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Sobre quando eu me perdi em uma caverna

(tema retirado de uma lista de propostas)





Até hoje me lembro com certa ansiedade a respeito de um passeio de escola que fiz quando estava na antiga sexta série. Fizemos uma excursão bem grande ao Parque Estadual de Campinhos, próximo de Curitiba, onde visitaríamos algumas das muitas grutas e cavernas do Paraná (essa foto não é de lá; pego em domínio público porque, né).


- Aula gratuita -
grutas têm apenas uma entrada; cavernas, ao menos duas.


Faríamos três paradas durante o passeio: a primeira foi a Gruta das Fadas. Me lembro de que precisávamos andar em fila indiana pela maior parte do trajeto, pois havia uma espécie de penhasco lá dentro. A caminhada foi bem tensa porque, além da constante ameaça da queda (o penhasco era provavelmente protegido por alguma espécie de corrimão, mas meu cérebro infantil não deve ter dado o devido valor a ele), tínhamos que passar por sobre rochas que bloqueavam o caminho e nos abaixar pra desviar das estalactites. Pra piorar, tinha um momento em que precisávamos nos arrastar de barriga no chão para passar por uma abertura. Quando chegamos ao fundo da gruta, me lembro dos guias pedindo para que apagássemos nossas lanternas e prestássemos atenção ao redor, porque era possível "ver as fadas". Eu queria muito, muito mesmo acreditar que eu estava vendo fadinhas, mas não demorou muito para um colega quebrar a magia do momento ao acender a maldita lanterna.


- Segunda aula gratuita -
macete para nunca mais confundir estalactites com estalagmites:
estalactites - teto


A segunda parada era o Abismo das Fadas. Era uma entrada para outra gruta, só que subterrânea. Literalmente, um buraco no chão. Teríamos que descer de alguma forma que não me lembro como era naquela escuridão cheia de mato por cima. Não participei dessa parte do passeio porque, sério, era um buraco no chão.





E então, por último, vinha a atração principal: a Gruta dos Jesuítas - na verdade uma caverna com uma trilha de 550 metros lá dentro. O passeio lá dentro era muito mais tranquilo do que o na Gruta das Fadas; apesar da abundância de estalactites e estalagmites, os salões eram amplos e não havia penhascos. Mas havia uma corrente de água que corria por grande parte da caverna, então passamos a maior parte do tempo com água até os joelhos durante a caminhada.

Pois bem, estava tudo muito legal, estávamos curtindo muito, o lugar era lindo mesmo (só não estávamos tirando muitas fotos porque era 1999, e ser um estudante de escola pública com uma câmera era ostentação demais), e íamos conversando, cantando, rindo, olhando pra cima, olhando pra baixo, até a nossa panelinha finalmente olhar pros lados, também, e perceber que tinha se perdido do guia e do resto da excursão.

Bom, o problema das cavernas é esse, né: tem mais de um acesso e mais de uma trilha a seguir. Chamamos por um tempo mas não escutávamos os outros, esperamos alguns minutos e ninguém apareceu. Nosso pequeno grupo era formado pelas minhas professoras de Inglês e Artes, três ou quatro alunos que não eram meus colegas de sala, e uma Manu jacu de 12 anos.

Tentamos refazer o caminho pelo qual tínhamos vindo, mas cavernas tendem a ser meio confusas, e logo começamos a ficar nervosos. Lembro: era 1999, ninguém tinha celular (e, mesmo que tivesse, se tivesse sinal e wi-fi dentro da caverna seria sensacional). E foi aí que, pela primeira e talvez única vez na vida, eu me senti útil por ser nerd e CDF: me lembrei de todos os filmes de gente perdida na floresta que eu já tinha assistido até então (já falei que cresci vendo filmes de terror e acho que não tive nenhum problema psicológico resultante disso) e da informação útil para uma situação dessa: É SÓ SEGUIR O RIO.

E aí a gente seguiu o rio. Já tava todo mundo perdido mesmo, fui na frente dentro da água e os outros foram me seguindo. Eventualmente, vimos o guia nos procurando, vindo na direção contrária, já perto de uma saída da caverna e o resto do povo lá fora visivelmente nervoso, porque já estava escurecendo. Levamos uma senhora bronca do guia e foi isso, essa foi a aventura.

Com esse relato cheio de emoção e adrenalina, acho que todo mundo aprendeu ao menos cinco coisas:


  1. A diferença entre grutas e cavernas;
  2. Como parar de confundir estalactites com estalagmites;
  3. Em caso de se perder na natureza, É SÓ SEGUIR O RIO;
  4. Não tirem os olhos do guia. Nem por um minuto. Não. Tirem. Os. Olhos. Do. Guia.
  5. Eu não entro em buracos no chão. Não insistam.







Caso alguém aí esteja nas proximidades de Curitiba ou pensando em visitar cavernas, o Parque Estadual de Campinhos é um passeio bem legal! Saibam mais sobre ele aqui.

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