01/01/2015

Sugestões de Leitura de 2014: Novembro - Dezembro

Sexto e último relatório de leitura do ano! Ao todo, foram mais de 70 livros - o que não significa muito, já que existem livros grandes e pequenos, grossos e finos, com muitas ilustrações ou texto apertadinho... O importante foi ter tido oportunidade de ler todas essas delícias e ganhar tanto com isso.

Seguem as últimas leituras do ano. Apreciaria se vocês dividissem comigo o que andaram lendo, também! Do que gostaram? Com o que se decepcionaram? Leram alguma coisa que eu indiquei ou colocaram algum deles na lista de próximas leituras? Querem me indicar algo? Mandem ver!

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Terra em Chamas
Bernard Cornwell - Record - 2013 (2009) - 376p.
Morte dos Reis
Bernard Cornwell - Record - 2013 (2011) - 375p.
O Guerreiro Pagão
Bernard Cornwell - Record - 2014 (2013) - 335p.

Volumes 5, 6 e 7 das Crônicas Saxônicas. Os anos vão passando e Wessex continua sob ameaça inimiga. Parece que o sonho de Alfredo, de tornar todos os países falantes da língua inglesa uma única Inglaterra, está cada vez mais difícil de alcançar. Quando não são os dinamarqueses chovendo aos milhares com todo o saque, o estupro e a matança, são os noruegueses, ou os galeses, ou os escoceses ou os próprios saxões traidores enchendo o saco. Por mais que o odeie, Alfredo precisa de Uhtred, e este, por mais que odeie tudo isso ainda mais, não consegue deixar a família do rei na mão e deixa pra lá mais um pouquinho as suas próprias aspirações para defender as terras saxãs. A essas alturas já temos mais participação de Æthelflæd e Eduardo, filhos de Alfredo, que também foram importantíssimos na História da Inglaterra. Como já mencionei, as notas históricas ao fim de cada volume acrescentam muito a certos pontos da narrativa, o que torna a obra ainda mais maravilhosa aos meus olhos: que pesquisa e que cuidado Cornwell teve com os personagens e acontecimentos! Acredito que ele esteja fazendo justiça merecidíssima ao seu antepassado saxão. Eu sinceramente não sei como Uhtred conseguiu ficar vivo tantos anos pra narrar essa novela, tendo lutado como lutou e vivido como viveu. Cada livro dessa série traz um novo, terrível e teoricamente invencível adversário e nenhum deles dura metade do que esse homem tá durando!


Belas Maldições: As Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa
Neil Gaiman & Terry Pratchett - Bertrand Brasil - 2014 (1990) - 376p.

Já estava tudo acertado para o Armagedom: a data, o cumprimento das profecias, o local... Só faltava a vinda do Anticristo. Intermediários ficaram encarregados de fazer a troca dos bebês em um hospital de um vilarejozinho do interior inglês, e estava tudo saindo conforme o planejado, não fosse pelo mero detalhe de que o Anticristo foi acidentalmente trocado pelo bebê errado. O menino acabou sendo criado por uma família amorosa e cresceu pra se tornar um bom garoto: tinha amigos, muita imaginação e um grande amor pela natureza. Seu aniversário de 11 anos seria quando sua verdadeira natureza se manifestaria, um Cão do Inferno se juntaria a ele, e os Quatro Cavaleiros chegariam, dando início ao Armagedom. E isso tudo aconteceu, mas não do jeito que estava planejado. Belas Maldições é repleto de personagens divertidos e doidos, especialmente a fantástica dupla formada pelo demônio Crowley e o anjo Aziraphale. O livro também é cheio de não tão discretas críticas aos costumes dos Estados Unidos, e é uma leitura maluca e bastante divertida, quando se acostuma ao estilo. Porém, verdade seja dita que eu teria gostado infinitamente mais desse livro não fosse meu cérebro que começou a ficar irritantemente crítico a respeito das traduções alheias. Fiquei me distraindo com detalhes de fluência textual e a revisão, que poderia ter sido mais caprichada, e não aproveitando tanto a história quanto gostaria. Mas não posso criticar demais, afinal, traduzir Gaiman não deve ser nada fácil; e minha própria revisão, também, é bem ruim. E, na verdade, foi bem legal o tradutor ter tido o cuidado de usar o português arcaico nas partes em que os autores usaram o inglês arcaico.


A Mulher de Preto
Susan Hill - Record - 2012 (1983) - 207p.

