22/12/2015

Sugestões de Leitura de 2015: Novembro - Dezembro

E essas foram as últimas leituras de 2015! Não consegui alcançar a meta de 60 livros, mas li quase 50 (muitos deles com mais de 500 páginas), então ainda assim considero um bom volume de leitura.

Este ano, pelo que conferi na planilha que mantenho de leituras feitas, não fui muito eclética em gêneros (ao menos, não mais do que sou sempre) ou em autores. A maior parte foi de norte-americanos e britânicos, seguido por alguns brasileiros, portugueses, franceses e um israelense. Não li um livro sequer escrito por uma mulher (exceto por alguns de contos, em que alguns eram de mulheres, e um didático) e acho que deveria me envergonhar disso. Vou procurar variar mais isso, no ano que vem.

Mantive o padrão das postagens bimestrais e acho que vou continuar assim em 2016, mesmo que não retorne tantas visitas quanto as postagens individuais fariam. Como este não é um blog de resenhas, não quero mudar o foco; prefiro continuar apresentando todos estes livros como sugestões pessoais de coisas que li e gostaria que meus amigos conhecessem. Tenho organizado melhor, agora, separando ficção de não-ficção, pra que fique mais fácil vocês filtrarem ao ler as postagens. 

Como sempre, gostaria de saber de vocês: o que leram esse ano e gostariam de me indicar (eu leio todas as indicações, por mais que demore!)? Leram algo que indiquei durante o ano e que gostaram, ou viram algo que estão pensando em ler?

Para conferir mais de uma centena de outras indicações minhas, cliquem na tag "leitura" no final do post, ou no menu suspenso lá em cima! Se estiverem procurando por algum livro específico, pesquisem pelo nome dele lá em cima, na barra de pesquisa (laranja, com a lupa).




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Ficção:


O Nome do Vento
Patrick Rothfuss - Arqueiro - 2009 (2007) - 651p.

Essa foi uma indicação que recebi há alguns anos e demorei vergonhosamente para começar (já tendo o livro na estante desde então!). Admito que o que me fez protelar a leitura foi uma certa preguiça de começar outra Fantasia para adultos - esse é o primeiro volume de A Crônica do Matador do Rei, e até tem recomendação de George R.R. Martin logo na capa. Mas acabei tirando esse no sorteio, então respirei fundo e comecei; e, já desde as primeiras páginas, percebi que o livro não ia ser nada do que eu estava esperando. É uma leitura super fluida e a narrativa em primeira pessoa feita pelo protagonista, Kvothe, transcorre de forma tão interessante que as 600 páginas passam voando. Kvothe é uma figura misteriosa que ganhou fama pelos mais variados, corajosos e ousados feitos, mas que prefere passar uma vida de anonimato como taberneiro. Até que um homem conhecido como Cronista viaja um longo caminho só para encontrá-lo e registrar sua história, e, embora tenha negado enfaticamente a princípio, Kvothe acaba cedendo e contando tudo pela primeira vez: desde sua infância crescendo com os Ruh, uma trupe de artistas de que sua família fazia parte, passando pela tragédia do assassinato de todos eles por pessoas que eram, até então, consideradas uma lenda; e aí sua sofrida passagem pelos próximos anos nas ruas como um órfão digno de qualquer história de Dickens, até finalmente chegar à Universidade, onde aprenderia todas as coisas maravilhosas que sempre quis e se tornaria Arcanista; mas, acima de tudo, teria acesso a informações valiosas sobre as pessoas que lhe tiraram tudo. Entretanto, estar finalmente na Universidade não foi o alívio que ele pensou que seria: por mais que ele já tenha chegado lá bastante preparado para grande parte do que aprenderia, muitas decepções foram sofridas e muitos inimigos foram feitos. O caminho de Kvothe é longo e cheio de vitórias, derrotas e um bom tanto de aventuras, mas estamos torcendo por ele o tempo todo. Os personagens são muito cativantes e acredito que essa história vá encantar dos leitores mais jovens aos mais velhos. E terminou numa reviravolta tão inesperada que agradeço a Tehlu por já ter a continuação!




Sonho de Prata
Michael Reaves & Mallory Reaves - Rocco Jovens Leitores - 2015 (2013) - 246p.


