05/04/2016

9 macetes pessoais pra lidar com a ansiedade

Talvez a ansiedade, bem como todos os distúrbios psicológicos, como a depressão, seja tratada com certa leviandade por parte de quem não entende realmente que ela é uma doença como qualquer outra. Afinal, "todo mundo se sente ansioso de vez em quando", e isso é tremendamente invalidador para quem sofre com isso cronicamente. A ansiedade é uma sensação que todos eventualmente experimentamos, claro, mas há diferença entre não conseguir dormir por estar inseguro ou excitado quanto a uma novidade e não conseguir ir trabalhar porque se tem crises de pânico incapacitantes sem qualquer explicação racional. A ansiedade como distúrbio crônico não se cura com um tapinha nas costas e um "relaxa que passa", mas somente com remédios e muita terapia, e nem todos temos como cuidar disso como deveríamos.



arte que fiz no extinto tunewiki para essa música do Against Me! 



Porém, tem como aliviar. Sou reconhecidamente ansiosa desde que me lembro de existir e não consigo evitar o pânico sempre que tento, mas, ao longo da vida, fui prestando atenção no que ajuda e compartilho as ideias com quem também não pode ou quer se submeter a tratamentos psiquiátricos. Nem sempre faço tudo o que vou listar abaixo porque prefiro evitar tudo sempre que possível mas, na impossibilidade, as alternativas são:


Inspirar, expirar.

A dica mais velha da humanidade, mas que funciona maravilhas. Se o que está me deixando ansiosa é algo que eu tenha que fazer imediatamente (mesmo que eu já esteja preparada pra isso), ajuda inspirar pelo nariz e expirar pela boca, lentamente, várias vezes, por alguns segundos. Respirar fundo ajuda a clarear a mente, dá aquele "reset" na cabeça e assim a gente consegue focar os pensamentos só no que precisa fazer. Se der pra beber água, beba água também. Mas água, nada de cafeína ou açúcar. E em pequenos goles, colega, senão você vai querer correr pro banheiro no meio da coisa.


Um dia de cada vez.

Uma vez, quando ainda estava na faculdade, eu havia passado uma semana trabalhando em uma grande exposição que acontece na cidade todos os anos. Não era algo que eu queria fazer, por envolver contato com gente demais por tempo demais, mas eu precisava porque não tinha opção, sendo estagiária e tudo o mais. Depois de uma semana exaustiva, minha chefe confirmou que eu participaria novamente no ano seguinte, e pronto: já tava entrando em pânico com a perspectiva de passar por tudo de novo, chorando e perdendo o sono faltando literalmente um ano pra isso. Isso é algo pelo qual não me permito mais passar, mas, pra dar um exemplo mais recente, eu ainda ficava ansiosa toda semana só por saber que teria de dar aulas no sábado de manhã. As turmas de sábado não eram mais desafiadoras que as do resto da semana, mas saber que eu não teria tempo de me preparar psicologicamente antes de sair de casa e ficar o dobro do tempo entretendo o mesmo grupo de pessoas (as aulas de sábado têm duas horas em vez de uma) sempre me deixava nervosa o suficiente pra ter crises toda sexta. O que eu procurava fazer nesses casos, então, era parar de pensar no sábado: arrumava o que tinha de deixar preparado e esquecia dele até ele chegar. E faço isso sempre que preciso fazer algo fora da minha rotina em alguma data que não seja hoje: "Hoje é hoje. O que eu tenho que fazer HOJE?".


Me prender à vantagem.

Se o que está me deixando ansiosa é algo que eu precise fazer e não tenha o costume de fazer, tento não pensar em todas as coisas horríveis que podem acontecer e tento listar o que pode ser legal sobre aquilo. Pode ser a vantagem mais idiota, mas me prendo a ela pra não desistir. É o que eu costumo fazer quando preciso telefonar pra algum serviço de atendimento, por exemplo. Telefonemas são coisas que me deixam muito, muito ansiosa, porque tenho DPA (que é, vulgarmente explicando, uma dislexia auditiva) e ninguém realmente me dá um desconto por isso, então eu volta e meia me vejo obrigada a pegar o telefone pra resolver algo. Eu vou ter que pedir pra pessoa repetir mil vezes as instruções, vou ficar com vergonha e a pessoa vai ficar irritada, mas ao menos minha internet vai voltar a funcionar, então eu me esforço pensando nessa vantagem. 






Menosprezo.

Encarar as coisas como desimportantes ajuda muitíssimo. Se eu me habituar à ideia de que aquilo é uma coisa qualquer que eu tenho que fazer entre tantas outras, minha cabeça não se dedica a superestimar o evento e não me pressiona a ter que ser perfeita naquilo (a gente sabe, né, que quanto mais se preocupa com a coisa, pior acaba fazendo). Vou ter que ir a uma festa? Sem problema, vai ter um monte de gente cuidando das próprias atividades e eu vou ser só mais uma ali no meio. 


