25/08/2016

Algumas das bandeiras mais interessantes do mundo


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As bandeiras dos países do mundo são mais do que uma demonstração de cores e padrões: cada detalhe - a escolha e predominância das cores, as faixas, os símbolos, as formas - carrega um significado histórico e/ou cultural que ensina muito sobre o país representado. Selecionei para essa postagem algumas das histórias mais interessantes.

(Não vou falar da nossa Auriverde porque todos nós já estamos carequinhas, certo?)




Reino Unido
Union Flag ou Union Jack (azul, vermelho e branco)

Essa bandeira não é a da Inglaterra, como muitos pensam, mas representa os quatro países que formam o Reino Unido: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Esse desenho é usado desde 1801, quando a Grã-Bretanha se uniu à Irlanda do Norte, e é uma mistura das bandeiras desses países: a cruz vermelha de São Jorge (patrono da Inglaterra) sobre a cruz branca de São Patrício (padroeiro da Irlanda), por sua vez sobre a cruz de Santo André (padroeiro da Escócia). O País de Gales não está representado na bandeira pois, na época, ainda não era parte da Grã-Bretanha, mas há uma proposta recente ainda sendo estudada para uma alteração na bandeira, incorporando o dragão da bandeira galesa ao centro da Union Flag. 





África do Sul
(verde, preto, branco, amarelo, vermelho, azul)

Em 1994, depois da liberdade de Nelson Mandela e com a mudança de regime governamental do país, houve a necessidade de mudar sua bandeira. Dentre 7 mil opções, essa foi a escolhida. Até então, era a única bandeira africana composta de seis cores. O preto, verde e amarelo já eram parte de bandeiras que representavam o movimento de liberdade de Mandela, e são, então, consideradas as cores que representam a população negra do país. Já o vermelho, branco e azul são parte das bandeiras da Holanda e do Reino Unido, e representam, portanto, a população branca. A porção verde, disposta em formato de Y atravessando a bandeira, simboliza a união das duas etnias em direção ao futuro do país.




Nepal
(azul, vermelho e branco)

É a única bandeira não quadrilateral do mundo, e provavelmente a de significado mais pacífico. O desenho atual da bandeira, usado desde 1962, é baseado no modelo original em vigor há mais 2 mil anos.  O vermelho representa a cor das flores de rododendro, símbolo do país, e a borda azul simboliza a paz. O formato triangular representa os Himalaias, a lua simboliza a calma do povo e o sol sua determinação.




Áustria
(vermelho e branco)

A lenda sobre a origem de sua bandeira é ainda mais interessante do que sua história verdadeira. Segundo ela, o Duque Leopoldo V obteve a inspiração para a bandeira após voltar vitorioso de uma feroz batalha, coberto de sangue dos pés à cabeça. Ao retirar o cinturão da espada, viu que havia ficado incólume essa faixa da túnica, e aí decidiu que esse padrão deveria ser adotado como seu símbolo pessoal. Essa história data de 1260, mas é provável que não seja o real motivo da escolha da bandeira, pois as cores e as faixas já haviam sido usadas um século antes. Esse desenho atual é oficial no país desde 1918.




Dinamarca
Dannebrog (vermelho e branco)

A Dannebrog caindo do céu durante a Batalha de Lyndanisse,
que aconteceu em 15 de junho de 1219. (Christian A. Lorentzen, 1809)
A cruz branca sobre o fundo vermelho tem origem nas Cruzadas e já era usada para representar a Dinamarca desde a Idade Média, embora ninguém saiba exatamente por quê. Existem três lendas a respeito da sua associação ao país, que variam entre si sobre as datas e locais, mas concordam em dizer que o país estava perdendo uma batalha, quando essa bandeira "caiu do céu" nas mãos do rei e deu ânimo aos soldados, levando-os à vitória. A Dannebrog foi oficialmente adotada em 1748.





