25/09/2016

De onde surgiram os nomes de alguns animais?

Sabemos que os nomes científicos dos seres vivos derivam do latim e do grego, e costumam descrever alguma característica física ou comportamental do ser em questão. Por exemplo, o nome do tiranossauro rex significa "rei lagarto tirano". Hoje, sabemos que os dinossauros não eram lagartos, mas pareceu um bom nome quando descobriram o gigantesco fóssil desse impressionante animal. 

A palavra "animal", mesmo, vem do latim anima, que significa "alma". Embora animais existam no planeta há eras, esse nome, mesmo, só foi adotado no século 16. Até então, a palavra usada para se referir a animais era besta, que hoje em dia só usamos para os animais selvagens. 

Mas nem todos os nomes de animais derivam dessas línguas; algumas vêm de dialetos nativos ou de línguas mortas há muito tempo. Com isso em mente, vamos descobrir por que o hipopótamo se chama hipopótamo e o canguru se chama canguru, e mais uns tantos.




Pinguim



Vamos começar por um cuja origem do nome ninguém sabe ao certo. Os primeiros humanos a avistarem pinguins (ou, ao menos, a registrar isso) foram exploradores europeus, então acredita-se que a palavra "pinguim" venha do galês pen gwyn, que significa "cabeça branca". Na verdade, era o nome era usado para outro animal, muito parecido com o pinguim e hoje extinto; então acharam que era tudo a mesma coisa e aproveitaram. Mas outra teoria diz que a palavra vem do latim pinguis, que significa "gordo". O que é bem compreensível.


Rinoceronte


Já o caso do rinoceronte é bem simples, pois seu nome significa "nariz chifrudo". "Rino" tem associação com nariz (assim como rinoplastia ou rinite), e "ceros" (pronunciado "queros") tem a ver com queratina, que é a composição dos chifres desses animais, bem como de unhas e pelos ou cabelo.


Avestruz



O nome científico dessa ave é Struthio camelus e tem o incrível significado "pardal-camelo", enquanto a palavra "avestruz" vem do latim avis struthios. Talvez os taxonomistas não tivessem uma referência muito vasta de aves para inspirar o nome dessa descoberta, na época, mas a parte do "camelo" é justificada pelo habitat seco em que são encontradas.


Hipopótamo



"Hipopótamo" deriva de seu próprio nome científico, que significa "cavalo do rio". Como o caso dos avestruzes e pardais, não dá pra ver muita conexão entre os trambolhões e cavalos; mas talvez os taxonomistas realmente não tivessem muitas referências...


Alce


O animal não é muito conhecido nosso, mas o incluí aqui pela curiosidade sobre a pronúncia do nome. "Alce" também deriva de seu nome científico, Alces alces, que tem origem no latim e grego, que por sua vez se inspiraram no germânico. De qualquer forma, significa algo como "cervo avermelhado", e na Europa é chamado de "elk". Parece não ter muito a ver com "alce", mas devemos lembrar que, no latim, a letra C tem sempre som de K (seu nome, portanto, deveria ser pronunciado como "alque").


Tigre


O tigre tem seu nome grego inspirado pelo seu nome asiático, tighri, que significa "flecha" e tem relação com a sua velocidade em corrida. Seu nome científico é Panthera tigris. Todos os grandes felinos são chamados de panteras, e essa palavra latina significa "animal amarelado". 


Panda


Esse da foto é o verdadeiro panda. O grandão preto e branco recebeu o mesmo nome porque achava-se que pertenciam à mesma família, mas hoje sabe-se que eles não estão relacionados. O nome chinês para os animais é xióngmāo e significa "urso-gato" (assim como seu nome alemão, Katzenbär). Infelizmente, não fazem a menor ideia do que a palavra "panda", mesmo, significa.


Tartaruga



A tartaruga também tem seu nome derivado latim, tartaruchus, que significa "do submundo". O Tártaro é o equivalente ao inferno cristão nas mitologias grega e romana. Não se sabe muito sobre a escolha desse nome para as coitadinhas, mas talvez os taxonomistas tenham se assustado um pouco com elas.