Gostei do filme, então, quando soube que vinha de um livro, procurei lê-lo também. Até onde eu sei, pouca gente gostou do filme, e também cheguei a ver resenhas de pessoas dizendo que o livro tampouco assustava como prometia. Bem, a primeira frase da sinopse alerta: "Não é uma história de terror", portanto, não criem expectativas de perder o sono com ela. O jovem advogado Arthur, enviado à Casa do Brejo da Enguia para analisar a papelada de uma senhora cliente recém falecida, não é aterrorizado pelos fantasmas de lá (como colocado no filme), mas atormentado por sua presença e pelo mistério que significam. Quem são? Por que estão lá? Como fazê-los ir embora? O livro é narrado por ele, já velho, relembrando esse episódio da juventude e contando-o pela primeira vez. Há diferenças entre essa história original e o filme, como esperado. A leitura é muito fluida e ficamos presos a essa narrativa tão tensa, então recomendo o livro com um pouco mais de boa vontade e menos nariz torcido (e uma dica para curtir melhor o filme: refreiem-se de compará-lo a Harry Potter só por causa do ator principal).





O Fantasma das Grandes Banquisas
Arthur C. Clarke - Siciliano - 1992 (1990) - 244p.

Ah, as coisas que pego "no escuro" e que se mostram tão legais...! Escolhi este livro há meses, quando fazia uma compra pela Estante Virtual e precisava escolher mais um item do vendedor para compensar o frete. Acabei escolhendo esse por dois motivos: ser de Arthur C. Clarke, autor de ficção científica mais conhecido por 2001: Uma Odisseia no Espaço e suas sequências, e por ter a ver com o Titanic. Eram motivos suficientes, já que tenho grande curiosidade por tudo relacionado ao malfadado transatlântico - embora não tivesse encontrado sequer uma sinopse do livro, além da ideia geral do enredo. Bom, a trama é a seguinte: é 2010 ("futurista", já que o livro foi lançado em 1990) e, com o centenário do Titanic se aproximando, algumas pessoas ricas e entediadas tiveram a grande ideia de tentar içá-lo do fundo do mar. Um deles é um inventor muito bem-sucedido associado a uma indústria de vidro que tem interesse pessoal em algo valioso que naufragou com o navio. O outro quer produzir uma atração interativa (e ganhar muito dinheiro e fama com ele) de excursão pelo próprio Titanic. Ambos precisam da ajuda da mesma pessoa e, para ambos os projetos, há muita tecnologia fantástica e caríssima envolvida, mas há a dificuldade de realizar as duas operações no mesmo dia, o que seria parte da grande publicidade. E há, também, revolta de ativistas ambientais e de muita gente que acredita que os restos do navio devem ser deixados em paz, e que consideram a coisa toda violação e saque de túmulo. Não só os personagens são interessantes, como as previsões do autor sobre o século XXI, que não estava assim tão distante, mas que confundiu muita gente com toda aquela história do Bug do Milênio. A leitura me ganhou já desde as primeiras páginas: é gostosa de acompanhar, vem cheia de referências a figuras da cultura pop e curiosidades sobre o Titanic e vários outros elementos da História, é divertida em alguns pontos, e tem aquelas explicações científicas que tanto influenciam as tramas do gênero colocadas de um jeito bem legal de entender. Lá depois do fim tem até uma aula de matemática sobre o conjunto M, que foi citado na história. Mas preparem-se para mais tragédias.


Por Que Não Pediram a Evans?
Agatha Christie - Record - 1987 (1933, 1935) - 237p.

Bobby está jogando golfe com os amigos. Eles comentam o quanto o terreno é perigoso, com toda aquela névoa encobrindo o penhasco mais além, enquanto vão buscar a bola. E aí descobrem que algum desavisado realmente caiu no penhasco, então desceram até lá para checar o pobre homem, que ainda estava vivo, mas por pouco. Enquanto um deles foi buscar ajuda, o homem recobrou levemente a consciência, olhou para Bobby, e, antes de partir dessa pra melhor, disse: "Por que não pediram a Evans?". Ao buscar uma identidade para o desconhecido, Bobby encontrou a fotografia de uma bela dama em seu bolso. Bom, que raios de pistas eram aquelas? Intrigado, contou o que sabia à sua amiga, a jovem, riquíssima e entediada Lady Frances, carinhosamente chamada Frankie, e ambos preparam planos mirabolantes para desvendar todo o mistério. A história tem um desenrolar divertido com esses dois detetives amadores e cheio de suspense. Ao contrário de algumas outras histórias de Agatha, essa é bem fácil de acompanhar, não tem tantos personagens assim, então o recomendo a quem ainda não se arriscou a ler as obras da autora. Apesar do vilão canastrão (daqueles que escrevem cartas contando todos os detalhes do plano), ainda carrega a marca característica dos entrelaçamentos imprevisíveis. Leitura deliciosa!



