30/04/2016

Desafio de Leitura 2016: Segundo relatório

Este segundo relatório vai ter pouquinha coisa. Os demais livros que li são parte de séries (uma trilogia e uma outra série de 7 volumes) e estou esperando acabar todos para falar sobre tudo de uma vez e deixar tudo mais fácil de pesquisar depois. Fora eles, li pouca coisa diferente, mas vou postar conforme o programado pra não acumular demais para o próximo (quem liga?). Destes que serão listados, nenhum faz parte do desafio, mas mantive o título para padronizar as postagens.


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Não-ficção:



Dicionário de máximas e expressões em latim
Christa Pöppelmann - Escala - 2010 (2008) - 142p.

Comprei este há um tempão em uma banca de revistas mas é a primeira vez que o pego pra ler inteiro, em vez de só consultar algumas entradas (foi, inclusive, de onde tirei a inspiração pra essa minha tatuagem). Venho "estudando" latim por conta própria há algum tempo e sou fascinada por essa língua hoje considerada tão erudita - e nem um pouco morta, ao contrário do que se pensa, pois, além de servir de origem para a nossa própria língua e tantas outras, ainda hoje usamos palavras e expressões em latim profissionalmente (especialmente na área jurídica) ou no dia a dia. Este livro reúne a maior parte dessas expressões que ainda usamos, com sua origem e uso atual, bem como máximas da Antiguidade que se tornaram famosas na História (como "Carpe diem" - "aproveita o dia" -, que foi dita pelo poeta romano Horácio e termina com "... quam minimum credula posterum!" - "e confia o mínimo possível nos dias posteriores!". Sabiam dessa?).  Foi muito bem pesquisado e organizado, é bem bacana de consultar, é ilustrado e ensina bastante coisa sobre História.

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I Think I Might Be Autistic
Cynthia Kim - Narrow Gauge - 2013 - 110p.

A maioria das pessoas que descobre ter algum tipo de autismo já na fase adulta o faz por autodiagnose através de pesquisa, testes e muita conversa com autistas oficialmente diagnosticados. Isso acontece pelo simples fato de que são raros os profissionais treinados para reconhecer os sintomas na fase adulta, quando os pacientes já aprenderam sozinhos a lidar com as dificuldades sociais, e acabam sendo tratados pelos sintomas específicos em vez do problema geral. Pensando nisso, a autora, que descobriu ter Asperger depois dos 40 anos, começou um blog sobre o assunto e lançou este livro como guia para outros adultos autodiagnosticados, para que saibam o que ler, quem procurar e o que fazer com a descoberta, bem como se devemos e para quem contar sobre isso, e também se procurar um diagnóstico profissional realmente vale a pena (spoiler: segundo ela, não. O diagnóstico oficial é difícil de ser conseguido, pela já mencionada falta de profissionais capacitados para lidar com adultos autistas, os exames são bastante caros, e a oficialidade médica pode trazer um certo estigma de que a pessoa seria mentalmente incapaz de fazer coisas que ela conseguiu fazer bem a vida toda até então). Ela mesma foi atrás de um diagnóstico oficial para confirmar tudo o que descobriu e, em um dos capítulos, dá uma descrição detalhada de como funcionam os exames, que são bastante específicos para cada sintoma e, consequentemente, extensos. Como adulta autista autodiagnosticada, achei excelente ler este livro e me identificar com todos os passos da autora até a descoberta (a lista de sintomas que ela fornece, aliás, é super completa), os pensamentos a respeito e as dúvidas que seguem. Ela é muito realista sobre a condição, frisando sempre que nada muda quando descobrimos que nossa "inabilidade social" tem um nome certo: vamos continuar sendo como sempre fomos, mas agora sendo mais gentis conosco mesmos, identificando nossos limites e, consequentemente, nos causando menos danos.

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Coping: A Survival Guide For People With Asperger Syndrome
Marc Segar - 1997

Este não tem uma capa. Como o autor acabou falecendo em decorrência de um acidente de trânsito, sua família liberou o livro para download gratuito (aqui) e também para que pessoas do mundo todo o traduzam para suas próprias línguas e o distribuam para que muitas mais tenham acesso ao conteúdo. Ao contrário da autora do livro que mencionei anteriormente, o autor deste foi diagnosticado ainda na infância, então cresceu já sabendo de suas limitações. Por isso, ele escreveu este guia de sobrevivência para ajudar outros adultos com Asperger a lidar com as dificuldades sociais que a síndrome causa. Essas dicas são para que consigamos evitar as reações que nossa inabilidade social acaba desencadeando: isolamento, deboche, bullying, condescendência, menosprezo etc. Ele alerta que não precisamos nos sentir forçados a tentar tudo o que ele sugere, pois cada autista tem níveis diferentes de conforto em relação a algumas limitações, mas já começa dizendo que, se queremos lidar com o problema, temos de aceitar que somos autistas e que não temos escolha sobre isso; só podemos escolher o que fazer para não ter de sofrer com isso. Boa parte das dicas se refere à compreensão de e comunicação com linguagem corporal, coisa que é especialmente complicada já que raramente conseguimos lidar com toques ou mesmo olhar por muito tempo para o interlocutor e, por isso, ignoramos os momentos em que devemos nos aproximar ou nos afastar das pessoas; ou, numa tentativa de disfarçar nosso desconforto, podemos exagerar e ser inconvenientes. Além disso, ele também lista como algumas das características do Asperger são positivas e podem ser usadas em nosso favor (por exemplo, as dificuldades sociais acabam nos tornando mais originais, fazendo com que vejamos detalhes que costumam passar despercebidos). De maneira geral, quase tudo recomendado aqui foram coisas que aprendi sozinha, nem sempre do jeito fácil, ao longo da vida - como não encarar as pessoas (embora eu ainda me pegue fazendo isso), controlar a velocidade e tom de voz ao falar e me preocupar um pouco mais com a minha aparência; mas ainda preciso melhorar muita coisa.

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HQs:


Dentre as que li, quero destacar:


Demolidor (Marvel/Panini/Salvat). Esse volume da coleção Os Heróis Mais Poderosos da Marvel traz duas histórias essenciais para quem quer conhecer um de seus personagens mais populares atualmente: a primeiríssima, escrita por Stan Lee, quando o Demolidor ainda tinha o uniforme amarelo; e o clássico O Homem Sem Medo, escrita por Frank Miller, que é basicamente a origem reescrita de forma muito mais sombria, o que se tornou característica das HQs do Demolidor dali pra frente. Apesar de adorar o Demolidor há tanto tempo, nunca tinha tido a chance de ler O Homem Sem Medo e tô impressionada com o quanto a série se inspirou nessa história, desde elementos do roteiro até a caracterização dos personagens.

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✓ Itens do desafio: 0
✘ À parte do desafio: 4



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Um comentário:

  1. Eu ligo! É possível me mandar a lista do desafio em um arquivo editável (Word, Excel...)?

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