31/10/2015

Sugestões de Leitura de 2015: Setembro - Outubro

Eu DEFINITIVAMENTE não vou alcançar a média que me impus no começo do ano. Não é necessariamente ruim já que, da mesma forma, li pra caramba; mas, agora, a meta do ano que vem ficou ainda maior, hahah!

Listo a seguir tudo o que li nos dois últimos meses. Para conferir as leituras dos meses e anos anteriores, clique na tag "leitura" no fim da postagem ou no menu suspenso lá em cima!



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Ficção:

Excalibur
Bernard Cornwell - Record - 2014 (1997) - 529p.

Terceiro e último volume de As Crônicas de Artur, de que falei no último relatório. Na condição de último volume, já era esperado que fosse ter um monte de tragédias ao fim dessa narrativa de Derfel para a querida rainha Igraine, e teve, mesmo. Começamos a gostar de personagens que odiávamos e passamos a detestar personagens de quem gostávamos, damos nossos dolorosos adeus a vários queridos e nossos sinceros "vão pela sombra" a diversos desafetos. Essa versão mais histórica e menos lendária de Artur é repleta de inevitáveis batalhas, traições e injustiças, mas igualmente rica em lealdade, amor e heroísmo. A história do Rei Artur sempre me fascinou e já conheci diversas versões dela, mas acho que esta foi a que transmitiu uma paixão tal que também quero acreditar, como o autor, que ele realmente existiu. Se eu fosse britânica, sentiria um orgulho imenso em ter tido heróis nacionais como Artur e o próprio Derfel (que foi omitido das lendas conforme os anos passaram) e seus guerreiros e amigos.




O Trono Vazio
Bernard Cornwell - Record - 2015 (2014) - 334p.

Depois de ter me acostumado com a narrativa apaixonada de Derfel n'As Crônicas de Artur, até fiquei com saudade de ler o desbocado do Uhtred, hahah! Também fiquei com medo de ter esquecido coisas importantes da história, já que tem quase um ano desde que li o volume anterior. Felizmente, Cornwell tem o costume de colocar breves retrospectivas nos diálogos entre os personagens, então me "reambientei" rapidinho. Este é o oitavo volume de Crônicas Saxônicas (que agora tem série - The Last Kingdom -. Assistam!) e acho que Cornwell ainda não tá pensando em terminar. Agora velho e sofrendo as dores do último ferimento em batalha, Uhtred ainda dá seu apoio a Æthelflæd pelo trono da Mércia, que pertencia a seu esposo e inimigo, Æthelred. Mas muitas pessoas têm suas próprias ideias sobre quem deve suceder o senhor do último reino sem rei, então a batalha nunca termina. Além disso, vamos dar um breve passeio por Gales, conhecer seu rei e seus guerreiros, e mais alguém que fará grande diferença no destino da futura Anglaterra. Agora temos mais participação de Stiorra e Uhtred, filhos de Uhtred (filho de Uhtred, filho de Uhtred...) e, com o nosso narrador e protagonista atualmente mais ranzinza do que de costume, a narrativa continua muito divertida. E violenta, claro. (queria muito poder comentar algo sobre a manobra inteligentíssima que Uhtred fez na reunião mais importante do Witan na Mércia, mas vou ter de me abster...)




Vampiros do Espaço
Colin Wilson - Círculo do Livro - 1980 (1976) - 235p.

Desenterrei este da estante da sala procurando por algo que fosse ou terror ou ficção científica, e então o vi e achei que fosse uma boa solução pro meu dilema. Em alguma data bastante no futuro, uma expedição enviada ao espaço para estudar a passagem do cometa Haley fez uma inesperada descoberta: uma nave colossal, aparentemente abandonada há centenas de anos, estava presa na cauda do cometa. Intrigada com o mistério de uma nave antiga demais para ser do planeta Terra ou mesmo do nosso Sistema Solar, a tripulação resolveu abordá-la. O que viram lá dentro foi ainda mais estranho: a nave parecia uma espécie de templo e, em estase, encontraram quatro seres espantosamente humanos. Excitados com a teoria de que esses seres avançados poderiam ser a origem da espécie humana, os tripulantes receberam ordens de trazer os tais seres para a Terra para que fossem estudados. Bom, foi uma ideia bem infeliz. Logo descobriu-se que não era a primeira vez que esses seres estiveram por aqui, e, da pior maneira, também descobriu-se que eles não são fáceis de mandar embora. O enredo é bem equilibrado entre ficção científica e terror, mas, como grande parte das histórias de vampiros (por mais que estes não sejam sugadores de sangue), um tanto sensual demais pra me deixar confortável com a leitura. Em contrapartida, gostei bastante do que foi inventado sobre essas criaturas e sua relação com o nosso planeta e outros. E, como sempre, acho divertidíssimo ler esses livros antigos ambientados no futuro, porque, ao mesmo tempo em que a criatividade dos autores coloca coisas maravilhosas no dia a dia da humanidade, há coisas que eles acham que ainda existirão no futuro, como, no caso deste, telegramas. (Existe um filme baseado no livro, chamado Força Sinistra. Ainda não o assisti, mas ouvi dizer que é bem trash - apesar de ter o Patrick Stewart, então deve valer assistir...)




e-book:

A Noite Devorou o Mundo
Pit Agarmen - Rocco - 2014 (2012) - 208p.

