22/11/2016

"Assite a 36 séries (you're a freaking god!)"

Tô me arrastando com algumas, comecei várias outras, me prendo a todas, preciso de ajuda. Não me indiquem mais nada.




Black Mirror



Já passa há alguns anos, mas só agora a galera começou a falar sobre ela, então comecei a ver por indicação de várias pessoas. É uma série antológica (ou seja, não há sequência: cada episódio é uma história independente) de ficção científica ambientada em um futuro próximo e nada absurdo em que a humanidade está lidando mal e porcamente (juro que não quis fazer trocadilho com o primeiro episódio) com toda a tecnologia que criou com a melhor das intenções. São histórias perturbadoras sobre comportamento humano, e já vemos gente agindo assim atualmente. Tem um monte de gente dizendo que tá perturbada o suficiente com a série a ponto de sair de redes sociais e abandonar celulares, o que só mostra como o ser humano precisa entender que é a gente que domina a máquina, e não o contrário...





Outcast



Do mesmo criador de The Walking Dead, e também baseada em uma HQ dele, esta aqui mexe com outra linha de terror para a televisão: possessão demoníaca. Kyle Barnes é perseguido desde criança por uma entidade que possui membros da sua família. Com o passar dos anos, percebe que toda a cidadezinha de Rome está sendo afetada pelo fenômeno e que os demônios têm um grande plano e o perseguem por um motivo especial. O primeiro episódio foi bem assustador, e o final da primeira temporada foi bem tenso, mas não me empolguei tanto assim, de maneira geral. Vamos ver como vai continuar.





Stranger Things



Não havia me interessado por ela quando saiu na Netflix, mas aí todo mundo começou a ver e elogiar e encher o saco então fui dar uma chance e gostei. Começa com o desaparecimento de um menino, então se trata de todo mundo tentando encontrá-lo: a polícia do jeito convencional, a mãe surtada tentando de tudo que pode, e os amigos fazendo descobertas bizarras pelo caminho - descobertas que não podem ou têm como divulgar. A descoberta mais bizarra que fizeram foi Onze (Eleven, no original, que acho mais charmoso). Há todo um mistério sobre a garota, que é o ponto alto da série. Como se passa nos anos 1980 e é todo produzido como se realmente fosse um filme da década, despertou o saudosismo de um monte de gente. Pra quem gosta de um estilo Spielberg, vai gostar dessa, com certeza.





The Exorcist



Baseada na famosa obra original de William Peter Blatty, a série acompanha o drama de uma família que está sendo afetada pela possessão de uma filha. O demônio deixa claro que não é a menina que ele quer, mas faz bastante estrago com ela - e ela com todo mundo. Além disso, os dois padres responsáveis pelo exorcismo dela têm suas próprias histórias e fraquezas, o que dificulta um pouco a situação toda. Ao mesmo tempo, o Papa está vindo para uma visita à cidade, então há várias forças envolvidas para tornar esse evento algo terrível. Entretanto, a série não está indo muito bem - talvez nem seja renovada para a segunda temporada. Não sei se porque as pessoas estavam com uma expectativa diferente a respeito dela, não sei se porque veio basicamente ao mesmo tempo de Outcast e são muito, muito similares. Vamos ver.





The Fresh Prince of Bel-Air / Um Maluco no Pedaço


Putz, eu assisti isso inteiro quando passava na TV, mas vi na Netflix e fui assistir tudo de novo porque preciso descansar a cabeça com comédia, de vez em quando. Adoro o Will Smith e é engraçado vê-lo tão jovem e tão desajeitado no começo de sua carreira. Will, a pedido de sua mãe, se muda da vizinhança perigosa na Filadélfia para ir morar com os tios em sua mansão em Bel-Air. A série toda é sobre a adaptação dele com a nova realidade (e, especialmente, da família com a presença dele), mas traz muitas discussões raciais pertinentes no contexto americano, que nunca melhorou muito em termos de preconceito. Ainda assim, por ser de uma época em que não se lutava muito contra isso, noto agora algumas temáticas que incomodam nos roteiros - digo, não dá pra equilibrar muito o tom moralista das discussões raciais enquanto há tanto machismo acontecendo o tempo todo de maneira tão natural. Não seria o tipo de coisa que produziriam hoje em dia e com certeza não passaria batido se fosse, mas ainda dá pra se divertir - especialmente com a Hilary, minha favorita.




