29/02/2016

Desafio de Leitura 2016: Primeiro Relatório

Mantendo a tradição de fazer as recomendações bimensalmente, trago o relatório das primeiras leituras do ano, bem como quais itens do desafio já cumpri. Como ainda estou sorteando o que ler, na verdade tudo aqui é coincidência e alguns dos livros estarão inevitavelmente fora do desafio. Também estão fora do desafio alguns livros relacionados aos que fazem parte dele (sequências ou similares), já que uma leitura acaba puxando outra, sabem como é.

Como leio muitas HQs e só há um item desse no desafio, eu talvez as considere como válidas para outros itens, ao fim do ano, se não conseguir ler de fato um livro que se encaixe. Acho que eu tô trapaceando.

E olhem só, consegui retomar meu ritmo habitual de leitura! Tomara que eu não o perca durante o ano, haha!


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Ficção:


O Temor do Sábio
Patrick Rothfuss - Arqueiro - 2011 - 960p.

Segundo volume d'A Crônica do Matador do Rei, acompanhando o segundo dia em que Kvothe narra ao Cronista a história de sua vida em busca do Chandriano e seu constante aprendizado das artes mágicas. Nesta continuação, o protagonista conta como se viu encorajado a abandonar a Universidade por um tempo para ir em busca de mais conhecimento e outras aventuras. Há quem tenha me dito que não se encantou muito pelo enredo porque achou a história "batida". Sabe-se que obras de Fantasia compartilham muitos elementos em comum, mas a história de Kvothe, o Arcano, tem tantos acontecimentos diferentes e incríveis que é difícil associar este livro a qualquer outro que eu já tenha lido. Assim como o primeiro, O Nome do Vento, a narrativa é fluida e o autor tem sempre uma maneira inteligente de descrever as coisas sem aborrecer o leitor com detalhes supérfluos ou lugares-comuns. Entretanto (e digo isso puramente baseada em sentimentos pessoais e nada literários), depois de mais de 600 páginas deste volume, me decepcionei com o rumo que o protagonista tomou em relação ao que descobriu sobre si mesmo ao conhecer Feluriana. Eu me sentia apegada a Kvothe e feliz por conseguir me identificar com ele em certo nível, mas acabei tendo essa grande decepção ao perceber que, mais uma vez, um protagonista herói é incapaz de resistir à sensualidade das moças independentes. É importante que eu esclareça que não há nada de errado com um homem ser comum (notem que evitei usar "normal", por serem conceitos diferentes); é só que todos sentimos uma necessidade intrínseca de nos identificarmos com personagens admiráveis e, agora, não tenho mais nada em comum com Kvothe. Ainda assim, uma das partes que mais me prenderam neste livro foi o contato dele com a bela e complexa cultura ademriana, tão diferente de tudo o que ele, tão viajado, conhecia. Agora precisamos todos esperar pelo lançamento do último livro, que fecha os três dias que Kvothe prometeu de narrativa ao Cronista. Até lá, temos dois contos para ler sobre personagens secundários da história, e falarei sobre eles a seguir.

 Item do desafio: Um livro com mais de 500 páginas.





A Música do Silêncio
Patrick Rothfuss - Arqueiro - 2015 (2014) - 138p.

Esta não é uma sequência de O Temor do Sábio, mas um interlúdio sobre uma das personagens mais misteriosas da crônica: Auri, a jovem que vive nos subterrâneos da Universidade. Apesar de não conhecermos, finalmente, as origens da moça, acompanhamos aqui o seu dia a dia nos subterrâneos enquanto espera que Kvothe vá visitá-la. Entretanto, como o próprio autor indica na introdução, este não é um bom livro para se conhecer a história, já que pode ser bastante confuso se você já não estiver familiarizado com a personagem.  Por ser uma história de um personagem só, não há diálogos, e a própria Auri é um tanto complexa de entender completamente; seu jeito de agir e conversar me lembra muito a personagem Delírio, de Sandman. Sua maneira de lidar com a vida é bastante alegórica - por ser assustadiça em relação a outras pessoas (nos deixando à imaginação que tipo de traumas ela deve ter sofrido ao longo da vida para tanto), tem um estranho respeito por objetos, tratando-os como seres vivos dotados de personalidade. Ao sair pelos subterrâneos à procura de suprimentos e objetos para colecionar ou presentear Kvothe, conhecemos melhor toda essa misteriosa e bizarra parte da Universidade que pouquíssimos sabem existir. Não deixem de ler o posfácio do autor; há uma mensagem que pode ser proveitosa para alguém como foi para mim. (lido em e-book)

 Item do desafio: Um livro com antônimos no título.




O Príncipe de Westeros e Outras Histórias
V.A. - Saída de Emergência - 2015 (2014) - 473p.

Como eu fico irritada com essas jogadas de marketing...! A julgar pelo título e pela capa, acredito que não tenha sido só eu que achei que o livro seria uma coleção de contos de vários autores sobre Westeros, universo d'As Crônicas de Gelo e Fogo. A verdade é que o objetivo desse livro é reunir contos de vários autores best seller sobre novos personagens ou sobre os personagens menores mais canalhas de suas maiores obras (como Martin disse na introdução, "os Han Solo da literatura") - o que é uma temática superlegal, só que, infelizmente, nem todos os best seller em questão foram publicados no Brasil, então como as pessoas iriam se sentir tentadas a comprar o livro, certo? Por isso, colocaram o título do conto de Martin (e seu nome) bem grande na capa (o nome original do livro é Rogues, que significa algo como "malandros"), junto de Neil Gaiman e Patrick Rothfuss, que são os autores que vendem muito por aqui. O conto de Gaiman foi sobre o Marquês de Carabas, do meu favorito Lugar Nenhum; e o de Rothfuss foi sobre Bast, o ajudante de Kvothe no livro que falei anteriormente. Além desses, gostei muito dos contos Qual é a sua profissão? e Um ano e um dia na velha Theradane, sobre personagens de livros que eu não conhecia mas que, agora, quero conhecer. O conto de Martin é algo que poderia estar em O Mundo de Gelo e Fogo, mas, por algum motivo, veio parar aqui. Bom, tem histórias engraçadas, tensas, assustadoras, pra todo gosto. Aliás, li a versão digital, mas dizem que a edição física é bem bonita.

 Item do desafio: Um livro de contos.





2001: Uma odisseia no espaço
Arthur C. Clarke - Aleph - 2013 (1968) - 330p.

Antes de mais nada: tenho essa edição na estante desde que foi lançada, mas foi ficando pra trás até finalmente ter sido sorteada. Como ainda estava no plástico, tive uma genuína surpresa ao abrir e descobrir que o livro - que vem dentro de um box com essa capa da imagem - tem as capas e a lombada completamente pretas, imitando o icônico monolito! Aos que ainda não conhecem a história: começamos com o homem pré-histórico, sofrendo com a fome e as doenças e a eterna competição com outros animais e tribos; até que um estranho monolito negro e gigantesco aparece e influencia a vida desses primatas de tal forma que toda a evolução da humanidade é afetada... Até chegarmos no "futuro" 2001, quando o homem já podia fazer viagens rotineiras à Lua; mas essas viagens estavam ameaçadas graças ao rumor de uma epidemia que estaria infectando as pessoas no nosso satélite. Tal boato foi espalhado, na verdade, para acobertar uma estranha descoberta feita durante uma escavação lunar. Enquanto isso, há a primeira expedição tripulada a Saturno, cujo objetivo não é realmente o que a tripulação conhece. A viagem é auxiliada pelo moderníssimo computador de bordo Hal 9000 - de fato, tão moderno, que mal precisa de comandos humanos e não parece ligar muito para eles, de qualquer forma... Uma leitura fantástica, com muitas informações sobre o espaço e cheia daquelas deliciosas previsões sobre o futuro que adoro ver nas ficções científicas antigas. Curiosidade: o famoso filme de Stanley Kubrick foi baseado, na verdade, em dois contos de Arthur C. Clarke (que também estão incluídos nessa edição do livro). Como precisava de mais enredo para formar um roteiro, Kubrick pediu para que o próprio Clarke escrevesse mais a respeito; então este livro foi, na verdade, escrito ao mesmo tempo em que o roteiro era desenvolvido para o filme.