O escritor Antoine Verney estava entediado em uma festa no apartamento de uma amiga da alta sociedade. Ele próprio não pertencia à mesma classe social daqueles mais de 70 convidados e não conseguia se enturmar com ninguém; por isso, se fechou na biblioteca da amiga para beber sozinho. Acabou apagando e, quando acordou no dia seguinte, encontrou o luxuoso apartamento banhado em sangue e vazio - exceto por um cadáver sem cabeça. Ouvindo o caos lá fora, foi até a sacada e viu o impensável: uma horda de zumbis atacando pessoas na rua. Sensato, decidiu ficar fechado no apartamento até que compreendesse melhor a situação e o que poderia fazer a respeito. Da sacada do apartamento em Paris, Antoine acompanha a decadência da humanidade enquanto se conforma com a ideia de ser o único sobrevivente. Contado em forma de diário, esse é um livro de um personagem só lutando pela própria sobrevivência em uma situação inesperada - mais ou menos nos moldes de Perdido em Marte; mas, ao contrário do habilidoso astronauta, o escritor é um homem bem comum e procura manter uma rotina de atividades para ter uma falsa impressão de normalidade. Entretanto, Antoine não permanece completamente são por muito tempo, e é o seu comportamento meio maluco que torna esse livro mais engraçado do que assustador. Ao mesmo tempo, Antoine faz reflexões sobre a situação em que está a própria vida, com a qual me identifiquei várias vezes. Foi um livro que me prendeu pela curiosidade do desfecho, que acabou não sendo exatamente o que eu esperava. Uma leitura divertida e ótima para reflexão.




Não-ficção:

Sapiens: Uma breve história da humanidade
Yuval Noah Harari - L&PM - 2015 (2012) - 464p.

Uma leitura fantástica! Não só porque sou fascinada por Evolução e Comportamento, pois tenho certeza que todos com um mínimo de interesse pela própria história ficariam impressionados com toda a informação que tem aqui. Não sei nem se vou conseguir resumir aqui tudo o que esse livro abrange. A ideia principal é explicar por que nós, Homo sapiens, fomos a única de todas as espécies humanas a sobreviver no planeta, como nosso comportamento único sobrepujou todas as outras espécies, e de que forma a nossa prevalência afetou o mundo. O autor, que é historiador, não nos coloca como uma raça especial, como muitos gostamos de acreditar, mas aponta, com as evidências históricas, o quanto a soberania sapiens é ruim, tanto para o planeta quanto para nós mesmos, e o quanto nos aproveitamos mal da evolução ao criarmos conceitos abstratos em que basear nossas sociedades. Harari começa nos mostrando como éramos animais insignificantes, que precisavam esperar os animais maiores terminarem de comer para comer os restos que eles deixassem, e vai acompanhando a humanidade passar pela Revolução Agrícola, que é quando começa a criação de conceitos puramente humanos, como direitos humanos, Estado, dinheiro, religião e, infelizmente, preconceito. Passando pelo longo da história da humanidade, Harari vai nos explicando como surgiram as ideias absurdas do preconceito racial, sexual e de gênero, com uma discussão excelente sobre o assunto. E mais: por que o dinheiro se fez necessário e como o fizemos se tornar indispensável, como os grandes impérios se formaram e funcionaram, por que o surgimento das religiões foi mais benéfico do que se imagina; até chegarmos às Revoluções Científica e Industrial e no que elas implicaram para o desenvolvimento e, especialmente, a destruição da humanidade. Enfim, aqui tem aula de biologia, história, psicologia, economia, política, física. Este é um livro que eu recomendaria fortemente como leitura obrigatória (inclusive: obrigada pela indicação, Edison; e pelo presente, Gibran!).



HQ:


Aurora, de Felipe Folgosi. Esse foi um projeto que ajudei a apoiar no Catarse no ano passado e finalmente ficou pronto! Aurora conta a história do pescador Rafael que, em alto-mar com seus companheiros, presencia um fenômeno astronômico que acaba o afetando fisicamente e dando-lhe certas habilidades, como consequência. Infelizmente, para ele e sua família, tais habilidades colocam sua vida em risco - além de sua saúde estar seriamente comprometida, há gente poderosa e inescrupulosa querendo "conhecê-lo melhor" e entender como usar essas habilidades em benefício próprio e em consequente detrimento de outras pessoas. É uma história bem bacana e a gente fica querendo que ela fosse um pouco maior, e certamente renderia um filme bem legal. O final é emocionante! Muitos devem reconhecer o nome do autor como o do ator e apresentador de TV, e é ele, mesmo; seguindo um caminho novo e, até agora, fazendo isso bem.

28/10/2015

Argos, o cara que tava de olho em tudo

Argos Panoptes, de Marco Arce
Zeus, o Grande Pulador de Cerca Todo-Poderoso do Olimpo, veio à Terra se engraçar com a ninfa escolhida da vez, Io. Hera, a Deusa Protetora das Famílias e o Terror das Ninfas Seduzidas Pelo Marido, veio atrás do esposo para acabar com o oba-oba.

