28/03/2015

Minhas 10 citações favoritas

(tema retirado de uma lista de propostas)

Sejam de livros, de músicas, filmes ou entrevistas, algumas citações nos impactam de tal modo que sentimos a necessidade de tê-las acessíveis em todos os lugares, além do mural do Facebook. Eu costumava colocá-las em camisetas.

Vai ser difícil escolher apenas dez porque memorizo muitas, muitas citações, para serem usadas nas mais diversas situações. Acho provável que eu faça outra postagem como esta, futuramente, para aproveitar o que não usei aqui agora.

Seguem as preferidas, sem ordem de preferência:

1. "I was your joke. You were my lesson." - Henry Rollins
("Eu fui sua piada. Você foi minha lição.")

Rollins é uma fonte inesgotável de citações memoráveis, mas as coisas que ele compilou em Solipsist são as que mais me chamam a atenção. Já comentei sobre o livro anteriormente e já reproduzi várias coisas que tirei de lá, aqui no blog ou no Facebook. Esta aqui, entre tantas outras favoritas tiradas do livro, explicita bem minha postura diante de pessoas ou situações que tiraram o melhor de mim. Nem sempre aprendo rápido, mas, assim que aprendo, é pra sempre.

2. "I ain't quiet - everybody else's too loud!" - The Quiet One, The Who
("Eu não sou quieto - todo mundo fala alto demais!")

Uma das poucas canções escritas pelo baixista da banda, John Entwistle, que era conhecido como o quieto da banda. Como todos os introvertidos podem muito bem confirmar, falamos pouco porque só falamos o suficiente. Se nos passamos por quietos, é porque as pessoas estão fazendo mais barulho do que precisam...



3. "Pietrisycamollaviadelrechiotemexity." - Sunny Baudelaire, em O Hospital Hostil

Sempre me perguntam "que palavra em alemão é essa?", e eu sempre tenho que explicar que essa palavra é inventada, e provavelmente um anagrama (que ninguém ainda decifrou). Sunny Baudelaire, a caçula dos irmãos protagonistas das Desventuras em Série, ainda é bebê e inventa palavras pra tudo o que quer dizer. Esta em particular quer dizer "Devo admitir que eu não tenho a mais pálida ideia do que está acontecendo", e dizem que foi a primeira palavra que ela disse, assim que nasceu. De qualquer forma, essa palavra resume basicamente a minha vida toda.

4. "A solidão desola-me; a companhia oprime-me." - Fernando Pessoa, em Livro do Desassossego

O Livro do Desassossego é um que eu gostaria de citar inteiro (cheguei perto disso algumas vezes), e o próprio Fernando Pessoa não fica atrás. Poucas citações conseguem resumir tão bem o que eu sinto em relação à minha vida. Por mais deprimente que seja...

5. "Was I wishing on satellites?" - Burn After Writing, The Menzingers
("Eu estava fazendo pedidos a satélites?")

Sim, isso explica basicamente todo sonho que deu errado.



6. "Sapere aude" - Horácio, posteriormente Immanuel Kant
("Ouse saber")

Importante o suficiente para ter sido tatuada. Kant aproveitou desta citação para divulgar seus pensamentos filosóficos na época do Iluminismo, instigando a apática humanidade acomodada a pesquisar, perguntar, se informar, buscar orientação ou descobrir as coisas por si mesmas, mas fazer algo pra combater uma ignorância tão facilmente instalada nas eras anteriores.

7. "Sabe, uma vez meu irmão me disse que nada dito antes da palavra 'mas' realmente conta." - Benjen Stark, em A Guerra dos Tronos

"Eu não sou preconceituoso, mas...", "Não está ruim, mas...", "Isso não é uma crítica, mas...". Percebem?

8. "You beg and plead, but no one here can save you. Why would they try, when they can't quite save themselves?" - The Receiving End of it All, Streetlight Manifesto
("Você implora e suplica, mas ninguém aqui pode te salvar. Por que tentariam, quando eles mal conseguem salvar a si próprios?")

Minha música favorita de uma das minhas bandas favoritas, que tem letras tão geniais que acabei tatuando o símbolo do banda de uma vez, para resumir todas as minhas citações favoritas. Esta é um lembrete constante de que não devo esperar dos outros o que não consigo de mim mesma.



9. "You can hope it gets better and you can follow your dreams; but hope is for presidents and dreams are for people who are sleeping." - People II 2: Still Peoplin'?, Andrew Jackson Jihad
("Você pode esperar que melhore e você pode seguir os seus sonhos; mas esperança é para presidentes e sonhos são para pessoas que estão dormindo.")

Este álbum todo tem letras muito boas, e essa é uma das minhas favoritas. Não é otimista, como geralmente são as minhas coisas favoritas.



10. "Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil." - Dr. Wayne W. Dyer

Vi esta citação pela primeira vez no livro Extraordinário, e desde então venho eu mesma tentando aplicar essa pequena sabedoria. Ainda mais com o acesso cada vez mais fácil à internet, é bem comum flagrar competições pela propriedade da Verdade, quando o que realmente falta é um pouco mais de tolerância pelas ideias divergentes. Acho que só com a compreensão de que não existe a Verdade Absoluta sobre Todas as Coisas do Universo é que a humanidade vai conseguir usar mais de gentileza...