 Item do desafio: Um livro com um número no título.




2010: Odyssey two
Arthur C. Clarke - Del Rey - 1997 (1982) - 294p.

(Essa resenha pode conter spoilers do livro anterior!) Esse eu já tinha comprado ainda antes do 2001, aproveitando uma promoção daquelas que a Fnac joga um monte de livros em uma cesta. Esta continuação foi escrita quase duas décadas depois, e tem a breve diferença de que usou o filme como base, em vez do livro original - ou seja, em vez da nave Discovery ter ido a Saturno, foi a Júpiter. Nove anos após o desfecho da odisseia anterior, uma expedição conjunta de americanos e soviéticos procura recuperar o que puderem da Discovery: relatórios, gravações, imagens, qualquer dado que possa explicar o que aconteceu à tripulação original, bem como o que foi descoberto sobre o misterioso monolito. Um dos cientistas a bordo da nova missão, entretanto, tem um interesse particular: recuperar Hal 9000, sua grande criação. E, além de tudo, os chineses também demonstraram interesse no mesmo objetivo, transformando essa missão de resgate em uma grande corrida espacial. À parte da missão, há algo (ou alguém) vindo à Terra com sua própria missão que, posteriormente, vai afetar significativamente nosso Sistema Solar. Se 2001 já havia sido tenso, 2010 consegue ser um pouco mais. Alguns momentos de suspense chegam a ter um quê de história de terror que nos mantêm presos à leitura. Uma fantástica sequência a uma obra que o autor jurou ser "impossível continuar".

 à parte do desafio





2061: Uma odisseia no espaço III
Arthur C. Clarke - 1987 - 271p.

(Essa resenha pode conter spoilers do livro anterior!) 51 anos após o surpreendente desfecho de 2010, nosso protagonista, o cosmonauta Heywood Floyd, está em idade avançadíssima; apesar disso, muito bem de saúde, devido à exposição a baixas gravidades e às hibernações da missão que ele havia jurado ser a última. Agora, Wood decidiu que gostaria de embarcar em uma expedição de visita ao Halley, e, lá, descobre coisas fantásticas a respeito do cometa. Enquanto isso, a nave Galaxy, cuja tripulação fazia um levantamento dos satélites de Lúcifer, tem uma pane e precisa fazer um pouso forçado... em Europa, justo o único lugar proibido do nosso Sistema! Entre os tripulantes está o neto de Floyd; portanto, a nave que tinha ido passear no cometa Halley precisou ser enviada em missão de resgate. Diferentemente dos livros anteriores, aqui Clarke conta bastante sobre como ele imagina ser a Terra no futuro, social e politicamente, e também dá muitos detalhes sobre a geografia de Europa, o que pode tornar a leitura desse volume em especial um pouquinho maçante por não ter tanto suspense quanto os volumes anteriores. Em compensação, termina de maneira completamente inesperada e nos prende a vontade de ler a continuação e saber o que aquela última frase quis dizer! Infelizmente, tanto este quanto o próximo (acredito que até o anterior) estão fora de edição, não possuem a versão e-book em português, e as cópias usadas ou importadas estão custando um absurdo; então, os adquiri digitalmente por maneiras escusas e sugiro que vocês façam o mesmo.

 Item do desafio: Um livro lançado no ano em que você nasceu.





3001: A odisseia final
Arthur C. Clarke - 1997 - 297p.

(Essa resenha pode conter spoilers dos livros anteriores!) Agora, a exploração espacial já alcançou sucessos impensáveis, embora ainda exista muito a ser descoberto e estudado. De fato, o espaço é tão cheio de surpresas, que o Comandante Chandler acabou encontrando à deriva, na órbita de Netuno, algo completamente inesperado: o corpo do astronauta Frank Poole, morto na primeira odisseia, mil anos antes! Trazido de volta à vida, Frank ainda se lembra de tudo e está sendo gradativamente introduzido a todas as novidades do último milênio, ao mesmo tempo em que é estudado por vários cientistas. Com isso, enquanto vão atualizando Frank sobre as odisseias posteriores a ele, também temos um ótimo resumo dos últimos livros e muitas explicações. Então, decidem ser uma boa ideia levar o astronauta à colônia humana estabelecida em Ganimedes, outro satélite de Júpiter, mas não pelo motivo que inicialmente lhe foi contado. Apesar de eu ter ficado com a impressão de ainda ter algumas pontas soltas, essa é uma conclusão fantástica sobre o destino da raça europana e os Monolitos.  Ler Arthur C. Clarke é sempre legal porque ele coloca referências à cultura pop durante as narrativas (como eu já tinha mencionado na resenha de O Fantasma das Grandes Banquisas), deixando as explicações científicas mais divertidas e fáceis de entender. Adorei ter lido as Odisseias e deixo a recomendação com muito entusiasmo.

 Item do desafio: Um livro ambientado no futuro.





João & Maria
Neil Gaiman e Lorenzo Mattotti - Intrínseca - 2015 (2014) - 56p.

Gosto de pensar que já li quase tudo o que o Gaiman já escreveu, mas o homem não para de escrever (ainda bem)! Essa releitura do famoso conto dos irmãos Grimm já saiu há um tempinho, mas não tinha tido oportunidade de lê-la, até então. De todas as horríveis fábulas infantis, acho que João & Maria consegue ser a mais horrível de todas; é uma história que me deixa triste e indignada. Aqui, Gaiman a contou do seu jeito - sem alterações, mas no seu estilo; e Mattotti usou de sombras para ilustrar a história em todo o seu tom sombrio. No final, há um posfácio sobre os irmãos Grimm e como eles conheceram a história, bem como todas a simbologia escondida nela, e ainda como há histórias semelhantes a essa nos folclores de vários países, já que o tema abandono e fome foi constante em determinada época da humanidade. Enfim, o livro é um trabalho bem bonito que vale a pena ler e ter na estante.

 Item do desafio: Um livro de seu autor favorito que você ainda não leu.





Viagens de Gulliver
Jonathan Swift - Rocco Jovens Leitores - 2008 (1726) - 239p.

Peguei este em uma troca pelo Skoob há um tempão e finalmente o li. É um clássico de que todos já ouviram falar e, provavelmente, conhecem o básico: uma tempestade causa o naufrágio do navio onde se encontrava Lemuel Gulliver, "cirurgião e marinheiro", que acaba se tornando o único sobrevivente e indo parar na praia do estranho país de Lilipute, onde tudo é minúsculo e cujos habitantes têm apenas alguns centímetros de altura. Gulliver é acolhido pelo curioso povo de lá, inspecionado e alimentado, até eventualmente aprender a língua e os costumes do lugar; faz amizade com o Imperador e o ajuda com (bizarras) questões políticas que perturbam o país há anos, e sua irreverência conquistou muitos amigos no lugar. Apesar disso, sua presença logo torna-se incômoda, pois a hospitalidade ao "Homem-montanha" é prejuízo certo para o país, além de ter chamado a dispensável atenção do reino inimigo e acabar sendo acusado de alta traição. Bom, essa é a história mais conhecida, mas é apenas uma delas: após conseguir voltar pra casa, Gulliver decide dedicar a vida a conhecer outros estranhos países do mundo, e por isso deixa sua família e se lança novamente ao mar. Depois da minúscula Lilipute, também devido a uma tempestade, Gulliver foi parar em um país de gigantes; depois, em uma ilha voadora de estudiosos distraídos e seus projetos bizarros; outro país onde tinham o poder de invocar os mortos para ajudar no trabalho, e outro onde algumas pessoas nasciam imortais (a visão da imortalidade aqui, aliás, foi a melhor sobre a qual já li - sem aquele romantismo ao qual costuma ser associada); e, por último, foi parar em uma terra onde os cavalos eram o povo civilizado e os humanos, ainda muito primitivos (denominados Yahoos), eram tratados como animais irracionais. O livro em questão é uma versão adaptada (por Clarice Lispector, inclusive) e, por isso, bem fácil de ler; mas não diria que seja voltado exclusivamente ao público jovem - é mais uma sátira da política e sociedade inglesas da época, bastante discutidas durante as conversas de Gulliver com as autoridades dos vários países que conheceu, e uma crítica bastante interessante à natureza humana, que tende a ser bem horrível quando analisada sob outro ponto de vista. Um clássico devidamente recomendado!