Mas, antes que Hera pudesse fazer algo a respeito (provavelmente transformar a ninfa em um animal ou uma árvore, como era o seu costume), Zeus foi rápido e, para proteger sua amante, resolveu disfarçá-la da esposa... transformando-a numa vaca.

Óbvio que o truque não ia funcionar com a Deusa Transformadora de Ninfas, então Hera jogou um charme dissimulado pra cima do maridão e disse algo como:

"Amor, que vaca maravilhosa! Me dá ela de presente?" *olhar brilhante de deusa enfurecida assassina sanguinolenta que não dá opção*, e Zeus teve de concordar.

Assim, Hera levou sua mais nova ninfa-vaca embora e a colocou sob guarda pra que o marido não viesse resgatá-la. Para guardá-la, Hera escolheu Argos Panoptes.


*interlúdio para a apresentação do grande Argos Panoptes*


Argos Panoptes era um gigante de origem controversa. Não se sabe muito bem quem eram seus pais, mas sabe-se que seu sobrenome significava "aquele que tudo vê" por um ótimo motivo: Argos tinha cem olhos espalhados por todo o corpo. Dizem que ele nunca fechava todos os olhos ao mesmo tempo; assim, quando dormia, metade deles estava sempre acordada. Além disso, Argos era superforte e já era famoso e respeitado por todos por ter ajudado em diversas ocasiões:  matou um touro que estava devastando uma cidade, matou um sátiro que roubava e violentava as pessoas, matou uma serpente que oferecia perigo a uma estrada, e matou os assassinos de seu suposto pai. Por tudo isso, Argos foi a escolha óbvia de Hera como guardião.


*fim do interlúdio*


Argos guardou a prisioneira fielmente por muito tempo, soltando-a para pastar e depois amarrando-a a uma oliveira no resto do tempo. Mas Zeus queria muito sua ninfa de volta, então pensou numa maneira de resgatá-la da esposa. Daí, então, foi ter uma conversinha com Hermes, o Deus de Um Monte de Coisas e Também dos Ladrões. Hermes não tinha como dizer não para Zeus, seu pai, então foi até o cativeiro de Io e pensou em como derrotar o seu grande e atento guardião.

Aqui, a história ganha duas versões. Uma delas diz que Hermes chegou sorrateiramente e matou Argos com uma pedrada, o que eu acho bem improvável, já que era impossível "chegar sorrateiramente" perto de Argos. A outra diz que Hermes chegou amigavelmente e sentou para conversar com o gigante, aí tocou uma doce melodia com sua flauta que colocou o grandão pra dormir, e aí, com menos olhos atentos, Hermes o decapitou com sua espada.

Descontentíssima, Hera soltou a ninfa-vaca Io e a obrigou a vagar pelos pastos da Ásia e Europa. Ela eventualmente chegou ao Egito, e lá Zeus a reencontrou, devolveu sua forma humana, e então tiveram um filho.

Enquanto isso, Hera homenageou o fiel Argus transferindo seus cem olhos para a cauda de sua ave favorita e também seu símbolo, o pavão.


Wilhelm Heinrich Roscher, 1890


Fonte: Theoi

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Há algo que vocês precisam saber sobre os meus posts de mitologia: são coisas do meu dia-a-dia que me fazem lembrar de certas histórias. Hoje mesmo eu estava pensando em como seria bom ter mais olhos pra que eu pudesse ler várias coisas ao mesmo tempo, aí me lembrei de Argos. Agora quero que todo mundo lembre, também.

24/10/2015

Como escolher o que ler quando há muitas opções




Parece um tema besta de postagem, mas é que escolher a próxima leitura é algo que me ocupa tanto tempo e me exige tanto esforço que achei bom escrever sobre isso, caso alguém sofra o mesmo.

Já falei várias vezes sobre o projeto de ler tudo o que tem aqui em casa. Já disse algumas vezes que a gente tem cerca de 1500 livros. E também já comentei muitas vezes que, só aqui no meu quarto, ainda tenho vários que nunca saíram do plástico. E, finalmente, já devo ter comentado que tô me saindo bem mal nesse projeto porque tô sempre ganhando (mais do que comprando) livros. (NOTA: não parem de me dar)


Quer saber pra que eu tenho tanto livro? Leia aqui a postagem especial que fiz para O PASTEL NERD e entenda!


Excetuando casos em que temos de ler algo pré-determinado por motivo de estudo ou trabalho, escolher uma leitura de lazer pode ser um processo bastante trabalhoso. Normalmente, ao terminarmos uma leitura, já temos uma ideia do que queremos ler em seguida. Por exemplo, se estamos lendo uma série, a escolha óbvia é começar o próximo volume, se já estiver disponível. Às vezes, estamos imersos em algum gênero específico e queremos ler outras coisas parecidas. Ou, então, estamos descobrindo um autor e buscamos ler outras obras dele para formar opinião ou continuar curtindo. Pode ser que estejamos lendo uma não-ficção e aí queiramos dar continuidade ao assunto lendo o que foi recomendado nas referências bibliográficas, ou qualquer outra coisa que já tenhamos sobre o assunto. E também pode acontecer de sabermos que será lançado um filme baseado em algum livro e tenhamos curiosidade de lê-lo antes de assistir. Ou vice-versa. Esse é o processo normal das coisas.

