26/04/2015

As Regras de Civilidade de George Washington

George Washington, como acredito que todos saibam, foi o primeiro presidente dos Estados Unidos (entre 1789 e 1797) e um dos Fundadores do país. Vocês reconhecerão seu rosto como um dos quatro esculpidos no Monte Rushmore e estampando as notas de um dólar. Não vou entrar em pormenores do seu papel político - apesar de ter sido reconhecidamente um grande homem e feito grandes coisas pelo seu país -, mas destacar algo curioso a seu respeito.

Washington mantinha, desde a adolescência, um caderno em que passou a limpo 110 itens de um livro chamado Regras de Civilidade e Comportamento Decente na Companhia dos Outros e Durante a Conversação. Não se sabe exatamente a origem dessas regras, mas presume-se que baseiem-se em premissas dos padres jesuítas franceses do século XVI. Tais regras ditam boas maneiras ao lidar com outras pessoas e, embora possam parecer bobas e fora de moda hoje em dia, bem poderiam ainda ser usadas por representantes mundiais e... honestamente, todo mundo. Afinal, tudo aqui se resume apenas a boa educação.

Entre a maneira apropriada de se vestir, cumprimentar, se portar à mesa e falar, são algumas delas:

6. Não durma quando os outros falam, não se sente quando os outros estão de pé, não fale quando deveria se manter em silêncio, não ande quando os outros pararem.

22. Não demonstre alegria com a desgraça alheia, mesmo que se trate de um inimigo.

38. Ao visitar os doentes, não assuma o papel de médico se não tem conhecimento para tanto.

44. Quando alguém fez tudo o que pôde mas não foi bem sucedido, não o critique por ter tentado.

47. Não ridicularize nada que seja de importância para os outros e, se não tiver nada de agradável ou inteligente para dizer, guarde para si mesmo.

48. Antes de recriminar os outros, certifique-se de não ter cometido o mesmo erro; porque o exemplo vale mais do que o preceito.

68. Não vá aonde não conhece sem saber se é bem-vindo. Não dê conselhos a não ser que seja solicitado e, se for, faça-o brevemente.

89. Não fale mal de quem não estiver presente, porque é injusto.

100. Não limpe seus dentes com o guardanapo, toalha de mesa, garfo ou faca; mas, se os outros fizerem isso, deixe que façam e não fique olhando.



As demais tratam de não se meter no assunto dos outros, não falar ou rir alto demais, não interromper, não espalhar notícias sem checar se a fonte é confiável, não prometer o que não pode cumprir... Enfim, o básico da boa educação.

A lista completa (em inglês) vocês conferem aqui.


(tal lista é mencionada no livro A Miscelânea Original de Schott, que já indiquei)

17/04/2015

Cover: "Can't Take My Eyes Off You"

A gente acorda com as músicas na cabeça e aí tem que vir falar sobre elas, né?


Oh, pretty baby
Don't bring me down, I pray
Oh, pretty baby, now that I found you, stay
And let me love you, baby
Let me love you...




Can't Take My Eyes Off You é uma composição de Bob Crewe e Bob Gaudio, gravada pela primeira vez em 1967 por Frankie Valli. Esta gravação alcançou a segunda posição nas paradas da Billboard e rendeu um disco de ouro ao artista.

Desde então, a canção recebeu centenas de versões (a maior parte delas no mesmo ano e no ano seguinte), sendo amplamente usada como trilha sonora de filmes  - às vezes em performances dos próprios atores, como Heath Ledger em 10 Coisas que Eu Odeio em Você - e programas de TV. 

Algumas das mais variadas são:



Em 1969, as lindas Diana Ross & The Supremes gravaram o hit em versão R&B mais animadinha, com Mary Wilson na voz principal. 



Gloria Gaynor, diva eternizada por I Will Survive, gravou a música em versão disco em 1991, que é uma das versões mais conhecidas.



Em 1998, a cantora de R&B e hip-hop Lauryn Hill fez a versão no seu estilo, ficou muito bem colocada nas paradas e recebeu uma indicação ao Grammy por ela.



A banda de rock alternativo Muse também gravou uma versão da música, em 2001, como lado-b do single Dead Star/In Your World.



A clássica Bad Manners também rendeu uma versão do sucesso, em 2004, em ritmo de ska!