 Item do desafio: Um clássico.





A Bolsa Amarela
Lygia Bojunga - Casa Lygia Bojunga - 2007 (1976) - 135p.

Ao passar o fim de ano com a família, uma tia me perguntou se eu já havia lido este livro, comentando ser o atual favorito da filha. Comentei que não o conhecia nem pelo nome, o que fez com que minha prima gentilmente me presenteasse com a cópia dela (obrigada, Pri!). Raquel é uma menina muito criativa e cheia de imaginação, mas que enfrenta alguns problemas: por ser muito mais nova que os irmãos, é sempre deixada de lado e fica chateada por não lhe darem atenção em casa. Por isso, tem três fortes vontades que a deixam frustrada: uma é a vontade de crescer logo e ser adulta, para não se sentir mais excluída; a outra é de ter nascido menino, pois considera injusto que as meninas recebam tão pouca oportunidade e crédito; e a última é a vontade de ser escritora, que não é algo que a incentivem a tentar. Um dia, em uma rara ocasião, Raquel ganha uma bolsa amarela com vários bolsos, que começou a usar para guardar vários objetos, histórias e, especialmente, suas três vontades. Acontece que tudo o que Raquel guardava na bolsa ganhava vida, e, ao mesmo tempo que isso podia ser bem legal, às vezes era uma confusão danada. Uma delícia de ler e bastante divertido, apesar de todas as frustrações, tristezas e solidão da pequena Raquel. Este livro foi traduzido para várias línguas, adaptado para o teatro em outros países e bastante premiado mundialmente. E é aquele tipo de história infantil que funciona muito bem para adultos, pois vem cheio de boas lições sobre respeito e crescimento pessoal e, pra isso, nunca é tarde.

 Item do desafio: Um livro recomendado por um amigo.






O Enigma da Pirâmide
Alan Arnold - Círculo do Livro - 1991 (1985) - 166p.

Esta é a novelização do roteiro de Chris Columbus para o filme de mesmo nome, que até já recomendei aqui! Não me lembrava de ter esse livro em casa, até olhar melhor nas estantes do escritório, vê-lo lá e colocá-lo na lista de sorteio. Essa seria a primeira aventura do jovem Sherlock Holmes com o jovem John Watson, que se conheceram no internato onde estudavam. Uma série de mortes aparentemente acidentais de vítimas sem ligação é só o começo de um intricado mistério que apenas a mente de Sherlock Holmes poderia perceber. Com a ajuda de Watson e outros amigos, o jovem detetive descobre que uma antiquíssima seita de origem egípcia está ativa ali na Inglaterra, e seus terríveis rituais devem ser impedidos. Por ser narrado 40 anos depois dos eventos, Watson (que é sempre quem narra as histórias) faz referência aqui a vários dos casos mais famosos da dupla, escritos por Conan Doyle. O autor também aproveita para dissertar bastante sobre a vida e personalidade de Sherlock Holmes e até nos conta o que o motivou a ser detetive. Ele também discorre bastante sobre o processo de "europeização" do Egito no começo do século XIX, o que tem a ver com a trama e é uma aula bem interessante. É uma excelente adaptação do roteiro cinematográfico e muito fiel à obra de Conan Doyle. Nota: os livros da série O Jovem Sherlock Holmes não têm a ver com este e não são do mesmo autor.

 Item do desafio: Um livro de mistério ou suspense.





Você Não Deveria Estar na Escola?
Lemony Snicket - Seguinte - 2015 (2014) - 309p.

Terceiro volume da divertida série Só as perguntas erradas, do sempre sensacional autor fictício Lemony Snicket. Ainda com sua misteriosa (e incompetente) tutora no bizarro vilarejo de Manchado-pelo-mar, Snicket agora investiga uma série de incêndios criminosos, ao mesmo tempo em que tenta resolver o mistério principal que o trouxe ao lugar. Mas tudo a respeito da cidadezinha e seus habitantes parece errado, então resolver seus mistérios - sem a ajuda de nenhum adulto competente - é sempre um grande desafio. Agora que a história está avançando, há bem mais relação com Desventuras em Série, já que vários elementos, além da irmã do protagonista, são mencionados mais abertamente. Também temos a impressão de que esse louco mistério está, se não rumando para um desfecho, finalmente fazendo um pouco mais de sentido, e vamos tendo uma ideia de algumas das várias tragédias que acompanham a vida do nosso jovem protagonista. O classifiquei como "engraçado" no desafio porque a narrativa é muito divertida e há sempre as boas lições morais nela, mas a coisa toda pode ser bem triste.

 Item do desafio: Um livro engraçado.





O Exorcista
William Peter Blatty - Nova Cultural - 1986 (1972) - 340p.

Fiquei apreensiva assim que o tirei no sorteio. Era o único livro da casa que minha mãe me proibia de ler, quando eu era mais nova, e o único que ela desaconselhava, depois de mais velha. Justamente por isso, sempre tive curiosidade de lê-lo, mas me faltava a coragem (afinal, não consegui nem ler Horror em Amityville inteiro, até hoje - ele está no sorteio, aliás; logo não poderei fugir mais). Bom, a primeira noite de leitura foi a mais tensa. Achei seguro começar na mesma noite pois, inocente que sou, achei que o começo seria tranquilo e que as coisas começariam a ficar estranhas lá pela metade. Ledo engano... A coisa já é estranha desde o começo. Acredito que todos já conheçam a história, mas vou dar um resumão do enredo: a doce e alegre Regan MacNeil, filha de uma famosa atriz que cria a filha sozinha com a ajuda de alguns empregados, repentinamente começa a apresentar um comportamento bastante perturbador e perigoso, irreconhecível. Os médicos estavam confiantes de se tratar de alguma patologia, mas todos os exames foram inconclusivos. A mãe sugeriu que pudesse ser algum problema de ordem psicológica, mas a hipnose foi um evento peculiar e não revelou nenhuma síndrome que pudesse ser explicada. Foi então que surgiu a possibilidade de Regan ter sido levada a acreditar estar possuída por algum demônio, devido a alguma influência externa, e estar agindo inconscientemente como tal. Pesquisando sobre isso, sua mãe reconhece os sintomas clássicos e cede: procura Karras, que é psiquiatra e padre, mas que anda enfrentando um momento de dúvida da própria fé. Finalmente convencido de que o caso exigia um exorcismo, Karras recorre a um experiente exorcista, padre Merrin, que sabe que terá de enfrentar um velho inimigo... Apesar de ser uma leitura tensa e conhecidamente pesada, é também muito difícil de interromper. As explicações médicas e psicológicas sobre o fenômeno, com exemplos tirados de casos reais, são muito interessantes; e as manifestações das "personalidades alternativas" de Regan são narradas de forma bastante intensa. E, particularmente, gostei muito da opinião de Merrin sobre o objetivo dos endemoniamentos. Li o livro todo muito rápido (durante o dia, preferencialmente), e o recomendo a quem tinha dúvidas se vale a pena. Se o filme é perturbador, imaginar tudo enquanto lê é ainda pior.

