28/07/2015

Todas as manifestações de amor em Os Miseráveis

[ALERTA DE SPOILERS]

Essa é a Manu falando sobre Os Miseráveis de novo?! Pois é, essa é a Manu falando sobre Os Miseráveis de novo. :D

Recentemente, entrei em uma discussão sobre o amor. Existe uma tendência generalizada de defender que amor é sinônimo de romance - o que nem sempre é verdade; e minha contraparte na discussão achou absolutamente inquestionável que o amor exige atração física (spoiler: nem romance exige atração física :)). Bom, minha contraparte na discussão não estava muito interessada em considerar argumentos como o amor fraternal/paternal/maternal/filial, e o surpreendente fato de que nós, assexuais, não somos pedras (choque!!), então desisti de continuar tentando. 

Entretanto, topei com as seguintes imagens em uma postagem no Tumblr e concordei que Os Miseráveis é uma maneira perfeita de exemplificar todas as manifestações de uma das maiores perguntas da humanidade:




♥♥♥


AGAPE: benevolência universal, incondicional e altruísta

Quando Jean Valjean recebe a liberdade condicional, percebe a duras penas que ninguém está disposto a oferecer emprego ou abrigar um ex-detento em necessidade. Ao ser recolhido e alimentado pelo Bispo, entretanto, Valjean cai em tentação e foge da casa do bispo levando consigo toda a prataria que pôde. Ao ser eventualmente apanhado pela polícia e levado à presença do religioso, o bispo pede para que o soltem alegando ter dado toda aquela prataria ao pobre homem - e, além disso, ainda o entrega dois castiçais de prata, dizendo que ele os havia esquecido. Este gesto de bondade, doação e perdão foi o que fez Valjean entrar em conflito consigo mesmo e decidir seu próprio destino: com o dinheiro, recomeçou a vida e dedicou-se a ajudar os pobres e necessitados.




EROS: o amor romântico, apaixonado

O que arrebatou os corações de Marius e Cosette assim que se viram pela primeira vez, e o que mudou a perspectiva de ambos tão abruptamente, foi o infame "amor à primeira vista". Cosette era dedicada ao pai adotivo desde que fora resgatada por ele, e Marius acompanhava os amigos na luta pela revolução - mas, assim que se conheceram, ambos descobriram que dedicar-se aos outros já não era mais tão importante quanto dedicar-se a si mesmo.



MANIA: o amor autodestrutivo, obsessivo

Éponine foi uma criança mimada pelos terríveis pais, mas que acabou crescendo pra conhecer uma realidade difícil. Por fazer parte da porção miserável da cidade, tinha amizade com os jovens revolucionários, e foi assim que conheceu Marius e se apaixonou por ele. O rapaz, entretanto, nunca demonstrou mais do que amizade para com ela, especialmente depois de conhecer Cosette. Mas a rejeição não impediu Éponine de se dedicar a Marius, mesmo que isso significasse ter que ajudá-lo em seu romance - até, finalmente, dar sua própria vida por ele.



PHILIA: estima, afeto, amor entre iguais

A grande e velha amizade, aquela força sensacional que uniu os jovens estudantes na luta por uma França justa e melhor para todos, mesmo que eles próprios não fossem miseráveis como o povo que sofria. Cada um deles se dedicou à sua maneira - pela causa ou pela amizade, e ficou na luta com os amigos até o final.


STORGE: afeição natural; um pai pelos filhos e vice-versa

Jean Valjean foi preso por ter roubado um pão para alimentar o filho da irmã. Anos depois, Valjean conhece Fantine, que já estava morrendo, se comove com sua dor e promete a ela encontrar e resgatar sua filha, Cosette. Valjean desde então a criou como sua própria filha, e dedicou toda sua vida a ela e aos outros, sem jamais pensar em si mesmo.


♥♥♥


E, no meio disso tudo, não ligando a mínima pra alma solitária do Marius, temos o sensacional Enjolras.



Meu garoto.

Um comentário:

  1. Amei o post!
    Já conhecia os tipos de amor, e que bom que você falou neles, pq todos deveriam conhecer também!

    Mas achei genial relacioná-los todos dentro dessa história!

    Bjo cara-jacu-gêmea!

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