Continuação do superlegal EntreMundos (este volume não teve co-autoria de Neil Gaiman, um dos criadores da história). Joe Harker (agora ele cresceu e não quer mais ser chamado de Joey) ainda está em contínuas missões pelo Altiverso com sua equipe, formada por outras versões de si vindas de Terras paralelas - versão garota voadora, versão ciborgue, versão fêmea lobisomem, versão grandão fortão... Ao voltar de uma dessas missões, porém, a equipe acabou trazendo para a Base, sem querer, uma completa estranha. E isso é preocupante porque a Cidade Base só é fisicamente acessível para as versões de Harker, pois todos lá são ele: o Capitão, os professores, os oficiais seniores e as centenas de recrutas. Agora, além da luta incessante contra a BRUX e os Binários - as forças da Magia e da Ciência que disputam entre si o controle de todas as Terras - e as missões de resgate de outros Andarilhos, Joe Harker ainda precisa descobrir quem diabos é Acacia Jones. Não me empolguei com esse tanto como com o primeiro, mas acabou de um jeito legal e agora, claro, espero pela conclusão da trilogia.




Não-ficção:

A Origem das Espécies
Charles Darwin - Martin Claret - 2004 (1859) - 639p.

Tentei ler A Origem das Espécies pela primeira vez assim que me formei, e não ter conseguido avançar muito na leitura deve ter sido minha primeira frustração como bióloga. Pior do que isso: eu sequer cheguei a começar o livro em si; desisti ainda na longa introdução. Mas, como eu disse anteriormente a respeito de outro livro, tudo tem hora certa pra acontecer, inclusive a leitura de certas obras. Retomei agora desde o começo e, apesar de não ter sido sempre uma leitura fácil, não me arrependi de ter voltado. A principal obra de Darwin já foi um best seller no dia de seu lançamento. O que a publicação tinha de diferente não era a temática da Seleção Natural (coisa que já vinha sendo teorizada por muitos cientistas antes dele, inclusive seu próprio avô), mas sua linguagem mais acessível ao leitor não científico: pela primeira vez, o público geral poderia saber o que os naturalistas vinham estudando e de que maneira aquilo tudo tinha a ver com a própria vida humana. Darwin foi levado a escrever sobre a origem das espécies após sua famosa viagem de cinco anos a bordo do Beagle, estudando várias plantas e animais ao redor do mundo. Fascinado com tudo o que observou e estudou de outros cientistas, começou ele próprio a criar animais e plantas para confirmar algumas de suas teorias de hereditariedade, seleção natural e sexual, lei do uso e desuso, e o que é considerado uma espécie diferente ou variação da mesma espécie; e aí publicou tudo o que concluiu nessa abrangente obra - não sem dar uns pitacos em alguns colegas que ele considerou equivocados. Ele também discorre sobre instinto (um dos capítulos mais interessantes), extinção, distribuição geográfica das espécies, e morfologia e embriologia (também um dos capítulos que mais gostei). Ao final ainda tem um texto complementar muito bacana de Ernest Trattner, publicado em 1954, que disserta sobre Darwin e a teoria da Evolução, e fala um pouco de vários nomes conhecidos de todos os biólogos (Redi, da biogênese; Lineu, da taxonomia; Lamarck, do uso-e-desuso - a teoria de Lamarck, aliás, tão ridicularizada até hoje, foi defendida por Darwin em vários aspectos), e é um ótimo resumo de várias teorias. Embora algumas das teorias de Darwin, de lá pra cá, tenham sido desbancadas ou melhoradas com a descoberta e o estudo da Genética (o que só ocorreu depois de sua morte), criando uma corrente de pensamento que hoje chamamos de Neodarwinismo, A Origem das Espécies ainda é uma obra indispensável e muito interessante para todo estudioso da Vida.



A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais
Charles Darwin - Companhia de Bolso - 2013 (1872) - 343p.