Canguru


Existe uma história acerca desse nome que é bastante popular, mas que já foi desmentida por um pesquisador. Dizia ela que os exploradores perguntaram aos nativos o nome do animal, ao que eles responderam "gangurru". Os exploradores acharam que isso queria dizer "não entendi", mas adotaram a palavra como resposta à pergunta. Na verdade, eles realmente responderam aos exploradores, e a palavra significa apenas "bicho grande".


Lhama


É uma história semelhante à dos cangurus. Ao chegarem no Peru e verem os peculiares animais, os exploradores espanhóis perguntaram aos nativos qual era o nome deles: "Como se llama?". Vendo a confusão dos nativos com a língua estranha, fizeram a pergunta várias vezes, ao que os outros apenas repetiam "llama" sem entender o que significava. Então os espanhóis acharam por bem chamar o animal assim, já que não conseguiriam resposta melhor. Elas provavelmente tinham um nome na língua local, mas nunca saberemos qual era.


Cão e gato


Por origem, a palavra latina cattus servia tanto para cães quanto para gatos. Com o passar do tempo, a língua foi sofrendo alterações e surgiram palavras mais específicas para os animais: canus para cães e catus para gatos. Já a palavra "cachorro" tem origem basca e, novamente, denominava o filhote de qualquer animal, até finalmente servir apenas para filhotes de cães e aí para qualquer tipo de cão. 


Girafa


"Girafa" vem do árabe zarafah e significa "que caminha rápido". O nome científico da espécie mais comum é Giraffa camelopardalis, que tem o sensacional significado "camelo-leopardo". Dizem que os romanos, ao verem as criaturas, acreditavam que elas eram o resultado o cruzamento entre um camelo fêmea e uma pantera macho, mas o nome provavelmente é apenas inspirado em suas características físicas.


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Fontes: Mental Floss | Wikipedia | Wikipédia | Online Etymology Dictionary | As Línguas do Mundo, de Charles Berlitz
Imagens: Pexels

22/09/2016

Lembram em 2009, quando eu só postava aqueles questionários de música?

Pois é, deu saudade. Se alguém quiser roubar e fazer também, feel free.
Links incorporados para outras postagens do blog.




Quando você foi a um show pela última vez? De quem era?

a foto é do Phillip, eu não tava conseguindo tirar fotos boas, haha


Em março desse ano, em São Paulo, do Bring Me the Horizon! Eu tava tão empolgada pra esse show, mas foi num lugar fechado e muito abafado, então comecei a passar mal e minha pressão não me permitiu assistir a segunda metade do show em pé :( Mas foi superlegal, a setlist foi linda  

(na verdade, o último show a que fui foi do Chitãozinho e Xororó, mas podemos sempre fingir que isso não aconteceu)


Existe algum tipo de música que você não suporte?

Hoje em dia, não posso dizer não gostar de determinado estilo musical sob risco de ser taxada de elitista opressora, então vou me abster de responder a essa.


Você toca algum instrumento musical? Qual?

Não, nunca aprendi nada e nem tive chance.


Quantos CDs você tem? De que artista você tem mais CDs?

Contando assim por cima, cerca de 150. Me desfiz de alguns e outros já não ouço mais. Tenho mais CDs do Oasis (10 álbuns).


Que 3 bandas/artistas você gostaria de conhecer? Por quê?

Pessoalmente? Sei lá, eu sou jacu e não saberia o que dizer pra eles. Mas acho que o Chuck Ragan e o Brian Fallon são caras modestos e simpáticos, então seria legal conhecê-los. E eu sempre quis dar um abraço no Eric Clapton porque ele foi meu melhor amigo há um tempo, então é isso :P


O que os seus pais acham sobre o que você escuta?

Minha mãe até curte várias das coisas que eu ouço, chega mesmo a reconhecer alguns artistas quando tô ouvindo.


Você ainda compra CDs? Qual foi o último que você comprou?

Bem menos do que costumava, mas ainda gosto de ter CDs dos meus favoritos. O último que comprei foi o Only Revolutions, do Biffy Clyro.


Você presta mais atenção na melodia ou na letra?

Na letra. Não tenho formação musical nenhuma e nenhum talento pra música (o que não me impede, porém, de identificar músicas bonitas e bem executadas), então acabo me encantando mais pelas letras, que são mais a minha área de conhecimento :P


Quais os seus 3 álbuns favoritos da sua banda/artista favorita?