16/03/2015

Quando ninguém está olhando, eu...

(tema retirado de uma lista de propostas)

A intenção aqui é escancarar um segredo, então... Vamos lá queimar a cara.


Quando ninguém está olhando, eu...

... me empolgo com música.



Não parece grande coisa, mas é o tipo de coisa que eu só faço quando tô absolutamente sozinha.

Definindo "me empolgar":

- Eu canto. Eu sou muito, muito desafinada, e o tipo de música que eu mais gosto de cantar é justamente aquele cantado por pessoas talentosas. Pior que isso, às vezes imagino estar participando de um programa de talentos, e isso é algo que faço desde que me conheço por gente. Dependendo do meu estado de espírito, se eu estiver ouvindo algo cantado por várias pessoas, faço as partes de apenas uma delas - gosto mais de fazer os backing vocals ou de um vocalista que não seja o principal. Entretanto, nunca participei de um karaokê e nem ao menos canto quando sei que alguém pode ouvir (casos em que apenas dublo apaixonadamente), porque, além de ser horrivelmente introvertida, tenho noção da minha completa falta de talento.

Uma das que me empolgam mais é a Disease, do Matchbox Twenty:



- Eu danço. Já dancei bastante, quando mais nova, e sempre gostei. Mas não faço isso em público há muito tempo, já que eu tenho me retraído cada vez mais. Não consigo me sentir à vontade entre outras pessoas, então dançar está completamente fora de cogitação. Porém, quando estou sozinha, relembro coreografias antigas das minhas boybands favoritas, e gosto de inventar coreografias também. Passei bastante tempo ensaiando o skank (a dança do ska) e ainda não faço muito bem, mas às vezes tento um pouco mais.

- Eu "toco bateria". Eu não sei tocar instrumento nenhum (salvo metade de uma música na flauta-doce), mas gosto de imaginar que sim. Embora tenha grande simpatia pelos instrumentos de sopro, o que mais gosto de "reproduzir" é a bateria. Acho relativamente fácil acompanhar ritmos (a não ser que seja Metal Progressivo, aí é demais pra minha cabeça), então a batucada é garantida na minha mesa - ou nas minhas pernas.


E vocês, o que fazem quando ninguém está olhando? (não sejam esquisitos)

12/03/2015

Na Noite Terrível

© Almada Negreiros



Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites,
Relembro, velando em modorra incômoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia
Espalha-se por mim como todo um frio do corpo ou um medo.



O irreparável do meu passado - esse é que é o cadáver!
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,
Na ilusão do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.



Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido -
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso - e foi afinal o melhor de mim - é que nem os Deuses fazem viver... 



Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro -
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.


Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,
Claras inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida...



Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.
O que falhei deveras não tem esperança nenhuma
Em sistema metafísico nenhum.
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?



Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.
Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos,
Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca
Como uma verdade de que não partilho,
E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p'ra mim.



Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
1928

09/03/2015

Conhece o teste de personalidade Myers-Briggs?

O MBTI (Myers-Briggs Type Indicator) é um teste psicométrico altamente difundido pelo mundo, embora não seja completamente validado pela psicologia.

Baseadas nas teorias tipológicas propostas originalmente por Carl Jung, Katherine Briggs e sua filha Isabel Myers desenvolveram este indicador na época da Segunda Guerra com a intenção de que, com tal teste, as mulheres descobrissem que trabalhos poderiam desempenhar com mais eficiência e conforto de acordo com os aspectos das suas personalidades. 

O teste considera 16 tipos de personalidades, representados por siglas que são combinações de quatro dicotomias. São elas:


EXTROVERSÃO x INTROVERSÃO
SENSORIAL x INTUIÇÃO
RAZÃO (Thinking) x SENTIMENTO (Feeling)
JULGAMENTO x PERCEPÇÃO


Os 16 tipos são, portanto (clique para ampliar):



Ao realizar o teste, que consiste de várias perguntas a respeito de suas preferências pessoais, o indivíduo é apresentado a um relatório com a sigla das quatro dicotomias que representam seu tipo de personalidade. Um teste completo o mostrará as porcentagens de intensidade de cada aspecto. Por essa razão, muitas pessoas não se sentem completamente descritas pelos resultados - afinal, somos todos diferentes e reagimos às coisas de maneiras diferentes, com maior ou menor intensidade.

Há muito o que se comentar a respeito do teste, mas o mais importante é lembrar que:

- O teste Myers-Briggs deve ser encarado apenas como um guia de autoconhecimento, não como palavra final. Ele sequer é aceito como método de seleção em instituições de ensino ou cargos empregatícios.

- Não há resultado melhor ou pior. Alguns tipos de personalidades são mais frequentes do que outros, mas ninguém é mais especial por ser de um tipo determinado.