Falsa confiança.

Fingir que já fiz aquilo mil vezes e que sou boa naquilo é um truque que funciona bastante bem, e funciona como a dica anterior por tirar a importância que a gente tende a dar às coisas diferentes. Se eu tenho uma turma nova ou alguma aula diferente pra dar, é só pensar que eu já passei por aquilo um monte de vezes e que, por mais insegura que eu esteja, os outros vão estar provavelmente mais nervosos que eu. Quando eu tive que dar aulas pela primeira vez, estagiando durante a faculdade, o que me acalmava antes de encarar as turmas de adolescentes era a convicção de que eu sabia mais do que eles. Não é um pensamento altruísta, mas definitivamente dá confiança suficiente pra evitar a sensação de que todos estão me achando a pior coisa do mundo.


Recompensa.

Em dias em que o motivo da ansiedade é simplesmente exaustão de tudo e não ver a hora de ir embora, eu procuro pensar no que vou fazer depois como uma recompensa por aguentar mais um pouquinho: comer algo diferente, ir a algum lugar, comprar alguma coisa que eu queria faz tempo, dormir mais cedo/mais tarde. "Não vou aguentar ficar aqui mais 5 horas, vou ter um troço. Mas quando chegar em casa vou assistir a um episódio inédito de Star Trek, não vejo a hora!" era um pensamento bastante constante nos últimos meses de trabalho na escola.


Escrever tudo.

Conversar é bom; botar pra fora é uma boa ideia pra se livrar da pressão. Mas, se a gente não tem um terapeuta pra isso, acaba enchendo o saco dos amigos e, eu sei, por mais que eles digam que você pode conversar com eles, é um saco. Ninguém é obrigado a aguentar nossas ansiedades "sem motivo" quando eles próprios já têm o suficiente com o que lidar. Então, eu escrevo. Não preciso nem escrever o que tá me incomodando; é nessas horas que eu venho pro blog falar sobre coisas desconexas ou recorro aos livros interativos. Dá pra passar o tempo, distrair a cabeça com outras coisas e, talvez, ser útil nesse meio tempo (ei, minha postagem temática sobre fezes é uma das mais visitadas do blog!).


O cachorro.

Eu tenho pena de quem não pode ou não quer ter animais de estimação ou os tem e não sabe o quanto eles são fantásticos. Cães são amigos sensacionais e eu sinto muita falta de ter um por perto. Gatos são incríveis mas não ajudam muito nessas horas de ansiedade, porque só brincam quando querem e odeiam ser importunados quando estão dormindo ou tomando banho ou comendo (o que fazem o dia todo, HAHAHA). De qualquer forma, ter um animalzinho é terapêutico e faz bem tanto pra gente quanto pra ele. Cuidar ou brincar com um tira nossa cabeça da gente mesmo e são preciosos momentos de companhia sem pressões sociais ou julgamentos.





Exercícios.

Comecei uma rotina de exercícios recentemente e notei tanta coisa boa como resultado desde então que me pego fazendo exercícios até quando não tá na hora certa. Às vezes eu não tenho nada pra fazer por um tempo e começo a ficar ansiosa pensando que deveria estar sendo útil de alguma forma, então, quando vejo, já tô lá fazendo polichinelo e agachamentos, ou indo caminhar. Tenho experimentado com um pouco de ioga, também, embora não dê pra fazer direitinho em casa, mas é ótimo pra relaxar e desanuviar a cabeça. 


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Eu gostaria de dizer que ler, ouvir música ou ver filmes, que são algumas das minhas atividades favoritas, ajudam, mas à beira de uma crise de ansiedade nenhuma tarefa que exija que eu fique parada resolve, porque a cabeça divaga do mesmo jeito e o importante é distraí-la ou ocupá-la o máximo possível, sem dar tempo de pensar nela mesma. 

Lembro que tudo isso são paliativos, e às vezes nada disso funciona de verdade. Cada situação é uma situação e o estado de espírito influencia bastante. Se eu tô cansada ou irritada ou deprimida ao mesmo tempo, nem tento nada disso e não há nada que resolva. Mas são ideias. Algumas, inclusive, são recomendadas por profissionais.

Deu pra ter uma ideia da constante batalha que o meu cérebro trava com ele mesmo todos os dias pra me permitir "funcionar" socialmente e manter a aparência de quem tem tudo sob controle. Sabendo que é exatamente assim com todas as pessoas ansiosas do mundo, respeite suas limitações e procure entendê-las antes de exigir um comportamento "normal".





E vocês? Conhecem algum truque que os ajuda? Dividam nos comentários pra outros ansiosos aproveitarem! :)

Um comentário:

  1. Ótimas dicas, quando dá a gente aplica, rs... Eu odeio tanto telefonar também que estou pagando uma revista que acho inútil por quase um ano pra não ter que ligar no 0800 e pedir cancelamento hahahahaha!

    Amei as dicas cara-gêmea!

    Bjs, aaaamo!

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