Mistérios da História
Paul Aron - Manole - 2001 (2000) - 247p.

Sensacional! Através de extensa pesquisa documental e bibliográfica, o autor prova aqui que os maiores mistérios da História podem, sim, ser explicados - e nos faz refletir sobre os motivos de tais mistérios permanecerem "misteriosos" até hoje. São abordados 25 deles, em capítulos sucintos e muito claros, concluídos pelas referências bibliográficas comentadas condizentes à pesquisa feita para cada um deles. Entre as questões respondidas, minhas favoritas foram: Quem foi o Rei Artur?, Quem construiu as estátuas da Ilha de Páscoa?, Colombo tinha intenção de descobrir a América? e Seria possível salvar o Titanic?; entre várias outras abordagens históricas, lendárias e políticas muito interessantes. Mesmo que alguns dos mistérios não tenham realmente uma solução oficial, aqui derruba-se muita especulação e esclarece-se muita confusão. Recomendadíssimo. (Aliás, descobri que o temos repetido, aqui em casa. Se algum de vocês o quiser, me diga e ele é seu!)


Dentre as HQs:

(ok, não vou mais sugerir O Monstro do Pântano, mas saiu reedição da Saga do Monstro do Pântano, de Alan Moore, então sugiro, assim... indiretamente)

Sandman Apresenta: Contos Fabulosos, de Bill Willingham e outros. Divertidíssimo! O autor recebeu a missão de mostrar aos leitores os bastidores do Sonhar, cenário criado por Neil Gaiman em Sandman. Aqui temos três aventuras com personagens conhecidos dos leitores, e mais alguns novos. A primeira história é Merv Cabeça de Abóbora, Agente do S.O.N.H.A.R., uma aventura estilo 007 em que o nosso querido faxineiro precisa resgatar um sonho que fugiu. A outra é As Novas Aventuras de Danny Nod, O Heroico Bibliotecário-assistente, que é um personagem novo e que sai pelo Sonhar recolhendo os livros que os outros sonhos pegaram emprestado. A biblioteca do Sonhar, aliás, é literalmente um sonho - pois suas estantes abrigam todos os livros que nunca saíram da cabeça dos autores para a realidade. A história também é cheia de deliciosas referências literárias. E a última é Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sonhos... Mas Tinha Medo de Perguntar, que responde a dúvidas que temos a respeito do mundo do Sonhar (por que temos sonhos recorrentes? por que nem sempre lembramos dos nossos sonhos? ...). A revista é engraçada do começo ao fim. Nunca imaginei que um dia riria tanto com qualquer coisa relacionada a Sandman.

Violent Cases, de Neil Gaiman e Dave McKean. A primeira colaboração (de muitas geniais subsequentes) entre o escritor e o ilustrador foi lançada originalmente em 1987. Ganhei o exemplar da reedição de 2014 em um sorteio da página Sandman Brasil (milagre!). Essa é uma história sobre outras histórias. O narrador é um cara (desenhado com as feições do próprio Gaiman) contando sobre como ele foi tratado na infância por um osteopata duvidoso de origem misteriosa, após um incidente com o pai. Ao descobrir que o médico já havia tratado Al Capone, o garoto se encanta por gângsteres, mesmo sem entender muito bem o que eram. A narrativa se confunde entre realidade e a imaginação do narrador, já que muito do que lhe aconteceu quando criança não foi realmente compreendido por ele, na época; e o tom é sombrio como característico dos autores. E termina com notas do tradutor, que eu amo ler e me ensinam muito!

Marvels, de Kurt Busiek e Alex Ross. Essa coleção da Salvat tá valendo cada centavo cobrado. Que edição maravilhosa de uma história incrível! Publicada originalmente em 1994, Marvels reconta alguns dos maiores clássicos da Marvel sob o ponto de vista de um cara comum (um fotógrafo freelancer) que acompanhou o surgimento e o desenvolvimento dos super-heróis de Nova York, a partir dos anos 1940: desde o Tocha Humana original até Namor e o Capitão América, chegando aos anos 1960 que trouxeram o Quarteto Fantástico, a primeira equipe dos Vingadores, os X-Men, o Homem-Aranha, e vários outros. Todos os acontecimentos que ele presenciou são histórias clássicas das HQs mas, aqui, são relatadas do ponto de vista do povo: como aquelas coisas afetaram o dia a dia das pessoas, como elas reagiram à chegada de cada um daqueles vilões (especialmente Galactus!), e como receberam cada um dos heróis. Foi uma série superaclamada e premiada por ser completamente crível e apresentar os fatos de maneira bastante realista. Exatamente como qualquer um reagiria a qualquer uma daquelas coisas fantásticas, e chega a ser revoltante porque mostra como o povo pode ser (e é) ingrato com aqueles que se arriscam para salvá-lo sem pedir nada em troca. Os tomos são alternados com comentários dos artistas envolvidos. E a famosa arte de Alex Ross... sem comentários.