 Item do desafio: Um livro que te deu medo.





O Espírito do Mal
William Peter Blatty - Record - 1983 - 269p.

Considerado uma continuação de O Exorcista, aqui o protagonista é o detetive Kinderman, que também investigou uma das mortes do livro anterior. Agora o caso é um serial killer que vem assassinando brutalmente vítimas sem relação e, aparentemente, seguindo o padrão de outro assassino em série que morreu há 12 anos. Todas as pistas são confusas e a possibilidade do antigo caso nunca ter sido realmente fechado atormenta o detetive. Entretanto, conforme as investigações avançam, o policial descobre coisas que, embora já tenha ponderado várias vezes, jamais pensou que realmente encontraria. Embora eu tenha achado Kinderman um tanto irritante em O Exorcista, aqui me diverti muito com o seu senso de humor, as inúmeras referências cinematográficas e todo o conhecimento geral que ele solta aleatoriamente durante conversas, confundindo todo mundo. Além disso, há os interessantes casos da ala psiquiátrica do hospital onde acontece grande parte da história, coisa que sempre gosto de ler. Porém, uma história que começou tão inocentemente policial vai enveredando pro terror e, quando percebi, já estava tão impressionada com este livro quanto fiquei com o anterior. Muito tenso, difícil de largar e cheio de coisas inesperadas.

 à parte do desafio





A Chegada em Darkover
Marion Zimmer Bradley - Imago - 1989 (1972) - 172p.

Ia deixar pra falar sobre este no próximo relatório, pois tinha intenção de ler os outros livros da série e falar sobre todos de uma vez só; mas aí acabei não gostando tanto assim desse aqui e acho que não vou dar continuidade. Este é o primeiro, pela ordem cronológica, e talvez esse tenha sido meu erro, pois a autora recomenda que a série seja lida pela ordem de publicação, e como não faço muita ideia do enredo central da série toda fiquei mesmo com a sensação de estar perdendo algo. Neste aqui, uma nave que sai da Terra no final do século XXI para colonizar um outro planeta acaba sendo atingida por uma violenta tempestade espacial e cai em um planeta desconhecido. Os sobreviventes, que são os cientistas da tripulação e os primeiros colonos, precisam se virar como podem para sobreviver no planeta estranho, sem nenhuma forma de preparativo prévio, como havia sido feito no planeta para onde iriam, originalmente. Não é simples: além de precisarem reparar a nave, têm que determinar o que pode ser consumido por humanos e se adaptar ao clima bastante inconstante e extremo. Não bastasse essas dificuldades, a superfície do planeta costuma ser inadvertidamente varrida por uma "ventania" que afeta essas pessoas das maneiras mais estranhas imagináveis. Bom, no que diz respeito à exploração do planeta e toda a parte de pesquisa, o livro é bem interessante e foi o que me convenceu a lê-lo até o fim. O que me frustrou foi o desenvolvimento dos personagens. Até a metade do livro eu não tinha simpatizado com nenhum; na verdade, é todo mundo tão parecido que diversas vezes precisei voltar alguns parágrafos pra ter certeza sobre quem exatamente eu estava lendo. Os dois protagonistas não me ganharam, e acho que isso tem a ver com algo que me incomoda um pouco. A autora é conhecida por ter sido notavelmente feminista, e isso se vê bem pela maravilhosa As Brumas de Avalon; só que aqui eu me senti como se estivesse lendo algumas coisas que aparecem pelo Facebook: os personagens masculinos são todos imaturos e irresponsáveis, com pensamentos e ações retrógradas que não combinam com o cenário futurista; todos terríveis clichês, inclusive as "mulheres fortes", que poderiam ter sido mais originais. Os relacionamentos entre os personagens são todos superficiais (ou apenas mal desenvolvidos), então não me apeguei nem torci ou lamentei por nada. Sei que os próximos livros se passam milhares de anos depois, com os descendentes desses colonos e a raça nativa do planeta, mas não sei muito mais que isso. Enfim, de forma geral, fiquei decepcionada por não ter gostado de algo que é considerado clássico de um gênero que adoro e escrito pela mesma autora de algo que amei, anteriormente. Essa "origem" não me despertou curiosidade suficiente pra encarar os outros 21 livros, mas, se alguém já leu mais e me recomendar paciência porque vale a pena, dou uma chance.

 Item do desafio: Um livro escrito por uma mulher.


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Poemas:


O Eu Profundo e os Outros Eus
Fernando Pessoa - Nova Fronteira - 1980 - 280p.

Essa seleção poética, organizada por Afrânio Coutinho, está aqui em casa há muitos anos. Foi a primeira vez que li Fernando Pessoa fora dos meus livros escolares mas, ainda assim, acredito que nunca o tenha lido na íntegra até agora, quando foi sorteado como leitura da vez (esse é um livro que eu sempre peguei pra abrir em alguma página aleatória e ver o que o Fernandão tinha pra me dizer). Aqui temos não só alguns dos poemas que ele escreveu sob o próprio nome como também sob todos os heterônimos. Além de trazer todos os seus principais poemas (tornando esta uma boa obra para quem quer conhecer Fernandão), o livro começa com um estudo sobre o autor e uma cronologia de sua vida e obra. E, ainda, antes de cada parte do livro há uma introdução do próprio Pessoa sobre o poema a seguir e seu "autor". Muito do que tem aqui eu já sei de cor e salteado, mas é sempre um prazer dar uma lida em um dos meus autores preferidos. 

 à parte do desafio




ABC de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa - Leya - 2015 - 112p.


"Esperar pelo melhor e preparar-se para o pior: 
eis a regra."

Consegui pegar este ebook de graça através de uma promoção da Amazon; e eu não nego nada que venha do Fernandão, mesmo que seja um livro de citações que eu provavelmente já conheça em maioria. Este aqui é interessante, pois começa com uma ficha biográfica preenchida pelo próprio autor, com seu humor habitual (aliás, curiosidade: vocês sabiam que Fernando Pessoa era meu colega de profissão? Profissionalmente, ele era tradutor; ser poeta e escritor era o que ele chamava de "vocação"). O restante do livro reúne 140 citações retiradas de toda a sua obra, reunidas sob definições em ordem alfabética - por exemplo, o que ele disse sobre o amor, o ódio, a vida, a velhice, a leitura, a escrita, e muito mais. É um ótimo resumo da obra e sabedoria do grande poeta português.

 Item do desafio: Um livro que você pode terminar em um dia.



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Não-ficção:



Marketing Pessoal
Sady Bordin - Best Seller - 2013 - 223p.

Ano passado fui a um congresso de fotografia com a minha irmã e uma das palestras foi sobre marketing pessoal para fotógrafos. Embora fosse voltada a essa profissão, pude absorver muitas das informações e aproveitar várias das dicas para mim, já que também sou prestadora de serviço e preciso, da mesma forma, vender minha imagem e meu trabalho. Com isso em mente, peguei este livro emprestado com a minha irmã e resolvi aprender um pouco mais sobre isso e ver o que eu posso aplicar na minha rotina profissional. É sempre importante lembrar que, para evitar as crises de ansiedade com relação a carreira e trabalho, sucesso nada mais é do que satisfação. Essa é a maior lição que a introdução do livro nos dá: riqueza, fama, posses, são lucros bem-vindos de se trabalhar com o que nos dá satisfação pessoal; portanto, essas coisas nunca devem ser o foco. Mas, aí, no decorrer da leitura, parece que somos levados a almejar empregos em grandes empresas e fama de nível nacional, o que me deixou um pouco decepcionada. São 116 dicas divididas em etapas (desde o autoconhecimento até a administração do sucesso adquirido); muitas são coisas bastante óbvias às quais acabamos não dando a devida importância, outras são boas sacadas. Entretanto, não pude deixar de notar que algumas das dicas contradizem outras, me fazendo refletir sobre o que, exatamente, seria melhor fazer ("desistir do caso perdido" ou "insistir no sonho"?); e outras delas simplesmente não se encaixam no meu modo de ver as coisas, ou estão um tanto quanto ultrapassadas, me dando a impressão de que são dicas para quem pretende trabalhar em grandes empresas onde há muita concorrência - o que não deixa de ser importante, já que é o caso de algumas pessoas, mas as demais podem se sentir um pouco fracassadas ao se autoanalisar. No mais, as dicas são pontuadas por citações e exemplos de pessoas bem-sucedidas. De forma geral, é uma leitura animadora para aqueles que não sabem muito bem que rumo tomar, profissionalmente, e também um bom guia àqueles que buscam sempre melhorar; mas não recomendo que seja seguido à risca em todos os casos. Cada um há de avaliar o que funciona melhor para si e seu tipo de trabalho.