Darwin precisou lançar A Origem das Espécies às pressas, em parte devido a sua saúde muito precária, em parte por causa de outros cientistas publicando obras muito parecidas que poderiam arruinar 20 anos de pesquisa. Por causa disso, muito de sua teoria ficou sem conclusão; então, ao longos dos próximos anos até sua morte, foi lançando outros livros que complementariam o que não coube na obra maior. Este aqui foi um deles, e é considerado uma das mais importantes fontes de consulta para a etologia (o estudo biológico do comportamento). Nele, Darwin analisa a maneira como humanos e animais demonstram diferentes emoções, e por que o fazem da maneira que fazem. Bom, ele passou a maior parte da vida observando animais, mas lhe faltava estudar as pessoas, o que era complicado para ele porque sua debilidade muitas vezes o forçava a ficar na cama. Portanto, para isso, além de observar os próprios filhos e animais de estimação e ler as obras de cientistas do mundo inteiro e também pedir a ajuda deles com algumas observações, Darwin observou fotos de crianças e pacientes de um manicômio (pois ambos "demonstram emoções com mais intensidade"), bem como obras de pintura e escultura de bons artistas (pois "artistas são bons observadores"; embora esse método tenha sido seu menos favorito, já que "a arte exige beleza", e nem todas as expressões são estéticas), e questionários enviados a povos distantes do contato europeu, para que ele pudesse determinar se a maneira como as pessoas demonstram suas emoções é cultural, influenciada por convivência ou uma reação natural, e se a expressão das emoções tanto em humanos quanto em animais é um instinto atávico (passado de geração em geração através da evolução). As conclusões sobre as semelhanças entre todas as raças do mundo e, inclusive, entre nós e macacos quanto à expressão das emoções são muito interessantes, e é até divertido como eu fui imitando os gestos e expressões inconscientemente enquanto ele ia descrevendo cada uma delas. É um livro mais fácil de ler do que sua obra mais famosa (tem até o Darwin sendo engraçadinho em mais de uma ocasião, haha) e é ilustrado, como eu gostaria que minha cópia de A Origem das Espécies fosse.





e-books:





















O Filho de Sobek
Rick Riordan - Intrínseca - 2013 - 45p.
O Cajado de Serápis
Rick Riordan - Intrínseca - 2014 - 75p.
A Coroa de Ptolomeu
Rick Riordan - Intrínseca - 2015 - 78p.


Uma das alegrias de ter um Kindle é que finalmente posso parar de reclamar sobre as coisas que os autores decidiram lançar só em e-book (sim, eu sei, pdf e tudo o mais, mas acho super desconfortável ler livros no computador). Esses livros eram algo que eu (e tenho certeza que muito mais gente) estava esperando que Rick Riordan fizesse: aventuras que juntassem os personagens de Percy Jackson e os Olimpianos com os de As Crônicas dos Kane! Misturar os semideuses do Acampamento Meio-Sangue e sua mitologia grega com os magos da Casa da Brooklyn e sua mitologia egípcia rendeu histórias muito divertidas - especialmente pela dinâmica dos personagens envolvidos que, até então, não se conheciam: primeiro Percy e Carter, tão opostos, lidando com um crocodilo gigante à solta em Long Island; depois Annabeth e Sadie, tão parecidas, às voltas com um deus esquecido que queria voltar a ser importante; e, finalmente, todos juntos enfrentando um inimigo poderoso em comum. Pela maneira como a última história terminou, imagino que mais virão por aí. Tomara!




HQs:


Novos X-Men: Imperial, de Grant Morrison & Frank Quitely. O Professor X tem uma irmã gêmea do mal (como invariavelmente alguém acaba tendo), a horrível Cassandra Nova, que tentou exterminar todos os mutantes da Terra (como invariavelmente alguém acaba tentando). Ao ter seus planos frustrados pelos X-Men na saga anterior, E de Extermínio, e ser eliminada por eles, Nova recorre a um último truque: projeta sua mente para o corpo do irmão e transfere a dele para seu corpo morto. Agora infiltrada no Império Shiar se fazendo passar por Charles Xavier, ela está convencendo os guerreiros de Lilandra a destruírem os mutantes. Além dessa zica toda, aqui na Terra os X-Men estão tendo que lidar com os O-Men, humanos que querem ser mutantes, e que, para isso, estão sequestrando e roubando DNA de mutantes reais. É nesse arco que vemos pela primeira vez a (chatíssima) Angel; e foi nesse arco que, pela primeira vez na História, simpatizei com a Jean Grey E a Emma Frost!






Star Trek: Raças Alienígenas. Eu esperaria que fosse uma espécia de guia, mas são 6 histórias, escritas e desenhadas por vários artistas, e cada uma envolve uma diferente raça das mais conhecidas das séries (especialmente da clássica): gorns, vulcanos, andorianos, órions, borgs e romulanos. As histórias trazem personagens já conhecidos e outros novos, e procuram apresentar melhor a cultura de cada uma dessas raças. Vulcanos, borgs e romulanos já foram bem explorados na TV e nos filmes, mas as demais foram apenas meramente mencionadas em alguns episódios. As primeiras histórias são bem fraquinhas, mas a com os andorianos e a com os borgs, por exemplo, são excelentes.  

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