06/03/2015

A história real do cara que achava que era um zumbi

Aliás, ele tinha certeza.

Conhecido pela bibliografia médica apenas como Graham, o homem, que sofria de uma depressão gravíssima, decidiu que tiraria a própria vida. Em meados de 2004, Graham encheu uma banheira e entrou nela segurando algum equipamento elétrico.

Oito meses depois, Graham ligou para o seu médico para dizer que a tentativa de suicídio tinha dado certo e que ele estava morto.

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O choque obviamente não matou Graham, mas o deu a certeza absoluta de que seu cérebro não funcionava mais. De fato, ele estava tão convencido de que estava realmente morto, que sua "vida" a partir daquele dia ficou até pior do que estava antes: o som da sua própria voz o irritava (já que mortos supostamente não falariam), cessou qualquer rotina de higiene (porque mortos não precisam dela), parou de fumar (pois afirmava que a nicotina não fazia mais nada por ele) e parou de tomar a medicação para depressão (porque a depressão é uma doença mental e seu cérebro "não funcionava mais"). Na verdade, o incomodava que ele continuasse "funcionando" normalmente, porque seu cérebro "não existia mais".

Não se sabe se pelo choque ou pela depressão severa (ou uma combinação de ambos), o que realmente aconteceu a Graham foi o desenvolvimento de uma rara síndrome conhecida por Delírio de Cotard ou Síndrome do Cadáver Ambulante. Cotard foi o neurologista francês que identificou o primeiro caso de alguém que estava convencido de estar morto, em 1880. Sua paciente foi identificada apenas como Mademoiselle X, e ela estava tão convencida de que parte do seu corpo não existia e que, portanto, não precisava mais comer, que acabou realmente morrendo de inanição.

O principal sintoma da síndrome, segundo Cotard, é a rejeição convicta da existência corpórea - acreditar que partes ou todo o seu corpo não existem realmente. Em casos extremos, como o de Graham, o indivíduo chega até mesmo a acreditar que está morto e que sua existência é puramente espectral. A ciência moderna rejeita a ideia de que o Distúrbio de Cotard seja uma síndrome à parte, mas que seja um sub-sintoma de outros distúrbios mentais. De qualquer forma, tratamentos ainda estão sendo desenvolvidos, e Graham foi o primeiro sucesso.

Os sintomas da síndrome, entretanto, não são psicologicamente controlados. Ao realizar um escaneamento em Graham, o neurologista se surpreendeu ao perceber que o cérebro dele estava incrivelmente similar ao de uma pessoa adormecida ou sob efeito de forte anestesia, embora o homem estivesse bastante ativo e se comunicasse normalmente durante os exames. De qualquer forma, hoje Graham está parcialmente curado da síndrome, e afirma não se sentir mais morto... Ou, ao menos, não completamente morto.

Em 2013, Graham concedeu uma entrevista à New Scientist em que contou como foi sua experiência como zumbi e seu tratamento. O link está logo ali, no fim da postagem. 

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Fontes: Now I Know | Entrevista para a New Scientist

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