Mas, aí temos pessoas que têm muitas opções. São pessoas que têm uma quantidade absurda de livros em casa, ou que frequentam bibliotecas, ou que adquirem e-books à vontade. Essas pessoas são indivíduos que já leram muita coisa na vida e querem ler ainda mais e, talvez por isso, nem sempre tenham em mente o que gostariam de ler depois de terminar o que estão lendo agora. É aqui que eu explico como faço pra lidar com esse dilema:



  • Meta do Skoob

Quem é cadastrado no Skoob sabe que o site pode ser uma ótima ferramenta de organização de leitura. A gente marca tudo o que já leu, dá nota, faz resenha, recomenda, troca, vende, marca os desejados, compra. Uma função legal, lá, é criar uma meta anual de leitura: é só marcar os livros que você pretende ler durante o ano e, conforme for terminando cada um, a barra de progresso vai aumentando e você pode controlar o que já leu e o quanto ainda falta. Como motivação pra que você não desista da meta, até ganhamos uma "medalha" a cada 250 páginas lidas. Essa é uma maneira de já determinar uma lista prévia do que ler e se ater a ela.




Entretanto, esse não me é um método muito eficaz, porque eu sempre acabava colocando na meta os livros que estavam há um tempão na espera, e, não raro, muitos acabavam ficando pra meta do ano seguinte simplesmente porque não estava no clima de lê-los ainda. Então, como veem ali na imagem, acabo colocando os poucos que tenho certeza que vou ler antes (por um ou outro motivo), e vou "furando a fila" com outras prioridades ou vontades que vão aparecendo no decorrer do ano. É a única maneira de ter certeza que vou cumprir a meta do Skoob!


  • Ordem da estante

Nos momentos de extrema dúvida, recorro à ordem. Na sala e no escritório, nossos livros são separados nas prateleiras por gênero e agrupados por autor. Se eu já sei que gênero ou autor quero ler, é só ir à prateleira certa e ir pegando os livros pela ordem que estão lá. Assim, sei que não corro risco de pular nenhum e, eventualmente, cumpro a meta de ler todos aqueles.

Agora, no meu quarto, por ter menos livros, a organização é diferente. Eu os separo na estante por ordem alfabética de sobrenome do autor (não sei que raio de organização é essa, mas achei mais fácil localizar os livros assim). Por isso, seguir a "ordem da estante" aqui nem sempre faz sentido, mas já tentei fazer assim... E não funcionou muito bem, por dois motivos: 1) continuo furando a fila, e 2) não cabem mais livros na minha estante, então agora está tudo levemente desorganizado (porque agora encaixo os novos onde cabem ou os empilho na cabeceira cama).


  • Sorteio

Esse é um método recente que descobri pelo Pinterest e achei uma boa ideia. Escrevi o nome de (quase - haja preguiça!) todos os livros que quero ler em pedaços de papel, dobrei e os coloquei dentro de um vidro. Aí, quando acabo um livro, se não souber o que quero ler depois, tiro um papelzinho de lá e pronto, decidido! Fiz isso pra escolher o que estou lendo no momento e, como ele tem uma continuação, estou com o problema resolvido por um tempo. Não sei até quando vou respeitar esse método sem dobrar o papelzinho sorteado de novo e pegar outro, mas acho que tem boas chances de funcionar.


  •  O método C.S. Lewis

Li certa vez uma citação do autor em que ele dizia que uma boa maneira de se ler de tudo é intercalar a leitura de um livro novo com a de um livro antigo. Achei essa uma ideia sensacional porque, como estou constantemente adquirindo livros novos, os antigos que ainda não li vão ficando cada vez mais pra trás na fila de espera. Fazendo assim, damos chance igual a tudo - dá pra dar uma chance àquele clássico esquecido, ou dá pra retomar algo que abandonamos há anos por não ser o momento certo de tentar, quase ao mesmo tempo em que nos inteiramos do que todos estão falando ou das novidades do gênero/autor. 

Outra coisa que faço para garantir que eu leia de tudo é ler dois livros ao mesmo tempo. Geralmente, um é de ficção e o outro é de não-ficção: o primeiro é o que costumo ler pra relaxar antes de dormir, e o outro é o que leio durante o dia, sempre que tenho uns minutinhos à toa. Desse jeito, dou uma boa avançada na meta e aproveito melhor tudo o que minha biblioteca tem a oferecer!


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Espero que algum dos métodos aqui apresentados inspire o leitor ávido e indeciso. Se você tiver algum método que queira compartilhar, por favor, nos conte! Boas leituras!

16/10/2015

5 coisas que quero aprender




Eu amo, amo, AMO estudar. No que dependesse de mim, passaria minha vida estudando e aprendendo tudo o que pudesse. Não gosto da sensação de não entender como algo funciona ou por que as coisas são como são. Sempre fui autodidata quando me faltava a oportunidade de aprender o que eu tinha vontade, e foi mantendo essa mentalidade a minha vida inteira que aprendi de tudo um pouco, então me orgulho de poder contribuir com o que sei quando precisam.

