27/05/2016

Leitor, veja por que ter um Kindle não te faz um traidor



Ano passado, quando minha mãe me perguntou se eu gostaria de ter um Kindle, a primeira coisa que eu pensei foi "putz, mas eu ainda tenho TANTO livro físico pra ler!", e acho que esse é um dos argumentos que todos os leitores vorazes têm ao pensar no infame leitor digital.

Por isso vim aqui falar sobre o assunto. Porque, consumindo os dois formatos de leitura há um tempo, digo com toda certeza: você pode continuar tendo e lendo livros físicos, e pode ter um Kindle*, também! E não vai ser um "traidor do movimento" por isso.

*vou falar sobre o Kindle, especificamente, porque é o que eu tenho**; mas a sugestão geral vale pra qualquer marca de leitor digital.

**o meu é o Kindle Touch, que é o modelo mais simples. Ele não suporta imagens coloridas e não tem luz de fundo, então, claro, não dá pra usar ele no escuro, como qualquer livro. Os demais modelos todos, porém, têm essas e mais outras funcionalidades sobre as quais não vou poder falar aqui.



▼ Os bons motivos para experimentar ▼



1. Economia de dinheiro

  • A vasta maioria dos e-books é mais barata que suas edições físicas (e, se você costuma comprar livros pela internet, como eu, ainda há a vantagem de não pagar frete); então, se você não faz questão de ter a edição física por algum motivo (coleção, pra ficar escrevendo nele, pra dar pra alguém), é a opção mais viável de adquirir um livro para tê-lo e lê-lo quando quiser.

  • As próprias livrarias virtuais fornecem centenas de opções de e-books gratuitos para você baixar e ter pra sempre. São, geralmente, clássicos da literatura, livros em outros idiomas, primeiros capítulos de best sellers ou algumas obras de autores independentes. Ainda há promoções que garantem cupons de desconto na aquisição de e-books de determinadas editoras e, com frequência, alguns acabam saindo de graça.

  • E ainda há a opção de assinar o Kindle Unlimited, que é como uma Netflix pra livros. Você paga uma mensalidade e tem acesso a um acervo de milhares de livros para ler à vontade, caso não queira comprá-los.


Dica: Se você possui um aparelho Samsung, baixe o aplicativo Kindle para Samsung. Todos os meses ele disponibiliza quatro e-books aleatórios para que você escolha um e o baixe gratuitamente (ele vai automaticamente para o seu Kindle).


2. Economia de espaço

  • Um Kindle abriga cerca de mil livros digitais. Mil livros! Aqui em casa temos mais do que isso em livros físicos, mas uma hora o espaço acaba (a gente ainda vai enfiando onde dá: empilhando em mesas, na cabeceira da cama, no chão!) e eu já estou sentindo isso no meu quarto. Por isso, ultimamente tenho escolhido a versão digital dos livros que quero sem muito remorso - gosto tanto de livros que prefiro não jogá-los nos cantos.

  • O aparelho também é levinho e ocupa pouco espaço na bolsa, por isso é ótimo pra levar em viagens. Eu sempre levo um livro pra onde vou, mas às vezes estou lendo algo enorme e pesado que não cabe na bolsa, então tenho que pegar outro livro em edição de bolso pra levar - o que não é problema, já que vou ler tudo, mesmo. Porém, com o Kindle não há o risco de eu ter escolhido uma leitura que posso acabar não curtindo e aí ter que aguentar aquele único livro durante toda a viagem; se eu abrir um que não gostei muito, fecho e escolho outro. Simples.



3. Mais uma opção

  • O que vinha acontecendo com mais frequência do que eu gostaria era não conseguir encontrar determinados livros em formato físico. Às vezes porque já estavam esgotados e sem previsão de reedição, outras porque eles não chegaram a ser lançados em formato físico (e como tem, agora!), outras ainda porque eles nem chegaram a ser lançados no Brasil e, pra importar com esse dólar, meu bolso chorava e o coração desistia. Até dava pra recorrer aos .pdf ilegais, mas nunca consegui ler um livro confortavelmente no computador. É muito frustrante não ter opção! Então o Kindle ajuda bastante nisso: tem versão digital de praticamente tudo, então não preciso me descabelar.



4. Dá pra usar pra estudar, também

  • Tem gente que gosta de destacar trechos com o marca-textos ou sublinhar com caneta ou lápis pra ler de novo mais tarde, e a boa notícia pra vocês é que dá pra fazer isso no Kindle, também (não com as mesmas ferramentas, por favor). E o mais legal é que ele salva automaticamente tudo o que você destacar em um documento separado com a data e o nome do livro e tudo, então, se você quiser voltar a ler um trecho e não lembrar de que livro é, é só abrir esse documento e procurar o trecho lá.