 à parte do desafio




Isaac Newton 
(Personagens que mudaram o mundo/ Os grandes cientistas)
Michael White - Globo - 1993 (1991) - 64p.

Ultimamente, tudo o que ando lendo ou pesquisando, por menos que tenha a ver com ciência, menciona Isaac Newton de alguma forma. Essa coincidência toda chegou a ser tão surreal que olhei pra essa biografia, que habita uma prateleira da sala há eras, e decidi finalmente pegá-la e conhecer direito esse homem brilhante e que é assunto nos mais variados contextos. Grande parte do reconhecimento de Newton se deve a ele ter vivido no século 17, justo na época em que a Europa ainda estava imersa em superstições que atrasavam os avanços da Ciência, além de ver de perto a Grande Peste que dizimou a população de Londres e, também, o posterior Grande Incêndio de Londres. Em um ambiente que ainda realizava a Caça às Bruxas, Newton estudava e criava cálculos e teorias sobre leis da Física (não só a da Gravidade e as do Movimento) que alavancaram o desenvolvimento científico de sua época e local, e que nossos cientistas atuais ainda usam para desenvolver as mais avançadas tecnologias. Newton foi reconhecido como um dos melhores ainda em vida (foi o primeiro cientista a ser nomeado Cavaleiro pela rainha), e é considerado o fundador da Ciência Moderna por ter tido o hábito de anotar meticulosamente seus métodos e aplicar a Matemática em suas experiências, de modo que pudesse provar suas descobertas. Seu livro "Princípios Matemáticos" ainda é considerado como a mais completa publicação científica já realizada. Mas não podemos ignorar que Newton não era apenas o cientista brilhante que provou ser; como todo gênio, atraiu desafetos no meio científico e tinha muitos inimigos; não se alimentava direito e estava sempre tendo esgotamentos nervosos. Sua infância também foi difícil e o deixou marcado pelo resto da vida (por exemplo, Newton odiava tanto seu padrasto que, já bastante idoso e perto de morrer, ainda o amaldiçoava e dizia que queria tê-lo matado). Enfim, não vou contar tudo aqui, pois são muitas as curiosidades sobre o homem que sempre foi reservado e focado em seus estudos acima de tudo; que trabalhou como servente na Universidade de Cambridge por não ter como pagar os estudos, depois sendo nomeado pesquisador da Universidade e, finalmente, o mais jovem professor de Matemática de toda a história de Cambridge. Apesar de excêntrico na velhice, de difícil convivência e até acusado de não dar o devido crédito a colegas de profissão, Newton era generoso e ajudava os pobres, parentes distantes e doava muito dinheiro à caridade. Não deixou família, mas, melhor que isso, deixou um grande legado científico para o mundo.

 à parte do desafio


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HQs:



1602, de Neil Gaiman e Andy Gubert (Marvel/Salvat). Estava há muito tempo querendo ler essa minissérie, e a Salvat lindíssima a trouxe pra coleção! Aqui, Gaiman traz uma versão alternativa bastante original (e bem dentro de seu estilo) para alguns dos maiores heróis e vilões da Marvel: na Era Elisabetana, século XVII, corre por toda Inglaterra boatos da existência de seres inumanos - em plena época de caça à bruxa; além disso, há um estranho e inexplicável fenômeno climático assolando o país. Entre intrigas políticas e religiosas, com leves alterações nos nomes devido à época e lugar, temos Nick Fury como conselheiro da rainha, o Doutor Destino como seu opositor, o Doutor Estranho como médico da corte, os X-Men sendo caçados e disputados por Charles Xavier na Inglaterra e "o Grande Inquisidor" na Espanha, o Demolidor e a Viúva Negra em uma missão atrás do maior tesouro dos Templários, e um jovem Peter Parker procurando uma vocação; entre muitos outros. É uma excelente história e com uma bela arte; valeu a espera! O posfácio de Gaiman, explicando sua inspiração e motivação para a história, também vale ser lido.

 Item do desafio: Uma história em quadrinhos.




Kris Klaus: Papai Noel Casca-Grossa, de Maurício Muniz e Joel Lobo (independente). Nesta divertida versão do Papai Noel, o bom velhinho tem um passado sombrio que procura compensar ao presentear as crianças comportadas todo Natal. No entanto, criaturas sombrias estão planejando seu grande ataque à humanidade, e o plano tinha tudo pra dar certo, não fosse o detalhe de que sua execução será exatamente na noite em que Kris Klaus estará pelo mundo! Com diálogos, personagens e arte divertidos, criatividade ao misturar elementos mitológicos e violência em um conto natalino com, pasmem, bela moral, o Papai Noel casca-grossa nos deixa com vontade de continuações!

✘ à parte do desafio





Klingons: Herança de Sangue, de Scott & David Tipton e David Messina (IDW/Devir). Antes do tratado de paz que os trouxe a serviço da Federação (como visto no sexto filme de Jornada nas Estrelas), os Klingons eram uns dos seus maiores inimigos. Aqui nós temos as principais histórias com Klingons da série clássica (inclusive aquela dos pingos!) narradas do ponto de vista deles, ressaltando suas motivações e colocando a Federação como vilã. Dessa maneira, somos apresentados a muitos mais aspectos de sua cultura e entendemos que os entraves eram por muito mais do que simples hostilidade. À parte dessas narrativas, temos também uma conveniente explicação sobre a óbvia diferença na fisionomia dos Klingons da série clássica para das demais. Além disso, essa edição é fantástica: traz, ao final, o primeiro capítulo todo escrito em Klingon (!), notas sobre a língua, e esquemas detalhados das "aves de rapina", suas naves, por dentro e por fora. Recomendadíssimo aos fãs!

✘ à parte do desafio



Interlúdios, de David Tischman e Casey Maloney (IDW/Devir). Os quadrinhos de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração foram lançados para comemorar os 20 anos da série. As histórias dessa edição, como o nome sugere, são inéditas e se ambientam ao longo de todas as temporadas, conectando-se a alguns dos episódios. Têm todos os elementos dos episódios da série - os conhecidos inimigos, a ação, os jogos de pôquer, as longas explicações técnicas de LaForge, os conflitos existenciais do Data, o romance platônico de Riker e Troi, as recreações da doutora Crusher, e o capitão Picard sendo sensacional. Ler essas seis histórias me deu uma baita saudade da série!

✘ à parte do desafio








✓ Itens do desafio: 15
✘ À parte do desafio: 08



Para outras recomendações, confira a tag "leitura" ao fim da postagem ou no menu lá em cima. Para ler minha resenha sobre algum livro específico, pesquise por ele lá na barra de pesquisas, no topo da página. :)

26/02/2016

10 curiosos animais híbridos

(Por "curiosos" entendam "que quero no meu quintal")



Ligre

Casal de ligres em um parque da Coreia do Sul. Foto de Hkandy @ Wikipedia

Um ligre é o resultado do cruzamento entre um leão e uma tigresa. É o maior felino em existência atualmente, chegando a pesar 400 kg e medir até 3,6 m de comprimento. Ligres só existem em cativeiro, pois leões e tigres não convivem na natureza, e vivem cerca de 20 anos. 