Tem alguma banda que você gostava há anos mas não gosta agora?

Linkin Park. Ainda gosto de ouvir as músicas da época que eu era fã, mas nada da última década me fez querer voltar a ouvir.


Você consegue se concentrar em outras coisas enquanto ouve música?

Sim, até preciso de música pra me concentrar melhor no que tô fazendo. 


Quais são os seus 5 videoclipes favoritos?

Que difícil!

  • The Woodpile, Frightened Rabbit

Ainda não decidi se é um vídeo genial ou uma sacanagem, mas não dá pra negar que prende a atenção, haha



  • Trapped in the Drive-Thru, "Weird Al" Yankovic

Não consigo não rir desse vídeo/música toda vez que vejo. São os melhores 10 minutos.



  • Machine Gun Blues, Social Distortion

Fizeram um curta muito legal ambientado nos anos 1930 que é a cara da banda!



  • Loving the Sound, The Overtones

Não enjoo desse vídeo; adoro esses caras, adoro as coreografias.



  • Carl Poppa, Bad Lip Reading

Impossível não incluir esse. Esse é o melhor canal do YouTube e nada do que vocês digam vai me convencer do contrário.




Coloque sua playlist favorita para tocar em modo aleatório e escreva quais foram as primeiras 5 músicas que tocaram.


  1. Blinded by the Sun, The Seahorses
  2. Disassemble, Make Do and Mend
  3. Imitation of Life, R.E.M.
  4. Total Eclipse of the Heart, Westlife
  5. San Francisco, The Mowgli's

Você canta no chuveiro?

Só se não tiver ninguém em casa. Tenho vergonha :(


Quanto tempo você passa ouvindo música diariamente?

Depende do dia, mas geralmente bastante tempo.


Se você pudesse tocar qualquer instrumento musical, qual seria?

Algo de sopro, eu acho; sei tocar um tantinho de flauta-doce e tenho muita curiosidade com trombone e saxofone. Mas acho que talvez conseguisse tocar bateria, também, ou algo de percussão.


Se você fosse uma música, qual seria e por quê?

I Am a Rock, de Simon and Garfunkel. Porque me descreve perfeitamente do começo ao fim.


Que bandas/artistas você ouvia há 5 anos? E há 10?

  • Há 5 anos: Mais punk. Bad Religion, The Clash, Rancid.
  • Há 10 anos: Mais nu-metal. Linkin Park, Slipknot, System of a Down.

17/09/2016

Por que existem nomes diferentes para os mesmos países?




Grande parte dos países do mundo é chamada por nomes parecidos em várias línguas. O nosso, mesmo, só tem adaptações: Brasil, Brazil, Brésil, Brasilien... Entretanto, alguns países recebem nomes completamente diferentes, dependendo da língua em que são chamados. É o famoso caso da Alemanha: afinal, por que chamamos o país de Alemanha e os países de língua inglesa o chamam de Germany, se lá, mesmo, eles chamam o próprio país de Deutschland?!




No caso das adaptações linguísticas, os nomes ficam um pouco diferentes porque não existe uma língua mundial, então cada povo pronuncia os nomes dos lugares como fica mais confortável em sua língua. Entretanto, os nomes originais dos lugares são escolhidos por cada povo com base em significado cultural - só que nem sempre o lugar em questão significa a mesma coisa para o resto do mundo, e é por isso que países diferentes acabam dando outros nomes para alguns lugares. 

Vamos seguir o exemplo da Alemanha. Antes do povo local chamar o país de Deutschland ("terra do povo"), a região era conhecida como Germânia, nome dado pelos romanos quando controlavam o continente. Esse nome foi inspirado pelos gauleses, tribo próxima dali, que se referia à essa tribo vizinha como os "germani", que significava simplesmente "vizinhos". A língua inglesa ainda hoje usa Germany para se referir ao país com base nessa origem. E aí, perto dessa tribo dos germani, na região onde hoje é a Suíça, vivia a tribo dos alemanni. Então vieram os países de língua latina e... Entenderam pra onde isso vai?