- Profissionais não encorajam o uso do MBTI por ser pouco confiável. É perfeitamente possível que se realize o teste depois de algum tempo e o resultado saia completamente diferente. O estado de espírito do avaliado é de grande influência no resultado.

- A única pessoa que pode dizer com absoluta certeza como é a sua personalidade e os motivos pelos quais você age como age é você mesmo.


O teste é aplicado por muitos profissionais licenciados e é pago, mas existem versões resumidas que podem ser realizadas gratuitamente pela Internet. Testei vários deles e, apesar das questões variarem de um para o outro, o resultado deu sempre o mesmo. O mais abrangente e de relatório mais detalhado que encontrei está em 16 Personalities. A versão em inglês (recomendada) é exponencialmente mais completa - com várias páginas de resultado, divididas em áreas de interesse detalhadas. Aqui está a versão em português, com resultados mais resumidos. No mesmo site, é possível ler a respeito de todos os 16 tipos.


Meu tipo é o INTJ.



O tipo INTJ é um dos mais raros entre a população mundial (1-2%) e o mais raro entre as mulheres (0,8%). É tido como um tipo solitário e lógico, e que busca constante conhecimento e aprendizado, mas que tende a ser cínico e perder rapidamente o interesse por coisas e pessoas que não colaboram para o seu desenvolvimento. Pensa mais do que fala ou age, e tende a superanalisar e questionar coisas simples, inclusive os sentimentos dos outros para com eles - por essa razão, não são bons em demonstrar os próprios sentimentos. Segue a explicação resumida para a sigla, com minhas porcentagens pessoais:

I - Introvertido: prefere atividades individuais, pensa antes de falar e agir, fica exausto com atividades sociais. (84%)

N - iNtuitivo: é imaginativo, absorto em ideias, foca no que pode acontecer em vez do que aconteceu ou está acontecendo, prefere descobrir as coisas sozinho, percebe alterações e novidades mesmo que discretas. (17%)

T - pensador (Thinking): firme, segue a razão, foca na objetividade e racionalidade, é honesto e admira a honestidade, leva as coisas para o lado pessoal. (20%)

J - Julgador: decidido, prefere regras claras, é organizado e não gosta de deixar nada sem resolução, leva responsabilidades a sério. (77%)

O T ao fim da sigla indica a identidade Turbulenta: perfeccionista, inibido, impulsionado para o sucesso, se preocupa com a própria imagem. (81%)

INTJs famosos: Vladimir Putin, Lance Armstrong, Richard Gere, Arnold Schwarzenegger, Thomas Jefferson, John F. Kennedy, Augusto César.

INTJs da ficção: Walter White ("Heisenberg") de Breaking Bad; Gandalf de O Senhor dos Anéis; Katniss Everdeen de Jogos Vorazes; Hannibal Lecter e Clarice Starling de O Silêncio dos Inocentes; Professor Moriarty, inimigo de Sherlock Holmes; Gregory House de House M.D.


  • Os melhores empregos para INTJs seriam aqueles em que eles tenham liberdade para trabalhar sozinhos ou em grupos pequenos, para que seu foco criativo não seja interrompido. É improvável que ele se sinta confortável em cargos administrativos, em que tenha que lidar com constante diálogo e trabalho em equipe. INTJs são muito dedicados às suas responsabilidades e sempre terminam o que começam, mas tendem a rejeitar ordens de superiores que os subestimem e perder respeito a colegas e superiores que considerem incompetentes para o cargo.


nataliedee.com


Guia de sobrevivência ao lidar com INTJs

Nós somos impacientes e muito, muito ligados aos nossos planos. Segue uma lista das coisas que não suportamos (ou suportamos apenas pela boa educação que recebemos). É uma lista bem geral e pode se aplicar a qualquer um, mas tem mais gravidade para nós:

  1. Surpresas/planos de última hora/mudanças de planos.
  2. Quando tomam decisões por nós.
  3. Conversa fiada/fofoca/flerte.
  4. Ataques à nossa inteligência, competência e integridade.
  5. Manipulação.
  6. Desonestidade e mentiras.
  7. Interrupções no nosso tempo sozinhos.
  8. Atrasos.
  9. Gente que não para de falar.
  10. Superficialidade (moda, tendência, must-do/must-go/must-have).
  11. Vendedores.
  12. Erros de gramática.





Coisas que amamos


  1. Aperfeiçoar nossas habilidades/ler/estudar/pesquisar.
  2. Honestidade/clareza.
  3. Quando gostam das coisas que gostamos.
  4. Reinterpretar/reorganizar convenções.
  5. Desafios intelectuais.
  6. Compromisso/responsabilidade.
  7. Nossa zona de conforto.
  8. Nossos amigos.
  9. Compartilhar ideias.
  10. Conversas sobre tópicos interessantes.
  11. Silêncio.