Zoo



Uma que eu tinha bastante curiosidade mas acabei deixando pra assistir somente quando chegou na Netflix. No mundo todo, sem nenhum sinal prévio, os animais estão agindo de forma inesperada, com diferentes espécies se unindo em ataques contra os humanos. A princípio, acredita-se que haja alguma doença contaminando esses animais, mas logo constata-se ser uma mutação evolutiva: os animais estão se adaptando à presença humana para reclamar seu lugar de volta na terra. Nisso, um grupo eclético de profissionais se une para entender tudo isso e descobrir uma cura. Tenho o livro em que a série foi baseada, mas ainda não o li, então não sei se estão mantendo o roteiro original ou se inventaram outra coisa pra adaptação. Gosto de ver os animais diferentes a cada episódio, adoro que eles não sejam (como regra geral) maltratados ou mortos pelos humanos, apesar de tudo, e também gosto do fato do elenco principal viajar pelo mundo todo e assim a gente conhecer um pouco de todos os lugares. Porém, algumas coisas são um pouco relaxadas; por exemplo, a parte que se passa no Brasil foi meio mal pesquisada e a interpretação dos brasileiros foi bem ridícula. Alguns relacionamentos entre os personagens principais também me parecem meio forçados e não convencem muito bem; mas acho a história geral inteligente e original, então continuo assistindo e ansiosa pelos episódios seguintes.





► TERMINADA:


The 4400


Ao longo de 60 anos, 4400 pessoas desapareceram por todo mundo. Um dia, todas elas reaparecem, ao mesmo tempo, à beira de um lago em Seattle, sem memória de nada do que tenha acontecido nesse meio tempo, como se tivessem sumido no dia anterior. Além do mistério envolvendo seu desaparecimento e ressurgimento, há algo mais: cada um deles voltou com alguma habilidade diferente, como um tipo de poder, mas o propósito disso também é desconhecido. Para entender tudo isso, é criada uma agência especial no FBI encarregada das investigações, mas seus membros estão pessoalmente envolvidos de alguma forma com o caso dos 4400, então muitas regras são quebradas e muitas coisas interessantes acontecem. Era uma série que eu adorava e lamento ter sido cancelada antes de pensarem num final realmente conclusivo.





Para outras indicações, pesquisem a tag "séries" aqui abaixo do post ou no menu suspenso lá em cima.

07/11/2016

Cover: "The Lady is a Tramp"

Ando bem relapsa com as postagens de música (e pensar que esse blog já foi quase só sobre isso...), então vamos conhecer/relembrar esse jazz bem divertido e algumas de suas versões mais famosas ou interessantes.





She gets too hungry for dinner at 8
She loves the theater but she never comes late
She never bother with people that she hate
That's why this lady is a tramp!


The Lady is a Tramp é uma canção composta em 1937 por Lorenz Hart e Richard Rodgers para um musical chamado Babes in Arms, e cantada pela estrela mirim Mitzi Green. A letra é uma brincadeira com as rígidas regras de etiqueta da alta sociedade de Nova York, na época, sob o ponto de vista de uma moça vivaz que prefere curtir a vida de sua própria maneira despreocupada.

Esse jazz foi gravado por vários artistas do gênero e alguns outros que se aventuraram com suas próprias versões. Aqui vão algumas:






A versão mais conhecida foi gravada por Frank Sinatra em 1957, após ele próprio ter atuado em um filme em que seu personagem cantava essa canção para a personagem de Rita Hayworth (Pal Joey, "Meus Dois Carinhos", aqui no Brasil), e acabou se tornando uma de suas músicas mais conhecidas. Um ano antes, a diva Ella Fitzgerald já havia gravado, também, sua versão. Nesse vídeo, vimos um dueto divertido dos dois.



Em 1967, as maravilhosas Diana Ross & The Supremes gravaram uma versão, também, que costumavam apresentar em medley com Let's Get Away From It All.



Apesar de não ser uma versão conhecida, coloco essa de Nichelle Nichols como curiosidade. Na época em que a gravou, também em 1967, Nichols já era famosa por interpretar a tenente Uhura em Star Trek, apesar de já ser conhecida como talentosa cantora e dançarina antes disso. 