Nos casos de outros países que apresentam essas variações de nome, a culpa é do "telefone sem fio"; ou seja: um explorador visitava o lugar, perguntava o seu nome aos locais, entendia errado por não entender a língua, e ia espalhando para outras pessoas (comerciantes ou pessoas influentes) que também iam entendendo errado, e assim a coisa acabava ficando completamente diferente do que era pra ser. Foi o que aconteceu com o Japão, por exemplo. O nome original do país, como é chamado lá, é Nipon. Quando Marco Polo esteve na China, no século 13, ouviu falar de uma ilha chamada Cipangu, no dialeto local. Quando voltou à Itália, o nome acabou sendo registrado como Giappone. Da mesma forma, mercadores portugueses que faziam negócios na Ásia ouviram falar da mesma ilha, que os malaios chamavam de Japang, e voltaram pra Europa chamando o lugar de Japão.

Bom, esses são alguns dos casos mais interessantes. Falar de todos daria um texto bem longo e muita, muita pesquisa. Para os curiosos, aqui vão alguns pedaços do mapa múndi com os endônimos (nome próprio conforme a própria língua) de cada país:


(clique para ampliar)


África

Ásia

Europa

América do Sul


Para visualizar o mapa completo e detalhado, clique no segundo link abaixo.

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06/09/2016

10 músicas para conhecer hoje

Eu gostaria de ser mais original com as postagens sobre música, ultimamente, mas não é muita gente que compartilha do meu gosto. Então só vou indicando, mesmo; quem quiser ouvir que fique à vontade.

Vou colocar minha biblioteca da Last.fm (com cerca de 2500 artistas) para tocar em modo aleatório e falar sobre as 10 primeiras que tocarem. Como faço esse tipo de postagem a cada seis meses, vou procurar não repetir caso alguma já tenha sido indicada antes.


1. Rockin' Chair, Oasis


It's hard enough being alone
Sitting here by the phone
Waiting for my memories to come and play

Olha só, é difícil sair Oasis nessas brincadeiras! Essa é uma das minhas favoritas do que acho que é o meu álbum favorito deles. Essa foi raramente tocada ao vivo, mas acho que o Noel anda colocando ela no repertório, agora.


2. Payphone, Maroon 5


You can't expect me to be fine
I don't expect you to care

Não tenho muito o que falar dessa, todo mundo conhece. Acho que é o meu vídeo favorito da banda.


3. Auf kurs, OOMPH!


Ich weiß genau wo kein Mensch jemals war
Bin ich dir nah, bin ich dir nah

Letra fácil o suficiente pra eu treinar meu alemão sem morrer de frustração. É uma música bem linda, e não incorporei o vídeo original pois tem cenas fortes de tortura. Se alguém quiser vê-lo, clique no link.


4. Torn Apart, Enter Shikari


Sinking... I don't know how we'll get to shore again
Sinking... we'll surface through the waves

O Enter Shikari tá se tornando uma das minhas bandas favoritas. Eles têm um estilo que mistura tanta coisa numa música só que a gente não sabe se ainda tá tocando a mesma, até se acostumar, haha. 


5. Holy Mountains, System of a Down



Liar! Killer! Demon!
Back to the river Aras!
Freedom! Freedom! We're free! We're free!

Uma das minhas favoritas da banda, queria muito que tivesse tocado no show deles que fui no ano passado. Não tem como não empolgar junto! A letra fala sobre o monte Ararat, na Armênia, considerado local sagrado e que foi tomado do país pelos turcos durante o Genocídio (todos os membros da banda são de origem armena).


6. Everything to Nothing, Manchester Orchestra



You mean everything to nothing
You mean everything to nobody but me

Não lembro se coloquei essa em alguma lista anterior, mas fiquei com preguicinha de procurar. De qualquer forma, gosto desse vídeo porque o tecladista tá super empolgado.


7. Chandelier, Sia



I'm gonna fly like a bird through the night
Feel my tears as they dry
I'm gonna swing from the chandelier

Fiquei bem feliz de ter saído essa, tô amando muito a Sia ultimamente E podem achar essa música a melhor coisa de dançar, mas a letra é uma coisa bem triste.


8. Dominoes Fall, Rancid


Hey, ho, let the bombs blow
Let the dominoes fall, I ain't got control

Tempão que não tinha Rancid aqui no blog! E essa é uma coisinha gostosa de ouvir e dançar.


9. One Day More, Les Miserábles OST


Tomorrow we'll discover
What our God in heaven has in store
One more dawn
One more day
One day more!

