31/08/2016

7 coisas que entendemos errado sobre o que pode nos matar



Filmes de ação e drama nos ensinam muito sobre sobrevivência em situações de risco. Infelizmente, roteiristas têm certas liberdades criativas, então nem tudo o que vemos nas telas dá pra ser aplicado na vida real ou sequer tem chance de acontecer. Por isso, aqui vai uma lista do que aprendemos errado e por que não funciona:


Ser engolido por areia movediça

A areia movediça é uma mistura de areia, argila e água, que ganha essa viscosidade por ficar "presa" em um lugar por onde não pode escorrer. A areia movediça não é perigosa por si só pois, apesar de podermos ficar presos nela, é impossível afundarmos até o sufocamento. Como nosso corpo não é denso o suficiente para afundarmos completamente, o máximo que pode acontecer é ficarmos presos até a cintura. O perigo está no que pode acontecer enquanto isso: desidratação, exposição a condições extremas de temperatura, ou o ataque de predadores.

O que fazer: A dica de não entrar em pânico é inútil, pois não conseguiríamos nos mover muito, de qualquer forma. Porém, a própria densidade do nosso corpo nos ajudaria a flutuar e nos desprender da areia. Uma maneira de conseguir isso mais rápido é movendo lentamente as pernas (pra dar uma "mexida" na mistura e fazê-la assentar) e girar o corpo no próprio eixo até desprendê-lo.


Remover o objeto que provocou uma perfuração

Nunca! Até a ajuda médica chegar, é importante deixar a faca ou o que quer que tenha provocado o ferimento quietinha no lugar. O objeto pode ter perfurado algum órgão, veia ou artéria, e a presença dele no local estanca o sangue, evitando hemorragia. 


Tomar água de cacto no deserto

Então, não existe água dentro dos cactos. A planta tem um metabolismo excelente para armazenar água, mas é para sua própria sobrevivência. O líquido que ela contém é um composto de alcaloides tóxicos, que provoca vômitos e diarreia - ou seja, piora a sua desidratação. Também não é seguro comer a polpa de algumas espécies - na realidade, a única coisa segura a se conseguir de um cacto é distância seus frutos, que são comestíveis. 

Infelizmente, não há como conseguir água no deserto, então procure estar preparado para o caso de se perder.


Beber a própria urina para evitar desidratação

Beber a própria urina quebra o galho por um ou dois dias, mas não deve ser feito por mais do que isso. 5% dela contém lixo que os nossos rins filtraram do organismo e jogaram fora. Se você só ficar bebendo urina, ela vai conter cada vez mais lixo, e vai ficar perigosa o suficiente pra te dar uma baita pedra e provocar falência renal.


Abrir um guarda-chuva para desacelerar a queda

Funciona nos primeiros segundos. Depois ele vira ao contrário e vocês dois caem juntos. Todos já percebemos como guarda-chuvas mal aguentam uma ventania, que dirá uma queda livre. Aqui eu já expliquei como fazer para se machucar menos na queda.


Sempre se fazer de morto para não ser atacado por ursos

Isso depende muito do motivo pelo qual o urso está atacando. Eles normalmente atacam humanos para se defender, então, nesse caso, se jogar no chão e se fazer de morto é uma boa ideia; ele vai ver que você não oferece perigo e vai embora. Agora, alguns ursos atacam para predar, aí se jogar no chão é meio estúpido porque você vai estar se entregando de bandeja pra ele. Nesse caso, jogue comida para ele. Se ele continuar se aproximando, seja agressivo: grite e faça movimentos bruscos. Na dúvida, deixe os bichos em paz e vá acampar em uma área destinada pra isso. 




Sugar o veneno da picada de uma cobra

O veneno se espalha tão rápido pelo sistema linfático que, até você fazer um torniquete, não dá mais tempo de sugar muita coisa. Pra piorar, cortar o ferimento pra fazer isso acaba aumentando as chances da ferida infeccionar e causar uma gangrena. Além disso, é melhor deixar o veneno longe da boca: se você tiver qualquer ferida, ele vai para sua corrente sanguínea. Kits de emergência para picadas de cobra também não são mais recomendados, pois o instrumento de sucção utilizado também não retira o veneno do sistema e ainda machuca a área, prendendo o veneno no local e tornando seu efeito pior. Pra finalizar a desgraça, um torniquete mal aplicado ainda pode causar danos permanentes às veias e artérias.