Bom, deve ter gente rindo e pensando que sou uma coitada de uma "nerd/CDF" que não sabe curtir os prazeres da vida mas, ei!, estudar É um dos maiores prazeres da minha vida. E não existe problema nenhum nisso. É saudável, faz bem, me deixa feliz e não machuca ninguém. ;)

Dito isso, aqui vai uma lista das coisas que ainda pretendo aprender:





Russo, Latim e Gaélico

Aprendi inglês sozinha (começando com letras de música e um dicionário) e comecei a aprender alemão da mesma forma. Embora nunca tenha chegado a fazer um curso de inglês (exceto por um semestre simbólico para que eu pudesse ter um certificado), tive oportunidade de estudar formalmente alguns anos de alemão e francês. Mas esses cursos precisaram ser interrompidos e desde então venho estudando sozinha pra, pelo menos, não perder o que aprendi.

Só que estudar sozinha não me garante fluência em nenhuma dessas línguas e isso me entristece bastante. O jeito é me conformar em ter uma noção básica para que eu ao menos possa ler e entender textos nessas línguas, e é com essa intenção que quero aprender ainda outras. Russo, latim e gaélico estão na minha lista de prioridades, por enquanto, e são as que eu venho tentando aprender agora. 

Latim é muito mais simples do que parece (e isso pode tornar o aprendizado incrivelmente confuso!), mas o russo tá se mostrando um verdadeiro desafio. Enquanto eu não decorar o alfabeto e sua pronúncia correta, vou demorar pra conseguir aprender todo o resto, mas com mais treino eu sei que eventualmente consigo. E o gaélico é uma coisa bizarra pra qual não tenho muitos recursos para aprender, mas já consegui ao menos um dicionário e vou ver o que consigo fazer a respeito. Se eu tiver que ir pra Irlanda aprender, é uma boa desculpa pra viajar, não é?


Discipula sedula sum :)




Caligrafia

Desde criança eu tive vontade de aprender caligrafia profissional. Não sei pra que, especialmente porque é uma arte cada vez menos utilizada, mas sempre me fascinei por escrita e achava que seria legal aprender a fazer algo bonito com isso. Meu pai chegou a me dar uma apostila que ensina a fazer vários tipos de letras estilizadas e brinquei bastante com ela pra matar um pouco da vontade, mas ainda tenho aquela coceirinha de comprar os pincéis e tintas especiais e me jogar na arte. 

O que me impede é a triste realidade de saber que vou investir financeiramente em algo que não vai me dar retorno. Queria muito, muito ter dinheiro sobrando pra aprender tudo o que quero só por aprender, mesmo...



Esgrima

Isso deve ter parecido esquisito. Nunca fui a louca dos esportes (mal aprendi a jogar os esportes básicos da Educação Física e nunca tive muito interesse por eles), apesar de gostar de esportes como o xadrez. E nunca tive vontade de aprender artes marciais, apesar de gostar de assistir, porque, embora seja tentador aprender a bater nas pessoas, não sei lidar muito bem com a parte de apanhar. 

Mas a esgrima, poxa, a esgrima me dá lombriguinhas. Parece um treco esnobe, mas acho tão bonito! Amo de paixão ver boas cenas de lutas de espadas em filmes medievais (e, claro, sabres-de-luz em Star Wars!) e gostaria muito de saber fazer isso. Eu, como sempre, me interesso em aprender coisas que não vão me servir de nada na praticidade do dia a dia, mas eu não seria muito mais legal se soubesse usar uma espada?!



Tocar trombone

Acho que sempre tive vontade de aprender a tocar um instrumento musical, mas, até agora, não demonstrei muita habilidade ou talento pra nada ("nada" sendo o violão, que tentei aprender a tocar sozinha e não tive a mesma sorte que costumo ter com línguas, e o teclado, de que até consegui arrancar alguma coisa mas sem muita coordenação motora pra isso). 

Tenho impressão de que me sairia melhor com instrumentos de sopro (ou de percussão, mas esses ocupam muito espaço e isso é problemático) e, desde que comecei a me encantar por ska e jazz, sinto uma vontade inexplicável de aprender a tocar trombone. Não o sensual saxofone ou o prático trompete, mas o destrambelhado trombone de vara. Acho um instrumento divertido e deve ser muito legal de tocar; mas como diabos eu faria pra praticar trombone, e o que faria com ele depois, é um mistério. Acho que vou ficar só na vontade, mesmo.


Só que é injusto até a decoração de Natal de 2009 saber tocar e eu, não.




Mais biologia

Quatro anos de faculdade é pouquíssimo pra se ter uma mínima noção básica de tudo o que existe para se saber sobre a Vida. Não se trata apenas de estudar células (citologia), animais (zoologia) e plantas (botânica), mas também as estruturas físicas (anatomia) e celulares (histologia) deles, funcionamento (fisiologia), formação (embriologia), origem (evolução) e relação (ecologia); além de toda a matemática, (bio)física e muita, muita (bio)química que isso tudo envolve. 

Por isso, sempre que posso, leio e estudo mais sobre as áreas que mais gosto, mesmo que não atue como bióloga. E ainda tô juntando motivação pra me aprofundar nas áreas que gosto menos, porque não consigo lidar com a sensação de não entendê-las direito; e acho que lá no fundo (beeem no fundo) eu devo gostar de botânica, mas ainda não sei disso. HAHAHA


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Essas são as cinco coisas que quero aprender, por enquanto. E vocês, o que têm vontade de aprender?