Essa apresentação do elenco do filme na cerimônia de entrega do Oscar é a coisa mais maravilhosa desse mundo. A COISA MAIS MARAVILHOSA DESSE MUNDO!


10. Black Chandelier, Biffy Clyro



We're gonna separate ourselves tonight
We're always running scared, but holding knives
But there's a black chandelier
It's casting shadows and lies

Fechou com Biffy, perfeito! Eles tão finalmente fazendo sucesso, agora, aproveitem pra conhecer uma das minhas bandas favoritas. :)

04/09/2016

Algumas palavras do dia a dia derivadas da mitologia greco-romana

Alguns dos deuses greco-romanos, com seus nomes em ambas religiões. © zhaolifang, vecteezy.com



As antigas religiões grega e romana (aqui referidas como uma só, pois a segunda foi fortemente baseada na primeira, como visto na imagem acima) foram tão influentes na cultura do restante do mundo que ainda usamos elementos delas - tanto em outras religiões quanto no dia a dia. Como o grego e o latim são a base de grande parte das línguas mais modernas, usamos algumas palavras com raízes derivadas de elementos de suas mitologias. Vejamos algumas:


Atlas

A palavra que dá nome a um livro de mapas vem do titã Atlas que, segundo a mitologia, é quem sustenta o peso do céu sobre os ombros como punição por ter sido o líder na guerra contra Zeus. Atlas foi quem ensinou a humanidade sobre astronomia, ferramenta para que navegadores e agricultores pudessem calcular as estações do ano pela movimentação das estrelas. Como curiosidade, atlas também é o nome da primeira vértebra da coluna vertebral, a que sustenta o crânio.



Cereal



O nome que usamos para classificar o trigo, a soja e outros grãos vem da deusa romana Ceres, equivalente à grega Deméter, que era a deusa da agricultura, dos grãos e do pão. Ela costuma ser retratada como uma mulher mais velha e seu símbolo é geralmente uma cornucópia, representando a abundância de alimentos.






Crono (-logia, -grama, -métrico, etc)




Tudo o que tem a ver com tempo vem do deus primordial Cronos, que era, obviamente, o deus do tempo. Ele criou a si mesmo no início da Criação de tudo e, junto da deusa Ananke, sua esposa, criou a ordem do Universo.






Eco

O fenômeno de repetição sonora recebeu seu nome da ninfa Eco (sobre a qual já falei aqui). Eco foi amaldiçoada pela deusa Hera como punição por falar demais e distrair Zeus. Era apaixonada por Narciso (origem de "narcisismo") mas, como o rapaz não correspondia aos seus sentimentos, acabou definhando até a morte, restando dela apenas a voz. 


Fortuna




A palavra pode significar uma grande quantia de dinheiro ou boa sorte (como quando dizemos que alguém é "afortunado"), e vem da deusa romana Fortuna, equivalente à grega Tique. Fortuna é deusa da providência e pode também ser retratada com uma cornucópia.






Hipnose e Sono/Sonambulismo


Os estados de torpor da mente receberam seus nomes de Hipnos, o deus do sono. Seu equivalente romano tem o nome Sonos ou Sopor (motivo pelo qual substâncias que causam sono são chamadas de "soporíferos"). Ele é irmão gêmeo de Tânatos, o deus da morte.





Música



A palavra é inspirada nas Musas, nove deusas da dança, da canção e da música, que inspiravam os poetas. Elas também eram as deusas do conhecimento. Cada uma delas representava uma arte: Calíope era a deusa da poesia épica, Clio da história, Urânia da astronomia, Tália da comédia, Melpômene da tragédia, Polímnia dos hinos religiosos, Erato da poesia erótica, Euterpe da poesia lírica, e Terpsícore do canto em coral e dança.


Pânico



O pânico era a reação causada pelo deus Pan nas pessoas que invadiam seu reino. Pan era o deus dos pastores, das florestas, dos campos e das montanhas selvagens; e tinha uma aparência assustadora, com patas e chifres de bode e orelhas pontudas. Além disso, era considerado cruel com as ninfas, transformando-as em árvores ou amaldiçoando-as de outras formas.