O melhor jeito de proceder ao ser picado por uma cobra é não tocar na ferida e tentar não entrar em pânico até receber ajuda médica. O pânico acelera os batimentos cardíacos, que ajudam o veneno a se espalhar mais rápido. Pra quem gosta, pode ingerir álcool ou fumar para ajudar a relaxar. Vale lembrar que apenas 5% dos incidentes ofídicos são fatais e, com o socorro médico apropriado a tempo, a morte em decorrência de picada é bastante rara. É também fato que nem toda picada de cobra peçonhenta recebe o veneno: cobras conseguem controlar quanto veneno querem liberar a cada picada, então se ela ver que a presa é grande demais para ela, vai só picar para dar o aviso e guardar o veneno pra algo que ela possa comer. 

Se você for se enfiar em algum mato com cobras e ver alguma por perto, mantenha-se longe e dê uma boa olhada nela. Nem todas as cobras são peçonhentas - estas costumam ter a cabeça triangular e pupilas elípticas (como as dos gatos). Se não deu tempo de ver a cobra e só a picada, a das peçonhentas deixa duas marcas fundas, enquanto as das inofensivas costuma deixar uma marca rasa e em formato de ferradura.


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Para evitar qualquer uma das situações acima, recomendo adotar o estilo de vida dos hobbits. Afinal, aventuras nos atrasam para o jantar.



Fonte: Mental Floss e pesquisa.


► Leia também: 

25/08/2016

Algumas das bandeiras mais interessantes do mundo


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As bandeiras dos países do mundo são mais do que uma demonstração de cores e padrões: cada detalhe - a escolha e predominância das cores, as faixas, os símbolos, as formas - carrega um significado histórico e/ou cultural que ensina muito sobre o país representado. Selecionei para essa postagem algumas das histórias mais interessantes.

(Não vou falar da nossa Auriverde porque todos nós já estamos carequinhas, certo?)




Reino Unido
Union Flag ou Union Jack (azul, vermelho e branco)

Essa bandeira não é a da Inglaterra, como muitos pensam, mas representa os quatro países que formam o Reino Unido: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Esse desenho é usado desde 1801, quando a Grã-Bretanha se uniu à Irlanda do Norte, e é uma mistura das bandeiras desses países: a cruz vermelha de São Jorge (patrono da Inglaterra) sobre a cruz branca de São Patrício (padroeiro da Irlanda), por sua vez sobre a cruz de Santo André (padroeiro da Escócia). O País de Gales não está representado na bandeira pois, na época, ainda não era parte da Grã-Bretanha, mas há uma proposta recente ainda sendo estudada para uma alteração na bandeira, incorporando o dragão da bandeira galesa ao centro da Union Flag. 





África do Sul
(verde, preto, branco, amarelo, vermelho, azul)

Em 1994, depois da liberdade de Nelson Mandela e com a mudança de regime governamental do país, houve a necessidade de mudar sua bandeira. Dentre 7 mil opções, essa foi a escolhida. Até então, era a única bandeira africana composta de seis cores. O preto, verde e amarelo já eram parte de bandeiras que representavam o movimento de liberdade de Mandela, e são, então, consideradas as cores que representam a população negra do país. Já o vermelho, branco e azul são parte das bandeiras da Holanda e do Reino Unido, e representam, portanto, a população branca. A porção verde, disposta em formato de Y atravessando a bandeira, simboliza a união das duas etnias em direção ao futuro do país.




Nepal
(azul, vermelho e branco)

É a única bandeira não quadrilateral do mundo, e provavelmente a de significado mais pacífico. O desenho atual da bandeira, usado desde 1962, é baseado no modelo original em vigor há mais 2 mil anos.  O vermelho representa a cor das flores de rododendro, símbolo do país, e a borda azul simboliza a paz. O formato triangular representa os Himalaias, a lua simboliza a calma do povo e o sol sua determinação.




Áustria
(vermelho e branco)

A lenda sobre a origem de sua bandeira é ainda mais interessante do que sua história verdadeira. Segundo ela, o Duque Leopoldo V obteve a inspiração para a bandeira após voltar vitorioso de uma feroz batalha, coberto de sangue dos pés à cabeça. Ao retirar o cinturão da espada, viu que havia ficado incólume essa faixa da túnica, e aí decidiu que esse padrão deveria ser adotado como seu símbolo pessoal. Essa história data de 1260, mas é provável que não seja o real motivo da escolha da bandeira, pois as cores e as faixas já haviam sido usadas um século antes. Esse desenho atual é oficial no país desde 1918.