A mulher INTJ

A autora do blog Candid Diversions fez uma lista divertida e muito correta sobre como é ser uma mulher INTJ. Tomei a liberdade de traduzir alguns pontos que vocês tenham ideia da luta diária, haha:


  1. Você se sente cercada por aliens quando há mais de duas pessoas chorando.
  2. Você acha que foi abduzida por aliens quando você chora.
  3. Seu cérebro não descansa, nem quando você está cansada. Especialmente quando está cansada.
  4. Você não é convidada para as coisas porque as pessoas já imaginam que você não vai.
  5. Você nunca é espontânea. Você só é espontânea se planejar isso com antecedência.
  6. Surpresas são SEMPRE ruins.
  7. Você faz listas quando deveria estar dormindo.
  8. Você fica alternadamente surpresa, encantada e incomodada com pessoas extrovertidas.
  9. A maior parte dos seus poucos amigos são homens.
  10. Você sabe exatamente o que precisa ser feito, mas as pessoas nunca ouvem.
  11. Você tem mais livros do que sapatos, jóias, ou amigos no Facebook.
  12. Sarcasmo é a sua língua materna, e as pessoas que você conhece têm medo de ser vítimas dele.
  13. Você pensa em respostas que podem destruir a autoestima de quem a irrita, mas não as usa porque tem bom senso.
  14. Você se lembra de cada conversa que teve durante o dia quando está tentando dormir.
  15. Você sabe exatamente o que deveria ter dito em uma discussão que teve há meses ou anos atrás.
  16. Argumentos estúpidos de políticos, líderes e celebridades a ofendem a nível pessoal. "Eles pensam que a gente é idiota?"
  17. Você é leal a suas amizades, mesmo que os amigos não sejam leais da mesma forma em retorno. Você acha amizades ótimas, mas muito trabalhosas. Infelizmente, você acha que está sendo deixada de lado quando os amigos não respondem suas mensagens ou deixam de "curtir" algo relevante no Facebook porque, sério, leva 5 segundos. Se alguém não te dedica 5 segundos, você obviamente não está em sua lista de prioridades. Não é sentimento, é lógica.
  18. Quanto mais pessoas você é forçada a lidar durante o dia, maior o tempo sozinha que você vai precisar à noite.
  19. Você nunca consegue atingir suas próprias metas impossíveis.
  20. Se você for criticada a respeito de uma habilidade que ainda está desenvolvendo e que ainda não te dá confiança, nunca mais a tentará de novo. E nunca vai perdoar quem a criticou, mesmo que a crítica tenha sido "construtiva".
  21. Se você for criticada a respeito de algo que considere fazer bem, a única coisa que mudará é a sua visão a respeito de quem a criticou. Você não pediu sua validação e, portanto, ela é inútil.
  22. Você vai gastar horas - ou dias - tentando controlar coisas que estão fora do seu controle.
  23. Você vai evitar mudanças a todo custo, até que ela pareça ter uma vantagem óbvia. Mesmo mudanças necessárias são difíceis.
  24. Você honestamente não entende quando as pessoas te mandam "viver o momento".
  25. Você muitas vezes vai esconder seu lado criativo porque odeia chamar a atenção e estar suscetível a críticas mais do que ama o reconhecimento.

06/03/2015

A história real do cara que achava que era um zumbi

Aliás, ele tinha certeza.

Conhecido pela bibliografia médica apenas como Graham, o homem, que sofria de uma depressão gravíssima, decidiu que tiraria a própria vida. Em meados de 2004, Graham encheu uma banheira e entrou nela segurando algum equipamento elétrico.

Oito meses depois, Graham ligou para o seu médico para dizer que a tentativa de suicídio tinha dado certo e que ele estava morto.

[ freerangestock ]


O choque obviamente não matou Graham, mas o deu a certeza absoluta de que seu cérebro não funcionava mais. De fato, ele estava tão convencido de que estava realmente morto, que sua "vida" a partir daquele dia ficou até pior do que estava antes: o som da sua própria voz o irritava (já que mortos supostamente não falariam), cessou qualquer rotina de higiene (porque mortos não precisam dela), parou de fumar (pois afirmava que a nicotina não fazia mais nada por ele) e parou de tomar a medicação para depressão (porque a depressão é uma doença mental e seu cérebro "não funcionava mais"). Na verdade, o incomodava que ele continuasse "funcionando" normalmente, porque seu cérebro "não existia mais".

Não se sabe se pelo choque ou pela depressão severa (ou uma combinação de ambos), o que realmente aconteceu a Graham foi o desenvolvimento de uma rara síndrome conhecida por Delírio de Cotard ou Síndrome do Cadáver Ambulante. Cotard foi o neurologista francês que identificou o primeiro caso de alguém que estava convencido de estar morto, em 1880. Sua paciente foi identificada apenas como Mademoiselle X, e ela estava tão convencida de que parte do seu corpo não existia e que, portanto, não precisava mais comer, que acabou realmente morrendo de inanição.

