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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,  Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve u…

Sobre quando eu me perdi em uma caverna

(tema retirado de uma lista de propostas)




Até hoje me lembro com certa ansiedade a respeito de um passeio de escola que fiz quando estava na antiga sexta série. Fizemos uma excursão bem grande ao Parque Estadual de Campinhos, próximo de Curitiba, onde visitaríamos algumas das muitas grutas e cavernas do Paraná (essa foto não é de lá; pego em domínio público porque, né).

- Aula gratuita - grutas têm apenas uma entrada; cavernas, ao menos duas.

Faríamos três paradas durante o passeio: a primeira foi a Gruta das Fadas. Me lembro de que precisávamos andar em fila indiana pela maior parte do trajeto, pois havia uma espécie de penhasco lá dentro. A caminhada foi bem tensa porque, além da constante ameaça da queda (o penhasco era provavelmente protegido por alguma espécie de corrimão, mas meu cérebro infantil não deve ter dado o devido valor a ele), tínhamos que passar por sobre rochas que bloqueavam o caminho e nos abaixar pra desviar das estalactites. Pra piorar, tinha um momento em que prec…

Cover: "Eleanor Rigby"

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?


Essa é uma das minhas canções favoritas, conforme já posteiaqui, então vou falar mais sobre ela, hoje.


Eleanor Rigby foi composta Paul McCartney (creditada a Lennon-McCartney) e lançada no álbum Revolver, em 1966. A canção fala sobre uma mulher solitária que acompanha casamentos na igreja local, cujo padre também era uma pessoa solitária. 
McCartney estava com a música na cabeça há muito tempo, com a melodia e a história quase prontas, mas não conseguia pensar em um nome adequado para seus protagonistas. Uma olhada nas lápides do cemitério lhe trouxe "Eleanor" (há quem diga que a inspiração tenha vindo de Eleanor Bron, atriz que trabalhou com a banda em Help!, mas há controvérsias), uma fachada comercial lhe deu "Rigby", e o "padre McKenzie" veio da lista telefônica. Sem saber o que fazer com o final da história, um amigo sugeriu que ele unisse as duas pessoas s…

Desafio de Leitura para 2016

Em vista de aproveitar melhor tudo o que já tenho para ler aqui em casa, variar minhas leituras e conseguir montar uma lista de metas mais organizada, procurei por um desafio que me obrigasse a isso. Achei este e pretendo segui-lo o melhor que puder durante o ano (deixando sempre alguns espaços para que eu possa ler também os inesperados que surgem - continuações, presentes, empréstimos).
Traduzi o desafio e vou postá-lo aqui. É grande e eu sei que é mais do que a gente pode se comprometer a fazer, mas alguns livros podem se encaixar em várias dessas categorias. E, também, não precisa ser na ordem. Não precisa nem ser tudo, não tem problema.
Se alguém mais topar fazer, vamos juntos! No fim do ano, a gente marca o que conseguiu fazer e comenta a respeito. Não vejo a hora de começar!