Dinamarca
Dannebrog (vermelho e branco)

A Dannebrog caindo do céu durante a Batalha de Lyndanisse,
que aconteceu em 15 de junho de 1219. (Christian A. Lorentzen, 1809)
A cruz branca sobre o fundo vermelho tem origem nas Cruzadas e já era usada para representar a Dinamarca desde a Idade Média, embora ninguém saiba exatamente por quê. Existem três lendas a respeito da sua associação ao país, que variam entre si sobre as datas e locais, mas concordam em dizer que o país estava perdendo uma batalha, quando essa bandeira "caiu do céu" nas mãos do rei e deu ânimo aos soldados, levando-os à vitória. A Dannebrog foi oficialmente adotada em 1748.





Grécia
Γαλανόλευκη ou I Galanolefki (azul e branco)

A bandeira da Grécia é interessante porque não se sabe quase nada sobre ela. Sabe-se que a cruz representa o Cristianismo Ortodoxo, religião oficial do país, mas não se sabe o motivo da escolha das cores ou o significado das faixas. Há apenas teorias: a mais popular é que as nove faixas representam as nove sílabas de "Ελευθερία ή Θάνατος" (Liberdade ou Morte) ou apenas as nove letras da palavra grega para "liberdade". Outra defende que cada uma das faixas representa uma das Musas da arte e civilização, segundo sua mitologia. As cores estão associadas ao país há muito tempo, mas ninguém sabe por que motivo. Mesmo assim, essa bandeira foi oficializada em 1822, baseada em modelos bastante antigos com os mesmos padrões.



Moçambique
(verde, preto, branco, amarelo, vermelho)

Enquanto todas as outras bandeiras carregam símbolos metafóricos de sua origem, a bandeira do Moçambique é bem explícita. O verde e o amarelo, como na nossa bandeira, simbolizam as riquezas naturais e minerais do país, o preto simboliza o continente africano, as tiras brancas representam a paz, e o vermelho representa a luta sangrenta pela independência de Portugal. O fuzil AK-47 com baioneta reforça a ideia da luta pela defesa do país, a enxada representa a agricultura e o livro aberto a importância da educação. A estrela representa o Marxismo. Em 2005 houve uma tentativa de alterar a bandeira, removendo o fuzil de seu desenho, mas a ideia não pegou.



Botswana
(azul, preto e branco)

Até meados dos anos 1960, Botswana ainda usava a bandeira do Reino Unido para representá-lo (assim como muitas de suas colônias, como o Canadá, também o faziam). É uma das únicas bandeiras africanas a não exibir as cores comuns às bandeiras nacionais do continente. O azul simboliza a água da chuva, bem precioso que é escasso e do qual o país necessita para sua agricultura, que sofre com a seca. O preto e o branco representam a união das várias raças do país em harmonia, e também as zebras, seu animal nacional.



Vietnã
Cờ đỏ sao vàng (vermelho e amarelo)

Apesar de ter sido inspirada na bandeira comunista (que também inspirou as bandeiras da China e da Coreia do Norte), a bandeira do Vietnã traz outros significados. Usada pela primeira vez nos anos 1940 em uma revolta contra os franceses que governavam parte do país na época, o vermelho representa o sangue derramado na revolta e o amarelo representa a cor da pele dos vietnamitas. As cinco pontas da estrela representam as cinco classes do povo unidas na mesma luta: intelectuais, camponeses, trabalhadores, negociantes e soldados.




Índia
Tiraṅgā (açafrão, branco, verde, azul)

A atual bandeira da Índia foi proposta por Gandhi em 1921, mas oficializada apenas em 1947, quando da independência do país, e o significado original das cores e da roda foram alterados. Antigamente, as cores representavam as várias religiões do país, com o branco simbolizando a paz entre elas, e a roda representava a indústria têxtil independente da Índia. Hoje em dia, o açafrão representa renúncia e desinteresse aos ganhos materiais, o branco simboliza a luz que guia o caminho para a verdade, e o verde representa o solo e seus frutos que sustentam a vida. A roda, por sua vez, simboliza a lei e o dharma, enquanto sugerem que a vida está em movimento e que o país não deve resistir a mudanças e sempre seguir em frente. 