Psico (-logia, -se, -patia, etc)


Tudo o que se refere à mente recebeu o nome baseado em Psique, a deusa da alma. Ao contrário da maioria das divindades, Psique tinha sido uma humana que despertou a ira de Afrodite, deusa da beleza, por ter sua beleza atraída pelos homens. A deusa enciumada pediu para que Eros, deus do amor, a amaldiçoasse, fazendo-a se apaixonar pelo homem mais horrível do mundo, mas o deus acabou se apaixonando pela humana e casando-se com ela. Psique é normalmente retratada com asas de borboleta.




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► Leia também:

02/09/2016

Desafio de Leitura 2016: Quarto relatório

FINALMENTE terminei de ler A Torre Negra! Agora posso falar sobre a série toda aqui. Eliminei alguns itens do desafio só com ela, então adiantei mais um pouco (não que eu ache que vá conseguir terminá-lo...). O desafio completo está ali no menu à direita, bem à vista. Pra quem está vendo pelo celular, clique aqui para conferir. Todos os relatórios do desafio estão na tag "desafio de leitura", logo abaixo do post (celular: aqui).


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Ficção:






O Pistoleiro
Stephen King - Objetiva - 2004 (1982) - 221p.
A Escolha dos Três
Stephen King - Suma de Letras - 2007 (1987) - 415p.
As Terras Devastadas
Stephen King - Suma de Letras - 2005 (1991) - 526p.
Mago e Vidro
Stephen King - Objetiva - 2013 (1996) - 1013p.
Lobos de Calla
Stephen King - Objetiva - 2013 (2003) - 923p.
Canção de Susannah
Stephen King - Objetiva - 2013 (2004) - 535p.
A Torre Negra
Stephen King - Objetiva - 2013 (2004) - 1146p.


Stephen King tinha apenas 19 anos quando escreveu o primeiro volume de A Torre Negra. Estava fascinado por fantasia após ter lido O Senhor dos Anéis e quis experimentar com isso. No entanto, o projeto ficou engavetado até que ele o retomasse, muitos anos depois, com mais experiência, de forma que O Pistoleiro foi quase completamente reescrito antes que ele se dedicasse aos próximos livros da série. Do primeiro ao último volume, King levou 30 anos para completar a história da busca de Roland Deschain pela Torre Negra, misturando fantasia com ficção científica e, claro, o toque de terror característico do autor. A leitura de O Pistoleiro causa estranhamento, pois não se parece com o que estamos acostumados a ler do autor e é uma narrativa um tanto confusa. A história (quase) toda se passa em algum futuro distópico no Mundo Médio, que é uma versão alternativa do nosso mundo, que passou por uma terrível catástrofe há milhares de anos e "seguiu em frente" - de fato, permanecemos teimosamente acreditando que a história se passa em algum tempo antigo (por causa de carroças de cavalos e costumes e hábitos antiquados) até aparecer algum computador ultra-avançado ou robôs -, e começa com o último pistoleiro de uma antiga linhagem importante, Roland Deschain, perseguindo o "homem de preto" pelo deserto. Este homem é seu inimigo e caminha em direção à Torre Negra, incansável e misterioso destino de Roland - o pistoleiro acredita que a Torre guarda a solução para resolver a tragédia que acometeu o mundo, e os sete grandes volumes dessa série são basicamente sobre os - MUITOS - percalços deste caminho. Apesar de eu ter considerado o volume total dessa série maior do que poderia ter sido (há muito da narração que não é realmente relevante para a história) e a leitura um tanto quanto confusa e cansativa (não é o tipo de leitura de entretenimento que a gente pode ler meio distraído; tem que prestar bastante atenção pra não se perder), admito que tudo o que foi colocado lá é importante ao menos para que entendamos melhor os personagens. Os protagonistas, aliás, são muito interessantes, pois fogem dos clichês - especialmente Susannah, tão diferente de qualquer protagonista que eu já tenha lido (sem falar de Oi!); e até o próprio Stephen King é personagem dessa história de mundos cruzados. Tanto contato com eles nos faz conhecê-los bem e nos afeiçoar a eles de forma que seus destinos nos preocupam sinceramente. Não há mais o que falar sobre a história sem soltar um monte de spoilers, mas também destaco que King coloca muitas, muitas referências de suas outras obras nessa aqui. Se você é fã do autor, seria legal juntar alguma coragem e conhecer A Torre Negra. Essa foi, com certeza, a obra a qual ele mais se dedicou e, segundo ele, sua favorita.