  • Além disso, ele vem com um dicionário instalado. Então, se você estiver lendo um livro antigo e aparecer a palavra "ilharga" e você não tiver a sorte de trabalhar em uma biblioteca e ter que interromper a leitura pra ir pegar um dicionário pra saber onde diabos exatamente o cara levou a facada (história verídica), é só tocar e segurar a palavra que o dicionário vai abrir e te mostrar o significado do verbete na hora, sem interromper nada.



5. É customizável e prático

  • Dá pra mudar as fontes, aumentar o tamanho das letras, as margens e os espaçamentos (coisa que não dá pra fazer com livros físicos), então não tem problema caso você não enxergue direito. Também dá pra comprar uma capinha pra proteger o aparelho, e existem de todos os modelos e cores e estampas (tem até umas que imitam capas de livros de verdade), que vêm com uma canetinha de ponta de borracha para manuseá-lo, caso você tenha dificuldades com os dedos.

  • Os e-books não têm páginas numeradas porque, quando você altera as configurações de fonte, as páginas obviamente aumentam em quantidade, MAS aparece no cantinho inferior da tela o quanto a leitura progrediu em porcentagem total e uma estimativa em minutos de quanto tempo você vai levar para terminar cada capítulo, o que é ótimo caso você precise se programar e não acabe perdendo a hora, imerso na leitura. E, se você precisar voltar ou avançar alguns capítulos, dá pra fazer isso acessando o menu.



6. Você nem precisa dele pra ler o que tem lá

  • Caso você precise conferir algo que tenha no seu Kindle mas não esteja com ele, há a opção de instalar o aplicativo gratuitamente no seu celular ou tablet e ter acesso a todo os seus livros por ele. Porém, o app só funciona com conexão à internet e não tem todas as funcionalidades, então é só um quebra-galho, mesmo, mas também uma boa opção pra quem ainda não sabe se quer investir no aparelho mas quer ver como funciona.



▼ E por que ele não substitui o formato físico ▼


1. É só seu

  • Ainda não existe uma maneira de presentear os amigos com e-books, infelizmente, o que nos tira essa opção de bom presente. Também não dá pra emprestar pra ninguém sem entregar o aparelho junto, e não dá pra trocar e-books com alguém ou vender caso você não tenha gostado do que comprou; o que significa que, o que quer que você tenha adquirido, é só seu.



2. Não proporciona as mesmas experiências

  • Além do que mencionei acima, também tem a questão de não podermos folhear, apreciar os detalhes da impressão (encadernação, tipografia, diagramação, ilustrações, tudo isso "se perde" no e-book) e, o que é importante pra alguns, embora eu não ligue muito, sentir o cheirinho de livro novo. Também não é tão impressionante ter mil livros em um Kindle quanto é ter mil livros distribuídos em estantes, e todos que gostamos de ler sabemos o quanto é gostoso passear por elas, ver as coleções e pegar nas mãos os que nos chamam a atenção. Isso ainda é algo que não tem substituto.



3. Não deixa de ser uma tecnologia

  • O que significa que é mais uma bateria pra você carregar, mais uma tela pra você ficar olhando, mais um objeto frágil pra cuidar e mais uma preocupação quanto a perda e roubo. Se você não vai ter acesso a tomadas e/ou internet (apesar de ela não ser necessária para ler os livros, apenas para baixá-los) e/ou quer fugir disso tudo, um livro sempre vai ser uma escolha melhor.



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Uso meu Kindle tanto quanto continuo lendo e adquirindo livros físicos e até aumentei meu rendimento de leitura com ele. Ficou parecendo uma grande propaganda, mas espero que tenha ajudado os duvidosos a se decidirem e os preconceituosos a darem uma chance!




Né? ;)

19/05/2016

As 3 letras mais violentas dos Beatles

E, vejam bem, não tô falando de Helter Skelter e seu suposto pioneirismo de "heavy metal" - apesar de ser pesada, a letra é bem inocente. Tô falando de letras bizarramente violentas que jamais esperaríamos de uma bandinha aparentemente brega que chacoalhava os cabelinhos e falava sobre amor.



... só que não.




Maxwell's Silver Hammer (Abbey Road, 1969)




Bang, bang, o martelo de prata de Maxwell desceu na cabeça dela
Bang, bang, o martelo de prata de Maxwell garantiu que ela estava morta.

Já fiz uma brincadeira com ela por aqui, inclusive. Um ritmo animadinho que gruda na cabeça disfarça a história de Maxwell Edison, que matou a marteladas sua namorada, uma professora e, finalmente, o juiz de seu próprio julgamento. O mais bizarro nisso talvez seja que a letra foi composta por Paul McCartney, que era quem costumava compor as baladinhas românticas, e não John Lennon, que era quem tinha as tendências perturbadas. Segundo Macca, o personagem seria um símbolo para "os acontecimentos ruins da vida que surgem do nada". Pra mim, continua sendo uma música sobre um serial killer.