O maior astro do horror rock, Alice Cooper, apresentou uma versão caricata da música no filme Good to See You Again, de 1973, que documenta sua maior turnê, a Billion Dollar Babies Tour, mas que só foi oficialmente lançado em 2005. Essa cena é a que abre as filmagens dos shows.



Tonny Bennett já havia gravado uma versão antes, mas a relançou em uma inusitada  e sensacional parceria com Lady Gaga para seu álbum Duets II, em 2011. Bennett ficou muito impressionado com a performance da convidada e a elogiou grandemente como artista criativa e como cantora de jazz. Tanto a música quanto o vídeo fizeram muito sucesso, e a crítica expressou a esperança de que Lady Gaga lançasse algum material de jazz para mostrar que tem muito mais talento do que deixava aparentar em sua carreira pop, até então. Tanto foi que os dois acabaram lançando, depois, o álbum Cheek to Cheek, com outras músicas do gênero que acabaram gravando juntos.




Uma lista completa de todos os artistas que gravaram essa música está no primeiro link abaixo. Qual a sua versão favorita?

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01/11/2016

Desafio de Leitura 2016: Quinto relatório

É pela seção de não-ficção que vocês percebem a bagunça que é a minha vida.

O desafio completo está ali à direita da página. Confiram os demais relatórios pela tag "desafio de leitura". 


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Ficção:



1356
Bernard Cornwell - Record - 2013 (2012) - 419p.

Espécie de continuação da trilogia A Busca do Graal. Dez anos após os eventos da história anterior, o arqueiro inglês Thomas de Hookton é novamente incumbido de procurar por uma relíquia: dessa vez, la Malice, a espada de São Pedro. Thomas, agora, tem outros interesses na vida, mas acaba não tendo escolha quanto à sua missão. Como sempre, há muita gente interessada na posse da relíquia, mas nosso protagonista tem suas próprias ideias a respeito do serviço. O cenário ainda é a França, no que é considerado o pior ano da Guerra dos Cem Anos. A essas alturas, o país estava em grande parte tomado pela Inglaterra, mas o rei evitava lutar contra os invasores. A Inglaterra e a Escócia estavam em trégua, mas, com o rei escocês feito cativo, alguns senhores estavam bem dispostos a violá-la, aliando-se aos franceses. Não bastasse toda a devastação que uma guerra traz, o continente também estava sendo assolado pela peste. Vários personagens da trilogia anterior aparecem novamente, assim como vários personagens reais da História, e Cornwell mais uma vez insere fatos fantásticos sobre história e guerra com uma narrativa muito envolvente e personagens espirituosos. As notas históricas ao fim do livro são interessantíssimas, e mostram todo o cuidado que o autor sempre tem com a parte de pesquisa de seus romances. Fica claro que Bernard Cornwell é um apaixonado pela história de seu país, e aprendemos sobre ela como se estivéssemos realmente lá. 

✓ item do desafio: Um livro ambientado em outro país




Wild Cards: Jogo Sujo
V.A. - Leya - 2016 (1988) - 526p.

Quinto volume da série de 22 livros que estão sendo finalmente lançados por aqui e é uma das minhas ficções científicas favoritas. Neste, acompanhamos eventos estranhos que estão acontecendo no Bairro dos Curingas enquanto os principais ases ainda estão viajando ao redor do mundo para conhecer outros afetados pelo xenovírus carta selvagem e tentar acordos políticos. No Bairro dos Curingas, a população de mutantes está sofrendo não só nas mãos de uma violenta briga entre máfias como com uma nova ameaça: o vírus carta selvagem está sendo novamente espalhado, ninguém sabe como, e mais pessoas estão sendo infectadas por ele - tanto "limpos" quanto curingas e ases. Por ser uma versão evoluída (e em constante evolução), a maior ocorrência é a da Rainha Negra, que mata o infectado, e não há nada que o Doutor Tachyon possa fazer para desenvolver uma vacina ou cura. Isso também gera caos no Bairro e a falta de alguns ases vai fazer diferença neste momento complicado. George R.R. Martin, que é o editor desse romance-mosaico (escrito por vários autores simultaneamente) e criador do ás Tartaruga, fez uma nota explicando sobre as dificuldades de montar esse volume. As várias histórias devem se entrelaçar, mas há muitas coisas diferentes acontecendo ao mesmo tempo e ficou realmente complicado montar uma ordem cronológica e fazer os vários acontecimentos se conectarem. Ele mesmo expressa seu descontentamento em não ter conseguido fazer isso muito bem, e dá, mesmo, para perceber a falta de conexão em alguns momentos (várias partes parecem eventos aleatórios, como histórias a parte), mas gostei muito, mesmo assim, principalmente por ter finalmente dado bastante destaque ao ora-curinga-ora-ás Croyd, meu personagem favorito da série toda. O próximo volume já vai ser lançado aqui ainda esse ano.

