30/12/2016

2016, ou o ano que nunca vou entender

Como falar de 2016, esse ano que foi tão bizarro pra todo mundo? 

Talvez a gente nem devesse falar, mas só aceitar seu fim e esperar pelo melhor do próximo ciclo ao redor do Sol. Eu, entretanto, sempre acho que tenho que falar sobre as coisas. Acho que faz melhor botar tudo pra fora logo e esvaziar o peito pra abrir espaço pras próximas coisas, senão explode e faz sujeira.

Eu quero contar aqui sobre o ano tosco que tive. Ninguém é obrigado a ler, mas talvez tenha uma ou duas explicações sobre meu comportamento reprovável com a maioria das pessoas que conheço. 




Vamos começar com as desgraças. Aí eu fecho com o que teve de bom e fica aquele clima de final feliz.

2016 foi basicamente um ano de perdas. A gente nunca tá realmente preparado pra isso - do contrário não seriam perdas, só coisas que a gente deixou ir embora. Eu não gosto de ver as coisas indo embora, pois estão fora do meu controle e eu prezo muito, muito o meu controle.

A Luna, a cachorrinha doida que adotamos no fim do ano passado, foi a primeira delas, depois de apenas três meses com a gente. Ela teve cinomose, que não tem cura e ataca muito repentinamente. Já perdemos muitos bichinhos ao longo dos anos e sempre é uma dor que fica, mas foi a primeira vez que precisamos autorizar um sacrifício e é algo que eu espero nunca mais ter que decidir.

Dei uma surtada no meu aniversário. A cada ano eu tenho menos amigos e conheço menos pessoas, então cada aniversário acaba sendo um pouco mais triste, especialmente porque ainda gosto do dia. Algumas pessoas importantes pra mim esqueceram ou ignoraram a data (o que sempre acabo achando imperdoável, já que todos ficam o dia inteiro com o celular na mão e as notificações aparecem por todos os lados) e isso me deixou bastante chateada, então. Uma amizade particularmente importante e duradoura já andava abalada por outros motivos, mas esperei que meu aniversário fosse uma oportunidade para receber uma mensagem. Não foi, então acabei com isso de uma vez. Amigas antigas que costumavam participar das minhas festinhas na minha casa e que sempre receberam meus parabéns, mesmo longe, escolheram simplesmente ignorar, então cortei contato com todas elas também. Eu não sou a melhor pessoa do mundo na arte de manter amizades (eu sumo com frequência, não puxo conversa, mas não deixo de acompanhar e me fazer presente de alguma forma pra pessoa saber que eu estou ali), mas nunca soube lidar direito com ser deliberadamente ignorada por pessoas de quem eu gosto, então apaguei todo mundo das redes. Eu não tenho que ser importante pra ninguém, mas também não tenho que dar importância pra quem não tá nem aí pra mim. Pode não ter sido certo, mas nenhuma delas tentou voltar, até agora. A porta não tá trancada.

No meio do ano, descobrimos que meu pai estava com câncer. Foi uma descoberta acidental que apareceu em outro exame, e já estava num estágio em que era preciso fazer a cirurgia antes de começar qualquer tratamento. Não deu muito tempo da gente se acostumar com a ideia, então ficamos todos assustados e com muito medo do que podia acontecer, pois meu pai é cardíaco e havia o risco de o coração não aguentar o longo procedimento e toda a anestesia. A cirurgia correu bem, mas acabou tendo que ser diferente do que haviam nos preparado (inicialmente, ele perderia um pedaço do estômago, mas precisaram remover todo o estômago e o baço), então meu pai ficou compreensivelmente deprimido e isso afetou a todos aqui em casa. A fase de adaptação pós-operatória foi muito difícil pra ele e a rotina mudou bastante por aqui; mas ele ainda está fazendo tratamento e está livre da doença. Claro que torcemos para que continue assim e que ele se recupere o suficiente pra ter forças pro que vem pela frente, que não vai ser fácil por um tempo.

Por volta de agosto, começou uma crise de depressão que há bastante tempo eu não tinha - e pior do que qualquer outra que eu me lembre. Não teve um motivo específico, como as crises dispensam, embora seja compreensível que todas as dificuldades do ano acumuladas tenham dado nisso. Eu já andava bastante apática e todo aquele otimismo e autoestima que me visitaram no ano passado já tinham ido embora e eu estava de volta ao bom e velho cinismo. Tenho desde então chateado as pessoas e sido má filha, má irmã, boa profissional mas menos dedicada, e, sobretudo, uma péssima amiga. Eu realmente não tenho vontade de conversar, mesmo que esteja desabafando agora, porque não acho que alguém possa me tirar desse poço se eu não quiser sair dele, e algumas tentativas de ajuda fazem eu me sentir pressionada a melhorar com métodos que não funcionam pra mim. Eu sou grata, de verdade, pela preocupação dos amigos e por saber que posso contar com eles, e não sou indiferente a isso, por menos que demonstre. Se me afasto e eu sei que é irritante e egoísta, é porque eu quero muito que entendam e respeitem meu espaço até tudo melhorar. (Mãe e Giuli, se acontecer de vocês estarem lendo, nada disso é culpa sua. Amo vocês )