O principal sintoma da síndrome, segundo Cotard, é a rejeição convicta da existência corpórea - acreditar que partes ou todo o seu corpo não existem realmente. Em casos extremos, como o de Graham, o indivíduo chega até mesmo a acreditar que está morto e que sua existência é puramente espectral. A ciência moderna rejeita a ideia de que o Distúrbio de Cotard seja uma síndrome à parte, mas que seja um sub-sintoma de outros distúrbios mentais. De qualquer forma, tratamentos ainda estão sendo desenvolvidos, e Graham foi o primeiro sucesso.

Os sintomas da síndrome, entretanto, não são psicologicamente controlados. Ao realizar um escaneamento em Graham, o neurologista se surpreendeu ao perceber que o cérebro dele estava incrivelmente similar ao de uma pessoa adormecida ou sob efeito de forte anestesia, embora o homem estivesse bastante ativo e se comunicasse normalmente durante os exames. De qualquer forma, hoje Graham está parcialmente curado da síndrome, e afirma não se sentir mais morto... Ou, ao menos, não completamente morto.

Em 2013, Graham concedeu uma entrevista à New Scientist em que contou como foi sua experiência como zumbi e seu tratamento. O link está logo ali, no fim da postagem. 

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Fontes: Now I Know | Entrevista para a New Scientist

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Outras postagens que você talvez queira ler:


01/03/2015

Sugestões de Leitura de 2015: Janeiro - Fevereiro

Uhu! Começamos novamente as postagens que mais gosto de fazer!

É até simples preparar os relatórios bimestrais de leitura: assim que termino de ler um livro já venho escrever a resenha aqui e salvo o rascunho, então me lembro melhor de tudo o que gostaria de dizer sobre ele.

Separo bimestralmente porque dá pra juntar uma quantidade boa de livros em uma postagem só - se for fazer uma postagem pra cada um, ou mensalmente, aí o blog vira depósito de resenha e mal terei espaço para as outras postagens -, e assim as dicas também não ficam tão atrasadas, como acabavam ficando nas postagens anuais. Acham que funciona assim, ou têm alguma maneira melhor em mente? Estou aberta a sugestões!

Vamos às primeiras leituras do ano:

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O Mistério de Edwin Drood
Charles Dickens - Lachâtre - 2001 (1873) - 536p.

Edwin ganha seu nome na capa, mas a história mesmo gira em torno do maestro John Jasper, tio dele - um homem aparentemente correto e um verdadeiro cavalheiro, mas que esconde alguma perturbação por trás do seu vício em ópio. Edwin Drood desaparece misteriosamente após, em acordo com sua amada Rosa Bud, desmanchar o noivado ao qual os dois eram prometidos desde a infância. No decorrer do ano seguinte, todos já acreditavam que Edwin estava morto... Nesse ínterim, vários personagens interessantes nos são apresentados, e toda a aura de mistério vai se definindo e, por vezes, nos confundindo mais. O Mistério de Edwin Drood foi o último romance de Charles Dickens; e inacabado, pois o autor faleceu subitamente em 1870, antes de finalizá-lo. Naquela época, as obras eram lançadas em partes, e os leitores que acompanhavam esse precursor da literatura policial ficaram desapontados por não poderem conhecer o desfecho do caso de Edwin Drood. Entretanto... Dois anos após o falecimento de Dickens, um mecânico simplório dos EUA disse estar recebendo "mensagens psíquicas" do falecido autor o incumbindo de terminar a história. Considerado um médium, Thomas James levou seis meses para psicografar a segunda metade (os últimos 6 fascículos dos 12 que Dickens havia planejado), sofrendo perseguições de vizinhos que achavam que ele recebia "visitas demoníacas". Como nenhuma editora levou seu trabalho a sério, ainda mais no que se referia à conclusão da obra de autor britânico consagrado, Thomas publicou o livro de seu próprio bolso, tendo conseguido imprimir entre 100 e 300 cópias, se tanto. Essa versão brasileira foi considerada lançamento da obra completa por aqui, e foi traduzida e publicada por uma editora espírita (com os fundos da tradução doados a instituições sociais sem fins lucrativos). Como a versão terminada pelo médium não foi considerada digna de respeito ou de publicação oficial, a história completa para tradução foi dificílima de conseguir, tendo o tradutor que viajar à Inglaterra e negociar pessoalmente com os responsáveis pelo legado de Dickens por uma cópia original. Apesar do ceticismo de vários estudiosos da obra de Dickens, houve também os defensores da continuação psicografada, sendo o mais famoso Arthur Conan Doyle, autor de Sherlock Holmes. Estes defendem que seria impossível para uma pessoa simplória como Thomas James, alfabetizado mas de educação primária, ter concluído uma obra de Dickens mantendo o mesmo estilo do autor (ele sequer havia lido a primeira metade do livro e, segundo o jornalista que o entrevistou na época, nem ao menos gostava de ler. Thomas também não queria que seu nome fosse publicado). Outro ponto a favor é que a história foi concluída com dicas que o próprio Dickens já havia revelado ao seu ilustrador oficial, e que este jamais havia contado a ninguém (e, mesmo que tivesse, seria improvável que essas informações tenham parado nos ouvidos de um americano caipira). Já os céticos afirmam que o desfecho segue um padrão "americanizado demais" e "pobre e clichê". Outros dizem que a história já devia estar terminada, e sua publicação póstuma não passou de um golpe de publicidade, já que se tratava da primeira história suspense policial de Dickens. Independente de quem tenha terminado a história, o final pode não ter sido o mais original, mas foi realmente comovente. A quem quiser ler o livro, alerto quanto à dificuldade de levar uma obra de Dickens até o final, já que o estilo dele é conhecidamente cansativo, mas não deixem que isso os impeça. Acima de tudo, alerto quanto a algumas liberdades absurdas tomadas pelo tradutor: o homem soltou spoilers nas notas de rodapé em pelo menos três ocasiões, o que considero imperdoável em um livro de mistério (por mais que o livro seja antigo, é como ele mesmo disse: se trata de um lançamento por aqui. Provavelmente, pouca gente era familiar com a história)! Mais uma observação: quem assiste Doctor Who provavelmente se lembra do terceiro episódio da primeira temporada, The Unquiet Dead, onde o 9º Doutor e Rose voltam à era vitoriana e conhecem Charles Dickens, que, ao final, se disse inspirado pelas "criaturas fantasmagóricas" da aventura para concluir sua obra - essa obra.





