Guerra Secreta, de Brian Michael Bendis e Gabrielle Dell'Otto. Eu não ia listar esse aqui, mas acabei mudando de ideia só porque esse foi meu primeiro gibi com uma história exclusiva da S.H.I.E.L.D. (não confundir com o Guerras Secretas, bem mais antigo e completamente diferente) e por ter a arte do Dell'Otto, que adoro! Nick Fury toma uma iniciativa desesperada para combater uma grande ameaça vinda da Latvéria, contra a qual o governo americano não quer lutar. Para tal, reúne um time de heróis para uma guerra secreta: Homem-Aranha, Wolverine, Demolidor, Capitão América, Luke Cage, Viúva Negra e a misteriosa novata Daisy Johnson. Um ano depois, as consequências aterradoras surgem e o time de heróis sofre com os resultados da vingança...

Blue, de Rafael Koff, outro dos projetos do Catarse que apoiei. Este livrinho é uma coletânea de tirinhas humorísticas do autor cujo tema central é a depressão - tanto quanto se dá pra ser divertido nessa situação. São pensamentos e reações relacionados ao trabalho, aos relacionamentos amorosos, às amizades e à vida social, e aos relacionamentos virtuais. O livrinho é legal até para pessoas que não sofrem desse mal, porque entendem como é estar na pele de alguém cuja visão de tudo é turvada pela doença. Algumas das tirinhas até nem têm a ver com depressão, mas só com um certo humor negro. As recompensas, também, foram bem legais: um marcador de páginas, uma tag de porta ("Pode entrar. Eu já estou perturbado mesmo.") e um ímã de geladeira.



X-Men: Messiah Complex. Após os eventos da Dinastia M, quando uma Feiticeira Escarlate piradíssima se encheu da realidade e extinguiu os poderes de 90% dos milhões de mutantes do mundo, os 200 e tantos sobreviventes estavam desesperançosos e seriamente divididos. Porém, o que era pra ser uma notícia de esperança - o nascimento do primeiro bebê mutante após o extermínio - se tornou o início de uma guerra: enquanto uns procuravam protegê-la, outros tinham interesse em eliminá-la (inclusive antigos aliados), pois esse bebê teria mais poder do que eles jamais haviam visto. Há reviravoltas, revelações, muitas baixas e muita tristeza. Messiah Complex é considerado uns dos melhores arcos dos X-Men, e fico feliz que eu tenha conseguido me dá-lo de presente de Natal!

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Já estou preparando a meta para 2015 e ansiosíssima pra começar! Continuo mandando as indicações bimestralmente, ou alguém tem uma ideia melhor?

2 comentários:

  1. Adoro listas (a minha sai amanhã), como recomendação, vou levar a heptologia do Cornwell, já coloquei na minha lista de espera.
    A propósito de listas de espera, no ano passado você disse que Zafón estava na sua, mas não o vi nas suas resenhas. Recomendo!
    Keep reading!

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    1. Vou copiar a minha resposta ao seu comentário aqui:

      Minha impressão de Sob a Redoma foi mais ou menos igual à sua. O primeiro livro que eu li do Stephen King foi Novembro de 63 (tá na minha lista, portando foi relativamente recente) e gostei muito, por isso esperava mais de Sob a Redoma - a explicação que ele dá para o fenômeno é muito fácil e os personagens caricatos demais - mas achei divertido.
      Quanto a Ken Follet, já li várias coisas dele. É para quem gosta de romance histórico, com personagens reais misturados na ficção. Pilares da Terra é sensacional, bem como a sua continuação (se bem que nem tanto). Essa última trilogia dele (Queda de Gigantes, Inverno no Mundo e A eternidade por um fio) transcorre ao longo do século XX e é muito boa.
      Aliás, as trilogias estão na moda agora e acho que Ken Follet deve ser um dos pais da ideia.
      Beijão!

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Bom senso, respeito e educação são esperados e sempre bem-vindos nos comentários. Obrigada pela visita!