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Desafio de Leitura 2016: Terceiro relatório

Ok, agora, sim, dei uma adiantadinha no desafio. É provável que não o termine, até o fim do ano, por causa dos pequenos desvios de atenção; mas, independentemente dele, estou lendo muita coisa legal!

Ainda teriam mais livros para colocar aqui, mas, como disse no relatório anterior, eles fazem parte de uma série de 7 volumes e prefiro terminar todos primeiro pra falar sobre tudo de uma vez.


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Ficção:



Doctor Who: Cidade da Morte
Douglas Adams, James Goss - Suma de Letras - 2015 - 271p.

Essa é a novelização de um roteiro de Douglas Adams para o episódio mais assistido de Doctor Who, que foi ao ar em 1979 (e que eu ainda não assisti porque acabei deixando a série clássica de lado por motivos de preguiça de baixar tudo, me julguem). A história começa com a extinção da raça Jagaroth, quando sua gigantesca nave explodiu ao decolar de um planeta que poderia ser seu futuro lar. Depois de vários interlúdios aparentemente desconectados, acompanhamos o Doutor, aqui em sua quarta encarnação, e a companheira Romana (mesmo elenco principal de Shada) passando férias em Paris, quando começam a perceber coisas estranhas acontecendo com o tempo - pequenos saltos de segundos que apenas Senhores do Tempo seriam capazes de perceber. E, após presenciarem uma estranha tentativa de roubo da Monalisa no Louvre, ficaram convencidos de que havia algo acontecendo e decidiram investigar. Nisso, contam com a ajuda do atrapalhado e um tanto violento detetive Duggan, que é o escape cômico da história (sim, mais do que o Doutor), responsável por investigar o conde Scarlioni e sua esposa, casal há muito suspeito de roubo de obras de arte. Os roteiros de Doctor Who são meio complicados de acompanhar por serem muitas vezes confusos e exigirem muita atenção, mas achei essa aqui um pouco mais confusa do que as outras novelizações, ao menos até a metade, quando as coisas começaram a fazer mais sentido e comecei a gostar muito mais da história. Imagino que transformar um roteiro em livro exija um trabalho cuidadoso de não transformar a história em uma narração literal e sem graça (como aconteceu com a trilogia Star Wars) ou exagerar em elementos que não fazem parte do filme, tipo pensamentos, como aconteceu aqui. De qualquer forma, foi uma história muito inteligente e bem bolada, com o humor, tristeza, paradoxos temporais e dilemas éticos característicos da série.

 item do desafio: um livro baseado em um programa de TV





O Tradutor Cleptomaníaco e outras histórias de Kornél Esti
Dezsö Kosztolányi - Editora 34 - 2016 (1996) - 133p.

Estava procurando por livros de trabalho quando vi este listado nos resultados de busca, fiquei curiosa e confesso que o peguei principalmente pelo nome. O livro apresenta 13 contos protagonizados pelo mesmo personagem, Kornél Esti, um escritor de personalidade um tanto cínica que ora participa das histórias, ora apenas as testemunha. As histórias foram escritas em 1933 e se passam no começo do século XX, na Hungria. Narram acontecimentos absurdos protagonizados por todo tipo de gente; e têm um tom divertido, mesmo quando sobre assuntos reflexivos - o que todas elas são, em maior ou menor profundidade. Minhas favoritas foram O dinheiro, sobre quando ele recebe uma quantia fabulosa de dinheiro que não quer e de que tenta se livrar a todo custo; O desaparecimento, ótima análise da natureza humana; e o hilário O manuscrito, sobre quando precisou opinar sobre um livro que nunca leu. Outro ponto interessante na leitura é que foi a primeira vez que li algo de um escritor húngaro, e é sempre bacana ter esse contato com outros lugares e culturas.

 item do desafio: um livro que você escolheu pela capa







O Arqueiro
Bernard Cornwell - Record - 2011 (2000) - 444p.
O Andarilho
Bernard Cornwell - Record - 2011 (2002) - 461p.
O Herege
Bernard Cornwell - Record - 2011 (2003) - 391p.