John Barrowman, como nunca canso de lembrá-los, antes de ser o vilão Malcolm Merlyn em Arrow e o Capitão Jack Harkness em Doctor Who/Torchwood, foi e ainda é artista da Broadway. Ele, também, gravou sua versão "cabaré" em 2008.



E, finalmente, meu mais novo grupo vocal favorito, The Overtones, gravou sua versão em 2013 (e, pelo jeito, foi trilha sonora de algum filme alemão :B).


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A lista com todas as versões está aqui. Qual a sua favorita?

11/04/2015

"Sozinho, adj. Em má companhia."



Em minhas muitas leituras a respeito da depressão, li certa vez (infelizmente, não guardei o link) que o ser humano não foi evolutivamente adaptado para viver em sociedade. Parece não fazer sentido, mas é uma questão de pensar melhor sobre o assunto: afinal, qual é a reação normal de um ser humano em relação ao outro quando forçados a conviver? Alguma entre qualquer uma destas:

- Isolamento. Introvertidos, como eu, se isolam de grupos maiores e procuram não chamar a atenção para si mesmos. O convívio com outras pessoas, mesmo que por um breve período de tempo, é física e emocionalmente exaustivo.

- Competição. A tendência natural do ser humano, como de qualquer ser vivo, é sobreviver. Ainda que a situação em que o grupo de pessoas se encontra não seja questão de vida ou morte, a competição estará sempre presente: preciso ganhar mais, preciso me vestir melhor, preciso saber mais, preciso contar as melhores piadas, preciso desencalhar primeiro, minha casa precisa ser mais bonita, preciso ter o corpo mais sarado, preciso postar essas fotos todas no Facebook... para que todos saibam que estou vencendo na vida.

- Violência. Não necessariamente em situação selvagem, mas os seres humanos se tratam violentamente entre si sempre que dada a oportunidade. Por comportamento violento, entendamos toda ação que resulte em prejudicar ao próximo em qualquer nível: abuso físico e psicológico, abandono, exclusão, traição, fofoca, comentários maldosos em redes sociais.

Dada a ocorrência dessas reações quando comparadas a outras reações menos naturais, como a cooperação e o respeito (que são coisas maravilhosas mas, infelizmente, forçadas ao nosso comportamento graças a leis de ética e bons costumes criadas para "domar" nossos instintos primitivos), fica fácil perceber o quanto somos criaturas solitárias.

Entretanto,

sermos solitários nem sempre significa que gostemos de ficar sozinhos (sempre ou quase).

Não vou entrar aqui em pormenores psicológicos a respeito disso, mas me permitir uma (talvez não muito breve) introspecção. Isso vai ser completamente pessoal e provavelmente não fará sentido pra muita gente, mas é algo que gostaria de ventilar.

Como mencionei acima e já transpareci diversas vezes, sou introvertida. Por ser algo que me atrapalhava na infância e adolescência, passei muitos anos tentando "consertar" isso, ou disfarçar o melhor que podia, me forçando a situações que me deixavam desconfortável só para que eu pudesse me sentir mais "normal" entre os outros e evitar as piadas. A chegada da idade adulta e as experiências normais da vida me ajudaram muito nos termos da timidez, que superei bem, mas a introversão é uma parte da minha personalidade que é imutável. Nos últimos anos, tenho convivido bem com ela e aceitado os modos como ela molda meu caráter e meu comportamento. Se não gosto de frequentar lugares cheios de gente estranha é porque não gosto de frequentar lugares cheios de gente estranha, eles me dão dor de cabeça e saudade de casa - parei de dar desculpas a respeito disso e tá tudo bem.

O grande problema estar ok com quem se é, porém, é que as pessoas que nos cercam supõem coisas sobre nós no nosso lugar. A gente para de receber convites para as coisas, por exemplo, porque as pessoas já imaginam que a gente não vá. Peraí. Eu não me importo de ir a festas, desde que tenha alguém lá pra me fazer companhia. Todos os introvertidos são assim? Não, mas eu sou. E as pessoas só têm como saber se perguntarem e, não sei, talvez me convidarem. Seu convite não é importante pela perspectiva do evento, mas pelo convite em si!