Dragão Vermelho
Thomas Harris - BestBolso - 2013 (1981) - 381p.
Hannibal
Thomas Harris - BestBolso - 2013 (1999) - 445p.
Hannibal: A Origem do Mal
Thomas Harris - BestBolso - 2014 (2006) - 255p.

Os fantásticos livros que trouxeram Hannibal Lecter ao mundo. Acabei acompanhando um pouco fora de ordem, já que li O Silêncio dos Inocentes antes, sem saber que ele era o segundo livro com o nosso canibal favorito. Em Dragão Vermelho, o detetive Will Graham precisa voltar à ativa para ajudar a desvendar o padrão de um serial killer que vem matando brutalmente famílias sem relação clara entre elas. Embora tenha sido o policial que desmascarou e prendeu o genial doutor Hannibal Lecter - quase pagando com a vida, Graham terá de contar com a ajuda dele, agora, para pegar este psicopata. Já em Hannibal, que se passa sete anos após os eventos de O Silêncio dos Inocentes, Clarice Starling está com a carreira por um fio. Sua única chance de redenção é conseguir capturar o Dr. Lecter, foragido e aprontando pelo mundo. A agente Starling, entretanto, não é a única atrás dele - uma das vítimas sobreviventes do bom doutor, milionário e influente, está louca por vingança. Portanto, agora o caçador virou caça, e a caçada vai dar um trabalhão. Um dos pontos interessantes a respeito dos livros é quando o autor explica, em nota, como chegou ao personagem Hannibal, que não foi criado para ser protagonista, mas como o "personagem que saberia de tudo" e ajudaria os mocinhos quando estes estivessem perdidos em suas investigações. Mas o Dr. Lecter ganhou a simpatia de tantos leitores que Thomas Harris acabou escrevendo os livros seguintes dando mais destaque a ele; até finalmente escrever A Origem do Mal, que é totalmente sobre o personagem, desde a infância e a morte trágica da família na Lituânia em plena Segunda Guerra, passando pelos seus traumas, chegando ao seu primeiro assassinato, e acompanhando sua jornada por vingança. E, mais uma vez, destaco a maestria do autor ao descrever com tantos detalhes a condução de uma investigação de homicídio, desde a perícia forense às autópsias e procedimentos padrão. Uma aula fantástica de criminologia.



O Cavaleiro dos Sete Reinos
George R.R. Martin - Leya - 2014 (1998, 2003, 2010) - 416p.

Como já está explícito na capa, os três contos que compõem este livro são ambientados quase um século antes dos eventos d'As Crônicas de Gelo e Fogo. Os personagens principais destas aventuras são o cavaleiro andante Dunk e seu escudeiro Egg. As histórias são bem mais simples do que a trama complicada da Guerra dos Tronos, mas menciona personagens e lugares bastante conhecidos dos leitores (Baelor ); e também são inesperadamente divertidas. Dunk é um jovem um tanto simplório, mas justo e de bom coração, e Egg é um garoto ousado, destemido, e bem mais do que aparenta ser. O primeiro conto coloca nossos personagens em um torneio de cavaleiros, onde Dunk precisa se provar digno de ser chamado de Sor, mas acaba recebendo mais atenção do que seria bom para seu próprio bem. O próximo conto se passa cerca de um ano depois, quando ambos estão servindo a um senhor cavaleiro em uma missão delicada com a senhora das terras vizinhas. E, no último dos três contos, ambos terão papel importante na conspiração para tirar a família Targaryen do poder dos Sete Reinos. A velha regra de não se apegar aos personagens de Martin ainda vale para este livro - estão avisados.




O Dragão de Gelo
George R.R. Martin - Leya - 2014 (1980) - 128p.