Tigreão

Tigreão no zoológico de Canberra, Austrália. Foto de The bellman @ Wikipedia

O tigreão é o inverso do ligre, ou seja: resultado do cruzamento entre um tigre e uma leoa, apesar de não ser tão comum quanto o ligre. Eles não crescem muito, por causa dos genes na mãe, e chegam a pesar 180 kg - entretanto, se cruzados com leões ou outros felinos maiores, os filhotes podem ser bem grandes. Ao contrário dos ligres, os tigreões têm saúde frágil e não vivem muito.


Gato Savannah

Gato Savannah de 4 meses. Foto de Jason Douglas @ Wikipedia

Este é o resultado do cruzamento entre um gato selvagem e um gato doméstico, e é um dos únicos híbridos que ocorrem sem manipulação. Eles são maiores que gatos domésticos e têm alguns traços selvagens, como a coloração, o comprimento da cauda e das orelhas e o focinho mais arredondado. O tamanho e peso são variáveis, mas alguns chegam a 18 kg. Seu comportamento costuma ser comparado ao dos cachorros, pois são muito dóceis com estranhos e costumam seguir os donos. Também aceitam coleira e podem ser treinados para truques.


Mula

"Juancito", uma mula argentina. Foto de Dario_u @ Wikipedia

Essa todos já conhecemos, mas achei injusto não incluir. Uma mula é o resultado do cruzamento entre um jumento e uma égua. O tamanho delas depende muito do tamanho da mãe. Mulas são reconhecidas por serem mais pacientes para carregar peso e mais hábeis em terrenos complicados de escalar do que cavalos, e menos teimosas e mais rápidas do que jumentos. A maioria é estéril, pois os pais têm números diferentes de cromossomos.


Bardoto

Um bardoto idoso em uma fazenda em Oklahoma. Foto de Ragesoss @ Wikipedia

Um bardoto é o contrário de uma mula, ou seja: resultado do cruzamento entre um cavalo e uma jumenta. Bardotos são mais raros porque tanto o cavalo quanto a jumenta são muito seletivos quanto à escolha do parceiro reprodutivo. Eles são menores do que as mulas e mais peludos, e também podem ser estéreis.


Beefalo

Foto de BeefaloAustralia.com

Um beefalo, ou cattalo, é o resultado da cruza de gado macho com uma búfala. Essa mistura foi criada intencionalmente no século 19, ideia de um fazendeiro americano que testemunhou a perda de milhares de cabeças de gado para uma forte nevasca. Como búfalos suportam melhor o clima frio, o cruzamento garantiria um gado de corte mais resistente (daí o trocadilho do nome). A prática, entretanto, se provou prejudicial para o meio ambiente americano, pois os poucos búfalos que ainda existem por lá são quase todos híbridos.


Zebroides

Híbrido de zebra com cavalo. Foto de Christine e David Schmidtt @ Wikipedia

Zebroides são híbridos de zebras macho com qualquer outro equino fêmea (éguas, jumentas, pôneis ou mesmo mulas), e são geralmente estéreis. Eles possuem mais características da mãe, mas apresentam as listras do pai, embora nunca no corpo todo. Zebroides são preferíveis a zebras para atividades práticas (como para montar) por serem menos agressivos e mais fortes.


Urso grolar

Foto sem autor creditado

Essa é uma mistura rara entre um urso polar e um urso-cinzento, que ocorre tanto na natureza quanto em cativeiro. Ursos grolares já haviam sido vistos na região ártica do Canadá, mas demorou até que existisse um exame de DNA que comprovasse o hibridismo. A mistura é considerada rara porque, apesar das duas espécies de urso serem encontradas no mesmo território, elas têm habitats diferentes e se evitam. Além da coloração misturada, os ursos grolares têm garras mais longas e o rosto mais plano do que os polares.


Wolphin

Kawili Kai, filhote de wolphin no Sea Life Park Hawaii. Foto de Mark Interrante @ Wikipedia

Um wolphin é o resultado do cruzamento entre um golfinho fêmea e uma falsa-orca macho (off: às vezes a língua portuguesa não faz o menor sentido). É uma mistura rara, mas dizem que pode ser encontrada na natureza. Existe apenas um wolphin em cativeiro hoje em dia - esse da foto, que fica em um parque aquático no Havaí.


Abelha assassina

Foto de Jeffrey W. Lotz @ Wikipedia

Conhecida por abelha africanizada, esse é um híbrido da abelha-europeia com a abelha-africana. Esse híbrido foi criado aqui no Brasil para conseguir uma espécie que se adaptasse melhor ao clima do nosso país e assim produzisse mais mel. Entretanto, a mistura gerou uma espécie bastante violenta (sua picada é mais forte e elas são mais facilmente irritáveis) e o manejo se tornou complicado - tão complicado que, nos anos 1950, 26 enxames foram acidentalmente soltos de uma criação e a espécie se multiplicou rapidamente, se espalhando por toda a América do Sul e Central até chegar à Califórnia.


(ok, essa eu talvez não queira no meu quintal)


.


Para conhecer outros animais híbridos, confira a matéria original em List25.com (em inglês).

22/02/2016

As últimas 10 músicas favoritas

Já foram seis meses desde a última, tá na hora de novo.



♫♫♫♫♫



Biblical
Biffy Clyro





It could have been a wonderful year
Instead we might not make it to the end
Everybody cares, but nobody knows

Fazia um tempão que o Spotify estava me recomendando essa banda com base nas outras que costumo ouvir, aí resolvi finalmente ceder e admito que tem sido quase só o que ando ouvindo agora.


Shadow Moses
Bring Me The Horizon





Can you tell from the look in our eyes?
(we're going nowhere)
We live our lives like we're ready to die
(we're going nowhere)
You can run but you'll never escape
(over and over again)
Will we ever see the end?
(we're going nowhere)

Escolhi essa mas são várias. O BMTH se tornou uma das minhas bandas favoritas e saber que vou vê-los ao vivo logo mais tá me deixando ansiosa (por mais que o Oli não esteja lá aquelas coisas ao vivo, atualmente, se o show for algo como aquele DVD sensacional gravado recentemente em Wembley, já tá legal).


Wake Up Call
Maroon 5



If you needed love
Well, then ask for love
Could have given love
Now I'm taking love
And it's not my fault
'cause you both deserve
What is coming now
So don't say a word


É difícil um dia que eu não acorde com uma música do Maroon 5 na cabeça. E é quase sempre essa.


He Can Only Hold Her
Amy Winehouse





And he tries to pacify her
'cause what's inside her never dies

Essa era uma que eu costumava pular, aí parei de pular e agora é a que eu gosto mais. Às vezes a gente tem dessas.


Anthology
Thrice





And while the North wind has taken its toll,
You have helped me to find my way back and to anchor my soul safe in the sound

O Thrice é uma coisa que eu vivo dizendo que tenho que ouvir mais e aí deixo pra lá e aí quando ouço digo que tenho que ouvir mais e aí deixo pra lá (ad aeternum). Mas essa é bem linda. E eu tenho que ouvir mais.


Lyin' Ass Bitch
Fishbone





You're nothing but a little lyin' ass bitch
She always says she loves you
But you know she don't care
You're nothing but a little lyin' ass bitch
She always says she needs you
But you know she really don't care

Conheci essa pelo cover do Reel Big Fish e sempre achei ela divertidona, mas até há pouco não conhecia a original. É tão divertida quanto.


This Is How It Goes
Billy Talent





So I hold my breath 'til my heart explodes
Cause this is how it is and this is how it goes
You can steal my body but you can't steal my soul
Cause this is how it is and this is how it goes

Não lembro se foi o Spotify ou a Last.fm que me mandou essa música como recomendação, mas gostei dela de cara. Era bom caminhar ouvindo essa. Era bom caminhar ouvindo qualquer coisa :(


Get Out
Circa Survive





I can't wait to understand the reason
I have yet to translate
Any meaning beside
It's not worth it to try
Get out

Fui começar a ouvir a banda por indicação de um amigo e acabei curtindo muito essa aí. Escolhi a versão acústica dela porque a achei bem bonitinha.