A Day in the Life (Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, 1967)




Eu li a notícia de hoje, oh cara
Sobre um homem de sorte que se superou
E embora a notícia fosse bastante triste
Eu tive que rir
Porque vi a foto.


Considerada uma das músicas mais ambiciosas da banda, essa foi composta em partes por Lennon e McCartney e fala sobre um dia normal. Só que Paul ficou com a parte rotineira de se levantar, se arrumar e tomar seu café da manhã e fumar um cigarro, e John achou mais legal falar sobre um acidente de trânsito com uma morte horrível em que a vítima tinha quebrado a cabeça e isso foi "engraçado". E isso porque ele tirou essa inspiração de uma notícia real!


Run For Your Life (Rubber Soul, 1965)




Prefiro te ver morta, garotinha, do que com outro cara
(...)
Sebo nas canelas, garotinha
Esconda a cabeça na areia, garotinha
Se eu te pegar com outro cara
É o fim, garotinha.

Provavelmente a pior de todas. Nessa, John Lennon faz uma ameaça categórica contra a vida da moça caso a veja com outro homem. Lennon mais uma vez confessa ter "uma mente ciumenta" e ser "mau", como já havia feito em You Can't Do That (que já postei) e I'll Cry Instead, bem como em várias outras de sua carreira solo.


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Fonte: TURNER, Steve. The Beatles: A História Por Trás de Todas as Canções. Cosac Naify, 2009.

12/05/2016

Desafio de Música




Peguei um daqueles desafios de 30 dias que habitam o Tumblr, selecionei os que achei mais legais e diminuí pra poder postar tudo de uma vez só. Vou tentar não pensar muito nas respostas, mas não quero repetir o que já postei por aqui antes. Vamos ver o que sai.

(ah, gente, eu adoro mostrar as minhas músicas favoritas '-')



1. Yellow Belly, Thrice



You're less than half a man
Yellow belly and crimson hands
You will one day reap your reckoning
Maybe then you'll understand



2. 9/15ths, Biffy Clyro


We're on a hellslide
Help us, help us
We're on a hellslide


3. Be Safe, The Cribs


I know a place we can go where you'll fall in
love so hard that you'll wish you were dead


4. Go to Hell, For Heaven's Sake, Bring Me the Horizon


I'm burning down every bridge we make
I'll watch you choke on the hearts you break
I'm bleeding out every word you said
Go to hell, for heaven's sake!


5. Telephone, Lady Gaga feat. Beyoncé (embora basicamente todas)



Stop calling, stop calling, I don't wanna think anymore
I left my head and my heart on the dance floor!


6. Never Gonna Give You Up, Rick Astley (muito sério isso)


Never gonna give you up
Never gonna let you down
Never gonna run around and desert you


7. Don't Go Breaking My Heart, Elton John & Kiki Dee (mas poxa, seriam tantas)



Woo-hoo, nobody knows it
When I was down I was your clown
Right from the start I gave you my heart
So don't go breaking my heart 


8. Emanuela, Fettes Brot (hue)


Lass die Finger von Emanuela!


9. Lighthouse, Westlife (não, o Oasis fez bem em acabar)



When I need to find the shore
'cause I can't swim anymore
You always guide me back to solid ground
You're my lighthouse

10. Man in the Middle, Bee Gees (o Barry ainda tá vivo, mas Maurice ;_;)


I'm just the man in the middle of a complicated plan
No one to show me the signs
I'm just a creature of habit in a complicated world
Nowhere to run to, nowhere to hide


11. Regen, OOMPH! (Dero é Dero, né)


Hier im Regen, hier im Regen
Lass mich allein


12. I Am a Rock, Simon and Garfunkel [post]


I have my books and my poetry to protect me
I am shielded in my armor
Hiding in my room, safe within my womb
I touch no one and no one touches me

08/05/2016

O Dia das Mães ao redor do mundo

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O Dia das Mães como nós o conhecemos e comemoramos aqui no Brasil foi criado nos Estados Unidos, em 1914, por uma mulher que nunca chegou a ser mãe mas que lutou para que houvesse um feriado nacional que homenageasse as mulheres que fazem tanto pela família e a sociedade. Pensou nisso para homenagear a própria mãe, que era líder de comunidade e ativista ferrenha pelos direitos das mulheres. Entretanto, não muito depois de conseguir o que queria, Anna Jarvis se enfureceu com a conotação comercial que o feriado logo recebeu e passou a protestar contra ele. Segundo ela:


Um cartão impresso não significa nada além de que você é preguiçoso demais para escrever para a mulher que fez mais por você do que qualquer outra pessoa no mundo. E doces! Você dá uma caixa à sua mãe e aí come quase tudo sozinho. Grande sentimento.