Bahamas
(azul, amarelo e preto)

Depois da independência do Reino Unido, as ilhas Bahamas também precisavam de uma bandeira própria. Escolheram, então, um desenho que simbolizasse suas belezas naturais: o sol brilhante e a areia dourada cercada pelo belo mar caribenho. O triângulo preto representa a força do povo, determinado a proteger seus abundantes recursos naturais da terra e mar. A bandeira utilizada anteriormente (ao lado) para representar as ilhas, ainda sob colonização, era também interessante:  a Union Flag num canto, e um brasão com um navio britânico perseguindo dois navios piratas com a inscrição em latim "Expulsis piratis restituta commercia" ("piratas expulsos, comércio restaurado").


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14/08/2016

O Dia dos Pais ao redor do mundo

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A história do Dia dos Pais é um pouco diferente da do Dia das Mães, que já postei por aqui. Esse dia é comemorado nos países católicos da Europa desde a Idade Média, em 19 de março, data em que se comemora o dia de São José, pai de Jesus. Os colonos portugueses e espanhóis trouxeram essa celebração para a América Latina, que ainda é comemorada na data original em alguns países, embora alguns países europeus e americanos, seguindo o exemplo dos EUA, comemorem o Dia dos Pais no terceiro domingo de junho.

Nos EUA, por não ser um país católico, a data só passou a ser celebrada no início do século 20, como complemento cívico ao Dia das Mães. Grace Golden Clayton foi quem deu a ideia da celebração, em 1908. Seu pai havia sido morto em um desastre em uma mina, no ano anterior, com outros 360 homens, a maioria deles pais que deixaram seus filhos órfãos; então, um ano depois, a moça sugeriu ao pastor da igreja local que fosse feita uma homenagem a esses pais. A celebração não teve muita repercussão, primeiro porque a notícia não saiu da cidadezinha, e depois porque o feriado da Independência estava próximo e todos estavam mais envolvidos com ele. A data não foi mais comemorada nos anos seguintes e Grace Clayton não falou mais sobre o assunto. 

Alguns anos depois, em outro lugar, Sonora Smart Dodd ouviu falar sobre o Dia das Mães sugerido por Anna Jarvis e, pensando em seu próprio pai, veterano da Guerra Civil que havia criado sozinho os seis filhos, sugeriu que os pais mereciam uma data comemorativa, também. Ela conseguiu fazer com que a data fosse comemorada pela Igreja Presbiteriana de sua cidade por vários anos, embora não consecutivamente, até que a junta comercial de vendedores de artigos masculinos fundou um Conselho para os Dia dos Pais, com intenção de oficializar a data com fins comerciais. Com muitas tentativas, fracassos, boas e más intenções de todo tipo de gente, a data foi oficializada nos EUA somente em 1972.


Ao contrário do Dia das Mães, o Dia dos Pais não é celebrado em muitos países, e a maior parte dos que comemoram não o consideram um feriado importante. Veja curiosidades sobre a data em alguns outros países:

  • O segundo domingo de agosto foi escolhido como a data para comemorar o Dia dos Pais no Brasil por sugestão publicitária (as fontes não concordam de quem), para alavancar vendas em um mês sem outros feriados e bem entre duas grandes datas comerciais: Dia das Mães e Natal.


  • Na China, antes de adotarem a data internacional (terceiro domingo de junho), comemorava-se o dia em 8 de agosto. Esse dia tinha sido escolhido porque o número 8 em chinês é 'ba', e dois oitos, portanto, seriam similares a "papai" nessa língua ("ba-ba"). Ainda comemora-se o Dia dos Pais nessa data em áreas que ainda fazem parte da República da China, como Taiwan.


  • Na França, a data foi oficializada com motivos comerciais em 1952, por uma nova fabricante de isqueiros que queria vender seus produtos no país. Seguiram o exemplo americano de comemorá-la no terceiro domingo de junho, quando "os pais que merecessem" ganhariam prêmios (tais candidatos eram apontados por seus serviços sociais à comunidade).