Future/Past
John Mark McMillan




And you,
You are my first
You are my last
You are my future and my past

É cristã, mesmo. Bonita, né? Spotify que me mandou.


It Had to Be You
The Overtones




For nobody else gave me a thrill
With all your faults, I love you still
It had to be you, wonderful you
It had to be you

Versão de uma música super antiga gravada por um monte de gente, ela fica na minha cabeça por ser bem simples. 

20/02/2016

Então, a tal da Síndrome de Asperger...



Não vou saber dizer com exatidão quando foi que eu comecei a desconfiar de que tinha algum grau de autismo rolando no meu cérebro, mas aconteceu mais ou menos assim.

Quando, por curiosidade, refiz o teste Myers-Briggs (sobre o qual falei aqui), entrei para um grupo no Facebook onde INTJs do mundo todo se reúnem pra conversar sobre opiniões impopulares e compartilhar artigos interessantes sobre psicologia. Nisso, foi levantado várias vezes que as características que distinguem os INTJs são exatamente as mesmas das pessoas diagnosticadas com a Síndrome de Asperger; mas isso sempre gera algumas discussões com argumentos infundados e acabam deixando o assunto de lado.

De qualquer forma, eu sempre paro pra ler quando algo assim surge e percebi que, realmente, eu conseguia me identificar facilmente com tudo aquilo. A ideia do autismo já estava me preocupando havia um tempo, mas eu nunca consegui me identificar completamente com os sintomas do autismo clássico (que se caracteriza, especialmente, pela dificuldade de aprendizado e demora no desenvolvimento da comunicação verbal, coisas que nunca me foram problema). Foi aí que, lendo mais sobre o Asperger, finalmente encontrei o que estava procurando.

A Síndrome de Asperger, embora não seja atualmente considerada uma condição à parte e nem chamada mais assim (desde 2013, a comunidade psiquiátrica engloba esta e outras síndromes como espectros do Autismo), compartilha muitos dos sintomas do autismo clássico, mas se diferencia dele justamente pela ocorrência oposta dos sintomas principais que mencionei antes, ou seja: as pessoas que a têm apresentam grande facilidade de aprendizado e não têm dificuldade no desenvolvimento da comunicação verbal. Por isso, é considerada um tipo de autismo brando e de alta funcionalidade.

Não posso usar este espaço para ajudar na diagnose da síndrome, pois não sou profissional, mas gostaria de aproveitar para compartilhar os sinais que me ajudaram a descobrir a condição e indicar as melhores fontes para que outros interessados pesquisem.

Primeiro de tudo:

É complicado identificar a síndrome depois de adulto. Isso acontece porque, por se caracterizar principalmente em relação ao comportamento social, adultos já aprenderam (bem ou mal) a lidar com essas dificuldades. Por exemplo: pessoas com Asperger entendem tudo literalmente, por isso são tidas como ingênuas e fáceis de manipular. É fácil ver quando uma criança não entende sarcasmo, piadas, trocadilhos, "críticas construtivas", elogios ou mentiras; mas adultos, embora ainda possam ter dificuldade em lidar, já aprenderam ao menos a identificar cada uma dessas coisas. Grande parte do aprendizado de relações sociais para quem tem Asperger é imitar o que os outros fazem sem realmente entender por que as coisas têm de ser daquela forma. Outra coisa que dificulta o diagnóstico em adultos é que eles acabam sendo tratados pelos sintomas isolados (depressão, ansiedade, TDAH, distúrbios alimentares, etc.), já que há um despreparo geral a respeito da identificação da síndrome por profissionais.

E, também:

Os sintomas entre homens e mulheres são diferentes. Grande parte do que encontramos sobre o diagnóstico é baseado em estudos feitos com meninos porque, até há pouco tempo, acreditava-se que as meninas não tinham isso. O que acontece é que algumas das características da Síndrome de Asperger são aspectos considerados normais no comportamento feminino: ingenuidade, timidez, introversão, melhor desempenho na escola. Só que meninos e meninas com a síndrome reagem diferentemente a alguns estímulos. Por exemplo, uma das características do Asperger é a necessidade absoluta de seguir regras, ordens, rotina, listas e programações. Quando acontece algum imprevisto e o plano que já estava cuidadosamente formulado precisa ser repentinamente alterado, ou mesmo quando a rotina é quebrada por algum acontecimento inesperado qualquer, a pessoa com Asperger fica fortemente irritada; só que, enquanto os meninos ficam agressivos (o que levava a crer, antigamente, que a síndrome era uma condição que tornava as pessoas violentas), as meninas se isolam e se tornam pouco comunicativas.

É importante lembrar que o autismo (ou qualquer um de seus espectros) não é uma doença e não é uma deficiência mental. Autistas têm processos mentais diferentes do convencional, ou seja, a maneira de pensar, interpretar e expressar são diferentes. Eles podem ser caracterizados tanto como o aluno que vai muito mal nas aulas como o aluno que vai muito melhor do que os outros.

Entre várias outras que são muitas para listar, aqui vão algumas das características que me ajudaram a perceber a presença da síndrome de Asperger:

  • Dificuldade em fazer amigos. Segundo muito do que li, autistas de todos os espectros não sentem necessidade de interagir, desprezam o convívio social e ficam nervosos com a presença de muitas pessoas ou muita proximidade. Amigos e pessoas mais próximas costumam ser de idades diferentes. Podem inventar relacionamentos.
  • Dificuldade de comunicação e expressão de sentimentos. Ao contrário do autista clássico, que tem atraso no desenvolvimento da fala e, em crise, se comunica não verbalmente, a pessoa com Asperger é capaz de se comunicar normalmente, mas não sabe como usar essa capacidade socialmente; ou seja, não sabe quando deve se expressar ou não (rindo, compartilhando informações pessoais, brincando, exteriorizando opiniões), se mostrando muito expressiva ou muito introvertida. Da mesma maneira, não sabe demonstrar ou identificar demonstrações de afeto, o que os deixa confusos e nervosos.
  • Exclusividade de interesses. O que os interessa, os fascina a ponto de memorizar detalhes desimportantes a respeito do assunto e falar frequentemente apenas sobre aquilo (pode ser uma descoberta, uma celebridade, um programa de TV, um objeto, um animal, uma tecnologia, literalmente qualquer coisa), transformando um simples hobby em objeto de obsessão. O que não os interessa, entretanto, provoca completa apatia.
  • Muita facilidade de aprendizado. Indivíduos com Asperger têm QI mediano ou acima da média, aprendem assuntos de interesse com muita facilidade e frequentemente se mostram autodidatas. São talentosos com números, com música ou com línguas. Suas habilidades de aprendizado compensam a falta de habilidade social, o que os faz serem vistos como "caxias" pelos colegas e os torna vítimas de bullying em potencial.
  • Má coordenação motora e postura, cacoetes. Sentam-se "largados", dormem em posições desconfortáveis, andam ou correm sem muita habilidade (tropeçam/esbarram, estão sempre se machucando, têm dificuldade com sapatos de salto), têm dificuldade com instrumentos musicais, alguns esportes, digitação/escrita, controles de videogame e direção de veículos. Apresentam manias diversas (cutucar feridas, brincar com o cabelo, gestos aleatórios, caretas).
  • Alta sensibilidade a estímulos externos. Alguns sons, cheiros, gostos, texturas ou estímulos visuais específicos desencadeiam crises de ansiedade. Costumam comer e vestir sempre as mesmas coisas.
  • Maturidade emocional atrasada em relação aos demais. São comumente tidos como adolescentes "infantis" para a idade e adultos ingênuos ou imaturos.
  • Maior propensão a distúrbios psicológicos. Indivíduos com Asperger quase sempre apresentam quadros de depressão, ansiedade, bipolaridade, hiperatividade e déficit de atenção, TOC, DPA (déficit do processamento auditivo), distúrbios alimentares e/ou outros.
  • Inflexibilidade de rotina, obsessão pela ordem, rituais pessoais e baixa tolerância à frustração. Como comentei mais cedo, a rotina e a ordem são levadas em alta conta, e a perturbação delas provoca ansiedade e irritação (que podem levar a acessos de raiva).