Me lembro quando recebi um e-mail avisando sobre a pré-venda do livro. Dizia, em suma, que esta era "uma história infantil do autor de As Crônicas de Gelo e Fogo", e eu não consegui evitar sentir uma completa perplexidade sobre isso. Quer dizer - por favor, estamos falando de George R.R. Martin, o cara que mata cavalos e transforma cada cena numa desculpa para um pequeno incesto aqui ou uma orgiazinha ali. De qualquer forma, O Dragão de Gelo tem todo o jeito de um conto infantil clássico. Apesar de não se passar em Westeros e não ter nada a ver com a série que deixou o autor famoso, a história se passa em uma terra habitada por dragões (obviamente) e outros animais fantásticos, e tudo isso compõe o cenário da vida de Adara, a fria garota filha do gelo do inverno, que todos os anos espera ansiosamente pela chegada da estação para que possa estar com o Dragão de Gelo, seu único amigo.  É em sua companhia que Adara se sente à vontade, no frio; mas, agora, com a guerra entre reinos inimigos, a vida dos dois corre perigo. Apesar de ser uma história infantil, Martin continua matando muita gente (e cavalos...) e fazendo a gente se arrepender de ousar se apegar a alguém. Entretanto, é uma bonita narrativa sobre a força da amizade.



Coraline
Neil Gaiman - Rocco - 2003 (2002) - 155p.

A primeira colaboração entre Gaiman e o ilustrador Dave McKean voltada para o público mais jovem, Coraline tem toda aquela atmosfera fantástica e assustadora característica da dupla. O filme, que veio depois, fez bastante sucesso - mas, pra quem ainda não conhece a história, resumo: Coraline muda-se com a família para uma casa nova, que dividem com duas velhinhas desligadas e um senhor meio maluco que diz ter um circo de ratos. A garota passa muito tempo sozinha, explorando as redondezas, pois seus pais trabalham em casa e não têm tempo para ela. Dentro da sala de visitas em que ela normalmente não pode entrar, Coraline descobre que a porta que, aparentemente, não dá em lugar nenhum na verdade dá no mesmo lugar, só que um mesmo-lugar ao contrário. E é lá que as coisas fantásticas e assustadoras acontecem - é como se fosse uma Nárnia do outro lado do espelho de Alice, mas onde tudo é distorcido e terrível. Do outro lado, Coraline precisa resolver uma questão de vida e morte, mas, felizmente, conta com a ajuda de alguns estranhos aliados. Um pouco mais infantil do que O Livro do Cemitério, mas tão soturno quanto.


O Sangue do Olimpo
Rick Riordan - Intrínseca - 2014 - 432p.

Quinto e último volume da série Heróis do Olimpo, que serviu de continuação à série Percy Jackson e os Olimpianos ao mesmo tempo em que apresentou novos personagens e misturou elementos da mitologia romana à mitologia grega. Não me canso de recomendar a série a todos os interessados em mitologia, pois é muito divertida e nos ensina bastante! O Sangue do Olimpo marca a conclusão da luta contra o despertar de Gaia e da rivalidade entre os acampamentos grego e romano, e desenvolvimentos interessantes de alguns dos personagens (quando a gente imaginou que ia gostar tanto de Nico DiAngelo?). Por ser o último volume, achei que ia ter mais choro e ranger de dentes, mas foi um final até razoavelmente feliz. E não sei se Riordan deixou ganchos de propósito - como adora fazer - pra, talvez, continuar em outra oportunidade, mas ainda ficou coisa sem resolver. A última página já anuncia a próxima série do autor - Magnus Chase e os Deuses de Asgard -, que vai englobar outra mitologia; mas não posso deixar de notar que Chase é o mesmo sobrenome de Annabeth... Veremos!




Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias
V.A. - Rocco - 2014 (2013-4) - 478p.

12 dos mais renomados e premiados autores britânicos foram convidados a escrever um conto cada um sobre cada uma das doze encarnações do nosso viajante do tempo favorito, e o resultado foi essa coletânea divertidíssima de 12 contos originais. Neles, o Doutor e seus companheiros participam de mais aventuras pelo tempo e pelo espaço, enfrentando novos perigos ou velhos conhecidos. Todos os contos são muito bacanas, mas meus favoritos foram o do 5º Doutor, "Na Ponta da Língua"; do 8º, "Esporo"; do 9º, "A Besta da Babilônia" (especialmente pela companheira superdiferente e pelo momento da série em que se passa - completamente original!) e do 10º, "O Mistério da Cabana Assombrada", que é hilário! A história de Gaiman com o 11º Doutor é assustadora, claro; e o conto com o último Doutor é bastante triste. Uma coisa bacana a respeito da coletânea é que atiça a curiosidade dos fãs mais recentes a respeito da série clássica (do oitavo Doutor pra trás), que podem ver como o personagem sempre foi divertido, cada encarnação à sua maneira, e como cada companheira foi especial.




E-book:

O Estranho Caso de Benjamin Button
F. Scott Fitzgerald - Editorial Presença - 2009 (1922) - 64p.