Da mesma forma, pessoas assumem que eu goste de ficar sozinha por ser assexual. Entendo que o conceito de assexualidade seja complicado de entender (até por isso fiz questão de abrir uma página de conscientização e educação aqui no blog), e que uma breve noção da definição do termo seja aparentemente o suficiente pra pensar "bom, ela não é chegada nem em homem nem em mulher, então não vou nem perder meu tempo". Gente, orientação sexual não é tudo o que determina as necessidades de um ser humano. Todo relacionamento deve começar e se manter com comunicação, e não há maneira absoluta de ninguém saber o que eu quero sem me perguntar.

Ambas características da minha personalidade me fazem me sentir constantemente sozinha. Traços de personalidade são coisas que nós disfarçamos o melhor que podemos, mas que não conseguimos efetivamente mudar; portanto, aquele sermão todo de "seja mais flexível", "tá se sentindo assim porque quer", "saia mais de casa" não funciona. Situações forçadas não são mentalmente saudáveis, podem resultar em traumas e realmente piorar uma situação já ruim o suficiente. Gente como eu geralmente procura companhia de pessoas que estão longe, e isso também não é completamente saudável porque uma "companhia" distante jamais vai preencher as necessidades humanas de proximidade. Tenho pouco mais de 300 amigos no Facebook, e conheço todos eles (quem não é meu amigo ou parente foi aluno meu, colega de trabalho ou de estudo, ou é/foi cliente). Ainda assim, nem 10% dessas pessoas interage no meu dia a dia - de que maneira for. O restante delas nunca visitou meu blog, não me segue de volta em outras redes sociais, não me felicita no meu aniversário (ou responde às minhas felicitações) e, definitivamente, não entende e nem tenta entender o que eu posto por lá. Trezentos conhecidos.

É como eu disse lá no começo da postagem, sobre o comportamento do ser humano. É normal, é de ser esperado, e não deveria importar. Mas chateia e, apesar de eu ser como sou, sou também incapaz de ignorar a tristeza que isso me dá. E, por pensar tanto nisso, me torturo com coisas que não deveriam me atingir. Saio catando motivos pra alimentar minhas neuras e me chateando mais e chateando os outros no processo. E, claro, nada disso interessa a ninguém.

Isso aqui não vai mudar nada no comportamento das pessoas. Mas, pelo menos, finalmente botei pra fora.




*o título é a tradução de um trecho do genial The Devil's Dictionary, de Ambrose Bierce.

06/04/2015

As últimas 10 músicas favoritas

Vamos lá a uma lista atualizada das minhas últimas 10 (re)descobertas musicais favoritas! Meu gosto musical nunca foi muito uniforme, mas receio que esteja ficando mais estranho a cada vez...

'Bora:



The Last Goodbye
Billy Boyd



Many places I have been
Many sorrows I have seen
But I don't regret, nor will I forget
All who took the road with me

Parte da trilha sonora de O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, o último da trilogia. Uma despedida literal de tudo, já que tocou na passagem dos créditos; fala sobre irmãos caídos, a incerteza dos caminhos futuros, e a volta pra casa. E é cantada pelo ator que interpretou Pippin na trilogia O Senhor dos Anéis - como se fosse possível deixar a coisa ainda mais emocionante do que já seria. :'(


Loving the Sound
The Overtones



Yeah I’m gone, moving on
And I’m loving the sound of the beat of the drum


Descobri a banda pelo YouTube ao buscar por versões de The Longest Time, de Billy Joel. Assisti a deles e a achei bem divertida e original, então fui ao Spotify ouvir outras coisas deles e acabei voltando apaixonada. A banda tem uma história legal e uma apresentação que é um revival modernoso do doo-wop dos anos 1950 (eles têm várias versões de músicas antigas e também muitas composições próprias), com coreografias bacanas e ternos impecáveis. Adoro grupos vocais, especialmente se são de soul/doo-wop; então, como é o caso aqui, ponto pros garotos!


Plain Sailing Weather
Frank Turner




I found the one damn person to help me fall asleep the night
But sleeping gets tiring, and dark reminds me of dying.


Eu amo esse inglês das pernas compridas desde que o ouvi pela primeira vez, mas essa música tem sido minha favorita dele, ultimamente. É do seu álbum mais recente (Tape Deck Heart), que pretendo adquirir, qualquer dia desses.