Desde o ano passado eu estava em um "relacionamento" que eu adorava e que me fazia super bem, e foi o que me fez segurar as pontas esse ano com alguma esperança e alegria. Era algo que eu nunca me permiti ter antes e que eu estava realmente feliz por ter conseguido, apesar de todas as minhas dificuldades, inseguranças e bloqueios. Fazia eu querer ser melhor por outra pessoa, me dava um motivo pra ficar bem, me divertia e distraía e só trouxe novidades boas. E aí isso acabou também, porque nunca era pra ter dado certo e ser mais do que realmente era, embora não tivessem me contado isso antes de eu me envolver demais. Houve muita discussão e ressentimento da minha parte, e tudo isso ainda me entristece de uma maneira exaustiva. Isso já tem uns meses e eu ainda estou sofrendo em lidar com isso como uma adulta porque, infelizmente, não passei por isso pela adolescência, como toda pessoa normal. Eu sabia que o fim disso me levaria de volta à pessoa que eu era um ano antes, o que realmente está acontecendo, e eu não gosto de ser cheia de autopiedade, mal-humorada e love-hater, mas agora vocês vão ter que aguentar.

Pra fechar, Morgan, Meg, Mística e Missy, minhas plantas carnívoras que eu tanto adorava e cuidava tão bem há tantos anos, morreram, todas. Uma atrás da outra. Não deixei de cuidar delas, mas acho que não tive vontade de insistir quando vi que elas estavam morrendo. Continuo aguando aquela terra triste na esperança de alguma delas voltar (a Morgan voltou, uma vez), mas sei que não vão. Como todo o resto que perdi esse ano.


aceito


Não vou ser injusta e dizer que não teve nada que prestasse esse ano, porque teve coisas legais que, espero, eu guardarei como lembranças boas desse ano zoado.

Passamos os primeiros dias do ano em Curitiba, como comentei na postagem do ano passado, e foi uma delícia estar com a família em um lugar que tanto gosto e de que tanto sinto falta. Também fui a São Paulo duas vezes, lugar que gostaria de poder visitar mais vezes porque tem TANTO pra fazer e nunca dá tempo! 

Fui ao show do Bring Me The Horizon, que estava com vontade de ir desde o ano passado e deu certo, mesmo. Passei mal e perdi metade do show, sentada no chão tentando não ser pisoteada, mas ainda assim foi maravilhoso e tudo sobre esse fim de semana vai ser lembrado com carinho.

Tive poucas traduções pra fazer (muito por não ter procurado clientes, coisa que a gente tem que fazer o tempo todo, mas... com que ânimo?). Mas tive oportunidade de voltar a dar aulas (na empresa onde meu pai trabalha) e com um material todo desenvolvido por mim. Foi bem experimental, mas fiquei satisfeita com o resultado e estou feliz por ter conseguido, também. Talvez haja outra turma ano que vem, e ainda voltarei a dar aulas na escola onde trabalhei até 2014 - só por um tempo, nada fixo. Acho que também vou ter oportunidade de atender mais alunos particulares, mas ainda estou estudando essa opção. E também estou com cada vez mais serviço no estúdio da minha irmã, na diagramação de álbuns ou ajudando com ensaios externos. Então acho que meu dinheiro pra livros em 2017 tá garantido, pelo menos.

Uma amiga teve a iniciativa de começar um grupo de estudo de Francês, então tomei vergonha na cara pra voltar a estudar de verdade. Bom, ainda não estou me dedicando como deveria por motivos de, sim, falta de ânimo, mas fazemos três horas todas as sextas e estamos avançando bem. Ela é muito dedicada e interessada, então eu tento ajudar com o que já sei e juntas vamos arranhando a garganta e criando diálogos mal-educados, hahahah. Também consegui um material para estudar alemão sozinha, então estou tentando recuperar o bom tanto que eu já tinha aprendido, um pouquinho todos os dias. Se eu me dedicasse mais, já estaria boa de novo, mas... O que me anima é que já tenho material de outras línguas pra começar depois de terminar este, então quem sabe eu não desista.

Ainda sobre estudar, fiz um curso de um mês sobre Astrobiologia, sobre o qual já comentei no último relatório de leitura. Foi muito, muito legal, e uma oportunidade maravilhosa de estudar duas coisas que amo juntas. Eu estou há bastante tempo pensando sobre tentar me redirecionar à ciência, mas as oportunidades ainda são muito difíceis, especialmente presa aqui. Mas, enquanto não consigo nada, estudo muito e procuro me manter atualizada, afinal, é um prazer aprender sobre o que a gente ama.