  • Na Alemanha, o feriado é comemorado de uma maneira peculiar. A data escolhida é o feriado nacional da Ascensão de Cristo. Nesse dia, homens de todas as idades fazem um passeio puxando carroças cheias de cerveja ou vinho, dependendo da região, e comida. A data é conhecida por ser uma oportunidade para o alto consumo de álcool, e as estatísticas nacionais do país apontam que os acidentes causados pela bebedeira são três vezes maiores nesse dia.


  • No Nepal, a data varia entre o fim de agosto e o começo de setembro, porque eles seguem o calendário lunar. Similarmente à maneira como comemoram o Dia das Mães, lá se comemora o "dia de olhar para o rosto do pai", quando os hindus e budistas vão prestar homenagens aos pais já falecidos em seus respectivos templos. 


  • A Rússia não comemora o Dia dos Pais. Ao invés disso, comemora-se o Dia do Homem no Dia dos Defensores da Pátria, mantendo a tradição soviética.


  • Na Tailândia, assim como acontece no Dia das Mães, o Dia dos Pais é comemorado no aniversário do rei, em 5 de dezembro. Para honrar a data, os tailandeses devem vestir amarelo e ir assistir ao discurso do rei, que termina com uma celebração, onde acendem velas e declaram sua lealdade a ele. 



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Fonte: Wikipedia

03/08/2016

A curiosa história de como o Brasil conseguiu participar das Olimpíadas de 1932



As Olimpíadas de 1932, realizadas em Los Angeles, nos Estados Unidos, são mais famosas por terem sido pouco concorridas. Como aconteceu bem durante a Grande Depressão (a maior quebra econômica mundial até hoje), nenhuma outra cidade americana sequer quis participar do sorteio da escolha do local, tamanho o gasto que tal evento exige. Muitos países resolveram não participar dessas Olimpíadas, pois deslocar seus atletas significaria uma enorme despesa que não poderiam ter (ao todo, competiram 37 países, somando um total de 1332 atletas), e nem mesmo o presidente americano, Herbert Hoover, compareceu à cerimônia de abertura.

O Brasil também não tinha condições de enviar seus atletas para Los Angeles, mas usou de criatividade para não ficar de fora. Nossos 82 atletas viajaram a bordo do navio Itaquicê, juntos a 50 mil pacotes de café. A ideia era que os próprios atletas pagassem pela viagem, vendendo café em cada porto que parassem.

Fonte
Apesar de o café ser um produto de alta demanda, os atletas não conseguiram vender tão bem assim. Quando chegaram ao porto de Los Angeles, a alfândega cobrou uma taxa de um dólar (que hoje equivalem a cerca de US$17,50) de cada pessoa que fosse desembarcar, o que era uma despesa imprevista e cara. Os organizadores decidiram, então, escolher quais atletas tinham mais chance de trazer medalhas, por isso apenas metade da equipe conseguiu desembarcar (entre os atletas escolhidos estava a nadadora Maria Lenk [foto], única mulher da equipe e a primeira sul-americana a participar das Olimpíadas). A outra metade teve que continuar a bordo do navio, subindo mais pela costa. Quando o navio chegou a São Francisco (a cerca de 640 km de Los Angeles), a equipe já havia conseguido o suficiente para mais alguns atletas desembarcarem; mas, ainda assim, 15 deles ficaram no navio e não chegaram a competir.

Ainda assim, o Brasil não se saiu muito bem nessas Olimpíadas. Dos 67 atletas que competiram nas modalidades atletismo, natação, polo aquático, remo e tiro esportivo, nenhum levou uma medalha sequer - o mais perto que chegamos do pódio foi um 4º lugar em remo, e a equipe de polo aquático foi desclassificada por ter agredido os oficiais após o primeiro jogo.




Fonte







Dentre os nossos atletas que competiram em 1932, o mais curioso é, sem dúvida, Adalberto Cardoso. O maratonista só conseguiu desembarcar em São Francisco, então desceu até Los Angeles pegando caronas pelo caminho. Chegou para a sua prova 10 minutos antes de começar, não teve tempo de colocar o uniforme completo e acabou correndo os 10.000 metros descalço. Ele já estava sozinho na pista nas últimas três voltas, mas seguiu encorajado pelos aplausos do público. Os jornais americanos, no dia seguinte, o chamaram de "Iron Man", e foi assim que ele ficou conhecido.

















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Fontes: Now I Know | COB | Wikipedia