12/10/2015

10 longas que marcaram a minha infância

Hoje é Dia das Crianças e eu comemoro mesmo. TONENHA-Ê.

Esses filmes que vou listar abaixo estiveram muito presentes na minha infância. Os que eu não tinha em VHS passavam incansavelmente na TV, então assisti a todos muitas e muitas vezes, a ponto de ainda saber algumas falas de cor.

'bora pra sessão nostalgia:




Willow - Na Terra da Magia



Título original: Willow (1988)
Direção: Ron Howard
Escrito por George Lucas
Elenco: Warwick Davis, Val Kilmer e Joanne Whalley
Sinopse: Willow é um fazendeiro que, com sua família, recebe do acaso a complicada de missão de criar uma bebê especial e protegê-la de uma rainha tirânica que planeja matá-la e dominar o mundo com espada e magia (quem nunca?).

Esse nós tínhamos gravado em VHS, então assistimos à exaustão. Levei muitos anos para poder assistir a esse filme de novo pois, até onde eu sabia, ele não tinha chegado a ser lançado em DVD por aqui, então foi difícil conseguir encontrá-lo. Minhas lembranças com esse filme são, principalmente, da minha irmã dizendo Wi-i-i-illo-o-o-ow! igual à cabra.



Convenção das Bruxas



Título original: The Witches (1990)
Direção: Nicolas Roeg
Baseado no livro de Roald Dahl
Elenco: Anjelica Huston, Jasen Fisher e Rowan Atkinson
Sinopse: Um garoto recentemente órfão viaja com a avó para a Inglaterra. Mas, no hotel onde ficam hospedados, ele descobre que está havendo um encontro de bruxas que planejam exterminar todas as crianças do país.

Este é outro que tínhamos em fita e assistimos muito. Era um filme que me dava um pouco de medo, especialmente na clássica cena em que Anjelica Houston tira a máscara do seu disfarce humano e revela como realmente é...



Os Espíritos


Título original: The Frighteners (1996)
Direção: Peter Jackson
Elenco: Michael J. Fox, Trini Alvarado e Jeffrey Combs
Sinopse: Após sofrer um trágico acidente de carro que matou sua esposa, um homem descobre que tem habilidades de se comunicar com o além. Ele começa, então, a usar essa habilidade para aplicar golpes da "casa assombrada" e tirar dinheiro das pessoas com seus "exorcismos". Entretanto, há um demônio à solta matando tanto vivos quanto espíritos, e ele pode ser a única pessoa a impedir.

Minha mãe gravou esse em fita e, então, foi outro que assistimos muito. O engraçado é que eu sempre achei que esse era um filme de terror, até assisti-lo de novo recentemente e ver que ele tem bastante comédia. Minha lembrança mais querida é da minha irmã, então bem pequena, aleatoriamente levantando a blusa e dizendo "Meu corpo é um mapa rodoviário de dor!". Era engraçado, juro.



Caravana da Coragem



Título original: The Ewok Adventure (1984)
Direção: John Korty
Escrito por George Lucas
Elenco: Eric Walker, Warwick Davis e Fionnula Flanagan
Sinopse: Um grupo de Ewoks resolve ajudar dois irmãos humanos que estão perdidos em suas terras a encontrar seus pais.

Me lembro de ter assistido muito quando criança, mas assisti de novo recentemente e, sinceramente, não sei por que eu gostava tanto. Os Ewoks são fofos mas muito, muito irritantes, hahahah!



A Espada Era a Lei


Título original: The Sword in the Stone (1963)
Direção: Wolfgang Reitherman
Baseado no livro de T.H. White
Sinopse: O mago Merlin treina o garoto destinado a se tornar o Rei Artur.

Lembro que nós tínhamos essa animação em VHS mas nunca assistimos muito porque a fita estava com defeito bem no final do desenho; então eu nunca o assisti inteiro até recentemente. Era frustrante porque era um desenho que eu gostava muito, e passar a vida sem poder assistir o final foi um pouco cruel, haha.



A Família Addams 




Título original: The Addams Family (1991)
Direção: Barry Sonnenfeld
Baseado nos personagens de Charles Addams
Elenco: Anjelica Huston, Raul Julia e Christopher Lloyd
Sinopse: Essa família macabramente excêntrica fica sabendo da existência de um parente perdido e faz de tudo para acolhê-lo, sem desconfiar de que é tudo um plano tramado por pilantras que querem roubar sua fortuna.

Um favoritíssimo que nós tínhamos gravado em fita, assistimos muitas vezes e ainda assistimos sempre que passa na TV. Acho que sei quase todas as falas de cor e ainda rio das mesmas coisas. 



Aristogatas



Título original: The Aristocats (1970)
Direção: Wolfgang Reitherman
Sinopse: Uma senhora muito rica estava doente e resolveu deixar em testamento tudo para sua gata e os filhotes. O invejoso mordomo, então, sequestrou os gatinhos e abandonou todos no meio do nada. Com a ajuda do vira-lata O'Malley, a família de gatinhos aristocratas tenta voltar pra casa e, enquanto isso, vai conhecendo a vida felina boêmia e muitos amigos. 