à parte do desafio




Semideuses e Monstros
V.A. - Intrínseca - 2014 (2008-13) - 271p.

Precisamos falar seriamente sobre a situação das sinopses no mercado editorial brasileiro. A gente nunca mais ficou sabendo direito de que um livro se trata, pois nas contracapas só há as opiniões de outros escritores ou críticos especializados e um ou outro trecho sem contexto retirado do livro. Dito isso, sempre achei que esse aqui seria uma coleção de vários contos com os personagens de Percy Jackson e os Olimpianos. Aí comecei a ler e já vi que não era nada disso: é, na verdade, uma coleção de ensaios de vários autores sobre os personagens da série e também sobre mitologia grega. Admito que é, na verdade, até mais legal do que achei que ia ser! Todos os ensaios, selecionados pelo próprio Rick Riordan, são de autores de suas próprias séries de sucesso para jovens (algumas, inclusive, parecem incríveis, mas nenhuma delas foi ainda publicada no Brasil). Riordan conta, na introdução, como foi interessante ler as interpretações de outros profissionais sobre as suas histórias e seus personagens, pois são mais profundas do que ele tinha intenção de expressar (segundo ele, o personagem de Percy Jackson foi criado para que seu filho e outras crianças como ele - com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade - não se sentissem "errados" e problemáticos, como o ambiente escolar sempre os aponta). Os ensaios dos autores, então, vão desde comparações entre os semideuses da série de Riordan com os clássicos da mitologia; as vantagens das "deficiências" quando se é um semideus; como interpretar profecias do oráculo e como escolher qual o melhor deus para ser seu pai divino; até estudos mais voltados para a mitologia grega, como a história de alguns deuses e heróis e um glossário simples mas muito abrangente das principais personalidades da mitologia. Meus favoritos foram o ensaio sobre o deus Dioniso e outro sobre a interessantíssima mitologia maia. Acredito que seja mais voltado para os fãs mais velhos de Percy Jackson, mas é todo maravilhosamente escrito para que o público jovem se interesse ainda mais pela mitologia e também pela série.

 à parte do desafio




Guerreiros da Tempestade
Bernard Cornwell - Record - 2016 (2015) - 349p.

Nono volume de Crônicas Saxônicas, que já venho recomendando há um tempão por aqui. Uhtred ainda está ligado a juramentos que o impedem de ir para o norte recuperar as terras de sua família, mas isso está, aparentemente, perto de finalmente acabar. A Mércia está sob o governo de Aethelflaed, mas não há muito o que ela possa fazer contra a vontade de seu irmão, Eduardo, que a impede de conquistar mais glórias do que ele, ao tentar reconquistar sozinha a Nortúmbria dos invasores nórdicos. Além disso, a própria Mércia está sendo novamente atacada, dessa vez pelo impiedoso norueguês Ragnall. Cabe a Uhtred, novamente, ajudá-la, mas ele só vê uma maneira de fazer isso: desobedecendo-a, aliando-se a antigos inimigos do outro lado do mar e reencontrando sua família. Depois de ter lido as histórias do culto e gentil Thomas de Hookton em A Busca do Graal, ler as narrativas do bruto e desbocado Uhtred ficou até mais divertido do que já era. Temos aqui, também, um desenvolvimento merecido da história de Finan, seu melhor amigo de tantos anos, e é uma história bem surpreendente. E, como sempre, Cornwell fecha o livro com notas históricas a respeito dos eventos verdadeiros em que sua ficção é baseada, além de uma super resumida da interessantíssima história da formação da Inglaterra, tão pouco conhecida inclusive dos próprios ingleses.

✓ item do desafio: Um livro ambientado em um lugar que você quer conhecer




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Não-ficção:


Dinossauros
David Norman - L&PM - 2011 (2005) - 192p.

