da Biologia...





321: Fast Comics. Outro projeto bacanérrimo do Catarse que pude ajudar a financiar. A premissa do autor, Felipe Cagno, foi reunir diversos artistas nacionais e internacionais de quadrinhos para que lançassem uma coletânea de 21 histórias curtas, sem tema em comum e sem relação uma com a outra, mas que seguissem a seguinte regra: 3 páginas + 2 personagens + 1 final surpreendente. Os personagens até podiam ser conhecidos, e a temática variou de ficção científica a ninjas e dinossauros e monstros e western. Algumas histórias são engraçadas, outras são assustadoras, outras são tristes. Resultou num trabalho superlegal, com acabamento caprichado, e extras com making of e até receitas de coquetéis. Minhas histórias favoritas são Uma Aposta Entre Nós, SkyFree (lembram do SkiFree, aquele jogo do Windows em que você tinha que esquiar e passar por obstáculos até, inevitavelmente, ser comido pelo monstro? Aqui, o esquiador muda o jogo!) e a sensacional Serendipity. Todos que financiaram receberam a revista como prêmio, mas dá pra todo mundo adquirir: é só mandar uma mensagem pela página do Facebook e pedir enquanto ainda tem! 






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