Todo mundo, todo mundo quer a vida que um gato tem! ♫ Esse era um favorito absoluto; lembro dele inteiro, até das músicas! Uma fofura e quero ver de novo



Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros



Título original: Jurassic Park (1993)
Direção: Steven Spielberg
Baseado no livro de Michael Crichton
Elenco: Sam Neill, Laura Dern e Jeff Goldblum
Sinopse: Ao conseguirem extrair o DNA de dinossauros a partir de uma amostra fossilizada em âmbar, cientistas criam clones jurássicos e um parque é aberto para exibir as criaturas. Só que, durante o passeio experimental antes do parque ser oficialmente aberto, há uma queda de energia que acaba soltando os animais e deixando todo mundo preso lá.

Me lembro como se fosse ontem o dia em que um pessoal que estava de visita na nossa casa pegou o filme na locadora e nós assistimos. E, não só nessa primeira vez, mas em várias das vezes que o assisti depois, esse filme me deu um baita medo. A cena das crianças presas na cozinha se escondendo dos raptors é facilmente uma das mais tensas do filme e eu morria de medo dela.



A História Sem Fim



Título original: The NeverEnding Story (1984)
Direção: Wolfgang Petersen
Baseado no livro de Michael Ende
Elenco: Barret Oliver, Noah Hathaway e Tami Stronach
Sinopse: Bastian é um menino constantemente atormentado por valentões na escola, até que um dia vai até uma livraria e é apresentado a um livro "mágico, porém perigoso". O menino o pega escondido e, ao lê-lo, acaba sendo transportado para a terra de Fantasia, que precisa de alguém que a salve de sua destruição iminente.

Esse era outro favorito e pelo qual ainda tenho muito carinho e ainda choro na mesma cena (todos sabemos qual). Só pude ler o livro depois de muitos anos e descobri que a história original é muito diferente e teria rendido uma boa continuação, se a continuação tivesse tido algo a ver. :B 



O Estranho Mundo de Jack



Título original: The Nightmare Before Christmas (1993)
Direção: Tim Burton
Baseado em uma história de Tim Burton
Sinopse: Jack Skellington é o rei da Cidade do Halloween, mas está entendiado de fazer tudo sempre igual. Então, uma vez, após conhecer a Cidade do Natal, decide convencer os monstros de sua cidade a comemorarem o Natal, dessa vez. Só que ninguém entende muito bem como isso funciona...

Houve uma época em que esse filme passava todos os anos na TV aberta na época de fim de ano, mas já tem mais de década que pararam de fazer isso e tenho sentido falta, desde então. Faz anos que não o assisto!


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Tem muitos mais, mas esses foram os 10 primeiros de que me lembrei. Quais foram os longas que os acompanharam na infância?

07/10/2015

Uma espiadinha no meu trabalho

Minha mesa de trabalho também é a minha mesa de lazer. Passo mais tempo nela do que em qualquer outro lugar da casa ou do mundo.



Acho que, a essas alturas, todos vocês sabem que eu venho trabalhando com tradução. Sou freelancer, o que significa que a demanda é inconstante, os prazos são apertados e a questão financeira é imprevisível. Além disso, trabalhar por conta própria não se resume a simplesmente fazer o seu trabalho, mas ainda administrá-lo (procurar e manter clientes, elaborar e negociar orçamentos e cobranças, investir em material e ferramentas, etc.). Entretanto, não vou falar aqui sobre a profissão ou o mercado de trabalho, mas só lhes dar uma ideia de como funciona minha rotina de trabalho.


Ao receber o material para traduzir, tenho que torcer para ser em arquivo de Word ou ao menos um PDF desbloqueado para cópia (ou qualquer outro formato que eu possa copiar e colar no Word). Se eu não der essa sorte, já começo tendo que me virar nos 30 pra converter o arquivo para um formato com o qual eu possa trabalhar. Na verdade, posso trabalhar com qualquer formato de texto (afinal, teoricamente, é só ler o texto e reescrevê-lo em outra língua), mas assim leva muito mais tempo e dá muito mais trabalho do que o necessário. Utilizo ferramentas para otimizar o meu trabalho e permitir que eu o entregue dentro do prazo (geralmente absurdo) que me pedem, então facilitar pra amiga aqui é sempre preferível (pô, sério, serviço ingrato copiar PDF de trocentas páginas e depois formatar tudo no Word). Aí faço a contagem de palavras e elaboro o orçamento para o cliente.

Feito isso, começa a aventura.




Dei uma disfarçada nos amigos ali caso alguém estivesse ouvindo um guilty pleasure, vai saber


Trabalhar em casa é complicado. Principalmente porque casa não é ambiente de trabalho, então as distrações são muitas: o movimento das outras pessoas, os animais de estimação, os vizinhos, outras obrigações domésticas. Somado a isso, tenho que lidar com o meu déficit de atenção e hiperatividade; então, como costumo ouvir música pra fazer isso, fecho a porta, coloco meus fones e recorro ao Spotify e sua linda playlist Deep Focus.


Uma regra que me imponho para lidar com o TDAH, também, é definir pontos de intervalo. Se eu parar toda vez que tenho vontade de parar, o serviço não rende; então me proíbo de interromper o trabalho até completar tantas páginas ou parágrafos (aí, sim, posso levantar pra esticar as pernas, comer, ir ao banheiro, brincar com os gatos, e depois voltar). Pra isso, tenho a maravilhosa ajuda do Wordfast Classic:


Quem disse que o trabalho do tradutor é emocionante?