Os primeiros livros de Cornwell que tivemos em casa e demoramos muito pra lê-los porque adquirimos outros do autor, de lá pra cá, e quisemos seguir uma cronologia histórica. A Busca do Graal se passa no século XIV, durante a Guerra dos Cem Anos, e se ambienta mais na França do que na Inglaterra, como seria de se esperar. Thomas é um jovem que vive no pequeno vilarejo inglês de Hookton, lugar bem pacato até a chegada de invasores franceses que massacraram o lugar atrás de uma relíquia religiosa que estava escondida em sua humilde igreja. Sendo um dos poucos sobreviventes, Thomas decide viajar e se alistar como arqueiro do exército para vingar a morte de sua família, e é aí que descobre que o roubo da relíquia era só a pontinha do enorme iceberg esperando pra mudar toda a vida do rapaz. A partir daqui, Thomas de Hookton é apresentado à história de sua família e como ela esteve ligada ao paradeiro do Graal, o maior tesouro perdido que já existiu - e agora não só ele está envolvido na sua busca, como vai ter que cruzar com muita, muita gente que também o quer. Apesar de ser uma obra típica do autor, com a fabulosa pesquisa histórica tão bem colocada na trama e as bem conhecidas cenas de guerra ricamente detalhadas e nada romantizadas, os personagens divertidos e o protagonista que não tem escolha nenhuma sobre a própria vida e nem sempre é um mocinho exemplar, há algumas sutis diferenças aqui: por exemplo, as estrelas das batalhas aqui não são mais os soldados com suas espadas, mas os arqueiros ingleses com seus mortais arcos longos de guerra (Cornwell, como sempre, dá uma aula completa sobre isso sem cansar a gente). Outra é o protagonista fervorosamente cristão, ao contrário de todos os pagãos e hereges que conheci nas outras obras, até agora (sim, Thomas é o herege do terceiro livro, mas por outro motivo). Como sempre, recomendo a leitura de mais essa obra do autor, e garanto que o prólogo do primeiro livro tem uma das melhores reviravoltas que eu já li (e olhem essas capas maravilhosas)!

 item do desafio: uma trilogia




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Não-ficção:



Evolução a Duas Vozes
Teresa Avelar & Padre Carreira das Neves - Bertrand - 2009 - 190p.

Publicado no ano do bicentenário de Charles Darwin, este livro traz dois ensaios sobre a Evolução: um sob o ponto de vista de uma cientista doutora em Biologia e Evolução, e outro por um padre doutor em Teologia e membro da Academia de Ciências de Lisboa. Ganhei esse livro há ANOS de um amigo de Portugal e estava esperando para lê-lo assim que terminasse de ler A Origem das Espécies; só que acabei enrolando anos para terminar o livro de Darwin, então esse aqui ficou ali na estante esperando pacientemente todo esse tempo, e aí acabei esquecendo dele. No fim, nem precisava ter esperado, pois a parte científica dele faz um super resumo da obra e da vida de Darwin, apontando os principais pontos da sua teoria evolutiva e toda a repercussão no meio científico. Além disso, resume os rumos que a ciência tomou após esse novo ponto de vista sobre a vida na Terra, acrescentando ao darwinismo todas as informações de que Darwin não dispunha, na época. Faz, também, uma discussão sobre racismo e como a pesquisa de Darwin contribuiu para a pior definição da palavra, infelizmente. E aí a autora conclui com a (segundo ela, "impossível") relação entre ciência e fé, se dirigindo à última com certa hostilidade no excesso de exclamações e grifos. Opiniões pessoais à parte, a opinião dela faz sentido, se ao menos o ateísmo defendido por ela fosse praticado da forma que ela idealiza em seu ensaio - que não é o que eu vejo na comunidade científica ou social atual. Em compensação, o ensaio do Padre Carreira das Neves toma como base justamente essa afirmação da doutora Teresa Avelar, não defendendo o Criacionismo absoluto (até criticando-o), mas ponderando sobre a correlação entre a ciência e a fé e declarando que toda essa discórdia entre as duas partes vem somente da ignorância de ambas quanto à cultura bíblica ao insistir pelo literalismo. O autor dessa parte do livro dá uma interpretação bastante profunda da simbologia do livro de Gênesis, sobre a criação do mundo e da vida, sob um ponto de vista cultural, mitológico e até linguístico (algumas das ideias são tão esclarecedoras que precisei parar de ler pra refletir sobre elas várias vezes), além de exemplificar casos em que cientistas evolucionários passaram a considerar a existência de um "designer" após tanto estudo. É uma leitura superinteressante e recomendada.

 item do desafio: Um livro há muito tempo na sua lista de espera





Genetics Demystified
Edward Willett - McGraw-Hill Education - 2005 - 210p.

Este aqui é um guia para estudo autônomo de Genética, que achei ideal para refrescar minha memória sobre um dos meus assuntos prediletos e que, infelizmente, não pude estudar mais. O autor aborda todo o básico sobre o assunto, histórica e cientificamente: desde a estrutura celular e os primeiros experimentos sobre hereditariedade (de Mendel com suas ervilhas e outros com as benditas Drosofila - finalmente descobri por que gostam tanto de estudar mosquinha de banana!) até o Projeto Genoma, que mapeou e sequenciou o DNA de vários organismos e quaaase completou o humano. O livro também explica sobre mutações e as vantagens e necessidades da engenharia genética e clonagem, e ainda tem um capítulo todo dedicado ao câncer (e um só pra vírus, que eu adoro estudar!). Como não é um livro acadêmico que exija um professor doutor explicando tudo, é fácil de ler e entender, e os quizzes ao fim de cada capítulo são até divertidos. Lembrei de muita coisa e aprendi tantas mais, como adoro; mas teria gostado ainda mais dele se o tivesse na edição física em vez de digital, com todas as tabelas e desenhos expostos de forma mais clara.

✗ à parte do desafio





✓ itens do desafio eliminados: 04


Veja quais foram os outros eliminados até agora pela tag "desafio de leitura" ali embaixo.

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