Grécia
Γαλανόλευκη ou I Galanolefki (azul e branco)

A bandeira da Grécia é interessante porque não se sabe quase nada sobre ela. Sabe-se que a cruz representa o Cristianismo Ortodoxo, religião oficial do país, mas não se sabe o motivo da escolha das cores ou o significado das faixas. Há apenas teorias: a mais popular é que as nove faixas representam as nove sílabas de "Ελευθερία ή Θάνατος" (Liberdade ou Morte) ou apenas as nove letras da palavra grega para "liberdade". Outra defende que cada uma das faixas representa uma das Musas da arte e civilização, segundo sua mitologia. As cores estão associadas ao país há muito tempo, mas ninguém sabe por que motivo. Mesmo assim, essa bandeira foi oficializada em 1822, baseada em modelos bastante antigos com os mesmos padrões.



Moçambique
(verde, preto, branco, amarelo, vermelho)

Enquanto todas as outras bandeiras carregam símbolos metafóricos de sua origem, a bandeira do Moçambique é bem explícita. O verde e o amarelo, como na nossa bandeira, simbolizam as riquezas naturais e minerais do país, o preto simboliza o continente africano, as tiras brancas representam a paz, e o vermelho representa a luta sangrenta pela independência de Portugal. O fuzil AK-47 com baioneta reforça a ideia da luta pela defesa do país, a enxada representa a agricultura e o livro aberto a importância da educação. A estrela representa o Marxismo. Em 2005 houve uma tentativa de alterar a bandeira, removendo o fuzil de seu desenho, mas a ideia não pegou.



Botswana
(azul, preto e branco)

Até meados dos anos 1960, Botswana ainda usava a bandeira do Reino Unido para representá-lo (assim como muitas de suas colônias, como o Canadá, também o faziam). É uma das únicas bandeiras africanas a não exibir as cores comuns às bandeiras nacionais do continente. O azul simboliza a água da chuva, bem precioso que é escasso e do qual o país necessita para sua agricultura, que sofre com a seca. O preto e o branco representam a união das várias raças do país em harmonia, e também as zebras, seu animal nacional.



Vietnã
Cờ đỏ sao vàng (vermelho e amarelo)

Apesar de ter sido inspirada na bandeira comunista (que também inspirou as bandeiras da China e da Coreia do Norte), a bandeira do Vietnã traz outros significados. Usada pela primeira vez nos anos 1940 em uma revolta contra os franceses que governavam parte do país na época, o vermelho representa o sangue derramado na revolta e o amarelo representa a cor da pele dos vietnamitas. As cinco pontas da estrela representam as cinco classes do povo unidas na mesma luta: intelectuais, camponeses, trabalhadores, negociantes e soldados.




Índia
Tiraṅgā (açafrão, branco, verde, azul)

A atual bandeira da Índia foi proposta por Gandhi em 1921, mas oficializada apenas em 1947, quando da independência do país, e o significado original das cores e da roda foram alterados. Antigamente, as cores representavam as várias religiões do país, com o branco simbolizando a paz entre elas, e a roda representava a indústria têxtil independente da Índia. Hoje em dia, o açafrão representa renúncia e desinteresse aos ganhos materiais, o branco simboliza a luz que guia o caminho para a verdade, e o verde representa o solo e seus frutos que sustentam a vida. A roda, por sua vez, simboliza a lei e o dharma, enquanto sugerem que a vida está em movimento e que o país não deve resistir a mudanças e sempre seguir em frente. 




Bahamas
(azul, amarelo e preto)

Depois da independência do Reino Unido, as ilhas Bahamas também precisavam de uma bandeira própria. Escolheram, então, um desenho que simbolizasse suas belezas naturais: o sol brilhante e a areia dourada cercada pelo belo mar caribenho. O triângulo preto representa a força do povo, determinado a proteger seus abundantes recursos naturais da terra e mar. A bandeira utilizada anteriormente (ao lado) para representar as ilhas, ainda sob colonização, era também interessante:  a Union Flag num canto, e um brasão com um navio britânico perseguindo dois navios piratas com a inscrição em latim "Expulsis piratis restituta commercia" ("piratas expulsos, comércio restaurado").


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