Uma das melhores leituras do ano! Embora compacto, é um livro muito abrangente sobre a história do estudo dos dinossauros. Os famosos répteis viveram na Terra por 160 milhões de anos e estão extintos há 65 milhões de anos, mas só ficamos sabendo sobre eles há cerca de 200 anos, com a descoberta acidental dos primeiros fósseis. Poderia dar uma aula sobre esse assunto tão interessante (tem uma aqui), mas vou tentar resumir tudo o que o autor, que é paleontólogo e diretor do Museu Sedgwick de Geociências, premiado por vários livros sobre o assunto, abrangeu aqui. Desde a descoberta do Iguanodon, em que dois anatomistas disputaram para montar um modelo do bicho inteiro baseados em apenas poucos fragmentos de ossos e um dente (história que terminou em tragédia, com o suicídio de um deles), passando por uma discussão sobre por que os dinossauros são tão populares na cultura até hoje (a teoria mais aceita é que eles eram praticamente uma versão real dos lendários dragões, que habitam as lendas do mundo todo), uma explicação esclarecedora do motivo por que fósseis terrestres inteiros são tão difíceis de se encontrar (resumindo: para um organismo vivo ser fossilizado inteiro, ele precisaria ser soterrado, coberto por lava, congelado ou ido parar de alguma forma no fundo do mar. Morrendo na superfície, animais carniceiros se alimentam do corpo, espalhando os ossos - caso sobre algum - por um raio de vários quilômetros). Além disso, também comenta sobre o "boom" de novas descobertas fósseis e a variedade de espécies que foram sendo descobertas e estudadas nas primeiras décadas do século passado, e como isso resultou no comércio ilegal de fósseis falsificados e na perda de tempo dos cientistas a estudá-los. Logo, também, houve um crescente desinteresse destes pela paleontologia, pois a busca por fósseis acabou virando mais uma questão de inventar nomes diferentes e menos a busca de uma maneira de aplicar essas descobertas a pesquisas realmente úteis. O reinteresse surgiu na década de 1960, quando os cientistas começaram a dispor de melhor tecnologia para estudar os fósseis sem causar danos a eles e, também, para analisar como tudo o que podemos descobrir sobre esses animais e sua (ainda) misteriosa extinção pode ser útil para entendermos como a "reciclagem" do planeta funciona e, principalmente, como nos prepararmos para a próxima. E há, também, curiosidades sobre alguns dinossauros, com base em estudos de seus ossos, múmias, pegadas e coprólitos (fósseis de fezes :P). Mas não vou falar sobre tudo aqui, senão vira aula, haha.

✓ item do desafio: Um livro de não-ficção





Design Para Quem Não é Designer
Robin Williams - Callis - 2005 (1994) - 192p.

Peguei este emprestado com a minha irmã, que é formada em Publicidade e Propaganda. Como trabalho no seu estúdio de fotografia com a diagramação dos álbuns dos clientes, procuro sempre aprender mais técnicas para que o resultado final fique bem legal. O livro é bem simples para leigos e a autora é bem enfática com suas dicas, especialmente no que diz respeito aos quatro princípios básicos do design (proximidade, alinhamento, repetição e contraste). Descobri que venho acertando muita coisa, mesmo sem plena consciência das regras, o que já me tira do grupo de "analfabetos visuais" a quem a autora propõe educar com esse manual. Talvez esse livro seja mais útil para quem produz material textual (panfletos, anúncios, cartões de visita, sites...), mas os princípios são os mesmos para todos que precisam bolar um material visualmente atrativo. A seção sobre fontes foi uma das que mais gostei e me deu várias ideias boas.

 à parte do desafio




A Tradução Literária
Paulo Henriques Britto - Civilização Brasileira - 2012 - 157p.