Ao identificar os sintomas, recorri aos testes para confirmação. Respondi a dois dos indicados (os colocarei ao fim da postagem, com as demais fontes) e ambos confirmaram a probabilidade da síndrome. O indicado é que, se a pessoa sente que isso a afeta negativamente na vida (pessoal e profissionalmente), procure um profissional e faça as terapias aplicáveis. 

No entanto, tendo descoberto a síndrome quase aos 30 anos, sinto que não há necessidade de trabalhar nisso. É sempre um alívio saber que há explicação para as minhas "esquisitices" mas, como eu disse, o adulto geralmente aprende a lidar com as próprias dificuldades ao longo da vida, com ou sem ajuda. Enquanto não for algo que me impeça de funcionar como um ser humano capaz, fico contente em saber que há um nome pra isso e muita gente passando pelo mesmo sem maiores problemas.


O que ajuda:

De maneira geral, ter um amigo próximo que não tenha a síndrome ajuda na parte de interação social e expressão emocional. Ajuda, também, quando as pessoas não apontam nossas "esquisitices" como coisas erradas e, principalmente, nos avisam com certa antecedência quando alguma alteração de rotina precisa ser feita (pegar um autista de surpresa nunca, nunca é uma boa ideia). Não subestimar a nossa inteligência e nem tratar a gente com condescendência também ajuda. Autistas não são retardados. Não seja esse tipo de pessoa.



deixa eu fazer um textão no blog


Sinto que há bem mais pra se falar, mas tô evitando uma aula. Pesquisem mais, se quiserem saber mais. Minhas fontes estão quase todas em inglês, mas tem muita coisa em português pela internet. Estou com um PDF sobre o assunto aqui para traduzir e, assim que terminar, disponibilizo para todos aqui no blog.


Para listas maiores de características e recomendações de tratamento, consulte:


  • Fontes:

14/02/2016

Mais 4 fatos científicos que precisamos desmitificar





Desde que começou a ser praticada, a Ciência nunca parou de avançar; e, com toda a tecnologia que fomos capazes de criar e estamos constantemente melhorando, a tendência é que ela avance cada vez mais e mais rápido. O que já se sabe sobre o nosso planeta, o Universo e nós mesmos, em todos os níveis imagináveis, é tão impressionante que chega a ser difícil acreditar que ainda haja mais o que saber. Bom, como constantemente vemos, sempre há mais. Ainda há muito que ignoramos, e o papel da Ciência é não deixar perguntas sem respostas.

A Ciência, como muitos gostam de resumi-la, não se restringe apenas a Física, Química e Biologia (como regra, as matérias mais detestadas da escola). Ciência é todo estudo baseado em observação e experimento da matéria física, ou seja, coisas que podemos ver, tocar e cuja existência podemos provar de alguma forma. A Ciência, por si só, deixa de lado questões filosóficas e metafísicas, mas jamais deve-se assumir que elas não possam se misturar e se beneficiar mutuamente.

Não obstante, talvez devido ao nosso pobre sistema educacional ou nossa simples falta de curiosidade, ainda existem coisas básicas a respeito do mundo que ignoramos. Com isso em mente, gostaria de listar mais algumas coisas que precisamos parar de entender errado sobre o fascinante mundo que nos cerca.




  • Nada na Ciência é definitivo.


Não existem fatos indiscutíveis. Tudo o que pensamos saber sobre a vida, o universo e tudo mais é um monte de teorias, e a única coisa que valida essas teorias é a falta de prova em contrário. Muitos de nós já percebemos como os livros didáticos que usamos na escola mudam com o passar dos anos. Até dou um exemplo: quando eu estava na escola, as algas azuis eram consideradas plantas. Já na faculdade, estudei que as algas azuis são, na verdade, bactérias. Coisas muito diferentes, não? Mas novas descobertas e melhores tecnologias são responsáveis pela confirmação ou correção das teorias formuladas há muito tempo, e pela formulação de tantas outras. Portanto, nada é realmente certo. E é essa a graça de estudar e experimentar, não é?



  • O homem não é uma versão evoluída do macaco.



E Darwin nunca disse que era. O que o famoso cientista defendeu em A Origem das Espécies (e que continua sendo a teoria mais aceita, até hoje, com as aplicáveis correções) é que o homem e os demais primatas descendem de um ancestral em comum; ou seja, uma única espécie primitiva, com o passar dos milhões de anos e as alterações ambientais, foi se reproduzindo e dando origem a espécies que foram se distanciando geneticamente das gerações anteriores. O que ajuda a difundir esse mito (bem como o de que o homem atual é uma melhoria do neandertal) é a famosa imagem da escala evolutiva do homem que todos já vimos. A imagem não deve ser interpretada como uma escala de inferioridade - superioridade entre os primatas (sendo o primeiro mais primitivo e o último mais evoluído), mas apenas demonstrar as diferenças anatômicas entre todos eles. Cada uma dessas imagens representa uma espécie diferente. Sabe-se que várias delas conviveram na mesma época (inclusive os neandertais e nós, sapiens), só que algumas linhagens se extinguiram e só nós e outros primatas superiores (macacos maiores, vulgarmente dizendo) ficamos. Para aceitar melhor essa realidade, precisamos nos acostumar a este conceito muito útil: o homem é apenas mais uma espécie animal que se adaptou evolutivamente para sobreviver melhor do que seus primos (assim como todas as espécies que habitam o nosso planeta, atualmente).


  • Nem toda bactéria é ruim.


Em estimativa, nosso corpo tem dez vezes mais bactérias do que células humanas. Elas estão em absolutamente tudo: por dentro e por fora. Mas, antes que você saia se lavando em álcool gel, lembre-se de que, embora existam inúmeras doenças causadas por bactérias, muitos desses microrganismos são responsáveis pela nossa boa saúde, também. A famosa flora intestinal, por exemplo, é uma enorme colônia de bactérias que ajuda na nossa digestão e excreção de lixo. E não só isso: ela ainda produz vitaminas para o nosso corpo e luta contra bactérias patogênicas (as que causam doenças). E tem a rizosfera, uma camada de bactérias do solo que auxilia nas plantações ao fixar nitrogênio nas raízes das plantas.


  • Nem toda radiação é perigosa.


Quando falamos em radiação, já pensamos em desastres em usinas e bombas atômicas, mas é só lembrar que radiação é, na verdade, só a emissão de energia através de ondas, e isso é muito amplo e tem muitos usos. Por exemplo, um dos muitos bons usos da radiação é para o tratamento de várias doenças, como a radioterapia para o câncer. A radiação também pode ser usada para detectar doenças: desde as injeções para identificar doenças cardíacas como o simples raio-x, que é usado para localizar fraturas e tumores. Além disso, a radiação é amplamente usada em nossos sistemas de comunicação, desde TV e rádio até internet e telefonia móvel. E há ainda muitos outros usos (inclusive nosso rotineiro micro-ondas), e a exposição prolongada a qualquer um desses equipamentos pode ser prejudicial, claro, mas, normalmente, ninguém fica exposto o suficiente para sofrer os danos. Tudo emite radiação, até a gente. ;)



Esses foram só mais alguns tópicos aleatórios. Outros tantos estão aqui nessa postagem e por toda a tag "ciência". Deem uma olhadinha!