✓ item do desafio: Um livro escrito por alguém com menos de 30 anos
✓ item do desafio: Um livro com personagens não humanos
✓ item do desafio: Um livro que sua mãe adora
✓ item do desafio: Um livro com magia
✓ item do desafio: Um livro cujo nome tenha uma cor


Noturnos
John Connolly - Bertrand Brasil - 2016 (2004) - 294p.

Existe uma regra não-oficial sobre livros de contos que dita que sempre haverá alguns deles que não gostaremos tanto quanto dos outros - é até comum gostarmos de duas ou três histórias e as demais não nos agradarem tanto assim. Mas esse aqui fugiu completamente dessa regra, pois gostei muitíssimo de cada um dos 16 contos que o compõem. O autor irlandês distribuiu a temática sobrenatural pelas histórias de uma maneira bastante abrangente: tem história de fantasmas, de demônios, criaturas, folclores, coisas que nem sabemos bem o que é; histórias sobre adultos e sobre crianças, homens e mulheres, em épocas antigas ou atuais, na Europa ou nos Estados Unidos, narrados em primeira pessoa ou não. É muito diverso e isso mantém o interesse do leitor, pois os contos não são parecidos uns com os outros. O primeiro deles, A Balada do Caubói Canceroso, é o mais longo e trata de um homem misterioso que é capaz de matar pessoas com um simples toque - o faz porque é hospedeiro de algo desconhecido e letal, mas também porque gosta do efeito horrível que causa ao fazê-lo. Não consigo escolher quais foram os meus favoritos, mas destaco O Macaco do Tinteiro, muito sinistro e com um final surpreendente, O Abismo de Wakeford, pela ambientação diferente, e o último, O Ciclo, por ter sido escrito de uma maneira muito inteligente. Gostei bastante do estilo de narrativa do autor e quero muito ler seus outros livros.

✓ item do desafio: Um livro cujo título seja apenas uma palavra




Por Que Esta Noite é Diferente das Outras?
Lemony Snicket - Seguinte - 2016 (2015) - 280p.

Último volume da série Só as Perguntas Erradas, do autor fictício Lemony Snicket, protagonista dessa bizarra aventura no vilarejo de Manchado-pelo-mar, palco de mistérios aparentemente desconexos que ele, como membro da também misteriosa organização CSC, deve ajudar a solucionar. Snicket está a bordo de um trem que vai levá-lo embora do vilarejo, e é no A Flor do Vale que ele se deparará com o último mistério do lugar - envolvendo um assassinato, uma falsa acusação, testemunhas muito suspeitas, o último apoio de seus aliados e uma revelação sobre o vilão, Tiro Furado. O desfecho dessa aventura esclarece muitas das confusões que apareceram desde o primeiro livro (sim, estamos falando da Fera Ressonante), mas ainda deixa alguns segredos por conta da nossa imaginação. E é um tanto inesperado, especialmente porque entendemos que Snicket não é um herói mirim, por mais que tenha as melhores intenções, e que essa história toda não foi mais engraçada do que triste. Não pela primeira vez, ressalto que o autor tem uma narrativa maravilhosa que nos diverte enquanto está, lá no fundo, nos dando várias lições de moral sobre a vida e o que fazemos com ela. Para quem já leu as Desventuras em Série, há breves referências de presente. Sinto que ainda há muito para ser aproveitado de Lemony Snicket, e espero que o autor continue escrevendo mais aventuras com ele.

 à parte do desafio



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Não-ficção:



How Languages Are Learned
Patsy M. Lightbown & Nina Spada - Oxford University Press - 2003 - 192p.