Estou com esse na lista desde que ainda estava fazendo a pós-graduação, mas só recentemente pude adquiri-lo. Não se trata de um guia de passo a passo para uma boa tradução literária, mas uma conversa maravilhosa, tanto para profissionais da área quanto para leitores que consomem traduções e não imaginam o quanto a tarefa exige muita criatividade (para impasses linguísticos e dilemas éticos) e competência, além de mero conhecimento da língua estrangeira. Segundo o autor, que é um nome conhecido e muito respeitado no meio, não existe tradução "certa" ou "errada", ou mesmo "boa" e "ruim", pois toda tradução é, na verdade, uma reescrita do original. É impossível se manter 100% fiel à obra original, pois algo sempre se perde no caminho (muitas vezes, por não haver equivalente linguístico, por exemplo, precisamos optar pela exclusão de certos elementos). O que devemos ter em mente, portanto, é repassar com o máximo de cuidado não só as ideias do texto original, como também o estilo escolhido pelo autor para exprimi-las. Por se tratar de um trabalho criativo, há muitas discussões e respeito de como, exatamente, isso deve ser feito. A visão do autor (e a minha, também) é que, por exemplo, se a narrativa é entediante ou cheia de discurso de ódio, o tradutor deve ser invisível e não alterar a linguagem para algo mais fluido ou politicamente correto; do contrário, seu trabalho deixa de ser uma tradução e passa a ser uma adaptação do original. Afinal, um leitor brasileiro que não é capaz de ler a obra de Victor Hugo em francês quer poder dizer que leu, de fato, a obra de Victor Hugo, e não a versão de outra pessoa para ela. Assim, o autor debate todas essas delicadas questões sobre a tradução de conteúdo criativo, inclusive de poesia - que é ainda PIOR de traduzir do que eu já havia experimentado. Há de se estudar muito para ser um especialista.

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O Livro da Ciência
V.A. - Globo Livros - 2014 - 352p.

O que seria de mim sem as promoções lindíssimas da Amazon, que me permitem adquirir essas enciclopédias maravilhosas por preços que posso pagar? Este aqui é um dos volumes da coleção da Globo Livros em formato de enciclopédia sobre os mais diversos temas de estudo. O conteúdo textual é abrangente, mas resumido o suficiente para não ser uma leitura cansativa e fácil de pesquisar, além de ser todo colorido e repleto de ilustrações e fotos. Os tópicos são distribuídos em ordem cronológica das mais importantes descobertas científicas do mundo, desde os povos antigos, passando pela época de ouro do islamismo, até chegar ao apogeu europeu e os dias globalizados atuais. Os textos explicam sobre a importância da descoberta em questão, mas também conta o processo pelo qual foi desenvolvida e uma breve história do cientista responsável. É curioso perceber como muitos dos primeiros cientistas (especialmente antes de existir a função de cientista) eram filósofos, poetas e até músicos - ocupações que exigem certa contemplação do mundo e da natureza, o que levou pessoas brilhantes a entendê-lo um pouco melhor e se dedicarem a esses estudos. As ciências discutidas por todo o livro são a física, química, biologia, geologia, astronomia e matemática.

 à parte do desafio




As Piores Invenções da História e os Culpados por Elas
Eric Chaline - Sextante - 2013 (2009) - 256p.

Lembro que escolhi este livro por achar que seria uma coletânea divertida dos maiores fracassos da humanidade (até a caixa da livraria riu quando leu o título), mas acabou indo muito além: mais do que uma coletânea de fracassos, esse é um bom resumo da capacidade humana de fazer cagada (com o perdão da palavra). O autor lista em ordem cronológica 50 das piores coisas que a humanidade já criou, e classifica "pior" nas categorias: "nunca saiu do papel", "não funcionou na prática", "matou seu inventor", "um fracasso comercial", "consequências imprevistas" e "usada para fins perversos", com alguns exemplos de "sucesso surgido do fracasso" pra dar uma animada nessa descrença completa na raça humana depois de ler sobre tantos absurdos terríveis. A maioria esmagadora das invenções listadas é parte das "consequências imprevistas", tratando-se de invenções criadas com a intenção de melhorar algum aspecto da nossa vida, mas que acabaram fazendo mais mal do que bem por incapacidade dos criadores de pensar em longo prazo (como a talidomida e a heroína, criadas para promover a saúde e hoje famosas pelos altos índices de mortalidade que causam; além do CFC, plástico e diversos outros exemplos que têm a ver especialmente com estética). Na categoria mais grave estão as invenções que já foram criadas com a intenção de fazer mal, como as guerras químicas e biológicas, a óbvia bomba atômica e os revoltantes animais-bomba. Foi um dos melhores livros que li este ano; incrivelmente enriquecedor e, por isso, altamente recomendado.

✓ item do desafio: Um livro de um autor que tenha as suas iniciais


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✓ itens do desafio eliminados: 04