Então: ganhei um Kindle de presente de aniversário adiantado da minha mãe. Como tenho pouquíssimos livros físicos na minha lista de espera (isso foi uma ironia), ter um leitor de livros digitais me coloca um pouco de pressão a respeito do que ainda tenho pra ler na vida. Entretanto, ele está me sendo utilíssimo na aquisição gratuita de clássicos e livros em domínio público - coisas que eu sempre acabo protelando pra ler. Duas coisas me chamaram a atenção ao descobrir este livro em particular: o fato dele existir, já que não sabia que o filme havia sido baseado em um; e ele ser do mesmo autor de O Grande Gatsby - ou seja, provavelmente clássico, o que torna minha ignorância um pouco pior. Comecei a lê-lo na estrada e me surpreendi com mais duas coisas: trata-se de um conto - curto e facílimo de ler; e não tem absolutamente - repito - absolutamente NADA a ver com o filme, exceto pelo nome do personagem principal e sua condição. Benjamin Button nasce um velho de 70 anos, já falando bastante bem e plenamente consciente de sua idade aparente. Com o passar dos anos, vai rejuvenescendo, enquanto todos de seu círculo social vão envelhecendo normalmente - seus pais, e aí sua esposa e filho, seus amigos e colegas. Embora seja compreensivelmente triste que Benjamin tenha que deixar tanta coisa pra trás e logo se passe por filho de seu próprio filho, a história é até divertida. Claro que recomendo a leitura, mas deixo o aviso àqueles que assistiram ao filme de que não esperem reconhecer nada aqui: personagens, desenvolvimento, ou lágrimas.



Dentre as HQs, destaco:


Star Trek Omnibus Volume 2: Early Voyages, de Dan Abnett e Ian Edington. Esse volume compila as 17 edições da série Early Voyages, que a Marvel lançou entre 1997 e 1998. As histórias acontecem antes da famosa missão de 5 anos da tripulação do capitão Kirk a bordo da Enterprise. Quem está familiarizado com a série lembra que o episódio piloto contava com o capitão Christopher Pike e uma tripulação completamente diferente - exceto por Spock, que era cadete, na época. As HQs, portanto, são as aventuras dessa tripulação, e nos apresentam os personagens de maneira bem legal, fazendo a gente se apegar a eles quase tanto quanto às tripulações da TV. Uma das histórias até nos dá uma visão melhor de The Cage (o episódio piloto), e outra dá um pulinho em um futuro alternativo, causado pelo sumiço da ordenança do capitão. São histórias muito legais, e um prato cheio pra quem é fã e gostaria de conhecer melhor a tripulação de mais curta duração na série (mas, não, nunca ficamos sabendo o nome da Number One).



Os Fabulosos X-Men: A Saga da Fênix Negra, de Chris Claremont e John Byrne. O clássico dos clássicos, o arco mais aclamado de toda a história dos X-Men, que agora tenho na edição lindíssima da Salvat! Trazida de volta dos mortos pela entidade Fênix, Jean Grey agora precisa lidar com o fardo de portar tamanho poder... e falha miseravelmente. A antiga Garota Marvel é corrompida por ele e se deixa transformar na Fênix Negra - uma criatura sedenta por destruição e morte. A história é importante não só pelo desenrolar trágico que a vida da Jean Grey toma daqui em diante, mas também pela introdução a personagens futuramente recorrentes, como Emma Frost, Kitty Pryde e Cristal. A capa clássica é a inspiração de todos os cosplay de Scott Summers e Jean Grey nas convenções, haha.


Wolverine: O Velho Logan, de Mark Millar e Steve McNiven. Estava aguardando ansiosamente pelo lançamento desta história em uma única encadernação! Foi um dos primeiros arcos do Wolverine que li mas, na época, o achei bem bizarro. Hoje, depois de muitos anos de estudos marvelísticos, reli a história e não só a entendi melhor como a achei tristíssima, como tudo o que envolve esse coitado. 50 anos no futuro, os Estados Unidos está sendo governado pelos maiores supervilões, enquanto a maioria dos super-heróis foi morta. Alguns sobreviventes ou seus descendentes se aliaram ao novo poder, mas outros preferiram se manter na clandestinidade, aposentados - o caso de Logan, que se refugiou em uma fazenda no meio do nada, constituiu família e envelheceu em tranquilidade, sem usar as garras em cinco décadas. Entretanto, essa região é controlada pela família perigosa e completamente insana de Bruce Banner (que se tornou uma coisa gigantescamente pirada por causa da radiação), e, para que sua família e sua tranquilidade sejam deixadas em paz, Logan acaba aceitando sair em uma missão no outro lado do país com um idoso e cego Gavião Arqueiro. Os dois vão passando por todo o cenário de devastação em que o país se encontra e, durante a viagem, vamos sabendo o que aconteceu a alguns dos heróis mais importantes - além do horrível motivo que levou Logan a uma aposentadoria improvável. Triste, e visceral.



Não esqueçam de me dizer o que vocês já leram até agora: ainda tenho pouca coisa pra ler (olha a ironia, de novo!) e adoro indicações, hahah!