The Dying of the Light
Noel Gallagher's High Flying Birds



Gonna try my best to get there
But I can't afford the bus fare
And the storm that's rolling over
Man, it makes me wanna cry


Do álbum lançado esse ano. Estou obcecada por esta. Tenho acompanhado as transmissões ao vivo de alguns shows da turnê mundial e estou gostando cada vez mais das músicas novas, que funcionam muito bem ao vivo. E também estou amando a banda que acompanha o Noel na carreira solo!




San Francisco
The Mowgli's



I lost my head in San Francisco,
Waiting for the fog to roll out
But I found it in a rain cloud
It was smiling down!

Podia jurar que já tinha colocado ela por aqui antes, mas acabei de ver que não! Descobri a banda pelo Spotify, quando a rádio personalizada me mandou Carry Your Will - que é provavelmente a única música triste deles. San Francisco, em compensação, é tão upbeat que eu não consigo evitar de cantá-la toda vez que toca. E esse vídeo tão breguinha e amor?




Amazing
Westlife




It's like I live a thousand lifetimes
Still looking for the one that feels right
See, moving on just isn't working
You lit the fire that I burn in


Lá venho eu com os meus irlandeses favoritos. Não há absolutamente nada de especial nessa música: a letra não é lá essas coisas, o vídeo me faz rir (1. o cabelo do Kian; 2. o desperdício de papel sulfite; 3. por que em todos os vídeos cada um tá num canto diferente e acabam invariavelmente se encontrando no final?; 4. o gesto espontâneo indecifrável de Shane no último verso - dafuq, Shane?; 5. Nicky só canta UMA MÍSERA FRASE da música inteira; 6. Mark rindo no fim do vídeo, estragando o clima romântico da coisa). Mas é muito frequente que eu acorde com essa música na cabeça, por isso me acostumei a ela. E é sempre bom olhar pra esses caras, haha.



Tell Me, Tell Me... Baby
*NSYNC




We are what they call a perfect match
It's something that you can't touch
Down to the last bone, you're my baby
But to be honest there's just one thing
A part that is missing: 
You don't seem to care at all!

Já que chutei o balde com as boybands, aqui estou eu voltando lindamente à minha adolescência. O álbum com essa música é de 2001 - o último deles -, e só consegui comprar o CD uns dois anos depois, usado, e o tenho até hoje (e o ouço até hoje - me julguem). Enfim, essa só foi virar favorita recentemente, e é impossível eu não botar no repeat toda vez.



ABC Café / Red and Black
Aaron Tveit e Eddie Redmayne




Red: the blood of angry men!
Black: the dark of ages past!
Red: a world about to dawn!
Black: the night that ends at last!

Esta é a cena em que os estudantes estão planejando os pormenores da revolução, e é uma das minhas favoritas por muitos motivos. Os conflitos sociais de Os Miseráveis sempre foram o meu maior interesse na história (depois dos conflitos do próprio Jean Vajean, é claro, que segue sendo meu personagem literário favorito), e, por mais que grande parte da galera ali só estivesse envolvida pela zoeira, ver o empenho e a dedicação completa de Enjolras me inspira e emociona (ainda mais sabendo que ele se manteve determinado até o fim). Vê-lo aqui inspirando os outros e tentando trazer o Marius de volta ao foco principal (porque o Marius NÃO TEM FOCO), e aí esse refrão que fica dias na minha cabeça, me fazendo cantar como se estivesse lá, é simplesmente sensacional. Amor além de palavras.


Take Me to Church
Sinéad O'Connor




I'm gonna sing songs of loving and forgiving
Songs of eating and of drinking,
songs of living, songs of calling in the night
(...)
Songs that mend your broken bones
and that don't leave you alone.


Sinéad é musa e esse álbum que ela lançou ano passado é muito delicioso. Essa aqui não a mesma que a homônima da tal Hozier que anda fazendo sucesso. Tanto a letra quanto o vídeo são uma tentativa de desassociar a imagem que temos da Sinéad fazendo todo mundo chorar com Nothing Compares 2 U e a polêmica que a fez famosa em certa performance ao vivo no Saturday Night Live...


PercusienFa
Erik Mongrain


(instrumental)


Ouço este artista pela playlist de concentração do Spotify (amo tocá-la quando estou traduzindo, o trabalho flui que é uma beleza!), mas acabei vendo o vídeo por acaso bastante depois e só então descobri o estilo dele de tocar e fiquei pasma com a habilidade tão natural que ele tem. Muito bom de ver e ouvir.