Perdi mais um pouquinho de peso do ano passado pra cá, não muita coisa (coloco isso como uma coisa boa, pois foi algo que sempre quis que acontecesse e que me exige um esforço saudável). Parei de caminhar porque ficou perigoso andar pelas ruas sozinha, mas estou fazendo alguns exercícios em casa pra tentar compensar de alguma forma. Não vou dizer que foi por isso que emagreci, mas ao menos me mantém ativa. Ando flertando um pouco com a ioga, também, e não faço direitinho (por falta de espaço e silêncio e tempo) mas faço uns minutinhos todos os dias e ajuda com a ansiedade.

Fiz mais duas tatuagens: o símbolo de comando da Frota Estelar de Star Trek (minha mãe fez igual, porque somos nerdinhas trekkies ) e um dinossauro bem grande colorido. É um estiracossauro e foi divertido de fazer. Infelizmente, todo o estresse desses dias provocou uma reação alérgica a um dos pigmentos, então a cicatrização ainda está dando bastante trabalho. Estou tratando com Contractubex e tem dado um resultado bem lento, mas já dá pra ver melhora. Tô confiante de que um dia esse troço vai ficar lisinho e lindo.





Depois do que aconteceu com a Luna, evitamos ter outro cachorro. Foi um ano bem triste sem um cachorro por perto, apesar de todos os gatos, pois sempre tivemos cachorros e ficou aquele vazio na vida (e eu, que nem superei a Akira, ainda?). Mas então, agora no finzinho do ano, arriscamos e adotamos o Spock, que é um bicho completamente maluco e vai demorar pra gente conseguir tirar uma foto dele sem precisar apertá-lo. 




E, claro, li muitos livros maravilhosos e ouvi artistas novos (pra mim) que vieram com músicas incríveis pra trilha sonora da minha vida; comecei a ver séries fantásticas e assisti a filmes excelentes, e tudo isso já foi indicado por aqui e vocês devem ter visto uma recomendação ou outra. Vou continuar fazendo isso, sempre que der vontade - se não por vocês, pra eu mesma vir aqui depois de um tempo e relembrar. Por falar nisso...


... Sobre o blog:


Pois é. Uma das coisas que mais me dava prazer nos últimos anos era pesquisar pra escrever aqui, e dividir conhecimento de coisas incríveis que eu ia descobrindo com todo mundo. Criei uma página no Facebook pra poder dividir com mais gente e divulgar mais todo o conteúdo de anos de pesquisa e redação.

Aí fiquei bem chateada com o retorno porque, além de apenas (literalmente) 10% dos meus amigos seguir a página, vi que a maioria dos meus conhecidos ainda preferia compartilhar postagens de páginas como Fatos Desconhecidos e Super Tela, que têm um alcance gigantesco, mas divulgam conteúdo do tipo "estudos apontam que..." e não colocam nenhuma fonte de pesquisa pra gente conferir. A maioria das pessoas não liga de checar se algum fato divulgado é realmente verdade e aceita o que vê de cara, mas eu sempre me preocupei em pesquisar e disponibilizar as fontes junto aos artigos. Eu procurava falar sobre assuntos que não via serem discutidos em outros lugares em língua portuguesa, então traduzia e adaptava tudo pra deixar bem fácil pra galera também saber sobre o assunto e entender bem.

Infelizmente, além do pouco alcance e da vertiginosa queda de visitas (na melhor época, meu blog recebia cerca de 2500 visitas mensais, contra 40 esse ano), comecei a receber comentários que não costumava receber e que me fizeram questionar se o que eu tava fazendo aqui era realmente tão relevante quanto eu achava que era. Se não agradava aos amigos e não agradava aos estranhos, achei melhor voltar ao conteúdo original, que era um monte de nadas mas que pelo menos agradava a mim. Eu ia apagar o blog,  porque fiquei realmente com raiva do prazer que me tiraram, mas ele tem um conteúdo que acredito ser muito bom para ser apagado, então vai ficar aqui. Eu sei que as pessoas não consomem mais esse formato de divulgação de conteúdo, mas tenho carinho pelo meu espaço e vai ser só mais um blog desinteressante, mas vai continuar.

Entretanto, há um rascunho de projeto para o ano que vem, com a mesma amiga das aulas de francês, e estamos empolgadas para a novidade. É sobre divulgação de conteúdo e opinião em conjunto, sobre assuntos de interesse, em outro formato. Vamos ver no que dá.


Um bom 2017 pra gente. Vai que melhora.
Beijos aos que ainda ficaram.

Manu ✩