Apesar de ser um feriado relativamente recente, as mães têm sido homenageadas pela humanidade desde muito tempo atrás. No Egito Antigo, homenageava-se por vários dias a deusa Ísis, vista como figura maternal, com teatros representando sua busca por Osíris para ressuscitá-lo. Os antigos gregos e romanos também homenageavam suas deusas maternais, Rhea* e Cibele; mas foi a Igreja Católica que inspirou o feriado que comemoramos hoje: não homenageando Maria, mãe de Jesus, mas a própria Igreja. Celebrado, então, durante a Quaresma, o "Mothering Sunday" no Reino Unido e alguns países da Europa era o dia em que os cristãos iam às missas da igreja matriz em vez das paróquias. Com o tempo, claro, aproveitaram o nome do dia para homenagear Maria e as mães paroquianas, e as crianças levavam flores para entregar a elas nas missas. 

*o asterisco é para fazer um comentário que não posso deixar passar: acho irônico que Rhea seja o nome científico das emas, bicho mais desprovido de instinto maternal de, provavelmente, todo o reino animal. Quem constrói o ninho, choca os ovos e cria os filhotes é o macho.

Hoje, a maior parte dos países comemora o Dia das Mães no segundo domingo de maio e mais ou menos da mesma forma, com presentes, jantares e telefonemas (nos EUA, é a data com maior fluxo de telefonemas, mensagens e reservas em restaurantes). Alguns países têm por costume dar esse dia de "folga" para as mães descansarem enquanto os maridos e filhos cuidam dos afazeres domésticos (UM dia no ano...). O Reino Unido, alguns outros países europeus e a Nigéria mantiveram a tradição de comemorar a data no quarto domingo da quaresma e também o nome originalmente dado pela Igreja Católica. Na Austrália e no Japão as homenagens incluem usar um cravo na roupa: colorido se a mãe ainda estiver viva ou branco se já for falecida.

A data é instituída e comemorada nos países pelos mais diversos motivos, que vão de costume e comércio a religião e política. Vejamos alguns dos mais interessantes:


  • Na França, o Dia das Mães foi adotado para encorajar as mulheres a ter mais filhos, já que o país contava com baixa natalidade no início do século XX. É comemorado geralmente no último domingo de maio, mas pode ser no primeiro domingo de junho (dependendo do feriado de Pentecostes).
  • Em Israel, a data é comemorada no aniversário de morte de Henrietta Szold, que não tinha filhos mas tinha uma instituição que recolhia crianças judias dos acampamentos nazistas e lutava pelos direitos infantis. 
  • No Paraguai, as mães são homenageadas na mesma data da Independência do país. Isso é uma homenagem a Juana María de Lara, que foi essencial na conquista histórica do país. O governo do país, entretanto, tenta há anos separar as datas para que a Independência tenha um pouco mais de popularidade do que o Dia das Mães, mas até hoje as duas datas continuam sendo celebradas juntas.
  • A data vem lentamente ganhando popularidade na China, mas ainda não é considerada feriado. Ela homenageia principalmente as mães pobres das áreas rurais do país que sustentam suas famílias.
  • A Alemanha, atualmente, comemora a data como a maior parte dos países, mas durante a Segunda Guerra Mundial era costume que, nesse dia, as mães alemãs ganhassem medalhas (de ouro, prata ou bronze, dependendo da quantidade de filhos que tivessem - e não só isso, mas também pela saúde deles, comportamento e tendências políticas) para incentivá-las a ter mais filhos.
  • Os antigos países comunistas celebravam as mães no Dia Internacional da Mulher, costume que, atualmente, só a Rússia mantém.
  • Na Tailândia a data só passou a ser comemorada nos anos 1980, com intenção de promover a sua família real. Por isso, o Dia das Mães é comemorado no aniversário da rainha (e o Dia dos Pais, claro, no aniversário do rei).
  • No Nepal é costume que se homenageie as mães já falecidas nessa data. Para tanto, as pessoas seguem em procissão até os lagos de Mata Tirtha, onde, segundo as lendas locais, órfãos podem ver o rosto de suas mães na água. A tradução do nome do feriado local quer dizer "Dia de ver o rosto da mãe".


Curiosidade: o nome correto do feriado, conforme instituído por Anna Jarvis, é "Dia da Mãe", no singular (como é chamado em Portugal). Isso porque a data é para celebrar a mãe da sua família em especial, não "todas as mães do mundo".

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Já viram a postagem sobre as mães mais estranhas do mundo? Aqui vai mais uma mãe curiosa:

  • A mulher mais velha a ser mãe foi a anônima esposa do Sr. Steve Pace. Teve seu 17º filho aos 73 anos, em 1941, 23 anos depois do 16º.



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Fontes: TIFO | List25 | Wikipedia