Eu demorei um bom tempo pra aprender a mexer nessa ferramenta, mas, depois que aprendi, não vivo mais sem. ♥ O Wordfast Classic é uma CAT tool que funciona junto com o Microsoft Word. CAT tools são ferramentas de tradução assistida por computador, ou seja: não é um tradutor automático, mas uma ferramenta que ajuda a otimizar a tradução manual. Ela faz isso primeiro ao dividir o texto em segmentos menores pra que a gente não veja o volume total do trabalho e se desespere, haha pra tradução ficar mais confortável. Ao mesmo tempo, salva uma memória automática do que vamos fazendo (podemos classificar essas memórias por assunto) para que, se posteriormente formos trabalhar com um texto similar ou da mesma área, a ferramenta identifique segmentos parecidos e já sugira uma tradução para aquele segmento. E também há como montar um glossário de terminologias, pra gente não ter que digitar de novo toda vez que aparecer um termo específico que já sabemos que vai aparecer muito.


Bom, a pesquisa dos termos específicos é o que mais me toma tempo. Não é sempre que eu dou sorte de traduzir um texto sobre um assunto que eu tenha um mínimo de domínio, então é frequente eu levar muitas horas pesquisando por termos relativamente simples, mas que não conheço. Pra isso, usa-se uma variedade de fontes. Os mais recomendados são os sites de corpora (que são sites de busca de termos que os listam em colunas comparativas no par de línguas desejado, inseridos em contexto textual), mas os acho muito, muito complicados de manipular (eu sei que, no fundo, eles não são, mas ainda tô tentando aprender). Então, recorro às outras opções.


O Linguee deveria ser evitado, mas ainda quebra um bom galho enquanto eu não aprender a mexer em sites melhores de corpora...


Ao topar com um termo desconhecido, então, primeiro recorro a uma busca no Google Acadêmico (scholar.google.com), que lista artigos acadêmicos e, portanto, tem as melhores chances de me mostrar os termos que procuro (já que traduzo principalmente artigos científicos). Caso o que eu encontre lá me gere muita dúvida, vou pro Linguee, que é um site de corpora, mas não muito especializado (por isso, geralmente não recomendado). Ainda havendo dúvida, recorro ao Google Tradutor (que pode ser uma ferramenta excelente para pesquisa de termos, desde que não seja usado para traduzir textos na íntegra) e então pego o que ele me der e pesquiso o resultado no Google, para conferir a frequência de uso (por exemplo, se eu tiver achado duas ou mais traduções pro mesmo termo, pesquiso no Google qual deles acusa maior frequência de uso). Dependendo do assunto do texto que estou traduzindo, até tenho acesso a glossários bilíngues prontos, mas não é sempre que tenho essa sorte.

Bom, dá pra perceber que isso dá muito trabalho e toma muito tempo (além de me fazer digitar o termo trocentas vezes em cada um dos sites, o que me obriga a deixar centenas de abas abertas no navegador e travar tudo), mas uma alma muito caridosa criou o Multifultor, uma ferramenta gratuita muito, muito sensacional. Ela trabalha em conjunto com o Microsoft Word e funciona da seguinte forma: na instalação (e em qualquer momento depois disso) cadastramos no programa todos os sites que usamos para a pesquisa de termos e determinamos um atalho pra cada um deles. Aí, quando estivermos trabalhando com o texto, selecionamos o termo desconhecido, digitamos o atalho desejado, e já pula uma janelinha com o resultado - sem precisar ir até o navegador, abrir o(s) site(s) e digitar lá. Calculando o volume total de texto a ser traduzido, olhem o tempo que isso poupa!


Possivelmente meus melhores amigos.

Claro que, antes de recorrer à internet para a busca de termos não-técnicos, eu corro pro abraço do meu surrado Collins. Esse velhinho raramente me deixa na mão e tem a grande vantagem de permitir que eu trabalhe quando estou sem internet. O tesauro foi uma aquisição mais recente e também me salvou muitas vezes ao me sugerir palavras melhores. E, além deles, ainda mantenho o costume de anotar minhas descobertas em glossários não muito organizados mas super salvadores. Ainda sou da geração que fazia os trabalhos de escola à mão e não tinha acesso garantido à internet até que entrei pra faculdade, então não confio 100% de tudo o que descubro ao meu computador. É muito reconfortante saber que tenho coisas por escrito, e pesquiso em tudo isso aí até mais rápido do que na internet, de tão habituada que estou.



Nem sempre é um trabalho recompensador e nem sempre é um trabalho interessante, mas é certamente um trabalho desafiador que me ensina muito a cada novo serviço. Tenho certo orgulho de conseguir desempenhá-lo satisfatoriamente e gostaria de ser cada vez melhor nele, mas é uma área que exige constante especialização, atualização e investimento, e ainda não há procura muito grande serviço para todos, então não é fácil se virar só com tradução para viver. Mas não pretendo estacar e vou continuar me dedicando como puder à profissão, até que finalmente consiga me especializar em tradução literária, que é o que realmente quero tentar!

Bom, é assim que eu trabalho. Como é o trabalho de vocês?