Comprei este há um tempo sem muito compromisso de uma colega tradutora que estava se desfazendo de seus livros e resolvi ler agora porque gosto de alternar leitura de ficção com algo didático. Achei que ia acabar "empurrando" um pouco (por mais que goste de Linguística, o livro é em inglês e achei que ia ser um pouco complicado de acompanhar) mas me prendi logo nas primeiras páginas. Com base em várias pesquisas, as autoras primeiro falam sobre a aquisição da nossa língua materna - no caso específico, inglês, mas os princípios comportamentais são os mesmos para qualquer língua -, discutindo todas as teorias debatidas a esse respeito (aprendemos a nos comunicar por imitação ou é um talento inato?) e mostrando, com interessantes estudos de caso, como elas se complementam. Depois, como conseguimos aprender melhor uma segunda língua, esclarecendo o que é mito (como a "idade certa", "aptidão" ou o "método infalível") e o que realmente influencia (motivação, objetivo, prática, a própria língua materna). O livro é repleto de bons argumentos que eu gostaria de ter quando ainda ensinava em escola, e foi sem dúvida uma leitura muito enriquecedora.

 à parte do desafio


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HQs:



Mais Cuecas Por Cima das Calças, de Rafael Koff (independente). Segundo volume do divertido livrinho que o autor lançou em 2013 e que também apoiei pelo Catarse. É uma coletânea de mais tirinhas satíricas dos nossos super-heróis famosos favoritos, debochando de seus poderes e suas fraquezas. Como o projeto conseguiu arrecadar mais do que o necessário, o livrinho veio com um pôster superlegal de brinde, com todos os heróis desenhados pelo autor.



A Vida Oculta de Fernando Pessoa, de André F. Morgado e Alexandre Leoni (SESI-SP). "A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser visto." Este também foi um projeto do Catarse, mas perdi a campanha e não deu tempo de apoiar. Felizmente, o projeto vingou e consegui comprar a HQ pela Amazon, depois. É de conhecimento geral que o grande poeta português era seguidor do ocultismo e membro de algumas ordens secretas. Nessa HQ, os autores se aproveitaram desse lado interessante de Pessoa e o associaram a fatos reais de sua vida, criando a fantasia de que o poeta fazia parte de uma sociedade secreta responsável por salvar Portugal de um grande mal (yeah, Fernandão versus zumbis!). Porém, sua missão envolve escolhas difíceis que dão origem a seus famosos heterônimos. Além das ilustrações bacanas, a história é narrada em português europeu, para manter a ambientação, e toda pontuada por trechos da obra de Pessoa. Transformar o grande homem que Fernando Pessoa foi em um herói tornou essa HQ uma das minhas favoritas absolutas!





Ms. Marvel: Nada Normal e Questões Mil, de Wilson & Alphona (Marvel/Panini). Eu já tinha lido o Nada Normal há uns meses e gostado bastante, mas acabei não colocando aqui no blog. Como li a continuação agora, achei que já era o suficiente pra escrever sobre essa nova Ms. Marvel. Kamala Khan é uma adolescente muçulmana nerd que mora com a família em Jersey City e que ganha poderes súbitos. Como é fãzaça da Capitã Marvel, Kamala acredita ser sido escolhida para ser a sua sucessora, então tira proveito dos poderes recém-adquiridos para fazer o bem pela cidade. Entretanto, tanto seus poderes quanto os vilões que apareceram ao mesmo tempo são bem mais do que ela imagina, o que não impede a corajosa garota de burlar as estritas regras familiares para sair escondida por aí e dar uns merecidos socos. Embora se denomine Miss Marvel, Kamala é, na verdade, uma Inumana, um dos muitos humanos que possuem DNA alienígena e que, ao serem atingidos pela nuvem terrígena, adquiriram poderes. A HQ é muito divertida e vem sendo considerada uma das melhores e mais importantes séries da atualidade, principalmente pela representatividade da protagonista.



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Almanaque:




Star Trek: O legado da série (Coleção Mundo Nerd #1, Editora Europa). Não costumo colocar revistas nos relatórios, mas não podia deixar de destacar esta, que é o primeiro volume de uma coleção sobre 6 franquias importantes para a cultura pop. Esse almanaque é um apanhado sobre todas as séries e filmes de Star Trek, com curiosidades sobre os bastidores da série clássica, os atores principais do elenco, alguns roteiristas e o criador de tudo, Gene Roddenberry. Também aborda todos os percalços que atrapalharam o caminho para o desenvolvimento dessa maravilha futurista na TV, e traz recomendações dos melhores livros e quadrinhos derivados das séries. É um bom resumão pra quem ainda está conhecendo tudo e sabe que tem muita coisa pra colocar em dia, e uma boa fonte de pesquisa rápida para os fãs. 





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